Produtores de tilápia do Paraná manifestam preocupação com a tarifa extra imposta por Donald Trump às exportações brasileiras. O estado é um dos principais produtores dessa espécie de peixe do país.
Os Estados Unidos é o principal destino do pescado e o Paraná foi o maior exportador brasileiro de tilapia em 2024, com receita de 35,7 milhões de dólares, representando uma fatia de 64% do total nacional
“Nós temos a cadeia produtiva dos pescados aqui no Paraná. Ela é ainda está em construção e vem recebendo eh incentivos nos últimos anos e os produtores vêm investindo isso nos últimos anos e e aí essa tarifa acaba que quase que inviabiliza essa exportação desses pescados, principalmente a tilápia, né? Nós temos aí uma produção bem significativa e o que nós exportamos também representa bastante, né, em relação ao que o Brasil exporta de tilápias para os Estados Unidos”, diz Anderson Sartorelli, técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná
“Os pescados e, em especial, a tilápia, não foram incluídos na lista dos produtos que ficaram excluídos da taxa de 50%. A entrada em vigor da nova taxação será dia 6 de agosto e até lá nós continuaremos a embarcar filé fresco de tilápia via aérea. Nós continuamos conversando com os parceiros americanos para inclusão da tilápia, mas acreditamos ser fundamental o início das negociações do presidente Lula com o presidente Trump. Os Estados Unidos são o maior importador de filé de tilápia do mundo e, neste momento, não tem outro país para suprir a demanda de filé fresco. O maior fornecedor de filé congelado para os Estados Unidos é a China, assim, a negociação do governo americano com a China será crucial para o nosso negócio”, diz a nota da associação.
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Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado na quinta-feira (31) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Brasil exportou 305 mil toneladas de couro no primeiro semestre de 2025. As vendas externas geraram US$ 559 milhões em receita, com preço médio de US$ 1,83 por quilo.
De acordo com o Deral, a China foi o principal destino do couro brasileiro, respondendo por aproximadamente 30% do total exportado. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 14% das compras. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve aumento de 3% no volume exportado, mas a receita caiu 14,5%.
O Paraná, conforme dados do boletim, exportou 54,2 mil toneladas entre janeiro e junho de 2025, resultado inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando o estado embarcou 58,8 mil toneladas.
O aumento das tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros pode ser uma oportunidade para o país buscar novas oportunidades em outros países.
“O tarifaço dos EUA não é uma tragédia para o Brasil — é um despertar. O Brasil é gigante, tem riqueza, povo empreendedor e vocação global. Chegou a hora de agir com patriotismo e coragem. Vamos crescer com essa situação, não tenha a menor dúvida, incluindo as nossas cadeias produtivas. Tenho certeza de que vamos ainda ter a abertura de novos mercados nesta economia globalizada e vamos entrar em outros territórios nos quais nunca pisamos”, apontou Décio.
Além disso, ele ressalta: “O Brasil e a nossa economia são muito maiores do que isso.Essa é uma narrativa de taxação contra o Brasil e não podemos entrar numa onda perversa de pessimismo.”
Em sua análise, Lima avaliou que os mais impactados com a medida serão os próprios americanos. Do outro lado, no Brasil, a taxação vai fortalecer o sentimento de patriotismo na população.
“Toda essa situação vai mostrar para nós aquilo que historicamente a gente não conseguia enxergar, que é a grandeza do nosso país”, afirmou.
“Não precisamos ser submissos e vamos mostrar para o mundo o tamanho que nós temos.Não somos mais um território de subserviência, de gente pequena, um país de terceiro mundo”, completou.
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O bom momento da economia brasileira que possibilita esta avaliação tem sido perceptível, segundo Décio Lima, no processo de inclusão realizado no país, com a geração de empregos pelos pequenos negócios – que representam mais de 60% das vagas geradas – e com a abertura de novas empresas: já são mais de 2,6 milhões CNPJs abertos neste ano nesse segmento.
“Eu não posso imaginar que essas taxações, fronteiras econômicas, podem levar qualquer um de nós a voltar ao campo da subserviência, da humilhação e da resignação, de baixar a cabeça. O Brasil é dos brasileiros. Não será uma porcentagem da taxa que querem impor ao modelo econômico brasileiro que irá nos limitar.”
O presidente do Sebrae ainda exaltou a criatividade do povo brasileiro e os biomas do país como diferenciais da economia brasileira para superar a medida do governo dos Estados Unidos.
