A Rasip Agro, unidade da RAR Agro & Indústria, sediada em Vacaria (RS) e uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil, investiu no aluguel de 300 milhões de abelhas, que atuarão na polinização de 1,5 milhectares de pomares.
Para a safra de 2025, serão mais de 5,5 mil caixas ninho, com cerca de cinco colmeias de abelhas da espécie Apis mellifera por hectare.
O ciclo de florescimento das macieiras terá início na segunda quinzena de setembro e é considerado um dos períodos mais importantes do processo produtivo.
Segundo Sergio Martins Barbosa, presidente executivo da RAR Agro & Indústria, o investimento reforça o compromisso com práticas agrícolas de excelência e inovação.
“Apolinização é fundamental para a qualidade e produtividade e a decisão de investir em um número expressivo de abelhas reflete nossa visão de longo prazo”, diz Barbosa.
Além disso, o presidente da empresa destaca que não quer apenas garantir altos índices de produção, mas também frutos com padrão superior.
As abelhas, de acordo com o diretor da Rasip Agro e engenheiro agrônomo, Celso Zancan, desempenham papel essencial no processo de polinização, melhorando a frutificação e, consequentemente, influenciando no calibre das maçãs.
“Essa interação natural resulta em frutos mais uniformes, com melhor qualidade e maior valor agregado. O investimento garante eficiência e sustentabilidade ao manejo dos pomares”, acrescenta.
Para Barbosa, a expansão dos pomares e o uso de tecnologias sustentáveis, como a polinização com abelhas, fortalece ainda mais a posição da companhia no mercado e promove o desenvolvimento da região de Vacaria.
O mercado da soja encerrou a primeira semana de outubro sob pressão no Brasil, mesmo com sinais de recuperação nos preços internacionais. Entre 26 de setembro e 2 de outubro, o bushel da oleaginosa em Chicago saiu de US$ 10,12 para US$ 10,23, impulsionado por um corte de 8% nos estoques trimestrais dos EUA e expectativas de retomada no comércio com a China. Ainda assim, o mercado interno brasileiro seguiu em viés de baixa, com a média semanal no Rio Grande do Sul em R$ 122,46/saca.
Segundo o CEEMA/Unijuí, os prêmios mais fracos nos portos e o câmbio estável ao redor de R$ 5,30 impactaram negativamente os preços no país. Em praças como Não-Me-Toque (RS), Nonoai (RS) e Pato Branco (PR), a soja foi cotada a R$ 119,00/saca, enquanto em Maracaju (MS) chegou a R$ 123,00.
O plantio da nova safra de soja 2025/26 avança lentamente, alcançando 3,2% da área estimada, segundo a AgRural. A StoneX projeta uma produção nacional de 178,6 milhões de toneladas, podendo chegar a 180 milhões se o clima colaborar. Essa expectativa de safra cheia também pressiona as cotações, reduzindo o apetite comprador neste início de ciclo.
Outro fator de influência é a relação comercial entre EUA e China. A soja deve integrar a pauta de uma nova rodada de negociações entre os presidentes dos dois países, o que pode resultar na suspensão das tarifas aplicadas por Pequim desde maio. O mercado internacional reagiu positivamente à notícia, mas ainda de forma contida.
Com a colheita norte-americana atingindo 19% da área, e 62% das lavouras em boas ou excelentes condições, a atenção agora se volta ao relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 9 de outubro. A expectativa é de atualizações relevantes sobre estoque, produção e exportações, o que pode mexer com os preços também no Brasil.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma metodologia que permite projetar como rebanhos de animais de diferentes espécies responderão fisiologicamente aos impactos das mudanças climáticas entre 2050 e 2100.
Estima-se que, caso se atinja o aumento médio de 2 °C de temperatura em 2050, situações críticas para a agricultura e para a saúde de animais e humanos irão ocorrer de maneira ainda mais frequente e intensa.
Por isso, os resultados da pesquisa são importantes para a estruturação de políticas públicas, tomada de decisão e ações do setor privado visando evitar o comprometimento da produção e da segurança alimentar.
