segunda-feira, maio 11, 2026

Autor: Redação

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alta nas cotações é limitada pelo valor elevado do frete



Os preços da soja seguiram em alta na última semana, impulsionados pelo aquecimento nas demandas doméstica e internacional (sobretudo da China). Fato este que elevou os prêmios de exportação no Brasil. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Por outro lado, conforme o Centro de Pesquisas, as quedas do real e do dólar, limitaram o movimento da alta. Além disso, o encarecimento dos fretes rodoviários reduziu a receita de sojicultores no País. Essa alta é observada desde o mês passado, mas foi intensificada nas últimas semanas. 

Diante disso, pesquisadores explicam que produtores mostram preferência em negociar a soja com entrega nos próximos meses em detrimento do spot. Isso porque, com a finalização da colheita da segunda safra do milho, a tendência é que a oferta de caminhões aumente e, consequentemente, que o custo com frete rodoviário recue.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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BNDES registra R$ 5,3 bilhões em crédito aprovado no Plano Safra 2025/2026



O BNDES alcançou um volume de R$ 5,3 bilhões em aprovações de crédito do Plano Safra 2025/2026. A aprovação envolveu recursos equalizados dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), dentre os quais destacam-se o Pronaf, o Pronamp, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).

Nas linhas de custeio, abertas no dia 17, foi consumido R$ 1,7 bilhão. Nas linhas de investimentos em instalações e máquinas, abertas na quinta-feira (24), foram aprovados R$ 3,6 bilhões.

No total, foram recebidas 13,1 mil operações, por meio de 21 agentes financeiros credenciados, em mais de 20 linhas de financiamento. Deste total de operações, 9 mil foram para custeio, sendo que 5,5 mil destinadas ao Pronaf. Esse modelo de operação permite uma distribuição descentralizada de recursos por todo o país, chegando a 93% dos municípios brasileiros, facilitando o desenvolvimento e a execução da política pública de apoio ao setor.

Na próxima quinta-feira (31), o banco vai abrir a linha para a agricultura familiar destinada a investimentos.

“Este volume expressivo de recursos aprovados em poucos dias demonstra o papel estratégico do BNDES no apoio ao agro brasileiro, promovendo tanto o crescimento da agricultura familiar quanto o desenvolvimento da agricultura empresarial. A demanda está aquecida e o BNDES tem demonstrado que tem capacidade para atuar, de forma diligente, atendendo os produtores na velocidade que o país precisa. Também importante destacar que mais de 90% das operações, cerca de 12 mil, foram operadas por bancos cooperativos e cooperativas de crédito, o que mostra a importância desse segmento para ampliar o acesso ao crédito no Brasil”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

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Recorde de recursos

No Plano Safra 2025/2026, o banco vai disponibilizar R$ 70 bilhões para financiar investimentos da agricultura brasileira, no período entre o dia 01 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026. O montante é o maior orçamento já disponibilizado pelo Banco ao setor agropecuário, 5% acima do valor do Plano Safra anterior e 180 % maior que o disponibilizado pelo BNDES no Plano Safra 22/23.

Serão R$ 39,7 bilhões em recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), um incremento de 19% em relação ao ano anterior. Tais programas contam com prazos, taxas e orçamentos determinados.

Deste montante, serão R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8,5% e 14% ao ano, e R$ 13,4 bilhões para pequenos produtores da agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 8% ao ano.

Para a agricultura empresarial, os recursos serão oferecidos por meio de 9 programas, entre eles, Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA. Já para a agricultura familiar, o BNDES opera com diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

No Plano Safra 2025/2026 serão destinados R$ 13,4 bilhões para o Pronaf, aumento de 9% em relação ao montante operado pelo BNDES no Plano Safra anterior.