“Lá, eles [americanos] não têm a criatividade que tem no Brasil. Por isso, estou muito convencido que isso tudo aí é para nos despertar. O que está faltando é acreditarmos em nós, acreditar inclusive, nessa produção extraordinária da pulverização econômica e nesse espírito empreendedor do povo brasileiro”, concluiu Lima.
Avaliação
Atualmente, 68% das exportações dos pequenos negócios são feitas para as Américas (28% América do Sul, 24% América do Norte e 7% América Central e Caribe). O presidente Décio Lima lembra que, nos últimos anos, houve um crescimento significativo no acesso dos pequenos negócios ao mercado internacional.
O número de empreendedores que estão vendendo produtos e serviços para outros países cresceu 120% nos últimos 10 anos, enquanto as médias e grandes empresas cresceram 29% no mesmo período. Os pequenos negócios representam 41% do total de empresas exportadoras, apesar de movimentarem apenas cerca de 0,9% do montante de recursos.
De acordo com levantamento do Sebrae, em 10 anos foi registrado um crescimento de 152% nos valores comercializados por pequenos negócios. Em 2023, esse segmento foi responsável por movimentar US$ 2,8 bilhões, o melhor resultado registrado em todos os anos anteriores a 2020, sendo menor apenas que as exportações feitas em 2021 e 2022.
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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defende a continuidade das negociações com os Estados Unidos para evitar o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao país norte-americano.
A entidade afirmou, em nota, esperar que o “pragmatismo permaneça” nas tratativas conduzidas pelo governo federal. De janeiro a julho, o Brasil embarcou 14,9 mil toneladas de carne suína, 15,2 mil toneladas de ovos e 6,6 mil toneladas de tilápia para o mercado norte-americano, o que resultou em mais de US$ 90 milhões em receita.
“As relações entre Brasil e Estados Unidos sempre foram pautadas pela diplomacia, em linha com os propósitos de duas nações voltadas para o desenvolvimento e o comércio próspero”, disse a ABPA, destacando a importância do diálogo contínuo entre os países.
Segundo a entidade, os produtores brasileiros “esperam e acreditam no total empenho do governo brasileiro pela continuidade das negociações” visando preservar o acesso ao mercado norte-americano, considerado estratégico para o setor.
A decisão do governo dos Estados Unidos de isentar o suco de laranja brasileiro da tarifa adicional de 40%, trouxe alívio imediato ao setor. Essa é a avaliação dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A medida, mantém o produto sujeito à sobretaxa de 10% mais a tarifa fixa de US$ 415/t. Segundo o instituto, a decisão pode ser atribuída a dependência estrutural do mercado norte-americano em relação ao suco importado do Brasil. Este representa aproximadamente 60% de todo o volume de suco consumido nos EUA.
Para o Brasil, pesquisadores do Cepea afirmam que a isenção representa a preservação da competitividade em seu principal mercado externo e evita perdas de receita.
Reforçam, ainda, que esse cenário deve proporcionar a retomada de novos contratos de venda de laranja fruta da safra 25/26, trazendo mais clareza e liquidez ao mercado, que praticamente andou “de lado” nas últimas semanas.
O poder de compra do avicultor de postura paulista frente aos principais insumos consumidos na atividade (milho e farelo de soja) diminuiu em julho. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o Centro de Pesquisas, esse cenário se deve à queda mais acentuada nos preços dos ovos em comparação aos do cereal e do derivado da oleaginosa.
Pesquisadores explicam que a retração na demanda pela proteína observada ao longo do mês, típica do período de férias escolares, pressionou fortemente as cotações.
Em Bastos (SP), o preço médio dos ovos brancos tipo extra, a retirar (FOB) foi de R$ 149,48/caixa com 30 dúzias em julho (até o dia 30). A redução é de 9,1% no comparativo com o mês de junho.
Para os ovos vermelhos, a média de R$ 165,76/cx na região paulista caiu expressivos 10,3%, ainda conforme levantamentos do Cepea.
Apesar disso, o movimento de baixa foi o menos intenso desde a desde as restrições impostas após a detecção do caso de Influenza Aviária em maio.
Além disso, o centro de pesquisas aponta que as cotações da carne no último mês superaram as registradas em julho/24, em termos reais. Para o vivo, houve aumentos de preços tanto no comparativo mensal quanto anual.
De acordo com colaboradores consultados pelo Cepea, essa valorização está atrelada à retomada gradual das exportações por parte de importantes parceiros comerciais do Brasil, como África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Hong Kong e Vietnã.
Segundo esse documento, foi listada uma elevação nas tarifas de importação, variando de 10% a 41%, para 69 parceiros comerciais, com início em sete dias. Alguns países conseguiram negociar acordos para reduzir tarifas, mas outros não tiveram oportunidade de negociar com a administração Trump.
