segunda-feira, maio 4, 2026

Autor: Redação

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Confinamento no Mato Grosso deve subir 3,84% em 2025



Relação de troca favorece confinadores em 2025




Foto: Divulgação

Segundo a análise semanal divulgada nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a expectativa é de que 926,78 mil animais sejam confinados em Mato Grosso ao longo de 2025. O resultado representa alta anual de 3,84% entre os 116 participantes da pesquisa.

De acordo com o Imea, o crescimento é reflexo da melhora na margem da atividade, impulsionada pela recuperação nos preços do boi gordo. No primeiro semestre de 2025, as cotações subiram 47,06% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de R$ 209,74/@ para R$ 308,44/@ na média.

O levantamento mostra que o custo da diária confinada avançou 11,93%, encerrando em R$ 13,25 por cabeça ao dia. Apesar da elevação no custo alimentar, o instituto destacou que a maior recuperação no preço do boi gordo frente ao milho favoreceu a relação de troca, que alcançou 5,52 sacas por arroba neste ano.

O Imea informou ainda que o cenário abriu “uma boa janela de compra de insumos, aproveitada pelos confinadores, que já negociaram cerca de 80,00% do volume necessário”.

Por fim, o instituto avaliou que o volume confinado pode crescer além do previsto, em razão da “perspectiva de alta nos preços do boi gordo para o segundo semestre”.





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preços mantém alta diante de escalas curtas



O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com algumas negociações acima das referências média nesta quarta-feira (20).

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, em alguns estados predomina um perfil mais acomodado, casos de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

“Já na Região Norte persistem os negócios acima da referência média, com os frigoríficos do estado encontrando maior dificuldade na composição de suas escalas de abate”, afirma.

Segundo Iglesias, sob o prisma da demanda, ainda há um ritmo intenso de embarques, com o país caminhando a passos largos para mais um recorde de exportação.

  • São Paulo: R$ 311,52 — ontem: R$ 310,85
  • Goiás: R$ 300,71 — R$ 300,54
  • Minas Gerais: R$ 302,94 — R$ 301,76
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,52 — R$ 319,43
  • Mato Grosso: R$ 309,26 — R$ 308,65

Mercado atacadista

O mercado atacadista se depara com queda de suas cotações no decorrer da quarta-feira. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por continuidade deste movimento no curto prazo, consequência de uma reposição mais lenta entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês.

“Vale destacar que a carne de frango ainda dispõe de maior competitividade na comparação com as concorrentes, em especial na comparação com a carne bovina”, pontuou.

O quarto traseiro foi precificado a R$ 23,15 o quilo, queda de R$ 0,15. O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 18,00. A ponta de agulha foi precificada a R$ 17,10 por quilo, queda de R$ 0,10.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,51%, sendo negociado a R$ 5,4719 para venda e a R$ 5,4699 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4620 e a máxima de R$ 5,5050.



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Adubo de cobertura no pasto: é seguro manter o gado após a aplicação?


Pecuaristas, a adubação de pastagens é uma prática fundamental para garantir a produtividade e a qualidade da forragem. No entanto, uma dúvida comum é se o gado pode permanecer na área após a aplicação do adubo de cobertura. Assista ao vídeo e confira.

Daniel Júnior, pecuarista de Governador Valadares, no estado de Minas Gerais, levantou essa questão em relação às suas vacas de leite e novilhas.

Nesta quarta-feira (20), o zootecnista Josmar Almeida, mestre em Produção Animal e sócio da empresa Gerente de Pasto, respondeu à dúvida no quadro “Giro do Boi Responde”.

Ele detalhou os cuidados necessários para a aplicação de fertilizantes em pastagens com a presença do rebanho.

Tipos de adubo e a presença do gado

Foto: Canva

Josmar Almeida explica que a primeira coisa a se considerar é o tipo de produto que está sendo aplicado.

