segunda-feira, abril 27, 2026

Autor: Redação

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Algodão tem terceira queda mensal


Os preços internos do algodão registraram em agosto a terceira queda mensal consecutiva, com recuo de 2,7% em Rondonópolis (MT), para R$ 3,81 por libra-peso. A desvalorização reflete a pressão das cotações internacionais, o avanço da colheita e do beneficiamento no Brasil, em um cenário de oferta elevada.

De acordo com a Conab, a colheita da safra 2024/25 atingiu 73% até agosto, abaixo dos 88% do mesmo período de 2024 e da média de cinco anos, de 87%. Os maiores atrasos foram registrados em Mato Grosso e Bahia, principais estados produtores. Mesmo assim, a produção deve alcançar volume recorde, com oferta total de 4,7 milhões de toneladas entre estoques iniciais e a colheita, o que reforça a necessidade de maior ritmo das exportações.

No cenário internacional, os preços seguem pressionados pelo estoque mundial confortável, pelo fraco crescimento econômico global, pelas incertezas comerciais e pela perspectiva de novas quedas no petróleo. Esses fatores aumentam as chances de manutenção ou até de novas baixas nas cotações da pluma no curto e médio prazo.

Em agosto, os embarques somaram 77 mil toneladas, queda de 33% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado representa o pior início de temporada (agosto a julho) desde 2022/23, quando foram exportadas apenas 64 mil toneladas. Para 2025/26, a expectativa é que os embarques atinjam 3,1 milhões de toneladas de pluma.

“Diante do estoque mundial confortável, do fraco crescimento econômico global, das incertezas comerciais e da perspectiva de novas quedas nos preços do petróleo, vemos mais fatores para manutenção ou queda das cotações da pluma do que para valorização”, avalia Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

 





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Queda nas cotações do boi gordo em São Paulo



Cotação do boi China recua R$ 5,00/@ na semana



Foto: Divulgação

De acordo com análise divulgada na sexta-feira (19) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo em São Paulo apresentaram queda ao longo da terceira semana de setembro. O levantamento aponta que os preços do boi gordo, das fêmeas e do “boi China” recuaram R$ 5,00/@ no período. Segundo a publicação, “esse movimento foi resultado do alongamento das escalas de abate”, cenário que possibilitou a redução dos preços ofertados por parte dos frigoríficos. O ritmo mais lento das vendas de carne também colaborou para a pressão sobre os preços, levando compradores a negociações mais cautelosas e buscando oportunidades pontuais.

Na comparação diária, o informativo indica que a cotação do boi gordo caiu R$ 2,00/@, enquanto a das fêmeas permaneceu estável. As escalas de abate ficaram, em média, em dez dias.

Em Minas Gerais, a análise mostra que as cotações foram influenciadas pela oferta confortável de bovinos e pelo alongamento das escalas. O levantamento aponta queda diária em três das quatro praças pecuárias do estado. No Triângulo Mineiro, a cotação do boi gordo caiu R$ 2,00/@ e a da vaca recuou R$ 3,00/@. Na região de Belo Horizonte, houve retração de R$ 2,00/@ para o boi gordo, enquanto os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis. No Norte do estado, não foram observadas alterações nas cotações. Já no Sul, a cotação da vaca caiu R$ 2,00/@, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis.





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Milho mantém preços estáveis no Brasil


Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 12 a 18 de setembro e divulgada nesta quinta-feira (18), o mercado brasileiro de milho segue estável, apesar do leve viés de alta em algumas regiões. O levantamento mostra que a média gaúcha recuou para R$ 61,92/saco, enquanto as principais praças do estado mantiveram valores entre R$ 59,00 e R$ 60,00. Nas demais localidades do país, os preços oscilaram entre R$ 46,00 e R$ 64,00/saco. De acordo com o Cepea, “o suporte dos preços em algumas regiões estaria vindo da firme demanda interna e da posição mais cautelosa de vendedores, que limitam o volume disponível”.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção total brasileira de milho em 2024/25 será 21% superior à do ano anterior, alcançando 139,7 milhões de toneladas. O plantio da nova safra de verão 2025/26 atingiu 17% da área prevista no Centro-Sul até 11 de setembro, concentrando-se nos três estados do Sul, segundo a AgRural. No Paraná, a semeadura chegou a 44% da área, com 98% das lavouras em boas condições. Em todo o país, a Conab indicou 14,7% da área semeada até 13 de setembro, frente à média de 12,9% dos últimos cinco anos, segundo o Deral.

