quinta-feira, abril 30, 2026

Autor: Redação

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Você viu? Cálculo mais preciso da calagem aumenta produtividade do milho em 50%


Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, desenvolveram um método prático para estimar a necessidade de calagem com base nos atributos químicos do solo e na composição do calcário. Essa foi uma das notícias mais lidas do site do Canal Rural durante a semana.

Fruto de dez anos de estudo e de quase 30 anos de experiência do professor Silvino Guimarães Moreira, da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/Ufla), com estudos sobre calcário, o método leva em conta a relação entre cálcio, magnésio e pH do solo.

Desta forma, permite estimar doses específicas para duas profundidades: de 0 a 20 cm e de 0 a 40 cm — sendo esta última o principal foco do trabalho. Ao contemplar a correção em camadas mais profundas, a metodologia favorece a melhoria da fertilidade do subsolo e amplia o volume explorado pelas raízes.

O estudo acaba de ser publicado na revista internacional Soil & Tillage Research, uma das mais prestigiadas publicações internacionais na área de ciência do solo.

Melhoria das estimativas

A pesquisa vem sendo realizada para melhorar as estimativas de cálculo de doses de calcário, uma vez que os métodos atualmente disponíveis acabam por subestimar as quantidades necessárias quando se objetiva corrigir o pH do subsolo, sobretudo em áreas agrícolas novas.

Como observa o professor, ao subestimar as doses necessárias, tornam-se necessárias reaplicações e atrasos na correção da acidez, com impactos econômicos relevantes, sobretudo em áreas arrendadas, em que o tempo de retorno da calagem não acompanha o ciclo produtivo.

diferenças nas lavouras de milhodiferenças nas lavouras de milho
À esquerda, dose de 3 t/ha de calcário; à direita, aplicação de 12 t/ha. Foto: Divulgação Ufla

Para chegar ao novo método, os pesquisadores conduziram sete experimentos de campo em diferentes municípios de Minas Gerais e abrangendo diferentes condições edafoclimáticas, ao longo de quatro anos (14 safras).

Os municípios que receberam os experimentos foram: Ijaci, Nazareno, Ingaí, Uberlândia, Araguari, São João del Rei e Formiga. Nesses locais, os pesquisadores avaliaram diferentes doses de calcário incorporadas até 0,40 m de profundidade.

De acordo com o professor Silvino Moreira, essa diversidade geográfica e temporal confere robustez aos resultados, garantindo que as conclusões não sejam pontuais, mas representativas de diferentes realidades de solo e clima.

Os resultados mostraram ser possível aumentar a produtividade das culturas anuais e a resiliência destas culturas aos déficit hídricos, comuns nas condições de cultivos de sequeiro na região sob Cerrado, especialmente na segunda safra.

Isso foi possível com níveis mais elevados de cálcio e magnésio no solo não só na camada de 0 a 20 cm, mas também na camada de 20 a 40 cm. O estudo define novos níveis críticos para os nutrientes cálcio e magnésio no solo para estas duas camadas de solo, os quais são maiores do que os tradicionalmente recomendados.

Em lavouras de milho segunda safra submetidas a veranicos severos, a aplicação baseada na nova metodologia proporcionou ganhos de produtividade superiores a 50%. Em lavouras de soja houve ganhos de até 30%.

O efeito foi atribuído ao maior desenvolvimento radicular em profundidade, o que permitiu às plantas acessar água e nutrientes mesmo em períodos de déficit hídrico. Nas fotos da lavoura de milho (acima) é possível verificar a diferença no desenvolvimento das plantas, com dose de 3 t/ha de calcário (primeira foto de milho) e com 12 t/ha de calcário (segunda foto de milho).

O produtor Evandro Ferreira, da Fazenda Campo Grande, em Nazareno, considera que a pesquisa foi um divisor de águas na busca por altas produtividades na região. “As chamadas ‘altas doses de calcário’ não representam excesso, mas sim a aplicação criteriosa e ajustada às reais necessidades do solo”, pontuou.

