O período de adaptação de bovinos ao confinamento é considerado uma das fases mais críticas para o bem-estar e o desempenho dos animais. Nesse contexto, a empresa FBR Saúde Animal apresentou, durante reunião da Sociedade Americana de Ciência Animal, nos Estados Unidos, resultados de um estudo que avaliou o impacto de soluções nutricionais no ganho de peso e na eficiência alimentar de bovinos confinados.
Segundo Arquimedes Júnior, zootecnista e mestre em nutrição de ruminantes, os dados mostram que intervenções adequadas já nos primeiros dias de confinamento podem garantir melhores resultados até o fim do ciclo produtivo.
“O período de adaptação é desafiador porque os animais chegam de diferentes origens, passam a conviver em novos lotes e precisam se ajustar a uma dieta e a um ambiente totalmente diferentes. Esse processo envolve mudanças comportamentais, fisiológicas e até imunológicas, o que pode gerar estresse e reduzir o desempenho”, explica.
De acordo com o especialista, quando o animal passa por situações de estresse nessa fase, há queda no consumo de matéria seca, maior risco de doenças e redução no ganho de peso, comprometendo a rentabilidade do confinamento.
“Estamos falando de um sistema intensivo e curto, de 100 a 120 dias. Se o boi perde desempenho nos primeiros 20 ou 25 dias de adaptação, isso compromete praticamente um quarto do ciclo. Cada dia faz diferença na lucratividade da operação”, reforça Arquimedes.
Estudo reúne dados preliminares de seminários regionais
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Foto: Divulgação
Na tarde desta quinta-feira (4/9), a Expointer recebeu a apresentação dos resultados preliminares do diagnóstico das agroindústrias familiares do Rio Grande do Sul. O trabalho é fruto da parceria entre a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e a Emater/RS-Ascar.
O estudo busca compreender os principais desafios e demandas das agroindústrias cadastradas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF). Atualmente, o programa conta com mais de 4 mil agroindústrias cadastradas e oferece crédito subsidiado, benefícios tributários, acesso a feiras e ao selo Sabor Gaúcho. O apoio requerido ao DEE-SPGG consistiu na sistematização e interpretação de informações obtidas a partir de seminários regionais, conduzidos com os principais beneficiários do programa, que reuniram mais de 1.800 participantes em 12 regiões do Estado, nos anos de 2024 e 2025. As informações dos seminários são de caráter qualitativo e coube ao DEE a sua sistematização e análise estatística.
A apresentação também marcou o lançamento da Pesquisa de Diagnóstico das Agroindústrias Familiares, que será conduzida em campo a partir de setembro. O questionário, elaborado pelo DEE/SPGG, vai aprofundar dimensões como caracterização produtiva, comercialização, situação financeira, sucessão familiar, meio ambiente e qualidade de vida.
Para o diretor-adjunto do Departamento de Agroindústria Familiar da SDR, Maurício Neuhaus, o levantamento de dados é fundamental para que possamos compreender com clareza a realidade das famílias que vivem da agroindustrialização no meio rural. “A partir dessas informações, conseguimos embasar políticas públicas mais justas e eficazes, que atendam às necessidades dos produtores, valorizem seu trabalho e incentivem o desenvolvimento das agroindústrias familiares”, concluiu Neuhaus.
“Este levantamento vai gerar informações fundamentais para aprimorar as políticas públicas voltadas às agroindústrias familiares e ao fortalecimento da agricultura no Estado”, destacou o pesquisador do DEE/SPGG, Rodrigo Feix.
A categoria de pescadores artesanais brasileiros aprovou neste sábado (6), em Brasília, o 1º Plano Nacional do Pescador Artesanal, que prioriza a defesa do Projeto de Lei (PL) 131 de 2020.
A proposta prevê a demarcação dos territórios tradicionais da pesca artesanal. Ao todo, 2 milhões de trabalhadores vivem da atividade no país ─ 50% deles no Nordeste, e 30% no Norte.