As primeiras estimativas privadas para a nova safra de verão projetam produção de 25,5 milhões de toneladas no Centro-Sul em 2025/26, leve aumento de cerca de 700 mil toneladas sobre o ano anterior. Analistas atribuem o resultado esperado à melhoria da produtividade, que pode chegar à média de 7.072 quilos/ha (117,9 sacos/ha), e ao aumento de 3% na área plantada, passando a 3,6 milhões de hectares. A produção total do país poderá alcançar 142,5 milhões de toneladas, segundo a Safras & Mercado. A área nacional prevista é de 21,6 milhões de hectares em 2025/26, alta de 1,4% sobre o ano anterior.

As exportações brasileiras de milho somaram 3,06 milhões de toneladas nos primeiros dez dias úteis de setembro. A média diária ficou 0,1% abaixo do resultado de setembro de 2024. O preço médio pago por tonelada subiu 2,2% no período, atingindo US$ 198,80, conforme a Secex. No Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custeio do milho para a safra 2025/26 fechou agosto em R$ 3.295,32 por hectare, alta de 0,48% sobre o mês anterior. O Custo Operacional Efetivo subiu 0,33%, para R$ 4.782,75/ha, e o Custo Operacional Total atingiu R$ 5.372,17/ha, incremento de 0,28% frente a julho. O relatório observa que “o preço ponderado do cereal já não é suficiente para cobrir essas despesas”.





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PIB soma R$ 305,4 bilhões no 2º trimestre de 2025


De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a economia mineira registrou expansão pelo sexto trimestre consecutivo. Entre abril e junho de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do estado alcançou R$ 305,4 bilhões, crescimento de 1,2% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve variação nominal de 14,4%. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), divulgadora oficial dos dados nesta quinta-feira (18), Minas Gerais respondeu por 9,6% da economia nacional no período.

O valor adicionado bruto das atividades agropecuárias foi estimado em R$ 47,7 bilhões; das indústrias, em R$ 66,9 bilhões; e dos serviços, em R$ 157,6 bilhões. O setor agropecuário teve incremento de 8,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A secretaria destacou que “ganharam participação culturas com crescimento da produção em 2025, como algodão, milho e soja, enquanto perdeu participação a primeira safra de batata-inglesa”. Também foi registrada recuperação na produção de leite, no abate de suínos e aves e no uso de madeira para fabricação de papel e celulose.

Na indústria extrativa, houve expansão de 2,9% no segundo trimestre de 2025 frente aos três primeiros meses do ano, resultado explicado, segundo o levantamento, “pela expansão das operações da Mineração Usiminas, CSN Mineração e Anglo-American no período”. A indústria de transformação recuou 0,4% no mesmo comparativo, influenciada pela queda na produção física de alimentos, fumo, derivados de petróleo e biocombustíveis, produtos químicos e metálicos. A construção civil avançou 0,3%, enquanto as atividades de geração e distribuição de eletricidade, gás, água e saneamento cresceram 2,6%.

O setor de serviços teve alta de 0,3% no segundo trimestre de 2025, com aumento no volume de valor adicionado no comércio (0,9%), transportes (0,3%) e no agregado de outros serviços (0,6%). No comércio, destacou-se o crescimento das vendas de hipermercados e farmácias, estabilidade no segmento de combustíveis e queda nas vendas de artigos de vestuário, calçados e veículos. No transporte, o modal aéreo apresentou maior dinamismo. Já em outros serviços, houve retração nas atividades de comunicação, serviços profissionais e administrativos, turismo e serviços prestados às famílias.

O levantamento ainda apontou expansão no volume de operações de crédito no segundo trimestre, sinalizando dinamismo no setor financeiro. No entanto, “o volume de valor adicionado criado pelas atividades da administração pública apresentou retração na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série sazonal”.





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Câmbio e escalas cheias devem frear alta da arroba mesmo com exportações em alta



O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com preços mais baixos para a arroba ao longo desta semana.

