Produtores rurais de Mato Grosso terão a oportunidade de regularizar suas propriedades e esclarecer dúvidas sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) durante o Mutirão CAR Digital 2.0, promovido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) entre os dias 21 e 23 de outubro, na cidade de Barra do Garças.
O evento contará com a presença da equipe da Sema, incluindo analistas e a secretária adjunta de Meio Ambiente, além do apoio dos Escritórios Verdes da JBS, que irão atender presencialmente os produtores para esclarecer questões sobre bloqueios e protocolos do programa Boi na Linha.
Segundo analista de sustentabilidade da JBS, Wolney Rodrigues, o CAR Digital 2.0 automatiza a validação do CAR, sobrepondo camadas de dados como reservas legais e áreas consolidadas, agilizando o processo que antes era manual.
“Todos os pecuaristas que possuem CAR ativo podem participar do evento, levando documentos pessoais, comprovante de endereço e o recibo do CAR. É essencial estar regularizado para acessar crédito, comercializar produtos e cumprir o Código Florestal”, explica Wolney.
Além da regularização, os participantes poderão receber vouchers do Programa de Reinserção e Monitoramento do Imac, caso tenham restrições relacionadas a desmatamento legal, embargos ou fraudes.
O evento reforça a importância da regularização ambiental e do uso de ferramentas digitais para agilizar processos e garantir a sustentabilidade do agronegócio em Mato Grosso.
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (8) o julgamento sobre a legalidade do projeto de construção da Ferrogrão, nova ferrovia que ligará Sinop, no norte de Mato Grosso, a Itaituba, no Pará. A votação sobre a constitucionalidade da construção foi iniciada na sessão de hoje, mas após os votos dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, Flávio Dino pediu vista do processo. Não há data para retomada do caso.
A construção da Ferrogrão é articulada desde o governo do ex-presidente Michel Temer, que editou uma medida provisória (MP) para tratar da questão. Em seguida, a MP foi convertida na Lei 13.452/2017. Sob a justificativa de resolver problemas de escoamento da produção agrícola, as normas alteraram os limites do Parque Nacional do Jamanxim, localizado no Pará, para permitir a construção da ferrovia.
O caso chegou ao Supremo por meio de uma ação protocolada pelo PSOL. O partido alegou que medidas ambientais não foram cumpridas e que o traçado da ferrovia pode trazer prejuízos para as comunidades indígenas que estão nas proximidades do parque. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes votou pela constitucionalidade da lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim.
No entendimento de Moraes, as normas previram a compensação ambiental da área reduzida do parque e não houve prejuízo considerável para o meio ambiente. O relator também descartou impactos para as comunidades indígenas.
“Ela [ferrovia] não passa por nenhuma terra indígena. O maior impacto registrado seria na Terra Indígena Praia do Mangue, que fica a quatro quilômetros de distância do traçado da ferrovia”, afirmou. O voto do relator foi seguido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Faltam os votos de nove ministros.
Ele chegou! Segundo o relatório mais recente da NOAA, o La Niña está em uma fase de curta duração no Brasil. O fenômeno deve permanecer até o final de 2025 e alcançar a neutralidade no encerramento da safra 2025/26. Mas, o que isso significa? O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, explicou todos os detalhes sobre a atuação do episódio climático.
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱
Na prática, isso indica chuvas acima da média no Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba. Já no Sul do país, não há necessariamente risco de seca, especialmente no Rio Grande do Sul, onde não se projeta estiagem severa, uma vez que o fenômeno tende a ser brando.
Os mapas de umidade do solo apontam boas condições no centro-sul do Pará e no centro-norte de Mato Grosso, embora o Brasil central ainda precise de mais precipitações para consolidar o plantio. Esse cenário começa a mudar com a atuação de um ciclone extratropical, que deve levar volumes expressivos de 50 a 70 mm para o Sul, mas também para o Centro-Oeste e Sudeste, ajudando a reverter o quadro de déficit hídrico em diversas áreas. A previsão também é favorável para Rondônia.
A tendência para a segunda quinzena de outubro aponta para a manutenção das chuvas no centro-sul entre os dias 16 e 20, com avanço das precipitações para o Matopiba no fim do mês. Assim, estados como Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí devem registrar maiores volumes a partir da última semana de outubro.