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AgroNewsPolítica & Agro

Demanda aquecida impulsiona preços da soja, mas frete caro pressiona margens



Produtores apostam em entregas futuras com expectativa de frete menor




Foto: USDA

Os preços da soja registraram nova valorização no mercado brasileiro ao longo da última semana, impulsionados por uma combinação de fatores que reforçam o apetite da demanda tanto no Brasil quanto no exterior. A procura da China, principal compradora do grão, segue intensa e elevou os prêmios de exportação nos portos nacionais, favorecendo a sustentação das cotações.

De acordo com informações divulgadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o movimento de alta foi limitado pelas recentes quedas no dólar e nos preços internacionais da oleaginosa. Além disso, o aumento nos custos de frete rodoviário, intensificado nas últimas semanas, tem reduzido a rentabilidade dos sojicultores brasileiros. O encarecimento logístico é apontado como um dos principais obstáculos no curto prazo.

O levantamento do Cepea também destaca que, diante desse cenário, muitos produtores têm optado por negociar contratos com entrega futura, deixando o mercado spot (de entrega imediata) em segundo plano. A expectativa é de que, com o avanço da colheita do milho safrinha e maior disponibilidade de caminhões, os preços do transporte rodoviário tendam a recuar nos próximos meses.

Essa estratégia de comercialização demonstra cautela por parte dos agricultores, que buscam maximizar a margem de lucro em um ambiente de incertezas cambiais e logísticas. Apesar do bom momento nas exportações, o custo elevado com transporte pode comprometer a competitividade do grão brasileiro no mercado global.

O cenário atual reforça a importância da eficiência logística e da gestão estratégica de contratos por parte dos produtores. Com o mercado externo atento ao fornecimento sul-americano, principalmente após as perdas registradas nos EUA, o Brasil segue como protagonista nas negociações da soja em 2024.





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O que está em jogo para o agro brasileiro?


No domingo (27), os EUA e União Europeia anunciaram um acordo comercial histórico, que evita o aumento de tarifas e amplia a cooperação entre os dois maiores blocos econômicos do mundo. O anúncio foi celebrado por ambos como uma vitória estratégica, mas do outro lado do Atlântico, o setor agroexportador brasileiro acendeu o sinal de alerta.

Mesmo sem ser parte direta do tratado, o Brasil, maior potência agrícola do hemisfério sul, pode ser fortemente impactado. Neste artigo, explico, de forma didática e clara, como o agronegócio brasileiro corre o risco de perder espaço, competitividade e mercado com esse novo alinhamento internacional.

Desvio de comércio: Brasil pode perder mercado para os EUA

Com a redução de barreiras entre EUA e Europa, produtos agrícolas americanos poderão entrar no mercado europeu com menores tarifas ou menos exigências burocráticas. Isso favorece exportações de milho, soja, carnes e outros produtos dos EUA — justamente os principais itens da pauta brasileira.

  • – Se o milho americano chegar mais barato à Europa, o grão brasileiro pode ser descartado por questões logísticas ou regulatórias.
  •  -O mesmo vale para carnes bovinas e suínas, onde a concorrência por cotas e mercados é cada vez mais acirrada.

Regras ambientais e sanitárias mais rígidas podem virar barreira ao Brasil

Um dos pilares do acordo é o alinhamento regulatório, especialmente em questões ambientais e sanitárias. Isso significa que EUA e UE podem adotar padrões conjuntos de produção sustentável, rastreabilidade e controle de emissões.

Para o Brasil, isso representa um risco: produtores que não conseguirem comprovar boas práticas ambientais e rastreabilidade detalhada podem ser excluídos desses mercados.

  • – A União Europeia já exige “desmatamento zero” em seus fornecedores.
  •  -Caso os EUA adotem padrão semelhante, os dois maiores mercados do mundo passarão a exigir certificações que muitos produtores brasileiros ainda não possuem.

Impacto nos preços internacionais das commodities

Com dois gigantes exportadores cooperando, a oferta global de alimentos e matérias-primas tende a aumentar. E o resultado direto disso é a queda dos preços internacionais das commodities agrícolas.

  • – Soja, milho, carne, trigo e outros produtos podem sofrer desvalorização nos mercados internacionais.
  • – Isso afeta a receita direta dos produtores brasileiros, que já enfrentam margens apertadas devido a juros altos, endividamento e aumento de custos operacionais.