Profundidade da aplicação de cálcio

O método mostrou que, para atingir 95% da produtividade das lavouras anuais, é preciso garantir 60% de cálcio na camada de 0 a 20 cm do solo e 39% na camada de 20 a 40 cm.

Essa proposta foi especialmente desenvolvida para correção de solos para implantação de culturas anuais sobre sistema de plantio direto (SPD) ou para reabertura de áreas atualmente em uso, mas que não tiveram uma correção adequada. A proposta também já começa a ser testada em lavouras de café.

Os pesquisadores envolvidos no estudo esperam que o método tenha impacto direto na agricultura brasileira, sobretudo em regiões como o Cerrado, onde a produção de grãos depende fortemente da correção da acidez do solo.

Isso porque, com uma recomendação mais precisa de calagem, produtores podem alcançar maior eficiência no uso de insumos, reduzir custos a longo prazo e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas.

“Trata-se de uma contribuição relevante não apenas para a agricultura mineira, mas também para outras regiões tropicais, onde solos ácidos e altamente intemperizados impõem sérias limitações à produção agrícola”, considera o professor Silvino Moreira.



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São Paulo amplia linhas de crédito para o agronegócio



O FEAP é um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio paulista



Foto: Canva

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo anunciou um aporte suplementar em três linhas de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). A iniciativa reforça a política pública do governo paulista de ampliar o acesso ao crédito, à inovação e à sustentabilidade no campo.

Com a deliberação, o valor destinado à linha de crédito Desenvolvimento Rural Sustentável Paulista passou de R$ 20 milhões para R$ 50 milhões. A linha apoia projetos de energias renováveis, agricultura irrigada, produção em ambiente protegido, modernização e regularização de pequenas agroindústrias, contribuindo para geração de renda e agregação de valor no setor rural.

O FEAP Mulher, voltado ao incentivo da participação feminina no campo, teve incremento de R$ 5 milhões, somando R$ 15 milhões disponíveis. Já o FEAP Orgânicos Agro SP, que apoia a transição agroecológica e a produção de alimentos saudáveis, elevou seu orçamento de R$ 2 milhões para R$ 3 milhões.

O FEAP é um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio paulista, com linhas de crédito que vão da modernização tecnológica a práticas sustentáveis e inclusivas. Ao direcionar recursos para projetos específicos, como o Mulher Agro SP e os Orgânicos Agro SP, a Secretaria atende à demanda por alimentos produzidos de forma ambientalmente responsável. Com o novo aporte, a expectativa é ampliar o recurso para até 600 produtores, fortalecendo o desenvolvimento rural.





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Resíduos de frutas e verduras são usados na produção de energia



Todos os meses, 17 a 25 toneladas de resíduos da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa – CE) são enviadas ao aterro sanitário, a um custo aproximado de R$ 230 mil. Para transformar esse passivo em energia renovável, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram o Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios.

A inovação aumenta a produção de biogás, com alto teor de metano, ocupa menos área e reduz custos e emissão de GEE. Projetada para a Ceasa do estado, a tecnologia tem potencial de replicação nas outras 57 centrais de abastecimento brasileiras.

O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento. Essa biomassa não utilizada, altamente biodegradável, é ideal para produzir um biogás rico em metano, aproveitável na forma de combustível.

No método usual, a fermentação dos resíduos de frutas e verduras ocorre em Reatores de Mistura Completa (CSTR, sigla em inglês). Mas estes possuem limitações operacionais e exigem grandes volumes.

Assim, o novo sistema aprimora esse processo ao aplicar um pré-tratamento que separa os resíduos por meio de trituração e prensagem em duas frações: líquida e sólida, cada uma, enviada a um reator especializado.

A fração líquida é tratada em reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (UASB, sigla em inglês), eficazes para cargas orgânicas elevadas, e oferecem excelente rendimento na digestão de substratos altamente biodegradáveis. E a fração sólida, por sua vez, é encaminhada para compostagem, o que resulta em um fertilizante de alta qualidade, ou para reatores de metanização seca, capazes de operar com resíduos com alto teor de sólidos, mas ainda em fase de estudos.