Em Primavera do Leste, não há previsão de ondas de calor nos próximos 30 dias. Apenas dois dias isolados (25 e 26 de outubro) devem registrar máximas entre 34 e 36 °C. Já a chuva deve ganhar protagonismo entre 18 e 22 de outubro, com acumulados acima de 30 a 40 mm em apenas 24 horas, o que pode atrapalhar momentaneamente os trabalhos de campo em algumas regiões.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Conversei sobre a Amazônia com Marcello Brito, enviado especial para a COP30 e também um profissional com experiência espetacular com relação ao mundo amazônico. Perguntei a ele qual a grande expectativa para a COP30 e o que vai acontecer.
Eis o que ele me respondeu:
“É um desafio tremendo. Olhe o mundo que estamos vivendo, as tensões geopolíticas que nós estamos vivendo. Então não dá para não falar que existe um tensionamento que irá pressionar as questões da Convenção do Clima. Quanto a isso não tenho a menor dúvida. Isso você olhando o copo meio vazio. Vamos olhar o copo bem cheio: é a primeira grande reunião internacional que vai reunir chefes de Estado e os principais estarão aqui em Belém. Apesar que tem muita gente que diz que tem poucos países, não tem poucos. Todos os países filiados a UNFCCC – Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – estarão presentes. Dá para ter certeza disso. Comitivas maiores ou menores, mas todos estarão. E é justamente nesses eventos que nós temos a possibilidade de jogar à mesa novas ideias, novas considerações, novos arranjos geopolíticos, estruturação de novos acordos. Então muito mais do que nós vamos entregar no último dia da COP30, dia 22 de novembro, é o que nós vamos construir durante esses 11 dias em Belém e que nós vamos pôr em prática no exercício da presidência da COP do Brasil, que só termina o ano que vem quando nós entregarmos, eu acho que será Austrália, tá? Então eu acho que nos próximos 12 meses, a partir de 9 de novembro, quem irá fazer a agenda ambiental de negociações, o país é o Brasil. Então veja a oportunidade de nós inserirmos os novos modelos de mineração sustentáveis, novos sistemas alimentares tropicais, porque é nessa faixa tropical que reside toda capacidade produtiva de alimentos no mundo. Então essa é a oportunidade. Quando eu vejo alguém dizer, eu não vou para Belém porque lá é muito difícil. Esses dias até me perguntaram: ‘Marcello, os empresários não vão para Belém?’. Eu falei: vão sim. Aqueles que já vão a Amazônia, que enxergam lá como um potencial para o agro, para a restauração florestal para carbono já estão lá. Os que não estão indo são aqueles que já não iriam. Então podem continuar a fazer suas reuniões em São Paulo, no Rio, sem nenhum problema, porque a COP é do Brasil. Ela só será sediada em Belém. Então a minha expectativa como brasileiro é que consigamos dar início a todas essas construções e eu tenho dito, o que eu espero de lá é entender que o mundo tem jeito e que essa nova construção geopolítica se dará a partir de Belém”.
Uma visão construtiva, efetivamente importantíssima, e tenho visto em minhas andanças pela Europa que a imagem da Amazônia é fundamental para a imagem brasileira. Então perguntei ao Marcello qual a visão dele sobre essa minha constatação.
Ele me disse ainda: “Eu diria que a Amazônia tem um potencial de imagem muito mais forte do que o próprio Brasil. A Isabela Teixeira tem uma frase que é icônica pra mim: ‘A Amazônia coloca o Brasil no mundo, mas ao mesmo tempo tira o Brasil no mundo’. Nós deveríamos saber disso há muito tempo”.
Parabéns! Sucesso, Marcello, na COP30 e concordo com você!
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Um homem foi detido na tarde desta quinta-feira (9) por manter animais silvestres em cativeiro. Na residência do suspeito, a Polícia Militar de Meio Ambiente encontrou um filhote de jacaré, que ele afirmou ter recebido pelo correio, e uma jiboia. O caso ocorreu no bairro Itaipu, na região de Barreiro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A corporação chegou ao endereço após denúncia anônima de tráfico de animais silvestres. No local, foi constatado que o jacaré estava amarrado em uma tela apertada e dentro de uma caixa de papelão, evidenciando maus-tratos.
O homem foi liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e recebeu um auto de infração no valor de R$ 37.334,25. Os animais foram apreendidos e encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto Estadual de Florestas (CETAS/IEF).
Um vídeo divulgado pela PM mostra o filhote de jacaré preso na rede dentro da caixa de papelão, reforçando a gravidade da situação.
