sexta-feira, maio 1, 2026

Autor: Redação

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Pasto e boi: por que a boca do gado é a melhor roçadeira na transição para as águas


Pecuaristas, a tão esperada transição da seca para as águas é um período crucial que exige um manejo de pastagens preciso. Para garantir a produtividade e a saúde do seu pasto, a zootecnista Janaína Martuscello, professora da Federal Mineira, alerta que “a melhor roçadeira para o pasto é a boca do boi!“, e não um maquinário. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Em entrevista ao programa Giro do Boi, diretamente de São João Del-Rei, no estado de Minas Gerais, a doutora em zootecnia e consultora explicou que a conscientização sobre o manejo de pastagens tem mudado a pecuária, tornando-a mais rentável e competitiva.

No entanto, é preciso estar atento a erros comuns que podem comprometer o resultado da fazenda.

Pasto na transição: evite os extremos

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Na transição da seca para as águas, o pecuarista enfrenta duas situações extremas e problemáticas, ambas prejudiciais à pastagem:

  • Pasto rapado: A falta de planejamento leva a pastos sem reserva de forragem, o que atrasa a rebrota na estação das águas e abre espaço para as plantas daninhas se desenvolverem e competirem com a forrageira principal.
  • Pasto passado (macega): A macega, que pode ter sido útil na seca, impede a rebrota e o surgimento de novos perfilhos, promovendo o sombreamento. Além disso, a palhada alta pode gerar fungos que, se consumidos, podem intoxicar os bezerros.

A roçada estratégica é uma ferramenta importante, mas deve ser feita com cautela. A roçada deve ser liberada apenas uma vez no ano, na transição, para permitir que o pasto rebrote a partir da base, com folhas de maior qualidade.

O ciclo dos veranicos e a adubação

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Janaína Martuscello alerta que há uma tendência de veranicos no próximo período chuvoso. Por isso, o produtor deve estar preparado para essa variação climática.

O manejo de pastagem, que é capaz de fazer a pecuária ser mais rentável e competitiva, também precisa se adaptar a esse cenário.

Em relação à adubação, a recomendação é não adubar na transição. A adubação deve ser feita no período chuvoso, após a chuva se firmar (com 50 a 70 mm acumulados).

Adubar antes disso é jogar dinheiro fora, pois a falta de chuva impede o estímulo de crescimento da forrageira e a absorção dos nutrientes, o que resulta em desperdício de insumos.

Planejamento e novas tecnologias

Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados
Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados

A professora Janaína Martuscello destaca a importância do planejamento, da taxa de lotação e da suplementação para o sucesso na transição.

O planejamento de lotação, por exemplo, pode ajudar a diminuir a macega, evitando a necessidade de roçar e de ter capim cortado em cima do broto, que pode gerar fungos e prejudicar a saúde dos animais.

A zootecnista acaba de lançar a terceira edição de sua trilogia de livros, com o título “No pasto é mais barato”, que é um guia para a intensificação e o manejo eficiente de pastagens em menores áreas.

O livro, que será disponibilizado em pré-venda, traz um passo a passo para que o pecuarista possa produzir de forma eficiente e sustentável.



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Receita com exportação de grãos na Argentina cai 25% em agosto



As exportações argentinas de grãos e derivados resultaram em receita de US$ 1,818 bilhão em agosto. O montante representa queda de 55% ante o mês anterior e de 25% na comparação com agosto de 2024.

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No acumulado do ano, a receita soma US$ 21,34 bilhões, aumento de 32% na comparação com igual período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina (Ciara) e pelo Centro de Exportadores de Cereais (CEC), entidades que representam 48% das exportações totais argentinas.

De acordo com as entidades, o mês de agosto se caracteriza por menores vendas para exportação e por uma queda nos registros de embarques em relação aos meses de plena colheita. O principal produto exportado pelo setor é o farelo de soja, seguido pelo óleo de soja e pelo milho.



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Governo investe em robô colhedor de açaí para aumentar produção do fruto na floresta amazônica



Técnica tradicional transmitida por gerações, a colheita de açaí é realizada pelos produtores conhecidos como peconheiros, que retiram os cachos escalando os caules dos açaizeiros uma técnica tradicional transmitida por gerações. Para modernizar e ampliar essa produção, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) tem investido na aquisição dos açaí bots, robôs desenvolvidos especialmente para a colheita do fruto na floresta amazônica.

A novidade foi apresentada na última segunda-feira (1º), durante a programação da 54ª Expofeira Agropecuária do Amapá, evento voltado à exposição e comercialização de produtos de manejo da sociobioeconomia, do agronegócio sustentável, da energia e transição energética, e de mercados inovadores como startups e tecnologias limpas.

O açaí bot pesa apenas 8 quilos, é operado por controle remoto e pode colher cachos de até 14 quilos. Em um único turno, o equipamento é capaz de retirar mais de 100 cachos, dez vezes mais que o método tradicional.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, reforçou que o investimento integra as ações do Governo Federal para fortalecer a Rota do Açaí — projeto do MIDR voltado a agregar valor ao fruto por meio de capacitação, financiamento e criação de polos produtivos na Amazônia.

“Este equipamento foi testado pelos peconheiros nas ilhas do Amapá e do Pará, em parceria com o ministério e as cooperativas. É uma tecnologia que oferece mais segurança e traz muitos outros ganhos para a produção do açaí”, declarou o ministro.



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O financiamento rural está repleto de fragilidades: é necessário modernizá-lo


A retração registrada no Plano Safra 2024/25, com desembolso de R$ 373,2 bilhões frente aos R$ 421 bilhões do ciclo anterior, evidencia fragilidades importantes no modelo atual de financiamento do agronegócio brasileiro.

Apesar de o governo ter anunciado um volume recorde de recursos, apenas 78,3% do total programado foi efetivamente aplicado, revelando entraves de acesso, execução parcial do orçamento e limitações na estrutura de crédito. Esse cenário coloca em debate a sustentabilidade do modelo vigente e aponta para a necessidade de modernização dos instrumentos de financiamento rural.

Um dos principais pontos críticos é a forte dependência de linhas de crédito subsidiadas, que acabam restritas pelo teto fiscal e pelas condições orçamentárias do governo federal. Em anos de restrição fiscal ou alta nas taxas de juros, como ocorreu recentemente, a capacidade de atender à demanda dos produtores é comprometida, gerando frustração nas expectativas do setor.

Essa limitação afeta tanto o pequeno produtor, que precisa de capital de giro imediato para o custeio, quanto o grande, que busca financiamento para expansão e modernização tecnológica. Além disso, a burocracia e a lentidão no acesso ao crédito representam gargalos que desestimulam os produtores. Muitos enfrentam dificuldades em atender às exigências documentais e garantias impostas pelas instituições financeiras, especialmente agricultores familiares e cooperativas.

Esse quadro cria desigualdades dentro do próprio setor agropecuário, privilegiando os grandes grupos já estruturados e dificultando a inserção plena de pequenos e médios produtores nas cadeias de valor.

Outro aspecto que evidencia a fragilidade do modelo atual é a falta de diversificação das fontes de financiamento. Embora o crédito rural oficial seja um instrumento essencial, ele não tem sido suficiente para atender ao crescimento do agronegócio.

A baixa integração com mecanismos de mercado de capitais, fundos privados, seguros agrícolas e títulos verdes limita a capacidade de mobilizar recursos em larga escala e de forma contínua. Essa concentração torna o sistema mais vulnerável a crises fiscais e políticas, prejudicando o planejamento de longo prazo no campo.

A retração também aponta para a urgência de alinhar o financiamento com os novos paradigmas de sustentabilidade e inovação. Muitos produtores têm buscado investir em agricultura de baixo carbono, energias renováveis e práticas conservacionistas, mas a falta de linhas específicas, com juros acessíveis e prazos compatíveis, trava avanços mais significativos.

Uma coisa é certa: sem incentivos claros, o Brasil corre o risco de perder competitividade frente a países que já articulam crédito verde e fundos internacionais voltados para a produção sustentável.

A retração no desembolso do crédito rural não pode ser vista apenas como um efeito conjuntural, mas como um sinal das fragilidades estruturais do modelo de financiamento vigente. Para garantir a continuidade da liderança do agronegócio brasileiro, será fundamental ampliar as alternativas de crédito, simplificar o acesso, estimular parcerias público-privadas e integrar de forma mais efetiva o setor financeiro às demandas do campo.

Somente com um sistema de financiamento robusto, diversificado e inovador será possível sustentar o crescimento produtivo, a modernização tecnológica e a transição para uma agricultura cada vez mais sustentável e competitiva.

Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação



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Preço do etanol cai em 15 Estados e no DF, diz ANP



Os preços médios do etanol hidratado caíram em 15 Estados e no Distrito Federal na semana de 24 a 30 de agosto, subiram em 5 e ficaram estáveis em 6 Estados. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Nos postos pesquisados pela Agência em todo o país, o preço médio do etanol recuou 0,48% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,15 o litro.

Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,25% na comparação semanal, a R$ 3,98 o litro.

´A maior queda porcentual na semana, de 6,41%, foi registrada em Goiás. A maior alta no período, no Acre, foi de 13,66%.

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo.

O maior preço, de R$ 6,49, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,86, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro.



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Cotação do boi gordo sobe em São Paulo e Maranhão



Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida




Foto: Canva

De acordo com análise divulgada nesta terça-feira (2) no informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo registrou alta nas cotações em São Paulo. O preço da arroba do boi gordo e da novilha avançou R$ 1,00, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis em relação ao dia anterior.

Segundo o levantamento, “o cenário esteve dividido em dois movimentos. De um lado, ficaram os compradores, que anteciparam negócios para suprir as escalas de abate e negociar a preços mais favoráveis. De outro, a oferta de gado esteve justa, o que contribuiu para uma melhor margem de negociação para pecuaristas e sustentou os preços”. As escalas de abate atenderam, em média, a nove dias. Todos os preços foram brutos e com prazo.

Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida, a demanda seguiu firme e os preços ficaram sustentados. Na região Sul, o boi gordo teve alta de R$ 3,00/@, enquanto as fêmeas mantiveram os mesmos valores. No Oeste do estado, não houve alterações. O “boi China” não teve cotação. Em ambas as regiões, as escalas de abate atenderam, em média, a 13 dias, com preços brutos e a prazo.

No Maranhão, região Oeste, a menor disponibilidade de capim e a limitação das pastagens reduziram a oferta de bovinos. Houve registro de capim apenas em áreas beneficiadas por chuvas esporádicas em julho e agosto. Nesse cenário, a cotação do boi gordo subiu R$ 3,00/@, a da novilha avançou R$ 5,00/@ e a da vaca permaneceu estável. Não houve cotação do “boi China”. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias úteis. Todos os preços foram brutos e com prazo.





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Estado de Mato Grosso poderá plantar soja a partir deste sábado



Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja safra 25/26 vai até o dia 6 de setembro. Nesse período, o plantio é proibido para prevenir a ferrugem-asiática e, a partir dessa data, os produtores poderão iniciar a semeadura, conforme o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Confira todas as datas aqui.

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Vai ter chuva para ajudar o plantio de soja?

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que a reposição do déficit hídrico no estado é essencial para que os trabalhos a campo comecem de forma adequada. Segundo informações do NOAA, nas próximas duas semanas, o volume de chuvas deverá ser insuficiente para viabilizar a semeadura imediatamente após o fim do vazio sanitário em grande parte do território mato-grossense.

O cenário se assemelha ao do ano passado, quando o início das precipitações também foi atrasado, mas houve normalização ao final de setembro. A previsão para o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (Enos) aponta neutralidade, condição que tende a favorecer uma melhor distribuição das chuvas no estado.

O Imea alertou que um atraso maior nas chuvas pode provocar concentração das áreas tanto na semeadura quanto na colheita, aumentando os riscos de atraso no ciclo agrícola. Para a safra 2025/26, a projeção é de 13,01 milhões de hectares plantados com soja.



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Antaq aprova píer flutuante no Amazonas que facilita escoamento de soja e milho



A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, por unanimidade, a autorização para que o Super Terminais opere um píer flutuante em Itacoatiara (AM), município localizado a 175 quilômetros de Manaus. O projeto tem como objetivo atender ao transbordo de granéis sólidos, principalmente soja e milho, fortalecendo a logística da região amazônica e ampliando as alternativas de escoamento de cargas do país.

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O processo foi relatado por Wilson Pereira de Lima Filho, que concluiu que o terminal proposto é juridicamente adequado, tecnicamente viável, atende às normas ambientais e não gera conflitos concorrenciais ou operacionais. O voto foi acompanhado pelos demais diretores da agência reguladora: Caio César Farias Leôncio, Alber Furtado de Vasconcelos Neto e Flavia Morais Lopes Takafashi.

A nova unidade foi enquadrada como TUP (Terminal de Uso Privado), considerando que a estrutura será utilizada para escoamento de cargas por via marítima, com previsão de atendimento a navios graneleiros do tipo Panamax. Esses navios, de grande porte, já operam na região e terão no porto flutuante de Itacoatiara um ponto de apoio para a movimentação de grãos.

O píer flutuante será semelhante ao modelo utilizado emergencialmente para contêineres durante a seca de 2024. A diferença está na dimensão e no objetivo: com 240 metros de extensão, 18 metros de largura e área total de 4.320 metros quadrados, a estrutura contará com três guindastes, cada um com capacidade de até 2.100 toneladas por hora. O píer ficará fixado no leito do Rio Amazonas, exatamente no ponto onde funcionou o porto provisório durante a estiagem que afetou a navegação no ano passado.

A previsão é que o Porto Verde entre em operação em janeiro de 2026. A atividade será exclusivamente dedicada ao transbordo de granéis sólidos entre navios graneleiros e barcaças, sem necessidade de armazenagem das cargas.

Investimento

O investimento total previsto é de R$ 150 milhões. Com a construção e operação do novo píer, a expectativa é de criação de 130 empregos diretos e 250 indiretos em Itacoatiara e municípios próximos. Além da geração de postos de trabalho, a operação deve contribuir para dinamizar a economia local e consolidar a cidade como um polo logístico estratégico do Arco Norte.

Segundo o diretor do Super Terminais, Marcello Di Gregorio, a iniciativa reforça a busca da empresa por eficiência e pela ampliação das rotas de exportação. “Nosso objetivo é levar para Itacoatiara o padrão de eficiência operacional que já é marca registrada do Super Terminais, além de gerar empregos, movimentar a economia do município e impulsionar as exportações de granéis do arco norte, revolucionando as operações tradicionais.”

A cidade já abriga operações portuárias de grande porte e, com a entrada em funcionamento do Porto Verde, ampliará sua capacidade de atender à crescente demanda de exportação de soja e milho. O acesso ao Oceano Atlântico pelo Rio Amazonas fortalece a integração da produção agrícola nacional aos mercados internacionais, principalmente Europa e Ásia.



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Produção industrial recua 0,2% em julho, aponta IBGE



A produção da indústria no país recuou 0,2% na passagem de junho para julho. Com esse resultado, o setor chega a quatro meses seguidos sem crescimento, o que é explicado pelo ambiente de juro alto.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. Em relação a julho de 2024, a produção da indústria nacional mostra avanço de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor apresenta expansão de 1,9%.

O resultado de julho deixa o setor 1,7% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 15,3% abaixo do nível recorde já alcançado, de maio de 2011. Em relação ao patamar final de 2024, o setor teve expansão de 0,3%.

Efeito do juro alto

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para tentar conter a inflação.

“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.

Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo ─ 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, indo até 4,5%.

A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então.

Setores

Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:

  • metalurgia (- 2,3%)
  • outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • bebidas (-2,2%)
  • manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • produtos diversos (-3,5%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1%)

Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).

Em relação às grandes categorias, bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram altas na passagem de junho para julho. Bens de capital são máquinas e equipamentos.

Por outro lado, bens intermediários, ou seja, que serão transformados em outros produtos, cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis aumentaram 0,1%.

Tarifaço

De acordo com André Macedo, o resultado de julho teve reflexos também do tarifaço americano, que só começou na primeira semana de agosto. Isso se explica pelo fato de que a ameaça de taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos mexeu com expectativas e decisões futuras de empresários, principalmente os que têm atividades voltadas para o mercado externo.

Macedo ressalta que a predominância negativa desde abril é fundamentada pela política de juros. “Dentro do resultado geral, [o tarifaço] não tem muita importância no momento”, disse.



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Painel do Agronegócio 2025 e novo BI do setor são lançados na Expointer


Na Expointer 2025, o Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), lançou nesta segunda-feira (1/9) a nona edição do Painel do Agronegócio do Rio Grande do Sul e apresentou o novo BI do Agronegócio, ferramenta interativa que permitirá acompanhar de forma dinâmica os indicadores de exportações e de emprego formal do setor. As duas iniciativas se complementam e reforçam o compromisso do DEE/SPGG em oferecer dados estratégicos para compreender a dinâmica do agronegócio do Rio Grande do Sul.

O lançamento contou com a presença do secretário-adjunto de Planejamento, Governança e Gestão, Bruno Silveira, e dos pesquisadores Sérgio Leusin Júnior, Mariana Lisboa Pessoa e Bruno Paim, que apresentaram os resultados do estudo, elaborado também com Rodrigo Daniel Feix e Adonnay Martins Barbosa.

“O objetivo é contribuir para uma análise estrutural do agronegócio, apresentando novos recortes e informações que ajudam a entender tanto a produção quanto os impactos de questões como a estiagem e o uso da irrigação”, destacou Silveira.

Visão mais ampla

Enquanto o Painel oferece informações consolidadas sobre produção, crédito rural, exportações e impactos climáticos, o BI amplia as possibilidades de análise. Além dos relatórios trimestrais sobre exportações e emprego formal do agronegócio divulgados pelo DEE, o novo BI passa a oferecer atualizações mensais desses dados, garantindo ao público uma visão mais ágil e completa da evolução do setor no RS e no Brasil. O BI do Agronegócio pode ser acessado nesta página.

Em 2024, o agronegócio seguiu sendo peça-chave para a economia gaúcha. O setor respondeu por 72,2% das exportações totais do RS, somando US$ 15,8 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão soja, carnes (suína, frango e bovina), celulose e tabaco, reforçando o peso do setor na balança comercial e na economia estadual.

Temas inéditos

O Painel deste ano apresenta três novas seções. A primeira trata dos portos utilizados para exportações, mostrando que o Porto do Rio Grande concentrou 91,9% do escoamento em 2024, enquanto parte das carnes, dos óleos vegetais e do biodiesel foi embarcada em portos de outros Estados, como Itajaí, São Francisco do Sul e Paranaguá.

Outra seção aborda o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), no qual o RS concentrou 41,9% das adesões nacionais em 2024, somando 129,8 mil contratos e movimentando R$ 9,14 bilhões em crédito.

Também é destaque a análise sobre a recorrência das estiagens e o papel da irrigação no RS. Entre 2003 e junho de 2025, foram registradas 3.418 ocorrências de secas ou estiagens, equivalentes a 56% dos eventos climáticos extremos ligados à precipitação.

O Painel constata que, diante do cenário de aumento na frequência e na intensidade das estiagens, é importante adotar estratégias integradas para mitigar seus impactos no setor agropecuário, entre eles os sistemas de irrigação de alta eficiência. O impacto da irrigação é evidente: em 2021/2022, a soja irrigada produziu 82% a mais do que áreas não irrigadas, enquanto o milho irrigado apresentou rendimento 200% superior.

Esse histórico de vulnerabilidade, segundo o documento, ajuda a explicar a forte demanda do RS por políticas de crédito e seguro rural, como o próprio Proagro.

Características da agricultura gaúcha

O Painel atualiza as características da agricultura do Estado, destacando a relevância de culturas como soja, arroz, milho, trigo e tabaco, que compõem a base da produção agrícola estadual. Além disso, o estudo revela que a agricultura familiar é característica de 80,5% do total de estabelecimentos agropecuários e responde por 72,2% do pessoal ocupado na agropecuária do RS.

O documento também ressalta a importância do cooperativismo. De acordo com dados de 2023, havia 95 cooperativas agropecuárias no Estado, que contavam com mais de 269,9 mil associados e empregavam diretamente 39 mil pessoas.

Tecnologia no campo

Em relação às máquinas e aos implementos agrícolas, o levantamento mostra que o RS é o maior produtor nacional de máquinas e implementos agrícolas e mantém posição de destaque na fabricação de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e semeadeiras. Em 2023, a indústria de máquinas e equipamentos respondeu por 15,4% do valor da transformação industrial do Estado, com mais da metade voltada ao setor agropecuário.

Apesar da retração recente – em 2024, a produção nacional de máquinas caiu 15%, e o RS perdeu 2.068 empregos no setor –, o Estado segue como polo estratégico, com exportações concentradas em tratores, colheitadeiras e pulverizadores para países como Argentina, Paraguai, Estados Unidos, Uruguai e Chile.

Além disso, o Painel aponta que o RS é o segundo da federação em número de startups do agronegócio (Agtechs), com 194 empresas identificadas em 2023. Essas iniciativas desenvolvem soluções tecnológicas voltadas ao campo e reforçam o movimento de inovação no setor.

Agronegócio

O agronegócio compreende as atividades agropecuárias (agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e pesca), a produção de insumos e bens de capital (fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas) e a indústria de transformação da matéria-prima agropecuária (alimentos, biocombustíveis, fumo), além de serviços especializados, armazenagem, distribuição e comercialização dos produtos.





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