“Sem território, não há vida. Com a provação desse PL, poderemos delimitar os territórios pesqueiros e brindar as presentes e futuras gerações com esses territórios, reconhecendo que o território pesqueiro é a terra, o mar, as roças e as manifestações culturais”, disse a pescadora e coordenadora do Fórum Nacional da Pesca Artesanal, Ana Flávia Pinto.
Cerca de 150 delegados que representam comunidades pesqueiras de todo o país aprovaram o 1º Plano Nacional de Pescadores Artesanais, que deve nortear, nos próximos 10 anos, as políticas públicas para a categoria. Ao todo, cerca de 650 representantes da categoria participaram da construção do plano, iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Para a pescadora Ana Flávia, o principal problema da categoria é o avanço de empreendimentos sobre os territórios tradicionais dessas comunidades. Por isso, há a necessidade de reconhecer esses territórios.
“Às vezes, a comunidade tem documentação, mas não consegue pescar. A questão da especulação imobiliária, dos grandes empreendimentos, não só de petróleo e gás, mas de hidrelétricas e energia eólica, que ainda é uma falsa solução para as comunidades pesqueiras”, disse a representante do Movimento dos Pescadores e Pescadores Artesanais do Brasil (MPP).
Acesso preferencial
Ana Flávia Pinto, coordenadora do Fórum Nacional da Pesca Artesanal (camiseta amarela) comemora aprovação Foto: Felipe Araújo
O PL 131/2020 prevê que são garantidos às comunidades pesqueiras tradicionais “o acesso preferencial aos recursos naturais e seu usufruto permanente, bem como a consulta prévia e informada quanto aos planos e decisões que afetem de alguma forma o seu modo de vida e a gestão do território”.
A Plenária Nacional de Pescadores Artesanais realizada nesta semana, em Brasília, é a última etapa de um processo realizado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para criar o 1º Plano Nacional de políticas públicas para categoria.
O documento produzido deve guiar o Programa Povos da Pesca Artesanal, criado pelo governo federal ainda em janeiro de 2023.
“É um momento histórico para nós da comunidade pesqueira. Esse Plano Nacional da Pesca Artesanal é um instrumento de defesa, de luta, que você tem como garantir que, de fato, essas políticas públicas cheguem na ponta, para podermos cobrar”, avaliou Ana Flávia, pescadora do município de Ubatuba (SP).
O secretário nacional da pesca artesanal, Cristiano Ramalho, disse que o governo vai apoiar a iniciativa de demarcar esses territórios, conforme pede a categoria.
“Não há uma política ainda governamental que reconheça os territórios tradicionais da pesca artesanal, como existe com as populações quilombolas e povos indígenas. Então, há um pedido para que haja também esse reconhecimento”, salientou.
“É necessário a sociedade brasileira saber que essa categoria é fundamental para a segurança alimentar e tem um patrimônio cultural maravilhoso. Os povos da pesca artesanal são ainda fundamentais para combater emergência climática”, comentou o secretário Cristiano.
Seguro defeso
As lideranças dos pescadores também pedem que sejam feitas alterações nas novas regras criadas pela Medida Provisória 1303 de 2025, que prevê regras mais rígidas para acesso ao seguro defeso, auxílio pago aos pescadores durante o período de reprodução dos peixes.
Entre as novidades, que passam a valer em outubro deste ano, está a exigência para apresentação de notas fiscais de venda do pescado, comprovantes de contribuição previdenciária, fornecer endereço da residência, além de ter que apresentar relatórios mensais da atividade.
“Cada peixe que eu for vender ter nota fiscal é muito difícil para a pesca artesanal, principalmente com a maioria da comunidade pesqueira que, tendo todo o saber tradicional, tem dificuldade no estudo, na leitura, nesses processos”, comentou Ana Flávia.
A liderança informou que está em diálogo com as autoridades para tentar ajustar as regras por meio da regulamentação infralegal.
