terça-feira, abril 21, 2026

Autor: Redação

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‘No aperto, você não serve para o banco’



O Rio Grande do Sul tradicionalmente divide com o Paraná o posto de segundo maior produtor de soja do país. Contudo, após estiagens severas e alagamentos de lavouras pela chuva, o estado convive com quebras de safras sucessivas.

Agora, a depender do clima, a temporada 2025/26 finalmente mostra sinais de que não terá percalços, mas o acesso ao crédito e a renegociação de dívidas ainda emperra a vida do produtor, levando muitos a desistirem de áreas arrendadas.

Conforme o calendário oficial, o plantio da oleaginosa está liberado desde o dia 1 de outubro, mas até este momento são muitos os casos de agricultores que não têm insumos para sequer iniciar os trabalhos.

Produtores sem rumo

O sojicultor Armindo Crestani, de Cachoeira do Sul, região central gaúcha, conta que não consegue acessar novas linhas de crédito e que pretende diminuir a área.

“A gente planta só soja, vai diminuir a área porque não temos condição de plantar toda a área. Vamos entregar campo e vamos plantar do jeito que dá. Está difícil de conseguir insumos. Perdemos o crédito, o CPF negativado por causa de certas negociações em banco que não quiseram fazer”, relata.

O produtor Fábio Santos, de São Vicente do Sul, também na região central do Rio Grande do Sul, igualmente reclama do tratamento dado pelos bancos aos agricultores. “Produtor é bom para o banco quando ele está comprando consórcio, seguro e título de capitalização. […] no momento que em ele se ‘aperta’ e precisa de um tratamento diferenciado, não serve mais para o banco.”

Os produtores contam que os arrendamentos são outro problema, já que sem conseguir pagar o dono da terra, muitas áreas foram deixadas para trás pelos produtores que, consequentemente, têm dificuldade de fornecer garantias às instituições financeiras para conseguir novos custeios.

Exemplo disso é o produtor Dimitrius José, de Tapes, município do litoral gaúcho. “Eu particularmente já renegociei a renegociação, não tenho tenho acesso mais a crédito no banco e nem mais garantia para dar. A solução que eu tomei foi a de entregar algumas áreas, diminuir a minha área, mas, mesmo assim, sigo na dificuldade de acessar crédito”.

Ele conta que ainda está sem fertilizantes, sementes e defensivos no galpão. “Daqui para a frente é todo dia levantar de manhã e correr atrás para ver se alguém te consegue um crédito.”

Socorro que ainda não chegou

A última medida anunciada pelo governo, a MP 1314, que liberou R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas ainda não está acessível aos produtores. Além disso, 93 municípios haviam ficado de fora da lista porque não declararam situação de emergência à época, critério fundamental para estar elegível ao socorro oferecido.

Mesmo assim, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resolveu incluir 56 cidades impactadas pelas enchentes do ano passado.

O produtor Marcelino Michelotti, de Alegrete, na região da Campanha Gaúcha, conta que conseguiu renegociar suas dívidas por três anos, mas agora também encontra dificuldade em conseguir crédito para a safra 2025/26 tanto nos bancos quanto nas empresas privadas.

“Pretendo manter a área plantada, não tenho essa condição de diminuir porque tenho contas a pagar e não sei de que forma vou fazer. Até o momento não temos adubo, não temos nada”, relata.

O produtor Jeferson Scheibler, de Bagé, sul gaúcho, fronteira com o Uruguai, destaca que está na atividade há 30 anos e considera estar insustentável produzir no estado. “As calamidades, a gente não tem culpa de terem acontecido uma atrás da outra. Então, acho que o governo federal, como as instituições financeiras, poderiam ser um pouco mais flexíveis ou mais solidárias com o produtor nesse momento.”



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Com 15% da soja semeada, produtores de MT enfrentam solo seco e custos elevados



O produtor está mais preocupado com as condições do céu do que com as do solo. Até agora, apenas 15% dos 13 milhões de hectares previstos foram semeados. Com custos altos, margens apertadas e estimativas de produtividade menores, cada decisão se torna um teste de estratégia para garantir a safra.