De acordo com o estudo, os três cenários analisados (2050, 2075 e 2100) afetarão mais intensamente os pequenos ruminantes do hemisfério Norte. A projeção é de um aumento médio de até 68% na taxa respiratória desses animais em relação aos do Sul.
Por outro lado, a pecuária leiteira do Sul será a mais vulnerável ao estresse térmico entre ruminantes criados nos trópicos. Isso porque caprinos e bovinos de corte demonstram maior resiliência devido à plasticidade fenotípica, ou seja, a capacidade de mudança de características físicas (fenótipos) dependendo das condições ambientais, permitindo, assim, adaptação sem alterar o código genético (genótipo).
Desenvolvimento de linhagens resistentes
Entre os animais de produção do hemisfério Sul, as galinhas poedeiras e codornas foram identificadas como as mais suscetíveis ao estresse térmico, com aumento previsto de até 40 batimentos respiratórios por minuto até 2100. Os achados estão publicados na revista científica Environmental Impact Assessment Review.
“Com as temperaturas globais aumentando e os eventos climáticos se tornando mais extremos, será preciso desenvolver linhagens resistentes e adaptáveis, além de ambientes produtivos de alto nível, com controle de condições térmicas”, diz o coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea) da Esalq-USP e um dos cientistas do grupo, Iran José Oliveira da Silva.
Segundo ele, o estudo fornece subsídios para orientar políticas de adaptação da produção animal visando a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental. “Sabemos que as adaptações precisarão ser feitas, incluindo manejo direcionado à seleção e à conservação de recursos genéticos”, completa.
Silva foi orientador no doutorado do zootecnista Robson Mateus Freitas Silveira, também da Esalq e primeiro autor do artigo – o texto é o quinto de uma série de outros já publicados de sua tese.
“Começamos essa série definindo, pela primeira vez, o que seria um animal sustentável. Entendemos ser aquele com baixa emissão de carbono líquido, eficiente na conversão alimentar e na adaptação, independentemente das condições climáticas, além de clinicamente saudável e com alto desempenho”, define.
Segundo ele, posteriormente, foi desenvolvida uma metodologia para identificar esses animais, com a feitura da caracterização e as discussões. “Depois, buscamos identificar biomarcadores fenotípicos para identificá-los”, conta Silveira.
Metodologia do estudo
Os cientistas utilizaram 12 bancos de dados coletados no Brasil, Itália e Espanha para projetar como as mudanças climáticas vão impactar nas respostas termorreguladoras.
Houve uma etapa que envolveu tabulação, organização e padronização de dados biológicos, produtivos e ambientais. Depois, foram avaliadas as respostas adaptativas e identificados biomarcadores fenotípicos de animais de produção usando análise fatorial exploratória e regressão múltipla. O perfil adaptativo de diferentes animais foi traçado em ambos os hemisférios.
A partir daí, o grupo desenvolveu modelagens inteligentes com aprendizado de máquina (machine learning) e análise multivariada. Dados meteorológicos foram usados para projetar cenários climáticos de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – RCP 4.5, modelo conservador), ligado às Nações Unidas (ONU).
Os pesquisadores analisaram também respostas adaptativas dos animais de produção, como variáveis termorreguladoras, hematológicas, morfológicas, hormonais e bioquímicas. As espécies incluídas são ovinos, caprinos, bovinos (de leite e de corte), suínos (leitões), aves e codornas.
Silva destaca que as variáveis hematológicas (medidas por meio de exame de sangue completo) são um importante biomarcador para o estudo de adaptação animal à temperatura ambiente, até mais do que a morfologia da pelagem.
Os autores concluem que a adaptação animal é essencial para enfrentar os cenários de mudanças climáticas, especialmente no equilíbrio entre produção e resiliência.
Enquanto o hemisfério Norte concentra maior produtividade e será o mais impactado, o Sul deve investir em seleção de biomarcadores, cruzamentos e conservação de raças locais. O futuro da segurança alimentar dependerá da integração de genética, políticas públicas e inovação sustentável em escala global.