O Rio Grande do Sul tradicionalmente divide com o Paraná o posto de segundo maior produtor de soja do país. Contudo, após estiagens severas e alagamentos de lavouras pela chuva, o estado convive com quebras de safras sucessivas.
Agora, a depender do clima, a temporada 2025/26 finalmente mostra sinais de que não terá percalços, mas o acesso ao crédito e a renegociação de dívidas ainda emperra a vida do produtor, levando muitos a desistirem de áreas arrendadas.
Conforme o calendário oficial, o plantio da oleaginosa está liberado desde o dia 1 de outubro, mas até este momento são muitos os casos de agricultores que não têm insumos para sequer iniciar os trabalhos.
Produtores sem rumo
O sojicultor Armindo Crestani, de Cachoeira do Sul, região central gaúcha, conta que não consegue acessar novas linhas de crédito e que pretende diminuir a área.
“A gente planta só soja, vai diminuir a área porque não temos condição de plantar toda a área. Vamos entregar campo e vamos plantar do jeito que dá. Está difícil de conseguir insumos. Perdemos o crédito, o CPF negativado por causa de certas negociações em banco que não quiseram fazer”, relata.
O produtor Fábio Santos, de São Vicente do Sul, também na região central do Rio Grande do Sul, igualmente reclama do tratamento dado pelos bancos aos agricultores. “Produtor é bom para o banco quando ele está comprando consórcio, seguro e título de capitalização. […] no momento que em ele se ‘aperta’ e precisa de um tratamento diferenciado, não serve mais para o banco.”
Os produtores contam que os arrendamentos são outro problema, já que sem conseguir pagar o dono da terra, muitas áreas foram deixadas para trás pelos produtores que, consequentemente, têm dificuldade de fornecer garantias às instituições financeiras para conseguir novos custeios.
Exemplo disso é o produtor Dimitrius José, de Tapes, município do litoral gaúcho. “Eu particularmente já renegociei a renegociação, não tenho tenho acesso mais a crédito no banco e nem mais garantia para dar. A solução que eu tomei foi a de entregar algumas áreas, diminuir a minha área, mas, mesmo assim, sigo na dificuldade de acessar crédito”.
Ele conta que ainda está sem fertilizantes, sementes e defensivos no galpão. “Daqui para a frente é todo dia levantar de manhã e correr atrás para ver se alguém te consegue um crédito.”
Socorro que ainda não chegou
A última medida anunciada pelo governo, a MP 1314, que liberou R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas ainda não está acessível aos produtores. Além disso, 93 municípios haviam ficado de fora da lista porque não declararam situação de emergência à época, critério fundamental para estar elegível ao socorro oferecido.
Mesmo assim, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resolveu incluir 56 cidades impactadas pelas enchentes do ano passado.
O produtor Marcelino Michelotti, de Alegrete, na região da Campanha Gaúcha, conta que conseguiu renegociar suas dívidas por três anos, mas agora também encontra dificuldade em conseguir crédito para a safra 2025/26 tanto nos bancos quanto nas empresas privadas.
“Pretendo manter a área plantada, não tenho essa condição de diminuir porque tenho contas a pagar e não sei de que forma vou fazer. Até o momento não temos adubo, não temos nada”, relata.
O produtor Jeferson Scheibler, de Bagé, sul gaúcho, fronteira com o Uruguai, destaca que está na atividade há 30 anos e considera estar insustentável produzir no estado. “As calamidades, a gente não tem culpa de terem acontecido uma atrás da outra. Então, acho que o governo federal, como as instituições financeiras, poderiam ser um pouco mais flexíveis ou mais solidárias com o produtor nesse momento.”
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱
Na propriedade de Jorge, em Jaciara, as primeiras chuvas animaram o produtor, que busca aproveitar cada milímetro de umidade para não perder o ritmo do plantio. Nesta temporada, ele pretende cultivar 5.300 hectares.
Na fazenda vizinha, a família Fritsch planeja cultivar 3.000 hectares. O custo da lavoura gira em torno de 50 a 55 sacas por hectare, com a soja valendo cerca de R$ 110 a R$ 115 por saca.
Na região da Grande Primavera, que reúne 11 municípios e deve plantar 1,6 milhão de hectares, a atenção é redobrada. O solo ainda carece de umidade equilibrada, e o avanço das máquinas é controlado, enquanto os produtores monitoram o céu em busca de novas chuvas.
