quinta-feira, abril 30, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Receita recorde com café atinge US$ 9,6 bilhões até agosto


O Brasil exportou 3,144 milhões de sacas de 60 quilos de café de todos os tipos em agosto de 2025, uma redução de 17,5% frente aos 3,813 milhões embarcados no mesmo mês de 2024. No entanto, a receita cambial aumentou 12,7% no período, alcançando US$ 1,101 bilhão, segundo o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A diminuição no volume embarcado já era prevista, de acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, em razão dos recordes obtidos em 2024 e da menor disponibilidade de café após uma safra abaixo do potencial máximo produtivo. Ele observa que o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os cafés brasileiros exportados aos Estados Unidos acentuou a redução.

“Os EUA deixaram de ser os maiores compradores de nosso café em agosto, descendo para o segundo lugar, com 301 mil sacas importadas – de negócios realizados antes da vigência do tarifaço –, o que implicou queda de 46% ante o mesmo mês de 2024 e de 26% contra julho deste ano. Assim, os americanos ficaram atrás da Alemanha, que importou 414 mil sacas no mês passado”, revela.

Ferreira avalia que o tarifaço também repercute no mercado internacional. “Se o tarifaço persistir, além de as exportações de café do Brasil seguirem inviáveis aos EUA, os consumidores americanos também enfrentarão preços onerosos para degustar sua bebida favorita, uma vez que não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos, criando-se, assim, um cenário inflacionário por lá”, projeta.

O relatório do Cecafé aponta ainda que o Brasil embarcou 25,323 milhões de sacas entre janeiro e o fim de agosto de 2025, queda de 20,9% em comparação ao mesmo período de 2024. A receita cambial, por sua vez, alcançou recorde para o intervalo, atingindo US$ 9,668 bilhões.

“O cenário, tanto em agosto, quanto no acumulado do ano, não é tão distinto, com a queda no volume já esperada, pela menor oferta após os embarques recordes em 2024, bem como maiores ingressos de divisas ao caixa do Brasil devido a maiores cotações internacionais, impulsionados pelo equilíbrio entre oferta e demanda há anos e, agora, potencializados pelo tarifaço”, explica.

Mesmo com a queda no posto de maior comprador em agosto, os Estados Unidos mantêm-se como principal destino do café brasileiro no acumulado do ano, com a aquisição de 4,028 milhões de sacas, o que representa 15,9% dos embarques totais e declínio de 20,8% em relação ao mesmo período de 2024.

Completam a lista dos cinco maiores destinos nos oito primeiros meses de 2025 a Alemanha, com 3,071 milhões de sacas (-32,9%); a Itália, com 1,981 milhão (-23,6%); o Japão, com 1,671 milhão (+15,6%); e a Bélgica, com 1,517 milhão (-48,3%).





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A voz de líderes conscientes para o agroconsciente


Semana passada dois especialistas, competentes e sábios do ecossistema do complexo do agronegócio brasileiro, tiveram uma convergência importantíssima com a mesma visão.

Roberto Rodrigues, que já foi ministro, é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicado agrícola para a COP30, presidiu a Aliança Internacional do Cooperativismo, uma série de feitos e fatos, e ele disse: “precisamos de um planejamento estratégico”.

Ele colocou à disposição a FGV para a elaboração de um Plano Agro 50 com tudo que é necessário olharmos sobre o ponto de vista competitivo e estrutural do antes, dentro e pós-porteira das fazendas para o desenvolvimento estratégico deste complexo de alimento e energia e meio ambiente que significa algo vital para a vida do planeta: planejamento estratégico.

E outro competente e sábio, o embaixador Rubens Barbosa, que já foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos convivendo com dois governos opostos, um democrático e um republicano, Clinton e Bush, e no Brasil convivendo também com uma passagem do governo Fernando Henrique para Lula e que trouxe uma visão muito similar de Roberto Rodrigues.

Ele disse: “não temos uma estratégia”, ou seja, nos falta uma estratégia sob o ponto de vista diplomático, e neste momento do tarifaço, da guerra comercial de Donald Trump, ele enfatiza a importância de uma estratégia brasileira, não só nos Estados Unidos, mas acentuando o quanto nós devemos e precisaríamos de todos os esforços para assinarmos o documento e o acordo com a União Europeia, porque com a UE ficamos numa posição de centro do mundo para trabalhar as suas extremidades, tanto de um lado quanto do outro.

