segunda-feira, abril 6, 2026

Autor: Redação

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Média do açúcar cristal cai no mercado spot paulista



Os preços médios do açúcar cristal branco voltaram a cair no mercado spot de São Paulo na última semana, com o Indicador Cepea/Esalq variando entre R$ 115 e R$ 116 por saca de 50 kg. 

No balanço de 13 a 17 de outubro, a média foi de R$ 116,17/sc de 50 kg, 1,01% abaixo da do intervalo anterior, de R$ 117,36/sc. 

Pesquisadores explicam que, entre os tipos de açúcar cristal negociados, apenas o Icumsa 150 manteve sustentação de preços. Para o Icumsa 180, os valores em queda refletem os estoques acumulados em algumas usinas. 

Além disso, conforme o Centro de Pesquisas, expectativas de excedente global do adoçante na safra 2025/26 reforçaram a pressão sobre as cotações internas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Crédito rural de R$ 12 bi parado expõe falhas estruturais no sistema financeiro do agro


O governo anunciou com alarde a liberação de R$ 12 bilhões para o crédito rural, prometendo impulsionar investimentos, custeio e inovação na nova safra. Na prática, porém, esses recursos seguem indisponíveis nas instituições financeiras, revelando uma contradição entre o discurso político e a realidade vivida pelos produtores.

Enquanto os comunicados oficiais falam em fomento e estabilidade, o produtor enfrenta fila, exigências desproporcionais e respostas demoradas dos bancos. O resultado é frustrante: o crédito existe no papel, mas não chega a quem realmente precisa plantar, produzir e pagar as contas.

O entrave começa na própria estrutura de repasse. Bancos e cooperativas alegam falta de definição sobre garantias, risco climático e inadimplência, além de travas operacionais para distribuir o dinheiro.

A burocracia é tanta que, em muitos casos, os prazos de análise ultrapassam o período ideal de plantio. Para o produtor, tempo é safra, e safra perdida não se recupera.

Além disso, a alta dos juros, o endividamento acumulado e o risco de preços internacionais mais baixos tornam o crédito rural menos atraente para o sistema financeiro, que prefere operar em segmentos de menor risco e retorno mais rápido.

Cada dia de atraso na liberação do crédito significa menos investimento em insumos, tecnologia e produtividade. O pequeno e o médio produtor, que dependem de financiamento para tocar a lavoura, ficam encurralados entre o custo alto e a falta de liquidez.

Sem acesso ao crédito, o agro perde eficiência, a inovação é adiada e o país arrisca colher uma safra menor — tanto em volume quanto em competitividade.

Em um momento de margens apertadas, câmbio instável e exigências ambientais crescentes, a falta de crédito age como uma trava silenciosa na economia rural.

Um sistema desenhado para não funcionar

O caso dos R$ 12 bilhões parados mostra que o problema não é de falta de dinheiro, e sim de arquitetura financeira mal calibrada. O modelo de crédito rural brasileiro continua preso à lógica de anúncios grandiosos e execução lenta, com pouco foco na eficiência operacional e na realidade de quem está na ponta.

Enquanto o produtor precisa de rapidez e previsibilidade, o sistema oferece burocracia e incerteza. É o oposto do que um país que se diz potência agroexportadora deveria fazer.

O crédito rural é a corrente sanguínea do agronegócio. Se ele não circula, o campo enfraquece e com ele, toda a economia.

Anunciar bilhões e não repassar ao produtor é o mesmo que prometer chuva e entregar nuvens secas. No Brasil, o problema não é a falta de recursos, e sim a incapacidade de fazê-los chegar ao solo onde o país realmente cresce: o campo.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Deral aponta plantio de soja em 52% no Paraná



O plantio da safra 2025/26 de soja no Paraná alcançou 52% da área prevista até 20 de outubro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A área total destinada ao grão é estimada em 5,77 milhões de hectares, praticamente estável em relação à temporada passada.

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Condições das lavouras de soja

As lavouras apresentam 98% em boas condições e 2% médias. Em termos de desenvolvimento, 30% estão em germinação e 70% em crescimento vegetativo. Na semana anterior, o plantio era de 39%, com 99% das lavouras em boas condições.

Projeção

Segundo dados do Deral, a produção da safra 2025/26 deve atingir 21,94 milhões de toneladas, alta de 4% frente às 21,19 milhões de toneladas da safra 2024/25. A produtividade estimada é de 3.802 kg/ha, acima dos 3.672 kg/ha da temporada anterior.



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Indicador do etanol hidratado volta a subir



O preço do etanol hidratado voltou a subir no estado de São Paulo após seis semanas em queda. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, além do aquecimento da demanda, com a participação de distribuidoras independentes e de maiores portes, a oferta esteve limitada, seja pelas chuvas, que paralisaram as atividades agrícolas e industriais, seja pela retração de vendedores, atentos aos estoques de produto nos tanques e apostando em valores mais altos.

Pesquisadores explicam, ainda, que outro fator que começa a dar mais suporte aos preços é a proximidade do fim da safra 2025/26 na região Centro-Sul.

Nesse cenário, entre 13 e 17 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,7365/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), aumento de 0,77% em relação ao período anterior. Para o anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ caiu leve 0,15%, a R$ 3,1079/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Girolando elege novo presidente para o triênio 2026/28



O criador mineiro Alexandre Lopes Lacerda foi eleito presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando para o triênio 2026/2028. A eleição ocorreu na última sexta-feira (17), na sede da entidade, em Uberaba (MG), com chapa única e participação de associados de diferentes estados. A nova diretoria assume em janeiro do ano que vem.

Continuidade e fortalecimento da raça

Lacerda sucede Domício Arruda, que permanece no comando até dezembro. O atual presidente destacou o avanço da raça Girolando nos últimos anos, consolidada como principal base do leite brasileiro. “Hoje, o Girolando responde por cerca de 80% da produção nacional e vem ampliando presença na América Latina. O novo time dará sequência ao trabalho de expansão e valorização da raça”, afirmou Arruda.

O novo presidente atua há duas décadas na pecuária leiteira, com foco em genética e produção de leite na Fazenda Miraí, na Serra do Cipó (MG). Segundo ele, a prioridade da gestão será tornar a associação mais próxima dos criadores e ampliar o acesso de pequenos produtores às tecnologias de melhoramento genético.

“Queremos fortalecer o Programa de Fomento da Raça Girolando, para que mais produtores possam aumentar a rentabilidade do rebanho”, destacou Lacerda.

Novas metas e foco nos associados

Entre as metas da nova diretoria estão ampliar o número de associados, apoiar eventos regionais e estimular a participação dos criadores na Megaleite — uma das principais feiras do setor leiteiro. Lacerda também pretende reforçar o Programa de Melhoramento Genético da raça, que contribui para o aumento da produtividade e da qualidade do leite.

Além de produtor rural, Lacerda é contador, advogado tributarista e diretor de um escritório jurídico em Belo Horizonte. A diretoria eleita conta ainda com José Renato Chiari como vice-presidente e outros nove diretores responsáveis por áreas administrativas, financeiras, técnicas e institucionais.

A Associação

Criada em 1978, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando reúne produtores de todo o país e administra o Serviço de Registro Genealógico e de Melhoramento Genético da raça. Com mais de 2,3 milhões de registros, é a maior base de dados entre as associações de raças leiteiras no Brasil. A entidade também foi pioneira na adoção da genômica em programas de melhoramento genético bovino nacional.



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AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas afetam trigo e girassol argentinos



Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados


Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados
Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados – Foto: Divulgação

O plantio de milho na Argentina segue em ritmo acelerado, com 25,6% da área nacional já semeada, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA). A entidade destaca que esse percentual representa um avanço de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, configurando o segundo maior progresso das últimas dez safras. 

As províncias de Entre Ríos e o Centro-Norte de Santa Fe se destacam pelo cumprimento dos planos de semeadura antecipada, enquanto regiões do norte de Buenos Aires e sul de Santa Fe, antes afetadas por excesso de chuvas, registram melhora no ritmo das operações. Já o centro e o oeste de Buenos Aires ainda enfrentam dificuldades, e parte das áreas pode ser redirecionada para o plantio tardio caso a semeadura não avance até meados de outubro.

Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados, após avanço semanal de 2,7 pontos percentuais. As chuvas no sul do país seguem dificultando o acesso aos campos e atrasando o calendário de plantio, enquanto as regiões centrais e do norte mantêm desempenho bem acima da média dos últimos cinco anos. Do total já semeado, 77,3% das lavouras estão em condição hídrica adequada ou ótima, e 100% apresentam estado vegetativo de normal a excelente.

No caso do trigo, embora 96,4% das lavouras estejam em condição normal a excelente, a alta umidade elevou em 6 pontos percentuais a área com excesso hídrico. O cenário tem favorecido o surgimento de pragas como chinches e orugas, além de doenças fúngicas, principalmente no sul do país. Mesmo assim, cerca de 90,7% das plantações já superaram o estágio de encanamento e avançam para floração e enchimento de grãos. Se o clima se mantiver estável, a safra argentina poderá alcançar bom potencial produtivo.





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Raízen abre mais de 400 vagas para aprendizes em todo o país



A Raízen está com inscrições abertas para o Programa de Aprendiz 2025/2026, que oferece mais de 400 vagas em diferentes regiões do Brasil. As oportunidades contemplam áreas administrativas, técnicas e operacionais e estão disponíveis nos escritórios, bases e usinas da companhia.

As inscrições devem ser realizadas até 30 de novembro de 2025 por meio do site oficial do programa.

Quem pode se inscrever

Podem participar jovens entre 16 e 21 anos e 11 meses, que estejam cursando ou já tenham concluído o Ensino Médio ou Técnico.

Para as vagas vinculadas ao Senai, é necessário realizar matrícula após aprovação. Não é exigida experiência profissional anterior.

Benefícios oferecidos

Os aprendizes selecionados terão direito a uma série de benefícios, incluindo:

  • Auxílio-transporte ou fretado
  • Plano de saúde e odontológico
  • Bônus Programa de Participação nos Resultados (PPR)
  • Cesta básica ou vale-alimentação
  • Trilha de desenvolvimento profissional

Cidades com vagas disponíveis

As oportunidades estão distribuídas por 30 cidades:

Andradina (SP), Araçatuba (SP), Araraquara (SP), Barra Bonita (SP), Bento de Abreu (SP), Bocaina (SP), Brasília (DF), Caarapó (MS), Colômbia (SP), Elias Fausto (SP), Guariba (SP), Guarulhos (SP), Ibaté (SP), Igarapava (SP), Ilha do Governador (RJ), Jataí (GO), Jaú (SP), Lagoa da Prata (MG), Maracaí (SP), Mirandópolis (SP), Morro Agudo (SP), Ourinhos (SP), Paraguaçu (SP), Paulínia (SP), Piracicaba (SP), Rafard (SP), Recife (PE), São Paulo (SP), Tarumã (SP) e Valparaíso (SP).

Áreas de atuação

O programa é dividido em duas trilhas principais:

Aprendiz administrativo:
Atividades de apoio em tarefas administrativas, controle de documentos e planilhas, organização de agendas e e-mails, elaboração de relatórios e suporte em rotinas de SSMA (saúde, segurança e meio ambiente).

Aprendiz técnico e operacional:
Apoio na execução de manutenções, identificação de falhas, troca de peças, calibrações e cumprimento das normas de SSMA, além de participação em planos de manutenção e organização do ambiente de trabalho.

Os candidatos que preencherem os requisitos passarão por testes online, dinâmicas em grupo e entrevistas com lideranças da Raízen.



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Mariangela Hungria receberá o “Nobel da Agricultura” nos EUA



A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, será homenageada nesta quarta-feira (23) com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize – WFP), conhecido como o “Nobel da Agricultura”. A cerimônia acontece às 21h (horário de Brasília), no Capitólio de Iowa, em Des Moines (EUA), e poderá ser acompanhada pelo site da Fundação WFP. O prêmio reconhece o impacto das pesquisas da cientista brasileira no desenvolvimento de insumos biológicos e na promoção de uma agricultura mais sustentável.

“Recebo este prêmio com enorme emoção, mas ele também pertence a todos que contribuíram com essa trajetória: colegas, alunos e à própria Embrapa, que acreditou por quatro décadas nas pesquisas com biológicos”, afirma Mariangela. “Hoje, o Brasil é líder mundial no uso de bioinsumos na agricultura”, reforça

Ciência e sustentabilidade

Com mais de 40 anos de pesquisa em microbiologia do solo, Mariangela é responsável por mais de 30 tecnologias voltadas à substituição de fertilizantes químicos por microrganismos que fixam nitrogênio, produzem fitormônios e solubilizam nutrientes. Um dos destaques de sua carreira é a coinoculação da soja, que combina bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e promotoras de crescimento (Azospirillum brasilense).

A tecnologia já é adotada em cerca de 35% da área cultivada de soja e gerou, apenas em 2024, economia de US$ 25 bilhões e redução de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes. Mariangela também lidera estudos aplicados a feijão, milho, trigo e pastagens, ampliando o uso de bioinsumos e reduzindo custos e emissões na agricultura brasileira.

Reconhecimento internacional

“É uma honra ter uma pesquisadora como Mariangela na equipe da Embrapa Soja. Sua trajetória coloca o Brasil como referência mundial em sustentabilidade agrícola”, destaca Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.

“Ver uma mulher pesquisadora reconhecida com o Prêmio Mundial da Alimentação é motivo de orgulho e inspiração. O trabalho da Mariangela reforça o papel da ciência brasileira na construção de uma agricultura mais sustentável”, completa Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

Trajetória e legado da pesquisadora da Embrapa Soja

Nascida em São Paulo em 1958, Mariangela Hungria iniciou sua carreira na Embrapa em 1982 e hoje atua na Embrapa Soja, em Londrina (PR). Doutora em Ciência do Solo, ela acumula mais de 500 publicações científicas e já orientou mais de 200 alunos.

A pesquisadora é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências, além de figurar desde 2020 entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo a Universidade de Stanford (EUA).

Entre os reconhecimentos recentes estão o Prêmio Mulheres e Ciência 2025 (CNPq) e o título de primeira colocada brasileira em Fitotecnia e Microbiologia, segundo o ranking Research.com.

“Sempre acreditei na vida no solo e em uma agricultura altamente produtiva que não prejudica o meio ambiente. Essa coerência me trouxe credibilidade científica e fortes conexões com o setor agrícola”, conclui a pesquisadora.

Sobre o prêmio

A Fundação World Food Prize, responsável pelo Prêmio Mundial da Alimentação (WFP), foi criada pelo agrônomo e biólogo Norman E. Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970 e reconhecido como o “pai da Revolução Verde”. Instituído em 1986 com o apoio da General Foods Corporation, o WFP é concedido anualmente a personalidades que contribuem para o avanço da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo.

Três brasileiros já foram contemplados com o prêmio. Em 2006, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli dividiram a honraria com o americano A. Colin McClung, pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento agrícola do Cerrado. Já em 2011, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o prêmio ao lado de John Kufuor, de Gana, em reconhecimento às políticas de combate à fome implementadas durante seus mandatos.



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Brasil enfrenta maior crise de crédito rural desde o Plano Real, avalia Farsul



Os recursos disponíveis para o Crédito Rural no Brasil vivem retração inédita desde 1995, segundo levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A queda atinge custeio e investimento, e a entidade alerta que a crise ainda não atingiu seu ápice.

No primeiro trimestre da safra 2025/2026 (julho a setembro), o crédito para custeio caiu 23% em relação ao ciclo anterior. Para investimentos, a retração é de 44%. No Rio Grande do Sul, os números são semelhantes: 25% e 39%, respectivamente. “Não se trata de um problema regional, mas de uma crise nacional, a maior da história”, afirma o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Da Luz destaca que, mesmo com anúncios de “maiores Planos Safra da história”, o volume efetivamente liberado tem caído. “O que vemos agora é uma queda real no crédito disponibilizado, e não apenas uma diferença entre anúncio e realidade”, explica. Segundo ele, a redução de recursos pode impactar produtividade, uso de tecnologia e áreas cultivadas nesta safra.

Inadimplência em patamar recorde

O cenário é agravado pela alta inadimplência. Em julho de 2025, a taxa geral chegou a 5,14%, acima do recorde anterior de 2017, que estava em pouco mais de 3%. No crédito controlado, a inadimplência é de 1,86%, enquanto em taxas de mercado alcança 9,35%. “O efeito dos juros ainda não chegou ao limite. A inadimplência tende a subir antes de começar a cair”, explica da Luz.

O economista aponta que soluções passam por medidas concretas do Governo Federal e recuperação de mecanismos de mitigação, como seguro rural e Proagro, que sofreram retrocessos nos últimos anos.

Alienação fiduciária e segurança do crédito

O aumento da inadimplência também torna o crédito mais escasso, criando um ciclo de restrição financeira. Para se proteger, os bancos têm usado a alienação fiduciária, que exige garantia do bem financiado. “Alertamos os produtores para buscar alternativas, como hipoteca, evitando comprometer excessivamente seu patrimônio”, recomenda Nestor Hein, diretor jurídico da Farsul.

Hein ressalta que a alienação fiduciária não é um problema em si, mas seu uso em grandes operações agrícolas exige cautela. “Não se trata de crítica ao sistema bancário, mas de orientar o produtor sobre os riscos de comprometer bens essenciais de forma rápida e irreversível”, afirma.



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‘Positivo para os dois lados’, diz analista sobre possível revisão de tarifas do café



O diálogo aberto recentemente entre Brasil e Estados Unidos traz a expectativa de uma possível revisão das tarifas do governo de Donald Trump contra o café brasileiro. O tema domina as atenções do mercado nesta semana, uma vez que um acordo entre os dois países teria impacto direto nos preços e na competitividade do produto nacional.

“Estamos falando dos Estados Unidos — o principal comprador de café do mundo, o maior mercado consumidor e o principal cliente individual do café brasileiro”, afirma Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercado. Em média, cerca de 16% do grão exportado pelo Brasil tem como destino o mercado norte-americano.

Neste sentido, o especialista avalia que o interesse de resolver a questão vale para os dois lados, gerando uma expectativa positiva. “Portanto, seria positivo para todos — para a indústria norte-americana e para o exportador brasileiro”, diz.

Volatilidade nos preços

Além disso, um eventual acordo pode mexer ainda mais com os preços em Nova York. Isso porque a indústria norte-americana não tem acesso ao seu principal fornecedor, que é o Brasil, e precisa buscar café em outras origens.

Segundo o especialista, as cotações seriam pressionadas negativamente. “Esse movimento restabeleceria o fluxo normal e tenderia a trazer os preços para baixo, além de ajudar a reduzir o estresse do lado comprador”, detalha.

No mercado nacional de café, os impactos influenciariam os diferenciais de preço, os ágios e deságios, que hoje estão mais largos. Com isso, a bolsa de Nova York tenderia a se acomodar em leve baixa no curto prazo.

Perspectivas

Apesar do otimismo, Barabach lembra que até o momento não houve mudança concreta na postura dos Estados Unidos.

“Existe uma aproximação e uma chance maior de que isso aconteça, mas o mercado segue estressado, especialmente do lado comprador nos Estados Unidos. Enquanto isso, o vendedor brasileiro busca alternativas fora desse mercado”, conclui.

Em meio a essa expectativa, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) se reúne, nesta quarta-feira (22), com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. Segundo a entidade, a revisão das tarifas é essencial para recolocar o Brasil em condições de igualdade com os demais países competidores.



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