
A queda nos preços dos alimentos em junho interrompeu uma sequência de nove meses de aumentos.
O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma alta de 0,17% em maio para um recuo de 0,18% em junho, uma contribuição de -0,04 ponto porcentual para a taxa de 0,24% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do último mês, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, os preços dos alimentos caem devido a um aumento na oferta desses produtos. O custo da alimentação no domicílio caiu 0,43% em junho. As famílias pagaram menos pelo:
Por outro lado, o tomate ficou 3,25% mais caro. Após meses de pressão, o café moído diminuiu o ritmo de alta, com elevação de 0,56% em junho, em meio às expectativas pela safra maior.
“O café vinha num processo de alta, permanece numa variação positiva”, lembrou Gonçalves, ponderando que o aumento na colheita já começa a ser percebido, embora necessite ainda de um tempo até chegar de fato às prateleiras. “O preço no atacado começa a reduzir, e a gente espera um efeito na cadeia de produção chegando ao consumidor final.”
A alimentação fora do domicílio subiu 0,46% em junho: o lanche avançou 0,58%, e a refeição fora de casa subiu 0,41%.

O mercado físico do boi gordo vai sofrendo os impactos da imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias sinaliza que, durante o dia, diversos frigoríficos passaram a se ausentar da compra de gado por conta da “turbulência” causada pelo anúncio de taxa de 50% aos produtos brasileiros exportados aos norte-americanos.
“O mercado futuro também apresentou intenso movimento de queda, considerando a relevância dos Estados Unidos, que em 2025 respondem por aproximadamente 15% das exportações brasileiras. Diante do aumento da tarifação o Brasil perde competitividade em relação a Austrália, Argentina e Uruguai, e se não houver mudanças até o final do mês a expectativa é de perda de participação no mercado norte-americano”, disse.
O mercado atacadista se depara com preços mistos. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere por algum espaço para reajustes no decorrer da primeira quinzena do mês, período pautado por maior apelo ao consumo.
“Entretanto, vale destacar que a carne de frango ganhou grande competitividade em relação às concorrentes, em especial na comparação com a carne bovina”, pontuou.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, queda de R$ 0,50; o quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 18,75 por quilo; e a ponta de agulha foi precificada a R$ 18,50 por quilo, alta de R$ 0,25.
O dólar comercial encerrou em alta de 0,69%, sendo negociado a R$ 5,5407 para venda e a R$ 5,5387 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5250 e a máxima de R$ 5,6215.
Expectativa é de que o ritmo das negociações ganhe força nas próximas semanas
Agrolink
– Aline Merladete

Foto: Pixabay
O primeiro semestre de 2025 apresentou mudanças relevantes no fluxo comercial do arroz brasileiro. Enquanto as exportações aumentaram, as importações do grão recuaram. Mesmo assim, o Brasil segue com um saldo negativo na balança do arroz, tendo adquirido volume maior do que embarcou para outros países.
Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), entre janeiro e junho deste ano foram exportadas 613,17 mil toneladas de arroz em equivalente casca, o que representa um avanço de 10,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Já as importações recuaram 12,8%, somando 694,5 mil toneladas no acumulado do semestre.
Apesar da queda nas compras externas, o país ainda depende de importações para abastecer o mercado interno. O cenário evidencia a importância de acompanhar as políticas de abastecimento e incentivo à produção nacional, especialmente após os impactos climáticos registrados no sul do país nos últimos meses.
No início de julho, o mercado do arroz em casca no Rio Grande do Sul — principal estado produtor — segue com baixa liquidez. Conforme levantamento do Cepea, os agentes estão cautelosos, aguardando melhores condições de mercado para efetivar negócios. As cotações têm oscilado entre as microrregiões analisadas. Em áreas com maior oferta do produto, os preços recuaram. Por outro lado, em regiões com disponibilidade limitada, houve valorização diante da demanda para reposição de estoques.
