Após as sanções impostas à Rússia pelos Estados Unidos, União Europeia e G7, centenas de navios petroleiros passaram a operar de forma irregular. Esses navios velhos, com donos ocultos, mudam de bandeira frequentemente, desligam rastreadores e navegam sem seguro. Essa rede clandestina ficou conhecida como “frota fantasma”.
Segundo investigação da BBC News Brasil, 36 navios da frota fantasma já trouxeram combustível russo para o Brasil desde 2022, representando 17% do diesel importado no período. Como o país não aderiu às sanções internacionais, acabou se tornando um porto seguro para essas embarcações.
O salto das importações
O comércio cresceu de forma explosiva:
2022: cerca de US$ 100 milhões em diesel russo;
2023: US$ 4,5 bilhões;
2024: US$ 5,4 bilhões;
Jan–jul/2025: US$ 3,07 bilhões.
Hoje, a Rússia já é o principal fornecedor de diesel ao Brasil, respondendo por mais da metade do consumo importado.
Para o agronegócio, o tema é vital. O diesel é a base do custo logístico da produção brasileira, ou seja, abastece tratores, colheitadeiras, caminhões e secadores de grãos.
O diesel mais barato ajudou a aliviar os custos no campo em anos de juros altos e margens apertadas. Porém, a dependência crescente da Rússia deixa o agro vulnerável: uma mudança brusca na política internacional, ou eventual bloqueio de navios sancionados, poderia disparar os preços e gerar insegurança no abastecimento.
Além disso, se Estados Unidos ou Europa aplicarem sanções secundárias, setores de exportação como soja, carne e café podem ser atingidos, prejudicando diretamente os produtores brasileiros.
Riscos e dilemas
Destaco três principais riscos ao Brasil com a frota fantasma de Vladmir Putin em águas brasileiras:
Ambientais: navios antigos e sem seguro aumentam o risco de acidentes e vazamentos, com potencial de afetar ecossistemas costeiros e até rotas de exportação agrícola.
Diplomáticos: empresas brasileiras envolvidas podem sofrer retaliações em mercados-chave para o agro.
Jurídicos: sem adesão às sanções, autoridades brasileiras alegam não ter base legal para impedir essas operações.
O Brasil enfrenta um dilema: manter o diesel barato que sustenta o agro e a economia, ou assumir os riscos ambientais, diplomáticos e comerciais de se tornar destino da frota fantasma.
Mais do que um debate sobre energia, trata-se de uma questão que atinge o coração da competitividade do agronegócio brasileiro.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Faltando praticamente um mês para o evento de Abertura Nacional da Colheita do Trigo, em Campo Novo, no Rio Grande do Sul, o panorama das condições climáticas para os trabalhos em campo em outubro é de bastante chuva em toda a região Sul do Brasil. Essa é a avaliação do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller.
Atenção, produtor de trigo
O especialista aproveita para fazer um alerta para os agricultores que já começaram a colheita de trigo. “O produtor paranaense, que já está colhendo, deve aproveitar setembro, antes da primavera, para acelerar os trabalhos. Em outubro, a previsão indica acumulados de cerca de 200 milímetros ao longo do mês”. Apesar da chuva poder atrapalhar o ritmo, Müller diz que não deve haver perdas significativas.
Nas demais regiões, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as chuvas frequentes vão exigir planejamento e atenção. No entanto, o meteorologista reforça que os agricultores devem conseguir colher sem grandes problemas, desde que aproveitem as janelas de tempo firme.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até a última semana, os produtores colheram 9,1% da área de trigo. O número está abaixo do total do mesmo período de 2024 e também da média dos últimos cinco anos, quando os agricultores já tinham avançado sobre 11,6% e 10,3% da área, respectivamente.
Previsão para os próximos dias
Em regiões onde a colheita já passa da metade, como Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, o clima deve continuar ajudando. Por outro lado, São Paulo segue em ritmo mais lento por causa das geadas ocorridas em julho.
Segundo Müller, o vendaval e a queda de granizo no Rio Grande do Sul nos últimos dias podem trazer prejuízos pontuais, porém nada que configure uma quebra de safra. Até porque no estado e também em Santa Catarina, o plantio de trigo acontece tardiamente. “No geral, a umidade e as temperaturas têm sido adequadas no Sul, favorecendo o desenvolvimento das lavouras que ainda estão em floração”, reforça.