Rubens Barbosa afirmou recentemente em encontro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Fiesp, que nos falta uma estratégia e comunicação, divulgação, da mesma forma que Roberto Rodrigues sempre tem enfatizado a necessidade de uma estratégia que envolva obrigatoriamente comunicação. Assim, neste pronunciamento último, o embaixador Rubens Barbosa, sobre o momento em que estamos vivendo, ele fez uma colocação que foi aplaudida por todos dizendo: “presidente Lula, telefone para o Trump, se ele não atender, chame a imprensa para que o mundo todo saiba que você telefonou e ele não atendeu”.

Portanto, eu quero abrir essa semana do nosso agroconsciente com a visão estratégica destes dois brasileiros que são competentes e que têm suas vidas como prova de trabalhos fundamentais. Ambos enfatizam: “planejamento estratégico do país e divulgação, comunicação competente não só para os brasileiros, mas para o mundo inteiro.”

Um plano pensar Brasil neste momento de polarização, de guerras, de ódios, de riscos internacionais. É um momento especial para pensarmos no Brasil. Parabéns a Roberto Rodrigues e ao embaixador Rubens Barbosa e que vozes de líderes como esses possam ecoar e inspirar a todos nós! Agroconsciente, mentes conscientes!

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Soja brasileira ganha força no mercado com demanda chinesa aquecida


O mercado da soja no Brasil atravessa um momento positivo, impulsionado pela forte demanda chinesa e pela retração das compras dos Estados Unidos pelo maior importador mundial da oleaginosa. A combinação entre câmbio, prêmios internos e cenário internacional favorável tem garantido preços firmes para o produtor nacional.

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras somaram 86,5 milhões de toneladas até agosto, recorde histórico para o período. Apenas no mês passado, os embarques totalizaram 9,33 milhões de toneladas, mesmo com um recuo em relação a julho. Esse desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor de soja à China 

Enquanto isso, a produção nacional da safra 2025/26 voltou a ser projetada acima de 180 milhões de toneladas. De acordo com estimativas privadas, o volume pode alcançar 180,9 milhões de toneladas, sustentado por uma área semeada entre 48 e 48,5 milhões de hectares e por uma produtividade média esperada de 62,8 sacas por hectare. A recuperação do Rio Grande do Sul, após a seca do ciclo anterior, é apontada como um dos fatores-chave para esse resultado 

Os preços internos seguem firmes. No Rio Grande do Sul, a média semanal fechou em R$ 124,15 a saca de 60 quilos, com negociações semelhantes em praças como Nonoai e Não-Me-Toque. Em outras regiões, como Mato Grosso e Goiás, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 123,00 por saca. Esse patamar só tem se mantido devido aos prêmios elevados, uma vez que Chicago permanece próxima de US$ 10,00/bushel 

A antecipação da comercialização da safra ainda é considerada lenta em comparação com anos anteriores. No Brasil, apenas 20,5% da produção futura já havia sido vendida até agosto, abaixo da média histórica de 29,2%. No Mato Grosso, principal estado produtor, o índice é de 27,4%, também abaixo da média de 36,3% 

Com os embarques norte-americanos prejudicados pelo impasse comercial com a China, a tendência é de manutenção do protagonismo brasileiro no fornecimento do grão. Caso o ritmo se mantenha, o país poderá exportar até 108 milhões de toneladas em 2026, consolidando ainda mais sua posição de liderança no mercado global 





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Estudo mostra que 75% das culturas agrícolas dependem de animais polinizadores



A coexistência entre animais polinizadores e agricultura beneficia ambos. Os polinizadores (abelhas, borboletas, besouros e aves) são essenciais para a reprodução e podem elevar a produtividade de muitas culturas agrícolas.

Segundo o pesquisador João Vitor Ganem Barateiro, doutor em Entomologia, estudos científicos indicam que 87% das plantas com flores dependem de polinizadores animais e que cerca de 75% das culturas agrícolas cultivadas pelo ser humano são diretamente beneficiadas pela polinização.

