A exportação de soja do Brasil 2025/26 foi estimada nesta quinta-feira em 112,12 milhões de toneladas, em comparação ao número de 106,66 milhões no ciclo anterior. O aumento se deve ao impulso dos embarques para a China, que trava uma guerra comercial com os Estados Unidos. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
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Com a previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos e o aumento da procura global, aliado à expansão da produção brasileira, espera-se um crescimento expressivo. Esse aumento está ligado, também, à China, que compra cerca de 73% da soja exportada pelo Brasil.
Milho
Além da soja, a exportação de milho do Brasil em 2025/26 foi estimada em 46,5 milhões de toneladas, em comparação ao número de 40 milhões no ciclo anterior.
As exportações do agronegócio do Espírito Santo somaram R$ 11,3 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2025. O resultado representa uma leve retração de 1,6% em divisas frente ao mesmo período do ano anterior.
Em volume, os embarques totalizaram 1,6 milhão de toneladas, queda de 4,4% ante o mesmo período do ano anterior (1,7 milhão de toneladas).
No ranking dos principais produtos em geração de divisas, destacam-se:
Café: responde por mais da metade da pauta, com 52,9%, equivalente a US$ 1,1 bilhão;
Celulose: 29,3% (US$620,2 milhões);
Pimenta-do-reino: 11, 3% (US$239 milhões)
O Espírito Santo continua sendo o maior exportador de café conilon, com 77% das exportações nacionais, de gengibre (60%), pimenta-do-reino (67%) e mamão (41%), com ampla liderança nesses segmentos no acumulado do ano até agosto.
Nesse período, o agronegócio representou 32,5% das exportações totais do Estado. Os produtos do agro chegaram a 125 países em oito meses, sendo os Estados Unidos responsáveis por 22,2% das divisas (US$ 468,7 mi), Turquia com 7,1% (US$ 150,1 mi) e China com 6,2% (US$ 131,5 mi).
Pimenta-do-reino em destaque
O grande destaque nos primeiros oito meses do ano foi a pimenta-do-reino, com crescimento em geração de divisas de 125% em relação a igual período de 2024. Destacaram-se ainda nas vendas internacionais café solúvel (+64%), carne bovina (+29%) e mamão (+21%).
Apesar da expansão registrada em diversos produtos, a leve retração geral em volume e geração de divisas foi determinada principalmente pelo café, destaque de exportações do agro capixaba.
“[…] a pequena queda em volume e valor das exportações ocorreram devido ao café grão cru, onde houve antecipação do volume de compras em 2024 para esse ano de 2025 em face da possibilidade de entrar em vigor a legislação da União Europeia (EUDR)”, comentou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Efeitos do tarifaço dos EUA
Foto: Divulgação Casa Branca
O segmento de ovos, que havia conquistado espaço no mercado norte-americano após a crise da gripe aviária, praticamente teve as exportações paralisadas com a imposição da nova barreira tarifária.
Em julho, foram exportadas 1.090 toneladas para os Estados Unidos, número que caiu para apenas 99 toneladas em agosto (queda de 99,9%). Para outros mercados, a queda foi de 23,5%, reduzindo de 4,3 para 3,3 toneladas.
Praticamente todas as vendas externas estavam concentradas nos Estados Unidos.
O gengibre também foi bastante afetado. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 4,4 milhões (3,1 mil toneladas) para todos os países, com exceção dos EUA. Já em agosto, as vendas caíram para US$ 3,5 milhões (-20,5%) e 2,5 mil toneladas (-19%).
Para os EUA, a queda foi ainda mais forte: de US$ 2 milhões (1,5 mil toneladas) em julho para US$ 1,1 milhão (1 mil toneladas), uma retração de 33% no volume e 45% no valor. Cerca de 40% das vendas externas foram para os Estados Unidos.
O café em grão passou de 13,9 mil toneladas (US$ 77,6 milhões)em julho, para 8,6 mil toneladas (US$ 51,9 milhões) em agosto, queda de 37,6% em volume e 33,2% em valor (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
Especificamente para os Estados Unidos, exportaram 2,1 mil toneladas em julho (US$ 10,2 milhões). Em agosto houve queda para 1,7 mil toneladas (-19%) e US$ 7,3 milhões (-28,4%). A exposição direta aos EUA, porém, é pequena, cerca de 6%.
O café solúvel, diferente dos demais, apresentou crescimento. Em julho foram US$ 9,9 milhões (0,8 mil toneladas), e em agosto US$ 14,9 milhões (+50,5%) e 1,2 mil toneladas, alta de 50% (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
Para os Estados Unidos, as vendas ficaram estáveis em agosto, apesar do tarifaço, com 0,5 mil toneladas e US$ 6,3 milhões. Vale lembrar que os EUA representam cerca de 30% das vendas externas.
A pimenta-do-reino, em julho, faturou US$ 15,3 milhões (2,4 mil toneladas), subindo para US$ 21,8 milhões (4 mil toneladas) em agosto, avanço de 42,5% em valor e 66,7% em volume (considerando todos os países, incluindo os EUA).
As vendas diretas para os Estados Unidos são irrisórias, ou seja, menos de 1% é exportada diretamente, mas a maior parte entra no mercado americano de forma indireta.
O mamão teve crescimento nos embarques, de US$ 2,3 milhões (1,8 mil toneladas) em julho para US$ 2,7 milhões (1,7 mil toneladas) em agosto (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
A alta foi de 18,8% em divisas, embora com pequena redução de 2,9% em volume. Para os EUA, houve alta de volume, cerca de 18,7%, mas registrou queda de receita, cerca de 14,3%. Vale destacar que aproximadamente 11% das vendas vão para o mercado norte-americano.
Outro setor em alerta é o de pescados, que enfrenta forte retração em razão das tarifas norte-americanas. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 673,8 mil (69,7 mil kg), mas em agosto os embarques caíram para US$ 294,9 mil (40,6 mil kg), uma redução de 56,2% em valor e 41,8% em volume.
Além disso, ressalta-se que 98% das vendas externas são para o mercado norte americano.
“As exportações de ovos, gengibre e pescados foram as mais prejudicadas no mês de agosto em relação a julho deste ano. O setor de ovos praticamente estagnou com a nova barreira tarifária […]”, destaca Bergoli.
O secretário também explica que o gengibre sofreu uma redução de vendas expressiva em agosto;as exportações de pescados, com os Estados Unidos como principal mercado deste segmento, não suportou a ampliação da tarifa imposta de 50%, com queda significativa de 41%.
Medidas preventivas do governo estadual
Diante desse cenário, o governo do Espírito Santo estabeleceu um Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (Cetax), coordenado pelo vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço.
Entre as medidas já definidas, foi aprovada a Lei 595/2025, que autoriza oficialmente a transferência de créditos acumulados de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os setores produtivos mais afetados.
Espera-se que por meio dessa lei sejam liberados cerca de R$ 100 milhões em créditos, beneficiando segmentos como rochas ornamentais, pescados e crustáceos, pimenta-do-reino, mamão e gengibre.
A nova legislação também abre espaço para programas de financiamento específicos para as empresas exportadoras atingidas, com critérios a serem definidos pela Secretaria de Fazenda.
Também está prevista a criação de uma linha de crédito subsidiada com dotação inicial de R$60 milhões, voltada para o capital de giro das exportadoras.
O governador do Estado, Renato Casagrande, anunciou que o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) fará a suspensão temporária das prestações de financiamento por até seis meses.
Além disso, o banco disponibilizará linhas de crédito para capital de giro e exportação, visando mitigar os efeitos de curto prazo no fluxo de caixa das empresas e para que a perda de receitas seja parcialmente suprida, garantindo equilíbrio financeiro e manutenção de suas atividades.
Empresas capixabas com faturamento de até R$ 20 milhões e que exportam produtos para os Estados Unidos serão elegíveis para a linha de crédito. A dotação inicial é de R$ 60 milhões.
Foi aprovada ainda, a Lei de Compras Institucionais dos Produtos da Agricultura Familiar, que determina que pelo menos 30% dos recursos destinados às aquisições de gêneros alimentícios pelos órgãos públicos estaduais sejam aplicados em produtos da agricultura familiar.
A expectativa é dobrar em quatro anos o valor dessas compras, passando de cerca de R$ 50 milhões para R$ 100 milhões anuais, fortalecendo produtores rurais, associações e cooperativas, em especial comunidades tradicionais, assentamentos, grupos de mulheres e jovens.
Além das medidas anunciadas, o estado segue articulando com o Governo Federal, com o envio de informações detalhadas sobre a realidade de cada segmento, para subsidiar as negociações diplomáticas entre Brasil, Estados Unidos e outros países para onde se destinam as exportações do Espírito Santo.
A proposta de tributar em 5% no Imposto de Renda os títulos ligados ao agronegócio, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), hoje isentos, acendeu um alerta no setor produtivo.
Para os produtores rurais, a medida representa uma mudança significativa em um dos poucos mecanismos de financiamento que têm se mostrado eficientes para garantir fluxo de recursos ao campo, sobretudo em tempos de crédito mais caro e escasso.
A discussão, já pontuada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e conduzida no Congresso com intermediação do relator e em diálogo com a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), coloca em evidência a necessidade de equilíbrio entre o ajuste fiscal do governo e a manutenção da competitividade de um setor que sustenta boa parte da economia nacional.
Do ponto de vista dos produtores, a tributação dos títulos ameaça reduzir a atratividade para investidores, que têm no benefício fiscal uma das principais razões para direcionar recursos ao agro.
Caso a medida avance sem compensações, LCAs e CRAs podem perder força no mercado financeiro, diminuindo a captação de recursos privados e, consequentemente, limitando a capacidade de investimento no campo.
Em um momento em que o governo reduz subsídios no crédito rural e aumenta as exigências para acesso às linhas oficiais, retirar competitividade desses instrumentos significa enfraquecer o setor produtivo e comprometer o crescimento sustentável da agricultura e da pecuária.
A preocupação é principalmente com médios e pequenos, que dependem de instrumentos de mercado para financiar custeio, modernização de maquinário, aquisição de insumos e adoção de tecnologias.
Para eles, cada ponto percentual a mais no custo do crédito pode inviabilizar projetos e afetar a renda.
Em cadeias de produção com margens estreitas, como leite, hortifrúti e grãos em propriedades menores, o impacto seria imediato.
A eventual redução da liquidez dos títulos, por sua vez, afetaria toda a engrenagem que conecta investidores urbanos ao financiamento do agronegócio, afastando recursos que hoje chegam ao campo com agilidade e menor burocracia.
Outro ponto levantado pelos produtores é o efeito indireto sobre a competitividade internacional do agro brasileiro.
Com a tributação, há risco de aumento no custo de produção, justamente em um cenário em que países concorrentes oferecem condições mais favoráveis de financiamento e subsídios diretos aos agricultores.
Para manter a liderança mundial em exportações e, ao mesmo tempo, cumprir exigências ambientais e sociais cada vez mais rígidas, o Brasil precisa de políticas que ampliem o acesso a capital.
A medida, se implementada sem negociação, pode enfraquecer a posição do país em mercados estratégicos.
Entre as alternativas discutidas, estão a possibilidade de manter a isenção para investidores pessoas físicas, aplicar a alíquota apenas a novas emissões ou criar incentivos compensatórios, como linhas específicas de crédito rural com taxas diferenciadas.
A ideia é evitar que a arrecadação fiscal venha à custa da perda de dinamismo em um setor que responde por quase 25% do PIB brasileiro e sustenta milhões de empregos diretos e indiretos.
Para os produtores, a negociação precisa considerar que o agro não é apenas um segmento econômico, mas sim um pilar da segurança alimentar e da balança comercial brasileira.
Qualquer medida que comprometa sua capacidade de investimento terá reflexos diretos sobre preços ao consumidor, geração de divisas e estabilidade no campo.
Por isso, a expectativa é de que a FPA, em diálogo com o relator e o governo, consiga construir uma solução equilibrada, que permita ao Estado arrecadar sem desestimular os investimentos privados no agronegócio.
*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação
Uma das capitais mais urbanas do mundo foi palco da 17ª edição do Congresso de Marketing do Agro, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). Nesta quinta-feira (18), lideranças e especialistas se reuniram em São Paulo em prol de um objetivo comum: comunicar, e com excelência, o papel do agronegócio brasileiro para o mundo.
Em destaque, esteve a aplicação do marketing na evolução do setor. Logo na abertura, o público pôde acompanhar uma verdadeira aula de como comunicar o agro. Autoridades do setor compartilharam experiências que mostram como a comunicação é estratégica para enfrentar crises, projetar o setor e consolidar a imagem do Brasil como potência agroalimentar.
Comunicação na prática
Um dos exemplos citado no congresso foi o enfrentamento da gripe aviária no Brasil. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou que a resposta à crise só foi possível porque havia um plano de comunicação sólido.
“A grande maioria dos problemas foi superada porque nos preparamos antes, com uma estratégia integrada entre técnica, comercial e imprensa. Quando a doença chegou, já tínhamos mensagens claras e consistentes para transmitir”, disse.
Ele lembrou que vídeos gravados anos antes e a atuação coordenada de porta-vozes ajudaram a evitar pânico e a manter a confiança do mercado. “Desde o primeiro momento, reforçamos que a gripe aviária não se transmite pelo consumo de carne de frango. Essa comunicação manteve o mercado sólido e preservou 4 milhões de empregos na cadeia produtiva”, destacou.
O Brasil como líder global
Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), reforçou que o Brasil tem uma oportunidade única de ampliar a produção de alimentos, gerar energia renovável e criar empregos, tudo ao mesmo tempo. Nesse sentido, ele ressaltou a importância de valorizar a experiência nacional em agricultura tropical.
“Temos a experiência da agricultura tropical, capaz de garantir segurança alimentar e contribuir para a paz mundial. Mas, para isso, é preciso comunicar com mais intensidade o que fazemos: uma agricultura competitiva, eficiente e sustentável”, afirmou.
Segundo Rodrigues, o país já enfrenta campanhas de desinformação contra o agro e defendeu uma estratégia firme de comunicação. “Alguém perde mercado quando o Brasil cresce. E quem perde, reage com narrativas contra nós. Só há uma forma de responder: mostrar a verdade. Se soubermos comunicar, podemos nos tornar campeões mundiais da paz”, disse.
Agro como protagonista
O presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, destacou que o propósito da entidade é ajudar todo o ecossistema do agro a se comunicar melhor, tanto com o produtor rural quanto com a sociedade. Ele citou iniciativas como o projeto Conexões, que aproxima a associação de diferentes entidades do setor, e o Marca Agro do Brasil, criado para valorizar a imagem do campo no país e no exterior.
Além disso, Nicodemos falou sobre o trabalho de meses na preparação do congresso e agradeceu o apoio de parceiros, conselheiros e entidades do setor. Para ele, a edição deste ano reforça que o agro brasileiro tem cada vez mais condições de assumir o protagonismo global. “Quando não contamos a nossa história, alguém conta da forma que achar mais conveniente. Precisamos estar à frente desse processo”, concluiu.
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“Trata-se de ferramenta estratégica” – Foto: Divulgação
Os fungos que atacam sementes da soja estiveram no centro dos Ensaios Cooperativos de Rede da safra 2024-25. Soluções como Tiofanil® e Torino®, da Sipcam Nichino, mostraram elevada eficácia no controle de cinco patógenos danosos em áreas de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Os resultados foram apresentados no 54º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, realizado em Lavras (MG).
Segundo Bruno Monção, gerente de marketing da companhia, os fungicidas alcançaram até 93% de controle, superando a maioria dos tratamentos-padrão. “Os dados colocaram os fungicidas, no cômputo geral, à frente de quase todos os chamados tratamentos-padrão, comparados”, comenta.
O Tiofanil® FS é sistêmico e de contato, à base de clorotalonil, com amplo espectro de ação, atuando como ferramenta estratégica para evitar perdas significativas na produção. “Trata-se de ferramenta estratégica, dotada de tecnologia para evitar a contaminação da soja por fungos com potencial de transferir prejuízos consideráveis à produção”, ele diz. O Torino®, também sistêmico e de contato, favorece o melhor estabelecimento das plantas e potencializa a produtividade da soja. “Por suas características, favorece o melhor estabelecimento de plantas e potencializa a produtividade da soja”, completa.
De acordo com o especialista, os resultados reforçam a importância de soluções eficientes no tratamento de sementes, garantindo proteção contra patógenos economicamente relevantes e apoiando práticas de manejo integrado de doenças na sojicultura brasileira.
O tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros causou um impacto negativo na balança comercial em agosto, mas esse efeito não deve se repetir com a mesma intensidade nos próximos meses.
A avaliação é do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quinta-feira (18), pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Os dados mostram que houve certa compensação, a partir da destinação para outros mercados de produtos que antes eram exportados aos Estados Unidos. Além disso, é esperada uma normalização no nível de trocas comerciais, com espaço ainda para negociação entre os dois países.
“Na comparação dos produtos que não foram isentos, foi observado que em vários casos houve queda de exportação para os Estados Unidos e aumento para o resto do mundo”, frisou o relatório do Icomex.
Balança comercial
A FGV afirmou ter mantido sua previsão de que a balança comercial brasileira encerre 2025 com um superávit entre US$ 62 bilhões e US$ 65 bilhões.
No acumulado do ano até agosto, houve piora no desempenho das trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos. Assim, o déficit brasileiro aumentou para US$ 3,4 bilhões.
“No entanto, o tarifaço de Trump para o Brasil é motivado principalmente por questões de ordem política, havendo alguma possibilidade de negociação”, ponderou a FGV.
Em agosto de 2025 ante o mesmo mês de 2024, quando entrou em vigor o tarifaço de Trump, o volume exportado pelo Brasil para os Estados Unidos diminuiu 15,4%, mas cresceu 34,6% para a China e 45,7% para a Argentina.
“As manufaturas, que em princípio se considera de forma geral mais difícil diversificar, encontraram compensações para as perdas nos Estados Unidos. Como muitas indústrias de manufaturas do Brasil pertencem a multinacionais, estratégias de diversificação são possíveis de serem implementadas”, avaliou a FGV.
“Em nível macro, é preciso agora observar se a retração de agosto é uma consequência da antecipação de alguns segmentos e produtos ou se vai perdurar, levando a uma trajetória descendente do volume exportado para os Estados Unidos. Achamos pouco provável esse cenário. O nível de exportações pode mudar, mas alguma retomada e estabilidade são esperadas.”
A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 6,1 bilhões em agosto, ante um resultado de US$ 4,5 bilhões em agosto de 2024. No acumulado de janeiro a agosto, o superávit alcançou US$ 42,8 bilhões em 2025, ante US$ 53,6 bilhões no mesmo período de 2024.
“As perspectivas para os próximos meses, se não surgirem novas surpresas por parte do governo Trump, é de uma possível desaceleração no crescimento das exportações e das importações”, apontou a FGV, lembrando a existência de risco de novas tarifas, mas apenas para o final do ano.
“O esforço de diversificação do mercado continua na agenda e deve se manter o canal aberto para as negociações de caráter técnico. Por último, o risco de aumento da vulnerabilidade externa via conta corrente parece pouco provável com a manutenção da taxa de juros do Brasil, a queda da taxa de juros nos Estados Unidos e perspectivas positivas para a entrada de capital estrangeiro”, concluiu.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu, nesta quinta-feira (18), o protocolo para que as empresas impactadas pelas tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos possam solicitar crédito.
“Qualquer empresaque foi prejudicada com tarifácio de 50%, e que teve um prejuízo de mais de 5% do seu faturamento, já pode buscar financiamento. São taxas de juro de 7% a 10% ao ano, dependendo do porte da empresa. São R$ 30 bilhões também para diversificar novos comércios para exportação e mais R$ 10 bilhões para quem tá abaixo disso. Qualquer empresa pode acessar, ninguém vai ficar para trás”, diz o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.
O primeiro passo para solicitar acesso ao crédito é verificar a elegibilidade, acessando o site https://www.bndes.gov.br/elegibilidade-brasil-soberano. Os interessados precisarão se autenticar utilizando a plataforma Gov.br, exclusivamente por meio do certificado digital da empresa. Após a autenticação, o sistema informará se a empresa é elegível e quais créditos podem ser solicitadas.
De posse dessas informações, a recomendação é que a empresa entre em contato com o banco com o qual já tem relacionamento. No caso das grandes empresas, também é possível diretamente com o BNDES.
Ao todo, estão disponíveis R$ 40 bilhões, sendo R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio banco. Os recursos financiarão capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.
Têm direito aos recursos do FGE pessoas jurídicas de todos os portes cujo faturamento com exportações aos Estados Unidos de bens impactados por tarifas adicionais e constantes da tabela de produtos publicada pelo MDIC publicado no site https://www.gov.br/mdic/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/brasil-soberano, no período de julho de 2024 a junho de 2025, seja superior ou igual a 5% do seu faturamento bruto total apurado no mesmo período.
Linhas de crédito
São quatro linhas disponíveis: capital de giro (gastos operacionais gerais), giro diversificação (busca de novos mercados), bens de capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e investimentos (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva).
Têm direito ao crédito com os recursos do BNDES (R$ 10 bilhões) as empresas cujos produtos receberam qualquer percentual de tarifa e com qualquer nível de impacto no faturamento bruto. São duas linhas disponíveis: capital de giro emergencial (financiamento de gastos operacionais gerais) e capital de giro diversificação (busca de novos mercados).
O recorde histórico da produção de grãos, obtido em 2024/2025 deverá ser superado na próxima safra. É o que indica a 13ª edição da pesquisa “Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026”, divulgada nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladas. O resultado é 1% maior do que os 350,2 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25 – volume recorde para o setor, até então.
“Na semana passada, apresentamos os dados do último levantamento da safra agrícola 24/25, quando anunciamos, com imenso orgulho, a maior safra da nossa história. Foi um aumento extraordinário e expressivo. Hoje, vamos apresentar a perspectiva para a nova safra agrícola. Dia 14 de outubro, a Conab apresentará o primeiro dos 12 levantamentos para a próxima safra, com a possibilidade de um novo recorde”, anunciou o presidente da Conab, Edegar Pretto.
Números conservadores
De acordo com as perspectivas divulgadas hoje, o resultado será influenciado pelo aumento na área cultivada, que deve sair de 81,74 milhões de hectares na última safra para 84,24 milhões de hectares no ciclo agrícola 2025/26.
“Já a produtividade média nacional das lavouras está projetada em 4.199 quilos por hectare na temporada 2025/26, redução de 2% se comparada com 2024/25”, detalha o levantamento. Segundo Pretto, as estimativas da Conab são apresentadas inicialmente com “números conservadores, em função da responsabilidade que a gente precisa ter”, mas dentro de uma real possibilidade. “Nossos números estão cada vez mais assertivos”, assegurou.
Soja e algodão
Com relação ao principal produto cultivado no Brasil, a Conab projeta, para a soja, aumento de 3,6% na produção, chegando, portanto a 177,67 milhões de toneladas na próxima safra. Na última colheita, foram colhidas 171,47 milhões da oleaginosa.O resultado, se confirmado, resultará, novamente, em recorde de produção, influenciado pelo aumento da demanda global pelo produto.
A boa rentabilidade e a possibilidade de venda antecipada da produção de algodão têm favorecido essa cultura. A expectativa para a safra 2025/2026 é de um crescimento de 3,5% na área semeada. A produção deverá crescer 0,7%, alcançando o recorde de 4,09 milhões de toneladas.
Milho
No caso do milho, há uma expectativa de redução de 1% da colheita, na comparação com a safra 2024/25, mesmo havendo aumento de área cultivada nas primeira e segunda safra.
Segundo a Conab, esse movimento se deve à expectativa de aumento no consumo interno, “impulsionado principalmente pelo aumento da demanda do grão para produção de etanol, bem como pela perspectiva de maior demanda externa, diante de um possível redirecionamento das compras asiáticas do milho norte-americano para o milho sul-americano, em resposta ao aumento de tarifas impostas por importantes países importadores na Ásia”.
Apesar da maior área semeada, a produção estimada de milho, somadas as três safras, é de 138,3 milhões de toneladas. “A queda de produtividade decorre do patamar excepcional registrado na safra 2024/25, beneficiada por condições climáticas amplamente favoráveis”, justifica a companhia.
Arroz e feijão
A safra de arroz projetada para o próximo período indica tendência de retração da área cultivada nos principais estados produtores, saindo de 1,76 milhão de hectares em 2024/25 para 1,66 milhão de hectares no ciclo 2025/26.
O resultado decorre da ampliação da produção nacional e internacional registrada em 2024/25, o que acabou por gerar excedente de oferta e desvalorização do grão. É também esperada uma redução de 4,8% na produtividade média nacional, reflexo também do patamar excepcional registrado na última safra de 2024/25. No caso do feijão, é estimada uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que, segundo a Conab, assegura o consumo previsto no país.
Cenários adversos
Os números foram comemorados pela ministra substituta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
“As perspectivas são excelentes. O Brasil terá mais uma safra recorde, em um contexto de mudanças climáticas, crises geopolíticas, guerra comercial. Em um contexto bastante adverso, nossa agricultura vai seguir vencedora, produzindo alimentos para abastecer as famílias no Brasil e garantindo oferta de alimentos para o mundo”, disse a ministra.
