A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estima que a área plantada com algodão no país em 2024/25 cresça 7,4% em relação a 2023/2024, e atinja 2,14 milhões de hectares.
Durante a 76ª reunião da câmara, presidida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foi divulgado levantamento considerando os dados indicados pelas associações de produtores estaduais.
A produtividade projetada é de 1.859 quilos de algodão beneficiado (pluma) por hectare, o que aponta para produção de 3,97 milhões de toneladas de algodão, 8% maior que a da temporada anterior.
Em nota, a Abrapa diz que os números são mais otimistas do que os divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta uma produção de 3,68 milhões de toneladas de pluma, numa área de 2 milhões de hectares, com produtividade esperada de 1.831 quilos por hectare.
“Para consolidar a previsão, vai depender muito da produtividade, que, por sua vez, está atrelada ao clima, sobre o qual não temos ingerência. Por isso, e considerando também o mercado, a nossa recomendação é que o produtor se preocupe muito em reduzir – ou otimizar – os custos e fazer o melhor possível para aumentar a produtividade, para compensar os preços não tão atrativos no momento”, afirma na nota o presidente da Abrapa e da Câmara Setorial, Alexandre Schenkel.
Sobre a temporada 2023/24, a Abrapa informou área total de 1,99 milhão de hectares, com produção de 3,68 milhões de toneladas de pluma e produtividade de 1.848 quilos de pluma por hectare, em linha com o levantamento anterior, de junho.
“O estado de Mato Grosso se manteve como o maior produtor nacional, com 2,67 milhões de toneladas de algodão em pluma, colhidos numa área de 1,47 milhões de hectares, seguido pela Bahia, que colheu 679,8 mil toneladas, em 345,4 mil hectares, e por Mato Grosso do Sul, que registrou produção de 66,6 mil toneladas e área 32 mil hectares.
No evento desta quarta-feira, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Miguel Faus, disse esperar que no próximo ciclo o Brasil continue como o maior exportador global.
“A oferta global, marcada por grandes safras no Brasil, Estados Unidos e Austrália, contrasta com uma demanda moderada, especialmente pela redução das importações da China, o maior comprador mundial. A China, que no ciclo anterior representava 50% das exportações brasileiras, agora absorve apenas cerca de 20%, desafiando o setor a buscar novos mercados, como Índia e Egito”, afirmou.
Quanto ao mercado interno, a Anea destacou a demanda “moderada”, e a expectativa é de que o preço se mantenha estável, com possível queda no final do ano devido ao aumento da oferta.
Ainda de acordo com a nota da Abrapa, de janeiro a julho de 2024, a produção têxtil cresceu 3,6% e a de vestuário 1,3%. No entanto, ao longo de 12 meses, o vestuário ainda apresenta queda de -1,4%. A importação de vestuário subiu 12,9% de janeiro a agosto, e a importação do setor subiu 13,4%.
“Já a exportação de têxteis e confeccionados caiu 9,5%, principalmente devido à crise na Argentina, principal mercado do Brasil.”
O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), defendeu a criação de medidas ambientais mais rígidas para punir crimes contra o meio ambiente.
Em entrevista ao CNN 360°, Mendes argumentou que o agronegócio brasileiro não pode ser prejudicado por uma minoria que comete infrações.
Segundo o governador, o Código Florestal brasileiro é “sem dúvida, a lei ambiental mais restritiva do planeta”.
No entanto, ele ressaltou que uma pequena parcela de produtores ainda descumpre a legislação: “Quem não cumpre ela de forma deliberada, que desmata além daquilo que pode, que comete esses crimes ambientais, é menos de 2%”.
Proteção da imagem do agronegócio
Mendes enfatizou a importância de proteger a reputação do setor agrícola brasileiro: “Nós não podemos prejudicar o país, a imagem do agronegócio brasileiro, as nossas relações com os comércios internacionais que nós fazemos a partir do agro, por causa de 2% das pessoas”.
O governador relatou que, em uma reunião com 50 presidentes de sindicatos rurais, houve consenso sobre a necessidade de penalizar severamente os infratores.
“É melhor nós penalizarmos duramente 2% do que deixar 2% penalizarem o nosso país, o meio ambiente e os nossos mercados com os quais nós desenvolvemos atividade a partir do agro brasileiro”, afirmou.
Expectativa de apoio do Congresso Nacional
Mauro Mendes expressou confiança de que o Congresso Nacional compreenderá a importância de adotar medidas mais rigorosas contra crimes ambientais.
Ele acredita que, com a implementação dessas medidas, será possível ‘banir alguns crimes ambientais’ e que esse exemplo possa ser aplicado em outros setores da legislação brasileira.
“Tenho absoluta convicção de que adotando-se essa medida mais dura e mais restritiva, praticamente nós vamos banir alguns crimes ambientais e que esse exemplo possa servir para outros campos também da normativa brasileira, banir alguns tipos de crimes também tão recorrentes e tão persistentes no nosso Brasil”, concluiu o governador.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
A senadora e ex-ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina, se manifestou sobre as acusações que o agronegócio vem recebendo a respeito dos incêndios florestais que assolam o país. “Estão querendo transformar a vítima em vilão”.
Segundo ela, a agropecuária nacional tem sido o setor mais prejudicado pela atual crise. “A cana-de-açúcar sofre um prejuízo incomensurável. O setor não utiliza o fogo [para a colheita] há muitos anos, principalmente no estado de São Paulo, onde é colhida com máquinas”.
Dados da Secretaria de Agricultura paulista apontam que o fogo já consumiu 400 mil hectares de lavouras da cultura. Ao todo, o prejuízo ao agronegócio no estado gira em torno de dois bilhões de reais.
De acordo com a parlamentar, em seu estado, o Mato Grosso do Sul, as queimadas intensas no Pantanal são fruto da seca severa deste ano, mas também da falta de planejamento do governo federal.
“O governo já sabia dessa seca e não se preparou, não se planejou para o que ele precisava fazer. O Brasil é um país continental, é difícil sim [se preparar], mas ele podia ter se preparado melhor”.
Poucas ações contra os incêndios
Tereza afirma que o governo fez muitas reuniões, mas não ajudou na estruturação de soluções à crise. “Precisamos de aviões, de brigadistas. Os nossos bombeiros são insuficientes e eles têm trabalhado diuturnamente para conter esses incêndios”.
A ex-ministra também se queixa da falta de conscientização à população. “Não vi nada sendo feito a respeito de propagandas em rádios e televisões, uma campanha que diga ‘não ponha fogo’, ‘cuidado’, ‘a vegetação está muito seca’, algo a esse respeito”.
A senadora ressaltou que o produtor de gado do Pantanal enfrente grave crise agora, visto que ele não tem onde colocar o seu rebanho por conta das queimadas que destruiram o capim. “Até chover e voltar novamente essa vegetação, vamos ter mortalidades muito grandes dos rebanhos nos estados atingidos pelos incêndios, principalmente o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso”, alerta.
Tereza ressalta que este valor também precisa ser empenhado em ações para prevenir os incêndios do períod de seca do próximo ano.
Neste cenário, ela questiona qual será a política pública destinada aos produtores rurais que tiveram suas propriedades afetadas pelos incêndios, como ocorreu com os criadores de gado no Pantanal.
“Eles precisam de recursos para levar esses rebanhos para fora do Pantanal, para áreas de serra ou ter condições de dar algum tipo de suplementação para manter esse gado em suas propriedades”.
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) encerraram a quinta-feira em leve baixa, em uma sessão marcada por alta volatilidade.
Apesar de bons números para as exportações semanais americanas terem dado suporte aos preços durante a maior parte do dia, o mercado já começa a precificar o início do plantio de uma safra que promete ser recorde no Brasil.
As exportações líquidas norte-americanas da soja, referentes à temporada 2024/25, que começou em 1º de setembro, totalizaram 1.748.100 toneladas na semana encerrada em 12 de setembro.
Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!
China
A China foi o principal destino das exportações, com importações de 973.900 toneladas. Para a temporada 2025/2026, o volume de exportações foi de apenas 8.400 toneladas. Analistas haviam previsto um intervalo entre 500 mil e 1,6 milhão de toneladas para as exportações combinadas das duas temporadas.
Estimativas
Embora o clima seco tenha gerado preocupações, o atraso na semeadura no Brasil ainda não é considerado alarmante em relação ao potencial produtivo. Na quarta-feira, a Conab divulgou suas primeiras estimativas para 2024/25, projetando uma safra em torno de 166,3 milhões de toneladas.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com uma queda de 0,75 centavo de dólar, ou 0,07%, sendo cotados a US$ 10,13 1/4 por bushel. A posição de janeiro também registrou uma baixa de 0,75 centavo, com preços a US$ 10,31 1/4 por bushel.
Nos subprodutos, a posição de dezembro do farelo de soja fechou em alta de US$ 0,20, ou 0,06%, alcançando US$ 321,60 por tonelada. Já os contratos de óleo com vencimento em dezembro terminaram a 40,93 centavos de dólar, com um aumento de 0,62 centavo, representando uma alta de 1,53%.
A AgroGalaxy, grupo varejista de insumos agrícolas, protocolou na quarta-feira (18), um pedido de recuperação judicial. O anúncio ocorreu pouco após ela ter comunicado a renúncia do diretor-presidente, Axel Jorge Labourt, e de cinco membros do Conselho de Administração. O então diretor financeiro da companhia, Eron Martins, foi nomeado para o cargo de CEO.
A empresa disse, em comunicado, que o pedido de recuperação judicial foi protocolado em caráter emergencial diante do vencimento antecipado de operações financeiras, visando à proteção de seus ativos e de suas investidas e para viabilizar a readequação de sua estrutura de capital diante dos desafios do agronegócio brasileiro.
Nesta quinta-feira (19), as ações da AgroGalaxy chegaram a cair 23,47%, na maior queda do mercado brasileiro. A cotação chegou a R$ 0,75, o menor preço de tela desde IPO (oferta pública inicial de ações), em 2021.
Nos últimos anos, a combinação da queda nos preços das commodities, eventos climáticos adversos, juros elevados e aumento dos custos de produção provocou um aumento expressivo na inadimplência dos produtores rurais, com forte impacto na liquidez da companhia, disse a empresa, em comunicado.
Procurada pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a AgroGalaxy não quis se manifestar.
“O AgroGalaxy tentou, de todas as formas, evitar recorrer à Justiça, mas a medida é necessária para proteger o negócio e, mais importante, permitir que a empresa siga trabalhando lado a lado com os agricultores”, disse Eron Martins no comunicado.
A companhia disse também que vai adotar medidas adicionais para aumentar sua eficiência operacional, com redução de custos fixos, melhoria do mix de produtos, além da otimização do capital de giro, com foco em estoques e recebíveis, para assegurar a sustentabilidade da empresa no médio e no longo prazo.
“Conduziremos todo o processo sempre com muita transparência e respeito a todos os envolvidos, especialmente os produtores rurais. Estamos seguros de que as relações estabelecidas com nossos clientes e fornecedores nos darão a base necessária para enfrentar este desafio, bem como seguirmos fortalecendo o agronegócio brasileiro”, finalizou Eron Martins.
Para o Citi, a empresa passa por um período desafiador e parece depender da potencial recuperação do mercado brasileiro de insumos agrícolas, um processo que “pode demorar”, na visão do banco.
A queda nas vendas de insumos
Apesar de o pedido de recuperação judicial ter surpreendido o mercado, os resultados financeiros da companhia já mostravam dificuldade de reação e continuidade de atraso nas vendas de insumos aos produtores rurais.
A empresa registra prejuízo ajustado, margens de rentabilidade negativas e queda na receita líquida consecutivamente desde o primeiro trimestre de 2023, à exceção do quarto trimestre do ano passado. Fora os indicadores de rentabilidade, a dívida líquida da companhia se mantinha em uma constante ao longo dos últimos meses.
Os números mais recentes da AgroGalaxy, referentes ao segundo trimestre deste ano, apontam para prejuízo líquido ajustado de R$ 362,4 milhões, 41% maior na comparação com igual período do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi negativo em R$ 83,4 milhões no segundo trimestre de 2024, ante R$ 72,5 milhões negativos um ano antes.
O agravamento do prejuízo
Em um ano, a margem Ebitda ajustado da companhia saiu de 4% negativa para 7,9% negativa. A receita líquida diminuiu 42,4% em um ano, do segundo trimestre de 2023 para R$ 1,056 bilhão no segundo trimestre deste ano. A alavancagem do grupo (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) saltou de 3,3 vezes para 8,5 vezes, acima do covenant (cláusula restritiva para endividamento firmada em contratos de dívida) estabelecido pela companhia, de 3 vezes.
A dívida líquida da AgroGalaxy ao fim de junho totalizava R$ 1,512 bilhão, considerando empréstimos e financiamentos bancários e obrigações com títulos securitizados de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e sem incluir débitos com fornecedores.
A companhia encerrou o primeiro semestre do ano com geração de caixa negativa em R$ 156,6 milhões.
Na quarta, além do pedido de recuperação judicial, a Agrogalaxy atrasou um pagamento de R$ 70 milhões de títulos de dívida.
Mesmo com os desafios financeiros e operacionais apresentados desde o início de 2023, o mercado apostava em outros mecanismos de reestruturação pela AgroGalaxy.
As tentativas de evitar a recuperação judicial
Uma operador do setor financeiro que acompanhou de perto a situação da empresa diz que a possibilidade de recuperação judicial sempre foi descartada publicamente pelos executivos, mas era de conhecimento que a situação era ruim, sem capacidade de pagamento de algumas dívidas, embora havia esperança de alguma intervenção com aportes do Aqua (Capital, fundo de investimento de private equity controlador da empresa).
Em dezembro, o Aqua fez uma injeção de R$ 150 milhões no grupo para reforço de caixa e redução do endividamento, a fim de que a empresa cumprisse os covenants (compromissos de contratos de financiamento ou empréstimos que servem para proteger os interesses dos credores) de alavancagem de 2023.
A AgroGalaxy sinalizava ao mercado a retomada do mercado de insumos agrícolas e a melhor equalização de estoques. Nas teleconferências aos investidores, executivos citavam que “o pior já passou”, a “tempestade ficou para trás” e que “o dever de casa foi feito” em controle de margens e redução de despesas, mas os balanços seguiam mostrando redução na receita.
A expectativa era de um ano mais favorável ao varejo agrícola. “Esperamos um ano mais estável em commodities e insumos, mas ainda entendemos que precisamos de estrutura financeira mais robusta. Não usaremos os recursos para comprar nenhuma empresa ou para comprar à vista, mas para enfrentar 2024 e estarmos mais preparados para passar por desafios”, disse o atual CEO e então CFO (diretor financeiro) e diretor de Relações com Investidores do AgroGalaxy, Eron Martins, ao Broadcast no início do ano.
O enxugamento da estrutura
O foco da companhia neste ano, segundo os executivos, era ampliar a sua rentabilidade com mix de produtos e ter uma estrutura mais enxuta. As intervenções incluíram desligamento de 80 posições corporativas e fechamento de 19 lojas, de um total de 169.
Em agosto, na última divulgação de resultados financeiros, Martins afirmou não estar nos planos da empresa novas ações de reestruturação, como demissão de funcionários ou fechamento de unidades adicionais.
“Estamos avaliando o desempenho de nossas unidades e regiões e, neste momento, mantemos a configuração estabelecida em fevereiro. Temos obtido sucesso nas renegociações de dívidas; todas as que venceram até agora foram prorrogadas por pelo menos 12 meses”, afirmou na ocasião.
Segundo ele, os indicadores de saúde financeira da empresa estavam intactos, aguardando a retomada do mercado. “As adversidades fazem parte do negócio, assim como faz parte termos uma estrutura capaz de se adaptar a esse contexto”, disse.
A crise refletiu também no valor de mercado da AgroGalaxy, com desvalorização de cerca de 90%. “A empresa, que chegou a valer R$ 1,7 bilhão no auge, hoje está avaliada em cerca de R$ 250 milhões”, disse o sócio-fundador da L4 Investimentos, Hugo Queiroz.
O desafio do setor
Na avaliação de consultores do mercado de distribuição de insumos, o pedido de recuperação judicial do grupo reflete a conjuntura desafiadora do setor, com demanda fraca pelos produtores rurais, atraso no pagamento pelos agricultores e descasamento entre estoques.
“Há questões específicas também ligadas à gestão, sobretudo de estoques e preços de produtos. O grupo expandiu em momento de euforia do setor, em 2021 e 2022, e a desaceleração da abertura de lojas parece que foi tardia, dado que o mercado dava sinais de retração”, afirmou uma fonte do setor.
Para o sócio diretor da Blink Consultoria, Lars Schobinger, a queda na margem operacional do mercado nacional de distribuição de insumos agrícolas somado ao baixo fluxo de insumos contribuíram para a situação financeira delicada da empresa.
“Com as distribuidoras com margens achatadas e um movimento de RJs relevante de agricultores, há pouco espaço de manobra para as empresas lidarem com o baixo fluxo de caixa. O setor está em uma crise de fluxo de caixa”, classificou Schobinger.
A partir da próxima terça-feira, 24 de setembro, termina o vazio sanitário na Bahia e os produtores podem iniciar a semeadura da soja na região. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), o estado é o sétimo maior produtor de soja do Brasil, contribuindo com 4,8% da produção nacional e 65% da produção no Nordeste.
Conforme explica Darci Salvetti, presidente da Aprosoja-BA, os produtores estão cientes dos riscos associados ao plantio antecipado, especialmente se a chuva não ocorrer conforme esperado.
“A falta de umidade pode ocasionar diferentes tipos de problemas, como doenças nas plantas e replantio. Isso que acarreta custos ao produtor, considerando que a semente de soja está avaliada entre 5 a 6 sacas”, explica o presidente.
Salvetti salienta que, tecnicamente, os produtores baianos estão preparados, tendo investido em projetos de correção de solo, adubação e melhorias na infraestrutura. O clima na região, caracterizado por longos períodos de sol, favorece a fotossíntese e, consequentemente, a produtividade.
Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!
Semeadura à vista
Foto: Reprodução/ Canal Rural Bahia
Os produtores da região estão prontos para iniciar a semeadura assim que as condições de umidade se tornarem favoráveis. Apesar das previsões de altas temperaturas e dos desafios do ano anterior, a confiança na capacidade de adaptação e nas tecnologias disponíveis permanece alta. As máquinas estão preparadas, e os produtores focam em garantir um plantio seguro e produtivo.
O presidente menciona que, na Bahia, alguns agricultores têm utilizado pivôs de irrigação, mesmo enfrentando dificuldades com a disponibilidade de água. Muitos estão planejando um plantio mais seguro, levando em consideração as limitações hídricas.
Ele explica que a estratégia envolve calcular a irrigação necessária para sustentar a cultura por pelo menos 30 dias. A preocupação com a escassez de água é constante, e os agricultores estão adotando medidas para minimizar riscos e maximizar a produtividade, mesmo em situações adversas.
