Os volumes de soja e de milho inspecionados para exportação em portos dos Estados Unidos aumentaram na semana encerrada em 2 de outubro. Já os de trigo diminuíram. Os dados foram publicados nesta segunda-feira (6) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), em seu relatório semanal de inspeção dos embarques de grãos do país.
O volume de soja inspecionado para exportação em portos norte-americanos subiu 25,8%, para 768.117 toneladas. Já o volume de milho foi de 1,6 milhão de toneladas, aumento de 3,94% ante a semana anterior. O volume inspecionado de trigo, por sua vez, caiu 42,18%, para 505.096 toneladas.
O relatório mostra os volumes de grãos inspecionados para exportação no acumulado do ano-safra iniciado no dia 1º de junho de 2025 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para o milho e a soja.
Veja abaixo os volumes que foram inspecionados nos portos do país no período:
——————————————————————- EXPORTAÇÃO DE GRÃOS NA SEMANA ENCERRADA EM 2 DE OUTUBRO DE 2025 (em toneladas) —————————————————————— Grão 02/10/2025 25/09/2025 03/10/2024 ====== =========== ============ ============ Trigo 505.096 873.578 364.783 Milho 1.599.941 1.539.257 948.187 Soja 768.117 610.633 1.625.647 —————————————————————— EXPORTAÇÕES DE GRÃOS DOS EUA ACUMULADAS NO ANO —————————————————————— Grão Atual ano-safra Ano-safra anterior ===== ================ ==================== Trigo 10.177.281 8.649.281 Milho 6.708.744 4.298.920 Soja 3.030.898 3.555.417 ——————————————————————
Uma operação para combater um esquema de tráfico internacional de maconha líquida concentrada, importada dos Estados Unidos, dentro de garrafas com rótulos de uísque e maple syrup — xarope canadense comumente utilizado como cobertura de panquecas e waffles — foi deflagrada nesta segunda-feira (6) pela Polícia Federal e pela Receita Federal.
Na ação, policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão na zonal sul do Rio de Janeiro, nos bairros de Botafogo e Copacabana. Foram apreendidos celulares, pendrives e diversos documentos como possíveis provas contra o esquema investigado.
“A investigação foi iniciada a partir da apreensão de uma remessa postal, oriunda dos Estados Unidos via Correios, durante fiscalização de rotina da Receita Federal no Aeroporto do Galeão [no Rio de Janeiro]. As apurações da PF contaram com a cooperação da Receita Federal na identificação de remessas internacionais suspeitas”, diz a instituição, em nota.
A chamada maconha líquida pode ser apresentada em forma de óleos, extratos ou líquidos vaporizáveis derivados da Cannabis. A PF não informou o tipo de conteúdo encontrado dentro das garrafas.
De acordo com a institução, os investigados poderão responder pelo crime de tráfico internacional de drogas, cuja pena prevista é de até 15 anos de reclusão.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Meat Traders Association of Singapore (MTAS) assinaram nesta segunda-feira (6), em Colonia, na Alemanha, onde ocorre a feira de Anuga, memorando de entendimento que estabelece uma aliança entre os dois países para o fortalecimento das relações comerciais e institucionais ligadas à proteína animal.
Em nota, a ABPA diz que o acordo prevê a cooperação em temas técnicos e regulatórios e o apoio a ações de promoção comercial envolvendo carnes de frango, suína e produtos processados.
“Esta parceria é um avanço nas relações entre o Brasil e Singapura no campo da segurança alimentar e da cooperação sanitária”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin. Conforme a entidade, Singapura é o nono principal destino da carne de frango exportada pelo Brasil.
Ao todo, foram 101,4 mil toneladas embarcadas entre janeiro e agosto, com receita de US$ 185 milhões. O mercado também é o sexto maior importador de carne suína brasileira, com 54,7 mil toneladas importadas nos oito primeiros meses deste ano, com receita de US$ 155,3 milhões.
