quarta-feira, abril 22, 2026

Autor: Redação

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‘Produtor tem papel central na transição energética brasileira’, aponta diretor da Ubrabio



Durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, realizada nesta sexta-feira (3), o painel “Oportunidades dos Biocombustíveis e Oportunidades para a Soja do MS” reuniu Donizete Tokarski, diretor-superintendente da Ubrabio, e Arthur Falcette, secretário adjunto da Semadesc. O debate abordou o papel da soja na transição energética e na produção de biocombustíveis, destacando as novas oportunidades de mercado e o potencial de valorização da cadeia produtiva.

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Segundo Donizete Tokarski, a soja é um dos grandes pilares que fazem da agricultura brasileira um exemplo de transformação e eficiência. ”O produtor de soja não produz apenas alimento. Ele produz alimento e energia. O biodiesel é um combustível que segue rígidos padrões de qualidade, reduz emissões de gases poluentes e melhora a eficiência energética do país. Além disso, sua cadeia está diretamente ligada à geração de empregos, renda e desenvolvimento regional”, destacou.

Tokarski reforça que o biodiesel derivado da soja é parte essencial de uma produção mais sustentável e estratégica. ”Não existe carne mais descarbonizada do que a produzida no Brasil. O biodiesel, a partir da soja, fortalece essa lógica. Do grão ao farelo, agregamos valor à produção e fortalecemos a economia local. É importante que o produtor reconheça que ele tem um papel central na transição energética brasileira”, apontou.

Já Arthur Falcette destacou o protagonismo de Mato Grosso do Sul. ”Hoje, as discussões geopolíticas do mundo giram em torno da transição energética e o estado tem se posicionado de forma estratégica. Quando falamos em combustível do futuro, estamos falando em manter os padrões de qualidade e, ao mesmo tempo, fortalecer os sistemas produtivos. Tudo está conectado”, explicou.

Falcette lembrou que o Brasil tem metas ambiciosas para ampliar o uso de biocombustíveis. ”Estamos numa trajetória que leva o biodiesel de 15% para 20%, podendo chegar a 25%, e o etanol deve alcançar 30% na mistura com a gasolina. É um movimento que vai exigir planejamento e integração entre as cadeias produtivas do agro”, ressaltou.

Questionado sobre a suposta competição entre a produção de biocombustíveis e a de alimentos, Tokarski rebateu: ”De jeito nenhum. Essa narrativa existe na Europa, onde há limitações de terra e clima. No Brasil, é diferente. Produzimos duas ou três safras por ano, o que nos permite atender tanto a demanda alimentar quanto a energética.”

Falcette reforçou que o Mato Grosso do Sul está preparado para esse novo cenário. ”É fundamental enxergar essa cadeia de forma integrada, do biodiesel ao etanol e ao biometano. Nossa capacidade de produzir várias safras e conectar essas cadeias será o diferencial competitivo do MS. Quanto maior for nossa demanda interna por biocombustíveis, mais estabilidade teremos no mercado e nos preços”, comentou no painel.

Tokarski finalizou destacando que o aumento do consumo de biocombustíveis traz benefícios diretos à economia e à sociedade. ”O crescimento dos biocombustíveis representa o aumento do uso da nossa principal matéria-prima, a soja. Essa expansão precisa ser compreendida e valorizada pela sociedade. O Brasil ainda depende de cerca de 20% de diesel fóssil importado. Ele reforçou, ainda, que é essencial valorizar o que é produzido no território nacional.

Nas considerações finais, Donizete destacou o simbolismo do evento. ”Hoje é um dia espetacular e histórico. Estamos lançando a semente do futuro sustentável do Brasil, que une tecnologia, produtividade e governança no campo. É a demonstração da força da nossa agropecuária e da capacidade de desenvolvimento regional que temos”, afirmou.

Arthur Falcette também chamou atenção para a dimensão estratégica dos biocombustíveis. ”Estamos diante de uma onda muito forte, que não vai retroceder. Se olharmos para Mato Grosso do Sul, produzimos mais de 20 milhões de metros cúbicos de etanol, metade disso de milho, e há poucos anos não tínhamos nada. Essa transformação é resultado de uma construção estratégica que o agro brasileiro soube abraçar”, observou.