“A gente está em diálogo o ministro [André de Paula] para a gente conseguir, antes que ele vire um decreto, adequar de fato com a realidade, para não cair de novo numa armadilha”, completou.
O secretário nacional da pesca artesanal disse que o ministério vai levar as demandas da categoria para o “centro do governo” e defendeu a necessidade de regras mais rígidas para combater fraudes.
“Estão sendo feitos ajustes no diálogo com as comunidades pesqueiras. Mas acho importante essa iniciativa do governo contra as fraudes, porque assim a gente garante direitos”, argumentou.
Outras políticas do Plano
O 1º Plano Nacional de Pescadores Artesanais do país ainda prevê projetos para educação diferenciada e popular nas comunidades tracionais; medidas de saúde pública específicas para essas comunidades; apoio ao turismo de base comunitária; ações para criar estruturas que agreguem valor ao pescado artesanal, entre outras.
Na abertura da Plenária Nacional, no início da semana, foi assinado acordo para o Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, que tem como objetivo a criação de mais 800 bolsas para jovens de comunidades pesqueiras artesanais do Brasil.
O secretário Cristiano Ramalho antecipou ainda que a pasta está em diálogo com o Ministério da Saúde para lançar um primeiro programa de saúde para os povos da água no início de 2026.
“Outro tema em debate é a permanente valorização das mulheres pescadoras, seja com políticas de crédito e apoio as organizações produtivas que elas têm nos territórios”, finalizou.
Pecuaristas, a celebração da qualidade na pecuária brasileira tem um palco de destaque: o Circuito Nelore de Qualidade. Em Marcelândia, no estado de Mato Grosso, o evento se reuniu para premiar os campeões que estão fazendo um trabalho de ponta com a raça, consolidando a região como um verdadeiro polo de excelência. Já clica aí pra assistir ao vídeo abaixo e conferir essa história que é pura inspiração e reconhecimento para a pecuária nacional!
Essa celebração da qualidade do nelore foi o grande assunto do quadro Giro pelo Brasil na última sexta-feira (5).
O tradicional quadro do programa Giro do Boi, do Canal Rural, mostra como o Brasil está produzindo carne de alta qualidade, segura e com rastreabilidade para os consumidores. A história de hoje é um desses bons exemplos da pecuária de corte da “prateleira de cima”.
Quem fez questão de apresentar os resultados dessa etapa importante foi o Cristiano Carvalho Braida, gerente da unidade da Friboi de Colíder, no estado de Mato Grosso.
A etapa, realizada na unidade da Friboi de Colíder, reuniu 769 animais, sendo 241 bois e 528 fêmeas, vindos de 6 lotes de bois e 6 lotes de fêmeas, o que demonstra a força e a dedicação da pecuária da região.
Os campeões de Marcelândia e região
Lote de novilhas campeãs. Foto: Divulgação/Friboi de Colíder (MT)
E, claro, teve premiação para quem fez bonito! O Circuito Nelore de Qualidade, realizado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), reconheceu o trabalho e a dedicação dos pecuaristas que se destacaram:
Campeões na categoria Novilhas Nelore:
1º lugar: Algacir Fistarol, da Fazenda João de Barro, em Marcelândia (MT).
2º lugar: Adilson Francisco Fistarol, também da Fazenda João de Barro, em Marcelândia (MT).
3º lugar: Vanessa Cristina Strapazzon, da Fazenda Rio Pequeno, em Marcelândia (MT).
Campeões na categoria Machos Nelore:
1º lugar: Edras Soares, da Fazenda Telles Pires, em Nova Canaã do Norte (MT).
2º lugar: Vanessa Cristina Strapazzon, da Fazenda Rio Pequeno, em Marcelândia (MT).
3º lugar: Lourival Antônio Sguissardi, da Fazenda Eldorado, em Nova Canaã do Norte (MT).
Os resultados demonstram a excelência de produtores da região de Marcelândia em produzir gado nelore de alta qualidade, com um trabalho que se traduz em peso, rendimento de carcaça e maior rentabilidade.