Portanto, a recomendação do meteorologista é clara: acompanhar a previsão semanal e aproveitar as melhores janelas de tempo firme para avançar com a colheita.
Bi-grande Campeã da Exposição do Prado, a fêmea gateada Índia Envenenada Del Chamame (Box 25) somou 20.770 pontos e levou o Freio de Ouro 2025 para o Uruguai, em uma tarde de arquibancadas lotadas e torcida animada neste sábado (6), no penúltimo dia da Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul.
A égua “doble chapa” é filha de Basco Veneno e Indiecita Del Chamame e foi credenciada para a final em terras gaúchas, quando assegurou o Bocal de Bronze, na mesma pista onde correu. Conduzida pelo ginete Gabriel Viola Marty, ela convenceu tanto pela excelência morfológica quanto pela aptidão para o serviço de campo.
“É uma égua extremamente linda, muito boa na morfologia e na função, que é o que se busca: um cavalo lindo e bom. Ela foi perfeita. Brilhou”, disse o expositor Martin Gurmendez Marquez, que, ao lado do irmão Tomas Marquez, conduz a Cabanha El Chamame, na cidade uruguais de Florida.
Emocionado, o ginete declarou seu amor à égua: “Hoje, ela foi espetacular e ganhou com sobra”, disse o detentor de sete Freios de Ouro.
Pontuando sempre entre os primeiros colocados nos resultados parciais, a égua iniciou em quinto lugar na Morfologia, depois avançou para a segunda colocação nas provas de Andaduras/Figura/VSP/Esbarradas; primeiro lugar na Mangueira I e quinto no Campo.
Assim, abriu a final com o primeiro lugar na Mangueira II, vencendo também Bayard e Campo II. “Foi merecida porque é muito bonita e fez provas muito boas. Houve um nível muito equilibrado, especialmente entre as fêmeas”, referendou o jurado Rodrigo Díaz de Vivar, responsável por determinar as notas entre as fêmeas, juntamente com Mário dos Santos Suñe e Telmo de Oliveira Peixoto.
Freios de Prata, Bronze e Alpaca
Vencedora Freio de Prata – BOX 38 Harmonia do Açungui.
Harmonia do Açungui (Box 38) garantiu o Freio de Prata com 20.229 pontos. O expositor é Guilherme Wendler da Cabanha Açungui, da cidade de Balsa Nova (PR). A colorada salina carrega a genética do pai Real Invido do Purunã e da mãe, Suntuosa do Purunã, e foi conduzida pelo ginete Fabrício Brunelli Barbosa.
O Paraná também conquistou o Freio de Bronze. A colorada douradilha Belle Que Bela (Box 08) somou 20.215 pontos e integra o plantel da criadora e expositora Elizabeth Lemanski, da fazenda Paraíso, de Balsa Nova (PR).
O Freio de Alpaca foi para Santa Vitória do Palmar (RS) com Oferenda da Tamanca (Box 32). A douradilha somou 20.179 pontos e tem Chicão de Santa Odessa como pai e Campana Tarimbera como mãe. Montada por Ricardo Gigena Wrege e exposta por Lauro Cardoso Terra e Filhos, da Estância Tamanca.
Machos vencedores
Entre os machos, Ópio da Baraúna (Box 56) fez uma campanha ascendente até a conquista do Freio de Ouro. Atual Bocal de Ouro, é inédito no final do Freio, onde somou 20.218 pontos.
“Ele não veio ponteando, mas foi regular e cresceu muito na final hoje”, destacou o jurado Carlos Marques Gonçalves Neto, que fez as avaliações juntamente com Federico Arguelles e Francisco Kessler Fleck, tendo Luciano Corrêa Passos como reserva.
A vitória foi comemorada pelo criador Vanderlei Guerra, da Baraúna Agropastoril. “Foi maravilhoso. São 34 anos criando cavalos Crioulos e esse é nosso primeiro Freio de Ouro”, disse o crioulista de Arroio Grande (RS).
A experiência do ginete tricampeão do Freio de Ouro Raul Teixeira Lima ajudou na conquista. “O cavalo é um fenômeno, ele merecia estar no pódio. Eu sabia que eu tinha um cavalo competitivo e que podia crescer muito hoje”, disse reforçando anos de dedicação e treinamento.