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Na propriedade de Jorge, em Jaciara, as primeiras chuvas animaram o produtor, que busca aproveitar cada milímetro de umidade para não perder o ritmo do plantio. Nesta temporada, ele pretende cultivar 5.300 hectares.

Na fazenda vizinha, a família Fritsch planeja cultivar 3.000 hectares. O custo da lavoura gira em torno de 50 a 55 sacas por hectare, com a soja valendo cerca de R$ 110 a R$ 115 por saca.

Na região da Grande Primavera, que reúne 11 municípios e deve plantar 1,6 milhão de hectares, a atenção é redobrada. O solo ainda carece de umidade equilibrada, e o avanço das máquinas é controlado, enquanto os produtores monitoram o céu em busca de novas chuvas.

Apesar da lentidão, o intervalo entre as chuvas trouxe um efeito positivo, já que o setor ganhou tempo para organizar entregas e ajustar a logística.

Segundo o Imea, Mato Grosso avançou nove pontos percentuais em uma semana, atingindo 15% da área prevista, desempenho duas vezes acima da média histórica de 6%.

A produção estimada é de 47 milhões de toneladas, cerca de 7% abaixo do ciclo anterior. Para os produtores, este não é um ano para excessos. O foco está em manter a média do ano passado, equilibrar custos e preservar a margem de lucro.



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Petróleo atinge mínima em cinco meses após ameaça dos EUA à China



Os preços do petróleo encerraram esta sexta-feira (10) em forte queda, pressionados por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis aumentos de tarifas sobre produtos chineses. A commodity também reagiu a notícias sobre o Oriente Médio, com Israel confirmando a entrada em vigor de um cessar-fogo em Gaza.

Queda acentuada no mercado

O contrato futuro do WTI para novembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu 4,24%, ou US$ 2,61, fechando a US$ 58,90 por barril. O Brent para dezembro, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 3,82%, ou US$ 2,49, a US$ 62,73 por barril. Na semana, o WTI acumula baixa de 3,25% e o Brent, 2,78%.

Os contratos atingiram os menores patamares em até cinco meses, refletindo deterioração no sentimento de risco dos mercados e a expectativa de menor demanda futura.

Tensões comerciais e geopolíticas

Trump afirmou que o governo estuda um “grande aumento” das tarifas sobre produtos chineses, em resposta a restrições de Pequim sobre exportações de terras raras. “É um golpe triplo para o petróleo hoje”, explica Rebecca Babin, analista da CIBC Private Wealth US. Segundo ela, a pressão sobre a demanda, o cessar-fogo em Gaza e a possibilidade de investidores aumentarem posições vendidas contribuem para a queda dos preços.

Além disso, o republicano planeja uma cúpula com líderes mundiais no Egito na próxima semana para tratar da situação em Gaza, o que também influencia a percepção de risco nos mercados.

Perspectivas para o mercado

Embora as notícias sobre Rússia e Ucrânia continuem a gerar fluxo de capital especulativo, especialistas como a Ritterbusch Advisory apontam uma deterioração nos balanços globais de petróleo. Essa combinação de fatores sugere volatilidade persistente nos preços da commodity até o final do mês, com impactos diretos no mercado internacional e nos custos de energia.



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Brasil recebe 2,5 mil unidades de antídoto contra metanol


O Ministério da Saúde recebeu nesta quinta-feira (9), no Aeroporto de Guarulhos (SP), uma remessa com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, usado no tratamento de pacientes com metanol no organismo. A substância detectada tem sido ingerida junto com bebidas alcoólicas adulteradas, produzidas de maneira clandestina.

É a primeira remessa desse antídoto a chegar ao Brasil. Ao todo, 1,5 mil unidades já começam a ser distribuídas ainda hoje, sendo priorizado o estado de São Paulo, que registra o maior número de casos de intoxicação pela substância. A unidade federativa receberá 288 unidades do medicamento.

