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O processo administrativo seguirá em tramitação – Foto: Divulgação
O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu nesta terça-feira (30/09) adiar para 1º de janeiro de 2026 o início da suspensão preventiva dos efeitos da Moratória da soja. A informação foi analisada por Marcelo Winter, sócio da área de Agronegócio do VBSO Advogados, em comentário sobre o julgamento.
Na decisão de agosto, a Secretaria-Geral do Cade havia instaurado um processo administrativo para investigar possível cartelização entre as empresas signatárias da Moratória e imposto a suspensão preventiva do acordo, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. Com o julgamento mais recente, o Tribunal concedeu uma espécie de vacância temporária, permitindo que, até o fim de dezembro de 2025, as companhias continuem aplicando normalmente as cláusulas do acordo. Isso inclui o compartilhamento de informações voltadas a evitar a aquisição de soja oriunda de áreas do Bioma Amazônico desmatadas após 2008.
O processo administrativo seguirá em tramitação, com coleta de informações e instrução probatória. Ao final do prazo estabelecido, o colegiado deverá deliberar novamente, podendo decidir pela manutenção, alteração ou cancelamento da suspensão preventiva.
“O processo administrativo seguirá em tramitação, com a coleta de informações e instrução probatória. Após o prazo estabelecido, o colegiado deverá voltar a deliberar sobre a manutenção, alteração ou cancelamento da suspensão preventiva. Na prática, a decisão mantém, até o fim do ano, o funcionamento regular da Moratória da Soja e preserva a apuração em curso no âmbito do Cade”, conclui.
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Foto: Canva
De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (2), a colheita de citros está próxima do fim em diversas regiões do Rio Grande do Sul, com perspectiva favorável para a próxima safra.
Na região administrativa de Caxias do Sul, restam poucos pomares a serem colhidos, enquanto as plantas apresentam abundante floração. A previsão é de uma boa safra, com os produtores intensificando os tratos culturais, especialmente a aplicação de fungicidas para manutenção da sanidade durante o florescimento.
Em Frederico Westphalen, os pomares estão, em geral, nas fases de chumbinho e fixação de frutos. Os produtores realizaram adubações de início de safra e aplicaram tratamentos preventivos contra antracnose. O informativo aponta que as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e reforçam a expectativa de alta produtividade.
Na região, segue a colheita de variedades de ciclo médio e tardio de laranja e bergamota. A variedade Murcott já atingiu cerca de 60% da colheita, enquanto a Montenegrina foi concluída. Nos pomares de laranja de ciclo tardio da variedade Folha Murcha, a colheita está em fase inicial. O levantamento indica boas condições fitossanitárias, embora haja registro de áreas com clorose variegada dos citros (CVC).
O processamento industrial da fruta foi iniciado com maior regularidade, e os preços pagos às indústrias variam entre R$ 650 e R$ 700 por tonelada. Contudo, muitos produtores têm limitado a colheita devido ao florescimento e à fase de chumbinho, para evitar queda de flores. A expectativa é de melhora nos preços nas próximas semanas.
Para a laranja destinada ao consumo in natura, a demanda permanece aquecida, com preços entre R$ 1.000 e R$ 1.100 por tonelada.
O mercado brasileiro de soja acompanhou a sinalização externa e registrou, em setembro, um mês de recuo nos preços. A consequência imediata foi a desaceleração na comercialização, com produtores segurando a oferta e aguardando cenários mais favoráveis, mesmo que os fundamentos do mercado não indiquem recuperação imediata. As informações são da consultoria Safras & Mercado.
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Cotações de soja
Passo Fundo (RS): caiu de R$ 134,00 para R$ 129,00
Cascavel (PR): caiu de R$ 135,00 para R$ 132,00
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 126,00 para R$ 123,00
Porto de Paranaguá (PR): recuo de R$ 4,00, para R$ 136,00
Soja em Chicago
No mercado internacional, os contratos da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) com vencimento em novembro caíram 5%, encerrando o mês em US$ 10,01 3/4 por bushel. A pressão sobre os preços segue ligada ao avanço da colheita americana, à menor demanda chinesa e à eliminação temporária das retenciones argentinas, que levou compradores do país asiático a agendar pelo menos 40 cargas na Argentina.
O câmbio também contribuiu para o cenário desafiador. Em setembro, o dólar desvalorizou 1,84%, fechando a R$ 5,32, pressionado pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que tem incentivado a entrada de capital especulativo no país.
