segunda-feira, abril 27, 2026

Autor: Redação

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soberania, democracia e clima no centro do discurso


Na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o espaço mais simbólico da diplomacia mundial para expor sua visão sobre os principais desafios globais. O tom de seu discurso reforçou a imagem de um Brasil que busca protagonismo internacional: defensor da soberania, mediador em conflitos e referência climática.

Para o público interno, a fala funcionou como uma reafirmação de que instituições e democracia seguem sólidas. Para o setor produtivo, em especial o agronegócio, a mensagem é clara: o mundo exigirá cada vez mais compromisso ambiental, mas também reconhecerá o Brasil como ator indispensável na segurança alimentar global.

Defesa da soberania e das instituições

Lula classificou como “inaceitáveis” os ataques externos ao Judiciário e às instituições democráticas brasileiras. Segundo ele, práticas como sanções econômicas, tarifas unilaterais e restrições diplomáticas ferem a autonomia dos países e aprofundam assimetrias globais.

A mensagem foi entendida como recado direto a nações que, em nome de interesses comerciais ou geopolíticos, tentam pressionar governos soberanos.

Democracia como linha vermelha

O presidente também reforçou que democracia e Estado de direito são pilares inegociáveis. Citou o funcionamento das instituições no Brasil como exemplo de que a justiça deve atuar com independência e alertou para o avanço de forças antidemocráticas que buscam fragilizar esses sistemas em diferentes partes do mundo.

Outro ponto central foi a defesa da diplomacia. Lula mencionou conflitos como a guerra da Ucrânia e a crise na Faixa de Gaza, criticando o uso indiscriminado da força e distorções no conceito de “direito à defesa”. Para ele, apenas negociações multilaterais podem garantir soluções duradouras. O Brasil, disse, está disposto a atuar como mediador em conjunto com outros países.

Crise climática e desigualdade

Lula vinculou a luta contra o aquecimento global ao combate à desigualdade. Argumentou que não é possível avançar na agenda climática sem atacar as profundas diferenças sociais, especialmente em países em desenvolvimento.

Destacou ainda o papel do Brasil como protagonista na preservação ambiental e no combate ao desmatamento, apresentando a Amazônia como ativo estratégico para o planeta.

O recado para o agronegócio

Embora não citado diretamente, o discurso tem forte impacto para o setor agropecuário. O presidente sinalizou que a agenda internacional cobrará cada vez mais práticas sustentáveis, o que pode afetar acordos comerciais, tarifas e certificações. Ao mesmo tempo, ao defender soberania e diálogo multilateral, Lula busca abrir espaço para que o Brasil negocie melhores condições de acesso a mercados, especialmente na Europa e na Ásia.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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União Europeia propõe adiar lei antidesmatamento para 2026



A União Europeia deverá adiar a entrada em vigor da lei antidesmatamento, que proíbe a importação de commodities associadas ao desmatamento de florestas. A informação foi confirmada pela Comissária do Meio Ambiente, Jessika Roswall, nesta terça-feira (23). Essa é a segunda vez que o bloco econômico adia o início da nova legislação.

Em carta publicada pela mídia europeia, Roswall afirmou que um dos motivos principais para o adiamento foi a preocupação com a operação da plataforma digital, que processa as declarações de conformidade previstas no regulamento.

Segundo a comissária, seguir adiante sem resolver as falhas do sistema de tecnologia da informação poderia causar transtornos às empresas e às cadeias de suprimento europeias.

“Diante disso, a Comissão considera adiar a entrada em aplicação do EUDR (Regulamento dos Produtos Livres de Desmatamento), atualmente prevista para 30 de dezembro de 2025, por um ano, a fim de evitar incertezas para as autoridades e dificuldades operacionais para as partes interessadas na UE e em países terceiros, além de permitir tempo para corrigir os riscos identificados”, afirmou Roswall.

Controvérsias sobre a lei antidesmatamento

Aprovada em dezembro de 2022, a lei antidesmatamento da União Europeia proíbe a importação de commodities que tenham qualquer ligação à destruição de florestas. Soja, café, carne bovina, cacau, madeira e borracha são alguns dos produtos afetados. Países como Brasil, Indonésia e Estados Unidos já se mostraram publicamente resistentes à legislação europeia.

