sexta-feira, abril 24, 2026

Autor: Redação

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Domingos Velho Lopes é eleito o novo presidente da Farsul


A nova direção da Farsul foi escolhida durante a quinta-feira (02), em disputa com chapa única, na Sede da Entidade. Domingos Velho Lopes assume como o novo Presidente, com início do mandato em 1º de janeiro de 2026.Dos 134 sindicatos aptos a votar, 123 participaram da eleição presencial, a 44ª da história da Farsul, que completará 100 anos durante o novo mandato. Foram 120 votos na chapa, dois nulos e um em branco.Após a divulgação do resultado, em sua primeira fala como Presidente eleito, Domingos disse que o momento agora é o de recolocar o produtor rural no centro das decisões e de aumentar o diálogo entre o campo e a cidade. “O mundo nos vê como responsáveis pela segurança alimentar, como um País amigo capaz de produzir alimento e energia”, declarou.Domingos também destacou que sua gestão será técnica, que buscará inovação sem deixar de lado a conservação dos valores que sempre defendeu, como a livre iniciativa e a defesa do direito à propriedade.

“Essa Federação tem um compromisso com o produtor e com a sociedade gaúcha, e a partir de hoje, é meu mantra, e do resto da diretoria, o de colocar novamente os produtores do nosso Estado no seu lugar que é de merecimento”, finalizou.Já Gedeão Pereira Silveira, que deixa o cargo no final do ano, ao falar do encerramento do seu mandato, destacou que “uma gestão só é coroada quando faz sua sucessão. Neste caso, nós estamos fazendo um sucessor escolhido por unanimidade, com uma votação maciça dos Sindicatos Rurais”. Gedeão agora assume o posto de Diretor Vice-presidente da Farsul e de Primeiro Vice-Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o posto mais alto alcançado por um gaúcho até o momento.A nova diretoria terá uma renovação de 30% nos quadros, com 31 membros eleitos. Completam a diretoria executiva Elmar Konrad como 1º vice-presidente, Francisco Schardong, diretor-Administrativo, e José Alcindo Ávila, diretor-financeiro, com Manoel Ignácio Vieira Valim como 2º Diretor-Financeiro, e Fábio Avancini Rodrigues, 2º Diretor-Administrativo.

Quem é Domingos Velho LopesDomingos Antonio Velho Lopes é engenheiro agrônomo formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e produtor rural desde 1992, exercendo suas atividades em Mostardas e Palmares do Sul junto à família.Começou sua atividade institucional, em 1997, como presidente do Sindicato Rural de Mostardas. Em 2003, entrou para a diretoria da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Desde 2003 é membro da Comissão de Arroz da federação. Em 2005 recebe a distinção de produtor de arroz do ano através do Prêmio Senar-O Sul; em 2009 recebe o prêmio Homem do arroz do ano pela Federarroz.

Em 2016, Lopes foi homenageado com a Medalha Assis Brasil, durante a Expointer, por relevantes serviços prestados à agropecuária gaúcha. No ano seguinte, assumiu a Comissão de Meio Ambiente da Farsul e foi conduzido à presidência do Conselho Superior da entidade. A partir de 2018 desempenhou as funções de membro titular dos Conselhos Estaduais de meio ambiente; Conselho Estadual de recursos hídricos e Conselho de Saneamento do RS, além de ser membro titular da Comissão Nacional de meio ambiente da Confederação Nacional de Agricultura – CNA.Em 2022 exerceu o cargo de Secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. Atualmente exerce o cargo de diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).





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Safra de uva avança com boas condições climáticas



Expectativa é positiva para safra de uva no Estado



Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (2) pela Emater/RS-Ascar, o cultivo de uva segue em bom ritmo no Rio Grande do Sul.

Na região administrativa de Caxias do Sul, a poda seca foi concluída e as videiras apresentam plena brotação e desenvolvimento vegetativo. Segundo o informativo, não há registro significativo de doenças fúngicas ou pragas, e os vinhedos demonstram boa emissão de brotos e cachos, o que indica expectativa positiva para a safra. O manejo de plantas de cobertura do solo tem sido realizado por meio de roçadas ou acamamento. As temperaturas amenas também têm favorecido o baixo índice de doenças.