Já o Freio de Prata foi para Campana Echo a Mano (box 91). O cavalo zaino montado por Tomaz Marques Gonçalves e exposto por André Rodigheri, da Cabanha Rodigheri, de Osório (RS), somou 20,183 pontos.
O colorado Justiceiro 111 do Imaguare (Box 86) ficou com o Freio de Bronze. Montado pelo ginete Fabrício Brunelli Barbosa, foi exposto pelo Condomínio Justiceiro 111 do Imaguaré, somou 20.150 e leva a genética de Malke Brasão e Tdo Amistad.
La Castellana Norteño leva para Goiânia (GO) o Freio de Alpaca, com 20,030 pontos. O animal do box 89 é filho de Matreiro do Itapororó e Madriguera Névoa e foi exposto por Victor Barbosa Penner, da Cabanha Gameleira, tendo como ginete Eduardo Weber de Quadros.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), César Augusto Rabassa Hax, o ciclo 2024/2025 mobilizou 1.411 conjuntos em oito classificatórias, sendo que apenas 96 habilitaram-se para Esteio e 32 para a grande final de ontem.
Vencedor: fêmea
Freio de Ouro: Box 25 India Envenenada Del Chamame Ginete: Gabriel Viola Marty Nota: 20,770 R.p. 394, sbu143766, nmgc 0, nasc 28/12/2017, femea, gateada, Por basco veneno(b409696) (pai) e indiecita del chamame(d0092001) (mãe) Criador: Tomas y Martin Gurmendez Marquez Expositor: Tomas y Martin Gurmendez Marquez Estabelecimento: Cabanha el Chamamé, Florida – Uruguai Domador: Juan Pablo González
Vencedor: macho
Freio de ouro: Box 56 Ópio da Baraúna Ginete: Raul Teixeira Lima Nota: 20,218 R.p. 474, b586302, nmgc 7, nasc 31/12/2019, macho, gateada bragada, por niazzi improviso (b349886) (pai) e algazarra da palmeira (b327209) (mãe) Criador: Baraúna Agropastoril Industrial LTDA Expositor: Baraúna Agropastoril Industrial LTDA Estabelecimento: Cabanha Baraúna, Arroio Grande-R Domador: Nei Galvão Lopes Ramos
Machos
Freio de ouro Box 56 ópio da baraúna Ginete: raul teixeira lima Nota: 20,218 R.p. 474, b586302, nmgc 7, nasc 31/12/2019, macho, gateada bragada, por niazzi improviso(b349886) (pai) e algazarra da palmeira(b327209) (mãe) Criador: baraúna agropastoril industrial ltda. Expositor: baraúna agropastoril industrial ltda. Estabelecimento: cabanha baraúna, arroio grande-rs Domador: nei galvao lopes ramos
Freio de prata Box 91 campana echo a mano Ginete: tomaz marques ignacio gonçalves Nota: 20,183 R.p. 885, b503706, nmgc 7, nasc 18/10/2016, macho, zaina, por triunfo do purunã(b238882) (pai) e campana ana terra(b392068) (mãe) Criador: mário moglia suñe Expositor: andré rodigheri Estabelecimento: cabanha rodigheri, osório-rs
Freio de bronze Box 86 justiceiro 111 do imaguare Ginete: fabricio brunelli barbosa Nota: 20,150 R.p. 111, b521740, nmgc 7, nasc 10/11/2016, macho, colorada, por as malke brasão(b397150) (pai) e tdo amistad(b237715) (mãe) Criador: kerlon de ávila farias Expositor: condomínio justiceiro 111 do imaguaré Estabelecimento: cabanha treze tilias, cabanha macanudo, fazenda liscano e madôlo, Domador: josé ambrósio perret
Freio de alpaca Box 89 la castellana norteño Ginete: eduardo weber de quadros Nota: 20,030 R.p. 344, b511592, nmgc 7, nasc 26/10/2016, macho, baia, por matreiro do itapororó(b192264) (pai) e madriguera névoa(b356930) (mãe) Criador: marcelo amaral moraes Expositor: victor barbosa penner Estabelecimento: cabanha gameleira, goiânia-go
O período de adaptação de bovinos ao confinamento é considerado uma das fases mais críticas para o bem-estar e o desempenho dos animais. Nesse contexto, a empresa FBR Saúde Animal apresentou, durante reunião da Sociedade Americana de Ciência Animal, nos Estados Unidos, resultados de um estudo que avaliou o impacto de soluções nutricionais no ganho de peso e na eficiência alimentar de bovinos confinados.