O risco de isolamento comercial do Brasil

Enquanto EUA e Europa avançam em parcerias estratégicas, o Brasil ainda luta para ratificar o acordo Mercosul–UE, paralisado por questões ambientais e disputas políticas.

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Se o Brasil não avançar em seus próprios acordos bilaterais ou regionais, corre o risco de ficar à margem das grandes cadeias globais de valor, perdendo acesso a mercados premium.

Além disso, a dependência crescente da China, que já responde por mais de 30% das exportações do agro brasileiro, aumenta a vulnerabilidade geopolítica do país.

O que o Brasil pode (e precisa) fazer

Para enfrentar esse novo cenário, o agronegócio brasileiro e o governo federal precisam agir em três frentes:

  • Aprovar o Acordo Mercosul–UE e buscar novos pactos bilaterais com países estratégicos.
  • Avançar em rastreabilidade, certificações ambientais e sustentabilidade da produção.
  • Investir em agregação de valor, com produtos processados, marcas fortes e diversificação da pauta exportadora.

O novo acordo entre EUA e União Europeia não menciona o Brasil,  mas terá efeitos concretos sobre o país. A competição será mais dura, as exigências serão maiores, e o espaço para improvisos será cada vez menor.

Se quiser manter sua posição de liderança mundial na exportação de alimentos, o Brasil precisará se adaptar rapidamente. O mundo está mudando, e o agro brasileiro não pode ficar parado

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Tarifaço entra na semana decisiva; perspectiva de acordo com os EUA fica mais distante



O Brasil entra esta semana em um período decisivo, que pode mudar para pior o rumo de sua economia – pelo menos no curto prazo. Está prevista para entrar em vigor na sexta-feira ,1º de agosto, a tarifa de 50% prometida pelo presidente americano, Donald Trump, para todos os produtos brasileiros vendidos para o mercado americano. E, pelo menos até o momento, não há o menor sinal de que esse movimento poderá ser revertido ou adiado.

As tentativas do governo brasileiro de negociar com os EUA, encabeçadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, têm se mostrado infrutíferas. Na semana passada, Alckmin disse ter tido no sábado (19) uma conversa de 50 minutos com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. “Nós conversamos com o governo norte-americano, tivemos uma conversa com o secretário de Comércio, longa, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação, e destacando que o presidente Lula tem orientado negociação, não ter contaminação política nem ideológica”

Mas o próprio presidente Lula parece não ter muita esperança de uma reversão da cobrança até o dia 1º. Na sexta-feira (24), disse que o vice-presidente liga todos os dias para conversar sobre a tarifa, mas que ninguém responde. “Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém, e ninguém quer conversar com ele”, disse Lula.

No domingo (27), Howard Lutnick afirmou que as tarifas, previstas para começar em 1º de agosto, não serão adiadas. “Sem mais períodos de carência”, afirmou, em entrevista, à Fox News. Mesmo assim, Lutnick afirmou que, quando as taxas começarem, os países ainda poderão falar com o governo americano. “O presidente está definitivamente disposto a negociar e conversar com as grandes economias, com certeza.”

Mais tarde, o próprio presidente Trump reafirmou, durante sua viagem à Europa, que a data de 1º de agosto não será adiada.

Brasil tem a maior taxa

O prazo de 1º de agosto não é exclusivo para o Brasil. É a data dada por Trump para subir as tarifas para dezenas de países que não conseguirem fechar um acordo a tempo. Mas é no Brasil onde a tarifa será mais alta – nenhum outro país terá a taxa de 50%.

Alguns países já haviam conseguido fechar acordos com Trump, evitando o “mal maior”: Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão. No domingo (27), foi a vez de União Europeia também finalizar um acerto com o governo americano, com uma tarifa básica de 15% – a ameaça de Trump era elevar a taxa para 30%.

