Produtores de farinha e fécula de mandioca já podem vender seus produtos para o governo federal. Isso porque a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está autorizada a comprar até 3 mil toneladas de fécula e 3,8 mil toneladas de farinha da raiz da safra de 2025.
A compra foi autorizada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF), e conta com recursos de R$ 20 milhões.
De acordo com nota da Conab, a medida atende aos produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A aquisição será realizada por meio do mecanismo de Aquisição do Governo Federal (AGF), previsto na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
A iniciativa tem como objetivo garantir aos produtores rurais o nível de rentabilidade dado pelo preço mínimo, evitando que tenham que comercializar sua produção a preços que inviabilizem a atividade econômica.
Limite de venda por produtor
O Manual de Operação da Companhia prevê que o limite de venda por produtor é de 105 toneladas de farinha, o equivalente a 2.100 sacas de 50 quilos.
Já para a fécula, o limite é de 90 toneladas, o que representa 3.600 sacas de 25 quilos. A compra só será finalizada pela Conab se o produto atender aos padrões exigidos.
A estatal informa que o cereal adquirido deverá ser estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas.
Além disso, os interessados em vender a farinha ou a fécula de mandioca para a Companhia devem estar cadastrados no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) e procurar a regional da Conab nos estados atendidos para orientação sobre o preenchimento dos formulários exigidos para a operação, bem como a apresentação de documentos adicionais que se fizerem necessários.
Preços da mandioca abaixo do mínimo
Tal operação se desenrola no âmbito de retomada dos estoques públicos no país. Segundo a Conab, a iniciativa também visa garantir o apoio aos produtores rurais em um cenário em que os preços da raiz e da fécula de mandioca estão abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal na região Centro-Sul do país.
“Esse cenário é explicado pelo aumento da oferta da raiz, uma vez que os agricultores intensificaram a colheita para liberar áreas para arrendamento, aliado aos elevados estoques industriais. Vale destacar que os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo concentram, aproximadamente, 1/3 da produção nacional de raiz de mandioca e respondem por 95,3% da capacidade instalada de produção de fécula de mandioca no país”, destaca a Companhia, em nota.
Uma nova semana começa com destaque para o frio no Sul do Brasil e tempo seco em grande parte do país. Segundo a Climatempo, uma massa de ar frio ainda atua sobre o Sul, enquanto o Centro-Oeste, o interior do Sudeste e parte do Nordeste seguem em alerta para umidade relativa do ar muito baixa.
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Confira como fica a previsão do tempo para este início de semana em todas as regiões do Brasil.
No Sul, a segunda-feira (21) amanhece com temperaturas mais baixas, especialmente no Rio Grande do Sul, Vale do Itajaí (SC) e leste do Paraná. Nessas áreas, há formação de nevoeiro, o que pode comprometer a visibilidade em Curitiba e no litoral.
A geada ainda é possível nas serras gaúcha e catarinense, além de cidades do extremo sul do Paraná, como General Carneiro. Apesar disso, não há previsão de chuva ao longo do dia.
A tardes continua fria em Porto Alegre e Florianópolis, e o ar permanece seco no noroeste e norte do Paraná, com umidade abaixo de 30%.
Sudeste tem manhã fria e ar seco no interior
No Sudeste, a massa de ar frio também influencia as temperaturas no início da semana. O frio se concentra no leste e sul de São Paulo e no sul de Minas Gerais. Há risco de nevoeiro nas primeiras horas da manhã em regiões como a Grande São Paulo, Campinas (SP) e Zona da Mata Mineira.
Nas áreas do interior, como o Triângulo Mineiro, norte e oeste de São Paulo, a umidade relativa do ar varia entre 21% e 30%, indicando atenção para o tempo seco.
Em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória, o sol predomina e não há previsão de chuva. As temperaturas sobem de forma gradual à tarde, e a umidade se aproxima de 40%.
O Centro-Oeste começa a semana sob influência de ventos frios no extremo sul de Mato Grosso do Sul. A sensação de frio marca o amanhecer, mas o sol retorna no período da tarde e ajuda a elevar as temperaturas.
Toda a região permanece sem previsão de chuva. O tempo seco predomina em Goiás, leste e nordeste de Mato Grosso, com umidade em estado de alerta – entre 20% e 12%.
Em Goiânia, Cuiabá, Campo Grande e Brasília, a umidade à tarde pode variar entre 21% e 30%, afetando a qualidade do ar.