  • Corretivos ou fertilizantes fosfatados: Se o produto for um corretivo (como calcário) ou um fertilizante à base de fósforo, não há problema em aplicá-lo com os animais na área. Esses produtos não oferecem riscos de toxicidade imediata e, por serem menos palatáveis, não são consumidos pelos animais.
  • Fertilizantes com nitrogênio e potássio: Se o produto contiver nitrogênio e potássio, seja ele uma formulação ou um produto simples (como ureia ou cloreto de potássio), a atenção deve ser redobrada. O consumo acidental desses fertilizantes, especialmente se estiverem aglomerados, pode causar distúrbios nutricionais graves nos animais.
Foto: Canva

O principal cuidado ao aplicar um fertilizante que contenha nitrogênio e potássio é observar se o produto não está empedrado ou aglutinado.

  • Risco de distúrbios nutricionais: Se o adubo empedrado for consumido pelo animal, acidentalmente ou por um apetite depravado, pode causar distúrbios nutricionais, como intoxicação por ureia, que pode ser fatal.
  • Aplicação ideal: O ideal é que o adubo esteja completamente farelado para que seja aplicado na pastagem sem formar pedras. A umidade do ar e as condições de armazenamento podem fazer com que os fertilizantes empedrem, e é fundamental quebrar esses aglomerados antes da aplicação para evitar riscos.

Josmar Almeida recomenda que, se o fertilizante estiver em bom estado, sem empedramento, ele pode ser aplicado com os animais na área. No entanto, se o produto estiver com pedras, é fundamental quebrá-las antes de aplicar no solo.



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entenda por que a Moratória da Soja foi suspensa pelo Cade



Acordo impedia a compra da commodity proveniente de áreas desmatadas na Amazônia




Foto: Seane Lennon

A recente suspensão da Moratória da soja pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reacendeu discussões sobre a legalidade e os impactos do pacto ambiental firmado em 2006 por grandes tradings globais. O acordo impedia a compra da commodity proveniente de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, mesmo quando essas áreas estivessem legalmente aptas para produção.

Para a advogada Lívia Bíscaro Carvalho, do escritório Diamantino Advogados Associados, o acordo, embora bem-intencionado, ultrapassou os limites legais ao criar restrições comerciais fora do que está previsto na legislação brasileira. “A Moratória da Soja não tem base jurídica. Ela acaba se sobrepondo ao ordenamento ambiental, que já é um dos mais rigorosos do mundo”, afirma a especialista.

A decisão do Cade, segundo Carvalho, foi baseada no entendimento de que um pacto estabelecido fora dos canais legais e sem respaldo regulatório pode comprometer a livre concorrência. “A medida preventiva adotada pelo órgão restabelece, ao menos temporariamente, o equilíbrio de mercado e a competitividade para os produtores”, completa.

Segundo dados divulgados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtores brasileiros já destinam cerca de 33% do território nacional à preservação ambiental em propriedades privadas, além de cumprirem exigências do Código Florestal. A entidade tem reforçado que medidas unilaterais como a Moratória criam insegurança jurídica, penalizam quem cumpre a lei e enfraquecem a imagem da sustentabilidade do agro brasileiro.

A investigação do Cade sobre os impactos concorrenciais do acordo segue em curso e deve aprofundar o debate sobre a influência de pactos privados no funcionamento do mercado. Enquanto isso, a suspensão da moratória pode marcar um divisor de águas na relação entre compliance ambiental e liberdade econômica no setor agrícola.





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como filtrar informações e manter o foco


Vivemos um tempo de excesso. Excesso de notícias, de opiniões, de análises e de previsões. Para o produtor rural, acostumado a lidar com riscos climáticos, oscilações de preços e incertezas de mercado, essa enxurrada de informações pode ser mais prejudicial do que útil.

A grande questão é: como se proteger do ruído, manter a mente clara e continuar tomando decisões racionais em meio ao turbilhão?

Filtrar para não se afogar

O excesso de informação funciona como uma tempestade: barulho por todos os lados, mas pouca luz. O produtor precisa aprender a filtrar. Isso significa escolher poucas fontes consistentes e confiáveis, que historicamente se mostraram úteis. Instituições de pesquisa, associações de classe, boletins técnicos sérios: esse deve ser o filtro.