O analista da consultoria Safras & Mercado conta que esse movimento de baixa se deve ao fato de os frigoríficos em grande parte do país estarem com escalas de abate mais confortáveis, posicionados para o restante de setembro.

“A incidência de animais de parceria (contratos a termo) contribuiu de maneira decisiva para esse cenário”, disse.

De acordo com ele, outro elemento de pressão a ser considerado é a recente movimentação cambial, com o real valorizado e juros atrativos neste momento. “Por outro lado, as exportações são o grande ponto de suporte neste momento, com volumes embarcados bastante expressivos no decorrer de 2025”, conta.

Arroba firme, sem altas expressivas

O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que a expectativa até o fim do ano é de um mercado com preços firmes para a arroba, mas com fundamentos que limitam qualquer alta mais expressiva.

“Entretanto, olhando até o fim de setembro, enxergo um mercado com fundamentos baixistas, com a indústria pressionando cada vez mais para baixar os preços.”

Fabbri também pontua que as exportações de carne bovina estão em ritmo acelerado em setembro, assim como esteve nos últimos meses. “No entanto, o dólar está na mínima do ano, o que pesa para a margem da indústria exportadora e diminui o potencial de pagar mais para o pecuarista pela arroba.”

Exportações de carne em setembro

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 771,121 milhões em setembro até o momento (10 dias úteis), com média diária de US$ 77,112 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 137,274 mil toneladas, com média diária de 13,727 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.617,40.

Em relação a setembro de 2024, houve alta de 42,6% no valor médio diário da exportação, ganho de 14,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,4% no preço médio.

*Com informações da Safras News



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Preços do trigo recuam no Brasil em meio a importações e queda na produção


Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 12 a 18 de setembro e publicada nesta quinta-feira (18), os preços do trigo continuam em queda no Brasil. O produto de qualidade superior recuou para R$ 68,00 por saco nas principais praças do Rio Grande do Sul. No Paraná, os valores oscilaram entre R$ 69,00 e R$ 73,00 por saco.

No Paraná, a colheita da nova safra atingiu 25% da área neste início de semana, ante 34% no mesmo período de 2024. O Departamento de Economia Rural (Deral) informou que “cerca de 85% das lavouras a colher estavam em boas condições, com 49% em maturação e 31% em frutificação”. No Rio Grande do Sul, a Emater registrou 15% das lavouras em fase de enchimento de grãos.

Além do avanço da colheita, a valorização do real frente ao dólar tem tornado a importação mais barata, o que pressiona para baixo os preços do trigo nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu novamente sua estimativa de produção para o país, que deve alcançar 7,5 milhões de toneladas, “o menor volume desde 2020”. A área total plantada foi estimada em 2,45 milhões de hectares, queda de 19,9% em relação a 2024, sendo que o Rio Grande do Sul diminuiu 13,7% de sua área e o Paraná, 28,2%. Analistas privados apontam que a safra final pode chegar a apenas 7,3 milhões de toneladas, segundo a StoneX.

Nas importações, houve retração de 9,5% em agosto, totalizando 493,2 mil toneladas. A projeção para o período de janeiro a setembro é de 5,17 milhões de toneladas importadas, podendo atingir 7 milhões de toneladas em todo o ano de 2025. Safras & Mercado destacou que “a principal mudança em agosto foi a concentração das compras na Argentina, que saltaram de 189,5 mil toneladas para 465,6 mil toneladas, respondendo por quase todo o volume importado”. Em contrapartida, países como Estados Unidos, Rússia e Uruguai, que haviam fornecido volumes relevantes em 2024, praticamente desapareceram do mercado em 2025. No destino interno, houve maior pulverização regional, com estados como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará e Espírito Santo ganhando participação, além do envio de pequenos volumes a regiões antes pouco representativas.





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BNDES libera R$ 1,2 bilhão em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço



O agronegócio está entre os setores que recorreram ao plano de crédito emergencial lançado pelo governo para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Em apenas dois dias de operação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 1,2 bilhão em financiamentos, dos quais parte já foi destinada a produtores rurais e agroindústrias. As informações são da Agência Brasil.