Agricultura e polinizadores

De acordo com ele, quando a agricultura adota Boas Práticas Agrícolas (BPAs), incluindo o manejo responsável de defensivos, cria condições favoráveis para que os polinizadores encontrem alimento (néctar e pólen) e abrigo, fortalecendo essa relação de cooperação.

Barateiro destaca que a apicultura e a meliponicultura reforçam ainda mais essa conexão. Isso porque além de contribuírem para a polinização, geram renda, trabalho e empreendedorismo para comunidades rurais, por meio da produção de mel e outros derivados de alto valor nutricional e medicinal.

Segundo o pesquisador, um exemplo inspirador é a Associação de Apicultura do Vale do Capão, na Bahia, pioneira no estado a conquistar a certificação orgânica, abrindo portas para mercados especializados.

Importância das abelhas no ecossistema

Entre todos os polinizadores, as abelhas são as mais representativas, atuando tanto em ambientes agrícolas quanto naturais. Assim, elas contribuem não só para o aumento da produtividade e da qualidade das colheitas, mas também para serviços ecossistêmicos fundamentais, como a conservação da biodiversidade, a promoção da saúde do solo e o sequestro de carbono, resultado da sua interação com as plantas.

“O polinizador dentro de um sistema de cultivo, como as abelhas, desempenha um papel fundamental pensando em questões econômicas e sociais, beneficiando toda a cadeia de produção e de preservação”, destaca.

Barateiro lembra que práticas como o aluguel de colmeias já se consolidaram como estratégia de incremento de produtividade em culturas totalmente dependentes da polinização, como a maçã em Santa Catarina e o melão no Rio Grande do Norte e Ceará.

Além disso, o Brasil possui uma rica diversidade de abelhas nativas, adaptadas às condições locais, que ampliam a eficiência da polinização em diferentes culturas.

Desafios e ameaças aos polinizadores

Apesar de sua relevância, as abelhas enfrentam diversas ameaças ambientais, incluindo a degradação de habitats, doenças, uso inadequado de defensivos e os efeitos das mudanças climáticas. Nesse cenário, agricultores, apicultores, meliponicultores e demais agentes do setor desempenham papel decisivo na sua proteção.

O pesquisador reforça que a convivência equilibrada entre agricultura e polinizadores depende da adoção de práticas que aliem produtividade e conservação ambiental.

No meio de todos esses desafios, a convivência harmônica depende, diretamente, da adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPAs), que incluem o uso responsável das tecnologias disponíveis.

Tais técnicas asseguram ganhos de produtividade, reduzem custos e preservam os recursos naturais para as futuras gerações.

Instituições como a Embrapa e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) oferecem cursos e manuais de referência que orientam produtores sobre manejo adequado, destacando cuidados necessários para proteger tanto os cultivos quanto os polinizadores.

Como reforça Barateiro, compreender a biologia dos insetos e a fisiologia das plantas é essencial. Além disso, manter diálogo com vizinhos sobre o manejo das lavouras ajuda a prevenir riscos e preservar colmeias próximas.

Inovação e sustentabilidade

A agricultura tem intensificado esforços para reduzir riscos aos polinizadores por meio de soluções inovadoras.

O melhoramento genético, a biotecnologia e os bioinsumos vêm possibilitando o desenvolvimento de culturas mais resilientes, que demandam menos pulverizações e expansão de áreas, diminuindo os impactos sobre os insetos.

Paralelamente, a agricultura digital inaugura uma nova era de sustentabilidade, integrando sensores, robótica, automação e análise de dados.

O pesquisador ressalta que tecnologias como drones e sensores remotos permitem monitoramento contínuo das lavouras, enquanto dados de alta precisão ajudam a definir áreas de conservação para polinizadores. Essas inovações não apenas aumentam a proteção desses insetos, mas também fortalecem a biodiversidade e promovem o uso mais racional da terra.

Entre as boas práticas agrícolas, Barateiro cita o uso correto de defensivos agrícolas que, antes de serem aprovados, já passam por rigorosa avaliação regulatória. “Quando usados de forma correta, conforme orientações em rótulos, bulas e receita agronômica oferecem proteção aos cultivos com segurança para polinizadores e seres humanos. O uso inadequado, por outro lado, representa riscos graves ao meio ambiente”, contextualiza.