Segundo Arquimedes Júnior, zootecnista e mestre em nutrição de ruminantes, os dados mostram que intervenções adequadas já nos primeiros dias de confinamento podem garantir melhores resultados até o fim do ciclo produtivo.
“O período de adaptação é desafiador porque os animais chegam de diferentes origens, passam a conviver em novos lotes e precisam se ajustar a uma dieta e a um ambiente totalmente diferentes. Esse processo envolve mudanças comportamentais, fisiológicas e até imunológicas, o que pode gerar estresse e reduzir o desempenho”, explica.
De acordo com o especialista, quando o animal passa por situações de estresse nessa fase, há queda no consumo de matéria seca, maior risco de doenças e redução no ganho de peso, comprometendo a rentabilidade do confinamento.
“Estamos falando de um sistema intensivo e curto, de 100 a 120 dias. Se o boi perde desempenho nos primeiros 20 ou 25 dias de adaptação, isso compromete praticamente um quarto do ciclo. Cada dia faz diferença na lucratividade da operação”, reforça Arquimedes.
Estudo reúne dados preliminares de seminários regionais
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Foto: Divulgação
Na tarde desta quinta-feira (4/9), a Expointer recebeu a apresentação dos resultados preliminares do diagnóstico das agroindústrias familiares do Rio Grande do Sul. O trabalho é fruto da parceria entre a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e a Emater/RS-Ascar.
O estudo busca compreender os principais desafios e demandas das agroindústrias cadastradas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF). Atualmente, o programa conta com mais de 4 mil agroindústrias cadastradas e oferece crédito subsidiado, benefícios tributários, acesso a feiras e ao selo Sabor Gaúcho. O apoio requerido ao DEE-SPGG consistiu na sistematização e interpretação de informações obtidas a partir de seminários regionais, conduzidos com os principais beneficiários do programa, que reuniram mais de 1.800 participantes em 12 regiões do Estado, nos anos de 2024 e 2025. As informações dos seminários são de caráter qualitativo e coube ao DEE a sua sistematização e análise estatística.
A apresentação também marcou o lançamento da Pesquisa de Diagnóstico das Agroindústrias Familiares, que será conduzida em campo a partir de setembro. O questionário, elaborado pelo DEE/SPGG, vai aprofundar dimensões como caracterização produtiva, comercialização, situação financeira, sucessão familiar, meio ambiente e qualidade de vida.
Para o diretor-adjunto do Departamento de Agroindústria Familiar da SDR, Maurício Neuhaus, o levantamento de dados é fundamental para que possamos compreender com clareza a realidade das famílias que vivem da agroindustrialização no meio rural. “A partir dessas informações, conseguimos embasar políticas públicas mais justas e eficazes, que atendam às necessidades dos produtores, valorizem seu trabalho e incentivem o desenvolvimento das agroindústrias familiares”, concluiu Neuhaus.
“Este levantamento vai gerar informações fundamentais para aprimorar as políticas públicas voltadas às agroindústrias familiares e ao fortalecimento da agricultura no Estado”, destacou o pesquisador do DEE/SPGG, Rodrigo Feix.
A categoria de pescadores artesanais brasileiros aprovou neste sábado (6), em Brasília, o 1º Plano Nacional do Pescador Artesanal, que prioriza a defesa do Projeto de Lei (PL) 131 de 2020.
A proposta prevê a demarcação dos territórios tradicionais da pesca artesanal. Ao todo, 2 milhões de trabalhadores vivem da atividade no país ─ 50% deles no Nordeste, e 30% no Norte.
“Sem território, não há vida. Com a provação desse PL, poderemos delimitar os territórios pesqueiros e brindar as presentes e futuras gerações com esses territórios, reconhecendo que o território pesqueiro é a terra, o mar, as roças e as manifestações culturais”, disse a pescadora e coordenadora do Fórum Nacional da Pesca Artesanal, Ana Flávia Pinto.
Cerca de 150 delegados que representam comunidades pesqueiras de todo o país aprovaram o 1º Plano Nacional de Pescadores Artesanais, que deve nortear, nos próximos 10 anos, as políticas públicas para a categoria. Ao todo, cerca de 650 representantes da categoria participaram da construção do plano, iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Para a pescadora Ana Flávia, o principal problema da categoria é o avanço de empreendimentos sobre os territórios tradicionais dessas comunidades. Por isso, há a necessidade de reconhecer esses territórios.