Circuito Nelore de Qualidade: o fomento à raça
O Circuito Nelore de Qualidade, promovido pela ACNB desde 1999, tem como objetivo fortalecer a genética da raça nelore e posicioná-la como produtora de carne de alta qualidade.
A iniciativa avalia os resultados obtidos pelos produtores em seus diferentes sistemas de produção, incentivando a evolução contínua da nossa pecuária. Promovido com o apoio da Friboi e outros parceiros, o Circuito é o maior campeonato de avaliação de carcaças de bovinos do mundo.
Um ciclone extratropical deve trazer fenômenos intensos para o Sul do país no início desta semana, com temporais, ventania e queda de granizo. O Sudeste também será impactado, mas de forma mais localizada e amena.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Nas demais regiões do país, destaque para as temperaturas máximas que podem exceder os 40°C. Confira a previsão do tempo do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, entre esta segunda (8) e sexta-feira (12):
Sul
A formação de um ciclone extratropical no litoral gaúcho fará a semana começar com pancadas de chuva, risco de temporais e queda de granizo, além de rajadas de vento acima de 60 km/h em todo o Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, atingindo, também, o oeste do Paraná. Nessas localidades, a previsão indica acumulado de chuva entre segunda e terça (8 e 9) entre 40 mm e 60 mm. Já no paranaense não chove e a temperatura máxima deve ficar acima dos 30ºC, elevando o risco para focos de incêndio. A partir de quarta-feira (10), o tempo fica mais firme em todo o Sul e as temperaturas voltam a subir gradativamente.
Sudeste
O ciclone que atua sobre o Sul deve chegar ao Sudeste na terça-feira (9), com rajadas de vento intensas em São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, o suficiente para derrubar árvores e interromper o abastecimento de energia elétrica. A semana também começa com pancadas de chuva no litoral do Sudeste, além de no leste mineiro. Enquanto isso, grande parte da região permanece com tempo firme e predomínio de sol. As temperaturas voltam a se elevar em São Paulo e no Rio de Janeiro após um fim de semana frio. Atenção para a umidade do ar abaixo de 30% em boa parte dos territórios paulista, mineiro e fluminense, com destaque para as regiões interioranas, onde os termômetros devem chegar a até 37ºC. Quanto à chuva, Rio de Janeiro, Espírito Santo e leste de Minas Gerais devem receber, no máximo, 10 mm até sexta-feira (12).
Centro-Oeste
No decorrer da semana, a chuva se concentra no extremo sul de Mato Grosso do Sul e no noroeste de Mato Grosso, com acumulados entre 20 mm e 30 mm. No extremo norte mato-grossense, a segunda-feira (8) será de pancadas de chuva ocasionais. Nas demais áreas do Centro-Oeste a tendência é tempo quente e seco, com precipitações previstas apenas no início da primavera, entre os dias 20 e 22 de setembro. De forma geral, até sexta-feira, o padrão de tempo na região permanece com temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar a 41°C, especualmente no centro-norte de Mato Grosso do Sul, em Goiás e em Mato Grosso.
Nordeste
As chamadas “ondas de leste” continuam a atuar no litoral do Nordeste, levando chuva entre 10 mm e 20 mm ao longo da semana para Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte. Contudo, as temperaturas seguem elevadas em grande parte do Nordeste, com umidade relativa do ar abaixo de 30% e temperaturas de até 38°C nas regiões de interior. A chuva deve começar a retornar com mais força apenas nas últimas semanas de setembro.
Norte
Nesta segunda-feira, a previsão indica diminuição das pancadas de chuva em Rondônia e no Acre. Porém, há risco de temporais que ainda atingem grande parte da faixa oeste e também o oeste do Pará. O calor e o tempo seco predominam especialmente no Tocantins e sul paraense, com umidade relativa do ar abaixo de 30%. No Amazonas, em Roraima e em Rondônia o acumulado de chuva ao longo da semana deve ficar entre 30 mm e 40 mm. Contudo, o calorão e o tempo seco prevalecem no centro-sul paraense e no Tocantins, com máximas que ficam acima dos 40°C.
