quinta-feira, abril 23, 2026

Autor: Redação

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Exportações do complexo soja batem recorde em 2025



As exportações brasileiras do complexo soja (grão, farelo e óleo) registraram desempenho recorde entre janeiro e setembro de 2025, segundo dados parciais apresentados por Giovani Ferreira no AgroExport desta quinta-feira (2). A China teve papel decisivo nesse resultado ao intensificar suas compras na América do Sul.

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Ferreira destacou dois protagonistas nesse cenário, sendo China e Estados Unidos. Em setembro, os chineses não adquiriram nenhuma saca de soja norte-americana, em meio à disputa tarifária entre os dois países, e redirecionaram a demanda para a região. Como a Argentina ainda não dispõe de volume suficiente para suprir a necessidade, o Brasil acabou absorvendo a maior parte dessa demanda extra.

Soja em grão

O destaque ficou para a soja em grão, que, de janeiro a setembro, somou 93 milhões de toneladas exportadas até agora. O Brasil deve fechar o ano acima de 100 milhões, podendo alcançar 110 milhões de toneladas, superando o recorde histórico de 101 milhões registrado em 2023.

Farelo de soja

No farelo de soja, o Brasil também deve quebrar recorde. Até setembro foram 18 milhões de toneladas embarcadas, e a projeção é fechar 2025 entre 24 e 25 milhões, acima do recorde de 23,1 milhões alcançado no ano passado.

Óleo de soja

De janeiro a setembro, faltando 4 dias pra ffechar os embarques Já o óleo de soja apresentou recuperação. As exportações devem alcançar entre 1,45 e 1,5 milhão de toneladas neste ano, número superior ao de 2024 (1.36 milhão de toneladas) mas ainda abaixo do pico de 2,33 milhões de toneladas de 2023. A guerra da Ucrânia havia impulsionado as vendas brasileiras para a Europa, que buscava alternativas energéticas ao gás russo.

O movimento reforça o protagonismo do Brasil no mercado internacional de soja. Com a Argentina ainda em processo de recuperação de safra e os Estados Unidos perdendo espaço nas vendas à China, o país se consolida como principal fornecedor global e caminha para quebrar novos recordes históricos em 2025.

Complexo soja

Segundo Giovani Ferreira, ao somar grão, farelo e óleo, um bom momento o Brasil deve encerrar setembro com até o momento estamos com 111.6 milhões de toneladas, podendfo fechar 113 a 114 milhões de toneladas exportadas, um salto de mais de 20 milhões em relação a 2021. Esse é um momento positivo da soja brasileira, inclusive refletindo nas cotações. A China deixou de comprar dos Estados Unidos e veio buscar no Brasil o produto que precisa.



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Apenas o arroz com feijão é capaz de educar crianças e desmistificar o agro na cidade


O Brasil vive hoje um debate essencial: como o agro aparece nos livros didáticos usados nas escolas. Quem acompanha sabe que, muitas vezes, os conteúdos apresentam o setor apenas pelo lado negativo, focaqndo em desmatamento, impactos ambientais e uso da água. Contudo, deixam de lado uma parte fundamental da história: o agro que gera emprego, renda, tecnologia e, principalmente, coloca comida de verdade na mesa dos brasileiros.

Foi por isso que surgiu o Domme (De Olho no Material Escolar), grupo que reúne produtores, acadêmicos, empresas, comunicadores e lideranças para cobrar equilíbrio na forma como o agro é retratado nos materiais de ensino.

Não se trata de maquiar problemas ou esconder impactos, mas de garantir que os jovens tenham acesso a uma visão completa, em que o campo aparece também como solução. Afinal, sem agro não há alimento, e sem alimento não há futuro.