Segundo o pesquisador que coordenou esse trabalho, Renato Leitão, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), o novo sistema produz biogás o suficiente para gerar energia elétrica e suprir em 100% a demanda da Ceasa-CE em horários de ponta e mais 20% da energia fora desses períodos. “Caso não seja utilizado na própria Ceasa, esse biogás pode ser comercializado na forma de biometano após tratamento adequado”, complementa.

Entre as vantagens desse tipo de aproveitamento está a redução do impacto ambiental e também a diminuição de custos de transporte e tratamento do material. Isso porque atualmente existe um contrato para encaminhamento desses resíduos para o aterro sanitário.

Renato Leitão explica que o sistema representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos orgânicos em energia renovável, reduzindo custos de descarte e emissões de gases do efeito estufa. O próximo passo do estudo é ampliar a escala de produção, mas para isso é necessária a construção de uma unidade-piloto maior, para calibrar os equipamentos.

“O impacto pode ser enorme: energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática.”, acrescenta o professor André dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.



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Panetone brasileiro faz sucesso fora do país e fatura mais de R$ 120 milhões



Em 2024, o Brasil exportou 5,2 mil toneladas de panetones, gerando receita de US$ 21,2 milhões (cerca de R$ 121,9 milhões).

A tradicional receita de fim de ano se mantém como destaque nas exportações do setor de panificação, especialmente entre os membros da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi).

O diretor internacional da entidade, Rodrigo Iglesias, destaca que o panetone é o quarto produto mais relevante da pauta exportadora da cesta Abimapi, logo atrás dos biscoitos.

“A importância do panetone é ainda mais evidente quando se observa que as exportações das empresas associadas representam 95% de todos os panetones brasileiros exportados para o mundo”, conta.

Além do volume, o panetone se destaca pelo valor de mercado considerando os investimentos na composição dos produtos, além das embalagens presenteáveis.

“Em 2024, o preço médio FOB do panetone exportado foi de USD 4 por kg (cerca de R$ 21,70 por kg), o produto com maior valor agregado do setor considerando os preços de embarque USD/kg”, destaca Iglesias.

O panetone tradicional de frutas é a porta de entrada para o desenvolvimento da categoria, mas são os recheados e com gotas de chocolate que estão diferenciando as marcas brasileiras no exterior.

A sazonalidade também é uma característica marcante das exportações de panetone, com os embarques iniciando em julho, mas se concentrando em agosto e setembro, terminando em janeiro com o fim da campanha nos pontos de venda pelo mundo.

Maior mercado internacional

O mercado dos EUA é o maior comprador dos panetones brasileiros. Em 2024, foram 3,2 mil toneladas com faturamento de US$ 12,1 milhões (ou cerca de R$ 70 milhões).

“Até agosto deste ano, as exportações de panetone para os Estados Unidos cresceram 130%, embarcamos 1,8 mil toneladas, com faturamento de 6,7 milhões de dólares. Esperamos concluir 2025 mantendo o volume de embarques ao país”, afirma Iglesias.

Novos mercados para o panetone

De acordo com Iglesias, as empresas exportadoras já possuem experiência nas negociações internacionais, iniciando os anos fechando os principais contratos para as vendas de panetones no 2º semestre. Assim, o início dos embarques em julho deste ano sinalizam incremento das exportações que vão além do mercado norte-americano.

Japão, México, Venezuela, Peru, Canadá, República Dominicana e Chile cresceram mais de cinco vezes até o momento. “Isso mostra maior planejamento estratégico das empresas para desenvolver o portfólio sazonal de panetones no mercado externo”, conclui.



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Mercado do boi gordo segue estável



Compradores alongam escalas e reduzem ofertas



Foto: Canva

De acordo com a análise divulgada na sexta-feira (12) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo, da novilha e do “boi China” registraram quedas ao longo da segunda semana de setembro. Segundo a publicação, “a oferta de bovinos confortável atendeu à demanda com tranquilidade, permitindo que parte dos compradores alongasse suas escalas”. O cenário desacelerou as negociações e, conforme o informativo, “na sexta-feira, parte da indústria frigorífica optou por se manter fora das compras, aguardando um melhor posicionamento do mercado em relação aos preços e ao desenrolar das vendas de carne”. Entre os compradores ativos, “as negociações ocorreram com cautela: alguns reduziram suas ofertas, contudo, a ponta vendedora se manteve firme”.