Com a abertura oficial da 48ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, nesta sexta-feira (5/9), mais uma edição da feira reforça a importância do campo e as possibilidades de um futuro promissor para o setor agropecuário. A solenidade começou com a execução do Hino Nacional pela banda marcial da Brigada Militar, acompanhada pelos cantores Pirisca Grecco e Ariane Winkler.
Com apresentações de grupos de dança e música típicos, o evento enalteceu a força do campo gaúcho para enfrentar obstáculos, superar crises e se reerguer, sempre com o olhar voltado para o futuro.
Em seu discurso, o governador Eduardo Leite destacou as ações do governo estadual em apoio aos produtores rurais e na ampliação das condições de produção no Rio Grande do Sul. “A Expointer é o momento de celebrar tudo o que temos de melhor no campo gaúcho: a nossa capacidade de produzir, inovar e gerar riqueza. Mas é também o espaço de ouvir e valorizar as demandas legítimas dos nossos produtores, que sustentam o desenvolvimento do Rio Grande e do Brasil”, afirmou Leite. “A dor dos nossos produtores é real, marcada por dívidas que se acumulam depois de sucessivas estiagens. Essas demandas justas não podem ser ofuscadas ou capturadas por tentativas de capitalização político-eleitoral, porque o que está em jogo é o futuro do nosso agro e da nossa economia”, completou.
Leite também ressaltou os avanços entregues pelo Estado nos últimos anos. Entre as medidas, citou a redução de 50% no crime de abigeato, com a criação de delegacias e patrulhas especializadas para proteger propriedades rurais; a retomada da capacidade de investimentos em estradas; a desburocratização de projetos de irrigação; e a execução do maior programa de recuperação e enriquecimento de solos da história gaúcha.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, reforçou o papel da Expointer como espaço de transformação e de esperança. “Cada dívida não paga, cada safra perdida é também um golpe no coração do produtor que se considera responsável pela família, e teme falhar em seu papel. Mas, hoje não estamos aqui para nos afundar na dor, e sim para transformá-la em força. A Expointer existe para isso, ser o palco onde a esperança se faz presente, a recuperação encontra elementos concretos, a solidariedade e as soluções começam a germinar. É um ambiente para reconectar laços, promover renegociações e inspirar decisões que aliviem esta carga emocional e financeira. É a oportunidade coletiva de transformação”, afirmou Brum.
Entre as novidades desta edição, Brum citou a GurIA, ferramenta que auxilia os visitantes na circulação pelo parque, facilitando o acesso à programação e aos espaços, além da infraestrutura renovada, com ampliação das vagas de estacionamento e criação de novos ambientes de convivência.
O secretário do Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, também ressaltou a relevância da agricultura familiar. “A Expointer é um retrato fiel do que o Rio Grande do Sul é, força, tradição, inovação e coragem. Hoje ao abrirmos oficialmente a 48ª edição, quero destacar um espaço que traduz a alma desta feira, o Pavilhão da Agricultura Familiar. Dos 365 mil estabelecimentos agropecuários, 293 mil são da agricultura familiar, um número que fala por si. É a base da nossa produção, da nossa economia e da identidade do povo gaúcho. Mesmo em momentos difíceis, tem mostrado que é o caminho para o desenvolvimento, a geração de renda e a retomada da confiança”, destacou Covatti.
Medalha Assis Brasil
Durante a cerimônia, também foram entregues as medalhas Assis Brasil, condecoração instituída em memória do mestre do ruralismo brasileiro Joaquim Francisco de Assis Brasil. A honraria é destinada a pessoas que se destacam por serviços excepcionais à agricultura e à pecuária, sendo concedida anualmente na abertura oficial da Expointer.
Este ano, foram homenageadas as seguintes personalidades:
Paulo Roberto da Silva – engenheiro agrônomo
Marcos Tang – presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac)
Leonardo Lamachia – presidente da OAB-RS
A Expointer segue até domingo (7/9), reunindo produtores, visitantes e expositores em um dos maiores encontros do agronegócio e da tradição gaúcha no Brasil.