No caso brasileiro, porém, as negociações se tornam um pouco mais complicadas pelo viés político que tomaram. Quando anunciou que taxaria os produtos brasileiros, Trump condicionou a reversão da decisão ao fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, que o presidente americano disse ser uma “caça às bruxas”.

“Não estou enxergando um caminho no curto prazo para poder reduzir essas tarifas”, disse o diretor para as Américas da consultoria Eurasia, Christopher Garman. “Nós estamos num embate, e o problema é que o presidente Trump se enxerga no drama do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nós precisamos lembrar que o Trump se sentiu vítima de uma caça às bruxas de medidas judiciais. Ele se sentiu censurado. Ele enxerga o movimento progressista Democrata como uma ameaça à democracia. Então, quando ele vê o drama do entorno da família Bolsonaro e as queixas da direita brasileira, o Trump encontra respaldo.”

Para Garman, o melhor cenário para o Brasil, nesse caso, é receber as tarifas e não retaliar. Ao longo do tempo, avalia, pode ser que as empresas e o governo brasileiro consigam algum espaço para aliviar o cenário. “O impacto das tarifas globais tende a chegar ao bolso do consumidor através de mais inflação. Portanto, a Casa Branca pode ficar mais passível de aceitar tarifas menores”, afirma.

O economista André Perfeito, por sua vez, diz que o acordo entre União Europeia e Estados Unidos anunciado neste domingo traz ainda mais pessimismo para a situação do Brasil na busca de uma solução para a questão da tarifa de 50%. “O Brasil está definitivamente isolado e as tarifas ganham ares de sanção que buscam restabelecer a América como quintal dos EUA”, disse.

Para o economista, o acordo aponta para a perspectiva de que os EUA não permitirão que o Brasil se alie de maneira individual a blocos ou projetos que não sejam do interesse de Washington, o que, para Perfeito, “cria uma novidade política que há muito tempo não se via”. Ele considera que a revista The Economist apontou corretamente, em sua edição da semana passada, que o que ocorre com o Brasil só pode ser comparado ao período da Guerra Fria.

Impacto sobre a economia brasileira

A tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras terá um forte impacto sobre a economia brasileira, uma vez que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Entre os setores mais afetados estão o de petróleo; ferro e aço; café; máquinas e equipamentos; celulose; e carne.

Os efeitos ainda não estão muito claros, mas alguns cálculos mostram que haverá perdas relevantes. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou, para o curto prazo, uma queda de R$ 52 bilhões nas exportações brasileiras e diminuição de 110 mil empregos no país.

Já a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) fala de uma perda, no longo prazo, de R$ 175 bilhões para a economia brasileira , com retração de 1,49% do PIB e com 1,3 milhão a menos de postos de trabalhos, caso a tarifa de 50% para as exportações brasileiras entre em vigor. A queda na renda das famílias atingiria até R$ 24,39 bilhões, e na arrecadação do governo seria de R$ 4,86 bilhões.

Além disso, segundo a Fiemg, num cenário hipotético em que o Brasil respondesse aos EUA com uma taxa recíproca de 50% sobre as importações americanas, a queda no PIB brasileiro poderia chegar, em longo prazo, a R$ 259 bilhões. Dessa forma, o número de empregos seria impactado em 1,934 milhão de vagas, a massa salarial ficaria R$ 36,18 bilhões menor e a redução da arrecadação de impostos chegaria a R$ 7,21 bilhões.

Efeitos já são sentidos nas empresas

Mesmo sem a certeza de que a taxa entrará mesmo em vigor, os efeitos negativos já começam a ser sentidos em alguns setores. Os produtores de ferro-gusa (uma matéria-prima da siderurgia), que têm uma forte dependência do mercado americano, relatam que contratos de exportação já foram suspensos, e que muitas empresas poderão ter de paralisar as operações a partir de agosto.

Com duas operações em Minas Gerais (uma em Sete Lagoas e outra em Divinópolis), a SDS Siderúrgica, comandada pelo empresário Frederico Henriques Lima e Silva, já teve suspenso embarque programado para agosto. O cliente pediu que a carga fosse suspensa até uma definição da aplicação da tarifa de 50% a produtos brasileiros.