Já na região de Frederico Westphalen, as variedades cultivadas se encontram em diferentes estágios. A Vênus está em fase de flores abertas e limpeza dos cachos; a Bordô apresenta inflorescência visível e flores agrupadas; a Niágara Rosada e Branca têm cerca de 25% de flores abertas; a Seyve Villard está entre a primeira folha separada e a inflorescência visível; e a Carmem se encontra de duas a três folhas separadas até o alongamento da inflorescência. As demais cultivares apresentam ponta verde com duas a três folhas separadas.

Entre as práticas adotadas, os viticultores realizam a desbrota, eliminando brotos em excesso ou mal posicionados, e a desponta, que consiste no corte de ramos muito vigorosos para favorecer a floração e a entrada de luz. Também foram aplicadas adubações foliares com boro e cálcio, nutrientes essenciais para o florescimento e o pegamento das bagas, além de nitrogênio para estimular a brotação, potássio e magnésio para o desenvolvimento inicial dos frutos e manutenção da fotossíntese.

O monitoramento de doenças típicas da primavera, como míldio, oídio e antracnose, segue em andamento, assim como o manejo da cobertura vegetal, o tutoramento e a amarração dos ramos para garantir a boa condução das plantas.





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Arroba do boi gordo caiu até 6,5% em setembro, mas deve reagir em outubro


O mercado brasileiro de boi gordo foi pautado por um cenário de pressão baixista às cotações ao longo do mês de setembro.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a incidência de animais de parceria ofereceu uma previsibilidade para a formação das escalas de abate por parte dos grandes frigoríficos, que estão fechadas entre 8 e 9 dias úteis no Brasil.

Segundo ele, em meio à maior demanda esperada para o último bimestre do ano, é possível que haja uma recuperação nos preços da arroba em todo o país, embora de maneira comedida.

O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, concorda que há condições para patamares de preços de estáveis a mais altos ao longo do mês de outubro.

“Mesmo com as escalas de abate relativamente confortáveis, a oferta não deve sofrer um panorama de mudança muito robusto, mas penso que a demanda interna pode vir a ser mais firme. A oferta de gado de pastagem tende a pesar um pouco mais, já que há retomada de chuva e, consequentemente, rebrota de capim, o que influencia o mercado, assim como o câmbio ajudando a sustentar margens para a indústria nas exportações “, detalha.

Variação de preços do boi gordo

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do Brasil estavam assim no dia 30 de setembro:

  • São Paulo (Capital): R$ 300, queda de 4,76% frente aos R$ 315 do final de agosto;
  • Goiás (Goiânia): R$ 290, baixa de 6,45% em comparação aos R$ 310 registrados no fim do mês retrasado;
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 290, recuo de 4,92% ante aos R$ 305 registrados no fechamento de agosto;
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320, alta de 1,59% em relação aos R$ 315 praticados no encerramento do mês retrasado;
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 295, retração de 6,35% frente ao preço do final de agosto, de R$ 315;
  • Rondônia (Vilhena): R$ 273, declínio de 4,21% frente aos R$ 285 praticados no fechamento do mês retrasado.

Mercado atacadista

Iglesias comenta que o mercado atacadista registrou fraqueza ao longo de setembro, impactado por um lento escoamento e por uma forte concorrência em termos de demanda com a carne de frango.
Assim, o quarto do traseiro do boi até avançou um pouco de preço e foi cotado a R$ 23 o quilo, alta de 0,44% frente aos R$ 22,90 praticado no final de agosto. Já o quarto do dianteiro do boi foi vendido por R$ 17 o quilo, recuo de 6,85% frente ao valor registrado no fechamento do mês retrasado, de R$ 18,25 o quilo.

Exportações de carne bovina

carne bovina frigoríficoscarne bovina frigoríficos
Foto: Freepik

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,654 bilhão em setembro (20 dias úteis), com média diária de US$ 82,713 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 294,706 mil toneladas, com média diária de 14,735 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.613,20.