Ele ressaltou que o produtor rural precisa enxergar o tema de forma mais ampla. O secretário alertou que, muitas vezes, na propriedade rural, os produtores ficam presos à rotina operacional e deixam de olhar para o contexto maior. Essa é uma discussão que precisa estar próxima do produtor, porque se há um agro capaz de absorver essa agenda, é o agro brasileiro.

Falcette falou sobre a importância da segurança jurídica e da atuação ativa do setor.
“Precisamos acompanhar esse processo de perto. Se ficarmos distantes, seremos apenas passageiros. O Brasil deve ser protagonista e mostrar ao mundo como lidar com as questões da segurança alimentar e da transição energética. Quem quiser conversar sobre isso terá que sentar à mesa com o Brasil”, finalizou.



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Chuva no fim de setembro favorece florada dos citros



A chuva nas principais regiões do cinturão citrícola na semana passada ajudou na indução de flores em alguns talhões. Isso é o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do instituto alertam, contudo, que o volume e a constância das chuvas ainda não compensaram o déficit hídrico registrado na maioria das praças. 

Ressalta-se que esse é um momento crucial para definição do potencial produtivo da safra seguinte. Não há previsão de chuvas expressivas para a região citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro nos próximos dias, apenas de tempo quente.

Pesquisadores do Cepea indicam que este contexto coloca o recém-iniciado período de floração em uma situação de risco.

A preocupação dos agentes do setor consultados pelo Cepea é que, diante do baixo volume de chuva e de dias bastante quentes, o pagamento seja prejudicado, levando a uma alta queda de flores, o que, consequentemente, atrapalha a safra de primeira florada do ano que vem, assim como já aconteceu em 2025.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Diferença de preços entre os ovos branco e vermelho é a menor desde 2024



A diferença entre os preços dos ovos tipos extra brancos e vermelhos, recuou em setembro atingindo o menor patamar desde 2024. Isso é o que apontam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Vale lembrar que esse cenário é visto após os preços das duas variedades de ovos terem alcançado uma diferença recorde em março deste ano. Desde então, a diferença entre os valores das duas variedades tem recuado de forma contínua. 

Segundo pesquisadores do Cepea, o estreitamento gradual entre as duas variedades de ovos reflete o aumento da oferta no mercado doméstico ao longo dos últimos meses, que pressionou as cotações da proteína. 

Dados do instituto mostram que, entre julho e setembro, o preço dos ovos brancos tipo extra, a retirar (FOB) em Santa Maria de Jetibá, caiu 14% em relação ao trimestre anterior, em termos reais (dados deflacionados pelo IGD-DI de agosto/25). 

Ainda assim, a retração na média trimestral dos ovos vermelhos foi ainda mais intensa, de 18% (também em termos reais).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Indústria brasileira cresce 0,8% em agosto, aponta IBGE



A indústria brasileira registrou alta de 0,8% em agosto em relação a julho, já descontados os efeitos sazonais. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou as expectativas de analistas, que projetavam avanço de até 0,3% no período.

Comparações anuais e acumulado

Na comparação com agosto de 2024, o setor industrial apresentou queda de 0,7%. Ainda assim, no acumulado de 2025, a produção cresceu 0,9%. Já no recorte de 12 meses, houve expansão de 1,6%, resultado inferior ao aumento de 1,9% verificado até julho.

Economistas avaliam que o desempenho mostra resiliência da indústria, mesmo diante de um cenário de juros elevados e demanda enfraquecida em alguns segmentos. Segundo o IBGE, parte da recuperação recente está ligada ao desempenho da produção de bens intermediários e da indústria extrativa.

Distância dos níveis recordes

Apesar do crescimento, a indústria brasileira ainda opera bem abaixo dos picos históricos. Em agosto, a produção estava 14,4% abaixo do nível mais alto da série, alcançado em maio de 2011.

O recuo é ainda mais expressivo em alguns segmentos. A fabricação de bens de capital, que reflete investimentos em máquinas e equipamentos, está 29,8% aquém do recorde de setembro de 2013. Já os bens de consumo duráveis, como veículos e eletrodomésticos, operam 31,2% abaixo do auge de junho de 2013.