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Pesquisadores da Unesp descobrem uma nova espécie de peixe



Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp) descobriu uma nova espécie de bagre que recebeu o nome científico de Imparfinis arceae. É um pequeno representante dos bagres e endêmico da bacia do rio Xingu, adicionando mais um elemento à rica biodiversidade latino-americana.

No trabalho, que contou com apoio da Fapesp, o grupo descreve as características morfológicas, relacionadas à aparência, e genéticas dos exemplares encontrados, evidenciando as diferenças existentes entre outras espécies do gênero Imparfinis e também o grau de proximidade da nova espécie com as outras conhecidas.

A primeira característica que chamou a atenção dos pesquisadores para a possibilidade de se tratar de uma espécie ainda não descoberta é uma faixa preta presente em toda a lateral do peixe.

“Existem algumas espécies de bagres que apresentam essa faixa lateral escura, mas elas não são tão amplas como essa, o que despertou nossa desconfiança”, contou Gabriel de Souza da Costa e Silva, líder da pesquisa e doutorando da Unesp

Segundo o pesquisador, a busca por novas espécies não é linear e nunca é possível prever o que será encontrado. Por isso, o primeiro sinal, para um olhar mais cuidadoso, são sempre as características físicas: um padrão diferente, uma coloração que varia, o formato da cauda que é levemente distinto dos demais. A partir disso é que os pesquisadores irão aprofundar, ou não, a investigação.

Análise morfológica detalha diferenças físicas

Com a suspeita de uma nova espécie, o grupo realizou uma análise morfológica na qual foram coletadas diversas informações físicas dos 20 indivíduos: padrões de coloração, número de vértebras, comprimento, diâmetro dos olhos, tamanho da cabeça etc.

Esse primeiro passo permitiu demarcar algumas diferenças em relação à espécie Imparfinis hasemani, que também conta com uma faixa escura lateral e que poderia levar a confundir um exemplar com outro. Além dos padrões das faixas apresentarem tamanhos distintos, outras diferenças emergiram: a I. arceae possui 39 vértebras, enquanto a I. hasemani conta com 40; os olhos da nova espécie também são menores e, além disso, o comprimento da cabeça é maior.

Combinado com as análises morfológicas, o grupo realizou, também, análises genéticas para conseguir um detalhamento maior das características do animal. “Nós fizemos um sequenciamento de um fragmento de DNA das diferentes espécies, o que permite a comparação dos DNAs entre si”, explicou Silva. Isso faz parte de um ramo chamado de taxonomia integrativa, que combina dados morfológicos e moleculares para entender melhor a história evolutiva e a classificação de organismos que estão sendo estudados.

Ao obter e comparar as sequências dos diferentes peixes, os pesquisadores puderam comprovar que, além de compartilharem um código genético semelhante, os exemplares estudados apresentavam mais de 6% de divergência genética em relação a outras espécies do gênero Imparfinis. “Isso evidenciou o fato de que esses animais correspondem a uma nova espécie”, afirmou o pesquisador.



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Procon apreende 155 kg de produtos vencidos em supermercado



O Procon Goiás apreendeu nesta semana 424 produtos vencidos em um supermercado localizado em Nerópolis, região metropolitana de Goiânia, Goiás. Atendendo a denúncias, alimentos, bebidas e produtos de limpeza estão na lista dos produtos fiscalizados e apreendidos pela fiscalização.

De acordo com os fiscais, foram encontradas 236 latas de cerveja vencidas, além de 10 garrafas de refrigerante de 2 litros com validade expirada em abril deste ano e outras 20 garrafas de 1,5 litro vencidas em julho.

Também foram apreendidas 11 unidades de catuaba com data de validade até abril de 2023. No total, a ação resultou na apreensão de aproximadamente 155 quilos de produtos.

Além das bebidas, os agentes do Procon encontraram outros alimentos como macarrão instantâneo e biscoitos vencidos em julho e 30 unidades de batata frita expiradas no início de agosto.

A operação ainda descobriu outros alimentos, como farofas, pães, bolos e embutidos fora do período indicado para consumo. O Procon autuou o estabelecimento por comercialização de produtos impróprios, apreendeu e inutilizou os produtos. A empresa tem o prazo de 20 dias para apresentar defesa.