Dessa forma, o informativo aponta que “as cotações de todas as categorias permaneceram estáveis na comparação dia a dia”. As escalas de abate ficaram, em média, em dez dias.

Na Bahia, “embora não houvesse excedentes, a oferta conseguiu suprir a demanda, permitindo um alongamento das escalas”. Com isso, “na região Oeste, a cotação do boi gordo recuou R$3,00/@, enquanto a das fêmeas permaneceu estável em relação ao dia anterior”. Na região Sul do estado, “as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias”.

Em Santa Catarina, “a oferta e a demanda estiveram equilibradas, o que contribuiu para que as cotações se mantivessem as mesmas durante toda a semana, cenário que se repetiu na sexta-feira”, informa o “Tem Boi na Linha”.





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Qual assunto você quer entender melhor no agro? Veja o que os produtores escolheram


Na interatividade da semana, perguntamos aos produtores rurais: “Qual assunto você gostaria de entender melhor?” O resultado mostrou que a tecnologia é o tema que mais desperta interesse. 50% indicaram querer aprender a usar tecnologia no dia a dia. Para apoiar esse público, o Sebrae já mantém um portal exclusivo com conteúdos, cursos e ferramentas voltados para inovação no campo, reforçando o quanto o tema é prioritário para o agronegócio.

O que os produtores querem aprender

Além da tecnologia, outros temas também chamaram atenção. De acordo com o levantamento, 28% dos produtores demonstraram interesse em reduzir custos na produção, buscando maior eficiência e rentabilidade. Já 21% afirmaram querer aprender como vender mais pela internet, o que evidencia que o comércio digital continua sendo uma oportunidade importante para o agronegócio.

Por que a tecnologia é prioridade no campo

A adoção de ferramentas tecnológicas já deixou de ser tendência para se tornar uma realidade no agronegócio brasileiro. Hoje, softwares de gestão, aplicativos de monitoramento, sensores, drones e máquinas inteligentes ajudam a otimizar processos e ampliar resultados.

Além disso, o uso de tecnologia no dia a dia traz vantagens concretas, como:

  • Aumento da produtividade;
  • Redução de desperdícios;
  • Melhoria na tomada de decisões;
  • Maior competitividade no mercado.

Outro ponto importante é que, ao investir em inovação, o produtor rural também contribui para um setor mais sustentável e preparado para os desafios do futuro.

Sebrae apoia a inovação no campo

O Sebrae é referência quando o assunto é inovação no agronegócio. O portal dedicado à tecnologia rural oferece materiais educativos, consultorias e exemplos práticos para agricultores e pecuaristas aplicarem soluções digitais no dia a dia. Com esse apoio, os produtores têm acesso a ferramentas que podem transformar seus negócios e gerar mais competitividade.



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Trigo volta a romper piso dos US$5 em Chicago



Colheita do trigo de primavera avança nos EUA



Foto: Canva

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 5 a 11 de setembro e publicada nesta quinta-feira (11), o primeiro mês cotado para o trigo em Chicago voltou a romper o piso dos US$ 5,00/bushel no dia 10/09, após quase um mês, ao fechar em US$ 4,95. No dia seguinte, 11/09, véspera do relatório de oferta e demanda do USDA, o bushel do cereal subiu levemente e fechou em US$ 5,03, contra US$ 5,02 registrado uma semana antes.

Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera atingia 85% da área semeada até 07/09, frente à média histórica de 84%. Já o plantio da nova safra de trigo de inverno alcançava 5% da área esperada, contra 6% na média histórica.

Os embarques de trigo estadunidense, na semana encerrada em 4 de setembro, somaram 424.993 toneladas, dentro do esperado pelo mercado. Com isso, o total embarcado no atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, chega a 7,1 milhões de toneladas, ficando 10% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.





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É possível colher mais com menos insumos?