Em relação a setembro de 2024, houve alta de 52,9% no valor médio diário da exportação. Além disso, ganho de 23,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,4% no preço médio.

*Com informações de Safras News



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Polinização pode aumentar PIB do agro paulista em mais de R$ 4 bilhões, aponta estudo


Um estudo que integra o projeto Biota Síntese quantifica o impacto econômico da polinização na agricultura de São Paulo e mostra que a conservação da vegetação pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do agro do estado em mais de R$ 4 bi.

Para o estudo, foram utilizadas utilizaram imagens de satélite e análise pixel a pixel para mapear áreas agrícolas e fragmentos de vegetação nativa, identificando oportunidades de ampliar a polinização.

Segundo especialista ambiental da Semil e vice-diretor do Biota Síntese, Rafael Chaves, foram avaliadas áreas agrícolas com demanda por polinização e áreas de vegetação nativa, que oferecem polinizadores, com o objetivo de entender o fluxo desses insetos na região.

O estudo permitiu verificar como a restauração ecológica ao redor das lavouras poderia aumentar esse fluxo, sem a necessidade de expandir a área plantada.

“Se a vegetação é restaurada, naturalmente, os polinizadores, como as abelhas, se deslocarão até a paisagem. Quanto mais diversidade de vegetação, maior será o fluxo e a diversidade desses insetos”, conta o especialista.

Crescimento do PIB paulista

De acordo com a pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a restauração de vegetação nativa em áreas agrícolas poderia acrescentar até R$ 4,2 bilhões por ano ao PIB paulista.

A presença de matas, cerrados e campos no entorno dos cultivos aumenta a abundância e a diversidade de polinizadores, especialmente abelhas, elevando não só a quantidade, mas também o tamanho e a qualidade de frutos e grãos.

Homogeneização das paisagens

O estudo também aponta desafios associados à homogeneização das paisagens agrícolas, sobretudo em regiões críticas; porém, esses limites podem ser mitigados com a restauração de ecossistemas e a adoção de práticas amigáveis aos polinizadores, ampliando a polinização e os serviços ecossistêmicos.

“Em lavouras de soja, laranja e café, os ganhos seriam de R$1,4 bilhão, R$1 bilhão e R$ 660 milhões anuais, respectivamente. Outros cultivos permanentes (como goiaba, abacate e manga) poderiam somar mais R$280 milhões, enquanto temporários (como tomate, amendoim e feijão) responderiam por um acréscimo de R$820 milhões”, afirma Chaves.

Para o doutor em Ecologia, Eduardo Moreira, outro desafio é definir quais são as áreas que combinam o maior retorno com o menor custo de oportunidade, o que fará com que os produtores rurais entendam o valor da conservação e da polinização.

“É preciso definir dentre as diversas possibilidades, quais são os melhores métodos em cada situação e em cada área. Mas primeiro é necessário que quem está no campo tenha consciência do problema, da falta de diversidade de vegetação e de polinizadores, para que possamos verificar o que pode ser feito e como ajudá-lo”, relata.

Mapa detalhado

A publicação vencedora do prêmio apresenta mapas detalhados do estado de São Paulo, acompanhados de indicadores sobre o potencial de provisão de ganhos com a conservação de vegetação nativa e a dependência da polinização por cultura.

Mapa de polinizaçãoMapa de polinização
Foto: Reprodução/ Biota Síntese

Além disso, oferece recomendações valiosas para gestores públicos e agricultores, com o objetivo de alinhar produção e conservação. A obra orienta a implementação de políticas e ações locais baseadas em evidências, promovendo uma gestão mais eficiente e sustentável do território.



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Manejo pré-plantio é chave para safra recorde de soja


O início da safra de soja 2025/26 projeta novo recorde nacional de produção, estimado pela Safras & Mercado em 180,92 milhões de toneladas, um avanço de 5,3% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve chegar a 48,21 milhões de hectares, com produtividade média de 3.771 kg/ha. Apesar dos números positivos, produtores enfrentam custos mais altos – R$ 4.223 por hectare contra R$ 3.918 da última temporada – e riscos climáticos associados ao possível retorno do fenômeno La Niña.