Orientações

O Procon orienta os consumidores a verificarem a data de validade, antes de consumir ou adquirir qualquer espécie produto, tendo em vista que itens vencidos podem causar danos sérios à saúde.

“Muitas vezes, os estabelecimentos oferecem descontos para produtos que estão perto do vencimento, o que é permitido, mas é importante o consumidor verificar sempre a condição do produto”, diz o órgão, em nota.

Além disso, é importante averiguar se o produto está devidamente embalado. Caso esteja com a embalagem violada, o consumidor deve solicitar imediatamente a troca ao fornecedor.

“Em mercados e supermercados, os produtos mais próximos da data de validade, geralmente, ficam na parte da frente das prateleiras, para garantir maior rotatividade. Uma boa dica é o consumidor se atentar nessa disposição e pegar os produtos que estão na parte de trás da prateleira”.

Denuncie ao Procon

Consumidores que se sentirem lesados podem registrar denúncias ao Procon Goiás pelos telefones 151 (Goiânia) ou (62) 3201-7124 (interior).



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Você viu? Cálculo mais preciso da calagem aumenta produtividade do milho em 50%


Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, desenvolveram um método prático para estimar a necessidade de calagem com base nos atributos químicos do solo e na composição do calcário. Essa foi uma das notícias mais lidas do site do Canal Rural durante a semana.

Fruto de dez anos de estudo e de quase 30 anos de experiência do professor Silvino Guimarães Moreira, da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/Ufla), com estudos sobre calcário, o método leva em conta a relação entre cálcio, magnésio e pH do solo.

Desta forma, permite estimar doses específicas para duas profundidades: de 0 a 20 cm e de 0 a 40 cm — sendo esta última o principal foco do trabalho. Ao contemplar a correção em camadas mais profundas, a metodologia favorece a melhoria da fertilidade do subsolo e amplia o volume explorado pelas raízes.

O estudo acaba de ser publicado na revista internacional Soil & Tillage Research, uma das mais prestigiadas publicações internacionais na área de ciência do solo.

Melhoria das estimativas

A pesquisa vem sendo realizada para melhorar as estimativas de cálculo de doses de calcário, uma vez que os métodos atualmente disponíveis acabam por subestimar as quantidades necessárias quando se objetiva corrigir o pH do subsolo, sobretudo em áreas agrícolas novas.

Como observa o professor, ao subestimar as doses necessárias, tornam-se necessárias reaplicações e atrasos na correção da acidez, com impactos econômicos relevantes, sobretudo em áreas arrendadas, em que o tempo de retorno da calagem não acompanha o ciclo produtivo.

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À esquerda, dose de 3 t/ha de calcário; à direita, aplicação de 12 t/ha. Foto: Divulgação Ufla

Para chegar ao novo método, os pesquisadores conduziram sete experimentos de campo em diferentes municípios de Minas Gerais e abrangendo diferentes condições edafoclimáticas, ao longo de quatro anos (14 safras).

Os municípios que receberam os experimentos foram: Ijaci, Nazareno, Ingaí, Uberlândia, Araguari, São João del Rei e Formiga. Nesses locais, os pesquisadores avaliaram diferentes doses de calcário incorporadas até 0,40 m de profundidade.

De acordo com o professor Silvino Moreira, essa diversidade geográfica e temporal confere robustez aos resultados, garantindo que as conclusões não sejam pontuais, mas representativas de diferentes realidades de solo e clima.

Os resultados mostraram ser possível aumentar a produtividade das culturas anuais e a resiliência destas culturas aos déficit hídricos, comuns nas condições de cultivos de sequeiro na região sob Cerrado, especialmente na segunda safra.

Isso foi possível com níveis mais elevados de cálcio e magnésio no solo não só na camada de 0 a 20 cm, mas também na camada de 20 a 40 cm. O estudo define novos níveis críticos para os nutrientes cálcio e magnésio no solo para estas duas camadas de solo, os quais são maiores do que os tradicionalmente recomendados.

Em lavouras de milho segunda safra submetidas a veranicos severos, a aplicação baseada na nova metodologia proporcionou ganhos de produtividade superiores a 50%. Em lavouras de soja houve ganhos de até 30%.