O restante do lote será destinado a outras localidades com ocorrências confirmadas: Pernambuco (68 unidades), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), Rio Grande do Sul (80), Mato Grosso do Sul (20), Piauí (24), Espírito Santo (28), Goiás (52), Acre (16), Paraíba (28) e Rondônia (16).

Distribuição aos estados
Unidade federativa Quantidade
São Paulo 288
Minas Gerais 152
Rio de Janeiro 120
Bahia 104
Paraná 84
Rio Grande do Sul 80
Pernambuco 68
Ceará 64
Pará 60
Santa Catarina 56
Goiás 52
Maranhão 48
Amazonas 32
Espírito Santo 28
Mato Grosso 28
Paraíba 28
Alagoas 24
Piauí 24
Rio Grande do Norte 24
Distrito Federal 20
Mato Grosso do Sul 20
Acre 16
Amapá 16
Rondônia 16
Roraima 16
Sergipe 16
Tocantins 16
Total 1.500

O envio terá continuidade nesta sexta-feira (10), estendido a todo o país, inclusive em locais sem casos comunicados às autoridades. A pasta ainda manterá mil ampolas de fomepizol guardadas em estoque.

Os estados poderão demandar novas remessas, conforme sua necessidade e surgimento ou alta de casos. Em nota, o ministério esclarece que o quantitativo foi definido a partir de dados demográficos oficiais, do último Censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A aquisição do lote foi realizada com a subsidiária de uma companhia japonesa. A compra foi viabilizada pelo Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, destacou que o órgão já iniciou o treinamento de 5 mil agentes de vigilância, policiais e funcionários do Ministério da Agricultura para prepará-los para o enfrentamento das ocorrências. A ação é fruto de uma parceria firmada com a pasta e a Sociedade Brasileira de Produtores de Bebida. 

“A gente está qualificando os servidores da vigilância sanitária para poder proceder diante desse tipo de situação e ajudando no processo de fiscalização e entrega de amostras aos laboratórios para análise”, disse Safatle.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que a população já tem acesso ao etanol farmacêutico, e agora o governo está oferecendo uma alternativa, que é o fomepizol. Ela acrescentou que a intoxicação pode ser constatada não somente por exames que mostrem a presença de metanol no corpo, mas por outros, também laboratoriais, como o de gasometria.

Segundo a secretária, à medida que foram surgindo mais casos, as autoridades de saúde viram que a substância tóxica fazia os pacientes adoecerem em um intervalo menor.

“O ministério ampliou a suspeita do caso de seis a 72 horas após a ingestão [da bebida], porque estava observando pessoas entrando [na unidade de saúde, à procura de atendimento] com seis horas, oito horas”, relatou.

Perguntada sobre a quantidade de unidades de antídoto dada a cada pacientes, Mariângela Simão informou que o cálculo é de cerca de 30 ampolas de etanol farmacêutico. Já em relação ao fomepizol, a estimativa é de quatro. Os números variam de acordo com fatores como o peso da pessoa e os sintomas que ela apresenta.

O fomepizol é uma droga produzida em pouca quantidade, motivo pelo qual é rara em todo o mundo e é classificada como medicamento órfão. Para garantir que os brasileiros tenham acesso, esclareceu Mariângela Simão, o governo comprará 5 mil unidades adicionais, que poderão servir por um prazo de dois anos, tendo em vista seu prazo de validade.

Etanol farmacêutico

Além do fomepizol, outra substância capaz de reverter a intoxicação é o etanol farmacêutico, que pode ser administrado por equipes de saúde antes mesmo da confirmação do quadro por exame laboratorial. O etanol farmacêutico exige prescrição e monitoramento médico, não devendo ser comprado e aplicado pela população em geral.

A pasta irá receber 12 mil ampolas desse tipo de antídoto como doação da empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos. As unidades se somarão às 4,3 mil entregues aos estoques do SUS pelos hospitais universitários federais, em parceria com a  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). 