Exportações e safra brasileira
Apesar do recuo nos preços, o Brasil colheu em 2025 uma safra recorde de soja, garantindo o cumprimento de seus compromissos comerciais, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade, representada por Daniel Amaral, destacou o aumento projetado do esmagamento de soja, com maior oferta de farelo e óleo.
Para o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, 2025 foi um ano de forte volatilidade. “Tivemos oferta recorde de soja brasileira, próxima de 172 milhões de toneladas, e preços relativamente bons, apesar da pressão da oferta. As exportações devem chegar a 105 milhões de toneladas”, disse. A previsão para 2026 é de outra safra recorde, de aproximadamente 180 milhões de toneladas, com expansão moderada da área plantada devido aos altos custos de produção e às taxas de juros.
USDA e estoques americanos
Nos Estados Unidos, os estoques trimestrais de soja, na posição de 1º de setembro, totalizaram 316 milhões de bushels, abaixo da expectativa de 322 milhões, representando queda de 8% em relação a 2024. Do total, 91,5 milhões de bushels estão com produtores, queda de 18%, enquanto os estoques fora das fazendas somam 225 milhões, com baixa de 3%.
O USDA elevou a estimativa para a safra americana de soja de 2024 para 4,274 bilhões de bushels, revisou a área plantada para 87,3 milhões de acres e a colhida para 86,2 milhões, mantendo a produtividade em 50,7 bushels por acre.
A divulgação de novos relatórios está suspensa devido à paralisação do governo federal. Conforme o plano de contingência do USDA, a maioria dos funcionários está em licença não remunerada, e o relatório mensal de oferta e demanda agrícola mundial (WASDE), previsto para 9 de outubro, não será publicado.
A Embrapa desenvolveu um método que utiliza sensores de imagem e inteligência artificial para identificar a lagarta-do-cartucho, uma das pragas mais agressivas da cultura do milho.
O sistema analisa imagens digitais e identifica a lagarta tanto na folha da planta como na espiga de milho. Dessa forma, é possível minimizar a subjetividade de métodos tradicionais, que são trabalhosos e dependem da observação humana para a realização da mesma tarefa.
O milho é um dos cereais mais cultivados no mundo e a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frungiperda) é uma das principais pragas da cultura. Esse inseto pode causar perdas capazes de comprometer 70% da produção, de acordo com pesquisadores da Embrapa. A lagarta ataca as plantas tanto na fase vegetativa quanto na fase reprodutiva.
Método de detecção da lagarta-do-cartucho
O trabalho foi motivado pela diferença entre o método atual de detecção e o resultado pretendido, isso os levou a pesquisar uma alternativa para a detecção precoce de pragas em áreas cultivadas.
Segundo o analista da Embrapa Alex Bisetto Bertolla, o estudo focou no reconhecimento e na classificação de padrões dinâmicos da lagarta-do-cartucho, que além do milho, ataca diversas culturas agrícolas, como a soja e do algodão. Ele explica que a solução obtida pode auxiliar agrônomos e laboratórios a ter resultados mais precisos.
Para facilitar a captação das imagens, uma câmera fotográfica simples pode ser acoplada em implementos agrícolas, para que possa coletar as imagens das lagartas presentes nas plantas de milho, tanto folhas como espiga, enquanto executa operações na lavoura. A câmera não precisa ser de alto custo, é necessário apenas produzir imagens com boa resolução.
Integração de processos
O método integra processamento digital de imagens e sinais, estatística multivariada, técnicas de aprendizado de máquina e visão computacional.
De acordo com Bertolla, o algoritmo computacional tem a capacidade de avaliar as imagens digitais de distintos estágios de crescimento da lagarta situada nas plantas de milho, assim como seu estágio de desenvolvimento e frequência de ocorrência na área de cultura.
O programa foi desenvolvido em Python, linguagem de programação de alto nível muito usada em ciência de dados e aprendizado de máquina.
O estudo avaliou um total de 2.280 imagens de lagartas-do-cartucho presentes em folhas ou em espigas na área de cultivo do milho, de forma a qualificar cinco distintos estágios de desenvolvimento da praga durante o ciclo de produção.
A safra brasileira de café em 2025 se aproxima do fim (com 96% da colheita concluída), sob o ciclo de bienalidade negativa, porém apresentando desempenho positivo, segundo relatório do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). A terceira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que a produção nacional deve alcançar 55,2 milhões de sacas beneficiadas, volume 1,8% superior ao registrado em 2024.
