quinta-feira, abril 30, 2026

Autor: Redação

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Emprego no comércio Brasil-China cresce mais que nas demais parcerias



A parceria comercial entre o Brasil e a China tem rendido à economia brasileira um crescimento no número de empregos formais maior que as expansões proporcionadas por demais parceiros.

De 2008 a 2022, o número de empregos ligados a exportações para a China cresceu 62%, superando as expansões identificadas nas parcerias com Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e demais países da América do Sul (17,4%).

No mesmo período, os postos formais de trabalho ligados a atividades de importação proveniente da China cresceram 55,4%, acima das expansões registradas no comércio importador com a América do Sul (21,7%), União Europeia (21%), Estados Unidos (8,7%) e Mercosul (0,3%).

A constatação está no estudo Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China, divulgado esta semana pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Mais emprego na importação

De acordo com o estudo, nas atividades ligadas a importações, a parceria Brasil-China é a maior empregadora, com mais de 5,567 milhões de postos de trabalho, 145 a mais que a União Europeia (UE). O ano de 2022 foi o primeiro da série histórica (iniciada em 2008) em que o comércio sino-brasileiro atingiu o topo do ranking de empregos.

Já as atividades ligadas ao setor exportador empregavam mais de 2 milhões de pessoas no comércio sino-brasileiro.

Apesar de ter sido o maior aumento ante 2008 (+62%), o comércio exportador para a China fica atrás dos demais parceiros em número absoluto de emprego, perdendo para Mercosul (3,8 milhões), União Europeia (3,6 milhões), América do Sul (3,5 milhões) e os Estados Unidos (3,4 milhões).

A analista do CEBC, Camila Amigo, explica que o comércio sino-brasileiro é o que tem menos empregos na exportação por causa do perfil da pauta exportadora para a China, dominada por produtos agropecuários e minerais.

“Esses setores, embora altamente competitivos e estratégicos, geram proporcionalmente menos postos de trabalho devido ao seu alto nível de mecanização em comparação a segmentos industriais mais diversificados, como aqueles que têm maior peso nas exportações brasileiras para Estados Unidos, União Europeia e Mercosul”, diz.

Os dados sobre vagas ocupadas foram colhidos pelos pesquisadores por meio da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um relatório que empresas fornecem ao Ministério do Trabalho e Emprego. Dessa forma, os dados da pesquisa se referem a empregos formais.

O CEBP separa o número de empregos entre importadoras e exportadoras, pois algumas empresas atuam nas duas pontas, o que causaria duplicidade se os dois contingentes fossem somados.

A China é o principal parceiro econômico do Brasil, seja nas exportações ou importações. Em 2024 existiam no Brasil cerca de 3 milhões de empresas que exportaram para a China e 40 mil com atividade de importação.

Em 2024, segundo o estudo, o país asiático foi destino de 28% das vendas externas brasileiras e origem de 24% de nossas compras externas.

A parceria tem resultado em superávit no lado brasileiro, isto é, vendemos mais do que compramos. Em dez anos, o Brasil acumulou saldo positivo de US$ 276 bilhões. Esse montante representa metade (51%) do nosso superávit com o mundo como um todo nesse período.

Para os autores do estudo, a relação comercial com a China é estratégica não apenas no comércio exterior, sendo também um pilar da estabilidade macroeconômica.

“A manutenção do superávit comercial do Brasil com a China por tantos anos contribuiu para reduzir a vulnerabilidade externa e elevar as reservas internacionais do país”, assinala trecho.

“Esse cenário favoreceu o equilíbrio do balanço de pagamentos com a entrada líquida de dólares, o que ajudou a suavizar a volatilidade cambial, proteger a economia de choques internacionais e ancorar expectativas em períodos de instabilidade global”, completa o texto.

Futuro da relação

A analista Camila Amigo avalia que no cenário em que o Brasil enfrenta o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, que aplica taxas de até 50% parte dos produtos brasileiros vendidos aos norte-americanos, o comércio sino-brasileiro apresenta bases sólidas e estruturais e se sustenta na complementaridade entre os dois países.

“A China depende do Brasil como fornecedor estável de alimentos, energia e minerais, enquanto o Brasil garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo e importa produtos importantes para a produção nacional”, avalia.

“O futuro da relação comercial sino-brasileira deve estar baseado em confiança, buscar por diversificação das exportações, sustentabilidade e inclusão socioeconômica, aproveitando não apenas a demanda por commodities, mas também o espaço para novos produtos e novas empresas nesse comércio”, conclui.