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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de grãos inicia sexta em queda


Os mercados de grãos iniciaram esta sexta-feira (10) com movimento de baixa nas principais bolsas internacionais, influenciados pela força do dólar e pelo cenário macroeconômico global. Segundo a TF Agroeconômica, a tendência do dia é de cautela, com os investidores atentos à situação do trigo, soja e milho em meio à paralisação do governo norte-americano, que suspendeu a divulgação do relatório WASDE do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No trigo, os contratos de dezembro/25 em Chicago recuaram para US$ 505,50 por bushel, pressionados pela valorização do dólar. No Brasil, os preços regionais divergem: o Cepea aponta R$ 1.242,83/tonelada no Paraná (+0,71%) e R$ 1.186,12/tonelada no Rio Grande do Sul (-0,24%). Há rumores de que a Conab estuda lançar um PEPRO voltado a cooperativas e produtores do RS, com foco no atendimento de até 200 mil toneladas destinadas ao Norte e Nordeste, o que poderia demandar cerca de R$ 75 milhões em recursos. A proposta busca equilibrar a competitividade frente ao trigo argentino, que mantém prêmios atrativos.

A soja também opera em baixa, com o contrato novembro/25 recuando 7,75 cents, a US$ 1.014,50/bushel. A volta da China ao mercado, após o feriado nacional, impulsionou compras de seis carregamentos de soja brasileira e dois da nova safra, além de cotações pedidas à Argentina. Contudo, a realização de lucros pelos fundos limitou ganhos em Chicago. No Brasil, o Cepea registrou R$ 131,95 no interior do Paraná (+0,04%) e R$ 136,72 em Paranaguá (-0,16%). O feriado argentino reduziu a liquidez regional.

O milho acompanha a tendência de queda, cotado a US$ 417,25/bushel para dezembro/25. O recuo é sustentado pela colheita recorde nos EUA e pela redução da previsão de importação da China para 6 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mercado interno, o Cepea apontou R$ 65,19 (-0,17%), enquanto na B3 o contrato novembro/25 subiu 0,64%, a R$ 67,24. 

 





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CMN ajusta regras para renegociação



O Conselho Monetário Nacional (CMN) ajustou as regras de enquadramento de produtores e cooperativas do Rio Grande do Sul para renegociação de dívidas rurais através da linha de crédito subsidiado pelo Tesouro Nacional.

Produtores e cooperativas agropecuárias localizados em municípios gaúchos com decretos de situação de emergência ou calamidade pública em pelo menos três anos entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2024 em virtude de secas, enchentes e alagamentos poderão acessar a linha de crédito subsidiado. A medida foi publicada nesta sexta-feira (10), por meio da resolução 5.257/2025, após reunião extraordinária do colegiado realizada na quinta.

Produtores desses municípios estão dispensados de cumprir os critérios anteriores previstos na resolução 5.247/2025 do CMN, de perdas de no mínimo 20% do rendimento médio da produção do município, em pelo menos duas das três principais atividades agrícolas.

A renegociação foi autorizada no âmbito da medida provisória 1.314/2025, que libera R$ 12 bilhões do Tesouro em recursos subsidiados para a liquidação ou prorrogação dos débitos. A exceção é válida exclusivamente ao Rio Grande do Sul.

Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a flexibilização da regra para produtores do Rio Grande do Sul deve-se ao fato de o estado “ter sido constantemente atingido por eventos climáticos adversos nos últimos anos”. “E, por isso, aos produtores rurais daquele estado têm sido ofertadas diversas medidas de renegociação de dívidas com vistas à recuperação da capacidade financeira e produtiva a fim de permitir que os beneficiários exclusivamente do estado possam contratar a linha de crédito com recursos de fontes supervisionadas pelo Ministério da Fazenda”, explicou a Pasta na nota.

A Fazenda esclareceu que o volume de recursos de R$ 12 bilhões para a linha de crédito subsidiado, bem como as taxas de juros, os limites de créditos e os prazos de reembolso foram mantidos.