A área total destinada à cafeicultura em 2025 soma 2,25 milhões de hectares, o que corresponde a uma expansão de 0,9% frente ao ano anterior. Desse total, 1,86 milhão de hectares estão em produção, com redução de 1,2%, enquanto as lavouras em formação registraram acréscimo expressivo de 11,9%, alcançando 395,8 mil hectares.
A safra de café arábica em 2025 deve alcançar 35,2 milhões de sacas beneficiadas, resultado 11,2% inferior ao do ano anterior. A retração é explicada pelo ciclo de baixa bienalidade e pela redução da área em produção, hoje em 1,49 milhão de hectares. Apesar disso, a expansão das lavouras em formação, que cresceram 12,3% e somam 353,1 mil hectares, sinaliza perspectivas de recuperação nos próximos ciclos. Com 1,84 milhão de hectares cultivados, o arábica representa mais de 80% da cafeicultura nacional, com destaque para Minas Gerais, responsável por três quartos dessa área, seguido por São Paulo.
Já no conilon, o desempenho é significativamente melhor, com estimativa de 53,8 sc/ha, um aumento de 37% frente ao ano anterior, favorecido pelo clima mais regular e pela boa formação dos frutos, apontou o relatório. A produção de café conilon em 2025 está estimada em 20,1 milhões de sacas beneficiadas, um expressivo crescimento de 37,2% frente à safra anterior. Esse aumento é indicativo da recuperação das perdas do ano anterior, que ocorreram em razão das fortes ondas de calor e da consequente redução do potencial produtivo dos cafeeiros, apesar da bienalidade positiva.
O avanço no ciclo atual do conilon é atribuído às condições climáticas mais regulares durante as fases críticas, que favoreceram a floração e resultaram em melhor formação dos frutos. A espécie ocupa 415,6 mil hectares, dos quais 372,9 mil estão em produção e 42,7 mil em formação. O Espírito Santo concentra a maior área cultivada, com 286,7 mil hectares, seguido por Bahia e Rondônia, com 51,5 mil e 47,8 mil hectares, respectivamente.
A Rasip Agro, unidade da RAR Agro & Indústria, sediada em Vacaria (RS) e uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil, investiu no aluguel de 300 milhões de abelhas, que atuarão na polinização de 1,5 milhectares de pomares.
Para a safra de 2025, serão mais de 5,5 mil caixas ninho, com cerca de cinco colmeias de abelhas da espécie Apis mellifera por hectare.
O ciclo de florescimento das macieiras terá início na segunda quinzena de setembro e é considerado um dos períodos mais importantes do processo produtivo.
Segundo Sergio Martins Barbosa, presidente executivo da RAR Agro & Indústria, o investimento reforça o compromisso com práticas agrícolas de excelência e inovação.
“Apolinização é fundamental para a qualidade e produtividade e a decisão de investir em um número expressivo de abelhas reflete nossa visão de longo prazo”, diz Barbosa.
Além disso, o presidente da empresa destaca que não quer apenas garantir altos índices de produção, mas também frutos com padrão superior.
As abelhas, de acordo com o diretor da Rasip Agro e engenheiro agrônomo, Celso Zancan, desempenham papel essencial no processo de polinização, melhorando a frutificação e, consequentemente, influenciando no calibre das maçãs.
“Essa interação natural resulta em frutos mais uniformes, com melhor qualidade e maior valor agregado. O investimento garante eficiência e sustentabilidade ao manejo dos pomares”, acrescenta.
Para Barbosa, a expansão dos pomares e o uso de tecnologias sustentáveis, como a polinização com abelhas, fortalece ainda mais a posição da companhia no mercado e promove o desenvolvimento da região de Vacaria.
O mercado da soja encerrou a primeira semana de outubro sob pressão no Brasil, mesmo com sinais de recuperação nos preços internacionais. Entre 26 de setembro e 2 de outubro, o bushel da oleaginosa em Chicago saiu de US$ 10,12 para US$ 10,23, impulsionado por um corte de 8% nos estoques trimestrais dos EUA e expectativas de retomada no comércio com a China. Ainda assim, o mercado interno brasileiro seguiu em viés de baixa, com a média semanal no Rio Grande do Sul em R$ 122,46/saca.