O uso de inoculantes agrícolas tem se consolidado como uma das práticas mais eficientes e sustentáveis para a produção de culturas como soja, feijão, milho e pastagens. Esses produtos biológicos contêm microrganismos vivos capazes de promover o crescimento das plantas por diferentes mecanismos, como a fixação biológica de Nitrogênio, a solubilização de nutrientes e o estímulo ao desenvolvimento radicular. Quando aplicados corretamente, os inoculantes podem substituir total ou parcialmente o uso de fertilizantes químicos nitrogenados, trazendo ganhos econômicos e ambientais ao sistema produtivo.

A seleção adequada do inoculante é o primeiro passo para o sucesso da prática. É essencial utilizar produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com cepas específicas e recomendadas para cada cultura. Por exemplo, o Bradyrhizobium japonicum é indicado para soja, enquanto o Azospirillum brasilense vem sendo utilizado em gramíneas como milho e pastagens. O uso de produtos fora da validade ou de origem duvidosa pode comprometer toda a estratégia, uma vez que microrganismos mortos ou contaminados não trazem benefícios à planta.

Outro ponto crítico é o armazenamento. Os inoculantes devem ser mantidos em ambientes frescos, protegidos da luz solar e de produtos químicos. O calor excessivo ou a umidade elevada comprometem a viabilidade dos microrganismos, reduzindo drasticamente sua eficácia no campo.

O preparo do solo e as condições ambientais também influenciam diretamente no desempenho dos inoculantes. Solos muito ácidos ou secos inibem a multiplicação e a atividade dos microrganismos. A recomendação dos técnicos da Embrapa é realizar a calagem com antecedência, sempre que o pH estiver abaixo do ideal para a cultura, e planejar a inoculação para momentos de boa umidade no solo.

A aplicação pode ser feita de diferentes formas: diretamente na semente, no sulco de plantio ou por pulverização no solo. A escolha depende do tipo de inoculante (líquido, turfoso, gel), da cultura e da logística da fazenda. Independentemente do método, é fundamental respeitar a dose recomendada e garantir uma boa cobertura das sementes ou da área de aplicação. Em tratamentos de sementes, por exemplo, o ideal é que cada unidade receba pelo menos 1,2 milhão de bactérias viáveis, no caso da soja.

Outro cuidado essencial é verificar a compatibilidade dos inoculantes com defensivos agrícolas. Muitos produtos químicos utilizados no tratamento de sementes, como fungicidas e inseticidas, são tóxicos aos microrganismos. Por isso, é recomendável fazer a aplicação do inoculante separadamente ou utilizar produtos com formulação protegida, desenvolvidos para resistir a esses agentes.

O tempo entre a aplicação e o plantio também influencia o sucesso da inoculação. O ideal é realizar o plantio no mesmo dia da aplicação, especialmente quando se trata de sementes tratadas. Existem no mercado inoculantes com maior tolerância ao tempo, chamados de “pré-inoculação”, mas mesmo nesses casos é preciso observar os prazos estabelecidos pelo fabricante.

Após a aplicação, é importante monitorar o campo. A observação da nodulação (quando aplicável), do crescimento inicial das plantas e, posteriormente, da produtividade, permite avaliar a eficácia da prática e corrigir eventuais falhas em safras futuras. No caso da soja, por exemplo, nódulos com coloração rosada no interior indicam atividade eficaz de fixação de nitrogênio.

De acordo com a legislação brasileira, todos os inoculantes comercializados devem seguir normas técnicas que garantam pureza, concentração mínima de microrganismos viáveis e ausência de contaminantes. Essas exigências estão detalhadas em instruções normativas do MAPA e em manuais técnicos da Embrapa, que orientam tanto fabricantes quanto usuários.

A adoção correta de inoculantes depende de planejamento técnico e manejo ajustado às condições da propriedade. Quando bem utilizados, esses bioinsumos representam um avanço importante rumo a uma agricultura mais rentável, resiliente e ambientalmente equilibrada.