Com a mudança, mais 56 municípios gaúchos estarão aptos somando aos 403 que já estavam enquadrados anteriormente com a medida. Ao todo 1.419 municípios brasileiros estarão enquadrados pela medida ante os atuais 1.363. Uma nova lista completa de municípios aptos à renegociação com crédito subsidiado deve ser publicada pelo Ministério da Agricultura nos próximos dias, em reedição à portaria 1.314/2025 da Secretaria de Política Agrícola.



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Carne de frango ganha competitividade em relação à suína em SP



A carne de frango ganhou competitividade em relação à carne suína em setembro no atacado da Grande São Paulo, pelo quinto mês consecutivo, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

“Esse movimento reflete a desvalorização da proteína avícola nos últimos meses, em decorrência sobretudo do episódio de influenza aviária em uma granja comercial em maio, e a firmeza dos preços da carne suína no mesmo período”, destacou o Cepea em relatório sobre o mercado.

Conforme o centro de estudos, no mês que passou o frango inteiro resfriado foi negociado a 5,93 reais por quilo abaixo da carcaça especial suína, diferença 1,2% maior que a observada em agosto. “A conjuntura nacional de elevada oferta interna de carne de frango e a consequente forte queda nos preços – especialmente entre maio e junho, quando o produto resfriado apresentou desvalorização de 13,4% em decorrência das restrições impostas por importadores à carne brasileira – foram fatores determinantes para o ganho de competitividade da proteína avícola em setembro.”

A leitura é de que o ciclo de choque de oferta pode estar chegando ao fim. “Agentes de mercado relatam maior capacidade de repasse dos custos e de reajuste positivo nos preços da carne avícola sempre que a demanda apresenta aquecimento, o que reforça a percepção de reequilíbrio entre oferta e procura”, informa o Cepea.

De agosto para setembro, o preço do frango inteiro resfriado subiu 7,8% (ou 54 centavos). No caso da carne suína, a combinação entre o avanço do consumo doméstico e as exportações aquecidas têm sustentado os valores da carcaça especial. Entre agosto e setembro, a cotação média no atacado paulista subiu 4,8% (ou 61 centavos o quilo), para R$ 13,46/kg no último mês.

Ainda segundo o Cepea, a demanda de início de mês tem sustentado o movimento de alta nos preços da carne de frango e do animal vivo na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea. Entre 1º e 8 de outubro, no atacado da Grande São Paulo, os frangos inteiros congelado e resfriado registraram valorização de 1,8% e 2%, negociados a R$ 8,07/kg e R$ 8,14/kg na quarta-feira (8). “Ressalta-se que o movimento de avanço vem se sustentando desde o início de setembro, tendo, inclusive, atravessado a segunda quinzena – período em que tradicionalmente há recuo na demanda devido ao menor poder de compra da população – sem interrupção nas altas.”

No mercado de pintainhos de corte, a unidade negociada em São Paulo atingiu R$ 2,97 no dia 8, avanço de 1,6% em relação ao dia 1º. De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o movimento de alta tem sido sustentado por uma oferta reduzida e por uma demanda firme pelo produto.



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Ciclone chega no fim de semana e coloca estados em alerta para temporais e ventos fortes



Um ciclone extratropical deve se formar neste domingo (12) e provocar temporais, rajadas de vento intensas e queda de granizo em áreas do Centro-Sul do Brasil. O alerta vale principalmente para os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, interior de São Paulo e Paraná, segundo previsão do meteorologista do Canal Rural, Artur Müller.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Segundo Arthur, o sistema é resultado de uma área de baixa pressão atmosférica associada a um cavado, fenômeno que favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades. “Todo o Centro-Sul do país deve ficar em atenção no domingo (12) e na segunda-feira (13). A chuva não será tão volumosa, mas as rajadas de vento podem derrubar árvores e provocar interrupções no abastecimento de energia elétrica”, afirma Müller.

