terça-feira, abril 21, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Milho segue com pouca movimentação


O milho gaúcho segue com pouca movimentação e negócios quase paralisados, segundo informações da TF Agroeconômica. “O abastecimento interno continua dependente de grãos de outros estados e do Paraguai, enquanto a oferta local é voltada a pequenos consumidores, como granjas e produtores domésticos. As indicações de compra permanecem estáveis, entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca conforme a região, enquanto vendedores pedem de R$ 70,00 a R$ 72,00/saca no interior para setembro. No porto, o preço futuro está em R$ 69,00/saca para fevereiro/26”, comenta.

Semeadura em bom ritmo em Santa Catarina, mas falta de acordo trava o mercado. “Produtores mantêm solicitações próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as indústrias oferecem no máximo R$ 70,00/saca. No Planalto Norte, as negociações giram entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem avanço nas tratativas. A falta de consenso entre as partes mantém o mercado praticamente parado”, completa.

O mercado de milho no Paraná segue sem reação, com negócios lentos e compradores resistentes em elevar as ofertas. “As pedidas dos produtores chegam a R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias não passam de R$ 70,00 CIF, o que mantém o impasse e reduz a liquidez. Mesmo com boa disponibilidade de grãos, o mercado spot segue praticamente parado”, indica.

O mercado de milho em Mato Grosso do Sul segue com baixa liquidez e poucas negociações. “As cotações oscilam entre R$ 48,00 e R$ 53,00/saca, com Dourados no topo. Apesar de alguns ajustes pontuais, o cenário segue estável e travado, com produtores relutando em vender a preços menores e compradores atuando com cautela”, conclui.

 





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News

O que mais pode fortalecer o pequeno produtor?


Na interatividade da semana, perguntamos: O que mais pode fortalecer o pequeno produtor nos próximos anos? O resultado revelou um retrato claro do pequeno produtor brasileiro. Com 46% dos votos, a capacitação e assistência técnica aparecem como o principal caminho para o fortalecimento do campo, sinal de que o produtor quer aprender, inovar e gerir melhor sua atividade.

Enquete feita no Youtube do Canal Rural

O cooperativismo e o associativismo (31%) vêm logo atrás, reforçando a necessidade de união, escala e força coletiva para negociar e acessar crédito. Já o acesso a novos mercados (23%) surge como uma etapa posterior, dependente da estrutura e do preparo técnico.

De acordo com Miguel Daoud, analista do Canal Rural, “a leitura é simples: o produtor não pede ajuda, pede conhecimento.” Essa mudança cultural, segundo ele, indica maturidade e visão de futuro.

“Fortalecer o pequeno produtor agora significa ensinar gestão, planejar e conectar tecnologia à prática. Temos aí o resultado que mostra que o programa Porteira Aberta Empreender está com o seu conteúdo correto. A prioridade não é o subsídio, é a formação contínua.”

A fala do Daoud reforça o papel estratégico da educação e da assistência técnica no desenvolvimento rural sustentável. Com produtores cada vez mais abertos à inovação, a profissionalização do campo se torna essencial para garantir competitividade e permanência das famílias no meio rural.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

“O campo que aprende, cresce. O campo que se organiza, prospera.”



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Petrobras anuncia R$ 2,6 bilhões para indústria naval na Bahia


A retomada de investimentos da Petrobras na indústria naval na Bahia prevê a construção de seis embarcações de apoio marítimo offshore nos próximos anos, que serão fabricadas no estaleiro Enseada, em Maragogipe, município do Recôncavo Baiano, a cerca de 130 quilômetros de Salvador.

Os detalhes foram anunciados nesta quinta-feira (9), em evento na região que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, além de ministros e centenas de trabalhadores do estaleiro.

“Estou aqui para recuperar a indústria naval brasileira, mas os caras que deixaram um estaleiro dessa magnitude parado deveriam ser presos por causarem prejuízos à população brasileira”, afirmou Lula durante o anúncio do investimento bilionária para retomar o projeto.

Pela manhã, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Lula participou da inauguração da nova fábrica de veículos elétricos e híbridos da chinesa BYD, na antiga fábrica da Ford, fechada em 2021.