Os bens intermediários, insumos usados em diferentes cadeias produtivas, estão 10,6% abaixo do pico de 2011. No caso dos bens semiduráveis e não duráveis, como vestuário e alimentos, o nível de produção segue 14,3% inferior ao registrado em junho de 2013.

Especialistas destacam que a recuperação plena da indústria depende de maior dinamismo da economia doméstica e de avanços no ambiente de negócios, fatores que podem estimular investimentos e elevar a produtividade do setor.



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Setor avícola segue à espera de reabertura do mercado chinês



A China ainda não retomou as compras de carne de frango brasileira, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

As aquisições estão suspensas desde meados de maio, quando foi registrado um caso de gripe aviária em uma granja comercial do RS. Ainda assim, o setor avícola nacional está otimista e à espera de boas notícias nas próximas semanas, apontam pesquisadores do instituto. 

Vale lembrar que representantes chineses estiveram no Brasil na segunda quinzena de setembro avaliando a forma que o país administrou a ocorrência do caso da gripe aviária. 

Dados da Secex mostram que, de janeiro a maio, a média mensal de exportação de carne à China era de 45,65 mil de toneladas. A quantidade representava, em média, 10% do total escoado pelo Brasil.

Já em junho, julho e agosto, a média de escoamento ao país asiático caiu para 191 toneladas, passando a representar apenas 0,05% dos embarques nacionais nesse período. 

Pesquisadores do Cepea indicam que, caso a China, único país que mantém o embargo sobre a proteína brasileira,  retome as compras por aqui, o Brasil está preparado para ofertar carne de frango o suficiente para atender ao país asiático sem comprometer a disponibilidade doméstica e nem impulsionar os valores internos da proteína.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Plantio na Argentina alcança 19,8% da área total projetada



O plantio de milho da safra 2025/26 na Argentina alcançava na última semana 19,8% da área total projetada, de 7,8 milhões de hectares, informou a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Na semana, o avanço foi de 7,4 pontos porcentuais.

Na comparação com igual período do ano passado, os trabalhos estão 7 pontos porcentuais adiantados. Segundo a bolsa, a semeadura em áreas como oeste, centro e nordeste de Buenos Aires está atrasada por causa do excesso hídrico, mas está adiantada em outras regiões, como o centro de Santa Fé e Entre Ríos.

Trigo

Quanto ao trigo, 97% da safra apresentava condição entre normal e excelente na última semana, estável ante a semana anterior. A bolsa destacou que, até o momento, as estimativas de rendimento estão próximas das máximas históricas.



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AgroNewsPolítica & Agro

Goiás divulga resultado preliminar do PAA 2025



Mais de 180 municípios atendidos pelo PAA Goiás



Foto: Pixabay

O Governo de Goiás divulgou o resultado preliminar do Programa de Aquisição de Alimentos do Estado de Goiás (PAA Goiás) 2025. A iniciativa, liderada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com a Emater Goiás e a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), destinará R$ 30 milhões para agricultores familiares em 181 municípios, abrangendo mais de 73% do estado.

De acordo com o governo, nesta edição foram registrados 3.126 cadastros pela Plataforma PAA Goiás, número que representou registro de participação. Após análise da documentação, 2.809 propostas foram consideradas aptas. Dentre eles, 2.015 produtores foram classificados para fornecimento imediato, enquanto 794 foram contratados em cadastro de reserva.

O processo de avaliação ocorreu entre 8 e 29 de setembro. Conforme previsto em edital, os produtores podem interpor recursos administrativos até esta quinta-feira (2), de forma exclusiva pela Plataforma PAA Goiás.

As próximas fases do programa incluem a definição das entidades sociais responsáveis ??pela recepção e distribuição dos alimentos e a publicação do calendário de entregas. A expectativa é de que os benefícios ocorram de forma parcelada entre novembro de 2025 e julho de 2026.





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Guerra comercial entre China e EUA beneficia exportações de soja do Brasil



A disputa comercial entre China e Estados Unidos abriu espaço para a soja brasileira ganhar ainda mais relevância no mercado internacional. Com tarifas adicionais impostas por Pequim sobre o grão americano, os embarques do Brasil se tornaram a principal alternativa para suprir a demanda chinesa, que representa em média 61% de toda a soja negociada no comércio global, segundo a Associação Americana de Soja.