Nordeste tem chuva na faixa litorânea e tempo seco no interior
No Nordeste, o vento úmido vindo do mar mantém o tempo instável no litoral da Bahia. Cidades como Salvador, Ilhéus e a região do Recôncavo começam a semana com aumento de nuvens e pancadas de chuva moderadas a fortes ao longo do dia.
Outras capitais como Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e São Luís também podem registrar chuvas localizadas, com mais presença do sol. Já o interior da região enfrenta calor intenso e umidade relativa do ar muito baixa, além de ventos moderados com rajadas entre 40 e 50 km/h, principalmente no sul do Maranhão e Piauí.
Norte tem alerta para chuva forte em Roraima, Pará e Amapá
Na região Norte, o tempo segue instável, com chuvas fortes e trovoadas previstas para Roraima, oeste do Pará e Amapá. Já entre Rondônia e Tocantins, o tempo permanece firme e seco.
Em Palmas (TO), a umidade relativa do ar deve ficar abaixo de 20%, colocando a população em estado de alerta para os efeitos do tempo seco, como desconforto respiratório e risco de queimadas.
O secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que 1º de agosto é um prazo final para a imposição das tarifas americanas, mas que nada impede que os países negociem após a data, em entrevista para a CBS, neste domingo (20).
“Em 1º de agosto, as novas alíquotas tarifárias entram em vigor. Nada impede que os países conversem com a gente depois da data, mas eles vão começar a pagar as tarifas em 1º de agosto”, disse, ao defender que as tarifas pagarão o déficit americano e tornarão a economia do país mais forte. “Estamos defendendo os Estados Unidos”.
Segundo o secretário, que está confiante em um acordo com a União Europeia (UE), países menores, como nações da América Latina, Caribe e África, pagarão a tarifa base de 10%, enquanto economias maiores ou se abrirão ou pagarão uma tarifa justa aos EUA por não se abrirem e os tratarem de forma injusta.
Na ocasião, Lutnick também mencionou que o presidente dos EUA, Donald Trump, com certeza vai renegociar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). “Faz um sentido perfeito para o presidente renegociar. Ele não quer carros fabricados no Canadá ou no México quando podem ser fabricados em Michigan e Ohio. É melhor para os trabalhadores americanos”, ressaltou.
Lutnick ainda argumentou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, está custando US$ 700 bilhões por ano aos EUA por, segundo ele, manter as altas taxas de juros.
O Cerrado brasileiro se destaca como a região brasileira com a maior cobertura de irrigação agrícola do país, segundo levantamento da EEmovel Agro.
Com mais de 50% de seu território disponível para a tecnologia, atualmente são 1.460.386 hectares irrigados por pivô central, distribuídos em 20.517 equipamentos em operação, conforme os dados da datatech de soluções agropecuárias.
Contudo, o número representa apenas 4,16% da superfície irrigável total, revelando um potencial de expansão significativo.
O estudo da empresa projeta um mercado potencial de até R$ 14,4 bilhões para o setor de irrigação no Cerrado. O dado considera os 34,3 milhões de hectares de cultivos temporários e os 751 mil hectares de plantações perenes, com base em um custo operacional médio de R$ 6.202,00/ha em áreas de 50 a 100 hectares.
“A região central do país possui cerca de 76% mais área plantada do que o Sul. Tanto uma quanto a outra [região] lideram na produção de grãos, especialmente soja, e apresentam grandes oportunidades de mercado para irrigação”, afirma o diretor de Operações Agro da EEmovel Agro, Luiz Almeida.
Potencial de irrigação em outras áreas
O levantamento da datatech mostra que a Região Sul conta com 418.077 hectares irrigados por pivôs centrais e 7.159 equipamentos em operação — apenas 2,10% da área irrigável local, um desempenho ainda distante da realidade do centro-oeste e do norte de Minas Gerais.
Contudo, a maior concentração de equipamentos está em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal, responsáveis por 84% dos pivôs instalados no bioma Cerrado.
“Os dados mostram que ainda temos mais de 93% da área apta à irrigação sem uso de pivô central, o que comprova o imenso potencial de crescimento do setor nessa parte do país”, finaliza Almeida.
Nos últimos anos, um novo estilo musical começou a ganhar espaço nas playlists, nas redes sociais, nas festas do interior e, mais recentemente, nos palcos do Brasil inteiro. O agronejo, termo criado da fusão entre “agro” e “sertanejo”, representa muito mais que um gênero musical. Ele é a voz contemporânea do campo, uma manifestação cultural que coloca o agronegócio, os jovens rurais e a vida no interior no centro das atenções.