Segurança alimentar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA
A ONU aponta que a população mundial deve crescer dos atuais 8 bilhões de pessoas para cerca de 10 bilhões em 2050. Mesmo com os esforços dos países para garantir segurança alimentar, estima-se que 8,2% da população passou fome em 2024, enquanto o desperdício ainda chega a um terço da comida produzida no mundo.
Além disso, a cadeia global de produção de alimentos resulta em altos níveis de gases do efeito estufa e desmatamento para pecuária e agricultura, sendo responsável por 31% das emissões globais.
Esse crescimento populacional e da renda vem pressionando cada vez mais o sistema alimentar, também impactado pelas mudanças climáticas, com o aumento das temperaturas, alteração dos padrões de chuvas e maior frequência de eventos extremos (secas e enchentes).
Um dos efeitos é a dificuldade dos países de cumprirem os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Consistem em 17 metas interligadas, definidas pelas Nações Unidas, que buscam erradicar a pobreza, combater as desigualdades e a fome, proteger o meio ambiente e o clima, além de garantir justiça a todos até 2030.
Para os pesquisadores, o estudo fornece base científica para o desenvolvimento de sistemas de produção animal mais sustentáveis e resilientes, em alinhamento com os ODS.
Entre os maiores produtores de carnes do mundo estão Brasil, Estados Unidos e China. No caso brasileiro, por exemplo, estima-se que a produção de carnes bovina, suína e de aves atinja 31,57 milhões de toneladas em 2025, mantendo-se próxima ao recorde de 2024 (31,58 milhões de toneladas), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em relação à exportação, o Brasil vendeu entre janeiro e julho 1,78 milhão de toneladas de carne bovina e deve fechar o ano com cerca de 5,2 milhões de toneladas exportadas de frango, mesmo com os impactos provocados pelo tarifaço dos EUA e a gripe aviária.
Na pesquisa, o grupo ressalta que para a avicultura é urgente e necessária uma intensificação do sistema de produção porque esses animais não suportarão temperaturas elevadas.
“A bovinocultura de leite e as aves, tanto de postura como de corte, já vão sofrer efeitos imediatos no ciclo produtivo. Isso é um sinal de alerta para a produção do futuro. Por isso, a importância do trabalho conjunto entre genética e ambiência. Buscamos analisar o que vai acontecer lá na frente para prevenir e alertar produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas”, completa Silva à Agência FAPESP.
Limitação da pesquisa
No artigo, os cientistas ponderam que há dificuldades com as bases de dados dos países – às vezes por pequeno número amostral e diferentes metodologias de coleta das respostas adaptativas –, além dos custos das análises laboratoriais. Somente a temperatura retal e a frequência respiratória foram variáveis em comum nos 12 bancos de dados.
Uma segunda limitação foi o fato de não existir uma base de animais ruminantes e monogástricos (como bovinos, ovelhas e aves) em sistemas totalmente confinados, adotados em alguns países, especialmente China e Estados Unidos.
“Esse trabalho é a ponta de um iceberg. Levantamos os primeiros dados e agora é preciso agregar bancos de parceiros e ampliar as informações para diferentes regiões do mundo, permitindo comparar e estudar os reflexos em outros cenários. O estudo liderado pelo Robson é pioneiro na contextualização, mostrando que a parceria entre países e pesquisadores favorece conclusões que podem ser úteis a todos”, afirma Silva.
Silveira ressalta que um próximo passo é coletar dados e informações fenotípicas de aves e suínos de diferentes linhagens em todo o Brasil para montar um banco de dados a ser usado para prever como serão as respostas adaptativas e produtivas desses animais às mudanças climáticas. Esse é o foco de seu estágio pós-doutoral no Nupea, com apoio da FAPESP.
No artigo, o grupo sugere que outras pesquisas aprofundem o entendimento da relação entre respostas termorreguladoras e desempenho produtivo para fortalecer estratégias voltadas à segurança alimentar.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) anunciou na quarta-feira (1°) uma nova parceria estratégica com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) no âmbito do Programa Construindo Solos Saudáveis.