O efeito foi atribuído ao maior desenvolvimento radicular em profundidade, o que permitiu às plantas acessar água e nutrientes mesmo em períodos de déficit hídrico. Nas fotos da lavoura de milho (acima) é possível verificar a diferença no desenvolvimento das plantas, com dose de 3 t/ha de calcário (primeira foto de milho) e com 12 t/ha de calcário (segunda foto de milho).

O produtor Evandro Ferreira, da Fazenda Campo Grande, em Nazareno, considera que a pesquisa foi um divisor de águas na busca por altas produtividades na região. “As chamadas ‘altas doses de calcário’ não representam excesso, mas sim a aplicação criteriosa e ajustada às reais necessidades do solo”, pontuou.

Profundidade da aplicação de cálcio

O método mostrou que, para atingir 95% da produtividade das lavouras anuais, é preciso garantir 60% de cálcio na camada de 0 a 20 cm do solo e 39% na camada de 20 a 40 cm.

Essa proposta foi especialmente desenvolvida para correção de solos para implantação de culturas anuais sobre sistema de plantio direto (SPD) ou para reabertura de áreas atualmente em uso, mas que não tiveram uma correção adequada. A proposta também já começa a ser testada em lavouras de café.

Os pesquisadores envolvidos no estudo esperam que o método tenha impacto direto na agricultura brasileira, sobretudo em regiões como o Cerrado, onde a produção de grãos depende fortemente da correção da acidez do solo.

Isso porque, com uma recomendação mais precisa de calagem, produtores podem alcançar maior eficiência no uso de insumos, reduzir custos a longo prazo e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas.

“Trata-se de uma contribuição relevante não apenas para a agricultura mineira, mas também para outras regiões tropicais, onde solos ácidos e altamente intemperizados impõem sérias limitações à produção agrícola”, considera o professor Silvino Moreira.



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São Paulo amplia linhas de crédito para o agronegócio



O FEAP é um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio paulista



Foto: Canva

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo anunciou um aporte suplementar em três linhas de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). A iniciativa reforça a política pública do governo paulista de ampliar o acesso ao crédito, à inovação e à sustentabilidade no campo.

Com a deliberação, o valor destinado à linha de crédito Desenvolvimento Rural Sustentável Paulista passou de R$ 20 milhões para R$ 50 milhões. A linha apoia projetos de energias renováveis, agricultura irrigada, produção em ambiente protegido, modernização e regularização de pequenas agroindústrias, contribuindo para geração de renda e agregação de valor no setor rural.

O FEAP Mulher, voltado ao incentivo da participação feminina no campo, teve incremento de R$ 5 milhões, somando R$ 15 milhões disponíveis. Já o FEAP Orgânicos Agro SP, que apoia a transição agroecológica e a produção de alimentos saudáveis, elevou seu orçamento de R$ 2 milhões para R$ 3 milhões.

O FEAP é um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio paulista, com linhas de crédito que vão da modernização tecnológica a práticas sustentáveis e inclusivas. Ao direcionar recursos para projetos específicos, como o Mulher Agro SP e os Orgânicos Agro SP, a Secretaria atende à demanda por alimentos produzidos de forma ambientalmente responsável. Com o novo aporte, a expectativa é ampliar o recurso para até 600 produtores, fortalecendo o desenvolvimento rural.





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Resíduos de frutas e verduras são usados na produção de energia



Todos os meses, 17 a 25 toneladas de resíduos da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa – CE) são enviadas ao aterro sanitário, a um custo aproximado de R$ 230 mil. Para transformar esse passivo em energia renovável, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram o Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios.

A inovação aumenta a produção de biogás, com alto teor de metano, ocupa menos área e reduz custos e emissão de GEE. Projetada para a Ceasa do estado, a tecnologia tem potencial de replicação nas outras 57 centrais de abastecimento brasileiras.

O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento. Essa biomassa não utilizada, altamente biodegradável, é ideal para produzir um biogás rico em metano, aproveitável na forma de combustível.

No método usual, a fermentação dos resíduos de frutas e verduras ocorre em Reatores de Mistura Completa (CSTR, sigla em inglês). Mas estes possuem limitações operacionais e exigem grandes volumes.