Antes de absorver uma notícia, é necessário fazer uma pergunta simples: isso interfere na minha decisão prática de hoje ou dos próximos meses? Se a resposta for não, essa informação é apenas ruído.

Outro ponto é criar uma rotina de atualização. Não é produtivo acompanhar, minuto a minuto, a avalanche de dados. Definir momentos específicos para se informar ajuda a preservar a clareza mental e evita reações impulsivas.

É igualmente necessário evitar ambientes que alimentam indignação sem apontar caminhos. Muitos grupos de WhatsApp se especializaram em amplificar problemas, atacar o sistema e compartilhar links sobre desastres políticos ou econômicos iminentes. Isso não resolve nada: só tira o foco, aumenta a ansiedade e desgasta a energia do produtor. Informação que não aponta soluções é apenas combustível para a paralisia.

Como transmitir confiança aos jovens?

A nova geração que chega ao campo muitas vezes oscila entre dois extremos: otimismo exagerado ou pessimismo apressado. Cabe aos mais experientes mostrar que confiança verdadeira não é fechar os olhos para os riscos, mas sim enxergar oportunidades com preparo e cautela.

Histórias de crises passadas são fundamentais. Contar como o setor atravessou dificuldades em décadas anteriores mostra que turbulências são cíclicas, mas que sempre houve recuperação. Essa narrativa cria senso de continuidade e resiliência.

Mais do que isso, é preciso ensinar a arte do planejamento. Confiança se constrói com planos alternativos: A, B e C. Ter reservas, diversificar riscos e avaliar cenários é o que transforma otimismo em confiança sólida. A cautela não é inimiga da coragem; é o que dá sustentação a ela.

Manter o foco em meio ao caos

O produtor não pode se deixar paralisar pela incerteza. Em momentos conturbados, é fácil perder-se em discussões macroeconômicas ou previsões globais. Mas a solidez nasce daquilo que está ao alcance das mãos: a lavoura bem conduzida, a gestão de custos, o cuidado com a qualidade do produto.

A disciplina emocional se torna um ativo. Quando a ansiedade coletiva aumenta, quem mantém a calma, negocia de forma racional e resiste à pressão acaba garantindo margens melhores e respeito no mercado.

E há uma ferramenta poderosa e muitas vezes subestimada: o cuidado com o corpo. Exercícios regulares e caminhadas ao ar livre equilibram a química do nosso cérebro, reduzem o estresse e melhoram a clareza mental. O produtor que reserva tempo para cuidar da própria saúde física ganha mais disposição e serenidade para enfrentar as pressões do dia a dia.

Outro ponto essencial é a comunidade. Ninguém precisa enfrentar crises isolado. Estar próximo de associações, grupos técnicos e colegas de profissão fortalece a visão coletiva e ajuda a separar percepções reais do simples alarmismo.

Por fim, é importante manter o olhar estratégico. Crises sempre escondem oportunidades. Muitos dos que hoje são referências no agro souberam atravessar momentos turbulentos com disciplina e foco, colhendo frutos maiores quando o ciclo virou.

O Brasil e o mundo vivem tempos conturbados. Mas o produtor rural, acostumado a lidar com a imprevisibilidade da natureza, sabe que nenhuma tempestade dura para sempre. A chave está em filtrar o que realmente importa, evitar distrações que inflamam sem resolver, ensinar às novas gerações que confiança anda de mãos dadas com cautela, e manter o foco inabalável naquilo que está sob controle.

Cuidar da mente e do corpo, seja pela disciplina da rotina, seja pela prática de exercícios e caminhadas que renovam as energias, é tão estratégico quanto acompanhar o mercado.

Crises não são apenas obstáculos: são também filtros que separam os que se distraem dos que se fortalecem. E no agro, quem mantém os pés no chão e o olhar no horizonte sempre encontra o caminho para atravessar.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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arroz brasileiro perde espaço no próprio mercado



Enquanto as exportações, de forma frágil, sustentam os preços e mantêm o mercado do arroz respirando, o consumo interno enfraquecido, a ameaça das importações e a iminente colheita nos Estados Unidos criam um paradoxo, gerando incertezas para o futuro do setor.

