quinta-feira, agosto 13, 2026

Autor: Redação

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Café raro extraído das fezes do jacu ultrapassa os R$ 30 mil por saca



Com uma plumagem preta e porte médio, a ave jacuaçu, popularmente conhecida como jacu, nem sempre foi bem-vinda nas lavouras de café.

Isso porque ela se alimenta dos grãos maduros, atrapalhando o rendimento da colheita. No entanto, de ameaça, a ave tem se tornado uma aliada e responsável pela produção de um dos cafés mais caros do Brasil, o café do jacu.

No sítio Pico do Boné, no município de Araponga, em Minas Gerais, a presença do pássaro é constante e motivo de satisfação para a cafeicultora Kátia Belo Martins, pois sinaliza que já está na hora da colheita e também haverá uma boa quantidade de grãos do suave e exótico café do jacu.

Ela conta que a ave não era bem-vinda na propriedade, mas mudou de ideia após conhecer a importância do pássaro como dispersor de sementes, contribuindo para a regeneração florestal, e também sobre o alto valor dos grãos que são retirados das fezes dele.

“Aqui tem muito jacu e a gente viu que, ao invés de espantar e vê-lo como inimigo, decidimos transformá-lo em aliado”, relata.

Café do jacu

A colheita dos grãos do café do jacu é feita manualmente e de forma cuidadosa, afinal é preciso procurar no chão onde estão as fezes da ave. É dessas fezes, parecidas com o tradicional doce “pé de moleque”, que se retiram os valiosos grãos de café.

Assim, todas as tardes, Kátia conta com a ajuda da mãe, da irmã ou do namorado para recolher os excrementos da ave.

Após recolhidas, as fezes passam por um processo de secagem para a retirada dos grãos de café, que em seguida são higienizados, secados, torrados, moídos e embalados.

Exótico e caro

Além de ser retirado das fezes de um pássaro, há outras características que fazem com que esse café seja considerado exótico e tenha alto valor agregado. O extensionista da Emater-MG Regivaldo Moreira Dias, explica que entre os fatores estão a qualidade dos grãos que o pássaro se alimenta, o processo de fermentação, a dificuldade de colheita e a baixa produção.

Dias informa que o pássaro se alimenta dos melhores grãos de café, garantindo uma boa qualidade final. Além disso, o processo de fermentação já ocorre no animal.

“O sistema digestivo do jacu só vai processar a casca e a polpa do café, que é a mucilagem. Então o grão fica praticamente intacto, mas ele já passou por uma fermentação natural que confere a esse grão características sensoriais muito superiores ao café comum”, explica.

Segundo Kátia Martins, a colheita exige um olhar atento e a produção é pequena, mas todo esforço vale a pena, pois a lista de espera para a compra do Penélope Majestosa (uma homenagem ao nome científico do jacu) é grande.

A comercialização, por enquanto, é feita apenas no país. O valor da saca (60kg) pode chegar a incríveis R$ 34 mil e o pacote de 150 gramas custa R$ 125.

O extensionista da Emater-MG ressalta a importância do pássaro para o setor cafeeiro. “O jacu não é um vilão. Na verdade, ele é um aliado, pois não está comendo o café, mas sim processando e produzindo um produto de melhor qualidade”, afirma.


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Desmatamento cai 55% na Mata Atlântica no primeiro semestre


Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica indicam redução de 55% no desmatamento do bioma no primeiro semestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De janeiro a junho, foram desmatados 21.401 hectares, ante 47.896 em 2023, segundo levantamento divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas.

Apesar da redução, a SOS Mata Atlântica avalia que o impacto do desmatamento permanece alarmante e inaceitável, especialmente neste bioma que é tão devastado e ameaçado.

Segundo a fundação, embora viável, a meta de zerar o desmatamento no bioma ainda é um desafio.

Ações de combate

A queda no desmatamento decorre, em grande parte, do fortalecimento da fiscalização, do corte de crédito para desmatadores ilegais e do uso de embargos remotos, que são restrições aplicadas a áreas desmatadas detectadas por monitoramento a distância, impedindo seu uso comercial.

“A redução do desmatamento é resultado do fortalecimento e da aplicação das políticas públicas ambientais brasileiras, principalmente a volta da fiscalização ambiental e o fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama”, diz o diretor executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

O engenheiro agrônomo afirmou que os dados atuais representam um alívio temporário, mas ressaltou a necessidade contínua de vigilância e ação.

Nas áreas de encraves – fragmentos de vegetação nativa da Mata Atlântica localizados em limites com outros biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal, onde o desmatamento chamou a atenção ao longo do ano passado –, a redução chegou a 58%. Para Guedes Pinto, esta é uma ótima notícia.