A ABPA informou que a assinatura ocorreu em encontro com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, que assinou memorando equivalente para o setor de bovinos.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 20,3% em setembro, totalizando US$ 2,576 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado reflete os efeitos da sobretaxa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
No acumulado de janeiro a setembro, as vendas ao mercado norte-americano registraram leve queda de 0,6%, somando US$ 29,213 bilhões. Já as importações vindas dos EUA aumentaram 14,3% no mês, alcançando US$ 4,349 bilhões. No ano, as compras cresceram 11,8%, chegando a US$ 34,315 bilhões.
A China, por outro lado…
Enquanto os embarques para os Estados Unidos recuaram, as exportações brasileiras para a China avançaram 14,7% em setembro, somando US$ 8,691 bilhões. O resultado foi impulsionado principalmente pela demanda por commodities agrícolas e minerais, que seguem como base da pauta de exportação ao país asiático.
Apesar da alta mensal, o acumulado de 2025 ainda mostra leve retração nas vendas ao mercado chinês, com queda de 1,4%, totalizando US$ 76,530 bilhões.
As importações de produtos chineses também cresceram. Em setembro, houve alta de 9%, para US$ 6,377 bilhões. No acumulado do ano, o aumento foi de 14,9%, somando US$ 54,90 bilhões.
O greening, também conhecido como HLB (Huanglongbing), é hoje a mais grave ameaça à citricultura brasileira. De acordo com levantamento da Fundecitrus, a doença já alcançou 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola que abrange São Paulo e Minas Gerais — o equivalente a quase 100 milhões de árvores contaminadas.
A bactéria Candidatus Liberibacter spp. é transmitida pelo inseto psilídeo asiático dos citros (Diaphorina citri) e provoca sérios danos à produção. “O greening é devastador. Ele afeta laranjas, tangerinas, limões e até plantas ornamentais como a murta”, disse o engenheiro agrônomo João Quirino, coordenador técnico da Hidroplan, durante o programa Planeta Campo. Segundo ele, as condições climáticas atuais e a presença de plantas infectadas têm favorecido a multiplicação da doença.
Prevenção é o principal caminho para o controle
Uma vez instalada, a doença não tem cura. Por isso, as medidas preventivas são fundamentais para conter seu avanço. “Tudo começa com o uso de mudas sadias e certificadas, adquiridas em viveiros credenciados”, orienta Quirino.
Outros cuidados indispensáveis incluem:
Escolher áreas com baixa pressão do psilídeo;
Manter o monitoramento constante das plantas;
Realizar o controle químico e biológico combinado, dentro do manejo integrado de pragas;
Intensificar o manejo das bordas dos pomares, eliminando plantas hospedeiras da bactéria.
“O produtor precisa observar o pomar com frequência. A presença do inseto ou qualquer sinal de desequilíbrio na planta deve acender o alerta”, reforça o especialista.
Sintomas do greening e sinais de alerta no pomar
Os primeiros sinais do greening aparecem nas folhas e nos frutos. Entre os sintomas mais comuns estão:
Folhas com coloração assimétrica entre verde e amarelado;
Frutos deformados, com sementes abortadas ou ausentes;
Produção irregular e queda precoce dos frutos;
Ramos com diferenças de coloração e crescimento anormal.
Essas características indicam que a planta pode estar infectada, comprometendo seu desenvolvimento fisiológico e se tornando foco de contaminação para o restante do pomar.
Manejo integrado e novas soluções sustentáveis
O controle eficiente do greening passa pelo manejo integrado de pragas (MIP), com ações coordenadas entre produtores vizinhos. O monitoramento conjunto e a erradicação de plantas contaminadas reduzem a disseminação da bactéria.
Estudos recentes da Hidroplan, em parceria com a Farmatc, vêm testando o uso de óleos essenciais naturais combinados com defensivos tradicionais. Os resultados são promissores:
O controle do psilídeo adulto aumentou de 53% para 83% com o uso conjunto;
Entre as ninfas — fase que mais transmite a bactéria —, o índice de controle saltou de 18% para 90%.
“É um resultado expressivo, sustentável e seguro. Associar defensivos a óleos naturais potencializa o efeito e ajuda a preservar o pomar por mais tempo”, explica Quirino.
Atenção e cooperação garantem a sobrevivência dos pomares
Com quase metade das laranjeiras do país afetadas, o combate ao greening depende da ação conjunta entre produtores, técnicos e órgãos de pesquisa. “O manejo deve ser coletivo. Um pomar doente pode comprometer toda a região”, alerta o agrônomo.