Embora seja uma evolução natural do sertanejo universitário, o agronejo surge com características próprias: ele tem raízes no agro, letras que exaltam a vida no campo, o trabalho com a terra, os rodeios, os tratores, o gado, e até o amor vivido nas estradas de chão. É o estilo musical que mais cresce entre o público jovem do agro, e Ana Castela é, sem dúvida, a principal representante desse movimento.
Ana Castela: a boiadeira que virou fenômeno
Com apenas 20 anos, Ana Castela se tornou o rosto e a voz do agronejo. Natural de Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul, a artista começou a se destacar com vídeos nas redes sociais cantando sobre a vida na fazenda, com um estilo que mesclava romantismo, ritmo moderno e identidade rural.
Seu primeiro grande sucesso foi “Boiadeira”, música que se tornou um hino para uma nova geração de jovens do campo e viralizou nas redes:
“Sou da vida do campo, da lida e do gado / Sou raiz de verdade, chapéu e cavalo” – Ana Castela, “Boiadeira”
Desde então, a artista acumula hits, parcerias com grandes nomes como Luan Pereira, Léo & Raphael, Simone Mendes e Gustavo Mioto, e milhões de ouvintes nas plataformas de streaming. Mas mais do que sucesso comercial, Ana representa uma mudança de narrativa: o campo, antes retratado de forma idealizada ou distante, agora ganha voz jovem, moderna e cheia de orgulho de suas raízes.
Onde nasceu o agronejo?
O agronejo nasce no berço da nova juventude rural brasileira, que cresceu conectada, consumindo internet e redes sociais, mas sem abandonar sua cultura agropecuária. É um reflexo direto da transformação do campo, onde o trator é guiado por GPS, mas a trilha sonora continua sendo o sertanejo.
Esse movimento se intensificou a partir de 2020, durante e após a pandemia, quando muitos influenciadores rurais começaram a se destacar no TikTok, Instagram e YouTube com vídeos sobre a rotina no campo, tocando músicas com estética agro. Foi nesse cenário que músicos passaram a criar letras com forte ligação com a produção rural, o rodeio, o agro business e os valores da vida simples no interior.
O agronejo não é uma ruptura com o sertanejo, é uma atualização, uma nova fase que fala com um público específico e crescente: os jovens do agro, que hoje movimentam a economia rural e também as plataformas digitais.
Amor, agro, rodeio e trator
Ao ouvir as músicas de artistas como Ana Castela, Luan Pereira, AgroPlay, Neto & Henrique e DJ Chris no Beat, fica clara a identidade do agronejo. As letras falam de:
Rotina rural: ordenha, colheita, vida na fazenda.
Tecnologia no campo: tratores modernos, caminhonetes, maquinário agrícola.
Relações amorosas no interior: paixões vividas entre currais e estradas.
Orgulho agro: valorização do produtor rural, da lida, da roça e do trabalho honesto.
Estética de rodeio: chapéu, fivela, botas, cavalos, festas sertanejas.
O agronejo e o agro: conexão além da música
A relação entre agronejo e agronegócio vai muito além do tema das músicas. Trata-se de um movimento que fortalece a imagem positiva do agro, especialmente entre os jovens urbanos. Ao colocar o campo como símbolo de força, tradição e inovação, o agronejo reforça valores importantes como trabalho duro, família, fé e pertencimento.
Além disso, muitas marcas ligadas ao setor agropecuário já identificaram o potencial do movimento. Empresas de insumos, maquinário, agroindústrias e até bancos do agronegócio vêm patrocinando eventos e artistas do segmento. O agronejo se transforma, assim, em uma estratégia de comunicação e marketing rural e, ao mesmo tempo, em um vetor de identidade cultural.
AgroPlay e o papel das gravadoras do agro
Outro destaque importante nesse movimento é o papel da AgroPlay, gravadora e produtora que gerencia as carreiras de diversos artistas do agronejo e investe pesado em marketing digital com linguagem do campo.
Com estúdio em Londrina (PR), a AgroPlay entendeu que o agro também é entretenimento e criou um ecossistema musical e midiático que valoriza a estética do interior com profissionalismo e alcance nacional, muito mais do que um negócio que movimenta a indústria existe uma profunda conexão com o propósito de dar protagonismo ao produtor rural, as raízes do campo e os valores da vida no campo. A parceria com a Warner Music, por exemplo, prova que o agronejo já saiu das fazendas e chegou à indústria fonográfica com força.