A taxação dos Estados Unidos vem pressionando o mercado do café, que reage com forte volatilidade nos preços. Só que isso vem perdendo força nos últimos dias, principalmente nos contratos futuros. Em uma semana, as perdas somam quase 3%.
De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do dia 1º a 25 de agosto, as exportações brasileiras do grão para os EUA caíram 47%.
Segundo o diretor da Faros Consultoria, Haroldo Bonfá, as volatilidades fazem parte do acompanhamento das bolsas, tanto em Londres quanto em Nova York.
De acordo com ele, o “tarifaço” norte-americano retira do mercado 7 a 8 milhões de sacas anuais que deveriam ser enviadas aos Estados Unidos, então o setor busca alternativas, como enviar o café para Canadá ou México e depois processar. O Brasil já tem histórico de comercialização com esses países.
O analista comenta que nos Estados Unidos há grande discussão sobre inflação. Um aumento de 50% no preço da matéria-prima reflete nos preços ao consumidor, encarecendo o produto e impactando índices inflacionários.
No entanto, apesar do impacto nos preços, o consumo não deve ser afetado, já que o café é considerado “inelástico”. “É pouco provável que o consumo caia. Economistas dizem que o café é ‘inelástico’, ou seja, a variação de preço não afeta diretamente o consumo, porque traz benefícios de saúde e emocionais. Mas os preços, sim, são afetados”, contextualiza.
Para os produtores, Bonfá recomenda cautela e usar o bom senso nas vendas, aproveitando oportunidades de lucratividade, mas de forma ponderada.
“Primeiro, tenha consciência do que colheu; o volume precisa durar até a próxima safra. A maioria dos produtores está bem capitalizada, então não há necessidade imediata de vender tudo. Use o bom senso: aproveite oportunidades para lucrar, mas faça de forma ponderada.” recomenda.
Ainda segundo o diretor, mesmo considerando safras de Vietnã e Colômbia, elas não serão suficientes para suprir a falta de arábica do Brasil nos Estados Unidos. A expectativa da maioria dos analistas é de preços altos até a próxima colheita.
Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, desenvolveram um método prático para estimar a necessidade de calagem com base nos atributos químicos do solo e na composição do calcário.
Fruto de dez anos de estudo e de quase 30 anos de experiência do professor Silvino Guimarães Moreira, da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/Ufla), com estudos sobre calcário, o método leva em conta a relação entre cálcio, magnésio e pH do solo.
Desta forma, permite estimar doses específicas para duas profundidades: de 0 a 20 cm e de 0 a 40 cm — sendo esta última o principal foco do trabalho. Ao contemplar a correção em camadas mais profundas, a metodologia favorece a melhoria da fertilidade do subsolo e amplia o volume explorado pelas raízes.
A pesquisa vem sendo realizada para melhorar as estimativas de cálculo de doses de calcário, uma vez que os métodos atualmente disponíveis acabam por subestimar as quantidades necessárias quando se objetiva corrigir o pH do subsolo, sobretudo em áreas agrícolas novas.
Como observa o professor, ao subestimar as doses necessárias, tornam-se necessárias reaplicações e atrasos na correção da acidez, com impactos econômicos relevantes, sobretudo em áreas arrendadas, em que o tempo de retorno da calagem não acompanha o ciclo produtivo.
À esquerda, dose de 3 t/ha de calcário; à direita, aplicação de 12 t/ha. Foto: Divulgação Ufla
Para chegar ao novo método, os pesquisadores conduziram sete experimentos de campo em diferentes municípios de Minas Gerais e abrangendo diferentes condições edafoclimáticas, ao longo de quatro anos (14 safras).
Os municípios que receberam os experimentos foram: Ijaci, Nazareno, Ingaí, Uberlândia, Araguari, São João del Rei e Formiga. Nesses locais, os pesquisadores avaliaram diferentes doses de calcário incorporadas até 0,40 m de profundidade.