Paralelamente, no meio urbano circulam muitos equívocos sobre o setor. É comum ouvir que “a irrigação consome quase toda a água do Brasil” ou que “a agricultura tira água que poderia abastecer as cidades”. Esse raciocínio, porém, é equivocado. A Rede Nacional de Irrigantes (Renai) vem mostrando que a irrigação moderna é altamente eficiente, com sistemas de gotejamento, microaspersão e pivôs centrais que devolvem parte da água ao ciclo natural.

Além disso, estudos indicam que mais de 35% da água tratada nas cidades brasileiras se perde em vazamentos e redes mal cuidadas, ou seja, não é o campo o grande vilão. Apontar o dedo apenas para o agro é simplificar um problema complexo e afastar a população urbana de uma compreensão mais justa.

De um lado, livros escolares que muitas vezes reforçam visões parciais. Do outro, uma população urbana que repete mitos e informações distorcidas. Surge então a pergunta: como aproximar o agro da sociedade?

A resposta pode estar bem diante de nós: no Prato Feito com arroz e feijão.

O vendedor da loja de sapatos, a balconista da farmácia ou o dono da papelaria dificilmente percebem como um recorde na soja impacta sua vida. Mas quando falamos de arroz com feijão, tudo muda. Esse par inseparável está presente no almoço de milhões de brasileiros, do Norte ao Sul. É democrático, acessível e parte da identidade cultural do país. Mais que uma combinação, é um símbolo de pertencimento coletivo.

O feijão não é apenas uma cultura agrícola, é cultura alimentar. Ele traduz o que o agro tem de mais próximo da vida das pessoas: nutrição, tradição e saúde. Hoje, o brasileiro consome em média 14 quilos de feijão por ano, número que já foi bem maior. Resgatar esse hábito é também resgatar saúde pública, já que a dupla arroz e feijão garante proteína completa, fibras, ferro e vitaminas essenciais.

Feijão unindo forças

E agora, o feijão convida todos os outros integrantes do Prato Feito, o arroz, a salada, a proteína e a farofa, para irem juntos às escolas. Lá, o desafio é plantar uma nova semente: a conscientização de que alimento de verdade vem do agro, vem da irrigação bem feita, vem de produtores que transformam água, terra e tecnologia em nutrição e vida.

Esse movimento não acontece sozinho. Estamos buscando parcerias com diversas instituições que possam ajudar a abrir caminhos. Entre elas, destacam-se as organizações de mulheres que trabalham pelo agro, seja de forma institucional, seja liderando frentes sociais e produtivas.

Grupos como as Agroligadas e tantas outras redes femininas já mostram sua força ao conectar campo e cidade, defender políticas públicas, fortalecer a educação alimentar e apoiar causas que vão além da porteira. Esse protagonismo feminino é fundamental para dar legitimidade à mensagem e ampliar o alcance da conscientização sobre alimentos de verdade.

Se quisermos corrigir distorções nos livros didáticos e combater informações erradas nas cidades, precisamos começar pelas crianças. Mostrar que o agro não é apenas exportação de commodities, mas também é alimento no prato, saúde pública e cultura nacional. Mostrar que o arroz com feijão é patrimônio, é proteína completa e é orgulho de um país que precisa valorizar mais a sua comida de verdade.

O desafio do agro não é só produzir mais, mas comunicar melhor. Aproximar o campo da cidade exige falar a mesma língua, e essa língua é o Prato Feito, que une o Brasil inteiro.

Porque, diante do arroz com feijão, somos todos um só país. Viva o feijão!

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Comissão de Agricultura vai convocar Marina Silva



A Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (1º), requerimento para convocar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O objetivo é discutir a atuação da pasta em defesa da moratória da soja. Ainda não há data definida para a audiência.

Segundo o requerimento aprovado, a ministra deve prestar esclarecimentos sobre o uso da estrutura pública da pasta em defesa da moratória da soja, acordo firmado entre tradings, indústrias e ONGs em 2006.