Um movimento que veio para ficar
O agronejo não é uma moda passageira. Ele representa uma nova fase de conexão entre cultura, campo e juventude. Assim como o sertanejo tradicional marcou gerações anteriores com histórias de amor e dor, o agronejo marca o presente com histórias de orgulho rural, pertencimento e identidade forte.
É um gênero que cresce nas plataformas de streaming, lota eventos, vende produtos e reforça a imagem do campo como moderno, relevante e inspirador.
Quando o agro vira música
O sucesso do agronejo mostra que o campo brasileiro é mais do que produtividade e exportação. Ele também é vida, arte, juventude e cultura. Quando ouvimos um hit de Ana Castela ou Luan Pereira, não estamos apenas dançando ou cantando: estamos celebrando um estilo de vida, um Brasil que trabalha com as mãos na terra e o coração cheio de orgulho.
E como bem canta Ana:
“Quem disse que o agro não tem som? / Aqui tem moda boa e amor do bom”
A polinização animal tem ganhado protagonismo na produção agropecuária brasileira. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a contribuição dos polinizadores como abelhas, borboletas e morcegos representou, em média, 16,14% do valor da produção agrícola e extrativista do Brasil em 2023 — um aumento em relação aos 14,4% registrados em 1996.
Nos cenários mais favoráveis, essa participação pode chegar a 25% do valor total da produção nacional. O estudo “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil 1981-2023” considerou dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS).
Dos 89 produtos analisados, 48,3% têm algum grau de dependência da polinização animal. O efeito é mais acentuado nas culturas permanentes, como frutas e café, e no extrativismo vegetal, com destaque para o açaí e o babaçu.
Em 2023, a contribuição dos polinizadores no extrativismo alcançou 47,2%, mais que o dobro do índice observado em 1996 (21,8%). Nas lavouras permanentes, o índice ficou em 38,7%, enquanto nas temporárias, como soja e feijão, chegou a 12%. Apesar disso, os cultivos temporários dominam a área plantada e a produção nacional.
Soja: baixa dependência, mas alta influência
Principal cultura temporária do Brasil, a soja possui dependência considerada modesta da polinização. Ainda assim, por seu elevado volume de produção e expansão territorial, ela contribui significativamente para a ampliação da área agrícola com algum nível de dependência de polinizadores.
A soja aparece entre os cinco principais produtos com dependência de polinizadores em todas as regiões do Brasil.
Mesmo com dependência modesta dos polinizadores, devido ao volume produzido e valor de produção, a expansão da soja para além de suas áreas tradicionais de cultivo, na região Sul, teve duas consequências: por um lado, contribuiu para o aumento da área ocupada por culturas que dependem de polinizadores e, por outro, substituiu cultivos com maior dependência desses agentes, reduzindo a participação de produtos associados à polinização animal, especialmente aqueles de menor valor comercial.
Na região Norte, o açaí – com alta dependência de polinização – é o principal destaque. Já no Nordeste, frutas como manga, cacau e uva se sobressaem. No Sudeste, produtos como o café e a laranja lideram a lista. No Sul, a maçã é uma das mais dependentes da polinização. E no Centro-Oeste, soja e algodão dominam, mesmo com dependência modesta.
Municípios mais dependentes de polinizadores crescem no Brasil
Entre 1996 e 2023, houve aumento de quase 6 pontos percentuais na proporção de municípios cuja produção agrícola e extrativista depende, em mais de 5%, da polinização. O Nordeste, com sua forte produção de frutas, foi a região com maior destaque nesse crescimento.
O estudo do IBGE destaca que até mesmo culturas de menor expressão nacional podem ter impacto estratégico local. “Além de contribuírem para a agricultura, os polinizadores são vitais para a manutenção dos ecossistemas”, reforça Leonardo Bergamini, analista do IBGE.
Mais da metade da área colhida tem dependência modesta
Em 2023, 53,5% da área colhida no Brasil era ocupada por produtos classificados com dependência modesta de polinização, como soja e feijão. A expansão dessa classe é um dos destaques da série histórica, que aponta crescimento constante desde 1975.
Nas lavouras permanentes, embora a classe com dependência modesta represente apenas 19,4% dos produtos, ela ocupa 41,2% da área plantada — com destaque para o café arábica e a laranja. Já as classes com alta ou essencial dependência, como o cacau e o caju, têm ampliado sua área cultivada ao longo dos anos.