Essas nações alegam que o cumprimento das novas regras seria oneroso e prejudicaria as exportações para a Europa. A aplicação, inicialmente prevista para dezembro de 2024, já havia sido adiada para dezembro de 2025. Agora, com a nova decisão, passará a valer a partir de dezembro de 2026 para grandes empresas e junho de 2027 para companhias menores.

Segundo a Reuters, no entanto, a decisão está estrita a questões técnicas ligadas ao sistema de TI, e não a fatores políticos internacionais. A proposta de adiar a legislação depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos países-membros da UE.



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AgroNewsPolítica & Agro

Produção goiana de soja já comercializou 85% do total


De acordo com informações divulgadas na edição de setembro do boletim mensal Agro em Dados, publicado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, o mercado da soja no Brasil permaneceu estável em agosto de 2025, com preço médio de R$ 140,50 por saca, conforme dados do Cepea/Esalq. “Apesar da elevação mensal de 2,6%, o patamar segue 5,5% acima do registrado em 2024, sustentado pela demanda firme do grão e derivados”, informa o boletim.

Segundo o Agro em Dados com base nas informações do Boletim Logístico da Conab de julho, cerca de 85% da produção goiana já foi comercializada, enquanto o restante permanece estocado à espera de melhores condições de mercado.

A destinação da soja brasileira reforça a relevância da diversificação da cadeia produtiva. Para o acumulado de janeiro a julho, foram exportadas aproximadamente 77,2 milhões de toneladas em grão, tendo a China como principal destino. No mesmo período, 13,5 milhões de toneladas seguiram como farelo, principalmente para a União Europeia, e 949,5 mil toneladas em óleo, com destaque para Índia e Bangladesh. Em Goiás, os embarques de 9,7 milhões de toneladas de grãos de soja consolidaram o estado como o segundo maior exportador do país. O boletim também destaca o crescimento da indústria esmagadora voltada à produção de farelo para nutrição animal, setor em expansão no Centro-Oeste.

Em julho de 2025, o complexo soja registrou desempenho histórico no comércio exterior. O Brasil exportou 12,2 milhões de toneladas de soja em grão, o maior volume já embarcado para o mês, representando alta de 9,0% em relação a julho de 2024. Goiás também se destacou com a exportação de 1,2 milhão de toneladas, o segundo melhor resultado de sua série histórica, ficando atrás apenas do recorde estabelecido em 2024.

Referente à programação da próxima safra, variações de preços e mercado dos insumos indicam um momento de atenção para os produtores de soja em Goiás e no país. Segundo a Conab, no primeiro semestre de 2025, as importações de fertilizantes somaram 19,41 milhões de toneladas — um aumento de 9,3% em relação ao ano anterior. “O comércio desse setor, embora ainda marcado por volatilidade e preços elevados, mantém-se consistente”, avalia o boletim, destacando que a oferta restrita e a relevância do agronegócio no Brasil sustentam esse cenário. Dentro desse contexto, os produtores goianos precisam estruturar estratégias comerciais mais ajustadas, combinando comercialização escalonada e controle de custos para atravessar o vazio sanitário e iniciar a próxima safra com planejamento





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Plantio de soja avança, mas clima e custos de produção desafiam sojicultores em campo



O plantio da safra de soja 2025/26 já começou em algumas regiões do Brasil. O levantamento da AgRural aponta que, até a última semana, 0,9% da área estimada estava semeada, contra 0,1% na semana anterior. Até agora, o ritmo dos trabalhos está de acordo com o observado no mesmo período da safra passada.

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Avanço no plantio de soja

Entre os estados que encerraram o vazio sanitário, período em que é proibido manter plantas de soja no campo, estão Paraná, que tem puxado o avanço das máquinas. Rondônia, Mato Grosso e São Paulo também aparecem na sequência.

Apesar da baixa umidade ainda limitar os trabalhos, a previsão de chuvas volumosas para os próximos dias deve acelerar o ritmo do plantio em diversas regiões.