O cenário indica que o mercado segue em compasso de espera, com a formação de preços sendo influenciada principalmente pela oferta regional e pelo comportamento do consumo interno. A expectativa é de que o ritmo das negociações ganhe força nas próximas semanas, à medida que o mercado volte a se equilibrar.

O mercado de soja no Brasil encerrou esta quinta-feira (10) com preços mais altos. O motivo foi a combinação de dois fatores: a alta do dólar e valorização na bolsa de Chicago. A movimentação nas tradings também foi destaque, especialmente em estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, onde foram registrados negócios ativos, além de operações nos portos.
“As tradings estiveram mais agressivas, com melhores preços praticados. A indústria ainda está um pouco de lado, o vendedor segue forçando os spreads, e a conta de basis segue alta frente à paridade de exportação”, explicou Rafael Silveira, consultor da Safras & Mercado. Ele destaca que os prêmios pouco mudaram, com pequenos ajustes, mas o efeito cambial foi positivo para as cotações.
Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam com alta, impulsionados por recuperação técnica e reposicionamento de carteiras às vésperas da divulgação do relatório do USDA. Após encostar no menor nível em três meses, o mercado reagiu, embora os ganhos tenham sido limitados pelas boas condições climáticas nos Estados Unidos.
A política tarifária de Donald Trump segue no radar. Embora a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros não atinja diretamente grãos, a valorização do dólar tende a impulsionar as exportações brasileiras.
O USDA deve anunciar leve corte na produção de soja dos EUA em 2025/26, com aumento nos estoques. O relatório será divulgado nesta sexta-feira (11), às 13h.
A expectativa é de uma safra americana em 4,331 bilhões de bushels (ante 4,340 bilhões de junho) e estoques de 304 milhões de bushels para 2025/26. Para 2024/25, os estoques devem subir de 350 para 358 milhões.
Em nível mundial, os estoques finais de 2024/25 devem passar de 124,2 para 124,3 milhões de toneladas, com estimativa de 125,5 milhões para 2025/26. A safra do Brasil deve subir de 169 para 169,4 milhões de toneladas, e a da Argentina de 49 para 49,2 milhões.
Os contratos da soja em grão com entrega em agosto subiram 3,50 centavos (0,34%), a US$ 10,12 1/2 por bushel. A posição novembro avançou 6,50 centavos (0,64%), a US$ 10,13 3/4. No farelo, o contrato de agosto subiu US$ 2,00 (0,74%), a US$ 271,40. No óleo, alta de 0,20 centavo (0,37%), a 53,49 centavos de dólar.
Segundo Gabriel Viana, analista da Safras & Mercado, o maior impacto da tarifa de Trump é indireto, via câmbio. “Como o Brasil não exporta grão, farelo ou óleo de soja para os EUA, os efeitos são secundários, mas o dólar mais alto influencia os prêmios e melhora a competitividade externa.”
No mercado de óleo, um fator adicional é a tarifa sobre o sebo bovino, que deve reduzir drasticamente as exportações brasileiras e aumentar a oferta interna. Isso tende a derrubar os preços do sebo e pressionar o óleo de soja, já que ambos têm ligação na produção de biodiesel.
O dólar comercial subiu 0,69%, cotado a R$ 5,5407 para venda e R$ 5,5387 para compra. Durante o dia, a moeda oscilou entre R$ 5,5250 e R$ 5,6215.

Cinco entidades do setor de laticínios, incluindo a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), repudiaram a mais recente campanha publicitária da empresa chilena NotCo, especializada em bebidas vegetais.
Nas peças, a empresa associa a ingestão de leite de vaca a doenças gastroentestinais. Para ilustrar a propaganda, a companhia faz uso de adultos vestindo fantasias de animais mamíferos, remetendo aos icônicos comerciais da Parmalat na década de 1990 que traziam crianças tomando leite.