Da produção de Sete Lagoas da SDS, em dois altos-fornos, cerca de 40% vai para usinas de aço (25%) e fabricantes de autopeças (15%) dos EUA, informou Lima e Silva. Uma parcela um pouco maior, de 45%, é destinada a produtoras de autopeças da Europa, que demanda ferro-gusa tipo nodular, que tem especificação para essa aplicação, de maior sofisticação em qualidade. O restante é comercializado no mercado interno.

Há cerca de um ano, a SDS adquiriu a unidade de Divinópolis e investiu R$ 25 milhões na reforma da usina, que passou a ter capacidade de 12 mil toneladas por mês. A medida do presidente dos EUA, Donald Trump, pegou o empresário no contrapé: a retomada das operações estava prevista para este mês de julho.

“Entre 60% e 70% da produção dessa usina seria destinada a usinas de fabricação de aço americanas. Havia uma perspectiva de expansão da demanda no país com base na competitividade do gusa brasileiro, que contribui para descarbonizar a indústria do aço, pois é produzido uso de carvão vegetal”, afirma o empresário.

Exportadores de manga e uva do Vale do São Francisco também temem o que pode acontecer com seu setor se as tarifas entrarem mesmo em vigor. A região, com produção concentrada em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), é responsável por mais de 90% da exportação brasileira dessas frutas.

A GrandValle, produtora e exportadora de manga e uva sediada na região, estima prejuízo entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões apenas com cargas de manga caso não surjam acordos até a data. O diretor de exportações da empresa, Luca Balallai, disse que o envio de manga exportada pela empresa para os EUA está previsto para começar em cerca de quatro semanas. E a grande preocupação é a falta de destinos viáveis para escoar a produção caso o tarifaço se concretize. “Não temos outros mercados como alternativa para um volume tão concentrado em um período curto de tempo”, disse.

O setor de pescados é outro que já vê efeitos do tarifaço. “Provavelmente, não sairemos (para alto-mar) em agosto”, disse Arimar França Filho, diretor da Produmar, uma das maiores exportadoras de peixes frescos para os EUA, e vice-presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN). “Exportamos peixe fresco e não temos alternativa para vendê-lo, já que o mercado brasileiro não absorve nossa produção e o europeu está fechado para a pesca brasileira desde 2017”, diz.

Com custos maiores para a pesca de peixes frescos, os barcos que atuam nesse segmento ficam 20 dias em alto-mar, antes de voltar aos portos. Caso o tarifaço seja mantido, a frota de 35 navios das empresas da região, que movimentam por volta de US$ 50 milhões anuais na pesca de peixes como atum e costeiros, deve ficar parada no próximo mês.

Parte dos cerca 1,5 mil trabalhadores dessa indústria na região também será afetada. “Os pescadores são CLT, mas têm um salário variável, ligado à produção”, afirmou França. “Vão receber menos.”

Movimentação dos empresários contra o tarifaço

Apesar de as negociações sobre as tarifas estarem a cargo do governo, as empresas também têm se movimentado para tentar influenciar a decisão de Trump. O que boa parte delas tem tentado é buscar o apoio de seus parceiros americanos, que importam os produtos brasileiros, para que a pressão seja feita em solo americano, pelas empresas de lá.

O argumento, nesse caso, seriam as perdas que os consumidores americanos teriam com o encarecimento de produtos importantes no dia a dia, como o café ou o suco de laranja – produtos nos quais o Brasil tem uma participação muito importante no mercado americano.

É o que tem feito, por exemplo, o setor de laranja. “O produto brasileiro é muito importante para as empresas americanas”, disse Ibiapaba Netto, diretor executivo da associação CitrusBR. “Eles têm grande interesse em que o problema seja resolvido e cada uma delas está procurando sua forma de levar a demanda a quem de direito, sem que pareça uma afronta ao governo.” A CitrusBR reúne as principais empresas produtoras e exportadoras brasileiros de sucos cítricos: Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company.