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AgroNewsPolítica & Agro

Leite mato-grossense tem primeira queda de 2025



Mercado de lácteos perde competitividade no estado



Foto: Pixabay

Segundo a análise semanal do Imea, divulgada na segunda-feira (8), “o preço do leite mato-grossense registrou a primeira queda do ano após seis meses de alta”. O instituto informou que “o produtor recebeu, em média, R$ 2,31 por litro pelo leite captado em julho de 2025, valor 2,29% inferior ao do mês anterior”. O boletim destacou que “apesar da retração, esse foi o segundo maior valor registrado para o mês, atrás apenas de julho de 2022, que segue como o maior valor da série histórica”.

Ainda conforme o Imea, “mesmo com a queda no preço, o movimento não esteve atrelado à maior disponibilidade de leite no estado, uma vez que o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) seguiu em retração e atingiu 45,03% (-1,28 p.p.), o menor patamar do ano”. Segundo o instituto, “a redução reflete a menor capacidade dos elos finais da cadeia de absorver novos reajustes, após sucessivos aumentos ao longo de 2025, inclusive em períodos tradicionalmente marcados por desvalorização”.

O Imea acrescentou que “nesse contexto, os derivados lácteos do estado têm perdido espaço nas gôndolas, devido à menor competitividade frente a produtos de outros estados, mais atrativos em termos de preço”.





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Semana foi de queda para a arroba do boi; o que esperar até o fim do mês?


O mercado físico do boi registrou preços mais baixos ao longo da segunda semana de setembro.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, esse movimento se explica por dois principais fatores:

  1. Os frigoríficos de maior porte contam com escalas de abate confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria (contratos a termo), somado a utilização de confinamentos próprios;
  2. O mercado doméstico não apresentou bons índices de consumo de carne bovina durante a primeira quinzena do mês.

“Por outro lado, como ponto de suporte para o mercado, restou a exportação, que segue em ritmo acelerado durante o ano, com o país caminhando a passos largos para um recorde de embarques, com grande destaque para a receita obtida”, destaca.

E agora, o que esperar?

O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, conta que a expectativa até o fim do ano é de um mercado com preços firmes, mas com fundamentos que limitam qualquer alta contundente.

“Olhando até o fim de setembro, enxergo um mercado com fundamentos baixistas, com a indústria pressionando ainda mais. As exportações de carne bovina estão indo muito bem neste mês, com alta de 31% na primeira semana do mês em comparação ao mesmo período de 2024. No entanto, o dólar está na mínima do ano, o que pesa para a margem da indústria exportadora e diminui o potencial de pagar mais para a arroba.”

Segundo ele, a oferta não está em ótimos níveis, mas, mesmo assim, as escalas têm avançado porque o confinamento se mantém com bom resultado. “Observamos que nos primeiros sinais de redução de escala, a indústria oferta um pouco mais e chega próximo de R$ 320, preenche suas escalas e sai novamente das compras, colocando pressão de baixa para testar o mercado”, contextualiza.

No mercado interno, Fabbri ressalta que a expectativa até o fim do ano é de um consumo moderado. “No ano, nessa época, tivemos eleições para prefeito em todo o Brasil, ou seja, havia uma injeção de capital extra no mercado brasileiro”.

Assim, sem o componente eleitoral, que coloca mais pressão de demanda artificial no mercado, o que resta são as comemorações de final de ano e dos empregos temporários que fazem mais renda circular. “Além disso, neste ano, em nossa visão, há uma competitividade mais apertada com o frango. Em suma, todos estes elementos acabam se tornando limitadores de viés de alta”, conclui.

Variação de preços do boi na semana

Acompanhe como os preços do boi gordo fecharam ontem (12) e como estavam na sexta-feira da semana passada (5):

  • São Paulo: R$ 308,58 — no dia 5 de setembro: R$ 311,42 (-0,9%)
  • Goiás: R$ 295,36 — R$ 303,57 (-2,7%)
  • Minas Gerais: R$ 292,94 — R$ 298,24 (-1,7%)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 321,02 — R$ 319,89 (+0,3%)
  • Mato Grosso: R$ 301,89 — R$ 309,66 (-2,5%)

Exportação de carne bovina

carne bovina - autoembargocarne bovina - autoembargo
Foto: Abiec

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 435,206 milhões em setembro até o momento (5 dias úteis), com média diária de US$ 87,041 milhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 78,338 mil toneladas, com média diária de 15,667 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.555,40.