“O leite é um alimento de origem animal rico em vitaminas, cálcio e de alto valor biológico. É uma fonte de proteína de custo acessível a milhares de famílias brasileiras, integrando a dieta de diferentes faixas etárias e classes sociais”, diz a nota.
Conforme as entidades, a produção da bebida envolve mais de 1 milhão de produtores no país, responsáveis por um rebanho de 15,6 milhões de vacas que rendem 35 bilhões de litros ao ano, gerando renda em todas as regiões do Brasil. “Alimento de alto valor nutricional, o leite é recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde como alternativa indispensável para uma dieta saudável e devido desenvolvimento humano.”
Para as entidades, a campanha veiculada pela empresa NotCo e assinada pela agência David representa um desserviço ao associar o leite a doenças gastrointestinais de forma generalista, sem embasamento científico e compromisso com a verdade.
“As peças se apropriam de símbolos da memória afetiva do povo brasileiro na tentativa de desacreditar o produto leite sem compromisso com a sociedade, tampouco com a saúde pública. Valendo-se de uma linguagem totalmente inapropriada e jocosa, a NotCO incita medo e desinformação”, continua a nota.
A posição do setor lácteo foi referendada na última sexta-feira (4) pelo Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária (Conar), que recomendou a retirada das peças de circulação.
Com isso, as entidades exigiram a imediata interrupção da distribuição do conteúdo por parte das plataformas de serviços digitais, obedecendo a orientação de coibição de fake news.
“Também se demanda providências frente aos danos sofridos pelo setor produtivo. Entende-se que o ataque atinge não apenas à empresa diretamente associada à campanha Mamíferos, mas a todos os consumidores, produtores e empresas que trabalham com leite no país”, conclui o texto.
Além da Abraleite, a nota é assinada pela Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos), Associação Brasileira das Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios (G-100), Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ) e Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV).
Até a publicação desta reportagem, a campanha da NotCo continuava no ar no YouTube.
Os leilões de sêmen bovino estão ganhando cada vez mais espaço no calendário da pecuária nacional. Especializados na venda de doses genéticas de touros provados, esses eventos atraem um público técnico, focado em resultados e que enxerga na genética uma ferramenta para acelerar ganhos econômicos no rebanho.
A dinâmica é semelhante à de um leilão tradicional, mas em vez de animais no recinto, são ofertadas doses de sêmen com laudos, índices genéticos e projeções de desempenho. Tudo com base em programas de melhoramento genético reconhecidos e na reputação das centrais e dos touros.
O formato é simples e direto. Cada touro ofertado tem lotes de sêmen disponíveis em pacotes predeterminados, geralmente em 100, 300 ou 500 doses. O criador interessado adquire as doses durante o evento e, em alguns casos, pode contar com condições comerciais diferenciadas, como prazos ou frete facilitado.
Um exemplo é o 12º Megaleilão EAO Baviera – Etapa Sêmen, que oferta reprodutores como Ormon da EAO (imagem abaixo), com pacotes de doses à venda diretamente no catálogo. A seleção dos touros é feita com base em critérios técnicos, como DEP, avaliação morfológica e desempenho produtivo em campo.

Boa parte dos reprodutores ofertados nesses leilões integra programas oficiais de avaliação, como:
Esses programas fornecem informações genéticas confiáveis, como DEP (Diferença Esperada na Progênie), fertilidade, ganho de peso, habilidade materna, qualidade de carcaça, entre outros índices, que ajudam o criador a escolher o touro mais adequado para seus objetivos.
Leia também: O que faz uma assessoria pecuária e por que ela é essencial
Ao apostar na compra de sêmen em leilões especializados, o pecuarista investe diretamente em produtividade, precocidade, fertilidade e lucratividade. Portanto, mais do que adquirir doses, ele aposta no futuro do seu rebanho.
Com o suporte dos programas de melhoramento genético e de uma assessoria técnica bem estruturada, o sêmen certo pode ser o primeiro passo para uma pecuária mais moderna, rentável e eficiente.