Quase 60% do suco de laranja presente em todas as garrafinhas consumidas nos EUA sai do Brasil. Na safra 2024/2025, o País enviou 306 mil toneladas – ou 85 milhões de caixas – do insumo aos EUA, que equivalem a nada menos do que 70% das importações do produto feitas por aquele país. Na sequência, o México responde por 22%, a Costa Rica por 3% e outros países por 1%, segundo a CitrusBR.

Mesmo com todo esse poder, os exportadores brasileiros – e seus clientes – têm se mantido discretos nesse momento. Negociações estão em curso em diferentes frentes, mas a ideia é evitar posicionamentos públicos que soem como atos de hostilidade ao governo Trump. “Todos têm o mesmo interesse, mas as companhias americanas têm mais condições de levar adiante essa prerrogativa”, disse Netto.

No caso do café, um dos principais produtos vendidos pelo Brasil aos EUA, entidades que representam os exportadores têm tratando diretamente do tema com a National Coffee Association (NCA). O diálogo vem sendo conduzido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) com a NCA. A entidade americana, por sua vez, já acionou o governo dos EUA.

“76% dos americanos consomem café. Além disso, a indústria do café gera 2,2 milhões de empregos e US$ 343 bilhões na economia americana. Por isso, o pedido que será levado pela indústria americana é para que o café entre em lista de exceção à tarifa”, relatou uma liderança do setor nacional quanto aos argumentos utilizados nos Estados Unidos, maior consumidor da bebida no mundo.

No caso das mineradoras, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, informou na segunda-feira (21), , que as empresas do setor estão se organizando para ir aos EUA negociar com empresas daquele país medidas a serem adotadas por conta do tarifaço.

De acordo com Jungmann, apesar de o cenário em relação à sobretaxa ainda estar bastante incerto, as empresas “ficam no aguardo, mas vão tomando providências”. Isso porque há um fluxo de produção, logística e contratual que precisa ser respeitado e que tem impactado cada empresa de forma diferente. No caso da mineração, os EUA respondem por 20% das importações e 3,5% das exportações do setor.

Plano de contingência

De qualquer forma, com a perspectiva cada vez mais concreta de um tarifaço no radar, também está em gestação no governo um “plano de contingência” para responder às taxas impostas pelos Estados Unidos. Na quinta-feira, 24, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que esse plano já está concluído e será submetido à análise do presidente Lula.

Segundo o ministro, o documento reúne “medidas de todo gosto”, incluindo a possibilidade de abertura de linhas de crédito em apoio a empresas afetadas.

“O cardápio encomendado por Lula foi elaborado, inclusive dentro da lei internacional”, afirmou Haddad em entrevista à rádio Itatiaia. “Todo o cardápio possível e imaginável vai ser apresentado a Lula para decisão.”



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A quatro dias do tarifaço, governo diz que busca por negociação, mas que soberania é inegociável



Faltando quatro dias para a implementação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros entrarem em vigor nos EUA, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) diz em nota que o governo brasileiro segue buscando negociação com o governo Trump.

“Desde o anúncio das medidas unilaterais feito pelo governo norte-americano, o governo brasileiro, por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem buscando negociação com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica’, diz trecho da nota.

Em outro trecho, o comunicado diz que o Brasil segue aberto ao debate, mas que a soberania nacional é inegociável.

“Reiteramos que a soberania do Brasil e o estado democrático de direito são inegociáveis. No entanto, o governo brasileiro continua e seguirá aberto ao debate das questões comerciais, em uma postura que já é clara também para o governo norte-americano”.

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Por fim, a nota destaca a longevidade das relações econômicas entre os dois países. “O Brasil e os Estados Unidos mantêm uma relação econômica robusta e de alto nível há mais de 200 anos. O governo brasileiro espera preservar e fortalecer essa parceria histórica”.