O Soja Brasil também conversou com o vice-presidente da Aprosoja-BA, Jovani Marchezan, que também destaca a cautela dos produtores em relação ao vazio sanitário. Segundo ele, os agricultores estão mais preparados este ano em comparação ao anterior.
“Os que plantam cedo estão mais atentos. Muitos estão planejando a safra de inverno, mas de forma mais conservadora, evitando o risco de plantar 100% da área como no ano passado”, diz Marchezan.
Safra de grãos de 2024
Foto: Silvio Ávila/ Ministério da Agricultura
Após a produção recorde de grãos em 2023, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam uma produção menor de grãos na Bahia, em 2024, devido ao fenômeno El Niño, que afetou negativamente as condições climáticas e prejudicou algumas regiões produtoras no estado
A soja, principal produto, plantado em 2,0 milhões de hectares no estado, deve alcançar 7,53 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 0,4% sobre a safra de 2023.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Divulgação
Em 2024, a temporada de cultivo de algodão foi marcada por um aumento expressivo na população do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), principalmente no Estado do Mato Grosso. Dados da Fundação MT indicam que a infestação foi quatro vezes maior do que na safra 2022/2023.
Para a próxima safra, essa praga segue como uma grande preocupação, tanto pelo aumento da sua incidência quanto pelos graves prejuízos que pode causar. Em casos extremos, o bicudo é capaz de destruir até 90% de uma área de plantio, tornando-se uma das pragas mais destrutivas para o algodoeiro. Para enfrentar a praga, uma alternativa é o uso de tecnologias avançadas de monitoramento, como plataformas que prevêem áreas de maior pressão de pragas. A Arc™ farm intelligence, por exemplo, oferece previsões detalhadas sobre o comportamento do bicudo, permitindo que o manejo seja feito no momento e local ideais, reduzindo os danos de forma precisa.
Dentre as várias pragas que afetam essa cultura, o bicudo exige maior atenção devido à sua enorme capacidade reprodutiva. Um único casal pode gerar milhões de descendentes ao longo de uma safra, com um ciclo de desenvolvimento médio de apenas 20 dias entre ovo e adulto.
O controle efetivo dessa ameaça exige uma combinação de ferramentas e técnicas de manejo adequadas. A antecipação do aumento populacional do bicudo é fundamental para que o produtor possa adotar medidas preventivas, evitando a proliferação descontrolada e minimizando os danos.
O monitoramento contínuo e o manejo direcionado são estratégias essenciais para mitigar os impactos dessa praga, que continua a representar um risco significativo à produção de algodão em regiões como Mato Grosso e Bahia.
O 16º Congresso Brasileiro de Marketing Rural e Agro, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), realizado nesta quinta-feira (19) em São Paulo, teve como foco o fortalecimento da comunicação entre o agronegócio e a população urbana.
Reunindo 15 palestrantes ao longo do dia, o evento traz à tona o projeto “Marca Agro do Brasil”, uma iniciativa estratégica que busca transformar a imagem do setor e aproximá-lo dos grandes centros urbanos.
Durante o congresso, temas relevantes como tendências de marketing, comunicação no futuro, e a economia verde estão sendo debatidos.
“Quando não contamos nossas histórias, alguém o faz da maneira que acha mais conveniente. O agro precisa se mostrar à população urbana” – Ricardo Nicodemos, presidente da ABMRA
Projeto Marca Agro do Brasil
Um dos destaques do evento é o projeto “Marca Agro do Brasil”, que visa fortalecer o relacionamento entre o agronegócio e a sociedade urbana por meio da comunicação eficaz e estratégica. O objetivo é apresentar ao público os impactos positivos do setor, desde sua importância na economia até a sustentabilidade.
“Queremos construir uma conexão que incentive a admiração e o respeito da população urbana pelo agro”, acrescentou Nicodemos.