Para o produtor, adotar boas práticas de prevenção e buscar apoio técnico é o caminho mais eficaz para manter a produção ativa e sustentável. Afinal, preservar o pomar é garantir o futuro da citricultura brasileira.
Durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, realizada na última sexta-feira (3) em Sidrolândia (MS), o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, apresentou um panorama sobre o mercado da oleaginosa, destacando o cenário da safra 25/26.
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Segundo Silveira, 2025 tem sido um ano marcado por grande volatilidade, com tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China, mas que também abriram espaço para a valorização da soja brasileira. ”O país deve atingir exportações recordes de 105 milhões de toneladas, consolidando-se como o principal fornecedor global do grão”, pontuou.
Segundo ele, a produção nacional também foi expressiva, alcançando 172 milhões de toneladas, impulsionada por boas produtividades na maior parte dos estados, com exceção do Rio Grande do Sul. Apesar da oferta elevada, os preços internos permaneceram firmes, em alguns momentos acima da paridade de exportação, sustentados pela demanda doméstica.
”Para 2026, a expectativa é de novo aumento na área plantada, mas com custos de produção mais altos. Existe um efeito inflacionário sobre os insumos e as taxas de juros, que dificultam a produção de soja”, explicou Silveira.
De acordo com o analista, a menor margem de investimento pode reduzir o uso de tecnologia nas lavouras, ainda que as condições climáticas projetadas sejam favoráveis. O país deve registrar estoques de passagem elevados, o que pode pressionar os prêmios e os preços da soja brasileira, mesmo diante de uma demanda forte e exportações recordes.
Atualmente, cerca de 20% a 21% da nova safra já está comercializada, e o mercado deve seguir atento aos efeitos do clima e da oferta global sobre as cotações. ”Temos boas perspectivas de produtividade, mas também riscos para os preços. É preciso cautela”, concluiu Silveira.
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Foto: USDA
As exportações brasileiras de milho avançaram em setembro de 2025 e já superam em 3% o volume registrado no mesmo mês de 2024, segundo o Cepea. A expectativa, porém, é de desaceleração nas próximas semanas.
Embarques de milho crescem com contratos antecipados
Dados da Secex mostram que, até o 20º dia útil de setembro, o Brasil exportou 6,6 milhões de toneladas de milho — volume superior ao do mesmo período de 2024. O resultado é reflexo de negócios realizados anteriormente, segundo o Cepea, já que a liquidez nos portos está limitada.
Os preços pagos em Paranaguá (PR) e Santos (SP) operam em patamares próximos aos do mercado interno, reduzindo o apetite de novos vendedores para exportação. Essa paridade de preços tem travado negociações de última hora.
Acumulado da safra ainda está abaixo do ano passado
Mesmo com o avanço em setembro, os números acumulados da safra 2024/25 ainda indicam queda. Entre fevereiro e a parcial de setembro, foram embarcadas 18,8 milhões de toneladas de milho, 4% a menos que no mesmo intervalo de 2024.
Risco de queda nos embarques com safra dos EUA
A tendência é que o ritmo de exportações brasileiras desacelere nas próximas semanas. A entrada da safra recorde dos Estados Unidos no mercado internacional deve acirrar a concorrência, pressionando os preços e o volume embarcado pelo Brasil.
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) obtiveram um aporte de R$ 20 milhões do Ministério da Saúde para dar início à fase final de testes do soro antiapílico, que trata o envenenamento por abelhas africanizadas (Apis mellifera).
Com tecnologia 100% nacional, o biofármaco começou a ser desenvolvido há mais de uma década por cientistas do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp, campus de Botucatu.
As chamadas abelhas africanizadas se tornaram uma das espécies mais comuns no Brasil. Elas são responsáveis pela maior parte da produção de mel no país, mas também estão frequentemente envolvidas em acidentes com seres humanos.
As ocorrências vão desde picadas leves, que provocam apenas dor e inchaço local, até reações graves. Isso pode ocorrer devido à sensibilidade da pessoa ao veneno ou à quantidade de picadas, causando dificuldade para respirar, choque, tremores e até insuficiência renal, entre outros sintomas.