“Às vezes, a comunidade tem documentação, mas não consegue pescar. A questão da especulação imobiliária, dos grandes empreendimentos, não só de petróleo e gás, mas de hidrelétricas e energia eólica, que ainda é uma falsa solução para as comunidades pesqueiras”, disse a representante do Movimento dos Pescadores e Pescadores Artesanais do Brasil (MPP).
Acesso preferencial
Ana Flávia Pinto, coordenadora do Fórum Nacional da Pesca Artesanal (camiseta amarela) comemora aprovação Foto: Felipe Araújo
O PL 131/2020 prevê que são garantidos às comunidades pesqueiras tradicionais “o acesso preferencial aos recursos naturais e seu usufruto permanente, bem como a consulta prévia e informada quanto aos planos e decisões que afetem de alguma forma o seu modo de vida e a gestão do território”.
A Plenária Nacional de Pescadores Artesanais realizada nesta semana, em Brasília, é a última etapa de um processo realizado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para criar o 1º Plano Nacional de políticas públicas para categoria.
O documento produzido deve guiar o Programa Povos da Pesca Artesanal, criado pelo governo federal ainda em janeiro de 2023.
“É um momento histórico para nós da comunidade pesqueira. Esse Plano Nacional da Pesca Artesanal é um instrumento de defesa, de luta, que você tem como garantir que, de fato, essas políticas públicas cheguem na ponta, para podermos cobrar”, avaliou Ana Flávia, pescadora do município de Ubatuba (SP).
O secretário nacional da pesca artesanal, Cristiano Ramalho, disse que o governo vai apoiar a iniciativa de demarcar esses territórios, conforme pede a categoria.
“Não há uma política ainda governamental que reconheça os territórios tradicionais da pesca artesanal, como existe com as populações quilombolas e povos indígenas. Então, há um pedido para que haja também esse reconhecimento”, salientou.
“É necessário a sociedade brasileira saber que essa categoria é fundamental para a segurança alimentar e tem um patrimônio cultural maravilhoso. Os povos da pesca artesanal são ainda fundamentais para combater emergência climática”, comentou o secretário Cristiano.
Seguro defeso
As lideranças dos pescadores também pedem que sejam feitas alterações nas novas regras criadas pela Medida Provisória 1303 de 2025, que prevê regras mais rígidas para acesso ao seguro defeso, auxílio pago aos pescadores durante o período de reprodução dos peixes.
Entre as novidades, que passam a valer em outubro deste ano, está a exigência para apresentação de notas fiscais de venda do pescado, comprovantes de contribuição previdenciária, fornecer endereço da residência, além de ter que apresentar relatórios mensais da atividade.
“Cada peixe que eu for vender ter nota fiscal é muito difícil para a pesca artesanal, principalmente com a maioria da comunidade pesqueira que, tendo todo o saber tradicional, tem dificuldade no estudo, na leitura, nesses processos”, comentou Ana Flávia.
A liderança informou que está em diálogo com as autoridades para tentar ajustar as regras por meio da regulamentação infralegal.
“A gente está em diálogo o ministro [André de Paula] para a gente conseguir, antes que ele vire um decreto, adequar de fato com a realidade, para não cair de novo numa armadilha”, completou.
O secretário nacional da pesca artesanal disse que o ministério vai levar as demandas da categoria para o “centro do governo” e defendeu a necessidade de regras mais rígidas para combater fraudes.
“Estão sendo feitos ajustes no diálogo com as comunidades pesqueiras. Mas acho importante essa iniciativa do governo contra as fraudes, porque assim a gente garante direitos”, argumentou.
Outras políticas do Plano
O 1º Plano Nacional de Pescadores Artesanais do país ainda prevê projetos para educação diferenciada e popular nas comunidades tracionais; medidas de saúde pública específicas para essas comunidades; apoio ao turismo de base comunitária; ações para criar estruturas que agreguem valor ao pescado artesanal, entre outras.
Na abertura da Plenária Nacional, no início da semana, foi assinado acordo para o Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, que tem como objetivo a criação de mais 800 bolsas para jovens de comunidades pesqueiras artesanais do Brasil.