De acordo com o professor Silvino Moreira, essa diversidade geográfica e temporal confere robustez aos resultados, garantindo que as conclusões não sejam pontuais, mas representativas de diferentes realidades de solo e clima.
Os resultados mostraram ser possível aumentar a produtividade das culturas anuais e a resiliência destas culturas aos déficit hídricos, comuns nas condições de cultivos de sequeiro na região sob Cerrado, especialmente na segunda safra.
Isso foi possível com níveis mais elevados de cálcio e magnésio no solo não só na camada de 0 a 20 cm, mas também na camada de 20 a 40 cm. O estudo define novos níveis críticos para os nutrientes cálcio e magnésio no solo para estas duas camadas de solo, os quais são maiores do que os tradicionalmente recomendados.
Em lavouras de milho segunda safra submetidas a veranicos severos, a aplicação baseada na nova metodologia proporcionou ganhos de produtividade superiores a 50%. Em lavouras de soja houve ganhos de até 30%.
O efeito foi atribuído ao maior desenvolvimento radicular em profundidade, o que permitiu às plantas acessar água e nutrientes mesmo em períodos de déficit hídrico. Nas fotos da lavoura de milho (acima) é possível verificar a diferença no desenvolvimento das plantas, com dose de 3 t/ha de calcário (primeira foto de milho) e com 12 t/ha de calcário (segunda foto de milho).
O produtor Evandro Ferreira, da Fazenda Campo Grande, em Nazareno, considera que a pesquisa foi um divisor de águas na busca por altas produtividades na região. “As chamadas ‘altas doses de calcário’ não representam excesso, mas sim a aplicação criteriosa e ajustada às reais necessidades do solo”, pontuou.
Profundidade da aplicação de cálcio
O método mostrou que, para atingir 95% da produtividade das lavouras anuais, é preciso garantir 60% de cálcio na camada de 0 a 20 cm do solo e 39% na camada de 20 a 40 cm.
Essa proposta foi especialmente desenvolvida para correção de solos para implantação de culturas anuais sobre sistema de plantio direto (SPD) ou para reabertura de áreas atualmente em uso, mas que não tiveram uma correção adequada. A proposta também já começa a ser testada em lavouras de café.
Os pesquisadores envolvidos no estudo esperam que o método tenha impacto direto na agricultura brasileira, sobretudo em regiões como o Cerrado, onde a produção de grãos depende fortemente da correção da acidez do solo.
Isso porque, com uma recomendação mais precisa de calagem, produtores podem alcançar maior eficiência no uso de insumos, reduzir custos a longo prazo e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas.
“Trata-se de uma contribuição relevante não apenas para a agricultura mineira, mas também para outras regiões tropicais, onde solos ácidos e altamente intemperizados impõem sérias limitações à produção agrícola”, considera o professor Silvino Moreira.
Em agosto, o preço do diesel registrou alta em relação a julho, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). O diesel comum ficou 0,65% mais caro, alcançando média de R$ 6,19, enquanto o diesel S-10 subiu 0,81%, chegando a R$ 6,22. De acordo com a Edenred, as oscilações do petróleo e do câmbio seguem como fatores determinantes para os reajustes no Brasil.
Regionalmente, o Sudeste teve o maior aumento para o diesel comum, de 1,15% (R$ 6,14), enquanto o S-10 registrou a maior alta no Centro-Oeste, de 1,28% (R$ 6,34). No Norte, o diesel comum foi o único a apresentar queda, de 0,73%, mas ainda assim manteve o preço mais alto do País, a R$ 6,76. Já os menores valores médios foram encontrados no Sul: R$ 6 para o tipo comum e R$ 6,06 para o S-10.
“O aumento registrado no diesel em agosto está ligado à influência de variáveis externas que continuam determinantes para a formação dos preços no Brasil. Oscilações no valor do petróleo e no câmbio acabam sendo incorporadas de forma relativamente rápida à cadeia de distribuição, o que ajuda a explicar a elevação observada no período”, analisa Renato Mascarenhas, Diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade.