As seis embarcações são do tipo ORSV (Oil Spill Response Vessel, em inglês), especializadas em atividades de controle de vazamentos em alto-mar, e serão construídas pela empresa navegação CMM Offshore Brasil, para depois serem repassadas para uso da Petrobras.

O investimento total é estimado em R$ 2,58 bilhões, com previsão de quatro anos para construção e 12 anos de operação para cada contrato. Apenas nessa construção, mais de 5,4 mil empregos, entre diretos e indiretos, serão gerados. Os contratos também exigem 40% de conteúdo local nos componentes usados na fabricação dos barcos.

“Só para lembrar vocês, nós ficamos 8 anos sem que a Petrobras fizesse uma única demanda à indústria naval brasileira. O que nós estamos retomando, portanto, não tem preço”, destacou Magda Chambriard.

Segundo a presidente da Petrobras, a companhia já avançou na contratação de 44 de 48 embarcações planejadas para fabricação no Brasil, em diferentes estaleiros do país. Os barcos, segundo ela, têm porte médio a grande, acima de 1 mil metros quadrados de área livre. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), a renovação da frota naval no Brasil deve gerar 44 mil empregos e R$ 23 bilhões em investimentos.

De acordo com a estatal, as embarcações que serão construídas na Bahia serão equipadas com um sistema de propulsão híbrida, que combina motores elétricos e baterias com geradores movidos a diesel e biodiesel, além da possibilidade de conversão futura para etanol, capazes de reduzir em até 25% de emissões de dióxido de carbônico (CO2), o principal gás causador do efeito estufa.

Durante o evento, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou investimento de R$ 611,7 milhões para a construção de 80 embarcações destinadas à expansão das atividades no setor naval e aquaviário. Desse total, R$ 550,5 milhões serão recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

O financiamento, de acordo com a pasta, tem potencial de gerar mais de 2 mil empregos diretos. Até o momento, foram construídas quatro embarcações e outras três estão em fabricação.

O Fundo da Marinha Mercante, mantido pelo governo federal, financia a renovação da frota e a reparação de embarcações.

“Aqui, no Estaleiro Enseada, renascem quase 7 mil empregos diretos de qualidade. Salários dignos para melhorar a vida das famílias. Mais de 90% dos postos de trabalho estão sendo ocupados por gente daqui, do Recôncavo Baiano. Mão de obra local, benefício local”, celebrou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

A Petrobras também anunciou a retomada e operação das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe (Fafen-BA e Fafen-SE), cujas atividades devem começar em janeiro. As plantas vão produzir amônia, ureia perolada e ARLA-32, utilizando contrato que ainda inclui a operação dos Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, em Candeias, na Bahia.

Na Fafen Bahia, o investimento previsto para a retomada da unidade é R$ 38 milhões e a estimativa é de que sejam gerados 750 empregos diretos. Os mesmos valores de investimento e empregos estão previstos para a planta sergipana.

As duas fábricas, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A (ANSA), outra fábrica nacional de fertilizantes da Petrobras, instalada no Paraná, responderão por 20% de toda a produção de fertilizantes consumida pelo setor agrícola brasileiro. Uma nova fábrica em construção no Mato Grosso deve elevar a produção nacional para 35% de toda a demanda nos próximos anos, assegurou a presidente da Petrobras. 

Ainda na Bahia, o governo estadual e a Petrobras assinaram um protocolo de intenções para que a estatal possa utilizar o canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu (BA) para o acostamento de plataformas de petróleo. No local, essas plataformas serão descomissionadas parcialmente e, no futuro, poderão ser reconstruídas no mesmo local, gerando novos empregos.

O protocolo também prevê a disponibilização de parte do canteiro para que estado da Bahia utilize a área como apoio à construção da Ponte Salvador-Itaparica.





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AgroNewsPolítica & Agro

Frango mantém alta nos preços impulsionada pela demanda



Preços do frango se mantêm em alta com demanda firme no Brasil


Foto: Divulgação

Os preços do frango vivo e da carne registram novos aumentos na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, o impulso vem da maior demanda típica de início de mês. Pesquisadores ressaltam que o movimento de alta tem se sustentado desde o início de setembro, atravessando inclusive a segunda quinzena – período em que o consumo tradicionalmente recua devido ao menor poder de compra da população.

No mercado de pintainhos de corte, levantamentos do Cepea mostram que o animal completou o segundo mês consecutivo de valorização (agosto e setembro). De acordo com agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, o comportamento é resultado de uma oferta reduzida e de uma demanda firme pelo produto. 





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Melão/Cepea: Oferta limitada e vendas fracas mantêm cotações estáveis na Ceagesp


Na Ceagesp, os preços do melão apresentaram estabilidade nesta semana (15 a 19/09). O amarelo 5 a 8 foi vendido por R$ 54,00/cx de 13 kg. Esse cenário está associado à oferta controlada no entreposto (mesmo diante do avanço das colheitas no RN/CE, essa região tem exportado a maior parte do volume, limitando a oferta doméstica) e ao enfraquecimento das vendas neste início de segunda quinzena.

Para a próxima semana, atacadistas estão atentos a previsões indicando queda das temperaturas.  A ClimaTempo prevê máximas de 18ºC e mínimas de 14ºC na capital paulista, o que associado ao período de fim de mês e à maior entrada gradual de melões, pode pressionar as cotações nos próximos dias. Para variedades nobres, como o orange, o tipo foi vendido por R$ 33,60/cx de 6 kg nesta semana, queda de 7%.

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AgroNewsPolítica & Agro

Citricultores aguardam chuvas e preços sobem



Produtores esperam chuvas para melhorar a florada e qualidade da laranja


Foto: Seane Lennon

Citricultores seguem à espera de um retorno mais consistente das chuvas que garanta uma florada uniforme e vigorosa, apontam levantamentos do Cepea. Até o momento, flores foram abertas em apenas alguns talhões de sequeiro e em lavouras irrigadas. Segundo o Centro de Pesquisas, muitos produtores estão preocupados com as atuais condições fisiológicas das plantas e também das frutas que têm sido enviadas ao mercado de mesa – o baixo índice pluviométrico tem murchado a laranja.

Para os próximos dias, há previsão de chuva nas principais regiões citrícolas do cinturão de São Paulo, contexto que deve contribuir para a manutenção do potencial produtivo dos pomares, mesmo que um pouco atrasado o desenvolvimento da safra quando comparado a anos anteriores. Quanto aos preços, de 6 a 9 de outubro, a laranja pera destinada à indústria foi negociada à média de R$ 50,41/caixa de 40,8 kg, alta de 0,73% em relação à da semana anterior.

Os poucos contratos fechados seguem em torno de R$ 50/cx de 40,8 kg. Para as laranjas de mesa, a pera na árvore é comercializada à média de R$ 60,53/cx de 40,8 kg, aumento de 1,02% sobre a semana anterior. Neste caso, vendedores reportam ao Cepea que a procura segue boa nos últimos dias. 





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Comissão aprova criar incentivos para bancos comunitários de sementes


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 6176/13, do deputado Padre João (PT-MG), que cria a política para bancos comunitários de sementes e mudas de plantas locais, tradicionais ou crioulas (plantas adaptadas por povos indígenas, quilombolas ou agricultores familiares tradicionais na América).

A política busca promover a biodiversidade agrícola, a organização comunitária e a capacitação para gerenciamento de banco de sementes e mudas e a manutenção de valores da população tradicional. O trabalho é voltado para agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas e povos tradicionais.

O texto segue agora para o Senado, caso não haja recurso para análise pelo Plenário da Câmara. A comissão acompanhou o voto do relator, deputado Luiz Couto (PT-PB). Segundo ele, a proposta está de acordo com a Constituição, com as leis e foi escrita de forma clara e correta.

O projeto inclui as comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais na relação de isentos de inscrição no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). Atualmente, já são isentos os agricultores familiares, os assentados da reforma agrária e os indígenas que multipliquem sementes ou mudas para distribuição, troca ou comercialização entre si.

O projeto também amplia o conjunto de profissionais habilitados a desenvolver atividades relacionadas a sementes e mudas, como beneficiamento, análise de laboratório, produção destinada à comercialização e reembalagem. Atualmente, a lei que criou o Sistema Nacional de Sementes e Mudas (Lei 10.711/03) limita a assistência a essas atividades a engenheiros agrônomos e florestais.

Assistência

Pela proposta, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá criar centros de assistência para os povos e populações tradicionais, populações indígenas e pequenos produtores rurais.