Nesse cenário, o manejo antecipado de plantas invasoras se torna decisivo para garantir uniformidade no estande de plantas e reduzir gastos com aplicações corretivas. A Agroallianz destaca o herbicida recém-lançado Predecessor®, indicado para uso em pré-plantio, como ferramenta essencial nesse processo. O produto combina três moléculas – Imazetapir, Diclosulam e Flumioxazin – e oferece amplo espectro de controle, atuando na pré e pós-emergência.

A safra de soja 2025/26 começa agora, no momento de preparo das áreas e organização das etapas. O produtor que prioriza o controle de plantas daninhas antes do plantio, com ferramentas eficazes, tem mais segurança e rentabilidade lá na frente”, destaca Renato Menezes, gerente técnico da Agroallianz.

Ensaios independentes em Ponta Grossa (PR) mostraram que áreas tratadas com o herbicida produziram até 25,9% a mais em comparação às não tratadas. Entre as espécies controladas estão buva, picão-preto, corda-de-viola, trapoeraba, capim-colchão e caruru-de-mancha, todas de forte impacto competitivo no início da safra.

Segundo a empresa, o produto terá foco inicial em regiões do Cerrado, como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, mas pode ser utilizado em todas as áreas produtoras de soja no país. A proposta é apoiar o agricultor na construção de um manejo mais estratégico, sustentável e eficiente, fortalecendo a rentabilidade em meio a um ciclo de maiores desafios.

 





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como transformar resíduo do confinamento em fonte de renda e lucro



O esterco bovino, frequentemente classificado como um resíduo da produção, possui um potencial inexplorado para se tornar um dos principais ativos do confinamento.

Com o manejo adequado, esse material se transforma em um valioso adubo orgânico, capaz de gerar receita adicional, aumentar a qualidade do solo e promover a sustentabilidade na fazenda. O aproveitamento estratégico do dejeto fecha o ciclo produtivo, desmistificando a ideia de que a pecuária intensiva gera poluição.

Ao programa Giro do Boi, o doutor em Zootecnia Maurício Scoton alerta que o manejo inadequado do esterco gera prejuízos sanitários e financeiros. O acúmulo de material orgânico nos currais é precursor de dois grandes problemas no confinamento: a lama, que prejudica a ruminação dos animais e causa problemas de casco; e a poeira, que aumenta drasticamente o risco de doenças respiratórias, como a pneumonia.

Por isso, a raspagem e a limpeza do curral são etapas cruciais para o bem-estar animal e a sanidade do rebanho, especialmente com a chegada do período de chuvas. Confira o vídeo completo.

A matemática do lucro: compostagem eleva a rentabilidade

O confinamento, além de produzir carne de alta qualidade, gera uma quantidade significativa de esterco. Um animal em dieta de 100 dias, consumindo cerca de 20 a 25 kg de matéria natural, produz de 3 a 5 kg de esterco por dia. O correto aproveitamento desse volume pode gerar uma receita extra considerável para o pecuarista, com diferentes níveis de rentabilidade.

O Dr. Scoton detalha três formas de uso com retorno financeiro crescente:

  1. Aplicação In Natura: o uso do esterco diretamente na pastagem ou lavoura da propriedade é a opção de menor rentabilidade, pois acarreta uma alta perda de nutrientes (cerca de 70%).
  2. Venda do Esterco Cru: ao ser vendido cru, após a raspagem do curral, o material já garante um lucro de aproximadamente R$ 30 por animal confinado, mesmo descontando os custos operacionais de manejo.
  3. Compostagem (Maior Lucro): a compostagem é a estratégia que oferece o maior ganho econômico. O processo envolve a mistura do esterco bovino com outros materiais orgânicos, como bagaço de cana, e o processamento (molhado e batido) para formar um composto orgânico de altíssimo valor nutritivo. Enquanto o esterco in natura é vendido a R$ 100–R$ 150 por tonelada, o produto compostado pode atingir R$ 400 por tonelada, elevando o lucro por boi para mais de R$ 100.

