segunda-feira, abril 27, 2026

Autor: Redação

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Lula na ONU vai focar em democracia, soberania, paz, fome, clima e tarifaço de Trump


Nesta terça-feira (23), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre oficialmente o Debate Geral da 80ª Assembleia-Geral da Organização das Nação Unidas (ONU), tradição que o Brasil cumpre há décadas. O discurso deve girar em torno dos eixos centrais: defesa da soberania, tarifas, compromisso climáticocombate à fome e agenda de paz.

O pano de fundo inevitável é o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump contra exportações brasileiras, que Lula deve transformar em símbolo de como políticas unilaterais enfraquecem o multilateralismo e encarecem os alimentos no mundo. A mensagem esperada: “soberania não se negocia” e tarifas não podem ser arma de disputa política.

Outro ponto de destaque será o clima. Lula pretende usar a vitrine da ONU para projetar a COP30, que o Brasil sediará em Belém em 2025, como palco de liderança global. O desafio é provar coerência: mostrar metas claras e resultados concretos, sob pena de o discurso soar vazio diante das cobranças internacionais.

No eixo social, o presidente deve vincular a luta contra a fome à necessidade de facilitar o comércio internacional e garantir financiamento climático. A lógica é simples: barreiras e tarifas elevam preços, travam o acesso e penalizam os mais pobres.

Mas é na pauta da paz que Lula também buscará protagonismo. O Brasil deve cobrar um cessar-fogo imediato em Gaza, com foco em ajuda humanitária e reconstrução, além de reforçar a necessidade de negociações de paz na Ucrânia, sustentando a posição histórica de que a guerra não terá vencedores e só o diálogo diplomático pode encerrar o conflito.

Por fim, Lula deve reiterar o pedido de reforma da ONU, especialmente do Conselho de Segurança, para incluir países da América Latina e da África. Trata-se de um discurso de prestígio, que busca colocar o Brasil como protagonista em um mundo em crise.

O risco para Lula é escorregar na retórica anti-EUA sem apresentar propostas práticas. Se conseguir transformar o tarifaço em debate multilateral, vincular clima e fome a comércio e paz, e oferecer pontes críveis para Gaza e Ucrânia, poderá sair de Nova York fortalecido. Caso contrário, a fala será apenas mais uma promessa no palco da ONU.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

o inimigo invisível que reduz a eficiência



A água dura contém altos níveis de cátions multivalentes


A água dura contém altos níveis de cátions multivalentes
A água dura contém altos níveis de cátions multivalentes – Foto: Canva

A qualidade da água utilizada nas pulverizações pode reduzir a eficiência de até 50% dos defensivos aplicados, segundo Diogo Paiva, engenheiro agrônomo. A chamada água dura, rica em cátions multivalentes como Ca²? e Mg²?, interfere diretamente na absorção de herbicidas, Fungicidas e Inseticidas, comprometendo o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

A água dura contém altos níveis de cátions multivalentes (Ca²?, Mg²?, Fe²?/Fe³? e Mn²?) e é medida em ppm de CaCO3: 150 ppm indica água dura e 300 ppm, água muito dura. Embora invisível, esses íons participam de reações químicas dentro do tanque, formando complexos insolúveis com produtos ativos como glifosato e fertilizantes foliares. Esse fenômeno, chamado complexação, reduz a molécula ativa livre, provoca precipitação nos bicos ou fundo do tanque e diminui a absorção pelas folhas.

Além disso, a água dura pode acelerar a degradação de defensivos. Piretróides e organofosforados têm sua meia-vida reduzida, enquanto fungicidas estrobilurinas podem precipitar ou degradar, diminuindo a cobertura e a eficácia no campo. O resultado é que, mesmo aplicando a dose correta, a eficiência do controle pode cair significativamente, gerando prejuízos ao produtor.

Para minimizar os efeitos, Paiva recomenda medir a dureza da água antes da aplicação, usar sequestrantes de cátions ou condicionadores de água, ajustar o pH da calda, realizar testes de jarra e lavar tanques e bicos após o uso. Ignorar a água dura pode transformar uma aplicação tecnicamente correta em ineficaz, afetando diretamente a produtividade agrícola.