A colaboração tem como objetivo promover práticas regenerativas na cafeicultura brasileira, destacando, o protagonismo da cooperação na cadeia do café para garantir sustentabilidade, prosperidade e resiliência ambiental.
Benefícios da cafeicultura regenerativa
Segundo a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, a parceria terá foco na implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro.
“Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, afirma.
A utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café foi uma das práticas analisadas na agenda de carbono do Cecafé, por meio do estudo Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais, conduzido pela Imaflora e Esalq/USP.
Como resultado, Silvia também destacou que esse trabalho demonstrou um balanço negativo de carbono, uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa na mitigação dos efeitos dasmudanças climáticas.
Transição sustentável
A colaboração entre Cecafé e Emater-MG viabilizará que essas ações da agenda de carbono mudem esfera teórica para a prática no campo, usando a expertise da estatal e o apoio dos exportadores de café para ampliar o conhecimento entre os produtores.
Para possibilitar essa transição à prática, as ações da parceria incluem:
dias de campo, com foco em manejo sustentável;
assistência técnica especializada para produtores;
análises de solo e avaliação de biomassa;
mobilização de cafeicultores com apoio dos exportadores associados ao Cecafé;
elaboração de relatórios técnicos com base nas avaliações das UDs.
O coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussú Guimarães, anota que essa colaboração responde, principalmente, aos anseios do mercado consumidor por produtos ambientalmente responsáveis.
“Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa, que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, celebra.
Por meio dessa iniciativa, o Cecafé e a Emater-MG celebram, neste Dia Internacional do Café, não apenas a bebida que une culturas e pessoas, mas, também, os esforços conjuntos que tornam possível uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e sustentável.
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Foto: Divulgação
A lentidão nas exportações de milho no Brasil tem pressionado os preços internos. Apesar de uma leve alta no preço internacional (média de US$ 4,13/bushel em setembro), o cereal brasileiro está barato para quem vende e caro para quem compra, conforme relatório da CEEMA.
Entre fevereiro e setembro, apenas 17 milhões de toneladas foram embarcadas, muito abaixo das 40 milhões previstas pela Conab e das 50 milhões necessárias para aliviar os estoques. No acumulado do ano, as exportações somam 24 milhões de toneladas, contra 37 milhões em 2024 e o recorde de 56 milhões em 2023.
O preço médio no Rio Grande do Sul ficou em R$ 61,91/saca, com variações entre R$ 47,00 e R$ 64,00 nas demais regiões. Os compradores estão estocados e retraídos, o que tira força do mercado e agrava o desequilíbrio.
O plantio do milho de verão avança no Centro-Sul e atinge 32% da área prevista. A estimativa é de produção de 25,6 milhões de toneladas nesta etapa, segundo AgRural e StoneX. No total, a demanda doméstica deve passar de 91 milhões de toneladas em 2025, impulsionada pela produção de etanol.
Nos primeiros 20 dias de setembro, o Brasil embarcou 6,6 milhões de toneladas, mas a Anec estima que o total mensal fique em 7,3 milhões. O preço médio da tonelada exportada subiu para US$ 199,70. Mesmo assim, não é suficiente para descomprimir o mercado.
A situação é considerada atípica e pode se agravar na virada do ano, com possibilidade de novos recuos nos preços. O setor acompanha com atenção o ritmo das exportações e a evolução da demanda interna.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um gel para o tratamento de lesões cutâneas capaz de acelerar processos de cicatrização.
Devido à sua eficácia, foi iniciado estudo clínico com o gel em casos de pacientes oncológicos. O produto mostrou-se eficaz no tratamento de mucosite oral e inflamações comuns em casos de cânceres de cabeça, pescoço e transplantes de medula óssea.
Para desenvolver o gel, foram utilizados extratos padronizados da planta medicinal chamada de chica, crajiru ou carajuru (Arrabidaea chica), nativa do Brasil.
A partir desses extratos, foram criadas formulações farmacêuticas em sistemas de liberação micro e nanoparticulados, além de lipossomas, bem como os processos de obtenção, resultando em duas tecnologias protegidas que podem gerar novos produtos para o tratamento de lesões cutâneas.
Pesquisa já dura mais de duas décadas
A pesquisa que resultou no gel mucoadesivo cicatrizante teve início em 2003 e monitorou as propriedades químicas e farmacológicas da planta. Foi constatado que algumas de suas variedades produziam as substâncias com propriedades cicatrizantes em maior quantidade.
Os resultados obtidos possibilitaram o início dos estudos clínicos no ambulatório de oncologia de cabeça e pescoço do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. Posteriormente, a pesquisa foi ampliada para um estudo multicêntrico, incluindo o ambulatório de transplante de medula óssea do HC e a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia em Manaus, Amazonas (Hemoam).
Eficiência em tratamentos oncológicos
Segundo Foglio, o gel mucoadesivo desenvolvido na Unicamp tem se destacado no tratamento da mucosite oral, a inflamação da mucosa da boca. Essa é uma complicação frequente em pacientes com câncer, decorrente da quimioterapia ou radioterapia. A condição pode levar a infecções secundárias graves e até dificultar a alimentação, contribuindo para desfechos negativos na saúde do paciente.
“Muitas vezes o paciente vai a óbito não pelo câncer em si, mas sim pela mucosite oral. Isso acarreta outros problemas de saúde, até impedindo que o paciente se alimente”, conta.
De acordo com ela, o tratamento com o gel à base de chica leva, em média, de dois a cinco dias. Já o método convencional com laser pode durar até quinze dias, aumentando os riscos de complicações. A conclusão veio por meio de um estudo clínico randomizado, comparando o gel com o uso de laser.
“Essa redução no tempo de tratamento é muito importante, pois cada dia de um paciente oncológico faz toda a diferença. Quanto mais tempo com a ferida, mais o paciente está vulnerável”, ressalta Foglio
Com base nos dados do ambulatório de transplante de medula óssea do HC, o comitê de ética aprovou, em abril de 2025, um adendo que permite que todos os pacientes que desenvolverem mucosite oral, após a profilaxia com laser, recebam tratamento exclusivamente com o gel mucoadesivo de Arrabidaea chica.
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O mercado do trigo segue pressionado no Brasil com a entrada da safra 2025 e a conjuntura internacional desfavorável. Segundo levantamento do CEEMA, os preços do cereal caíram para R$ 65,08/saca no Rio Grande do Sul e entre R$ 65,00 e R$ 67,00 no Paraná, os patamares mais baixos desde janeiro deste ano e abril de 2024, respectivamente.
A queda se explica por três fatores principais: colheita acelerada, desvalorização do dólar e aumento da oferta externa. A Ucrânia ampliou em 9% a área de trigo de inverno, enquanto a Rússia reduziu em 300 mil toneladas sua previsão de exportação, que ainda assim segue alta, em 43,4 milhões de toneladas.
Em Chicago, as cotações também recuaram. O bushel fechou a semana em US$ 5,14, contra US$ 5,19 na anterior. A média de setembro ficou em US$ 5,13, ligeira alta sobre agosto, mas 10% abaixo de setembro de 2024. Os estoques norte-americanos cresceram 6% no comparativo anual.
O trigo brasileiro enfrenta forte concorrência internacional e um mercado interno limitado. A baixa liquidez e a elevada participação de importados na indústria moageira dificultam a formação de preços mais justos ao produtor.
Entidades do setor têm solicitado medidas de apoio emergencial, como aquisição governamental ou subvenção ao preço mínimo. As projeções para 2025/26 indicam estabilidade na produção nacional, mas o excesso de oferta regional, somado à importação em alta, tende a manter os preços pressionados. A expectativa é que o equilíbrio só venha com uma retomada nas exportações ou com maior presença do governo no mercado.