Registros de picadas de abelhas
O uso de pesticidas, o desmatamento e a redução de flores têm aumentado o número de abelhas em áreas urbanas.
No Brasil, entre 2013 e 2023, foram registrados 206.746 casos de picadas. Em 2023, ocorreram 33.317 casos, mais que os 32.420 de acidentes com serpentes, resultando em 649 mortes diretas e 50 indiretas.
Assim, configura-se um ecossistema propício a um problema de saúde pública negligenciado: o aumento potencial de casos somado à ausência de um tratamento adequado.
“Infelizmente nós não temos hoje, na rede de saúde, um antídoto específico para esses acidentes. A ausência de um tratamento específico torna alguns casos mais graves, podendo levar à morte”, explica o coordenador-executivo do Cevap, Rui Seabra Ferreira Jr.
Bioprodução
O bioproduto passou a ser produzido em 2009. Assim como outros soros, o antiapílico é feito pela inoculação gradual do veneno de abelhas africanizadas em cavalos, estimulando a produção de anticorpos no plasma sanguíneo. Em seguida, o sangue é coletado, o plasma é purificado e, a partir dele, é elaborada a formulação do soro.
Entre 2016 e 2018, o estudo comprovou a segurança e a eficácia do soro antiapílico. Vinte voluntários adultos, com idade média de 44 anos, foram expostos a um número de picadas que variou de sete a 2 mil.
Não houve registro de efeitos adversos graves, e todos os participantes apresentaram melhora clínica. A patente do soro foi solicitada ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no início de 2023.
Última fase de testes
A próxima etapa é a realização da terceira e última fase de estudos clínicos, com a participação de 150 a 200 pacientes. A aprovação do financiamento viabiliza a fase final dos testes do soro, depois da qual será possível solicitar o registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e obter a autorização para a produção comercial e para o Sistema Único de Saúde (SUS).
As mudanças climáticas estão pressionando o sistema global de produção de alimentos. Secas prolongadas, enchentes e ondas de calor já afetam colheitas em diversos continentes — e, segundo dados da ONU, mais de 730 milhões de pessoas enfrentam a fome atualmente. O alerta é de que a agricultura concentra um quarto das perdas econômicas causadas por eventos climáticos extremos, reforçando que segurança alimentar e clima estão diretamente conectados.
No quadro Será que é Legal?, do programa Planeta Campo, o comentarista Leonardo Munhoz destacou a importância desse tema dentro do Centro de Debates Climáticos da COP30, que será realizada em Belém (PA). Segundo ele, o Brasil, por ser um país tropical, tem papel central nas soluções globais que unem produção agrícola, energia limpa e sustentabilidade.
Agricultura tropical: de vítima a solução global
Munhoz lembrou que o ano de 2023 foi o mais quente da história e que os sistemas produtivos precisam se adaptar rapidamente. No caso brasileiro, há vantagens competitivas: solos férteis, biodiversidade ampla e tecnologias já consolidadas, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o uso de bioinsumos e o aproveitamento de resíduos agrícolas.
“Essas práticas permitem aumentar a produtividade, reduzir emissões e fortalecer a resiliência climática. A agricultura tropical pode deixar de ser vista como vítima e passar a ser reconhecida como parte da solução global”, destacou Munhoz.
Desde 2017, a ONU passou a discutir formalmente a relação entre agricultura e clima. Em 2022, foi criado o Sharm el-Sheikh Joint Work, iniciativa que transforma conhecimento técnico em planos práticos de adaptação e mitigação. As discussões se estendem até 2026, mas a COP 30 será um marco decisivo para colocar a agricultura tropical no centro das negociações internacionais.
Desafios para transformar potencial em política pública
Apesar dos avanços, ainda há grandes desafios. Apenas 4,3% do financiamento climático global é destinado à agricultura e aos sistemas alimentares — e quase nada chega aos pequenos produtores. Além disso, faltam métricas padronizadas para comparar produtividade e emissões entre países, o que dificulta o acesso a investimentos internacionais.
Munhoz ressaltou que o mercado de carbono voluntário continua caro e burocrático, e que a integração entre produção de alimentos e geração de energia limpa ainda é pouco explorada, mesmo com o enorme potencial dos sistemas tropicais.