Assim, o novo sistema aprimora esse processo ao aplicar um pré-tratamento que separa os resíduos por meio de trituração e prensagem em duas frações: líquida e sólida, cada uma, enviada a um reator especializado.

A fração líquida é tratada em reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (UASB, sigla em inglês), eficazes para cargas orgânicas elevadas, e oferecem excelente rendimento na digestão de substratos altamente biodegradáveis. E a fração sólida, por sua vez, é encaminhada para compostagem, o que resulta em um fertilizante de alta qualidade, ou para reatores de metanização seca, capazes de operar com resíduos com alto teor de sólidos, mas ainda em fase de estudos.

Segundo o pesquisador que coordenou esse trabalho, Renato Leitão, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), o novo sistema produz biogás o suficiente para gerar energia elétrica e suprir em 100% a demanda da Ceasa-CE em horários de ponta e mais 20% da energia fora desses períodos. “Caso não seja utilizado na própria Ceasa, esse biogás pode ser comercializado na forma de biometano após tratamento adequado”, complementa.

Entre as vantagens desse tipo de aproveitamento está a redução do impacto ambiental e também a diminuição de custos de transporte e tratamento do material. Isso porque atualmente existe um contrato para encaminhamento desses resíduos para o aterro sanitário.

Renato Leitão explica que o sistema representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos orgânicos em energia renovável, reduzindo custos de descarte e emissões de gases do efeito estufa. O próximo passo do estudo é ampliar a escala de produção, mas para isso é necessária a construção de uma unidade-piloto maior, para calibrar os equipamentos.

“O impacto pode ser enorme: energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática.”, acrescenta o professor André dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.



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Panetone brasileiro faz sucesso fora do país e fatura mais de R$ 120 milhões



Em 2024, o Brasil exportou 5,2 mil toneladas de panetones, gerando receita de US$ 21,2 milhões (cerca de R$ 121,9 milhões).

A tradicional receita de fim de ano se mantém como destaque nas exportações do setor de panificação, especialmente entre os membros da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi).

O diretor internacional da entidade, Rodrigo Iglesias, destaca que o panetone é o quarto produto mais relevante da pauta exportadora da cesta Abimapi, logo atrás dos biscoitos.

“A importância do panetone é ainda mais evidente quando se observa que as exportações das empresas associadas representam 95% de todos os panetones brasileiros exportados para o mundo”, conta.

Além do volume, o panetone se destaca pelo valor de mercado considerando os investimentos na composição dos produtos, além das embalagens presenteáveis.

“Em 2024, o preço médio FOB do panetone exportado foi de USD 4 por kg (cerca de R$ 21,70 por kg), o produto com maior valor agregado do setor considerando os preços de embarque USD/kg”, destaca Iglesias.

O panetone tradicional de frutas é a porta de entrada para o desenvolvimento da categoria, mas são os recheados e com gotas de chocolate que estão diferenciando as marcas brasileiras no exterior.

A sazonalidade também é uma característica marcante das exportações de panetone, com os embarques iniciando em julho, mas se concentrando em agosto e setembro, terminando em janeiro com o fim da campanha nos pontos de venda pelo mundo.

Maior mercado internacional

O mercado dos EUA é o maior comprador dos panetones brasileiros. Em 2024, foram 3,2 mil toneladas com faturamento de US$ 12,1 milhões (ou cerca de R$ 70 milhões).

“Até agosto deste ano, as exportações de panetone para os Estados Unidos cresceram 130%, embarcamos 1,8 mil toneladas, com faturamento de 6,7 milhões de dólares. Esperamos concluir 2025 mantendo o volume de embarques ao país”, afirma Iglesias.

Novos mercados para o panetone

De acordo com Iglesias, as empresas exportadoras já possuem experiência nas negociações internacionais, iniciando os anos fechando os principais contratos para as vendas de panetones no 2º semestre. Assim, o início dos embarques em julho deste ano sinalizam incremento das exportações que vão além do mercado norte-americano.

Japão, México, Venezuela, Peru, Canadá, República Dominicana e Chile cresceram mais de cinco vezes até o momento. “Isso mostra maior planejamento estratégico das empresas para desenvolver o portfólio sazonal de panetones no mercado externo”, conclui.



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