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Nova frente fria deixa o tempo instável e traz chuva e ciclone extratropical



Frente fria associada ao ciclone extratropical mantém o tempo instável nos três estados da região Sul. A condição será de muita nebulosidade e chuva na forma de pancadas, com intensidade moderada na maior parte das regiões. Destaque para o leste gaúcho e sudeste do estado catarinense, onde a chuva ganha um pouco mais de intensidade e se concentra entre a madrugada e a manhã. Outro ponto importante desta segunda-feira são os ventos: rajadas variam entre 51 e 70 km/h no centro-leste gaúcho, e 71 a 90 km/h no leste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No litoral norte gaúcho, as rajadas podem passar de 91 km/h.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

No Sudeste, há previsão de chuva no centro-sul do estado de São Paulo, incluindo a capital. A chuva também chega de forma mais isolada ao sul de Minas. Em contrapartida, o tempo segue firme no Rio de Janeiro, Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais, com destaque para o interior e o Triângulo Mineiro, onde o ar permanece seco e a umidade relativa ficará abaixo de 30%.

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Enquanto no Centro-Oeste, o destaque vai para o centro-sul do Mato Grosso do Sul, onde há previsão de pancadas de chuva de moderada a forte intensidade em várias áreas. Para a região central, incluindo Campo Grande, o alerta é para temporais. No restante do estado, o tempo firme predomina; já em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, o predomínio é de tempo aberto, ensolarado e seco, com alerta para umidade entre 20% e 12% nos períodos mais quentes do dia.

Já no Nordeste, a infiltração marítima mantém o tempo instável entre Sergipe e o Ceará, com pancadas de chuva de intensidade moderada. Há alerta para temporais entre Maceió e Recife. No interior do Nordeste, o tempo permanece firme, com destaque para a umidade relativa do ar ficando abaixo de 30% nos horários mais quentes do dia.

E na região Norte, a previsão é de pancadas de chuva no Acre, Amazonas, Roraima e norte de Rondônia. Em contraste, Pará, Amapá e Tocantins seguem com tempo firme; em Palmas, a umidade permanece em alerta, com índices entre 20% e 12%.



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Dia de celebrar quem cultiva o campo e alimenta o Brasil


No Brasil, nesta segunda-feira, 28 de julho, celebramos o Dia do Agricultor — aquele que vive da terra, trabalha com dedicação e faz a esperança florescer no campo. A data foi criada em 1960, quando Juscelino Kubitschek fundou o Ministério da Agricultura.

De Norte a Sul do país, são homens e mulheres que acordam cedo, enfrentam o clima incerto, as pragas, os preços e, mesmo assim, persistem. Porque sabem que sua missão vai além de plantar e colher: eles são responsáveis pela comida de milhões de pessoas dentro e fora do país.

Portanto, nesse universo, existem histórias que se destacam pela força da coletividade e pela capacidade de transformar desafios em oportunidades.

Transformar a goiaba em símbolo de identidade

Em Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná (PR), Rodrigo da Silva Viana cultiva goiabas. A fruta carrega o selo da Indicação Geográfica (IG) na modalidade de Indicação de Procedência (IP), reconhecimento conquistado em 2016 junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e, com apoio do Sebrae/PR

“Minha família produz goiaba desde os anos 90. Hoje sou a segunda geração. A IG ajudou a gente a melhorar a qualidade, alcançar novos mercados e até exportar”, conta Viana.

 Segundo o agricultor, Carlópolis é atualmente a capital nacional da goiaba de mesa e o maior produtor do Paraná. Com a formalização de uma cooperativa local — que reúne 40 cooperados e outros 40 produtores independentes — a comercialização da goiaba ganhou escala.

“Uma parte da economia do município gira em torno da goiaba. Então, é um trabalho que a gente vem fazendo ao longo dos anos para poder continuar no mercado, continuar produzindo e entregando uma fruta de boa qualidade”, diz Viana.