O programa Brasil Soberano prevê até R$ 40 bilhões em linhas de crédito para exportadores impactados pelas tarifas de até 50% aplicadas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. Do total, R$ 30 bilhões vêm do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio BNDES. Os empréstimos podem ser usados em capital de giro, investimentos na adaptação produtiva, compra de máquinas e equipamentos, além da busca de novos mercados.

Segundo o balanço divulgado na sexta-feira (19), 84,1% das operações aprovadas até agora foram para a indústria de transformação, seguida pela agropecuária, com 6,1%. Comércio, serviços e indústria extrativa também tiveram participação. Um dado relevante é que quase um terço dos financiamentos foi solicitado por pequenas e médias empresas, evidenciando o peso do segmento na pauta exportadora nacional.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a rapidez nas análises e a articulação com 50 instituições financeiras parceiras. Ele reforçou que a prioridade é preservar empregos e sustentar a competitividade brasileira em mercados internacionais. Seguem em análise R$ 1,9 bilhão em pedidos, sendo R$ 1,7 bilhão ligados a operações voltadas para a abertura de novos mercados.

O tarifaço já mostra impactos diretos: levantamento da Amcham Brasil aponta queda de 22,4% nas exportações afetadas em agosto, frente ao mesmo mês de 2024. Como os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, o setor produtivo teme prejuízos maiores caso as barreiras se prolonguem.



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Ação recupera 95% das áreas afetadas pela podridão da uva



Uma ação conjunta entre a Embrapa, órgãos estaduais e prefeituras de São Paulo conseguiu recuperar 95% do cultivo de uvas niágara em propriedades rurais que no Circuito das Frutas, principal polo de produção no estado.

Em 2024, uma epidemia da doença conhecida como podridão da uva madura atingiu a vitivinicultura da região, causada pelo fungo Glomerella cingulata. A epidemia dizimou lavouras inteiras em Jundiaí, Louveira, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Indaiatuba e Elias Fausto. As perdas chegaram a 100% em algumas das fazendas, levando produtores ao desânimo e à insegurança sobre o futuro da atividade.

A iniciativa, denominada Plano Emergencial de Controle à Podridão Madura da Uva, selecionou 13 propriedades rurais da região para aplicações de fungicidas, entre outras boas práticas recomendadas pelas equipes técnicas da Embrapa. As que seguiram 100% das orientações obtiveram índices de até 95% de recuperação da produção. Nas demais propriedades, houve também redução da doença, porém em menor escala, com taxas de melhoria que chegaram a 70%.

As medidas propostas são resultado de ensaios e coletas de restos culturais realizados nesses espaços, com o objetivo de diagnosticar e frear o avanço da doença, a partir da identificação das espécies da fase assexual da Glomerella e avaliação de sua sensibilidade e tolerância aos fungicidas.

A doença, que ataca principalmente a uva niágara rosada e branca, provoca o apodrecimento e a queda das bagas maduras, tornando a colheita comercialmente inviável. Em safras anteriores, alguns produtores chegaram a antecipar a colheita para evitar perdas, vendendo uvas ainda verdes, o que compromete a qualidade e o valor de mercado.

Os impactos nas vitiviniculturas da região ameaçavam prejudicar, inclusive, eventos tradicionais, como a Festa da Uva, que ocorre anualmente em Jundiaí. “A doença ainda persiste em alguns parreirais, mas com incidência bem menor. É claro que ela continua preocupando, por isso mantemos atenção constante. Ainda assim, acreditamos que não haverá impacto negativo na atividade turística”, diz Sérgio Mesquita Pompermaier, diretor do Departamento de Agronegócio da Prefeitura de Jundiaí.

Falhas que custaram caro

Durante os últimos meses de 2024, cientistas da Embrapa visitaram as propriedades e conversaram com os produtores sobre o manejo. As recomendações prioritárias incluíram a remoção de restos culturais infectados, aplicações de fungicidas ainda durante a dormência das plantas, uso de produtos eficazes nos estágios críticos (como floração e início da maturação), e uma atenção especial à tecnologia de aplicação, ponto crítico identificado pelos pesquisadores.