O secretário Cristiano Ramalho antecipou ainda que a pasta está em diálogo com o Ministério da Saúde para lançar um primeiro programa de saúde para os povos da água no início de 2026.
“Outro tema em debate é a permanente valorização das mulheres pescadoras, seja com políticas de crédito e apoio as organizações produtivas que elas têm nos territórios”, finalizou.
Pecuaristas, a celebração da qualidade na pecuária brasileira tem um palco de destaque: o Circuito Nelore de Qualidade. Em Marcelândia, no estado de Mato Grosso, o evento se reuniu para premiar os campeões que estão fazendo um trabalho de ponta com a raça, consolidando a região como um verdadeiro polo de excelência. Já clica aí pra assistir ao vídeo abaixo e conferir essa história que é pura inspiração e reconhecimento para a pecuária nacional!
Essa celebração da qualidade do nelore foi o grande assunto do quadro Giro pelo Brasil na última sexta-feira (5).
O tradicional quadro do programa Giro do Boi, do Canal Rural, mostra como o Brasil está produzindo carne de alta qualidade, segura e com rastreabilidade para os consumidores. A história de hoje é um desses bons exemplos da pecuária de corte da “prateleira de cima”.
Quem fez questão de apresentar os resultados dessa etapa importante foi o Cristiano Carvalho Braida, gerente da unidade da Friboi de Colíder, no estado de Mato Grosso.
A etapa, realizada na unidade da Friboi de Colíder, reuniu 769 animais, sendo 241 bois e 528 fêmeas, vindos de 6 lotes de bois e 6 lotes de fêmeas, o que demonstra a força e a dedicação da pecuária da região.
Os campeões de Marcelândia e região
Lote de novilhas campeãs. Foto: Divulgação/Friboi de Colíder (MT)
E, claro, teve premiação para quem fez bonito! O Circuito Nelore de Qualidade, realizado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), reconheceu o trabalho e a dedicação dos pecuaristas que se destacaram:
Campeões na categoria Novilhas Nelore:
1º lugar: Algacir Fistarol, da Fazenda João de Barro, em Marcelândia (MT).
2º lugar: Adilson Francisco Fistarol, também da Fazenda João de Barro, em Marcelândia (MT).
3º lugar: Vanessa Cristina Strapazzon, da Fazenda Rio Pequeno, em Marcelândia (MT).
Campeões na categoria Machos Nelore:
1º lugar: Edras Soares, da Fazenda Telles Pires, em Nova Canaã do Norte (MT).
2º lugar: Vanessa Cristina Strapazzon, da Fazenda Rio Pequeno, em Marcelândia (MT).
3º lugar: Lourival Antônio Sguissardi, da Fazenda Eldorado, em Nova Canaã do Norte (MT).
Os resultados demonstram a excelência de produtores da região de Marcelândia em produzir gado nelore de alta qualidade, com um trabalho que se traduz em peso, rendimento de carcaça e maior rentabilidade.
Circuito Nelore de Qualidade: o fomento à raça
O Circuito Nelore de Qualidade, promovido pela ACNB desde 1999, tem como objetivo fortalecer a genética da raça nelore e posicioná-la como produtora de carne de alta qualidade.
A iniciativa avalia os resultados obtidos pelos produtores em seus diferentes sistemas de produção, incentivando a evolução contínua da nossa pecuária. Promovido com o apoio da Friboi e outros parceiros, o Circuito é o maior campeonato de avaliação de carcaças de bovinos do mundo.
Um ciclone extratropical deve trazer fenômenos intensos para o Sul do país no início desta semana, com temporais, ventania e queda de granizo. O Sudeste também será impactado, mas de forma mais localizada e amena.
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Nas demais regiões do país, destaque para as temperaturas máximas que podem exceder os 40°C. Confira a previsão do tempo do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, entre esta segunda (8) e sexta-feira (12):
Sul
A formação de um ciclone extratropical no litoral gaúcho fará a semana começar com pancadas de chuva, risco de temporais e queda de granizo, além de rajadas de vento acima de 60 km/h em todo o Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, atingindo, também, o oeste do Paraná. Nessas localidades, a previsão indica acumulado de chuva entre segunda e terça (8 e 9) entre 40 mm e 60 mm. Já no paranaense não chove e a temperatura máxima deve ficar acima dos 30ºC, elevando o risco para focos de incêndio. A partir de quarta-feira (10), o tempo fica mais firme em todo o Sul e as temperaturas voltam a subir gradativamente.