Nas últimas semanas, a comercialização interna permaneceu quase estática, com liquidez mínima e negociações da mão para boca. Orizicultores seguram estoques, principalmente de arroz nobre, esperando condições mais atrativas; indústrias, por sua vez, compram apenas o necessário para reposição imediata.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, cotações seguem entre R$ 60 e R$ 62/saca para o parboilizado, R$ 65 a R$ 67/saca para o padrão indústria (acima de 58% de inteiros) e até R$ 75/saca para o grão nobre. Sem uma virada de chave no panorama atual, o mercado tende a enfrentar nova pressão de baixa no médio prazo, tornando pouco provável a sustentação de preços acima de R$ 70/saca ainda nesta temporada.

O protagonismo absoluto das exportações é, ao mesmo tempo, salvação e risco. Salvação porque tem impedido uma queda mais acentuada das cotações. Risco porque essa sustentação está ancorada em uma janela curta, que pode se fechar em setembro com a entrada da safra norte-americana e o consequente redirecionamento da demanda dos principais compradores das Américas.

O superávit comercial do arroz registrado neste ciclo é positivo, mas simbólico (pouco mais de 11 mil toneladas) — e insuficiente para reverter um histórico de vulnerabilidade estrutural. Com uma meta inicial de exportar 2 milhões de toneladas (base casca), o setor agora vê, com sorte, o arroz atingir 1,5 milhão de toneladas nesta temporada.

Nos bastidores, entidades e lideranças se movimentam. Federarroz, Irga e ApexBrasil realizam encontros para desenhar projetos conjuntos voltados à abertura e consolidação de novos mercados, com foco em inteligência comercial e promoção do arroz brasileiro. A Federarroz também solicitou ao governo gaúcho que os recursos da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) sejam direcionados ao escoamento da produção, visando aliviar a pressão de oferta e sustentar preços.

Outro ponto de destaque foi o decreto nº 58.296, em vigor de 1º/08/2025 a 28/02/2026, que concede crédito presumido de ICMS para indústrias que comercializam arroz beneficiado produzido no próprio estabelecimento em embalagens de até 5 kg (exceto arroz polido). As alíquotas aplicáveis são 2% para São Paulo, 3% para Minas Gerais e 3% para os demais estados, de forma opcional, substituindo a base reduzida anterior.

Para além dessas questões, o Brasil precisa atacar os gargalos que corroem a competitividade: custos de produção aviltantes, fretes internos cada vez mais caros, pedágios, tributos, entre outros. A forte dependência rodoviária — vulnerável a más condições das estradas e eventos climáticos como as enchentes de 2024 — eleva custos logísticos, reduzindo margens e dificultando acesso ao porto, muitas vezes já sobrecarregado pela soja.

O déficit de armazenagem no país força produtores a vender na colheita, com perdas na rentabilidade que podem superar os 30%, enquanto a baixa integração multimodal (rodoviário, ferroviário e hidroviário) encarecem o frete e muitas vezes atrasam embarques.

A concorrência regional cresceu: Argentina, Uruguai e Paraguai hoje oferecem arroz mais competitivo, ampliando a perda de espaço do produto gaúcho. O Paraguai, por exemplo, consolidou-se como principal fornecedor brasileiro, com custo de produção quase 50% menor e acesso desonerado pelo Mercosul.

Na temporada comercial 2025/26, o país projeta exportação de aproximadamente 1,35 milhão de toneladas (base casca), sendo cerca de 80% deste volume destinado ao Brasil, funcionando como “segundo estoque” nacional. Hoje, a nação guarani produz três vezes mais que há uma década, com as cotações mais atrativas do continente, logística favorável e vendas ágeis. Essa competitividade pressiona a cadeia produtiva brasileira, desloca parte da demanda interna e amplia a dependência do cereal importado. Para o Brasil, a saída é fortalecer urgentemente as exportações e reduzir custos, sob risco de perda estrutural de mercado.