Segundo o CEEMA/Unijuí, os prêmios mais fracos nos portos e o câmbio estável ao redor de R$ 5,30 impactaram negativamente os preços no país. Em praças como Não-Me-Toque (RS), Nonoai (RS) e Pato Branco (PR), a soja foi cotada a R$ 119,00/saca, enquanto em Maracaju (MS) chegou a R$ 123,00.
O plantio da nova safra de soja 2025/26 avança lentamente, alcançando 3,2% da área estimada, segundo a AgRural. A StoneX projeta uma produção nacional de 178,6 milhões de toneladas, podendo chegar a 180 milhões se o clima colaborar. Essa expectativa de safra cheia também pressiona as cotações, reduzindo o apetite comprador neste início de ciclo.
Outro fator de influência é a relação comercial entre EUA e China. A soja deve integrar a pauta de uma nova rodada de negociações entre os presidentes dos dois países, o que pode resultar na suspensão das tarifas aplicadas por Pequim desde maio. O mercado internacional reagiu positivamente à notícia, mas ainda de forma contida.
Com a colheita norte-americana atingindo 19% da área, e 62% das lavouras em boas ou excelentes condições, a atenção agora se volta ao relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 9 de outubro. A expectativa é de atualizações relevantes sobre estoque, produção e exportações, o que pode mexer com os preços também no Brasil.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma metodologia que permite projetar como rebanhos de animais de diferentes espécies responderão fisiologicamente aos impactos das mudanças climáticas entre 2050 e 2100.
Estima-se que, caso se atinja o aumento médio de 2 °C de temperatura em 2050, situações críticas para a agricultura e para a saúde de animais e humanos irão ocorrer de maneira ainda mais frequente e intensa.
Por isso, os resultados da pesquisa são importantes para a estruturação de políticas públicas, tomada de decisão e ações do setor privado visando evitar o comprometimento da produção e da segurança alimentar.
De acordo com o estudo, os três cenários analisados (2050, 2075 e 2100) afetarão mais intensamente os pequenos ruminantes do hemisfério Norte. A projeção é de um aumento médio de até 68% na taxa respiratória desses animais em relação aos do Sul.
Por outro lado, a pecuária leiteira do Sul será a mais vulnerável ao estresse térmico entre ruminantes criados nos trópicos. Isso porque caprinos e bovinos de corte demonstram maior resiliência devido à plasticidade fenotípica, ou seja, a capacidade de mudança de características físicas (fenótipos) dependendo das condições ambientais, permitindo, assim, adaptação sem alterar o código genético (genótipo).
Desenvolvimento de linhagens resistentes
Entre os animais de produção do hemisfério Sul, as galinhas poedeiras e codornas foram identificadas como as mais suscetíveis ao estresse térmico, com aumento previsto de até 40 batimentos respiratórios por minuto até 2100. Os achados estão publicados na revista científica Environmental Impact Assessment Review.
“Com as temperaturas globais aumentando e os eventos climáticos se tornando mais extremos, será preciso desenvolver linhagens resistentes e adaptáveis, além de ambientes produtivos de alto nível, com controle de condições térmicas”, diz o coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea) da Esalq-USP e um dos cientistas do grupo, Iran José Oliveira da Silva.
Segundo ele, o estudo fornece subsídios para orientar políticas de adaptação da produção animal visando a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental. “Sabemos que as adaptações precisarão ser feitas, incluindo manejo direcionado à seleção e à conservação de recursos genéticos”, completa.
Silva foi orientador no doutorado do zootecnista Robson Mateus Freitas Silveira, também da Esalq e primeiro autor do artigo – o texto é o quinto de uma série de outros já publicados de sua tese.
“Começamos essa série definindo, pela primeira vez, o que seria um animal sustentável. Entendemos ser aquele com baixa emissão de carbono líquido, eficiente na conversão alimentar e na adaptação, independentemente das condições climáticas, além de clinicamente saudável e com alto desempenho”, define.
Segundo ele, posteriormente, foi desenvolvida uma metodologia para identificar esses animais, com a feitura da caracterização e as discussões. “Depois, buscamos identificar biomarcadores fenotípicos para identificá-los”, conta Silveira.
Metodologia do estudo
Os cientistas utilizaram 12 bancos de dados coletados no Brasil, Itália e Espanha para projetar como as mudanças climáticas vão impactar nas respostas termorreguladoras.