Sustentabilidade e benefícios para a qualidade do solo

A estratégia de compostagem proporciona múltiplos benefícios para a agricultura regenerativa e a fazenda como um todo. O fertilizante orgânico processado atua diretamente na melhoria da estrutura do solo, aumenta a retenção de água e repõe nutrientes vitais, como Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), essenciais para a lavoura e o pasto.

Ao processar os dejetos, o produtor rural consegue, simultaneamente, reduzir os problemas sanitários e nutricionais no confinamento e transformar uma despesa com resíduos em um investimento lucrativo.

Isso demonstra que a pecuária intensiva, quando alinhada a uma gestão sustentável, não só é ecologicamente viável, mas também promove a economia circular dentro da propriedade, garantindo longevidade e rentabilidade ao negócio.



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Você viu? Produtores abandonam áreas arrendadas no RS: ‘Isso não é vida’



Os impactos da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio do ano passado ainda permanecem. Considerada a pior tragédia da história do estado, deixou mais de 180 mortos e, passados mais de 12 meses, os produtores rurais convivem com dívidas quase impossíveis de pagar. Essa reportagem, originalmente escrita por Beatriz Gunther, foi uma das mais lidas da semana. Acompanhe:

Para quem vive da produção agrícola no estado, as cheias foram apenas o desfecho de uma sucessão de eventos climáticos que já vinha comprometendo as lavouras. Na soja, por exemplo, apenas a safra 2020/21 escapou de perdas significativas. As outras seis registraram quebras, seja pelo excesso de chuvas, seja pela seca prolongada, de acordo com a Emater.

Esse cenário tem levado muitos agricultores a abandonar a atividade. O reflexo aparece também no mercado de arrendamento rural, já que produtores descapitalizados deixam áreas arrendadas e a procura por contratos desse tipo diminui, sobretudo nas regiões mais afetadas por enchentes e estiagens recentes.

Produtores pedem socorro

O produtor Lucas Scheffer, de Cacequi, confirma a redução da área cultivada com soja no Rio Grande do Sul. Segundo ele, o agrônomo que presta assistência à sua família acompanhava 12 mil hectares no ano passado, mas neste ciclo a área caiu para 5 mil hectares. A queda não ocorreu por perda de clientes, e sim porque produtores simplesmente deixaram de plantar.

No modelo de arrendamento, o agricultor firma contrato com o dono da terra, que cede o uso da área para a produção agrícola. Scheffer relata que ele e o irmão cultivam exclusivamente em terras arrendadas, mas tiveram de reduzir a produção. “Eu e meu irmão reduzimos 50% da nossa área de milho: de 1.400 hectares para 700. As áreas destinadas apenas à soja foram todas largadas”, relata.

Ele também destaca que o endividamento resulta de sucessivas quebras de safra. “Somando os juros de cada linha e os custos, a conta não fecha. Além disso, estamos falando de uma das safras mais caras dos últimos cinco ou seis anos no Brasil”, afirma.

A situação descrita por Fernando Camargo, produtor de Júlio de Castilhos, na região central, é ainda mais contundente. Ele considera desistir do plantio nos próximos anos por acreditar que a atividade se tornou inviável. O agricultor cultiva cerca de 400 hectares, dos quais apenas 70 ou 80 são próprios; o restante é arrendado.

“Vou plantar esta safra porque estou com as coisas meio alinhadas, e se eu conseguir amortizar no ano seguinte e vender um imóvel para pagar minhas contas, eu vou sair fora da agricultura. Isso não é vida”, desabafa.

O arrendamento rural funciona como um “aluguel de terra”, mas transfere ao produtor todos os riscos da atividade. Mesmo diante de quebras de safra, ele deve arcar com o valor combinado.

O advogado Albenir Querubini, professor do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), lembra que, nesses casos, a legislação prevê a resilição unilateral. Pelo artigo 473 do Código Civil, o arrendatário pode encerrar o contrato sem sofrer penalidades ou ser impedido pelo proprietário.