Do campo à prateleira, a palavra-chave é coordenação. Produtores, indústrias e exportadores precisam alinhar volumes, tempos de oferta e estratégias comerciais para evitar vendas desordenadas e quedas abruptas nas cotações do cereal. O varejo, por sua vez, deve ser parceiro na comunicação do custo real de reposição, diluindo aumentos de forma gradual para não travar o consumo.

Se o objetivo é pleno desenvolvimento e sustentabilidade de todos os elos, o arroz brasileiro precisa sair da lógica reativa e abraçar uma estratégia nacional integrada — que valorize qualidade, agregue valor e transforme oportunidades passageiras em pilares permanentes de competitividade.

O tempo é curto e a janela pode se fechar rapidamente. A diferença entre avançar e regredir estará na capacidade do setor de agir agora, de forma coordenada e inteligente.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão



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Certificado que facilita exportação de produtos vegetais atinge 20 mil emissões



Lançado em maio de 2024, o Certificado Fitossanitário Eletrônico (e-Phyto), implementado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ultrapassou, na última segunda-feira (18), a marca de 20 mil emissões.

A certificação obrigatória, conforme a Portaria nº 749/2024, é voltada à exportação de produtos vegetais. De acordo com o ministro Carlos Fávaro, a ferramenta funciona como um verdadeiro passaporte das mercadorias, garantindo a sanidade dos produtos no comércio internacional.

Segundo ele, o processo está sendo modernizado para ganhar agilidade, eliminando a necessidade de papéis e carimbos.

O e-Phyto, termo que corresponde à abreviação de “electronic phytosanitary certificate”, foi desenvolvido pelo Mapa em parceria com a Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais (CIPV) e tem como objetivo substituir os certificados em papel por versões digitais seguras e padronizadas, fortalecendo o comércio internacional com maior agilidade e menos burocracia nas negociações.

De acordo com o Mapa, desde a primeira emissão, em 16 de janeiro deste ano, 447 empresas já utilizaram o sistema para exportar seus produtos de origem vegetal, com certificações realizadas em 61 pontos dentro de portos e aeroportos de todo o país.

Os certificados foram destinados a 52 países e abrangeram 56 produtos vegetais diferentes, como frutas, grãos e sementes.

Conforme nota do Ministério, o e-Phyto tem se mostrado um importante facilitador para as exportações brasileiras de produtos vegetais, trazendo mais agilidade, segurança e rastreabilidade ao processo de certificação.

A expectativa do Mapa é de que, com o avanço da digitalização, o número de emissões continue crescendo nos próximos meses, ampliando o acesso dos produtos agrícolas brasileiros aos mercados internacionais com um padrão eficiente e reconhecido em comparação ao modelo convencional anterior.



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Soja dos EUA à beira do penhasco? Cenário é positivo para grão brasileiro, que dispara na China



Devido ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, os sojicultores pedem que o presidente Donald Trump firme um acordo com a China para garantir as compras da oleaginosa. O motivo é que a maior importadora mundial, a China, agora prioriza a soja brasileira, o que pode gerar prejuízos aos agricultores americanos.

Vlamir Brandalizze, consultor em agronegócio, afirma ao Soja Brasil que a guerra comercial esquenta com a pressão dos produtores sobre Trump para acelerar as negociações. ”Eles estão perdendo espaço, já que a soja tarifada na China inviabiliza os novos negócios”, diz. Segundo ele, enquanto os americanos enfrentam dificuldades, no Brasil o cenário é de otimismo.

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“A China já compra perto de 70 milhões de toneladas de soja brasileira neste ano, registrando um volume histórico. Os prêmios ultrapassam 200 pontos, garantindo bons negócios e elevando as cotações ao melhor momento do ano”, destaca Brandalizze.