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Agricultor segurando uma goiaba.Agricultor segurando uma goiaba.
Rodrigo da Silva Viana, agricultor de em Carlópolis (PR). Foto: Sebrae/PR

Da Indicação Geográfica à Exportação

Mas nada disso veio fácil. Para conquistar o mercado europeu, por exemplo, Viana precisou viajar ao continente, visitar feiras internacionais e entender os requisitos exigidos para exportação.

Foi assim que descobriu a necessidade da certificação em Boas Práticas Agrícolas — Global G.A.P. (Good Agricultural Practices), programa reconhecido internacionalmente e exigido pelos supermercados da Europa. Atualmente, é considerada a certificação agrícola mais utilizada no mundo.

“Então, junto com o Sebrae, foi criado todo esse processo de certificação da goiaba para poder atender o mercado europeu”, explica o agricultor.

Parabéns, Agricultor!

Neste Dia do Agricultor, a equipe do Porteira Aberta Empreender parabeniza todos os produtores rurais, como o Rodrigo da Silva Viana, que representam a força da agricultura e a excelência da produção agrícola brasileira.

Com apoio do Sebrae, cresce o agroempreendedorismo, o cooperativismo rural e a valorização do conhecimento técnico daqueles que plantam o futuro, alimentam o presente e sustentam o Brasil.



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semana é decisiva para economia brasileira; ouça análise do Diário Econômico


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca o otimismo nos mercados globais com balanços positivos nos Estados Unidos e expectativas de corte de juros pelo Fed, mesmo com sinais de fraqueza na atividade. O dólar recuou e o Ibovespa avançou levemente, com o real em alta e juros estáveis. O IPCA-15 subiu 0,33% em julho, com serviços pressionando, enquanto alimentos recuaram.

No exterior, PIB dos EUA e inflação são os destaques da semana; no Brasil, atenção à decisão do Copom, desemprego, produção industrial e negociações tarifárias com os EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Segunda safra de milho caminha para recorde



A sanidade das lavouras também foi acompanhada



A sanidade das lavouras também foi acompanhada
A sanidade das lavouras também foi acompanhada – Foto: USDA

A segunda safra de milho no Brasil segue em ritmo avançado de colheita e deve alcançar produção recorde de 123,3 milhões de toneladas, segundo levantamento do Rally da Safra, da Agroconsult. O volume representa um crescimento de 19,5% em relação à temporada 2023/24. Considerada por especialistas como a “mãe de todas as safrinhas”, a atual temporada reforça lições importantes para o futuro da agricultura no país, com destaque para a eficiência climática e o uso de tecnologias no campo.

Apesar do atraso no plantio da soja no início do ano, que empurrou o calendário da safrinha, a ocorrência de chuvas em abril e maio foi fundamental para o bom desempenho das lavouras. A produtividade média nacional chegou a 113,8 sacas por hectare, um avanço de 13,1% frente ao ciclo anterior, enquanto o aumento da área plantada foi de 5,9%. Para Douglas Leme, gerente de Marketing e Cultivos para Milho da BASF, o resultado demonstra a coragem dos agricultores e o papel central das tecnologias agrícolas nesse cenário.

A sanidade das lavouras também foi acompanhada de perto pela Agroconsult. Pragas como lagarta-do-cartucho e da espiga foram predominantes, com incidência em até 79% das lavouras no médio norte do Mato Grosso. Já a cigarrinha apareceu em até 47% das propriedades no sul do Mato Grosso do Sul. Para enfrentar esses desafios, Leme reforça a necessidade de manejo preventivo e controle no início do cultivo, evitando perdas severas causadas por pragas e doenças.

Entre as ferramentas adotadas, destaca-se o novo inseticida Efficon®, lançado pela BASF. A inovação atua com efeito imediato de paralisação das pragas e ação prolongada, sendo eficaz no controle da cigarrinha-do-milho e pulgões. Com base no ingrediente ativo exclusivo dimpropiridaz, a solução representa um avanço no controle químico, como aponta o produtor Onivaldo Dante Jr., de Cambé (PR), que relata expectativa de dobrar a eficiência no manejo com o produto.

 





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