“No ano passado, houve uma queda na região contínua de Mata Atlântica e aumento nos encraves, e este ano teve diminuição nessas duas regiões. Isso se deve também ao plano de combate ao desmatamento no Cerrado, a ações na Caatinga, a toda uma estratégia nacional de combate ao desmatamento”, acrescenta.

Desmatamento zero

O MapBiomas informa que restam 24% da cobertura florestal original da Mata Atlântica. A proporção está abaixo do limite mínimo aceitável para conservação da cobertura, que é, segundo estudo publicado na revista Science, de 30%.

Além disso, as florestas naturais estão restritas a espaços extremamente fragmentados – a maior parte não chega a 50 hectares – e, em 80% dos casos, estão em propriedades privadas.

Guedes Pinto lembra que, para o Brasil cumprir os compromissos firmados no Acordo de Paris, deve alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030.

Para o engenheiro agrônomo, a Mata Atlântica tem o potencial de ser o primeiro bioma brasileiro a alcançar essa meta. “Isso porque é onde o desmatamento é relativamente menor e é uma região com bastante governança”, disse.

Impunidade ao desmatamento

Ele observa que a impunidade diante dos crimes ambientais ainda é um enorme obstáculo para que tais metas sejam atingidas.

“O caminho possível é continuar a fiscalização e a aplicação dos mecanismos de comando e controle, que são as punições para a ilegalidade.”

Guedes Pinto destaca que é preciso afirmar a lei da Mata Atlântica politicamente, para órgãos federais, estaduais e municipais. “A última coisa são os incentivos econômicos para manter a floresta de pé e para a restauração”, afirma o engenheiro, que cita políticas públicas, como pagamento por serviços ambientais, além de instrumentos de mercado, como o mercado de carbono.

Queimadas criminosas

Brasil tem 22,38 milhões de hectares atingidos pelo fogo em nove mesesBrasil tem 22,38 milhões de hectares atingidos pelo fogo em nove meses
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“As respostas das autoridades têm sido insuficientes, como vimos com relação às queimadas criminosas que este ano atingiram níveis assustadores”, ressalta a diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.

Para ela, a falta de justiça quase uma década depois do dano ambiental decorrente do rompimento da barragem de minério em Mariana, Minas Gerais, é exemplo dessa negligência institucional.

Já Guedes Pinto aponta, ainda, o enorme impacto dos incêndios na Mata Atlântica. Segundo ele, a área de florestas queimadas foi maior do que o espaço desmatado no ano passado.

“A queimada não resulta no desmatamento, mas leva à degradação da floresta. Queimadas sucessivas podem acabar levando os pequenos fragmentos a desaparecer”, enfatiza.

As queimadas têm grande impacto sobre a biodiversidade, na emissão de gás de efeito estufa, além de degradar a floresta.

“Ela pode entrar em uma rota inclusive de morte. Por isso, é preciso proteger as áreas que foram impactadas pelas queimadas, observar como vão reagir para se recuperar. O impacto [imediato] é menor que o do desmatamento, mas, no médio e longo prazos, pode ser até parecido.”



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Você viu? Mais de 8 mil litros de azeite adulterado são apreendidos em operação


Um total de 1.692 galões de azeite, o equivalente a mais de oito mil litros do produto, foram apreendidos em operação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES). Essa foi uma das notícias mais lidas do Canal Rural nessa semana.

A ação ocorreu por meio da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), na última quinta-feira (7).

As amostras foram recolhidas para análise por suspeita de se tratar de óleo misto porque o fabricante (da marca ANNA) não tinha autorização para comercializar o alimento.

“Esses galões foram apreendidos em uma fiscalização conjunta, pois a marca não tinha autorização para vender azeite e o produto, provavelmente, é um óleo misto. Em 2019, a mesma marca já havia sido flagrada realizando a adulteração de azeite, colocando óleo misturado em garrafas de azeite e vendendo o produto no mercado capixaba”, afirmou o titular da Decon, delegado Eduardo Passamani.

Distribuição em restaurantes

A operação identificou que o azeite adulterado, comercializado em galões de 5 litros, vendidos em distribuidoras, foi distribuído principalmente para bares, restaurantes, lanchonetes e hotéis.

De acordo com a investigação, esses estabelecimentos abasteciam os pequenos frascos de azeite utilizados nas mesas dos consumidores. No entanto, os clientes estavam consumindo óleo de qualidade inferior sem saber.

“Esse produto, que era comercializado de forma irregular, chegou a passar por mais de 800 estabelecimentos comerciais no estado”, ressaltou Passamani. Em relação à questão criminal, o delegado explicou que os administradores da empresa responsável pelo produto adulterado responderão por crime contra a relação de consumo.