Em relação a setembro de 2024, houve alta de 60,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 30,8% na quantidade média diária exportada e avanço de 23,1% no preço médio.

Com informações da Safras News



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AgroNewsPolítica & Agro

Ameaça da ferrugem exige fungicida completo na soja


Com a semeadura da soja batendo à porta em boa parte do país, a expectativa é de uma safra que promete ser uma das mais importantes dos últimos anos. Neste cenário, os produtores precisam redobrar a atenção com a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da cultura e responsável, ano após ano, por perdas expressivas. Altamente agressiva e de rápida disseminação, a ferrugem provoca desfolha precoce, reduz a área foliar ativa e derruba o peso de grãos, comprometendo margens em um momento de rentabilidade apertada.

O histórico de redução de sensibilidade do patógeno a alguns grupos químicos reforçam a necessidade de programas de manejo preventivos, e com foco em múltiplos mecanismos de ação. Em um cenário de pressão crescente por eficiência, custo e sustentabilidade, a construção de um programa de fungicidas tecnicamente sólido desde as primeiras aplicações é decisiva para proteger o potencial produtivo.

O desafio agronômico vai além do calendário: envolve pressão de inóculo residual, presença de soja voluntária, janelas de semeadura concentradas. É necessário o manejo de resistência, dado o histórico de redução de sensibilidade do patógeno a diferentes grupos químicos em diversas regiões. Nesse contexto, produtos com múltiplos mecanismos de ação, aliados à prevenção, tornam-se peças-chave.

Estratégia contra ferrugem

O fungicida Sugoy, da IHARA, surge como uma decisão assertiva no programa sanitário da soja com amplitude de controle e praticidade operacional. Desenvolvido especificamente para essa cultura, o produto é apresentado pela fabricante como um fungicida premium “completo”, com formulação de alta tecnologia que já incorpora um protetor, dispensando misturas em tanque. 

A proposta é simplificar a operação, reduzir riscos de incompatibilidade e erros de dosagem, e assegurar performance sob diferentes condições de campo nas janelas críticas de aplicação. O diferencial técnico do Sugoy está justamente nessa combinação de três mecanismos de ação que atuam de forma complementar: Metominostrobina + Impirfluxam + Clorotalonil.

Segundo a IHARA, essa “força tripla” sustenta uma performance robusta não apenas contra a ferrugem-asiática, mas também frente a antracnose, mancha-alvo, oídio e a chamada anomalia da soja. Resumindo, é proteção ampla com um único produto, estratégia alinhada às melhores práticas de manejo de resistência.

Posicionamento e boas práticas 

Para posicionar o produto no programa com eficiência, recomenda a fabricante, a abordagem deve ser preventiva, pautada pelo monitoramento regional e pelas orientações de bula, Embora a tripla ação do Sugoy contribua de forma relevante para o manejo de resistência, ela não dispensa a rotação e a alternância de mecanismos de ação entre as diferentes janelas de aplicação da safra. 

“Respeitar doses, intervalos e o número máximo de aplicações previstos em bula segue sendo requisito para preservar performance. Além disso, tudo o que contribui para uma boa uniformidade de aplicação, favorece o manejo da doença”, afirma a IHARA.

De acordo com a empresa, o resultado do Sugoy é uma “performance avassaladora” no controle da ferrugem e das demais doenças-alvo. Na prática, o produto entrega consistência de controle em diferentes ambientes e momentos da safra.

 





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Apenas 69% das lavouras de café no Brasil têm acesso à internet



O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, responsável por aproximadamente um terço da produção global, e deve colher em 2025 uma safra estimada em 55,7 milhões de sacas de 60 kg, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior.

Diante desse cenário, a conectividade surge como um elemento estratégico para garantir que a cafeicultura nacional siga competitiva, sustentável e preparada para atender às crescentes exigências dos mercados consumidores.

A ConectarAGRO, associação que visa fomentar a expansão do acesso à internet, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), realizou um levantamento inédito sobre a presença da internet 4G e 5G nas lavouras brasileiras, cruzando dados de produção com cobertura digital.

O estudo mostra que, dos 1,27 milhão de hectares cultivados com café no Brasil, 69% possuem acesso a redes móveis, um avanço expressivo, mas que também revela desigualdades marcantes entre estados e municípios.