A semana que se estende de 6 a 10 de outubro será marcada por contrastes no clima brasileiro. Enquanto o Sul do país enfrenta a chegada de uma frente fria com temporais e risco de granizo, regiões do Centro-Oeste, Nordeste e Norte seguem sob forte calor e ameaça de incêndios. No Sudeste, a mudança no tempo acontece a partir da metade da semana, com o retorno das chuvas.
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Confira como ficam as condições do tempo em todo o país, com informações da Climatempo e análise do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller.
Região Sul
A frente fria avança pelo Rio Grande do Sul, trazendo chuva intensa em grande parte do estado, estendendo-se também para Santa Catarina e Paraná.
Os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros em 24 horas no sul gaúcho, gerando risco de alagamentos e atrasos no plantio do arroz. Nas demais áreas do Rio Grande do Sul, o volume deve variar entre 40 e 50 milímetros, suficiente para manter a umidade, mas também atrasar trabalhos em campo.
O risco de tempo severo é alto nos três estados, com rajadas de vento que podem ultrapassar 100 km/h e granizo, ameaçando lavouras em desenvolvimento e o abastecimento de energia elétrica.
Em Santa Catarina e no Paraná, a chuva volumosa pode prejudicar a colheita do trigo e a semeadura do milho da primeira safra e da soja.
Após a passagem do sistema, as temperaturas caem, especialmente nas baixadas, onde os termômetros podem marcar menos de 10 °C. Há risco de geada em pontos isolados da Serra Gaúcha, Serra Catarinense e na região de General Carneiro, no Paraná.
Região Sudeste
As temperaturas permanecem elevadas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Até a quarta-feira (8), as máximas podem chegar a 38 °C em áreas do interior de São Paulo e Minas, elevando o risco de incêndios. No Espírito Santo e no leste mineiro, há possibilidade de pancadas de chuva fracas e isoladas.
A partir da quarta-feira, porém, a frente fria começa a influenciar o tempo, levando chuvas acompanhadas de temporais no centro-leste de São Paulo, sul de Minas e Rio de Janeiro, com acumulados de 30 a 40 milímetros.
No Espírito Santo e leste de Minas, por sua vez, a previsão é de até 10 milímetros, o suficiente para melhorar a umidade do ar. O retorno da chuva deve persistir até o final da semana, encerrando o período quente e seco.
Região Centro-Oeste
O calor predomina em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, com máximas em torno de 40 °C. Pancadas de chuva atingem o sul de Mato Grosso do Sul e o leste de Mato Grosso, com possibilidade de temporais localizados.
O acumulado semanal deve ficar entre 20 e 30 milímetros em boa parte da região, mas no norte e noroeste de Mato Grosso o volume pode alcançar 50 milímetros, favorecendo o avanço do plantio da soja.
Em Goiás, o tempo seco e o calor intenso elevam o risco de focos de incêndio. Produtores devem ter cautela, já que as chuvas mais regulares só devem se consolidar na segunda quinzena do mês.
Região Nordeste
No Nordeste, a chuva se concentra ao longo do litoral leste, do sul da Bahia ao Rio Grande do Norte, além da faixa litorânea do Maranhão. O interior da região segue com tempo seco, baixa umidade do ar (com valores abaixo de 30%) e temperaturas que podem chegar a 39 °C.
Além disso, o acumulado de precipitação deve variar entre 15 e 25 milímetros na faixa costeira, sem grandes prejuízos às atividades agrícolas.
Apesar do cenário crítico no interior, a segunda quinzena do mês traz mais otimismo, com previsão de 40 a 50 milímetros nas últimas semanas de outubro, favorecendo o início do plantio da soja, feijão e milho.
Região Norte
O clima segue instável em Amazonas, Roraima, Acre, Pará e Amapá. Rondônia, Acre, Amazonas e parte do Pará devem registrar acumulados de 40 a 50 milímetros, recuperando a umidade do solo.
Em Roraima, entretanto, a chuva pode ultrapassar 100 milímetros devido à influência da Zona de Convergência Intertropical, o que pode prejudicar atividades em campo.