Produtos dependentes de polinização representam 17,6% da produção
Apesar de a maioria da produção agrícola brasileira (82,4%) ainda ser formada por produtos sem dependência de polinizadores, o grupo com dependência modesta já responde por 15,9%. As classes com alta ou essencial dependência somam 1,6%, mas são fundamentais para determinadas regiões e produtos estratégicos.
No extrativismo, mais de 40% da quantidade coletada vem de produtos com dependência alta ou essencial, como açaí e babaçu. Embora a erva-mate — sem dependência de polinizadores — continue sendo o produto mais coletado, a tendência é de crescimento das culturas dependentes.
Ameaças aos polinizadores exigem atenção
A crescente dependência da polinização animal contrasta com a redução das populações de polinizadores, ameaçadas por perda de habitat, uso de agrotóxicos, doenças, mudanças climáticas e espécies invasoras.
“Garantir a continuidade desse serviço essencial exige investimentos em pesquisa e políticas públicas”, conclui Bergamini.
José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), morreu na madrugada deste domingo (20), aos 93 anos, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada até o momento. A informação foi confirmada pela assessoria da CBF.
Marin teve uma carreira marcada tanto pela política quanto pelo futebol. Ele ocupou o cargo de vice-governador de São Paulo entre 1979 e 1982, e assumiu o governo do estado entre 1982 e 1983, durante o regime militar, quando ainda não havia eleições diretas para o cargo.
Depois de sua passagem pela política, Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015, período que antecedeu um dos maiores escândalos da história do futebol mundial. Em 2015, ele foi preso na Suíça, junto a outros dirigentes da Fifa, acusado de envolvimento em um esquema bilionário de corrupção.
Extraditado para os Estados Unidos, Marin foi condenado a quatro anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro, fraude bancária e participação em organização criminosa. Em 2019, o Comitê de Ética da Fifa o considerou culpado por recebimento de propina e o baniu do futebol de forma definitiva. Após cumprir pena, ele retornou ao Brasil em 2020.
Com mais de 60 anos dedicados à pecuária zebuína, José Humberto Vilela Martins, o conhecido Zé Humberto, da Fazenda Camparino, compartilhou sua visão sobre seleção animal durante entrevista ao podcast LanceCast, do Lance Rural.
Aos 80 anos, o criador é referência na raça nelore e voltou a levantar um ponto que considera crucial: o desequilíbrio causado pela dependência excessiva dos índices genéticos.
“Voltar no arreio é difícil”
Zé Humberto é direto ao comentar o risco de decisões tomadas apenas com base em números: “O cara que foca só em número, e não olha as outras coisas, vai destruindo o rebanho dele. E depois, voltar no arreio é difícil.”
A crítica se refere aos impactos práticos da seleção que ignora fatores como rusticidade, morfologia funcional e adaptabilidade dos animais. Na visão do criador, isso pode comprometer seriamente a produtividade e dificultar a reversão do prejuízo.
O valor de quem vive a lida
Mesmo reconhecendo os avanços técnicos da pecuária moderna, Zé Humberto defende o papel insubstituível do conhecimento empírico: “O olho com a porteira é uma ferramenta boa demais!”, afirma.
Esse tipo de análise, construída ao longo de décadas lidando com o gado, foi essencial para que ele transformasse novilhas comuns em matrizes de destaque no rebanho da Camparino, no Pantanal mato-grossense.
Não é rejeição à genética, é alerta ao exagero
Zé Humberto reforça que não é contra a genética, e sim contra a dependência cega: “O cara que não entende bulhufas de gado, se ele focar só na avaliação genética, ele erra menos.”
Para ele, os números são aliados valiosos, principalmente para quem está começando, mas precisam ser interpretados à luz da realidade do campo, e com os pés no chão.
Zé Humberto, um legado vivo
Frequentador assíduo da Expozebu, o criador leva sua experiência a novas gerações de pecuaristas. Natural de Minas Gerais, mas com trajetória marcada pelo pioneirismo em Goiás e Mato Grosso, ele se orgulha de sua paixão pela criação, que vai além do nelore, passando por cavalos, aves, suínos, gir leiteiro e sindi.
A filosofia de Zé Humberto é simples, mas poderosa: tecnologia e tradição precisam andar juntas para garantir uma pecuária sustentável, eficiente e fiel às raízes de quem vive o campo.
O desabamento de uma arquibancada montada para um rodeio deixou ao menos 60 pessoas feridas na cidade de Eldorado, no interior de São Paulo. Segundo os bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 22h48 de sábado (19) na Expo Eldorado.