O poder público deverá, segundo a proposta, capacitar e treinar os agricultores sobre o cuidado com as mudas e as sementes e os biomas onde as plantas são cultivadas. Além disso, o Executivo deve ajudar a repor as sementes e as mudas usadas, cadastrar os bancos utilizados pelos agricultores e estimular o intercâmbio de conhecimento e de material genético entre as comunidades agrícolas.

A proposta também modifica a Lei de Licitações, para garantir a participação de agricultores familiares, agricultores tradicionais, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais, coletores de sementes, ou suas organizações associativas ou cooperativas, em compras públicas com dispensa de licitação.

 





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País tem 29 casos confirmados de intoxicação por metanol, diz governo



O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira (10), que o Brasil tem 29 casos confirmados de intoxicação por metanol por ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. São cinco pessoas a mais do que na última quarta (8).

Dos 29 casos confirmados, 25 foram registrados em São Paulo, três no Paraná e um no Rio Grande do Sul. Ao todo, há 217 notificações em investigação, um número menor do que no último balanço (quando havia 235 suspeitas).

Segundo o balanço, cresceu também o número de casos suspeitos descartados. Agora são 249. Até o momento, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são os únicos estados com casos confirmados por esse tipo de intoxicação.

Casos suspeitos

O estado de São Paulo investiga, neste momento, 160 notificações, o que representa 73,73% do total. Em seguida, aparecem Pernambuco com 31 suspeitas, Rio Grande do Sul (4), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (4), Rio de Janeiro (3), Espírito Santo (3), Goiás (2), Alagoas (1), Bahia (1), Ceará (1), Minas Gerais (1), Rio Grande do Norte (1) e Rondônia (1).

O balanço do Ministério da Saúde informou que não houve outra confirmação de morte causada pela ingestão de metanol desde a última quarta-feira (8). As cinco pessoas que morreram eram do estado de São Paulo.

No entanto, 12 óbitos estão sob investigação (um caso a mais do que na última quarta). Os casos suspeitos são no Ceará (1), em Minas Gerais (1), no Mato Grosso do Sul (1), em Pernambuco (3) e em São Paulo (6).



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negociar não faz o produtor plantar


O produtor gaúcho chegou a 2025 com três choques de estiagem e uma enchente histórica na conta. O resultado é queda de produção, receita comprimida e um passivo que foi sendo “rolado”, mas sem recompor limite para o próximo plantio.

Sem limite, não há custeio; sem custeio, não há renda para pagar nem a dívida rolada nem a corrente. O estado do Rio Grande do Sul registrou, em 2024, a pior tragédia climática de sua história recente, com mais de 200 mil propriedades rurais atingidas — um choque de produtividade e de caixa que não some com uma mera renegociação.

A dimensão macro agrava: a Selic em 15% a.a. prolonga a restrição monetária, freia crédito e atividade e pressiona o fluxo de caixa do campo. Mesmo com alguma desinflação, o próprio governo reconhece a transmissão forte da política de juros sobre crédito e PIB.

Houve avanços: o CMN e o governo abriram linhas especiais para produtores afetados por eventos climáticos, inclusive no RS, com taxas entre 2% e 10% a.a. para liquidar/amortizar dívidas, e ampliaram o rol de municípios contemplados (agora 459).

Também vieram R$ 12 bilhões em crédito emergencial segmentado por porte. São passos corretos — mas focalizados em renegociar ou quitar passivos. Eles não reconstroem o limite de custeio para o próximo ciclo quando o produtor já está “no teto”.

No Plano Safra 2025/26, as taxas equalizadas ficaram abaixo do mercado, mas a base Selic alta encareceu e racionou o crédito, efeito sentido sobretudo por médios e grandes fora das faixas mais subsidiadas. Entidades do setor já alertaram que a atual estrutura de juros compromete a efetividade do Plano.