Já no Tocantins, o calor predomina com temperaturas próximas de 40 °C e risco elevado de incêndios. No noroeste do estado, deve chover entre 10 e 15 milímetros, mas a reversão do déficit hídrico só é esperada para o fim de outubro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na última terça-feira (30), de reunião com os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para tratar dos riscos da importação de banana do Equador. O encontro foi articulado por associações do setor, como Conaban, Abanorte, Abavar e Febanana.
Os produtores demonstraram preocupação com a possibilidade de entrada da praga quarentenária Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça tropical 4 (TR4), ausente no Brasil. Segundo informações apresentadas, a doença ameaça variedades do grupo Cavendish, como banana nanica e banana prata, principais cultivos e consumos nacionais.
Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em reunião com os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, Foto: Divulgação/CNA.
As entidades ressaltaram a importância da participação do setor produtivo e de instituições de pesquisa nas Análises de Risco de Pragas (ARP), apontando riscos diretos, como o fruto ser fonte de inóculo, e indiretos, por contaminação via embalagens, pallets e caixarias.
Banana do Equador: tema exige prevenção, diz CNA
Em comunicado à imprensa, a assessora técnica da CNA, Letícia Barony, disse que o tema exige medidas rigorosas de prevenção. “A gravidade da situação se intensifica diante da inexistência de materiais genéticos resistentes à TR4 e da falta de tratamentos eficazes. Trata-se de uma doença de solo que, uma vez presente, torna a área imprópria para o cultivo da fruta pela ausência de tratamento”, afirmou.
Ela destacou que a CNA já enviou ofício ao Ministério da Agricultura sobre o assunto e lembrou que a cadeia produtiva nacional tem mais de 200 mil produtores, sendo mais de 80% da agricultura familiar. “Gerando um enorme desafio para o Ministério da Agricultura e grande insegurança para os produtores”, disse.
Os ministros reafirmaram que as análises de risco serão conduzidas com apoio da Embrapa e participação do setor produtivo. Segundo eles, caso seja identificado risco de ingresso de pragas quarentenárias, o mercado não será aberto.
Também participaram da reunião o senador Jaime Bagatoli, os deputados Jorge Goetten e Nilto Tatto, além de prefeitos e vereadores.
O Ministério da Saúde informou neste sábado (4) que o Brasil tem 195 notificações de intoxicação por metanol após a ingestão de bebida alcoólica, sendo 14 casos confirmados e 181 em investigação.
As notificações foram enviadas pelos estados até as 16h para o Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs).
São Paulo lidera com 162 registros, sendo 14 confirmados e 148 em investigação.
Também há casos suspeitos nos seguintes estados:
11 em Pernambuco;
5 em Mato Grosso do Sul;
3 no Paraná;
2 na Bahia;
2 em Goiás;
2 no Rio Grande do Sul;
1 no Distrito Federal;
1 no Espírito Santo;
1 em Minas Gerais;
1 em Mato Grosso;
1 em Rondônia;
1 no Piauí;
1 no Rio de Janeiro;
1 na Paraíba.
Do total de casos notificados, 13 resultaram em morte, das quais uma está confirmada no estado de São Paulo, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Na tarde de sábado, o governo de São Paulo confirmou uma segunda morte decorrente de intoxicação por metanol.
Os óbitos investigados estão divididos pelos seguintes estados:
7 em São Paulo;
3 em Pernambuco;
1 na Bahia;
1 no Mato Grosso do Sul.
Diante do aumento e da gravidade dos casos, na última quarta-feira (1º), o Ministério da Saúde determinou que os estados e municípios notifiquem imediatamente todas as suspeitas de intoxicação por metanol. A medida pretende fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir uma resposta rápida e eficaz aos casos suspeitos.
No mesmo dia, foi instalada uma sala de situação para monitorar os casos. De caráter extraordinário, essa estrutura permanecerá ativa enquanto houver risco sanitário e necessidade de monitoramento e resposta nacional.
Emergência médica
A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).
Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das instituições a seguir:
Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);
Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;
É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado. A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.