O consultor pondera, no entanto, que esse bom momento pode ter prazo de validade. Caso China e Estados Unidos avancem em um acordo, os embarques migram para os portos americanos, reduzindo a pressão de demanda no Brasil. Até lá, agosto e parte de setembro mantêm negócios aquecidos, mas depois o mercado tende a entrar em calmaria, com prêmios mais baixos e cotações pressionadas.

“É um momento bom, mas o produtor deve ficar atento, porque mais para o fim do ano o foco da China pode ‘voltar’ para a soja americana, caso os dois países firmem um acordo. Nesse cenário, ao Brasil restam as vendas concentradas apenas na próxima safra”, avalia.



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Produtor de soja dos EUA pede que Trump garanta compras da China



A Associação Americana de Soja (ASA, na sigla em inglês) pediu na terça-feira (19), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, priorize a oleaginosa nas negociações comerciais com a China.

Em carta enviada à Casa Branca, a entidade afirmou que os agricultores dos Estados Unidos estão em um “precipício comercial e financeiro” diante da ausência de compras chinesas para a safra 2025/26. A ASA exige remoção imediata das tarifas retaliatórias impostas por Pequim e compromissos formais de aquisição.

“Os produtores de soja estão sob extrema pressão financeira. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos agricultores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos”, disse o presidente da ASA, Caleb Ragland, na correspondência. “Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, complementou.

Maior compradora de soja

A China responde por 61% de toda a soja importada mundialmente. Historicamente, os EUA eram o fornecedor preferencial de Pequim. Essa posição mudou após a guerra comercial de 2018, quando o país asiático retaliou tarifas norte-americanas e deslocou a maior parte da demanda para a América do Sul.

“Devido à retaliação tarifária em curso, nossos clientes de longa data na China se voltaram e continuarão a se voltar para nossos competidores na América do Sul para atender sua demanda”, afirma a carta. O documento destaca que “o Brasil pode atender a essa demanda devido ao aumento significativo da produção desde a guerra comercial anterior com a China”.

“O país sul-americano ampliou a capacidade produtiva nos últimos anos e hoje consegue suprir sozinho o volume que Pequim necessita”, diz trecho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produziu 42% mais soja que os EUA em 2024/25, totalizando 112 milhões de toneladas exportáveis, volume equivalente à demanda chinesa total.

Tarifas pagas à China

A desvantagem competitiva dos americanos está na tarifa. Atualmente, a soja dos EUA paga uma tarifa retaliatória de 20%, além da tarifa de Nação Mais Favorecida (MFN) de 3% e do imposto sobre valor agregado (VAT), que juntos elevam a alíquota total a 34% em 2025.

Embora a nova tarifa seja 5 pontos porcentuais menor que a aplicada durante a guerra comercial de 2018, o diferencial mantém a soja norte-americana mais cara que a sul-americana, limitando novos negócios.

Um estudo da ASA reforça a preocupação. Segundo o documento, Pequim já contratou volumes recordes do Brasil para os próximos meses e ainda firmou negócios inéditos com a Argentina para fornecimento de farelo. Os EUA, em contrapartida, têm zero embarques vendidos da nova safra, situação inédita às vésperas da colheita.

Em anos normais, pelo menos 14% das compras chinesas já estariam confirmadas até agosto, com picos de 27% em safras recentes. A sazonalidade também favorece o Brasil: enquanto o país domina as vendas entre abril e setembro, os norte-americanos tradicionalmente atendem Pequim de outubro a março.

A ausência da demanda chinesa já pressiona as cotações em Chicago. Entre 18 de julho e 6 de agosto, o contrato novembro 2025 caiu US$ 0,51 por bushel (5%) para US$ 9,84/bushel, bem abaixo do custo médio de produção estimado em US$ 12,05/bushel. No cinturão do Norte, a situação é pior: perdas acima de US$ 1,20/bushel em Dakota do Norte.

Cenário semelhante ao 1º mandato de Trump

O cenário atual remete ao episódio de 2018/2019. Durante a primeira guerra comercial, os agricultores americanos perderam em média US$ 9,4 bilhões por ano em exportações de soja, valor que correspondeu a 71% do prejuízo agrícola total com tarifas.