O evento também contou com palestrantes renomados, como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, que frisaram a necessidade de uma comunicação mais clara e direta entre o agro e a sociedade.
“Esse diálogo é essencial para que o setor seja compreendido de maneira adequada, valorizando suas conquistas”, concluiu o presidente da ABMRA.
Um jovem indígena foi morto com um tiro na cabeça na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira (18), durante a retomada da Fazenda Barra, realizada por policiais militares no município de Antônio João.
O governador do estado, Eduardo Riedel, participou de reuniões para pedir esclarecimentos sobre o assunto, envolto em conflitos fundiários. A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul também se manifestou sobre o caso, informando que alguns indígenas tinham armas de fogo e que “facções criminosas” estão interessadas na área por causa do tráfico de drogas.
Tragédia anunciada
A ex-ministra da Agricultura e atual senadora, Tereza Cristina, afirma que se trata de uma tragédia anunciada.
“Não foi por falta de conversar com o Ministério da Justiça e com o próprio Supremo [Tribunal Federal]. Quando temos uma discussão em que não sabemos se a lei que passou no Congresso e que foi aprovada, sancionada, se ela tem validade, se deixa uma insegurança que gera todo tipo de incitação dos indígenas para que eles façam as invasões [às propriedades rurais]”, diz Tereza.
De acordo com ela, a propriedade é protegida pela polícia e pela Força Nacional há muitos meses, visto que há uma liminar proibindo a entrada dos indígenas e dando a posse da terra aos produtores.
“Mas os indígenas estão sendo incitados [a invadir]. Ali é fronteira seca com o Paraguai e nós temos, do outro lado, áreas muito perigosas, com plantio de maconha, onde os indígenas arrumam emprego, infelizmente”.
De acordo com Tereza, ainda que o relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) não tenha sido divulgado, há indícios de que, incitado pelas quadrilhas criminosas, o indígena morto tenha avançado sobre a polícia com arma de fogo.
O comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, concorda com a ministra sobre se tratar de uma tragédia anunciada, visto que Mato Grosso do Sul tem 30% de seu território com reservas indígenas ou em litígio.
“Essa situação gera instabilidades na região há muito tempo. Essas aldeias, pelo que percebemos, estão tomadas pelos traficantes. Por ali se tem armas, drogas e prostituição. Assim, existem algumas lideranças que tornam esses indígenas massa de manobra”.
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o complexo da soja registra alta nos preços do grão e do óleo, enquanto as cotações do farelo estão mistas durante a sessão de hoje. O mercado está bastante volátil, alternando entre valores positivos e negativos.
A forte demanda por soja dos Estados Unidos, com exportações semanais superando as expectativas, oferece suporte aos preços. Por outro lado, a pressão sazonal da entrada da safra no país limita os ganhos e, em alguns momentos, provoca quedas.
As exportações líquidas da soja dos EUA para a temporada 2024/25, que começou em 1º de setembro, atingiram 1.748.100 toneladas na semana encerrada em 12 de setembro, com a China liderando as importações, totalizando 973.900 toneladas.
Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!
Temporada 2025/26
Foto: Divulgação/Emater-RS
Para a temporada 2025/26, as exportações foram de 8.400 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 500 mil e 1,6 milhão de toneladas somando as duas temporadas, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Os contratos com vencimento em novembro de 2024 estavam cotados a US$ 10,16 1/4 por bushel, uma alta de 2,25 centavos de dólar ou 0,22%. A posição para janeiro de 2025 era negociada a US$ 10,34 3/4 por bushel, com aumento de 2,75 centavos ou 0,26%.
No caso do farelo, dezembro de 2024 tinha preço de US$ 321,70 por tonelada, com um ganho de US$ 0,30 ou 0,09%. Já o óleo para dezembro de 2024 era cotado a 41,13 centavos de dólar por libra-peso, avançando 0,82 centavo ou 2,00%.