Motivos para a convocação

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), autora do projeto, afirma haver possível desvio de finalidade administrativa e uso da estrutura pública em apoio a um pacto privado. A parlamentar também já requereu ao Tribunal de Contas da União uma auditoria sobre apoio institucional e atuação do MMA a favor da moratória.

A parlamentar argumenta que o pacto, de caráter privado, vem sendo tratado pelo governo federal como política pública, em desacordo com a legislação vigente.

“Não cabe ao Brasil aceitar pactos que prejudiquem justamente o setor que mais contribui para a economia nacional e para a segurança alimentar mundial”, disse Coronel Fernanda na sessão da comissão na quarta-feira.

Moratória da soja; entenda histórico

A moratória da soja é um pacto multissetorial firmado entre setor privado (tradings e compradores de grãos), organizações não governamentais e órgãos do governo, que prevê a não comercialização, o não financiamento ou a aquisição de soja produzida em áreas desmatadas na Amazônia após 22 de julho de 2008, data da aprovação do Código Florestal Brasileiro.

O pacto firmado em 2006 proíbe a compra de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmatamento ocorrer dentro dos limites estabelecidos pelo Código Florestal, que permite a supressão de até 20% da vegetação em propriedades no bioma.

A moratória gera discordância há anos entre produtores e tradings. Sojicultores elevaram o tom contra o pacto no último ano, com apoio de parlamentares, pedindo a suspensão da prática pela indústria e alegando que o acordo fere o Código Florestal Brasileiro e que tem indícios de prática de cartel. As indústrias processadoras e exportadoras de soja, porém, negam tais práticas.

O acordo é alvo de processo administrativo no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob investigação de cartel. Já no Supremo Tribunal Federal (STF) tramitam quatro ações diretas de inconstitucionalidade contra leis estaduais que retiram incentivos de empresas signatárias da moratória da soja.



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AgroNewsPolítica & Agro

Preços do algodão são os mais baixos desde 2015



Cotação da pluma segue em queda e atinge menor média real desde 2015


Foto: USDA

A colheita de algodão da safra 2024/25 está praticamente concluída no Brasil e o beneficiamento da pluma se aproxima dos 50% da produção, que, vale lembrar, deve ser recorde. Pesquisadores do Cepea destacam que esse cenário mantém elevada a disponibilidade de algodão no mercado spot nacional, levando alguns vendedores a ficar mais flexíveis nos valores pedidos. Já compradores ativos seguem ofertando preços ainda menores. 

Esse contexto somado às recentes desvalorizações externas pressionam os valores domésticos do algodão em pluma. Levantamento do Cepea mostra que setembro foi o quarto mês consecutivo de baixa. Assim, depois de atingir em maio o maior patamar deste ano, a média da pluma vem recuando desde então, chegando, em setembro, ao menor patamar real desde fevereiro de 2015. 

Dados do Cepea mostram que a média do Indicador em setembro caiu 6,6% frente à de agosto/25 e ficou 8,26% inferior à de setembro/24, sendo a também menor desde fevereiro/15 (R$ 3,5416/lp), em termos reais (IGP-DI de ago/25). 





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Minas Gerais realiza treinamento contra febre aftosa; saiba mais



A conquista do status de nação livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), consolidou a pecuária brasileira. Para manter essa posição, os protocolos de vigilância são cruciais, e o estado de Minas Gerais (MG) está na linha de frente desses esforços.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) organizou um extenso exercício simulado de atendimento a foco de febre aftosa na região de Montes Claros. O treinamento, o maior do tipo no Brasil e o primeiro realizado em MG, mobilizou cerca de 160 servidores do IMA e 250 profissionais de 21 estados brasileiros, além de representantes do Panamá.

Objetivo do treinamento

O objetivo é treinar na prática a resposta a um foco real, aplicando protocolos de biossegurança, fazendo desinfecção de veículos, controlando o trânsito animal e coletando amostras para diagnóstico.

Essas ações de prevenção são fundamentais para evitar a volta da doença, que, caso reapareça, resultaria em um desastre absoluto, com o imediato fechamento das exportações de carne.

A manutenção do status de área livre de aftosa sem vacinação é um desafio contínuo, mas que agrega um valor enorme ao produto nacional, abrindo acesso a mercados internacionais mais exigentes.

Em entrevista ao Giro do Boi, o coordenador regional do IMA, Guilherme Antunes, destacou que o governo de MG tem investido milhões na instituição para garantir a defesa sanitária do rebanho. Confira:

Inovações tecnológicas

Um dos avanços mais notáveis é o lançamento de um aplicativo exclusivo do IMA para atendimento de emergências sanitárias. Essa ferramenta, com versões mobile e web, permite que os médicos veterinários em campo façam todo o levantamento da doença, convoquem auxílio e registrem dados de forma rápida e eficiente.

Além do aplicativo, está sendo criado um sistema mais robusto, em parceria com a Universidade Federal de Lavras, para garantir a rastreabilidade da bovinocultura. O treinamento em MG reforça a necessidade de conscientização do produtor rural e da população, pois a notificação rápida de qualquer caso suspeito é vital para conter um foco de doença.

O investimento em educação sanitária e em tecnologia, como o novo aplicativo, visa informar a todos sobre os sinais clínicos das doenças e os canais de notificação. Manter o status sanitário não é apenas uma obrigação, mas uma estratégia econômica.

O reconhecimento de livre de aftosa sem vacinação pode aumentar as exportações em cerca de 30%, fortalecendo toda a cadeia do agronegócio, desde a fazenda até o consumidor final. O estado de MG, que já é um gigante na produção de leite e carne, demonstra com essas ações um compromisso com o futuro da pecuária brasileira.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Após mortes por metanol, Câmara aprova urgência para torna crime hediondo adulteração de bebidas



A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (2) o regime de urgência para votação do projeto que torna crime hediondo adulteração de bebidas . A decisão ocorre em meio à repercussão dos casos recentes de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, que já provocaram mortes e internações graves em São Paulo e Pernambuco.

O Projeto de Lei 2307/07, de autoria do deputado licenciado Otavio Leite (RJ), classifica como crime hediondo a adição de ingredientes em alimentos capazes de causar risco à vida ou grave ameaça à saúde da população.

De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil já contabiliza 43 notificações de intoxicação por metanol. Em São Paulo, seis pessoas morreram após ingerir bebidas alcoólicas adulteradas. Em Pernambuco, foram confirmadas duas mortes e um caso de cegueira permanente.



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Jovem faz gestão de funcionários e ajuda nos partos em granja suína da família



A catarinense Débora Bourcheidt é um dos exemplos de que a paixão pelo campo transcende gerações. Aos 16 anos ela teve o seu primeiro registro em carteira na granja de suínos da família e, desde então, não largou mais o ofício.

Segundo ela, em 2002 seus pais e tios construíram uma granja para 250 matrizes em Santa Fé Baixa, interior de Itapiranga, em Santa Catarina. Com o tempo o espaço foi evoluindo e hoje em dia são cerca de 2.300, mas o projeto que está em andamento pretende abrigar mais de 3 mil.

“A gente tem oito galpões de suínos e agora estamos construindo o nono. Faz 23 anos que a gente tem a granja e desde pequena eu estou envolvida aqui. Sempre meus pais me levavam junto na granja, no meio dos porquinhos, em cima do carrinho de ração. A gente tratava as porcas, ia brincando e ajudando”, lembra.

Segundo Débora, quando iniciou os trabalhos na granja, passou a estudar à noite. “Hoje, cuido dos funcionários, de escritório, de lançamentos, planilhas, toda essa parte sou eu que cuido e ainda ajudo dentro da granja, no carregamento, nos partos”, detalha.

Ela conta que seus planos são o de seguir a sucessão familiar na granja e, talvez, fazer medicina veterinária para ter mais conhecimento na área. “Mas, a princípio, vai ser ficar aqui na granja e trabalhar com a minha família.”

Débora conta que o local conta com cerca de 15 funcionários, além da mãe, do pai e dos tios. Além disso, os primos também começaram a tomar gosto pela atividade e a ajudar no dia a dia. “São mais de 20 anos que minha família está no ramo da suinocultura e acredito que aqui a sucessão familiar é bem forte e a gente vai ficar aqui lutando pelo o que a nossa família construiu e fortalecendo sempre o agronegócio na nossa região”, finaliza.



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Soja deve ser ‘moeda de troca’ no encontro entre EUA e China



A China reduziu as compras de soja dos Estados Unidos drasticamente. Em setembro, por exemplo, as importações chinesas pelo país governado por Donald Trump foram a zero. Segundo Carlos Cogo, consultor em agronegócios, o motivo é simples: as tarifas de 34% impostas sobre os produtos do gigante asiático.

Em uma postagem na Truth Social, o presidente norte-americano disse que os produtores de soja dos Estados Unidos estão “sendo prejudicados porque a China, apenas por razões de ‘negociação’, não está comprando”. Trump também confirmou que irá se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, e que a soja será um dos principais temas da discussão.

Encontro entre Trump e Xi; o que esperar?

De acordo com Cogo, os Estados Unidos costumam usar o setor agrícola como moeda de troca em negociações comerciais com a China. Isso aconteceu em 2020, no chamado “Phase One Deal”, quando Pequim se comprometeu a ampliar as compras de soja, milho e carnes norte-americanas para reduzir tensões na guerra comercial.

O consultor lembra que o peso político da agricultura é central para Trump. Um eventual acordo sobre grãos e carnes pode ser oferecido em troca de avanços em outros pontos sensíveis, como tarifas industriais, propriedade intelectual ou semicondutores.

Para o Brasil, o impasse abre uma janela de oportunidade. Com os chineses fora do mercado norte-americano, a soja brasileira tende a ganhar ainda mais espaço no maior importador mundial da oleaginosa. “Enquanto não houver acordo, a China não vai importar dos EUA. Até lá, quem sai beneficiado é o Brasil”, avalia Cogo.

Reunião entre Trump e Lula no radar

Em comparação com a China, o cenário das relações comerciais entre Estados Unidos e Brasil é um pouco mais complexa. Em vigor desde agosto, o tarifaço contra as exportações brasileiras soma 50%, uma das maiores taxas do mundo. Agora, as atenções se voltam para uma possível reunião entre Lula e Trump, ainda sem data para acontecer.

Na avaliação de Cogo, o cenário mais provável é de avanços limitados. “O diálogo deve produzir declarações positivas e a criação de mesas técnicas para negociar tarifas, mas sem soluções imediatas”, diz.

Entretanto, em um panorama mais otimista, o encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos pode levar à redução gradual das tarifas e ao fortalecimento da cooperação bilateral, com ganhos práticos para os exportadores brasileiros. “Carne bovina e café têm as maiores chances, pois a falta do Brasil já afeta diretamente o consumidor norte-americano”, analisa Cogo.



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Secretário do Tesouro dos EUA afirma que país anunciará medida de auxílio a sojicultores



O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou, nesta quinta-feira (2), que o governo federal apoiará os agricultores americanos afetados pela recusa da China em comprar soja americana, com um anúncio previsto para terça-feira (7). Segundo a consultoria Safras & Mercado, a medida visa minimizar os impactos econômicos sobre os produtores.

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Bessent destacou que os agricultores votaram massivamente em Donald Trump nas eleições de 2024 e garantiu que o governo está ao lado deles. Ele criticou a decisão da China de usar os produtores americanos como “reféns” nas negociações comerciais entre Washington e Pequim. Isso resultou em bilhões de dólares em vendas perdidas e, por isso, Trump afirmou que a soja será um dos principais temas no encontro com o presidente chinês Xi Jinping, agendado para daqui a quatro semanas.