“Os administradores da empresa respondem por crime contra a relação de consumo, com pena de 2 a 5 anos, por terem produzido um produto fora das normas. O material apreendido está sendo analisado para confirmar se realmente se trata de óleo misto. Se for confirmado, a empresa só deve ter mudado a embalagem e aumentado o preço para obter lucro, mas os responsáveis serão responsabilizados criminalmente”, disse o delegado.

Análise do azeite

azeite Anna apreendido pela Polícia Cicil do Espírito Santo
Foto: Divulgação PCES

A análise das amostras do azeite apreendido já foi encaminhada ao Ministério da Agricultura, que verificará se o produto apresenta riscos à saúde do consumidor. “A princípio, esse produto não é prejudicial à saúde, mas não tem as mesmas propriedades nutricionais do azeite. Se consumido em grandes quantidades, pode causar efeitos negativos a longo prazo. No entanto, ele engana o consumidor”, completou Passamani.

O delegado também orientou os consumidores e donos de restaurantes sobre como identificar produtos irregulares. “Para os donos de restaurantes, principalmente quando adquirirem galões de 5 litros, a dica é verificar no site do Ministério da Agricultura e Pecuária se o produtor está autorizado a vender azeite”.

Caso não esteja, trata-se de um claro indicativo de irregularidade. “Além disso, sempre verifique o preço, a embalagem e a procedência do produto. Confira as informações do fabricante e desconfie de grandes disparidades nos valores. Quando o preço parece muito baixo, é bom desconfiar, porque, no fim, você pode estar comprando um produto de qualidade inferior por um preço alto”, frisou.

Em outubro, o Mapa divulgou uma lista com outras 11 marcas fraudulentas. Outras ainda estão sendo analisadas e assim que os resultados forem concluídos, uma nova lista será divulgada.

Orientações aos consumidores

A Decon orienta que o consumidor que adquiriu azeite das marcas apreendidas leve o produto até o estabelecimento comercial onde foi realizada a compra para que seja feita a troca. Caso o estabelecimento se recuse, o consumidor deve procurar a delegacia para registrar o fato.

Em caso de dúvidas sobre a veracidade da fabricação, a população pode procurar os sites do Procon ou Mapa para consultar se essa marca está cadastrada ou para denunciá-la.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o azeite é o segundo produto alimentar mais fraudado do mundo, atrás apenas do pescado.

Veja as orientações do Mapa para não ser enganado:

  • Desconfie sempre de preços abaixo da média;
  • Se possível, verifique se a empresa está registrada no Mapa;
  • Confira a lista de produtos irregulares já apreendidos em ações do Ministério;
  • Não compre azeite a granel;
  • Se atente à data de validade e aos ingredientes contidos;
  • Opte por produtos com a data de envase mais recente.



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AgroNewsPolítica & Agro

Milho fecha em queda em Chicago



Estoques dos EUA são revisados pelo USDA




Foto: Pixabay

Segundo a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), as cotações do milho encerraram a semana em queda na Bolsa de Chicago, após apresentarem alta nos dias anteriores. O bushel para o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (14) em US$ 4,19, abaixo dos US$ 4,27 registrados na semana anterior.

O mais recente relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 8 de novembro, revelou uma redução na produção de milho nos EUA para a safra 2024/25. A projeção caiu de 386,1 milhões para 384,6 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais americanos foram ajustados para 49,2 milhões de toneladas, ante os 50,8 milhões estimados no mês anterior.

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No entanto, a produção global de milho foi elevada para 1,219 bilhão de toneladas, um aumento de dois milhões em relação ao relatório de outubro. Apesar disso, os estoques finais globais também sofreram redução, passando de 306,5 milhões para 304,1 milhões de toneladas. As estimativas para a produção no Brasil e na Argentina foram mantidas em 127 milhões e 51 milhões de toneladas, respectivamente.

O preço médio pago aos produtores americanos para a safra 2024/25 permaneceu em US$ 4,10/bushel, valores ainda significativamente inferiores aos registrados nos dois anos anteriores: US$ 4,55 em 2023/24 e US$ 6,54 em 2022/23. A colheita de milho nos Estados Unidos avançou rapidamente, atingindo 95% da área plantada até o dia 10 de novembro. O ritmo é superior à média histórica, que é de 84% para o mesmo período, conforme a análise do Ceema.





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Escritórios Verdes da JBS passam a atender produtores de grãos


Os Escritórios Verdes, iniciativa da JBS, será ampliada. Desde 2021, o programa fornece assistência técnica gratuita e serviços de extensão a fazendeiros que desejam melhorar o desempenho ambiental, com práticas sustentáveis e mais produtividade.

Agora, um novo formato entra em testes: a ação chega ao Maranhão e, também, entre produtores de grãos.

O anúncio foi feito pela diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil, Liège Correia, nesta sexta-feira, durante a COP29, em Baku, no Azerbaijão, no painel “Alimentando o próximo bilhão: um modelo para construir sistemas alimentares resilientes ao clima no sul global”.