Houve uma etapa que envolveu tabulação, organização e padronização de dados biológicos, produtivos e ambientais. Depois, foram avaliadas as respostas adaptativas e identificados biomarcadores fenotípicos de animais de produção usando análise fatorial exploratória e regressão múltipla. O perfil adaptativo de diferentes animais foi traçado em ambos os hemisférios.
A partir daí, o grupo desenvolveu modelagens inteligentes com aprendizado de máquina (machine learning) e análise multivariada. Dados meteorológicos foram usados para projetar cenários climáticos de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – RCP 4.5, modelo conservador), ligado às Nações Unidas (ONU).
Os pesquisadores analisaram também respostas adaptativas dos animais de produção, como variáveis termorreguladoras, hematológicas, morfológicas, hormonais e bioquímicas. As espécies incluídas são ovinos, caprinos, bovinos (de leite e de corte), suínos (leitões), aves e codornas.
Silva destaca que as variáveis hematológicas (medidas por meio de exame de sangue completo) são um importante biomarcador para o estudo de adaptação animal à temperatura ambiente, até mais do que a morfologia da pelagem.
Os autores concluem que a adaptação animal é essencial para enfrentar os cenários de mudanças climáticas, especialmente no equilíbrio entre produção e resiliência.
Enquanto o hemisfério Norte concentra maior produtividade e será o mais impactado, o Sul deve investir em seleção de biomarcadores, cruzamentos e conservação de raças locais. O futuro da segurança alimentar dependerá da integração de genética, políticas públicas e inovação sustentável em escala global.
Segurança alimentar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA
A ONU aponta que a população mundial deve crescer dos atuais 8 bilhões de pessoas para cerca de 10 bilhões em 2050. Mesmo com os esforços dos países para garantir segurança alimentar, estima-se que 8,2% da população passou fome em 2024, enquanto o desperdício ainda chega a um terço da comida produzida no mundo.
Além disso, a cadeia global de produção de alimentos resulta em altos níveis de gases do efeito estufa e desmatamento para pecuária e agricultura, sendo responsável por 31% das emissões globais.
Esse crescimento populacional e da renda vem pressionando cada vez mais o sistema alimentar, também impactado pelas mudanças climáticas, com o aumento das temperaturas, alteração dos padrões de chuvas e maior frequência de eventos extremos (secas e enchentes).
Um dos efeitos é a dificuldade dos países de cumprirem os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Consistem em 17 metas interligadas, definidas pelas Nações Unidas, que buscam erradicar a pobreza, combater as desigualdades e a fome, proteger o meio ambiente e o clima, além de garantir justiça a todos até 2030.
Para os pesquisadores, o estudo fornece base científica para o desenvolvimento de sistemas de produção animal mais sustentáveis e resilientes, em alinhamento com os ODS.
Entre os maiores produtores de carnes do mundo estão Brasil, Estados Unidos e China. No caso brasileiro, por exemplo, estima-se que a produção de carnes bovina, suína e de aves atinja 31,57 milhões de toneladas em 2025, mantendo-se próxima ao recorde de 2024 (31,58 milhões de toneladas), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em relação à exportação, o Brasil vendeu entre janeiro e julho 1,78 milhão de toneladas de carne bovina e deve fechar o ano com cerca de 5,2 milhões de toneladas exportadas de frango, mesmo com os impactos provocados pelo tarifaço dos EUA e a gripe aviária.
Na pesquisa, o grupo ressalta que para a avicultura é urgente e necessária uma intensificação do sistema de produção porque esses animais não suportarão temperaturas elevadas.
“A bovinocultura de leite e as aves, tanto de postura como de corte, já vão sofrer efeitos imediatos no ciclo produtivo. Isso é um sinal de alerta para a produção do futuro. Por isso, a importância do trabalho conjunto entre genética e ambiência. Buscamos analisar o que vai acontecer lá na frente para prevenir e alertar produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas”, completa Silva à Agência FAPESP.
Limitação da pesquisa
No artigo, os cientistas ponderam que há dificuldades com as bases de dados dos países – às vezes por pequeno número amostral e diferentes metodologias de coleta das respostas adaptativas –, além dos custos das análises laboratoriais. Somente a temperatura retal e a frequência respiratória foram variáveis em comum nos 12 bancos de dados.
Uma segunda limitação foi o fato de não existir uma base de animais ruminantes e monogástricos (como bovinos, ovelhas e aves) em sistemas totalmente confinados, adotados em alguns países, especialmente China e Estados Unidos.