Lucas Garrido, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, explica que uma combinação de fatores favoreceu o surgimento da epidemia em 2024. Dentre eles estão as temperaturas acima da média, umidade constante, e a presença de restos culturais contaminados.

A equipe da Embrapa também considera que parte significativa dos prejuízos ocorreu por erros no manejo. Sendo os principais deles o uso de fungicidas ineficientes, aplicação em dosagens incorretas, ou equipamentos desregulados. “Em alguns casos, o produto certo estava na propriedade, mas não foi utilizado. Ou foi aplicado de forma errada. Isso precisa mudar”, afirma Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e um dos coordenadores da iniciativa.

Diante de um cenário de prejuízos e combatendo um inimigo microscópico, é preciso mudar o comportamento frente à doença. “Os produtores que se abriram ao conhecimento, testaram e aplicaram corretamente os produtos e cuidados, colhem hoje os frutos disso. Literalmente”, ressalta Mingoti.

É o caso de Atalívio Rufino, que possui um sítio na zona rural de Elias Fausto. No ano passado, ele perdeu quase a totalidade da sua produção e a dificuldade financeira o levou a dispensar empregados. Sua propriedade foi uma das selecionadas para os experimentos da Embrapa. Desde então, ele relata muitas mudanças.

“Antes, retirávamos os galhos e os cachos que apodreciam, mas sem tanto zelo. Às vezes, até deixávamos ou picávamos com roçadeira no meio. Agora, estamos retirando, queimando ou descartando longe. Também fizemos mudanças na pulverização. Regularizamos o equipamento e aumentamos o volume de cauda”, diz.

Avanços científicos vão embasar protocolo de manejo da doença

A pesquisa também vai contribuir para o entendimento da doença. Estudos estão sendo conduzidos pelo Instituto Biológico para identificar quais seriam as espécies do fungo do gênero Colletotrichum (forma assexuada da Glomerella), coletadas em diferentes áreas do Circuito das Frutas. É possível encontrar uma diversidade na região, o que implica em variabilidade da resposta aos tratamentos. Os resultados desses estudos possibilitarão aprimorar o controle químico e biológico.

“Ainda não é possível afirmar se há resistência a algum fungicida, mas uma possível presença de múltiplas espécies reforça a importância de conhecer bem as causas do problema antes de enfrentá-lo”, explica Mingoti.

Esses dados serão utilizados para embasar projetos de pesquisa mais amplos, incluindo uma proposta submetida à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que prevê o desenvolvimento de um sistema de aviso e um protocolo consolidado de manejo integrado da doença.

Confiança no futuro

Além dos ganhos técnicos, a ação colaborativa teve impacto positivo no ânimo dos vitivinicultores. Em 2024, o sentimento dominante era de frustração e pessimismo. Hoje, segundo Mingoti, a percepção mudou. “Há mais segurança. Os produtores entenderam que há solução – não mágica, mas técnica. E quem seguiu as recomendações, colheu mais e melhor”, afirma.

Após conseguir reverter a situação, o produtor Atalívio Rufino acredita que o exemplo pode ser alcançado por outros colegas que pensam em desistir. “Eu diria que é hora de persistir. Eu vi que é possível vencer a doença. Fácil não é, mas a recompensa vem. Olha só nosso exemplo aqui no sítio: hoje estamos colhendo”, comemora.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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CNA discute regulamentação da Lei de Bioinsumos



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, na última quinta-feira (18), reunião do Grupo de Trabalho sobre a regulamentação da Lei de Bioinsumos (nº 15.070/2024), reunindo representantes das federações estaduais de agricultura e pecuária para discutir sugestões e contribuições sobre o tema.

Entre os principais assuntos tratados estão a definição dos casos em que será necessário o acompanhamento de um responsável técnico na produção de bioinsumos e o cadastro das unidades de multiplicação para uso próprio, com foco em simplificar os processos para o produtor rural.

A CNA defende que profissionais habilitados em seus conselhos de classe, como agrônomos, biólogos, biotecnologistas e engenheiros de bioprocessos, possam atuar como responsáveis técnicos, garantindo segurança e legalidade na produção de bioinsumos.