Disparidade regional

Os dados apontam que Paraná (81,8%), Espírito Santo (79,5%) e São Paulo (76,3%) lideram em conectividade, estando mais bem posicionados para adotar tecnologias como agricultura de precisão, monitoramento remoto e ferramentas de rastreabilidade.

O Espírito Santo, por exemplo, alia sua elevada cobertura digital à força da produção de conilon no norte do estado e de arábica nas montanhas, alcançando também a maior produtividade média entre os principais estados produtores (32,03 sc/ha).

Já São Paulo, berço histórico do café no país, mantém relevância por meio de regiões como a Mogiana e Alta Mogiana, onde a tecnologia e a conectividade têm impulsionado a qualidade dos grãos. O Paraná, apesar de ter perdido espaço em volume desde as geadas dos anos 1970, hoje se reinventa com cafés especiais, apoiados por um índice de conectividade exemplar.

Minas Gerais, maior produtor do país, ocupa posição intermediária: são 886 mil hectares de café, dos quais 67,8% estão conectados.

“O dado, que à primeira vista parece robusto, esconde os desafios do estado, cuja produção é marcada por topografia montanhosa, grande dispersão territorial e predominância de pequenas propriedades, o que dificulta a universalização da cobertura digital mesmo em regiões de forte tradição cafeeira, como Sul de Minas e Matas de Minas”, explica a presidente da ConectarAGRO, Paola Campiello.

Em contrapartida, Bahia (40,7%) e Goiás (10,5%) registram os piores índices de conexão, cenário que dificulta a inserção plena de suas lavouras na chamada agricultura 4.0.

A Bahia, embora apresente produtividade relativamente elevada (25,43 sc/ha), sofre com a distância entre áreas produtivas e centros urbanos, além da limitação digital em regiões como o Oeste Baiano e a Chapada Diamantina.

Goiás, com apenas 10,5% das lavouras conectadas, mostra a maior lacuna tecnológica, evidenciando a urgência de investimentos em infraestrutura.

Análise municipal

Entre os dez municípios com maiores áreas de café plantada, todos localizados em Minas Gerais, há cenários distintos:

  • Patrocínio possui a maior área cultivada (44,5 mil ha) e registra 57,9% de conectividade;
  • Monte Carmelo alcança 81,9% de cobertura e produtividade média de 42 sc/ha;
  • Serra do Salitre, com 16,7 mil ha, conecta apenas 23% de suas lavouras.

O resultado ilustra como a ausência de infraestrutura digital pode limitar o potencial produtivo mesmo em regiões de alta aptidão agrícola.

Presença digital

O estudo mostra que a conectividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser condição essencial para o desenvolvimento da cafeicultura.

A presença de internet no campo viabiliza desde o uso de sensores de monitoramento climático e sistemas de irrigação inteligentes até plataformas de rastreabilidade e certificações de origem, cada vez mais exigidas por mercados internacionais, como o europeu.

Os estados e municípios mais conectados já colhem ganhos em eficiência, sustentabilidade e qualidade, enquanto regiões ainda desconectadas enfrentam riscos de estagnação tecnológica e perda de competitividade.

“A conectividade representa inclusão social, segurança alimentar e soberania tecnológica. Garantir acesso digital nas lavouras é assegurar que o café brasileiro continue sendo referência mundial em qualidade, inovação e sustentabilidade, em um mercado cada vez mais exigente”, conclui Campiello.



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Pasto na seca: este é o guia para escolher o capim ideal e garantir o lucro! Veja


Pecuaristas, o período da seca é um dos momentos mais críticos do ano para a produção de gado. Para garantir que o boi não perca peso e a sua fazenda continue lucrativa, é essencial um planejamento estratégico, que começa com a escolha da forrageira ideal para o diferimento. Assista ao vídeo abaixo e confira as dicas.

Em um novo episódio da série “Na seca o pasto pode secar, mas o boi não!”, o doutor em zootecnia Iorrano Cidrini, autor do livro de mesmo nome, apresenta um guia para escolher o capim ideal e garantir o lucro.

Ele explica, de maneira descomplicada, como o pecuarista deve fazer a escolha da forrageira.