“Esse trabalho é a ponta de um iceberg. Levantamos os primeiros dados e agora é preciso agregar bancos de parceiros e ampliar as informações para diferentes regiões do mundo, permitindo comparar e estudar os reflexos em outros cenários. O estudo liderado pelo Robson é pioneiro na contextualização, mostrando que a parceria entre países e pesquisadores favorece conclusões que podem ser úteis a todos”, afirma Silva.
Silveira ressalta que um próximo passo é coletar dados e informações fenotípicas de aves e suínos de diferentes linhagens em todo o Brasil para montar um banco de dados a ser usado para prever como serão as respostas adaptativas e produtivas desses animais às mudanças climáticas. Esse é o foco de seu estágio pós-doutoral no Nupea, com apoio da FAPESP.
No artigo, o grupo sugere que outras pesquisas aprofundem o entendimento da relação entre respostas termorreguladoras e desempenho produtivo para fortalecer estratégias voltadas à segurança alimentar.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) anunciou na quarta-feira (1°) uma nova parceria estratégica com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) no âmbito do Programa Construindo Solos Saudáveis.
A colaboração tem como objetivo promover práticas regenerativas na cafeicultura brasileira, destacando, o protagonismo da cooperação na cadeia do café para garantir sustentabilidade, prosperidade e resiliência ambiental.
Benefícios da cafeicultura regenerativa
Segundo a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, a parceria terá foco na implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro.
“Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, afirma.
A utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café foi uma das práticas analisadas na agenda de carbono do Cecafé, por meio do estudo Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais, conduzido pela Imaflora e Esalq/USP.
Como resultado, Silvia também destacou que esse trabalho demonstrou um balanço negativo de carbono, uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa na mitigação dos efeitos dasmudanças climáticas.
Transição sustentável
A colaboração entre Cecafé e Emater-MG viabilizará que essas ações da agenda de carbono mudem esfera teórica para a prática no campo, usando a expertise da estatal e o apoio dos exportadores de café para ampliar o conhecimento entre os produtores.
Para possibilitar essa transição à prática, as ações da parceria incluem:
dias de campo, com foco em manejo sustentável;
assistência técnica especializada para produtores;
análises de solo e avaliação de biomassa;
mobilização de cafeicultores com apoio dos exportadores associados ao Cecafé;
elaboração de relatórios técnicos com base nas avaliações das UDs.
O coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussú Guimarães, anota que essa colaboração responde, principalmente, aos anseios do mercado consumidor por produtos ambientalmente responsáveis.
“Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa, que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, celebra.
Por meio dessa iniciativa, o Cecafé e a Emater-MG celebram, neste Dia Internacional do Café, não apenas a bebida que une culturas e pessoas, mas, também, os esforços conjuntos que tornam possível uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e sustentável.
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Foto: Divulgação
A lentidão nas exportações de milho no Brasil tem pressionado os preços internos. Apesar de uma leve alta no preço internacional (média de US$ 4,13/bushel em setembro), o cereal brasileiro está barato para quem vende e caro para quem compra, conforme relatório da CEEMA.
Entre fevereiro e setembro, apenas 17 milhões de toneladas foram embarcadas, muito abaixo das 40 milhões previstas pela Conab e das 50 milhões necessárias para aliviar os estoques. No acumulado do ano, as exportações somam 24 milhões de toneladas, contra 37 milhões em 2024 e o recorde de 56 milhões em 2023.
O preço médio no Rio Grande do Sul ficou em R$ 61,91/saca, com variações entre R$ 47,00 e R$ 64,00 nas demais regiões. Os compradores estão estocados e retraídos, o que tira força do mercado e agrava o desequilíbrio.
O plantio do milho de verão avança no Centro-Sul e atinge 32% da área prevista. A estimativa é de produção de 25,6 milhões de toneladas nesta etapa, segundo AgRural e StoneX. No total, a demanda doméstica deve passar de 91 milhões de toneladas em 2025, impulsionada pela produção de etanol.
Nos primeiros 20 dias de setembro, o Brasil embarcou 6,6 milhões de toneladas, mas a Anec estima que o total mensal fique em 7,3 milhões. O preço médio da tonelada exportada subiu para US$ 199,70. Mesmo assim, não é suficiente para descomprimir o mercado.
A situação é considerada atípica e pode se agravar na virada do ano, com possibilidade de novos recuos nos preços. O setor acompanha com atenção o ritmo das exportações e a evolução da demanda interna.