 





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Preços do milho seguem firmes enquanto exportação avança



Os preços do milho seguem firmes no mercado interno, de acordo com os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Centro de Pesquisas, os vendedores se mantêm cautelosos, limitando a disponibilidade para consumidores domésticos e ofertando lotes a valores mais altos. 

Assim, mesmo diante de uma disponibilidade elevada, compradores com mais necessidade de aquisição esbarraram em patamares superiores. Na parcial de setembro, até o dia 18, o Indicador Esalq/BM&FBovespa registrava média de R$ 64,92/saca de 60 kg, a maior em três meses. 

Quanto às exportações brasileiras de milho, depois de atravessarem boa parte do ano registrando desempenho abaixo do esperado, os embarques ganharam um pouco mais de ritmo agora em setembro. Nos dez primeiros dias úteis deste mês, os embarques atingiram 3,05 milhões de toneladas do cereal, o que representa praticamente metade de todo o volume escoado em setembro/24.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Queda do dólar pressiona os valores internos da soja



A queda do dólar, que registrou na semana passada o menor patamar desde junho/24, afastou vendedores das negociações envolvendo grandes volumes de soja. Isso é o que apontam os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, a desvalorização da moeda norte-americana tende a pressionar a paridade de exportação e, consequentemente, os valores internos. Dessa forma, os agentes do mercado da soja tentam aproveitar a oportunidade de negócios, uma vez que a queda da taxa de juros nos Estados Unidos e a estabilidade na taxa de juros no Brasil, que está no maior nível desde 2006, podem atrair dólar para o mercado brasileiro e reduzir a taxa cambial. 

Uma outra parte dos agentes, ainda conforme levantamento do Cepea, esteve cautelosa nas negociações, atenta às atividades de campo nos EUA e no Brasil.  

De acordo com a primeira estimativa da Conab para a safra 2025/26, a área de cultivo de soja brasileira pode somar um recorde de 49,08 milhões de hectares, com produção em 177,6 milhões de toneladas da oleaginosa, ligeiramente mais otimista que o USDA, que estima 175 milhões de toneladas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Mercado mantém projeções de inflação e crescimento em 2025



O mercado financeiro manteve estáveis as expectativas para a economia brasileira em 2025. O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22), aponta que a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seguem nos mesmos níveis da semana passada, sem mudanças relevantes no cenário de curto prazo.

As apostas também indicam estabilidade nas projeções para câmbio, taxa Selic e contas externas. Já para 2026, as expectativas apontam inflação menor e crescimento econômico mais moderado, refletindo uma visão de desaceleração da atividade.

Inflação, juros e câmbio

Para este ano, a mediana das projeções do mercado manteve o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,83%, sem alteração em relação à semana anterior. Para 2026, a expectativa recuou para 4,29%. No caso da atividade econômica, a estimativa de crescimento do PIB de 2025 permaneceu em 2,16%, enquanto a de 2026 ficou em 1,80%.

A taxa básica de juros, a Selic, também não registrou mudanças no cenário deste ano, permanecendo em 15% ao ano. Para 2026, entretanto, o Focus indica redução para 12,25%, com nova queda prevista em 2027, para 10,5%. No câmbio, as projeções seguem em R$ 5,50 por dólar no fim de 2025 e em R$ 5,60 no encerramento de 2026.

Contas externas e fiscal

A balança comercial deve encerrar 2025 com superávit de US$ 64,8 bilhões, enquanto o déficit em transações correntes é estimado em US$ 68,3 bilhões. Para 2026, o saldo comercial esperado é de US$ 68,3 bilhões, e o déficit em conta corrente deve somar US$ 64,5 bilhões.

No campo fiscal, o resultado primário previsto para 2025 passou de -0,52% para -0,51% do PIB. Além disso, a dívida líquida do setor público deve terminar o ano em 65,8% do PIB. Para 2026, o mercado projeta déficit primário de 0,60% do PIB e aumento da dívida líquida para 70,1%.