No levantamento por estados, o Acre liderou com os preços mais altos: R$ 7,59 para o diesel comum e R$ 7,55 para o S-10, apesar de leves quedas em relação a julho. O Paraná registrou o menor preço para o diesel comum, a R$ 5,97, enquanto Pernambuco teve o menor valor para o S-10, a R$ 5,96. As maiores altas ocorreram em Sergipe, com avanço de 4,06% no diesel comum (R$ 6,41), e no Paraná, com alta de 1,86% no S-10 (R$ 6,02). O IPTL considera abastecimentos realizados em 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log, consolidando os preços a partir de milhões de transações, o que garante confiabilidade ao levantamento.
Que o Brasil é campeão na produção e na exportação de café, todo mundo já sabe. Mas, dentre as opções da bebida no mercado, você saberia diferenciar o grão de cada região? Essa é a proposta de um dos cursos oferecidos pelo Museu do Café, localizado em Santos, no litoral paulista.
Além de aprender sobre a origem e os métodos de preparo, o público que visita o local pode sentir aromas e experimentar o café de todas as formas. Segundo Fernanda Marqueria, gestora do Centro de Preparação de Café do museu, esse contato direto desperta a curiosidade e cria uma conexão ainda mais profunda com a bebida.
O Museu do Café
Falar de café no Brasil, é também pensar na cidade de Santos, onde fica o principal porto do país. Foi por lá que o café brasileiro ganhou o mundo e é lá que está o Museu do Café, instalado no edifício da antiga Bolsa Oficial, um dos símbolos dessa ligação entre passado e presente.
Para a gestora do CPC, o local é importante para a aproximação do público com o universo do café. “Mais do que valorizar a história desse produto tão importante para o Brasil em termos econômicos, sociais, culturais e políticos, a ideia é mostrar como ele faz parte do nosso cotidiano e está em constante transformação”, diz.
Ali, visitantes percorrem exposições que mostram a força do grão na economia nacional e participam de vivências que aproximam da cultura sensorial da bebida. É uma forma de entender por que a bebida, em suas múltiplas versões, segue unindo tradições, inovação e memória afetiva. Mas a pergunta que surge é inevitável: como diferenciar um café do outro?
O mundo na xícara
Em um dos cursos dentro do Centro de Preparação do Café, os amantes da bebida conseguem viajar por um mundo de sabores, passando por países produtores mais conhecidos, como Brasil e Colômbia, mas também por destinos menos óbvios, como Índia e Costa Rica. Além disso, é importante que o grão de cada região chegue ao mercado com muita qualidade.
Quem explica melhor é José Cordeiro, professor da Universidade do Café aqui no Brasil. “Esse frescor permite que as características sensoriais de cada origem sejam percebidas com muito mais facilidade quando comparamos um café com o outro”. Segundo ele, cada grão apresenta características sensoriais próprias, definidas por fatores como solo, clima, latitude, longitude e outros elementos naturais.
Outra forma de diferenciar os tipos de café é fazendo a comparação simultânea, que ajuda na construção do paladar. De acordo com Cordeiro, isso permite que o consumidor entenda melhor as diferenças entre cada perfil sensorial.
“Eu posso experimentar um café da Colômbia, que geralmente tem bom corpo e notas frutadas, e compará-lo simultaneamente com o do Brasil. Essa comparação ajuda a criar uma memória gustativa, que vai sendo desenvolvida aos poucos”, afirma.
Em relação aos cursos, o especialista reafirma a importância de atividades, como as disponíveis no Museu do Café. Na visão dele, elas também ajudam os produtores a melhorar a qualidade dos grãos, bem como capacitar baristas para fazer extrações de excelência. Para o público geral, o ganho é bastante claro: o contato com a história do grão no Brasil valoriza o processo e o valor de uma bebida de qualidade.