Produtos de todos os outros países que não constam na lista serão taxados com uma tarifa de importação de 10% pelos EUA, embora Trump já tenha sugerido anteriormente que essa alíquota poderia ser ainda maior. O governo americano também afirmou que mais acordos comerciais estão em negociação, numa tentativa de fechar déficits comerciais e fortalecer a indústria nacional.
Segundo o texto da ordem executiva, alguns parceiros negociaram, mas apresentaram propostas insuficientes para corrigir os desequilíbrios na relação comercial ou para se alinharem aos interesses dos EUA em temas econômicos e de segurança nacional.
Outros detalhes ainda serão anunciados, como os critérios relacionados às “regras de origem” que determinarão quais produtos podem ser alvo de tarifas ainda mais elevadas.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, manifestou desapontamento com a decisão de Trump e prometeu tomar medidas para proteger os empregos no Canadá e diversificar os mercados de exportação do país. Ele afirmou, em publicação na rede social X (antigo Twitter), que o governo canadense permanece disposto a negociar com os EUA, mas está focado em fortalecer o Canadá a partir do que está sob seu controle.
O México conseguiu uma prorrogação de seu acordo comercial vigente enquanto as negociações continuam, evitando, por ora, uma tarifa de 30% sobre a maioria dos produtos mexicanos não automotivos e não metálicos que estejam em conformidade com o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
Já as mercadorias da Índia tendem a ser taxadas em 25%, pois as negociações travaram em razão do acesso dos EUA ao setor agrícola indiano, o que levou Trump a ameaçar taxar ainda mais, inclusive sugerindo uma penalidade não especificada relacionada às compras de petróleo russo pela Índia. Embora as conversas continuem, o governo indiano prometeu defender seu setor agrícola, intensivo em mão de obra.
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As chuvas registradas nos dias 26 e 27 de julho favoreceram o avanço do ciclo da cevada no Rio Grande do Sul, segundo informou a Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (31). De acordo com o boletim, as precipitações contribuíram para a transição entre as fases vegetativa e reprodutiva das lavouras e promoveram maior uniformidade no desenvolvimento das plantas.
A entidade destacou que a reposição da umidade no solo beneficiou o perfilhamento e a emissão de colmos, mantendo o potencial produtivo da cultura. Além disso, a melhora nas condições hídricas viabilizou a continuidade das práticas de manejo, como a aplicação de fertilizantes nitrogenados e potássicos em cobertura.
Na região administrativa de Erechim, a cultura encontra-se em desenvolvimento vegetativo, com condições fitossanitárias consideradas apropriadas. A produtividade projetada é de 3.600 quilos por hectare.
Na região de Ijuí, a cultura avança para a fase de elongação do colmo. As lavouras apresentam bom desenvolvimento, com emissão de perfilhos e estande uniforme. A sanidade das plantas segue satisfatória.
O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump exclui 44,6% das exportações brasileiras em valores para os Estados Unidos, divulgou nesta quarta-feira (31) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A pasta calculou o impacto da lista com cerca de 700 exceções para produtos que ficaram fora da sobretaxação.
Esses 700 itens, entre os quais aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro, continuarão a pagar a tarifa de até 10% definida em abril. Segundo a pasta, as medidas anunciadas na quarta-feira (30) incidirão apenas sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Há ainda 19,5% das vendas sujeitas a tarifas específicas, adotadas pelo governo de Donald Trump com base em argumentos de segurança nacional. Entre esses produtos, estão as autopeças e automóveis de todos os países, que pagam 25% para entrarem nos Estados Unidos desde maio.
O aço, alumínio e cobre pagam alíquota de 50%, mas, segundo o levantamento do Mdic, estão dentro dos 19,5% porque as tarifas foram definidas com base nos argumentos de segurança nacional em fevereiro, com entrada em vigor em março.
De acordo com o Mdic, 64,1% das exportações brasileiras continuam concorrendo em condições semelhantes com produtos de outros países no mercado estadunidense. Esse percentual é a soma dos 44,6% de vendas excluídas do tarifaço e dos 19,5% de exportações com tarifas específicas.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Mdic, o levantamento é preliminar e foi elaborado com base nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024. O governo brasileiro espera alguns esclarecimentos sobre se algumas especificações de produtos estão fora da lista de exceções.
A pasta esclareceu que os produtos em trânsito para os Estados Unidos não serão afetados pelas tarifas adicionais. A decisão, emitida na quinta-feira (30), excluiu da elevação da tarifa mercadorias que tenham sido embarcadas no Brasil até sete dias após a data da ordem executiva, observadas as condições previstas.