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, se pronunciou em rede social da pasta a respeito da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar em 50% as exportações brasileiras ao país.
No vídeo, o titular da pasta chama a medida de “ação indecente do governo norte-americano” e destaca que o Mapa está agindo de forma proativa em busca de uma solução.
“Telefonei para as principais entidades representativas dos setores mais afetados, o setor de suco de laranja, o setor de carne bovina e o setor de café, para que possamos, juntos, ampliar as ações que já estamos realizando nos dois anos e meio do governo do presidente Lula: em ampliar mercados, reduzir barreiras comerciais e dar oportunidade de crescimento para a agropecuária brasileira”, ressaltou.
Fávaro destaca que reforçará ações de abertura de mercados, buscando os centros mais importantes do Oriente Médio, do Sul Asiático e do Sul Global, que têm grande potencial consumidor e podem ser uma alternativa para as exportações brasileiras.
“As ações diplomáticas do Brasil estão sendo tomadas em reciprocidade. As ações proativas acontecerão aqui no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para minimizar os impactos. Aqui é a casa da agropecuária brasileira. Estamos juntos e vamos superar este momento difícil”, finaliza o ministro.
Ainda nesta quinta-feira, o Itamaraty divulgou nota com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, há o reforço de que o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.
Irregularidades
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Ceará, Bahia e Maranhão devem ser os estados do Nordeste brasileiro mais prejudicados após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras por parte dos Estados Unidos.
A conclusão é da Coordenação de Estudos, Pesquisas, Tecnologia e Inovação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que fez uma sondagem para verificar os possíveis impactos da taxação para a Região Nordeste do país.
Só este ano, até o mês de junho, a pauta de exportações do Nordeste para os Estados Unidos somou US$ 1,58 bilhão, o equivalente a R$ 8,7 bilhões, sendo o principal exportador o estado do Ceará, seguido por Bahia e Maranhão. Juntos, eles representaram 84,2% do total exportado.
De acordo com o estudo, em 2024, Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco protagonizaram as exportações para os norte-americanos, sendo responsáveis por US$ 2,5 bilhões, aproximadamente R$ 14 bilhões.
Nesse período, em sua totalidade, a Região exportou pouco mais de R$ 15,6 bilhões, considerando o valor do dólar desta quinta-feira (10).
O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, argumenta que não há ganhadores, só perdedores na sobretaxa anunciada por Trump. “Ao mesmo tempo em que um país exporta, também é importador. O mercado nordestino importou quase US$ 6 bilhões, ou seja, R$ 33,5 bilhões, em 2024 em produtos norte-americanos. Aplicando a regra da reciprocidade, os norte-americanos têm bem mais a perder do que a ganhar com a medida de seu presidente”, destacou.
O coordenador de Estudos, Pesquisas, Tecnologia e Inovação da Sudene, José Farias, classifica a medida de Donald Trump como um “aumento absurdo de tarifa” e diz que, naturalmente, os compradores norte-americanos devem procurar outros fornecedores no mercado mundial.
Para ele, esse desdobramento reflete não apenas na perda do PIB e de empregos, mas também traz “consequências indiretas bem mais pesadas sobre a cadeia produtiva regional, pois os produtos exportados, em geral, suportam uma longa cadeia de atividades no território, mesmo para aqueles produtos primários, como é o caso do cacau enviado para os Estados Unidos.”
O coordenador ainda enfatiza que o aumento das tarifas pode levar a perdas relevantes para os pequenos agricultores e até mesmo para a indústria, principalmente para os quatro estados que mais exportam para os Estados Unidos.
“Estamos falando de uma pauta muito diversificada, indo desde ligas de aço, passando por pastas químicas, pneus e variados produtos da agropecuária que, neste caso, são tipicamente commodities”, reforça.
Entre os produtos exportados por cada estado, destacam-se: