sexta-feira, maio 1, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Tarifas dos EUA desafiam carne brasileira


A decisão do governo Trump de impor tarifas de até 50% sobre produtos importados, incluindo a carne bovina brasileira, reacendeu o alerta para o agro nacional. Segundo análise da JPA Agro, maior marketplace agro do Brasil, o “tarifaço” pode alterar a dinâmica do comércio internacional e pressionar a competitividade brasileira.

“Tarifa é imposto, e imposto é preço alto. Não existe almoço grátis na economia. Quando se cria uma barreira como essa, cedo ou tarde ela se reflete no preço final”, afirma Leandro Avelar, CEO da JPA Agro, maior marketplace agro do Brasil e referência em inteligência de mercado no setor.

O impacto direto ao consumidor americano tende a ser limitado, já que a carne bovina representa apenas 0,5% do CPI. Nos últimos 12 meses, o preço subiu 7,2% nos EUA e especialistas projetam alta de até 20% até 2026. No Brasil, porém, a carne bovina tem peso de 3,5% no IPCA e compromete mais de 5% da renda mensal das famílias, o que mostra como o efeito inflacionário é sentido de forma mais intensa.

Para o Brasil, maior exportador global de carne bovina, a sobretaxa pode significar perda de participação de mercado frente a concorrentes como Austrália e Argentina. Além do risco comercial, especialistas ressaltam a importância da diplomacia e da separação entre disputas políticas e pauta econômica, já que os EUA são o segundo maior cliente do país.

A JPA Agro defende ainda que o Brasil precisa atacar gargalos internos – como carga tributária, legislação trabalhista e logística – para ampliar sua competitividade. Enquanto isso, pequenas e médias exportadoras, que dependem fortemente do mercado americano, podem sentir os efeitos mais imediatos.

“Se o aumento de preços não cair no inconsciente popular americano, dificilmente haverá pressão política para mudar. Ao contrário, se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações. Até lá, o Brasil precisa se preparar e reforçar sua competitividade”, conclui o CEO da JPA Agro.





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Empresa portuguesa vence leilão e vai construir o túnel Santos-Guarujá


A empresa Mota-Engil Latam Portugal se sagrou, nesta sexta-feira (5), vencedora do leilão para construir o túnel imerso Santos-Guarujá. A obra, que é uma iniciativa do governo federal, por meio da Autoridade Portuária de Santos (APS), em parceria com o governo de São Paulo, está orçada em R$ 6,8 bilhões.

No leilão, realizado na sede da B3, em São Paulo, a Mota-Engil venceu a disputa propondo desconto de 0,5% sobre a contraprestação que será paga pelo poder público durante a concessão. A outra participante do leilão era a espanhola Acciona Concesiones, que acabou derrotada.

O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que a escolha da empresa torna mais próxima a realização de um sonho de 100 anos.

“Esse é um momento histórico para a população da Baixada Santista e para o porto de Santos”, disse Pomini, que assumiu a diretoria da APS há mais de dois anos tendo como um de seus objetivos concretizar o túnel.

Já pensado desde o início do século 20, o projeto de ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos foi elaborado há 15 anos, durante a gestão do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O projeto recebeu a primeira licença ambiental, o que permitiu a celeridade da atual retomada do processo.

A concessão será na modalidade Parceria Público-Privada (PPP). A Mota-Engil terá a concessão por 30 anos, havendo o retorno do ativo à União/APS após esse prazo. O aporte financeiro da APS viabilizará a obra de natureza infraviária, reforçando a governança do empreendimento.

A APS atua como interveniente e articuladora da comunidade local, aprovando previamente e mitigando impactos regionais e operacionais.

Integração de 9 municípios

Projeto para construção do Túnel Santos-Guarujá
Trajeto do Túnel Santos-Guarujá terá 1,5 km de extensão Foto: Agência de Notícias do Governo de São Paulo

O túnel permitirá maior integração entre os nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas por dia.

Diretamente, hoje, são cerca de 80 mil pessoas que cruzam diariamente o canal por balsa. A travessia é considerada a mais movimentada do mundo, com uma média de 27 mil veículos por dia.

De acordo com o projeto, os veículos de carga, que precisam rodar mais de 40 quilômetros para fazer o percurso, terão o deslocamento reduzido de 40 minutos para pouco mais de 1 minuto.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos, a obra também traz benefícios ambientais, com a redução de 70 mil toneladas de CO₂/ano, ao encurtar o percurso de 45 km (5 mil caminhões/dia) para apenas 960 metros.

A construção do túnel também chega em um momento estratégico, com a implantação do maior terminal de contêineres do complexo, o Tecon Santos 10, com capacidade de 3,5 milhões de TEUs, obra que colocará Santos entre os 20 maiores portos do mundo.



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BRF e Marfrig têm fusão aprovada pelo Cade sem restrições



O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta sexta-feira (5), sem restrições, a incorporação da BRF pela Marfrig, confirmando a decisão previamente adotada pela Superintendência-Geral (SG/Cade).

A operação foi submetida à autarquia em maio deste ano. Segundo o formulário de notificação, o negócio resultará na incorporação, pela Marfrig, de todas as ações da BRF que ainda não estavam sob seu controle. Em contrapartida, os acionistas da companhia incorporada receberão papéis da Marfrig.

A Marfrig é uma multinacional brasileira dedicada à produção de alimentos de alto valor agregado à base de proteína animal, sobretudo bovina, como hambúrgueres e outros produtos prontos para consumo.

Já a BRF, que passará a integrar o grupo, atua na criação, produção e abate de aves e suínos, além da industrialização, comercialização e distribuição de carnes in natura, produtos processados, massas, margarinas, pet food e outros.

Sem preocupações concorrenciais

Em seu parecer, a SG/Cade manifestou-se pela aprovação da operação sem restrições, ao entender que o negócio não traz preocupações concorrenciais.

O documento aponta que a participação conjunta das empresas nos mercados com sobreposição horizontal, em que ambas ofertam produtos semelhantes e concorrentes, é inferior a 20%, percentual abaixo do patamar presumido como posição dominante.

Também verificou que, nos mercados verticalmente integrados, quando uma companhia atua em uma etapa da cadeia produtiva e a outra em estágio subsequente ou anterior, a fatia de cada parte é inferior a 30%, reduzindo a possibilidade de fechamento de mercado.

O caso voltou a ser analisado pela autarquia após a Minerva Foods solicitar habilitação como terceira interessada, alegando riscos concorrenciais. A empresa destacou a participação acionária da Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic), por meio de sua subsidiária Salic International Investment Company (SIIC).

A Salic é acionista da Marfrig e também detém participação na própria Minerva, o que, em sua avaliação, poderia gerar riscos adicionais de efeitos coordenados.

Esses riscos decorreriam de potenciais alinhamentos de incentivos entre concorrentes e da possibilidade de ocorrência de interlocking directorates, situação em que uma mesma pessoa ou grupo participa dos conselhos de administração de empresas rivais, além da troca de informações sensíveis capazes de influenciar decisões estratégicas e reduzir a rivalidade nos mercados afetados.

Em seu voto, o presidente do Cade e relator do caso, Gustavo Augusto, conheceu o recurso apresentado pela terceira interessada e deu-lhe parcial provimento, destacando que a participação da Salic e da SIIC no capital da MBRF não faz parte do objeto analisado nesta operação.

Já o conselheiro Victor Fernandes divergiu, entendendo que o recurso não deveria ser conhecido. Para ele, o suposto risco de interlocking directorates não representa preocupações relevantes no mercado de carne bovina in natura.

O voto ressaltou a existência de mecanismos que impedem a troca de informações sensíveis, o caráter financeiro do investimento da Salic e as regras estatutárias da BRF que vedam a participação em decisões em caso de conflito de interesses.

O Tribunal, por maioria, seguiu o voto do conselheiro Victor Fernandes e não reconheceu o recurso. No mérito, o colegiado, por unanimidade, manteve a decisão da SG/Cade e aprovou a operação, de acordo com o voto do presidente Gustavo Augusto.



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Renegociação atenderá plenamente 100% dos produtores endividados, diz Fávaro



O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, avalia que a Medida Provisória (MP) que autoriza a renegociação das dívidas de produtores rurais afetados por intempéries climáticas atenderá a plenamente os produtores endividados.

“100% dos produtores rurais terão oportunidade de renegociar suas dívidas. Serão R$ 12 bilhões do Tesouro para equalização dos juros e estímulo dentro da MP para bancos renegociarem com recursos próprios da ordem de R$ 20 bilhões. Portanto, serão R$ 32 bilhões para a renegociação das dívidas”, afirmou Fávaro a jornalistas nos bastidores da Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul, onde ministros anunciaram a medida.

O ministro explicou que os valores que superarem os limites de enquadramento dos produtores previstos na MP para renegociação das dívidas com juros controlados poderão ser alongados com juros livres.

Isso ocorrerá, segundo Fávaro, dentre um incentivo que a MP trará para bancos renegociarem dívidas com recursos próprios.

“Serão R$ 12 bilhões destinados pelo Tesouro à repactuação das dívidas com limite de até R$ 3 milhões por produtor e um incentivo ao sistema financeiro que pode agregar mais R$ 20 bilhões para as renegociações. Isso vai permitir que todos produtores tenham alternativa nova para repactuação das dívidas. Ao valor que exceder os R$ 12 bilhões, produtores terão alternativa de negociar com taxas pré-fixadas ou pós-fixadas”, detalhou o ministro.

Fávaro defendeu ainda “coerência com o orçamento” público. “Os estudos apresentados tecnicamente pelo Banco Central mostram que 96% dos produtores rurais serão atendidos dentro das próprias faixas de limite de enquadramento, podendo migrar para a faixa de cima e para o crédito com recursos próprios do banco”, observou o ministro.

Recursos para a renegociação

A MP foi assinada nesta sexta-feira (5), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ser publicada ainda nesta sexta em edição extra do Diário Oficial. Serão R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro para renegociação de dívidas com juros controlados.

A medida será válida para pequenos, médios e grandes produtores, com expectativa de alcançar até 100 mil produtores rurais. Poderão acessar o crédito, produtores com perdas em duas safras nos últimos cinco anos em municípios que decretaram duas vezes calamidades nesse período. A MP terá abrangência nacional.

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Fávaro destacou que os financiamentos com recursos controlados terão nove anos de prazo de pagamento com uma ano de carência e começo das parcelas em 2027. “Os juros serão altamente subsidiados com taxas de 6% a 10% ao ano conforme os portes de produtores ante uma Selic desproporcional de 15%”, afirmou o ministro.

Pequenos produtores

Pequenos produtores, enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), poderão acessar até R$ 250 mil em recursos com juros de 6% ao ano.

Médios produtores, no âmbito do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), terão acesso a crédito de até R$ 1,5 milhão com juros de até 8% ao ano e demais produtores poderão acessar R$ 3 milhões com juros de 10% ao ano.

A renegociação das dívidas dos agricultores é um pleito sobretudo de produtores do Rio Grande do Sul, que tiveram a produção afetada nas últimas seis safras por secas e enchentes consecutivas e pediam a securitização dos empréstimos.

“Tenho certeza que as medidas atenderão plenamente os produtores endividados e vai permitir que os bancos retomem o Plano Safra 2025/26, que estava prejudicado por essa inadimplência dos produtores. A partir de agora, ele deve ganhar volume e rapidez”, apontou o ministro.



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AgroNewsPolítica & Agro

Soja em leve alta em Chicago


A soja negociada em Chicago encerrou a quinta-feira (05) em leve alta, sustentada pela deterioração das lavouras nos Estados Unidos e por compras de oportunidade. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos da oleaginosa conseguiram reverter as perdas iniciais e fecharam o dia em terreno positivo, refletindo preocupações sobre a produtividade americana diante do avanço da seca no Centro-Oeste.

No fechamento, o contrato de soja para novembro subiu 0,15% ou US$ 1,50 cents/bushel, a US$ 1.033,00, enquanto janeiro avançou 0,14% ou US$ 1,50 cents/bushel, a US$ 1.051,50. No farelo, outubro registrou alta de 0,90% ou US$ 2,50/ton curta, a US$ 280,10. Já o óleo de soja, também para outubro, encerrou com valorização de 0,14% ou US$ 0,07/libra-peso, cotado a US$ 51,51.

Apesar do suporte climático, o mercado segue pressionado pela ausência contínua de compras chinesas, que impede altas mais expressivas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a proporção de lavouras em boas ou excelentes condições, reforçando expectativas de menor produtividade. A consultoria americana Allendale também revisou suas estimativas, prevendo safra de 116,16 milhões de toneladas, abaixo dos 116,82 milhões projetados pelo USDA em agosto, com produtividade média de 3.583 quilos por hectare, frente aos 3.605 quilos anteriormente calculados.

O mapa semanal de monitoramento da seca mostrou aumento significativo das áreas afetadas: a seca moderada no Centro-Oeste cresceu de 4,51% para 14,18%, e a área de soja sob algum grau de seca passou de 11% para 16%. Apesar do avanço, os números ainda permanecem abaixo dos 19% registrados no mesmo período de 2024, o que traz algum alívio, mas não afasta o viés de cautela no mercado.

 





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veja como as cotações encerraram a semana



O mercado físico do boi gordo encerra a semana apresentando predominante acomodação dos preços, com manutenção do padrão dos negócios em grande parte do país.

Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, Mato Grosso pode ser apontado como uma exceção, com tentativas de compra em patamares mais baixos.

“Os frigoríficos de maior porte ainda dispõem de boa incidência de animais de parceria (contratos a termo), além da utilização de confinamentos próprios”, diz.

De acordo com ele, as exportações seguem como o grande destaque da atual temporada, com forte ritmo de embarques nas últimas semanas. O destaque segue para as vendas com destino ao México e a China.

  • São Paulo: R$ 311,42 — ontem: R$ 312,17
  • Goiás: R$ 303,57 — inalterado
  • Minas Gerais: R$ 298,24 — R$ 299,12
  • Mato Grosso do Sul: R$ 319,89 — R$ 319,66
  • Mato Grosso: R$ 309,66 — R$ 311,69

Mercado atacadista

O mercado atacadista encerra a semana apresentando firmeza dos preços em grande parte do país. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela alta das cotações no curto prazo, considerando o efeito da entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo.

“Vale o destaque de a carne de frango ainda dispor de maior competitividade frente às demais proteínas de origem animal, em especial se comparado com a carne bovina”, ressalta.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 24 por quilo, o dianteiro a R$ 18,10 e a ponta de agulha segue no patamar de R$ 17,10 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,58%, sendo negociado a R$ 5,4150 para venda e a R$ 5,4130 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3825 e a máxima de R$ 5,4395. Na semana, a moeda teve desvalorização de 0,13%.



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Confira os preços da soja na primeira semana de setembro



Nesta sexta-feira (5), o mercado brasileiro de soja teve uma sessão moderada, com negócios pouco expressivos. Segundo Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, os prêmios registraram alta consistente, mas a desvalorização do dólar e as perdas em Chicago limitaram a reação das cotações.

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O cenário é voltado às vendas semanais de soja nos EUA, para as expectativas em torno da colheita americana e para o aguardado relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, do mês de setembro.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): caiu de 134,50 para 134,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em 135,00
  • Rio Grande (RS): caiu de 141,00 para 140,00
  • Cascavel (PR): manteve em 136,00
  • Paranaguá (PR): caiu de 141,00 para 140,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em 127,00
  • Dourados (MS): subiu de 126,00 para 127,00
  • Rio Verde (GO): manteve em 125,00

A soja em Chicago

Em Chicago, os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias (CBOT) fecharam a sexta-feira (5) com preços mais baixos, ampliando as perdas acumuladas na semana. O mercado tentou reação com cobertura de posições vendidas, mas o cenário fundamental voltou a pressionar as cotações. Na semana, o contrato novembro, o mais negociado, recuou 2,6%.

O mercado ainda se mostra cético sobre um acordo comercial entre China e Estados Unidos e não vê indício de recuperação da demanda chinesa pela soja americana. Além disso, a safra americana se desenvolve bem e o próximo relatório do USDA deve confirmar uma boa produção. No Brasil, a sinalização é de mais uma safra cheia em 2025/26, rompendo a casa de 180 milhões de toneladas.

Exportações norte-americanas

As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2024/25, com início em 1º de setembro, ficaram negativas em 23.800 toneladas na semana encerrada em 28 de agosto. Para a temporada 2025/26, ficaram em 818.500 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 300 mil e 1,6 milhão de toneladas, somando-se as duas temporadas.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 123.000 toneladas de soja para destinos desconhecidos, para entrega na temporada 2025/26. Também informaram uma operação envolvendo 204.650 toneladas de soja recebidas no período coberto pelo relatório para destinos desconhecidos na temporada comercial 2025/26.

Produção brasileira de soja 25/26

A produção brasileira de soja em 2025/26 deverá totalizar 180,92 milhões de toneladas, com elevação de 5,3% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 171,84 milhões de toneladas, de acordo com Safras & Mercado. Em 11 de julho, data da estimativa anterior, a projeção era de 179,88 milhões de toneladas.

Safras indica aumento de 1,2% na área, estimada em 48,21 milhões de hectares. Em 2024/25, o plantio ocupou 47,64 milhões de hectares. O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.625 quilos por hectare para 3.771 quilos.

Contratos futuros de soja

Nos contratos da soja em grão com entrega em novembro, houve baixa de 6,00 centavos de dólar, ou 0,60%, a US$ 10,27 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 10,45 1/2 por bushel, com baixa de 6,00 centavos ou 0,59%. Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou inalterada, a US$ 284,00 por tonelada.

No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 51,23 centavos de dólar, com perda de 0,73 centavo ou 1,40%.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,58%, sendo negociado a R$ 5,4150 para venda e a R$ 5,4130 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3825 e a máxima de R$ 5,4395. Na semana, a moeda teve desvalorização de 0,13%.



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Expointer supera trauma de 2024 e indica futuro do agro gaúcho


Ao se aproximar da Expointer os visitantes têm uma breve ideia do que vão vivenciar durante a feira: a fila de carros já da um ótimo indicativo da quantidade de pessoas envolvidas no evento, sejam profissionais atuando, representantes setoriais, políticos e, logicamente, visitantes. São 70 mil metros quadrados no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil.

Ao entrar na feira para quem já viveu a Expointer as sensações são bastante familiares: os cheiros, sabores, o vai e vem da organização, dos expositores. Os animais são um capítulo à parte. Refino genético ao extremo, apenas o melhor do melhor, touros premiados, matrizes de primeira categoria, entre outros animais que mostram a capacidade do desenvolvimento genético no Brasil, aumentando significativamente os índices de produtividade da pecuária brasileira.

Para pessoas que são visitantes a diversão é garantida, com muito entretenimento, música, boa comida e boa bebida. Mas a Expointer vai muito além disso, visto que as negociações acontecem o tempo todo, com cifras representativas.

Após a tragédia de 2024 é ótimo ver um evento que deixa evidente a resiliência do agronegócio gaúcho, de fato uma potência.

Desafios do produtor gaúcho

Os desafios vivenciados pelo produtor gaúcho são muitos ao longo da década, considerando que o clima não foi necessariamente gentil com o mercado local. Quebras de safra causadas por estiagem prolongada durante os anos de La Niña, que também afetaram a pecuária gaúcha, e impactaram nos níveis de produtividade.

No Setor Carnes a tragédia de 2024 também produziu vulnerabilidades na blindagem sanitária dentro das granjas, com registro de um foco de Newcastle e o inédito foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP – gripe aviária) em aves comerciais registrado no primeiro semestre de 2025.

A crise de crédito que afeta o agronegócio brasileiro é mais incisiva no Rio Grande do Sul, que precisa de mais linhas para conseguir sustentar uma produção agrícola de alto padrão, uma marca histórica do estado.

Os juros são altos e muitas vezes estrangulam as margens do produtor local. A contratação do seguro agrícola é outro desafio, algo que se tornou bastante complicado após anos problemáticos.

A Expointer é a prova da grandeza do agronegócio gaúcho, com a capacidade singular de se reinventar diante de tantos desafios e de anos complicados. Apesar dos desafios e dos problemas recorrentes, algo é certo no restante da década: o agronegócio gaúcho tende a se fortalecer, gerando emprego e renda para o estado.

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Chuvas estão chegando, mas quando? Saiba como fica o tempo até o início de outubro



O vazio sanitário da soja termina neste domingo (7) em Mato Grosso, o que libera oficialmente o início do plantio da safra 2025/26, que pode se estender até 7 de janeiro. No entanto, as condições climáticas atuais preocupam os produtores. Afinal, quando as chuvas chegam a Mato Grosso e outras regiões do Brasil?

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De acordo com previsões meteorológicas, o Centro-Oeste, o Sudeste e o Matopiba apresentam níveis de umidade do solo abaixo de 20%, o que caracteriza um cenário de forte estiagem. Nos próximos cinco dias, praticamente não há previsão de chuvas significativas para o Centro-Oeste, dificultando o início do plantio.

Apenas áreas do oeste de Mato Grosso, como Juína, devem registrar pancadas de chuva entre 15 e 20 milímetros, o suficiente para favorecer os primeiros trabalhos no campo. Já o centro-leste do estado só deve receber precipitações mais regulares na virada do mês, entre a última semana de setembro e a primeira de outubro.

Chuvas se espalharão a partir do dia 16

Entre 16 e 20 de setembro, a expectativa é de que as chuvas se espalhem também por Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, mas ainda de forma irregular e pouco volumosa. Em regiões produtoras como Diamantino, por exemplo, a previsão indica retorno mais consistente das precipitações apenas a partir da segunda quinzena de setembro, quando chega a primavera.

Até lá…

O alerta segue ligado: além da escassez de chuvas, as temperaturas máximas devem atingir até 40 °C em várias localidades, aumentando a preocupação do produtor quanto às condições de plantio e desenvolvimento inicial das lavouras.



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Confira como está o mercado da soja


O estado do Rio Grande do Sul projeta recuperação recorde e mercado apresenta queda regional de preços para a soja, segundo informações da TF Agroeconômica. “As indicações de preços para pagamento em meados de setembro, com entrega entre agosto e setembro, ficaram em R$ 140,00 nos portos. No interior, as cotações marcaram perda em torno de R$ 134,00 por saca em Cruz Alta. Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz ficaram em R$ 134,00 variando conforme a data de pagamento, enquanto em Panambi o preço de pedra foi registrado em R$ 122,00 por saca ao produtor”, comenta.

Santa Catarina define regras para a nova safra e mantém estabilidade nas cotações. “O mercado de soja em Santa Catarina acompanha a estabilidade nacional, com negociações em ritmo lento e cotações sem variação entre as principais praças. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,84”, completa.

Enquanto isso, o Paraná inicia transição para nova safra com mercado de soja em ritmo moderado. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,50 (+0,35%). Em Cascavel, o preço foi 130,29 (+1,45%). Em Maringá, o preço foi de R$ 133,32 (+2,59%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,45 (+1,34%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 124,00 (+0,81%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, indica.

No Mato Grosso do Sul, a soja amplia crédito rural e mercado de soja registra mercado dividido. “Esse comportamento reflete a dinâmica interna da comercialização e reforça a necessidade de avanços em capacidade de armazenagem para sustentar o ritmo de crescimento do polo agrícola sul-mato-grossense. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 121,00 (-2,035), Campo Grande em R$ 121,00 (-1,87%),Maracaju em R$ 122,00 (-1,05%), Chapadão do Sul a R$ 122,45 (+0,54%), Sidrolândia a em R$ 123,30”, informa.

Mato Grosso mantém valorização da soja apesar da queda em Chicago. “A insuficiência de silos obriga os produtores a venderem parte expressiva da safra logo após a colheita, momento em que a pressão sobre os preços é maior. Campo Verde: R$ 123,50 (+2,70%). Lucas do Rio Verde: R$ 119,16, Nova Mutum: R$ 119,16. Primavera do Leste: R$ 123,50 (+2,18%). Rondonópolis: R$ 130,00 (+8,11%). Sorriso: R$ 119,30 (+0,21%)”, conclui.





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