Situação em Mato Grosso

Outro estado que deve ganhar protagonismo é Mato Grosso do Sul, onde o vazio sanitário terminou recentemente. O plantio ainda é tímido, mas a Aprosoja-MS projeta uma produção de 15,2 milhões de toneladas. Caso as condições climáticas sejam favoráveis, o estado pode superar o recorde do ciclo 2022/23, quando colheu 15 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, o plantio chegou a 0,55% dos 13,01 milhões de hectares estimados, segundo o Imea. O ritmo está um pouco mais acelerado em relação ao ano passado e levemente acima da média de cinco anos. Ainda assim, muitos produtores aguardam a regularização das chuvas para avançar. Paralelamente, a comercialização antecipada segue lenta. Até agosto, apenas 27,40% da safra havia sido negociada, o nível mais baixo das últimas duas safras e inferior à média histórica.

O cenário econômico também pesa no planejamento do produtor. Um estudo do Imea em conjunto com o Senar-MT aponta que, até julho, o custo total de produção subiu 7,69%, atingindo R$ 7.657,89 por hectare. O aumento foi puxado principalmente por fertilizantes e defensivos, que registraram altas de 9,23% e 4,33%, respectivamente. Além disso, o custo de oportunidade do capital cresceu 24,28%, refletindo a taxa Selic em patamares elevados.

No lado da receita, a produtividade média projetada é de 60,45 sacas por hectare, com preço médio de R$ 110,10 por saca. Isso gera uma receita bruta estimada de R$ 6.656,00 por hectare, queda de 8,23% em relação à safra anterior.

O valor cobre o Custo Operacional Total (COT) e garante uma margem de R$ 256,12 por hectare, mas não é suficiente para cobrir o Custo Total, resultando em uma lacuna de R$ 1.001,89 por hectare. Segundo o Imea, os gastos com fertilizantes e defensivos, que representam 37,58% do custo total, seguem como um dos principais gargalos da produção.



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Trump disse que combinou de conversar com Lula na próxima semana



Durante discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva combinaram de se encontrar na próxima semana. Trump relatou ter abraçado Lula nos corredores da sede das Nações Unidas e disse ter achado o brasileiro “um cara muito legal”.

O gesto de cordialidade veio logo após o discurso de Lula, que criticou as sanções impostas pelos EUA ao Brasil, acusando Washington de promover ingerência em assuntos internos. O contraste simboliza o momento delicado das relações bilaterais, marcadas por uma escalada de atritos nos últimos três meses.

Sanções e vistos revogados

Desde julho, os Estados Unidos têm ampliado restrições contra autoridades brasileiras ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida incluiu a revogação de vistos e a imposição de sanções sob a Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, acusado por Washington de abuso de poder, prisões arbitrárias e processos politizados. Mais recentemente, a esposa do magistrado, Viviane Barci, e o Instituto Lex, ligado à família, também foram alvos.

O Itamaraty reagiu às medidas, classificando-as como “tentativa de ingerência indevida”. Lula, por sua vez, tem criticado publicamente os EUA, afirmando que as sanções violam a soberania brasileira.

Tarifas e retaliações comerciais

Além das sanções, Trump adotou uma postura mais dura no comércio. Os EUA aplicaram tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras, atingindo diversos setores. O Brasil reagiu acionando a Organização Mundial do Comércio (OMC) e sinalizou que poderá adotar medidas de reciprocidade autorizadas pela legislação nacional.

Impactos no mercado

As tarifas têm gerado preocupação entre exportadores brasileiros, que veem risco de perda de competitividade nos EUA, um dos principais destinos de produtos nacionais. Há ainda receio de efeitos inflacionários internos, caso os custos sejam repassados à cadeia produtiva.

Apesar das tensões, Trump adotou tom conciliador em Nova York, ressaltando a boa relação pessoal com Lula e prometendo um diálogo direto na próxima semana. O encontro, no entanto, deve ocorrer em meio a um ambiente de forte desconfiança e disputas comerciais.



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Na ONU, Lula critica sanções e manda recados para Trump



Ao discursar na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as sanções unilaterais dos Estados Unidos afirmando que o mundo assiste ao aumento do autoritarismo.