Quanto ao cadastro das unidades de produção destinadas ao uso próprio, a Confederação propôs medidas simplificadas. Processos biológicos básicos, como compostagem e silagem, poderiam ficar isentos de cadastro, reduzindo burocracia e estimulando a adoção de práticas sustentáveis no campo.

Letícia Fonseca, assessora técnica da CNA, destacou que as contribuições levantadas pelo Grupo de Trabalho vão integrar o posicionamento oficial da Confederação, que será encaminhado ao Ministério da Agricultura para análise e regulamentação da lei.



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Composto extraído de folha de goiabeira auxilia no tratamento de doenças bucais



Um pó à base de morina, um composto natural extraído de plantas como a folha da goiabeira, a casca da maçã e do figo, de alguns chás e amêndoas apresentou efeito antimicrobiano, anti-inflamatório e antioxidante contra bactérias que causam a doença periodontal.

Doença periodontal é um termo que abrange a gengivite e a periodontite (estágio avançado da inflamação gengival). A expectativa é que a substância, liberada de forma controlada por meio de polímeros, possa ajudar em tratamentos não cirúrgicos como uma alternativa aos antibióticos para o controle dos microrganismos.

Em estudos in vitro, em laboratório, os pesquisadores da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) testaram a morina em um biofilme formado por várias espécies de bactérias, que simulava o que acontece na gengiva dos pacientes quando estão acometidos pela doença.

A morina foi escolhida por ser um composto natural, barato e de fácil acesso. Segundo a pesquisadora Luciana Solera Sales, a morina pode ser obtida a partir de várias frutas. Mas não adianta só comer, é preciso processar a substância.

“A ideia é aproveitar esse composto natural, os seus benefícios, as suas vantagens, e transformar tudo isso para que possa ser utilizado para prevenir e tratar a cárie e a doença periodontal”, destaca.

Desenvolvimento do composto

Segundo a pesquisadora, Fernanda Lourenção Brighenti, uma pessoa produz, em média, 1 mililitro de saliva por minuto. Qualquer coisa que colocamos na boca é rapidamente removida pela saliva, especialmente porque tem cheiro, tem gosto, e isso estimula o fluxo salivar.

Nesse sentido, quando alguma coisa gruda tanto na mucosa da boca (na parte de dentro da bochecha), quanto nos dentes, isso nos dá uma vantagem adicional. E essa liberação controlada também nos ajuda no controle da toxicidade e da estabilidade da substância.

No caso do composto, o desafio foi justamente tentar otimizar o que já havia sido desenvolvido até aqui, deixando mais agradáveis alguns aspectos para os possíveis pacientes e, ao mesmo tempo, desenvolvendo algo que pudesse ser escalonável para a indústria.

“A gente visa também trazer uma alternativa aos produtos que estão atualmente disponíveis no mercado e que não atendem a demanda, porque têm alguns efeitos colaterais relatados pelos pacientes, como a alteração do paladar e o aumento da deposição do tártaro, além de manchas nos dentes com o uso prolongado”, explica Fernanda Lourenção Brighenti.

De acordo com Luciana Solera Sales, os primeiros produtos desenvolvidos foram no formato de comprimidos, filmes e micropartículas. Mas, até então, eram muito grandes, inviáveis para o uso oral. Sendo assim, melhoraram esses produtos, tentando deixá-los menores. Dessa forma, foi desenvolvido o modelo atual, que possui uma aparência similar ao leite em pó.

O que é uma doença periodontal

A doença periodontal acontece quando há o acúmulo do biofilme ou da placa bacteriana, uma película pegajosa formada por bactérias e resíduos de alimentos que se depositam sobre os dentes.

A periodontite, a forma grave da doença periodontal, é considerada a sexta condição crônica que mais ocorre no mundo. Nos casos leves, pode haver sangramento. Conforme a doença avança, pode ocorrer até a perda dos dentes.

Quando a higiene bucal é feita da maneira adequada, com escovação, uso do fio dental e pasta de dente com flúor, esse risco diminui de forma considerável.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2022, quase metade (45%) da população mundial sofre com doenças bucais, cerca de 3,5 bilhões de pessoas.

Segundo as pesquisadoras, os próximos passos serão continuar testando a morina primeiro em modelo animal e, depois, em estudos clínicos, para testar outras propriedades.



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