Querubini reforça, porém, a importância da negociação. “Sempre é recomendável buscar acordo, seja para reduzir a área, ajustar o preço ou até encerrar o contrato. Mas os arrendatários também precisam conhecer a possibilidade da rescisão unilateral em situações como as do Rio Grande do Sul, desde que motivada e comprovada por fatores climáticos”, orienta.

Futuro incerto

Com a proximidade do plantio da safra de verão, os produtores gaúchos se veem diante de um impasse. O presidente da Aprosoja-RS, Ireneu Orth, confirma a tendência de queda nos arrendamentos e alerta que dificilmente o estado colherá uma boa safra. Segundo ele, há dois fatores distintos: o clima e as condições de produção.

“Se chover dentro da normalidade, esse é um aspecto. Mas mesmo assim dificilmente o estado terá uma grande safra, porque muitos produtores deixarão de plantar, especialmente em áreas arrendadas, e outros irão para o campo sem insumos ou com menos do que o necessário”, afirma.

Na avaliação de Querubini, os obstáculos se multiplicam. “O endividamento do produtor rural gaúcho, os custos de produção, a queda do preço da cotação dos grãos e a baixa oferta de crédito para custeio têm sido verdadeiros obstáculos para a agricultura. Por isso, é preciso ter políticas públicas para renegociação de dívidas agrícolas e, ao mesmo tempo, programas para enfrentamento de novas estiagens, com incentivo à armazenagem de água, irrigação e melhoramento de solos”, aponta.

Para Scheffer, o entrave está claro: o Plano Safra está bloqueado pela inadimplência e pela escassez de recursos. Situação semelhante vive a produtora Ana Debortoli. Ela e o marido, Marcelo, tentam há cinco anos manter a atividade rural. Para pagar dívidas, venderam as poucas máquinas que tinham, e até o carro da família foi tomado pelo banco.

As dificuldades financeiras se somam a problemas de saúde e à falta de crédito para seguir produzindo. “Já passamos um mês inteiro comendo apenas arroz e feijão. Ainda assim, não desanimo. Tenho que ter força para ajudar minha família”, conta.

No campo gaúcho, muitos produtores não sabem como plantar a próxima safra, mas seguem resistindo. “O que resta para nós é reduzir áreas, tentar diminuir custos de arrendamento e se manter na atividade por três ou quatro anos, na esperança de dias melhores para quitar dívidas e honrar compromissos”, resume Scheffer.



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Policiais descobrem laboratório de falsificação de bebidas no DF



Policiais militares no Distrito Federal (DF) realizaram uma batida em um laboratório clandestino usado para falsificação de bebidas, na região do Sobradinho dos Melos, na noite dessa sexta-feira (3).

A equipe apreendeu diversas caixas de garrafas vazias, caixas com rótulos de bebidas alcoólicas, tampas, maquinário e produtos químicos para a falsificação.

Segundo a PMDF, o local tinha capacidade para realizar várias etapas do processo de falsificação, como produção, envase, rotulagem e embalagem.

A ocorrência teve início durante a Operação 5º Mandamento, em que agentes da Vigilância Sanitária fiscalizavam os bares do Paranoá e Itapoã, duas regiões administrativas na região nordeste do DF.

Segundo a PMDF, em uma dessas distribuidoras fiscalizadas, a nota fiscal da mercadoria indicava o endereço da chácara onde o laboratório improvisado estava instalado.

Um caseiro que estava no laboratório foi conduzido para a 6ª Delegacia de Polícia (DP). Ele revelou que o proprietário do imóvel está no Ceará. A ocorrência foi registrada como crime contra as relações de consumo.

Até o momento, em 12 estados do país, são 116 casos suspeitos de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcóolicas adulteradas, com 11 detecções laboratoriais confirmadas, totalizando 127 casos. Ao menos cinco pessoas morreram em decorrência de complicações.

As intoxicações, que têm tido crescimento atípico nas últimas semanas, vêm mobilizando autoridades de saúde e forças de segurança.

Emergência médica

A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.

Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).

Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das instituições a seguir:

  • Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
  • CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;

É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado. A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.