Nos últimos anos, a China importou volumes que superam, sozinha, a soma de todos os outros compradores do mundo. O país asiático, com 1,4 bilhão de habitantes e o maior rebanho suíno do planeta, é insubstituível para o mercado global da oleaginosa.

Em 2024, os Estados Unidos chegaram a exportar 27 milhões de toneladas de soja para a China, mas esse fluxo foi reduzido drasticamente após a imposição de uma tarifa de 23% por parte de Pequim. Apesar de a soja americana ter registrado preços de até US$ 0,90 por bushel mais baratos que os da brasileira, o imposto adicional encareceu o produto em US$ 2 por bushel, inviabilizando a compra.

Com isso, os chineses intensificaram suas compras na América do Sul. A Argentina também foi beneficiada, depois que o governo de Javier Milei suspendeu temporariamente o imposto de exportação sobre a oleaginosa em setembro, medida que atraiu carregamentos imediatos. Ainda assim, é o Brasil que segue como principal fornecedor.

Impacto nos EUA

A perda de mercado para o Brasil gerou forte insatisfação entre produtores norte-americanos. O ex-presidente Donald Trump, em publicação no Truth Social, afirmou que a soja será tema central em sua próxima reunião com o presidente chinês Xi Jinping. “Nossos agricultores estão sendo prejudicados porque a China, apenas por razões de negociação, não está comprando”, escreveu.

A pressão já atinge outros setores da economia rural. A fabricante de máquinas CNH, dona das marcas Case e New Holland, registrou queda de 20% nas vendas líquidas de equipamentos agrícolas no primeiro semestre de 2025.

Na Farm Progress Show, tradicional feira realizada em Illinois, a prefeita de Decatur — cidade conhecida como antiga “capital mundial da soja” — admitiu que o título pode estar migrando para outro hemisfério. “Talvez seja o Brasil”, disse Julie Moore Wolfe.

Brasil fortalecido

A mudança no fluxo global reforça a posição brasileira como principal fornecedor da oleaginosa para a China, consolidando ainda mais sua liderança no comércio internacional da soja. Enquanto os agricultores americanos aguardam uma possível retomada das negociações entre Washington e Pequim, os produtores do Brasil ampliam espaço no maior mercado comprador do mundo.



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‘O agro é parte essencial da identidade do Brasil’, afirma presidente da Aprosoja MS durante início da semeadura da soja



A contagem regressiva chegou e, agora, as máquinas assumem o protagonismo no campo. Foi dada a largada para a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2025/26, realizada em Sidrolândia (MS), diretamente da Fazenda Recanto. São cerca de mil presentes reunidos no evento que marca oficialmente o início da nova temporada de semeadura da oleaginosa no Brasil.

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A família Basso esteve presente no palco, representada também por Rodrigo Basso, prefeito de Sidrolândia. Em seu discurso, o gestor destacou a importância da soja para o desenvolvimento local. “Não tem como a gente não ser grato por essa cultura que trouxe tanto desenvolvimento para a gente. Representando produtores rurais, estamos muito gratos pela parceria com a Aprosoja Brasil”, afirmou.

Durante a cerimônia, foi exibida uma reportagem sobre a relevância da commodity para Mato Grosso do Sul. Também participaram da abertura o presidente do Sindicato Rural de Sidrolândia, Paulo Stefanello, e o presidente da Aprosoja-MS, Jorge Michelc.

“É uma honra receber todos vocês neste momento que marca o início de nossa agricultura. Sidrolândia representa 6% da área estadual, com produção de 960 mil toneladas na última safra e produtividade acima da média estadual. Além disso, conta com mais de 119 mil hectares disponíveis para expansão”, disse Michelc, reforçando o potencial da região.

O presidente do Sindicato Rural de Sidrolândia, Paulo Stefanello, fez questão de agradecer à família Basso pela acolhida na Fazenda Recanto. Em sua fala, ele destacou a posição estratégica do município.