“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização [ONU] está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões a política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias. E intervenções unilaterais estão se tornando regra.”

Para Lula, existe “um evidente paralelo” entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”.

“Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência. Exaltam a ignorância. Atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais”.

Sanções

Lula se referia às sanções econômicas aplicadas pelo governo de Donald Trump ao Brasil que impôs uma tarifa de 50% aos produtos nacionais importados pelos EUA. Ele também criticou as tentativas de interferência no Judiciário brasileiro.

Para tentar demover o Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, Trump impôs, em julho, a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

A Lei Magnitsky é um mecanismo previsto na legislação estadunidense usado para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Entre outros pontos, a medida bloqueia bens e empresas dos alvos da sanção nos EUA.

O governo norte-americano também cancelou o visto de diversos ministros da Corte, entre eles, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Flavio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luis Roberto Barroso e Edson Fachin.

Na segunda-feira (22), o governo dos EUA anunciou sanções à esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes. O governo brasileiro reagiu afirmando ter recebido a notícia com profunda indignação e destacando que o país “não se curvará a mais essa agressão”.



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Centro-Sul deve ter 3ª maior safra de cana da história em 2026/27



A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deve alcançar 620,5 milhões de toneladas, alta de 3,6% em relação ao ciclo anterior. Se confirmado, o resultado representará a terceira maior colheita já registrada, segundo projeção da StoneX.

O crescimento esperado é atribuído a três fatores: o rejuvenescimento do canavial após o aumento das renovações em 2024/25 e 2025/26, a expectativa de chuvas dentro da normalidade entre outubro e março e a expansão da área colhida, que deve chegar a 8 milhões de hectares, avanço de 1,8% frente ao ciclo atual. Parte desse incremento vem da recomposição de áreas atingidas por queimadas entre julho e setembro de 2024, quando 420 mil hectares foram afetados.

“A recuperação das áreas reformadas após as queimadas e o retorno esperado das chuvas criam um ambiente mais favorável para o setor. Esses fatores, somados ao rejuvenescimento do canavial, explicam a projeção de uma safra entre as maiores da história do Centro-Sul”, afirmou o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifácio Filho.

Açúcar em alta, etanol puxado pelo milho

A produtividade média deve registrar leve alta, atingindo 77,5 toneladas por hectare, apesar da continuidade de déficits hídricos em regiões como Triângulo Mineiro, sul de Goiás e noroeste paulista, que ainda apresentam níveis de umidade próximos das mínimas em dez anos.

Na produção de derivados, o açúcar deve atingir 42,1 milhões de toneladas, avanço de 5,7% sobre o ciclo 2025/26 e o segundo maior volume da série histórica. O aumento será sustentado pela maior moagem e pela normalização do Açúcar Total Recuperável (ATR), estimado em 138,8 kg/tonelada, alta de 2,4%. As exportações devem ficar próximas ao recorde de 2024, com excedente de 34 milhões de toneladas.

No etanol, a produção total também deve crescer, impulsionada pelo milho. A oferta do biocombustível de grão pode chegar a 11,4 bilhões de litros, aumento de 17,5%, respondendo por quase um terço do volume regional. Já o etanol de cana deve alcançar 14,6 bilhões de litros, avanço de 6,6% em relação ao ciclo atual.



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Ata do Copom mantém tom vigilante e admite ajustes nos juros



O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou que seguirá vigilante na condução da política monetária e admitiu a possibilidade de novos ajustes na taxa básica de juros. A sinalização consta na ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira (23).

Na semana passada, o colegiado decidiu manter a Selic em 15% ao ano. Além disso, o comunicado destacou que a convergência da inflação à meta exige juros em patamar elevado por período prolongado.

Incertezas no cenário

O Copom apontou que o ambiente segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação acima da meta e resiliência na atividade econômica. Também citou pressões no mercado de trabalho e riscos relacionados à política fiscal doméstica.

No campo externo, o comitê acompanha os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A avaliação é de que esses fatores exigem cautela na condução da política monetária.