Na avaliação de Fernanda Machiaveli, o cenário positivo será ainda mais favorecido pela estratégia das autoridades brasileiras em tentar manter mercados mercados ao mesmo tempo em que busca “outras possibilidades internacionais” para escoar uma produção.”cada vez mais sustentável, fortalecendo os sistemas produtivos biodiversos da Agricultura Familiar”, afirmou.
Depois de se dedicar à família e cuidar dos filhos pequenos, a Rute Gontijo, produtora rural, buscou uma forma de retornar ao mercado de trabalho. Nesse processo, surgiu a oportunidade de adquirir uma agroindústria. A atividade exigia também a produção de hortaliças, o que marcou sua entrada definitiva no universo do agronegócio.
“Foi quando surgiu a chance de adquirir a agroindústria. Como parte da atividade, precisei produzir hortaliças e, a partir daí, iniciei minha trajetória como produtora rural”.
Sem experiência anterior no campo, ela sabia que precisava buscar conhecimento para fazer o negócio prosperar. Foi então que encontrou no Sebrae o parceiro ideal para dar os primeiros passos.
“Eu não conhecia nada de campo. Com a orientação dos técnicos, aprendi sobre adubação, colheita e manejo de pragas. Hoje, me considero uma produtora rural”, destaca.
Além disso, sempre que surgem dúvidas ou novos desafios, o Sebrae continua sendo sua principal referência. “Toda vez que preciso implementar ou produzir algo novo, recorro ao Sebrae. Eles são meu suporte desde o início.”
Ao longo de mais de duas décadas, o Sebrae se tornou peça essencial na construção e expansão da agroindústria. Desde o início, a instituição esteve presente em decisões importantes, seja na área técnica, produtiva ou financeira.
Foto: Canal Rural
“Desde o momento em que comprei a agroindústria, o Sebrae esteve presente. Tudo o que precisamos – seja no campo, na agroindústria ou nas finanças; eles sempre estão ao nosso lado. Já considero o Sebrae parte da família”, afirma.
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Produzir no campo nunca é simples. Há pragas, problemas no solo e desafios de manejo que surgem a cada safra. No entanto, com a presença constante do Sebrae, as soluções chegam mais rápido e com segurança.
“Quando existe um imprevisto, os técnicos do Sebrae estão sempre aqui para orientar e mostrar o melhor caminho. Esse apoio faz toda a diferença”, conclui a produtora, reforçando a importância do Sebrae.
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“O nitrogênio é um alvo móvel” – Foto: Canva
O uso de tecnologia de monitoramento de Nitrogênio em tempo real pode gerar até R$ 1 bilhão de economia anual para os 8 milhões de hectares de lavouras de São Paulo. A Stenon, líder global em agtech, desenvolveu um sistema capaz de medir Nitrogênio mineral disponível e carbono orgânico do solo (SOC) em menos de 20 segundos, diretamente no campo, ao lado do pulverizador ou distribuidor.
Integrado a um aplicativo web e a sistemas de gestão agrícola, o dispositivo permite emitir prescrição de taxa variável rapidamente, ajustando a dose de fertilizante para cada talhão com base em dados precisos e contínuos de machine learning. Estudos de campo indicam que o manejo de nitrogênio com precisão pode reduzir de 20% a 30% o uso do fertilizante sem comprometer a produtividade, o que representa corte de até 0,42 milhão de toneladas e economia de R$ 1,1 bilhão por ano, além de evitar cerca de 0,76 milhão de toneladas de CO2e na produção de ureia.
Além de reduzir custos e emissões, a tecnologia aumenta a eficiência operacional em grandes propriedades, melhora a saúde do solo e fortalece a segurança financeira de produtores menores diante de cadeias globais de fertilizantes voláteis. Para Niels Grabbert, CEO da Stenon, “essa é uma ferramenta que transforma dados em decisões precisas, safra após safra”.
“O nitrogênio é um alvo móvel – aplicar cedo demais significa perdê-lo para a atmosfera; tarde demais, e você perde produtividade. A Stenon oferece aos produtores e empresas agrícolas os dados em tempo real de que precisam para acertar na mosca a cada safra, mesmo nos maiores campos do estado”, afirma Niels Grabbert, CEO da Stenon. “O resultado é um menor custo por saca de cana e milho, solos mais saudáveis e uma pegada de carbono mais leve. No mercado volátil de hoje, isso é tanto gestão de risco quanto agronomia.”