“Agora, o quadro pode ser ainda pior”, avalia a ASA, “pois a China demonstra disposição de manter a dependência do fornecedor brasileiro”.

As perdas vão além do campo. Menor renda agrícola reduz o reinvestimento em comércio, serviços e infraestrutura nas comunidades rurais. A queda nos embarques do principal produto agrícola exportado pelos EUA também amplia o déficit comercial do setor e atinge diretamente a economia de 30 estados.

O apelo de Ragland a Trump teve tom pessoal. “Senhor Presidente, o senhor tem apoiado fortemente os agricultores e os agricultores têm apoiado fortemente o senhor. Precisamos da sua ajuda”, escreveu. A mensagem foi enviada também a líderes do Congresso e membros do gabinete, incluindo os secretários do Tesouro, Comércio e Agricultura.

Cobrança por reabertura de mercado

A ASA cobra que Washington obtenha um acordo que reabra o mercado chinês, seja pela eliminação das tarifas retaliatórias, seja por cotas específicas de importação. “Quanto mais avançarmos no outono sem chegar a um acordo com a China, piores serão os impactos para os produtores de soja dos EUA”, alerta a carta.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após postagem recente de Trump no Truth Social. No dia 11 de agosto, o presidente pediu publicamente que a China “quadruplique rapidamente” suas compras de soja dos EUA, ressaltando a robustez da safra americana. A mensagem foi bem recebida pelos produtores, mas a ASA reforçou que, até o momento, não há contratos firmados com o país asiático.

Para a associação, a consolidação brasileira como principal fornecedor representa risco estratégico duradouro. Com a colheita americana iniciando em setembro, cada semana sem progresso nas negociações reduz ainda mais as chances de recuperação do mercado perdido para o Brasil.



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Preços de soja pouco atrativos limitam o mercado, aponta consultoria



Nesta quarta-feira (20), o mercado brasileiro de soja apresentou pouca movimentação, tanto nos portos quanto no mercado doméstico. Segundo análise de Rafael Silveira, da consultoria Safras & Mercado, os preços nos portos apresentaram pequenas oscilações ao longo do dia, mas permaneceram dentro de um intervalo estreito de ofertas.

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A comercialização já alcança cerca de 83% a 84%, o que, segundo o analista, indica um ritmo mais moderado daqui em diante. “A indústria mantém suas indicações de compra de forma cadenciada, mas, em setembro, podemos observar eventuais paradas de fábricas ou redução no ritmo de esmagamento, refletindo uma demanda mais fraca. Esse cenário ocorre em meio a preços da soja pouco atrativos, que seguem pressionando as margens da indústria”, destaca Silveira.

Soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 135,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 136,00
  • Rio Grande (RS): caiu de R$ 143,00 para R$ 142,50
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 141,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 127,00 para R$ 128,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 126,50
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 127,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços em leve alta, em dia marcado pela volatilidade. Os agentes seguem acompanhando as notícias vindas da crop tour da Pro Farmer, que vai confirmando produtividades positivas. Compras técnicas e o bom desempenho do farelo garantiram a recuperação nas cotações, ainda que tímida.

Em Nebraska, a contagem de vagens da soja chega a 1.348,31 em uma área de três pés por três pés, acima da média dos últimos três anos de 1.132,07. No ano passado, o Crop Tour estimou a contagem de vagens em 1.172,48.

Em Indiana, a contagem de vagens chega a 1.376,59, contra a média dos últimos três anos de 1.294,98. No ano passado, o número foi de 1.409,02.

Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com alta de 2,00 centavos de dólar, ou 0,19%, a US$ 10,15 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,36 por bushel, com alta de 2,25 centavos ou 0,21%.

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com alta de US$ 4,60, ou 1,60%, a US$ 292,00 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 51,20 centavos de dólar, com perda de 0,48 centavo ou 0,92%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,51%, sendo negociado a R$ 5,4719 para venda e a R$ 5,4699 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4620 e a máxima de R$ 5,5050.



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