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Brasil mantém projeções estáveis para o milho


O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para setembro trouxe uma leve redução na produção mundial de milho, reforçando sinais de equilíbrio, mas com alguns ajustes regionais relevantes. A estimativa global caiu de 1,288 bilhão de toneladas em agosto para 1,286 bilhão de toneladas neste mês. Já os estoques finais mundiais passaram de 282,54 milhões para 281,4 milhões de toneladas, indicando uma menor margem de segurança na transição entre safras.

No Brasil, as projeções se mantiveram estáveis em relação ao mês anterior. A produção foi confirmada em 131 milhões de toneladas, com estoques finais em 3,59 milhões e exportações estimadas em 43 milhões de toneladas. O quadro de estabilidade contrasta com as oscilações vistas em outros países e reflete a consolidação das perspectivas da safra nacional após os ajustes já incorporados em agosto.

Nos Estados Unidos, maior produtor e exportador global, o USDA elevou a projeção de produção de 425,26 milhões para 427,11 milhões de toneladas. No entanto, a produtividade foi revisada para baixo, de 197,51 para 195,30 sacas por hectare, mostrando impacto das condições climáticas no cinturão agrícola. Os estoques finais recuaram levemente, de 53,77 milhões para 53,58 milhões de toneladas, enquanto exportações e uso para etanol seguiram inalterados, em 73,03 milhões e 142,25 milhões de toneladas, respectivamente.

A Argentina manteve suas projeções, com produção em 53 milhões de toneladas, exportações em 37 milhões e estoques finais de 3,19 milhões. O mesmo ocorreu na Ucrânia, que seguiu com produção estimada em 32 milhões de toneladas e exportações em 25,5 milhões. O único ajuste veio nos estoques finais, que subiram de 950 mil para 1,15 milhão de toneladas.

 





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Soja, carne e milho lideram alta nas exportações


As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 14,29 bilhões em agosto de 2025, alta de 1,5% ante o mesmo mês de 2024. O desempenho foi impulsionado por um aumento de 5,1% no volume embarcado, que compensou a queda de 3,4% nos preços médios internacionais.

Soja em grãos, carne bovina in natura e milho responderam pela maior parte do crescimento. A soja alcançou embarques de 9,3 milhões de toneladas, 16,2% acima de agosto de 2024, com receitas de US$ 3,88 bilhões (+11%). A carne bovina totalizou 268 mil toneladas (+23,5%), gerando US$ 1,5 bilhão (+56%). O milho chegou a 6,8 milhões de toneladas (+12,9%), movimentando US$ 1,36 bilhão (+17%).

Além dos produtos tradicionais, itens específicos atingiram em agosto o melhor resultado da série histórica, fruto da diversificação de mercados. O sebo bovino registrou exportações de 64,7 mil toneladas (+17,2%), somando US$ 74,1 milhões (+36,4%). As sementes de oleaginosas (excluindo soja) chegaram a 68,5 mil toneladas (+10%), com receitas de US$ 71,3 milhões (+16,5%). Os feijões atingiram 58,4 mil toneladas (+29%), com US$ 49,5 milhões (+27,5%). As rações para animais domésticos alcançaram US$ 35,9 milhões (+22,6%). O óleo de amendoim saltou de 2,9 mil toneladas em agosto de 2024 para 13,3 mil toneladas em 2025 (+358%), gerando US$ 20 milhões (+573,4%).

A China manteve-se como principal compradora dos produtos agropecuários brasileiros, com US$ 5,12 bilhões (+32,9%), representando 35,8% das exportações do setor, seguida pela União Europeia, com US$ 1,9 bilhão.

Entre os mercados em expansão, destacaram-se o México, com US$ 339 milhões (+91,9%), impulsionado pelas carnes; e o Egito, com US$ 342 milhões (+14%), favorecido pelo milho. Houve também crescimento nas vendas para países asiáticos como a Índia (+37,3%) e a Tailândia (+9,5%).

Os resultados de agosto refletem a estratégia de abertura e diversificação de mercados conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Somente no mês foram abertos 22 novos mercados e, desde agosto de 2024, o número de destinos habilitados passou de 58 para 72, resultado das 55 missões internacionais de negociação e promoção comercial realizadas em 2025, ampliando o acesso para diferentes cadeias produtivas.





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