“Sidrolândia está no coração da Rota Bioceânica, que traz para o município um grande avanço no setor logístico. Isso é muito importante para o desenvolvimento da nossa região, pois gera crescimento industrial não só para Sidrolândia, mas para todo o Centro-Oeste do Brasil”, afirmou.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, subiu ao palco e pediu uma salva de palmas em homenagem a todos os produtores rurais de Mato Grosso do Sul.

Na sequência, Julio Cargnino, presidente do Canal Rural, também se dirigiu ao público e fez uma série de agradecimentos. Ele saudou os milhares de agricultores que acompanham o evento, destacou a importância da família Basso e cumprimentou os 11 presidentes de Aprosojas presentes. Cargnino lembrou que esta é a sexta vez que a abertura nacional acontece em Mato Grosso do Sul.

“É um compromisso de levarmos juntos informação ao produtor rural. Outro pilar desse encontro é o momento de celebração: estamos unindo mais de mil produtores aqui hoje. E também conseguimos, a partir desses eventos, mostrar ao Brasil o que acontece no campo”, afirmou.

Programação da Abertura do Plantio da Soja

A programação inclui dois painéis de debates. O primeiro, “Biocombustíveis: Economia Verde e Oportunidades para o Produtor”, terá a participação de Donizete Tokarski, diretor superintendente da Ubrabio, e Arthur Falcette, secretário adjunto da Semadesc. O painel vai discutir o papel estratégico da soja na produção de biodiesel e outras energias renováveis, ampliando as possibilidades de mercado para os produtores.

Na sequência, será realizado o painel “Caminhos para Solução dos Gargalos do Agro”, mediado por Fabrício Rosa. Entre os convidados estão Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil; a senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura; e o deputado Rodolfo Nogueira, presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. O debate deve abordar os principais desafios logísticos, regulatórios e políticos que influenciam o avanço do agronegócio brasileiro.



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COP30 poderá gerar R$ 3,3 milhões para agricultores familiares



No estado do Pará, pelo menos 80 grupos organizados, entre associações, cooperativas e redes produtivas, e cerca de 8 mil famílias da agricultura familiar estão aptos a fornecer alimentos para a 30ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), em novembro, em Belém.

O mapeamento, feito pelos institutos Regenera e Fronteiras do Desenvolvimento, buscou mostrar que na região há fornecedores para atender às demandas do edital publicado em agosto pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para a seleção dos operadores de alimentação da conferência.

O edital estabelece, pela primeira vez, que uma conferência do clima terá ao menos 30% dos ingredientes servidos aos participantes provenientes da agricultura familiar, da agroecologia e da produção de povos e comunidades tradicionais.

O levantamento feito pelos institutos mostra que essa compra de insumos para a COP30 poderá injetar R$ 3,3 milhões na economia local, valor equivalente a quase 80% do orçamento anual do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) destinado ao município de Belém.

“Toda vez que a gente fala de aumentar a oferta de alimentos agroecológicos ou da agricultura familiar, a pergunta que sempre aparece é: ‘Mas onde estão esses produtores? Existe produção suficiente?’”, diz o cofundador do Instituto Regenera, Maurício Alcântara. O mapeamento vem responder a essas questões, mostrando que sim, há produtores suficientes.
Alcântara explica que, para um produtor ser considerado apto, foram levados em conta no levantamento critérios como: estar com o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) regularizado e estar apto a emitir notas fiscais e seguir os regulamentos sanitários para cada alimento fornecido.

“Existe muito mais produção do que além dessas 8 mil famílias, mas este foi o primeiro mapeamento que nós fizemos para poder mostrar que existe gente produzindo bastante coisa. Há uma diversidade muito grande de produtos, uma diversidade muito grande de origens, de lugares diferentes do estado do Pará, que podem ser fornecidos para esse evento. Não significa que sejam só esses que possam ser fornecedores, mas é só para mostrar um ponto de partida”, diz Alcântara.

Agricultura familiar

Em todo o país, as propriedades de agricultura familiar somam 3,9 milhões, representando 77% de todos os estabelecimentos agrícolas. Já em área ocupada, são 23% do total, o equivalente a 80,8 milhões de hectares.

Essas propriedades são responsáveis por 23% do valor bruto da produção agropecuária do país e por 67% das ocupações no campo. São 10,1 milhões de trabalhadores na atividade. Desses, 46,6% estão no Nordeste. Em seguida, aparecem o Sudeste (16,5%), Sul (16%), Norte (15,4%) e Centro-Oeste (5,5%). Os dados são do Anuário Estatístico da Agricultura Familiar.

Para Alcântara, a inclusão da agricultura familiar, da agroecologia e da produção de povos e comunidades tradicionais no edital dos alimentos que serão servidos nos espaços oficiais da COP-30 é uma vitória.

“Quando a gente fala especificamente do aspecto climático, são essas e esses produtores que estão produzindo alimentos adequados e relacionados com o bioma. É quem está produzindo, por exemplo, em modelos regenerativos e modelos agroecológicos que combinam a preservação da floresta com a produção de alimentos. É gente que está preservando os biomas, por exemplo, quando se recusam a produzir só o que o mercado está demandando, mas produzem uma oferta muito maior, uma diversidade muito maior de alimentos”, destaca.

Para ele, a presença dessa produção nos espaços de discussão sobre o futuro do planeta é fundamental e é também um dos legados do Brasil para as futuras COPs.

“É fundamental que eles não só estejam lá dentro, mas que a gente também mostre que é possível realizar um evento desse tamanho reconhecendo a importância desses produtores, trazendo esses produtores também como protagonistas, não apenas do evento em si, mas também como um exemplo para um legado. A gente pode mostrar que todos os grandes eventos podem seguir esse movimento de priorizar essa produção local”, diz.

Produção amazônica

Uma das organizações que fazem parte do mapeamento é o Grupo para Consumo Agroecológico (Gruca). O agricultor urbano Noel Gonzaga, de Marituba, na região metropolitana de Belém, é um dos fundadores do grupo, criado para conectar os pequenos produtores aos consumidores. Além de serem fornecedores, as 25 famílias produtoras também oferecem vivências para que os consumidores possam visitar e conhecer um pouco dos locais e das pessoas que produzem os alimentos.

A produção de Gonzaga é diversificada, inclui macaxeira, abóbora, feijão, quiabo, milho, açaí, além de um alimento especial: o ariá. O agricultor define o ariá como a batata amazônica e explica que ela corre risco de extinção pela falta de consumo. Ele diz que todos os anos planta ariá e faz questão de citar a planta sempre que fala da própria produção.

“É um alimento que era consumido a antigamente, estava muito presente nas mesas das pessoas aqui da região. Mas, por conta da chegada do trigo, ele foi perdendo espaço. Hoje em dia, não sou eu, outros agricultores estão trazendo de volta essa essa batata amazônica”, conta.

A produção de Gonzaga vai para o próprio prato e para alimentar a família. O excedente ele comercializa pelo Gruca e também para o ponto de cultura alimentar Iacitata, que reúne a produção de uma rede de produtores agroecológicos e de mestres e mestras da cultura alimentar. O Iacitata foi selecionado como um dos restaurantes que funcionarão nos espaços oficiais da COP30.

“A gente aqui é agricultura familiar de base agroecológica. Eu não uso coisas que vão me fazer mal, que vão afetar a minha saúde e também a saúde de quem vai consumir. Como o foco aqui, o princípio é também o autoconsumo, eu vou ter todo esse cuidado porque é um alimento que eu vou comer. Eu não vou só vender, eu vou comer, o meu filho vai comer. Isso já vai me guiar para práticas sustentáveis”, ressalta Gonzaga.

Um dos produtos que ele deverá fornecer para a COP30 por meio do Iacitata é o açaí. “O açaí é as nossas boas-vindas. É parte da nossa cultura”, diz. O alimento está entre os que chegaram a ser proibidos no edital do evento, que alegou risco de contaminação. Após polêmica, o edital foi revisto, e a proibição foi suspensa.

“Inclusive a COP deu sorte. Eles vão pegar exatamente a safra do açaí, a gente está no auge da safra agora. Em novembro já vai estar ali um pouco mais para o final, mas vai ter muito açaí, com certeza”, garante o produtor.



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