Apesar da lentidão, o intervalo entre as chuvas trouxe um efeito positivo, já que o setor ganhou tempo para organizar entregas e ajustar a logística.
Segundo o Imea, Mato Grosso avançou nove pontos percentuais em uma semana, atingindo 15% da área prevista, desempenho duas vezes acima da média histórica de 6%.
A produção estimada é de 47 milhões de toneladas, cerca de 7% abaixo do ciclo anterior. Para os produtores, este não é um ano para excessos. O foco está em manter a média do ano passado, equilibrar custos e preservar a margem de lucro.
Os preços do petróleo encerraram esta sexta-feira (10) em forte queda, pressionados por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis aumentos de tarifas sobre produtos chineses. A commodity também reagiu a notícias sobre o Oriente Médio, com Israel confirmando a entrada em vigor de um cessar-fogo em Gaza.
Queda acentuada no mercado
O contrato futuro do WTI para novembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu 4,24%, ou US$ 2,61, fechando a US$ 58,90 por barril. O Brent para dezembro, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 3,82%, ou US$ 2,49, a US$ 62,73 por barril. Na semana, o WTI acumula baixa de 3,25% e o Brent, 2,78%.
Os contratos atingiram os menores patamares em até cinco meses, refletindo deterioração no sentimento de risco dos mercados e a expectativa de menor demanda futura.
Tensões comerciais e geopolíticas
Trump afirmou que o governo estuda um “grande aumento” das tarifas sobre produtos chineses, em resposta a restrições de Pequim sobre exportações de terras raras. “É um golpe triplo para o petróleo hoje”, explica Rebecca Babin, analista da CIBC Private Wealth US. Segundo ela, a pressão sobre a demanda, o cessar-fogo em Gaza e a possibilidade de investidores aumentarem posições vendidas contribuem para a queda dos preços.
Além disso, o republicano planeja uma cúpula com líderes mundiais no Egito na próxima semana para tratar da situação em Gaza, o que também influencia a percepção de risco nos mercados.
Perspectivas para o mercado
Embora as notícias sobre Rússia e Ucrânia continuem a gerar fluxo de capital especulativo, especialistas como a Ritterbusch Advisory apontam uma deterioração nos balanços globais de petróleo. Essa combinação de fatores sugere volatilidade persistente nos preços da commodity até o final do mês, com impactos diretos no mercado internacional e nos custos de energia.
O Ministério da Saúde recebeu nesta quinta-feira (9), no Aeroporto de Guarulhos (SP), uma remessa com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, usado no tratamento de pacientes com metanol no organismo. A substância detectada tem sido ingerida junto com bebidas alcoólicas adulteradas, produzidas de maneira clandestina.
É a primeira remessa desse antídoto a chegar ao Brasil. Ao todo, 1,5 mil unidades já começam a ser distribuídas ainda hoje, sendo priorizado o estado de São Paulo, que registra o maior número de casos de intoxicação pela substância. A unidade federativa receberá 288 unidades do medicamento.
O restante do lote será destinado a outras localidades com ocorrências confirmadas: Pernambuco (68 unidades), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), Rio Grande do Sul (80), Mato Grosso do Sul (20), Piauí (24), Espírito Santo (28), Goiás (52), Acre (16), Paraíba (28) e Rondônia (16).
Distribuição aos estados
Unidade federativa
Quantidade
São Paulo
288
Minas Gerais
152
Rio de Janeiro
120
Bahia
104
Paraná
84
Rio Grande do Sul
80
Pernambuco
68
Ceará
64
Pará
60
Santa Catarina
56
Goiás
52
Maranhão
48
Amazonas
32
Espírito Santo
28
Mato Grosso
28
Paraíba
28
Alagoas
24
Piauí
24
Rio Grande do Norte
24
Distrito Federal
20
Mato Grosso do Sul
20
Acre
16
Amapá
16
Rondônia
16
Roraima
16
Sergipe
16
Tocantins
16
Total
1.500
O envio terá continuidade nesta sexta-feira (10), estendido a todo o país, inclusive em locais sem casos comunicados às autoridades. A pasta ainda manterá mil ampolas de fomepizol guardadas em estoque.
Os estados poderão demandar novas remessas, conforme sua necessidade e surgimento ou alta de casos. Em nota, o ministério esclarece que o quantitativo foi definido a partir de dados demográficos oficiais, do último Censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A aquisição do lote foi realizada com a subsidiária de uma companhia japonesa. A compra foi viabilizada pelo Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, destacou que o órgão já iniciou o treinamento de 5 mil agentes de vigilância, policiais e funcionários do Ministério da Agricultura para prepará-los para o enfrentamento das ocorrências. A ação é fruto de uma parceria firmada com a pasta e a Sociedade Brasileira de Produtores de Bebida.