O guia para a escolha do capim ideal

Foto: Divulgação/Embrapa

O diferimento de pasto, conhecido popularmente como “feno em pé” ou “vedação de pastagem”, é uma tecnologia que consiste em atrasar o uso do pasto, vedando uma área no final das águas (outono) para ser utilizada no período mais crítico do ano, a seca.

Para que essa técnica seja um sucesso, a escolha da forrageira é fundamental.

Segundo Iorrano Cidrini, a grande vantagem é que a maioria das fazendas já tem a forrageira adequada. A escolha do capim ideal deve ser feita com base nas seguintes características:

  • Porte baixo: Forrageiras de porte mais baixo (como as braquiárias) têm o colmo (talo) mais fino, o que facilita o pastejo dos animais na seca.
  • Resistência ao tombamento: O capim deve aguentar passar o período de diferimento sem tombar, para que o gado possa consumi-lo com mais facilidade.
  • Menor sementeamento: O ideal é que o capim não sementeie no período do outono, para que a massa diferida tenha uma maior proporção de folhas e um valor nutricional mais alto.
  • Manter-se verde na seca: O capim deve aguentar passar mais tempo verde durante a seca, para que o valor nutricional da forragem seja mais alto.

Braquiárias e Panicuns: as melhores opções para o diferimento

Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados
Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados

As braquiárias são, em geral, as forrageiras mais adequadas para o diferimento. Iorrano Cidrini cita o marandu, o paiaguás e o decumbens como as melhores opções. Essas forrageiras têm um colmo mais fino, menos inflorescência e uma melhor relação folha/colmo, o que garante um melhor desempenho do gado.

Em forrageiras de porte mais elevado, como o mombaça ou o napier, a utilização para o diferimento é mais difícil, pois elas têm o colmo mais grosso e secam mais rápido. No entanto, se o pecuarista só tiver essas opções, ele pode rebaixar a altura inicial para que o capim tenha uma maior proporção de folha.

A escolha do capim certo para o pasto na seca é o primeiro passo para garantir a lucratividade da fazenda. Acompanhe os próximos episódios da série para mais detalhes sobre a utilização da suplementação e as estratégias para aumentar a eficiência da utilização do pasto diferido.

Com o livro “Na seca o pasto pode secar, mas o boi não!”, você aprenderá como obter pasto de qualidade e em quantidade adequada para o pastejo dos animais durante a época de seca. Além disso, você também será capaz de aumentar o desempenho de bovinos a pasto na época de seca. Clique aqui e saiba como adquirir a publicação.



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Pesquisadores encontram bactérias resistentes a antibióticos em aves silvestres



Pesquisadores apoiados pela Fapesp identificaram clones de Escherichia coli resistentes a antibióticos em aves silvestres mantidas no centro de reabilitação do Orquidário Municipal de Santos, no litoral paulista. As bactérias, comuns em infecções humanas graves, foram encontradas no trato intestinal de um urubu e de uma coruja.

Essas cepas já foram associadas a infecções hospitalares e comunitárias em diversos países. Em humanos, podem provocar complicações em pacientes com sistema imunológico fragilizado, com poucas opções terapêuticas eficazes.

“Escherichia coli é comum no intestino de animais e pessoas, mas se torna perigosa quando invade a corrente sanguínea ou causa infecções urinárias e renais. Em pacientes imunocomprometidos, clones multirresistentes como esses podem levar à morte”, explica Fábio Sellera, professor da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) e um dos coordenadores do trabalho.

Risco ambiental

Segundo os pesquisadores, os centros de reabilitação são essenciais para mitigar impactos da ação humana sobre a fauna. No entanto, não existem protocolos baseados em evidências científicas para monitorar ou tratar a presença de microrganismos resistentes nesses locais, o que pode representar risco tanto para a fauna quanto para a saúde pública.

As análises mostraram que os genes de resistência estão em elementos genéticos móveis, capazes de se transferir para outras bactérias, inclusive de espécies diferentes. “Mesmo microrganismos que nunca tiveram contato com antibióticos podem se tornar resistentes. Por isso, é fundamental o monitoramento constante do meio ambiente e dos potenciais hospedeiros”, afirma Nilton Lincopan, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e também coordenador do estudo.

Casos registrados

O urubu, resgatado em área periurbana e já colonizado pela bactéria, morreu pouco depois de chegar ao centro devido a fraturas múltiplas. Já a coruja vive há dez anos na instalação após sofrer uma colisão e não pode ser devolvida à natureza. Ela recebeu antibióticos em diferentes momentos, o que levanta dúvidas se já estava colonizada ou adquiriu a bactéria no local. No total, 49 animais tiveram amostras coletadas, entre aves e mamíferos. Nenhum apresentou sinais clínicos de infecção.