Por meio de nota, a prefeitura da Estância Turística de Eldorado informou que, das 60 pessoas que receberam atendimento médico, 20 casos foram classificados como de emergência. Desse total, dez pacientes precisaram ser transferidos para hospitais da região, sendo que seis foram encaminhados ao Hospital Regional de Registro, dois para o de Pariquera-Açu e dois para o Hospital de Jacupiranga.
O local foi vistoriado e permanece interditado, informou a Defesa Civil.
Na noite de ontem, a Expo Eldorado promoveria um show da dupla sertaneja Gian e Giovani. A dupla manifestou sua solidariedade às vítimas e disse que vai remarcar o show, que precisou ser cancelado.
“Infelizmente aconteceu um acidente com a arquibancada. Todas as vítimas foram socorridas rapidamente. Será remarcada uma nova data”, disseram eles, em um vídeo que foi divulgado nas redes sociais. “E boa recuperação a todos”, desejaram.
Em sua rede social, o prefeito Noel Castelo informou que este “foi um momento muito triste” e que a prefeitura está tomando as providências para dar atendimento às vítimas.
Segundo a organização da Expo Eldorado, não houve mortes e toda a programação prevista para este domingo (20) foi cancelada. “Isso inclui o almoço, as atividades da tarde e o show da noite”, informou a Expo Eldorado, em comunicado.
Os organizadores destacaram que estão tomando as providências necessárias para dar assistência às vítimas. “Pedimos a compreensão de todos e reforçamos nosso compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar da população”, diz o trecho do comunicado.
A prefeitura informou que uma investigação vai analisar as causas do ocorrido e identificar os responsáveis pelo acidente.
Entre novembro de 2024 e julho de 2025, o café arábica apresentou uma expressiva valorização no mercado internacional. O preço saiu de US$ 2,35 por libra-peso em novembro para um pico de US$ 4,33/lb em fevereiro, estabilizando-se atualmente em torno de US$ 3,05/lb — uma alta acumulada de aproximadamente 27%.
Essa valorização garante, por ora, boas margens de exportação, especialmente considerando o câmbio favorável ao produtor, com o dólar oscilando acima de R$ 5,30.
Com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 50% sobre o café brasileiro, a primeira reação é de preocupação, e com razão. A medida eleva o preço final do produto no mercado americano e reduz a competitividade do Brasil frente a países como México e Colômbia.
No entanto, a equação econômica não é binária. Mesmo com a taxação, os atuais patamares de preço e câmbio mantêm a rentabilidade das exportações viável, especialmente para produtores com custos controlados e contratos negociados com antecedência.
Um exercício simples ajuda a ilustrar:
Preço internacional: US$ 3,05/lb
Com tarifa de 50%, o café brasileiro chegaria aos EUA por US$ 4,58/lb
Esse valor ainda se mantém competitivo em segmentos premium e nichos que valorizam a qualidade do café brasileiro
Outro ponto positivo é a melhora na paridade de troca agrícola. O produtor hoje consegue adquirir mais insumos por saca vendida, o que sustenta a margem de lucro. E como o custo interno em reais não acompanhou a mesma velocidade da valorização internacional, a estrutura de produção continua relativamente eficiente.
Armazenar é estratégia: estoque e clima como aliados
Diante desse cenário de incerteza, uma postura pragmática pode ser decisiva para proteger a renda do cafeicultor:
Armazenamento estratégico: O café é uma commodity que permite estocagem com boa conservação, diferentemente de produtos perecíveis. Segurar parte dos estoques enquanto se aguarda a definição do cenário internacional pode ser uma forma eficaz de capturar melhores preços no futuro, inclusive se a tarifa for revertida ou se a demanda interna nos EUA pressionar os preços.
Aposta climática racional: As previsões climáticas ainda indicam risco de instabilidade em regiões produtoras globais. Caso se confirmem, os preços podem voltar a subir. Assim, quem tiver produto armazenado estará em posição vantajosa para negociar.
A tarifa de Trump é, sem dúvida, um obstáculo político e econômico. Mas não é uma sentença de inviabilidade. O café brasileiro segue com boa aceitação internacional, e os fundamentos de mercado, preço e câmbio, seguem favoráveis à rentabilidade.
O produtor que souber administrar estoques, monitorar o clima e negociar com inteligência pode atravessar esse momento com ganhos. A crise exige mais do que reação: exige estratégia.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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