Sudeste
O ciclone que atua sobre o Sul deve chegar ao Sudeste na terça-feira (9), com rajadas de vento intensas em São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, o suficiente para derrubar árvores e interromper o abastecimento de energia elétrica. A semana também começa com pancadas de chuva no litoral do Sudeste, além de no leste mineiro. Enquanto isso, grande parte da região permanece com tempo firme e predomínio de sol. As temperaturas voltam a se elevar em São Paulo e no Rio de Janeiro após um fim de semana frio. Atenção para a umidade do ar abaixo de 30% em boa parte dos territórios paulista, mineiro e fluminense, com destaque para as regiões interioranas, onde os termômetros devem chegar a até 37ºC. Quanto à chuva, Rio de Janeiro, Espírito Santo e leste de Minas Gerais devem receber, no máximo, 10 mm até sexta-feira (12).
Centro-Oeste
No decorrer da semana, a chuva se concentra no extremo sul de Mato Grosso do Sul e no noroeste de Mato Grosso, com acumulados entre 20 mm e 30 mm. No extremo norte mato-grossense, a segunda-feira (8) será de pancadas de chuva ocasionais. Nas demais áreas do Centro-Oeste a tendência é tempo quente e seco, com precipitações previstas apenas no início da primavera, entre os dias 20 e 22 de setembro. De forma geral, até sexta-feira, o padrão de tempo na região permanece com temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar a 41°C, especualmente no centro-norte de Mato Grosso do Sul, em Goiás e em Mato Grosso.
Nordeste
As chamadas “ondas de leste” continuam a atuar no litoral do Nordeste, levando chuva entre 10 mm e 20 mm ao longo da semana para Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte. Contudo, as temperaturas seguem elevadas em grande parte do Nordeste, com umidade relativa do ar abaixo de 30% e temperaturas de até 38°C nas regiões de interior. A chuva deve começar a retornar com mais força apenas nas últimas semanas de setembro.
Norte
Nesta segunda-feira, a previsão indica diminuição das pancadas de chuva em Rondônia e no Acre. Porém, há risco de temporais que ainda atingem grande parte da faixa oeste e também o oeste do Pará. O calor e o tempo seco predominam especialmente no Tocantins e sul paraense, com umidade relativa do ar abaixo de 30%. No Amazonas, em Roraima e em Rondônia o acumulado de chuva ao longo da semana deve ficar entre 30 mm e 40 mm. Contudo, o calorão e o tempo seco prevalecem no centro-sul paraense e no Tocantins, com máximas que ficam acima dos 40°C.
Com a abertura oficial da 48ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, nesta sexta-feira (5/9), mais uma edição da feira reforça a importância do campo e as possibilidades de um futuro promissor para o setor agropecuário. A solenidade começou com a execução do Hino Nacional pela banda marcial da Brigada Militar, acompanhada pelos cantores Pirisca Grecco e Ariane Winkler.
Com apresentações de grupos de dança e música típicos, o evento enalteceu a força do campo gaúcho para enfrentar obstáculos, superar crises e se reerguer, sempre com o olhar voltado para o futuro.
Em seu discurso, o governador Eduardo Leite destacou as ações do governo estadual em apoio aos produtores rurais e na ampliação das condições de produção no Rio Grande do Sul. “A Expointer é o momento de celebrar tudo o que temos de melhor no campo gaúcho: a nossa capacidade de produzir, inovar e gerar riqueza. Mas é também o espaço de ouvir e valorizar as demandas legítimas dos nossos produtores, que sustentam o desenvolvimento do Rio Grande e do Brasil”, afirmou Leite. “A dor dos nossos produtores é real, marcada por dívidas que se acumulam depois de sucessivas estiagens. Essas demandas justas não podem ser ofuscadas ou capturadas por tentativas de capitalização político-eleitoral, porque o que está em jogo é o futuro do nosso agro e da nossa economia”, completou.