Próximos passos

Para os pesquisadores, os centros de reabilitação podem se tornar aliados no monitoramento de patógenos de importância médica. Sellera defende a adoção de protocolos que incluam testagem na admissão, isolamento dos animais colonizados e tentativas de descolonização antes da reintrodução na natureza.

Um exemplo vem do Projeto Cetáceos da Costa Branca, no Rio Grande do Norte, que testa patógenos em animais como o peixe-boi e estuda o uso de probióticos para reduzir a colonização antes da soltura.

“O que encontramos nesses centros é uma amostra do que circula na natureza. Além de proteger a vida selvagem, eles podem ter um papel estratégico no monitoramento de microrganismos que afetam os humanos”, afirma Lincopan.



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AgroNewsPolítica & Agro

Receita recorde com café atinge US$ 9,6 bilhões até agosto


O Brasil exportou 3,144 milhões de sacas de 60 quilos de café de todos os tipos em agosto de 2025, uma redução de 17,5% frente aos 3,813 milhões embarcados no mesmo mês de 2024. No entanto, a receita cambial aumentou 12,7% no período, alcançando US$ 1,101 bilhão, segundo o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A diminuição no volume embarcado já era prevista, de acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, em razão dos recordes obtidos em 2024 e da menor disponibilidade de café após uma safra abaixo do potencial máximo produtivo. Ele observa que o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os cafés brasileiros exportados aos Estados Unidos acentuou a redução.

“Os EUA deixaram de ser os maiores compradores de nosso café em agosto, descendo para o segundo lugar, com 301 mil sacas importadas – de negócios realizados antes da vigência do tarifaço –, o que implicou queda de 46% ante o mesmo mês de 2024 e de 26% contra julho deste ano. Assim, os americanos ficaram atrás da Alemanha, que importou 414 mil sacas no mês passado”, revela.

Ferreira avalia que o tarifaço também repercute no mercado internacional. “Se o tarifaço persistir, além de as exportações de café do Brasil seguirem inviáveis aos EUA, os consumidores americanos também enfrentarão preços onerosos para degustar sua bebida favorita, uma vez que não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos, criando-se, assim, um cenário inflacionário por lá”, projeta.

O relatório do Cecafé aponta ainda que o Brasil embarcou 25,323 milhões de sacas entre janeiro e o fim de agosto de 2025, queda de 20,9% em comparação ao mesmo período de 2024. A receita cambial, por sua vez, alcançou recorde para o intervalo, atingindo US$ 9,668 bilhões.

“O cenário, tanto em agosto, quanto no acumulado do ano, não é tão distinto, com a queda no volume já esperada, pela menor oferta após os embarques recordes em 2024, bem como maiores ingressos de divisas ao caixa do Brasil devido a maiores cotações internacionais, impulsionados pelo equilíbrio entre oferta e demanda há anos e, agora, potencializados pelo tarifaço”, explica.

Mesmo com a queda no posto de maior comprador em agosto, os Estados Unidos mantêm-se como principal destino do café brasileiro no acumulado do ano, com a aquisição de 4,028 milhões de sacas, o que representa 15,9% dos embarques totais e declínio de 20,8% em relação ao mesmo período de 2024.

Completam a lista dos cinco maiores destinos nos oito primeiros meses de 2025 a Alemanha, com 3,071 milhões de sacas (-32,9%); a Itália, com 1,981 milhão (-23,6%); o Japão, com 1,671 milhão (+15,6%); e a Bélgica, com 1,517 milhão (-48,3%).





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A voz de líderes conscientes para o agroconsciente


Semana passada dois especialistas, competentes e sábios do ecossistema do complexo do agronegócio brasileiro, tiveram uma convergência importantíssima com a mesma visão.

Roberto Rodrigues, que já foi ministro, é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicado agrícola para a COP30, presidiu a Aliança Internacional do Cooperativismo, uma série de feitos e fatos, e ele disse: “precisamos de um planejamento estratégico”.

Ele colocou à disposição a FGV para a elaboração de um Plano Agro 50 com tudo que é necessário olharmos sobre o ponto de vista competitivo e estrutural do antes, dentro e pós-porteira das fazendas para o desenvolvimento estratégico deste complexo de alimento e energia e meio ambiente que significa algo vital para a vida do planeta: planejamento estratégico.