“A gente está qualificando os servidores da vigilância sanitária para poder proceder diante desse tipo de situação e ajudando no processo de fiscalização e entrega de amostras aos laboratórios para análise”, disse Safatle.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que a população já tem acesso ao etanol farmacêutico, e agora o governo está oferecendo uma alternativa, que é o fomepizol. Ela acrescentou que a intoxicação pode ser constatada não somente por exames que mostrem a presença de metanol no corpo, mas por outros, também laboratoriais, como o de gasometria.
Segundo a secretária, à medida que foram surgindo mais casos, as autoridades de saúde viram que a substância tóxica fazia os pacientes adoecerem em um intervalo menor.
“O ministério ampliou a suspeita do caso de seis a 72 horas após a ingestão [da bebida], porque estava observando pessoas entrando [na unidade de saúde, à procura de atendimento] com seis horas, oito horas”, relatou.
Perguntada sobre a quantidade de unidades de antídoto dada a cada pacientes, Mariângela Simão informou que o cálculo é de cerca de 30 ampolas de etanol farmacêutico. Já em relação ao fomepizol, a estimativa é de quatro. Os números variam de acordo com fatores como o peso da pessoa e os sintomas que ela apresenta.
O fomepizol é uma droga produzida em pouca quantidade, motivo pelo qual é rara em todo o mundo e é classificada como medicamento órfão. Para garantir que os brasileiros tenham acesso, esclareceu Mariângela Simão, o governo comprará 5 mil unidades adicionais, que poderão servir por um prazo de dois anos, tendo em vista seu prazo de validade.
Etanol farmacêutico
Além do fomepizol, outra substância capaz de reverter a intoxicação é o etanol farmacêutico, que pode ser administrado por equipes de saúde antes mesmo da confirmação do quadro por exame laboratorial. O etanol farmacêutico exige prescrição e monitoramento médico, não devendo ser comprado e aplicado pela população em geral.
A pasta irá receber 12 mil ampolas desse tipo de antídoto como doação da empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos. As unidades se somarão às 4,3 mil entregues aos estoques do SUS pelos hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Os mercados de grãos iniciaram esta sexta-feira (10) com movimento de baixa nas principais bolsas internacionais, influenciados pela força do dólar e pelo cenário macroeconômico global. Segundo a TF Agroeconômica, a tendência do dia é de cautela, com os investidores atentos à situação do trigo, soja e milho em meio à paralisação do governo norte-americano, que suspendeu a divulgação do relatório WASDE do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No trigo, os contratos de dezembro/25 em Chicago recuaram para US$ 505,50 por bushel, pressionados pela valorização do dólar. No Brasil, os preços regionais divergem: o Cepea aponta R$ 1.242,83/tonelada no Paraná (+0,71%) e R$ 1.186,12/tonelada no Rio Grande do Sul (-0,24%). Há rumores de que a Conab estuda lançar um PEPRO voltado a cooperativas e produtores do RS, com foco no atendimento de até 200 mil toneladas destinadas ao Norte e Nordeste, o que poderia demandar cerca de R$ 75 milhões em recursos. A proposta busca equilibrar a competitividade frente ao trigo argentino, que mantém prêmios atrativos.
A soja também opera em baixa, com o contrato novembro/25 recuando 7,75 cents, a US$ 1.014,50/bushel. A volta da China ao mercado, após o feriado nacional, impulsionou compras de seis carregamentos de soja brasileira e dois da nova safra, além de cotações pedidas à Argentina. Contudo, a realização de lucros pelos fundos limitou ganhos em Chicago. No Brasil, o Cepea registrou R$ 131,95 no interior do Paraná (+0,04%) e R$ 136,72 em Paranaguá (-0,16%). O feriado argentino reduziu a liquidez regional.
O milho acompanha a tendência de queda, cotado a US$ 417,25/bushel para dezembro/25. O recuo é sustentado pela colheita recorde nos EUA e pela redução da previsão de importação da China para 6 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mercado interno, o Cepea apontou R$ 65,19 (-0,17%), enquanto na B3 o contrato novembro/25 subiu 0,64%, a R$ 67,24.