“O campo pode enfrentar dois desafios ao mesmo tempo: garantir comida de qualidade e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. O uso de resíduos agrícolas para gerar biogás, biometano e biocombustíveis é uma alternativa concreta e sustentável”, afirmou.
Cinco ações para o Brasil propor na COP 30
Para transformar potencial em liderança, Leonardo Munhoz defende que o Brasil apresente cinco propostas centrais durante a conferência em Belém:
Reconhecer a agricultura tropical como eixo da transição climática global.
Incluir metas agrícolas e bioenergéticas nos planos nacionais de mitigação e adaptação.
Padronizar indicadores e métricas de emissões e produtividade para atrair investimentos.
Direcionar fundos climáticos para pequenos e médios produtores rurais.
Usar o Artigo 6 do Acordo de Paris para financiar projetos de bioenergia com garantias ambientais e sociais.
O protagonismo brasileiro na COP30
Para evitar críticas sobre o uso de terras agrícolas na produção de energia, Munhoz reforça que o país deve priorizar resíduos agrícolas e áreas degradadas. A adoção de critérios de transparência e rastreabilidade será essencial para garantir credibilidade internacional e acesso a novos mercados.
“A mensagem é clara: sem a agricultura tropical eficiente e sustentável, o mundo não vai cumprir as metas do Acordo de Paris. O Brasil tem a chance de liderar esse movimento, alimentando o mundo e gerando energia limpa”, disse.
Ele ataca as colmeias de abelhas, danifica os favos e compromete todo o mel. Este é o Pequeno Besouro das Colmeias (Aethina tumida), praga originária da África subsaariana e que chegou aos Estados Unidos e México antes de adentrar o Brasil, em 2016, no estado de São Paulo.
Agora, porém, o estrago na cadeia produtiva do mel nordestino, que tem o Piauí como maior expoente, pode ser maior, visto que o inseto foi registrado nos municípios baianos de Conde e Jandaíra, na divisa com Sergipe, estado que produz cerca de 160 toneladas de mel por ano, com expectativa de aumentar para 250 toneladas em futuro próximo.
A diretora da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Aparecida Andrade, ressalta que o Besouro das Colmeias se alimenta de mel, pólen e crias, promovendo a fermentação do mel e a destruição dos favos.
Infestações severas dessas pragas podem levar ao enfraquecimento e até ao abandono da colmeia pelas abelhas. Conforme especialistas, os principais sinais da presença do inseto são a visualização de besouros adultos, pequenos e escuros, e de larvas que escavam túneis nos favos, deixando cheiro fermentado e escorrimento de mel.
Assim, o controle preventivo é a forma mais eficiente de combate: manter colmeias fortes, eliminar frestas, gerenciar corretamente a alimentação artificial e processar o mel rapidamente. Conforme Aparecida, qualquer suspeita deve ser notificada imediatamente aos órgãos de defesa sanitária, já que não há antibióticos autorizados para abelhas no Brasil.
Segundo nota da Emdagro, a proximidade dos focos do besouro na Bahia exige atenção redobrada dos apicultores sergipanos. “O monitoramento contínuo e a adoção de boas práticas de manejo são considerados a linha de frente na defesa da produção de mel e derivados”, ressalta o órgão.
“Estamos diante de uma ameaça séria para a apicultura. A chegada do Pequeno Besouro das Colmeias, na região vizinha, coloca Sergipe em risco, e somente com vigilância ativa e notificação imediata poderemos agir rápido. A orientação é para que os apicultores fiquem atentos a qualquer sinal e reforcem as práticas de manejo, porque colmeias fortes são a melhor barreira contra essa praga”, destaca Aparecida.
Ela reforça o alerta a todos os apicultores para que, uma vez identificada a presença dessa praga em suas colmeias, entrem em contato com o setor de defesa animal da Emdagro por meio do telefone/whatsapp (79) 99982-3828.
“A defesa sanitária reforça que a colaboração dos apicultores é essencial para proteger a cadeia produtiva do mel em Sergipe. A atenção agora pode significar a sobrevivência da apicultura no estado”, reforçou.