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China aumenta a importação de soja dos EUA, mas Brasil segue sendo o principal fornecedor



As importações chinesas de soja do Brasil aumentaram 2,4% em agosto em relação ao ano anterior, à medida que compradores buscaram reforçar estoques para mitigar riscos de interrupção de fornecimento no quarto trimestre.

Segundo a agência Reuters, o maior importador mundial de soja adquiriu 10,49 milhões de
toneladas do Brasil no mês passado, o que representou 85,4% do total das importações da
oleaginosa, segundo dados alfandegários divulgados no último sábado (20).

Agosto marcou mais um mês em 2025 em que as importações chinesas de soja atingiram níveis recordes para o período, após os registros de maio, junho e julho.

As chegadas vindas dos Estados Unidos totalizaram 227.205 toneladas, alta de 12,3% em relação ao ano anterior.

No acumulado de janeiro a agosto, a China importou 52,74 milhões de toneladas do Brasil, uma queda de 2,0% na comparação anual, enquanto os embarques dos EUA somaram 16,8 milhões de toneladas, avanço de 30,9%, mostraram os dados.

As importações de soja dos EUA dispararam devido à colheita brasileira atrasada, que estendeu a janela de exportação norte-americana, além de demoras prolongadas nos processos de desembaraço aduaneiro nos primeiros meses do ano, segundo analistas.
Pequim, entretanto, ainda não reservou nenhum embarque da nova safra norte-americana.

Da Argentina, a China importou 1,05 milhão de toneladas de soja em agosto, queda de 18,6% ante o ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, as importações da oleaginosa argentina chegaram 1,72 milhão de toneladas, alta de 6,2% frente ao mesmo período do ano anterior.



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AgroNewsPolítica & Agro

Não adianta só aumentar a produtividade da soja



Ganhos na lavoura podem ser anulados por perdas no mercado


Ganhos na lavoura podem ser anulados por perdas no mercado
Ganhos na lavoura podem ser anulados por perdas no mercado – Foto: Divulgação

Na última semana, a TF Agroeconômica orientou produtores a realizarem novas vendas diante da boa margem de lucro. Segundo a consultoria, não adianta aumentar a produtividade, se o agricultor não conseguir ler no momento certo da comercialização.

Nesse contexto, quem seguiu a recomendação conseguiu preservar resultados melhores, já que nesta semana a receita caiu R$ 3,91/saca e a margem de lucro recuou de 21,81% para 17,50%, uma redução de -4,31 pontos percentuais. A empresa reforça que a assessoria de comercialização é tão importante quanto a técnica de produção, já que ganhos na lavoura podem ser anulados por perdas no mercado.

Entre os fatores de alta, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) reduziu sua estimativa para a produção mundial de soja 2025/26 de 430 para 429 milhões de toneladas, enquanto o consumo foi elevado para 431 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, as exportações semanais somaram 923 mil toneladas, dentro do esperado, com destaque para o Egito como principal comprador. Além disso, o USDA informou vendas consistentes de farelo e óleo de soja, e o governo americano deve liberar mais de US$ 40 bilhões em auxílios a agricultores em 2025, o segundo maior valor desde 1933.

Já os fatores de baixa incluem a decepção do mercado com a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, que não trouxe avanços para produtos agrícolas. A pressão sazonal da colheita nos EUA e a ausência de compras chinesas também pesam sobre os preços. No Brasil, a Conab elevou a projeção para a safra 2025/26, estimando 177,67 milhões de toneladas de soja e exportações de 112,12 milhões de toneladas, reforçando a competitividade brasileira, ainda que a demanda da China esteja em desaceleração.

 





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Transformação da China pode beneficiar agro brasileiro


A China vive uma transformação silenciosa: cerca de 200 milhões de trabalhadores temporários e precários deixam o campo em busca de empregos nas fábricas e nos serviços urbanos. Esse movimento, descrito pela The Economist, altera profundamente o padrão de consumo da população.

No campo, a dieta é simples e baseada em subsistência. Nas cidades, o acesso ao supermercado, ao delivery e à renda monetária, mesmo instável, abre espaço para novos hábitos alimentares. O resultado é direto: cresce a demanda por proteínas animais, grãos, leite e alimentos industrializados.

O Brasil já é o maior fornecedor de carnes e grãos para a China. O frango, a carne bovina e a suína brasileiras abastecem cada vez mais os pratos chineses. Essa “urbanização do paladar” significa que, quanto mais trabalhadores migram do campo para os centros industriais, maior tende a ser a dependência chinesa de importações.

E aqui está o ponto central: essa relação cria uma situação irreversível. A China caminha para ser uma potência cada vez mais industrial e urbana, perdendo espaço agrícola. Já o Brasil tem exatamente o que os chineses não conseguem produzir em escala suficiente: alimento em quantidade, qualidade e competitividade.

O deslocamento de trabalhadores chineses do campo para as cidades explica o aumento brutal das exportações brasileiras de proteína animal. E, ao que tudo indica, continuará garantindo espaço para o Brasil. Trata-se de uma parceria estrutural: o futuro industrial da China se conecta de forma permanente com a vocação agrícola do Brasil.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Frente fria avança e derruba temperaturas no primeiro dia da primavera



A semana começa com tempo instável na região Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, as pancadas de chuva continuam pelo estado, com risco de temporais pela madrugada e manhã desta segunda-feira (22). Ao longo do dia, a frente fria vai se afastando e a chuva diminui, mantendo-se no litoral. Na retaguarda, uma massa de ar polar avança e provoca queda acentuada nas temperaturas à noite.

Em Santa Catarina e no Paraná, as instabilidades se espalham ao longo do dia, trazendo pancadas de chuva moderadas e risco de ventania. A frente fria avança até o final do dia, e as chuvas se concentram no litoral.

No Sudeste, o avanço da frente deixa o dia em alerta para temporais em São Paulo, que se espalham também pelo Rio de Janeiro, Triângulo Mineiro, centro-sul e oeste de Minas Gerais e pela Zona da Mata. No litoral norte paulista e no sul fluminense, o risco é maior para chuva forte acompanhada de rajadas de vento que podem chegar a 70 km/h, com possibilidade de transtornos.

Em São Paulo, as temperaturas começam a cair e a sensação fica mais amena. Já no norte e noroeste de Minas, o calor persiste e a qualidade do ar continua baixa. No Espírito Santo, a circulação marítima mantém maior nebulosidade e chuva fraca isolada em cidades costeiras.
Enquanto no Centro-Oeste, áreas de instabilidade associadas ao avanço da frente fria atingem o Mato Grosso do Sul e o centro-sul de Goiás, enquanto as pancadas continuam no Mato Grosso. Há previsão de chuva também para Brasília (DF) e Cuiabá (MT).

Já no Nordeste, a circulação de ventos vindos do oceano mantém pancadas de chuva ao longo da faixa litorânea do Maranhão, além da faixa leste entre a Bahia e o Rio Grande do Norte. Em algumas áreas entre o litoral baiano e Pernambuco, há risco de pancadas mais fortes. No interior nordestino, o predomínio é de tempo firme, com muito calor e índices de umidade abaixo do ideal.

E no Norte, o fluxo de umidade mantém áreas de instabilidade sobre o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com risco de pancadas de chuva fortes e temporais isolados. Também pode chover em algumas áreas do Amapá e Tocantins.

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Ata do Copom e IPCA-15 estão no radar do mercado essa semana


No morning call desta segunda-feira (22), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que o Fed reduziu juros em 0,25 p.p. e reforçou expectativas de novos cortes. Bolsas globais e moedas emergentes subiram; S&P500 avançou 1,2%, Ibovespa 2,6% e o real se valorizou.

O Copom manteve a Selic em 15%, alinhando o cenário doméstico. Ao longo da semana,  atenção deve se voltar à Ata do Copom, IPCA-15, confiança do consumidor e setor externo.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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