Projeções de inflação

As estimativas de inflação foram mantidas em 4,8% para 2025 pelo Copom, 3,6% para 2026 e 3,4% no primeiro trimestre de 2027 — horizonte considerado relevante para a política monetária. Todos os valores estão acima do centro da meta de 3%.

A projeção considera queda dos preços livres, de 5% neste ano para 3,3% em 2027. Já os preços administrados devem recuar de 4,3% para 3,8% no mesmo período.

Cenário de referência

O cálculo parte de premissas como câmbio inicial em R$ 5,40, bandeira verde de energia até 2026 e trajetória de petróleo alinhada à curva futura nos próximos seis meses. Após esse período, a projeção do Copom assume alta de 2% ao ano.



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AgroNewsPolítica & Agro

Cotação do “boi China” recua R$ 2,00 por arroba


De acordo com a análise da segunda-feira (22) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, o ágio do “boi China” recuou nas praças paulistas. “Apesar de boa parte da ponta compradora ter estado fora das compras, o cenário foi de mercado frouxo”, afirma o boletim. Com mercado bem ofertado, escalas de abate confortáveis e escoamento de carne fraco, os frigoríficos que já haviam retomado os negócios iniciaram a semana oferecendo menos pela arroba do “boi China”. Para as demais categorias, as cotações permaneceram estáveis.

Segundo o informativo, a cotação do “boi China” caiu R$ 2,00 por arroba, e as escalas de abate ficaram, em média, para 12 dias.

No Rio de Janeiro, com pouca capacidade de suporte das pastagens dificultando a retenção da boiada pelos produtores, a oferta estava elevada – especialmente de fêmeas –, e as vendas de carne seguiram fracas. “A cotação das fêmeas caiu R$ 2,00/@, enquanto a do boi gordo não mudou”, diz o relatório.

No mercado atacadista de carne com osso, com o avanço do final do mês, o ritmo que já vinha lento seguiu fraco. Após algumas semanas de estabilidade nas cotações de parte das carcaças casadas, o menor escoamento pressionou os preços de todas as categorias.

A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 1,2%, ou R$ 0,25 por quilo. As demais carcaças casadas recuaram 1,3%, ou R$ 0,25 por quilo. A maior queda foi na ponta de agulha: no boi capão, recuo de 1,8%, ou R$ 0,30/kg, e no boi inteiro, retração de 2,1%, ou R$ 0,35/kg.

No mercado de carnes alternativas, a cotação do frango médio subiu 2,7%, ou R$ 0,20 por quilo. Em contrapartida, no mercado atacadista do suíno especial houve queda de 2,3%, ou R$ 0,30 por quilo.





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Brasil deve produzir 10 bilhões de litros de etanol de milho nos próximos anos



O avanço do etanol de milho no Nordeste promete mudar a dinâmica do mercado de biocombustíveis no país. Novos projetos na região devem adicionar 1,3 bilhão de litros à oferta anual, hoje sustentada por 2,3 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar, o que tende a reduzir custos logísticos e ampliar a autossuficiência regional.

As estimativas são da SCA Brasil e foram apresentadas em reunião com representantes do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), na última quinta-feira (18) . Segundo as projeções, estados como Maranhão e Bahia devem liderar essa expansão, com novas usinas que somam quase 800 milhões de litros de capacidade.

“A produção regional reduz a dependência do etanol vindo do Centro-Sul durante a entressafra, garante maior estabilidade no abastecimento e gera competitividade também para subprodutos do milho, como os grãos secos de destilaria (DDGS) usados na nutrição animal”, afirmou Martinho Ono, CEO da Sca Brasil .

No ciclo 2025-2026, o Brasil deve produzir 10 bilhões de litros de etanol de milho. Com novos projetos em construção no Nordeste e no Centro-Oeste, a capacidade poderá crescer até 10 bilhões de litros adicionais nos próximos anos.

No entanto, o executivo ressalta que o destino desse volume será essencialmente interno. “Ainda não há perspectivas concretas de expansão internacional, seja via combustível sustentável de aviação ou aumento da mistura de anidro na gasolina no exterior. O mercado interno terá de absorver essa produção extra”, avaliou Ono.



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