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Senar oferece 500 cursos gratuitos em outubro



O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina (Senar/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), lançou aproximadamente 500 novos cursos gratuitos para este mês de outubro.

A iniciativa, realizada em parceria com os Sindicatos Rurais, visa difundir conhecimentos, aperfeiçoar técnicas e fortalecer as atividades do campo.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, destaca a importância das capacitações para promover o desenvolvimento dos negócios do campo. “Priorizamos conteúdos atualizados que aliam teoria e prática em diversas áreas, com o objetivo de promover inovação, melhoria da gestão, aumento na geração de renda e crescimento sustentável das propriedades.”

Segundo o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, a programação é planejada de acordo com as necessidades específicas de cada região.

“Anualmente, o Sistema Faesc/Senar e os Sindicatos Rurais e parceiros locais identificam as demandas do setor. A partir disso, oferecemos capacitações que geram resultados efetivos para os produtores rurais.”

Áreas de capacitação

A Formação Profissional Rural contempla cursos dos mais diversos âmbitos: agricultura; agroindústria; aquicultura; atividades de agrossilvipastoris; prestação de serviços; pecuária e silvicultura.

Já a Promoção Social oferece treinamentos em educação, organização comunitária, saúde, alimentação e nutrição, além de artesanato.

Treinamentos oferecidos neste mês

A programação contempla cursos como:

  • Segurança e saúde no trabalho com defensivos agrícolas – NR 31;
  • Operação e manutenção de roçadeiras;
  • Processamento de carne de frango;
  • Inseminação artificial em bovinos;
  • Equideocultura – doma racional;
  • Produção caseira de massas para congelamento;
  • Tratores e implementos agrícolas – operação e manutenção;
  • Emissão de nota fiscal eletrônica do produtor rural;
  • Primeiros socorros – trabalhadores em serviços de promoção e apoio à saúde;
  • Drone – pilotagem e operação – modalidade presencial;
  • Legislação aplicada ao transporte agrícola.

A programação completa, com datas e municípios, pode ser consultada aqui.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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Soja avança em Chicago com apoio do governo



Nos fechamentos do dia, o contrato de soja para novembro registrou valorização


Nos fechamentos do dia, o contrato de soja para novembro registrou valorização
Nos fechamentos do dia, o contrato de soja para novembro registrou valorização – Foto: Leonardo Gottems

A soja negociada na Bolsa de Chicago encerrou a quinta-feira (2) em alta, sustentada por sinais de apoio político nos Estados Unidos e pela maior utilização do óleo de soja na produção de biodiesel. Segundo informações da TF Agroeconômica, a ausência de dados oficiais de exportação, não divulgados devido à paralisação do governo norte-americano, levou o mercado a se apoiar nas promessas do governo de compensar os produtores e nas expectativas ligadas às negociações comerciais com a China.

Nos fechamentos do dia, o contrato de soja para novembro registrou valorização de 1,06%, equivalente a US$ 10,75 cents/bushel, encerrando a US$ 1.023,75. Já a posição de janeiro subiu 1,04%, para US$ 1.041,75/bushel. O farelo de soja para outubro avançou 2,49%, chegando a US$ 271,3/ton curta, enquanto o óleo de soja para outubro fechou em leve alta de 0,14%, a US$ 49,82/libra-peso. Os ganhos refletiram a recomposição de posições compradas após as cotações atingirem, no início da semana, a mínima de seis semanas.

Outro fator de suporte veio da sinalização do presidente Donald Trump, que reforçou em suas redes sociais que a soja terá papel central em sua reunião com o presidente chinês Xi Jinping, prevista para ocorrer ainda este mês. A possibilidade de avanços nas negociações entre as duas maiores economias do mundo trouxe otimismo adicional aos investidores.

Paralelamente, a Administração de Informação de Energia (EIA) informou que o uso de óleo de soja na produção de biodiesel nos Estados Unidos atingiu 1,108 bilhão de libras em julho, o maior volume desde novembro do ano passado. Esse avanço segue o padrão sazonal do setor e reforça a tendência de maior demanda, contribuindo para sustentar as cotações da oleaginosa no mercado internacional.

 





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