Leite também ressaltou os avanços entregues pelo Estado nos últimos anos. Entre as medidas, citou a redução de 50% no crime de abigeato, com a criação de delegacias e patrulhas especializadas para proteger propriedades rurais; a retomada da capacidade de investimentos em estradas; a desburocratização de projetos de irrigação; e a execução do maior programa de recuperação e enriquecimento de solos da história gaúcha.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, reforçou o papel da Expointer como espaço de transformação e de esperança. “Cada dívida não paga, cada safra perdida é também um golpe no coração do produtor que se considera responsável pela família, e teme falhar em seu papel. Mas, hoje não estamos aqui para nos afundar na dor, e sim para transformá-la em força. A Expointer existe para isso, ser o palco onde a esperança se faz presente, a recuperação encontra elementos concretos, a solidariedade e as soluções começam a germinar. É um ambiente para reconectar laços, promover renegociações e inspirar decisões que aliviem esta carga emocional e financeira. É a oportunidade coletiva de transformação”, afirmou Brum.
Entre as novidades desta edição, Brum citou a GurIA, ferramenta que auxilia os visitantes na circulação pelo parque, facilitando o acesso à programação e aos espaços, além da infraestrutura renovada, com ampliação das vagas de estacionamento e criação de novos ambientes de convivência.
O secretário do Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, também ressaltou a relevância da agricultura familiar. “A Expointer é um retrato fiel do que o Rio Grande do Sul é, força, tradição, inovação e coragem. Hoje ao abrirmos oficialmente a 48ª edição, quero destacar um espaço que traduz a alma desta feira, o Pavilhão da Agricultura Familiar. Dos 365 mil estabelecimentos agropecuários, 293 mil são da agricultura familiar, um número que fala por si. É a base da nossa produção, da nossa economia e da identidade do povo gaúcho. Mesmo em momentos difíceis, tem mostrado que é o caminho para o desenvolvimento, a geração de renda e a retomada da confiança”, destacou Covatti.
Medalha Assis Brasil
Durante a cerimônia, também foram entregues as medalhas Assis Brasil, condecoração instituída em memória do mestre do ruralismo brasileiro Joaquim Francisco de Assis Brasil. A honraria é destinada a pessoas que se destacam por serviços excepcionais à agricultura e à pecuária, sendo concedida anualmente na abertura oficial da Expointer.
Este ano, foram homenageadas as seguintes personalidades:
Paulo Roberto da Silva – engenheiro agrônomo
Marcos Tang – presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac)
Leonardo Lamachia – presidente da OAB-RS
A Expointer segue até domingo (7/9), reunindo produtores, visitantes e expositores em um dos maiores encontros do agronegócio e da tradição gaúcha no Brasil.
A taxação dos Estados Unidos vem pressionando o mercado do café, que reage com forte volatilidade nos preços. Só que isso vem perdendo força nos últimos dias, principalmente nos contratos futuros. Em uma semana, as perdas somam quase 3%.
De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do dia 1º a 25 de agosto, as exportações brasileiras do grão para os EUA caíram 47%.
Segundo o diretor da Faros Consultoria, Haroldo Bonfá, as volatilidades fazem parte do acompanhamento das bolsas, tanto em Londres quanto em Nova York.
De acordo com ele, o “tarifaço” norte-americano retira do mercado 7 a 8 milhões de sacas anuais que deveriam ser enviadas aos Estados Unidos, então o setor busca alternativas, como enviar o café para Canadá ou México e depois processar. O Brasil já tem histórico de comercialização com esses países.
O analista comenta que nos Estados Unidos há grande discussão sobre inflação. Um aumento de 50% no preço da matéria-prima reflete nos preços ao consumidor, encarecendo o produto e impactando índices inflacionários.
No entanto, apesar do impacto nos preços, o consumo não deve ser afetado, já que o café é considerado “inelástico”. “É pouco provável que o consumo caia. Economistas dizem que o café é ‘inelástico’, ou seja, a variação de preço não afeta diretamente o consumo, porque traz benefícios de saúde e emocionais. Mas os preços, sim, são afetados”, contextualiza.
Para os produtores, Bonfá recomenda cautela e usar o bom senso nas vendas, aproveitando oportunidades de lucratividade, mas de forma ponderada.
“Primeiro, tenha consciência do que colheu; o volume precisa durar até a próxima safra. A maioria dos produtores está bem capitalizada, então não há necessidade imediata de vender tudo. Use o bom senso: aproveite oportunidades para lucrar, mas faça de forma ponderada.” recomenda.
Ainda segundo o diretor, mesmo considerando safras de Vietnã e Colômbia, elas não serão suficientes para suprir a falta de arábica do Brasil nos Estados Unidos. A expectativa da maioria dos analistas é de preços altos até a próxima colheita.