Onde dói na prática

  • Risco e garantias: com balanços fragilizados, os bancos elevam risco, pedem mais garantias e bloqueiam novos limites para quem já rolou dívidas.
  • Custeio estrangulado: sem capital de giro/custeio, o produtor não planta e não gera a renda operacional que viabiliza pagar a dívida antiga e a nova.
  • Efeito bola de neve: renegocia-se hoje, inadimplência amanhã porque faltou grana para a safra que pagaria o acordo.
  • Proposta: “Crédito-Espelho RS” (novo limite na mesma medida da dívida rolada)
  • A solução simples: toda dívida rural renegociada/rolada no RS daria direito automático a um novo limite de crédito de custeio no mesmo montante, o “crédito-espelho”,com garantia pública parcial. Assim, o produtor recebe o combustível para plantar, gerar caixa e pagar o acordo e as parcelas correntes.
  • Como viabilizar a garantia: usar e integrar fundos garantidores já existentes (e hoje subutilizados para o agro) — FGI/BNDES, FGO e Fampe/Sebrae — e, se necessário, criar um “FGI Rural” dedicado ao agronegócio, como o próprio BNDES já aventa. Complementar com FGE (para operações ligadas à exportação/commodities) quando couber

Arquitetura sugerida

  • Elegibilidade: produtores do RS com comprovação de impacto climático (2020–2025), com operações prorrogadas por Resoluções CMN recentes.
  • Tamanho do crédito: valor da dívida rolada (teto por CPF/CNPJ).
  • Finalidade: custeio e capital de giro vinculados ao ciclo produtivo (insumos, serviços, armazenagem).
  • Garantia pública: cobertura 60%–80% via FGI/FGO/Fampe/“FGI Rural”; contrapartida de 20%–40% privada (CPR, penhor, aval).
  • Taxa e prazo: juros equalizados nas faixas já abertas para calamidade (2%–10% a.a., conforme porte), prazo compatível com ciclo + 1 safra (até 36 meses), com bônus de adimplência.
  • Condições prudenciais: acesso condicionado a ZARC, seguro rural/PRA ou adesão a programa de gestão de riscos (reduz risco moral e custo fiscal no tempo).
  • Securitização/saída: permitir CRI/CRA do “crédito-espelho” com a garantia pública parcial, abrindo espaço a fundos privados.

Por que funciona?

  • Reata o ciclo econômico: novo custeio → produção → receita → pagamento da dívida antiga e da nova.
  • Reduz perda esperada do Tesouro: garantia cobre parte do risco, mas a safra produzida diminui a inadimplência.
  • Custo fiscal controlável: em vez de subsídios difusos, a garantia é condicionada (RS/Calamidade), com limite, prazo e régua de desempenho (bônus de adimplência e gatilhos de corte).

Comparativo: o que temos hoje x o que proponho

  • Hoje: prorrogação, linhas para amortizar/liquidar passivos e algum crédito novo, porém sem regra automática para recompor limite em quem já estourou o teto.
  • Proposta: regra automática de “crédito-espelho” com garantia pública — foco no giro que viabiliza a renda operacional para honrar a própria renegociação.

Evidências e contexto

Impactos climáticos severos no RS rebaixaram produção e renda; o Ipea e o governo do RS quantificam perda ampla em grãos (soja, milho, trigo, arroz) e 206,6 mil propriedades afetadas.

O governo federal tem linhas e pacotes (R$ 12 bi; taxas reduzidas e novos municípios), e o CMN acaba de aprovar mais medidas focadas em produtores atingidos — especialmente no RS —, sinalizando espaço regulatório para ajustes adicionais como o “crédito-espelho”.

Em paralelo, a Selic em 15% segue sendo uma âncora de custo/escassez de crédito. Mesmo com equalização no Plano Safra, a base cara raciona e limita o alcance prático.

Contrapartidas responsáveis

  1. Gestão de risco obrigatória (ZARC + seguro rural), reduzindo sinistralidade.
  2. Transparência e governança dos fundos garantidores (comitê RS, indicadores mensais).
  3. Cláusula de performance: bônus de juros para adimplência e redução automática da garantia conforme melhora de rating.
  4. Foco territorial: priorizar cadeias críticas (arroz, leite, soja) e municípios com laudo de calamidade.

Negociar sem recompor limite é empurrar o produtor para fora da próxima safra. O “crédito-espelho” com garantia pública parcial é a ponte entre a dívida rolada e a renda operacional que paga a conta.

O arcabouço regulatório já existe (CMN, fundos garantidores); falta vontade de conectar as peças. No RS, isso não é política de nicho: é segurança alimentar, emprego e arrecadação. E é agora — antes que a lavoura vire estatística

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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