E outro competente e sábio, o embaixador Rubens Barbosa, que já foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos convivendo com dois governos opostos, um democrático e um republicano, Clinton e Bush, e no Brasil convivendo também com uma passagem do governo Fernando Henrique para Lula e que trouxe uma visão muito similar de Roberto Rodrigues.

Ele disse: “não temos uma estratégia”, ou seja, nos falta uma estratégia sob o ponto de vista diplomático, e neste momento do tarifaço, da guerra comercial de Donald Trump, ele enfatiza a importância de uma estratégia brasileira, não só nos Estados Unidos, mas acentuando o quanto nós devemos e precisaríamos de todos os esforços para assinarmos o documento e o acordo com a União Europeia, porque com a UE ficamos numa posição de centro do mundo para trabalhar as suas extremidades, tanto de um lado quanto do outro.

Rubens Barbosa afirmou recentemente em encontro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Fiesp, que nos falta uma estratégia e comunicação, divulgação, da mesma forma que Roberto Rodrigues sempre tem enfatizado a necessidade de uma estratégia que envolva obrigatoriamente comunicação. Assim, neste pronunciamento último, o embaixador Rubens Barbosa, sobre o momento em que estamos vivendo, ele fez uma colocação que foi aplaudida por todos dizendo: “presidente Lula, telefone para o Trump, se ele não atender, chame a imprensa para que o mundo todo saiba que você telefonou e ele não atendeu”.

Portanto, eu quero abrir essa semana do nosso agroconsciente com a visão estratégica destes dois brasileiros que são competentes e que têm suas vidas como prova de trabalhos fundamentais. Ambos enfatizam: “planejamento estratégico do país e divulgação, comunicação competente não só para os brasileiros, mas para o mundo inteiro.”

Um plano pensar Brasil neste momento de polarização, de guerras, de ódios, de riscos internacionais. É um momento especial para pensarmos no Brasil. Parabéns a Roberto Rodrigues e ao embaixador Rubens Barbosa e que vozes de líderes como esses possam ecoar e inspirar a todos nós! Agroconsciente, mentes conscientes!

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

Soja brasileira ganha força no mercado com demanda chinesa aquecida


O mercado da soja no Brasil atravessa um momento positivo, impulsionado pela forte demanda chinesa e pela retração das compras dos Estados Unidos pelo maior importador mundial da oleaginosa. A combinação entre câmbio, prêmios internos e cenário internacional favorável tem garantido preços firmes para o produtor nacional.

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras somaram 86,5 milhões de toneladas até agosto, recorde histórico para o período. Apenas no mês passado, os embarques totalizaram 9,33 milhões de toneladas, mesmo com um recuo em relação a julho. Esse desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor de soja à China 

Enquanto isso, a produção nacional da safra 2025/26 voltou a ser projetada acima de 180 milhões de toneladas. De acordo com estimativas privadas, o volume pode alcançar 180,9 milhões de toneladas, sustentado por uma área semeada entre 48 e 48,5 milhões de hectares e por uma produtividade média esperada de 62,8 sacas por hectare. A recuperação do Rio Grande do Sul, após a seca do ciclo anterior, é apontada como um dos fatores-chave para esse resultado 

Os preços internos seguem firmes. No Rio Grande do Sul, a média semanal fechou em R$ 124,15 a saca de 60 quilos, com negociações semelhantes em praças como Nonoai e Não-Me-Toque. Em outras regiões, como Mato Grosso e Goiás, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 123,00 por saca. Esse patamar só tem se mantido devido aos prêmios elevados, uma vez que Chicago permanece próxima de US$ 10,00/bushel 

A antecipação da comercialização da safra ainda é considerada lenta em comparação com anos anteriores. No Brasil, apenas 20,5% da produção futura já havia sido vendida até agosto, abaixo da média histórica de 29,2%. No Mato Grosso, principal estado produtor, o índice é de 27,4%, também abaixo da média de 36,3% 

Com os embarques norte-americanos prejudicados pelo impasse comercial com a China, a tendência é de manutenção do protagonismo brasileiro no fornecimento do grão. Caso o ritmo se mantenha, o país poderá exportar até 108 milhões de toneladas em 2026, consolidando ainda mais sua posição de liderança no mercado global 





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