O secretário ressaltou que quase todos os recentes acordos comerciais dos EUA incluíram a compra de produtos agrícolas americanos, e que outros países devem suprir a demanda que a China deixou de atender. Além disso, Bessent mencionou que a colheita recorde de soja também tem pressionado os preços para baixo.

Segundo ele, o programa de apoio aos agricultores será lançado na terça-feira e incluirá ação conjunta com o Farm Credit Bureau para garantir recursos para o planejamento das próximas safras.



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Produtores de soja têm oportunidade única de acessar subsídios do PSR – Canal Rural


Tenho defendido neste espaço que o futuro do seguro agrícola passa pelo Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM). Num cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, ele surge como ferramenta estratégica para aumentar a resiliência produtiva e proteger a renda do agricultor.

No piloto da safra 2025/26, os produtores terão subvenções conforme a classificação:

  • NM1 20%
  • NM2 – 25%
  • NM3 – 30%
  • NM4 – 35%

Considerando que o governo bloqueou R$ 354 milhões do PSR, esse piloto se tornou talvez a única opção de o produtor acessar a subvenção ao prêmio do seguro de soja em outubro. Cooperativas e corretores do Paraná: ainda é tempo, mas o prazo está se esgotando.

O novo Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), lançado em caráter piloto para a soja no Paraná, é a maior inovação dos últimos anos no seguro rural, conectando boas práticas agrícolas a mais acesso a recursos do PSR.

O ZarcNM, coordenado pela Embrapa, representa um salto de qualidade na forma como o risco climático é avaliado. Em vez de tratar todos os produtores de forma uniforme, a metodologia leva em conta indicadores agronômicos objetivos para classificar as áreas em quatro níveis de manejo (NM1 a NM4).

São analisados parâmetros como fertilidade do solo, saturação de alumínio, tempo sem revolvimento, cobertura com palhada, rotação de culturas e diversidade de cultivos. A pontuação final gera a classificação que, por sua vez, modulada pela política pública, define diferentes percentuais de subvenção ao seguro rural.

Isso significa que quem adota melhores práticas de manejo terá direito a maior subvenção. Trata-se de um incentivo direto à sustentabilidade produtiva, premiando quem investe em conservação do solo, rotação de culturas e técnicas modernas que aumentam a resiliência climática.

Os dados da Embrapa deixam claro o potencial dessa abordagem. Em anos de seca severa, como 2021 e 2022, agricultores classificados no Nível de Manejo 3 apresentaram entre 55% e 83% mais resiliência do que aqueles que não seguiram as recomendações técnicas.

Outro ponto relevante é a transparência e a base técnica do processo. O ZarcNM combina informações de sensoriamento remoto (imagens de satélite), validações de campo e análises laboratoriais de solo, processados pelo Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SINM). Cada etapa é rastreável e auditável, garantindo segurança tanto para produtores quanto para seguradoras e o próprio governo.

Além disso, o modelo abre espaço para uma revolução no mercado de seguros agrícolas. Tradicionalmente, seguradoras precificam riscos a partir de médias regionais, sem diferenciar práticas de manejo. Com o ZarcNM, passa a ser possível precificar riscos de forma mais justa e personalizada, reduzindo custos para bons produtores e estimulando a adoção de tecnologias que beneficiam toda a cadeia produtiva.

Em síntese, o Zarc Níveis de Manejo é muito mais do que uma inovação técnica: é uma ferramenta de política agrícola inteligente. Ele cria um círculo virtuoso em que o produtor é incentivado a adotar melhores práticas, a seguradora ganha em precisão na gestão do risco e o governo utiliza de forma mais eficiente os recursos do PSR.

A mensagem é clara: investir em manejo de qualidade é investir no futuro da agricultura brasileira.

*Pedro Loyola é coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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