Apesar do alerta para o mau tempo, a chuva é bem-vinda em muitas regiões, especialmente para os produtores rurais que aguardam condições melhores para avançar com o plantio da safra 2025/26. “Essas pancadas ajudam a aliviar o calor e o tempo seco que vêm predominando no Brasil Central”, destaca o meteorologista.

Antes da chegada do sistema, o tempo segue firme em grande parte do país. O sol ainda predomina nesta sexta-feira (10) no Rio Grande do Sul, no interior do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no norte de Minas Gerais. As temperaturas continuam elevadas, com máximas entre 30°C e 35°C.



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‘Não queremos outro país falido ou liderado pela China’, diz secretário dos EUA sobre Argentina



O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, fez novos comentários sobre a ajuda norte-americana anunciada na quinta-feira (9) à Argentina. “Nós não queremos outro país falido ou liderado pela China na América Latina. Estabilizar a Argentina é ‘America First‘”, escreveu no X nesta sexta-feira, (10).

Segundo ele, o presidente argentino, Javier Milei, está tentando “quebrar 100 anos de ciclos ruins” no país. “Ele é um grande aliado dos EUA, e estamos ansiosos para sua visita ao Salão Oval na próxima semana.”

Na quinta-feira, Bessent confirmou que Washington comprou diretamente pesos argentinos e firmou um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central da Argentina (BCRA), após quatro dias de reuniões com o ministro da Economia do país latino, Luis Caputo.

“A Argentina enfrenta um momento de aguda falta de liquidez”, escreveu o secretário, ressaltando que “a comunidade internacional, incluindo o FMI, está unida em apoio à sua estratégia fiscal prudente”.



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preços elevados indicam virada de ciclo na pecuária



Depois do pico de R$ 2.926 em setembro, a cotação do bezerro segue estável na parcial de outubro. A tendência, porém, é que os preços sigam elevados nos próximos meses, o que sinaliza uma reversão do ciclo pecuário. A avaliação é de Thiago Bernardino de Carvalho, coordenador de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o pesquisador, o setor vive uma fase de transição. “Tivemos um pico em 2021 e, de lá pra cá, passamos por cerca de 40 meses de oscilação entre altos e baixos nos preços. Esse movimento indica uma reversão do ciclo pecuário”, analisa.

Além disso, Carvalho explica que o bezerro pode oscilar de preço ao longo do ano, mas não deve apresentar quedas contínuas. “Em alguns momentos, o valor pode variar conforme o preço do boi gordo, mas a tendência agora é de preços do bezerro altos pelo menos até 2027 — ou na virada de 2026 para 2027, quando deve atingir o pico”, completa.

Bezerro em alta, boi pressionado

Se por um lado os preços do bezerro mostram força, a arroba do boi gordo segue pressionada pela maior oferta de animais terminados em confinamento. Carvalho confirma que o volume de animais confinados aumentou em comparação com o ano passado, algo em torno de mais de 500 mil.

“Os grandes confinamentos estão aumentando o volume confinado, trabalhando com garantia de escala e estratégias de contrato com as indústrias. Isso pode ser um fator de equilíbrio ou de pressão no mercado”, afirma.

Apesar da pressão causada pelo maior número de animais confinados, a demanda externa deve ajudar a equilibrar os preços. Carvalho destaca que as exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo forte e devem superar 3 milhões de toneladas neste ano.

“A demanda internacional continua aquecida, e o consumo interno tende a melhorar no fim do ano. Esse movimento deve garantir preços mais firmes no curto e médio prazo”, avalia.

Relação de troca equilibrada

Se a alta nos preços da arroba se confirmar, tendência comum a partir do último trimestre do ano, a relação de troca entre boi gordo e bezerro também deve melhorar. O pesquisador, no entanto, pondera que é preciso acompanhar o mercado de perto.

“Nesse cenário, a relação de troca começa a ficar mais ajustada para o terminador. É claro que podemos ter uma supervalorização do boi gordo, o que beneficia essa relação de troca, mas a tendência é de uma relação cada vez mais equilibrada”, conclui.



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