Recuperação de áreas degradadas

A executiva abordou ainda a necessidade de pensar a agricultura, a pecuária e a floresta de forma sistêmica, para produzir mais nas áreas existentes e promover a recuperação de áreas degradadas.

Segundo ela, a partir desse panorama, o Brasil tem aptidão para produzir muito mais, com as áreas já disponíveis para a atividade. “Temos a oportunidade no país de compensar as deficiências de produção, seja por conta da mudança climática ou produtividade das áreas, aumentando a produção nas mesmas áreas”, disse.

A regularização ambiental de propriedades rurais e o maior acesso à ciência e tecnologia para os produtores foram outros pontos abordados no painel.

“Quando a agroindústria assumiu o compromisso público para diminuição do desmatamento, o setor passou pela lógica de bloqueio de fornecedores irregulares. Porém, as empresas entenderam que o ciclo contínuo de bloqueio não terminaria de forma sustentável”, resumiu.

Desde 2021, os Escritórios Verdes possibilitaram que 13 mil propriedades rurais fossem regularizadas, além de 5 mil hectares direcionados para recuperação florestal.

Agricultura regenerativa

A executiva explicou que o programa Escritórios Verdes, fisicamente em 20 unidades da JBS e, mais recentemente, na versão virtual, que permite atendimento em todo o Brasil, vai além da regularização ambiental da propriedade rural.

Isso porque propicia acesso a tecnologias, informações e conhecimentos de gestão para os produtores em harmonia com o conceito de agricultura regenerativa, que promove a preservação dos recursos naturais.

De acordo com Liège, na questão climática, é preciso avançar com urgência no acesso do agricultor, principalmente o pequeno que se dedica à pecuária, a financiamentos que permitam um fôlego econômico para uma atividade mais sustentável.

“Para o produtor rural, o curto prazo é o Pix na conta hoje, para produzir amanhã”, afirmou a diretora, que citou como uma possibilidade promissora a remuneração das unidades de preservação.



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AgroNewsPolítica & Agro

chuvas reduzidas permitem avanço do Arroz



Queda no preço da saca contrasta com otimismo no estado




Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS nesta quinta-feira (14), o início de novembro trouxe condições climáticas favoráveis para a semeadura do arroz no Rio Grande do Sul. A redução da umidade nos talhões, devido à diminuição das chuvas, possibilitou o avanço do plantio, permitindo que fosse realizado em condições próximas ao ideal.

Veja mais informações sobre o clima em Agrotempo

Segundo o informativo, as lavouras já estabelecidas têm se beneficiado das temperaturas elevadas, maior duração de horas de luz e dias ensolarados, fatores que contribuem para o desenvolvimento vegetativo das plantas. O manejo cultural, incluindo controle de plantas invasoras e adubação nitrogenada, segue dentro do esperado, assegurando um crescimento saudável e competitivo para a cultura.

Segundo o Instituto Rio Grandense de Arroz (IRGA), a área destinada ao cultivo de arroz no estado deve alcançar 948.356 hectares, com uma produtividade estimada pela Emater/RS-Ascar de 8.478 kg/ha.

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Panorama Regional

Bagé e Fronteira Oeste:
A semeadura avançou com lavouras bem estabelecidas. Apesar disso, os produtores de Bagé demonstram preocupação com o impacto das temperaturas mais baixas observadas recentemente.

Pelotas: Cerca de 80% da área planejada já foi semeada, embora o índice seja inferior aos 93% registrados no mesmo período de 2023. Chuvas leves em 6 e 7 de novembro paralisaram temporariamente as atividades em áreas com acumulados acima de 10 mm.

Soledade: A semeadura atingiu 75% da área prevista, beneficiada por chuvas de baixa intensidade, que também têm favorecido o manejo de plantas invasoras e a adubação nitrogenada em lavouras de arroz pré-germinado.

No mercado, o preço médio da saca de 60 kg apresentou retração de 3,30% na última semana, passando de R$ 116,43 para R$ 112,59, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.





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Pela primeira vez, cochonilhas são registradas no Vale do São Francisco


Seis espécies de cochonilhas-de-escama foram registradas pela primeira vez no Submédio do Vale do São Francisco, em Minas Gerais, a mais importante zona de produção de frutas tropicais do país, localizada na região semiárida.

As pragas foram encontradas em pomares de manga e uva, causando danos diretos aos frutos e comprometendo sua qualidade e o desenvolvimento das plantas.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido Tiago Cardoso da Costa Lima, a identificação correta das espécies que causam danos à cultura é a base para o manejo integrado de pragas.

“A partir dessa informação podemos conhecer melhor sobre a biologia do inseto e quais medidas de controle podemos adotar. Tem sido um trabalho constante conduzido na Embrapa Semiárido para ajudar os produtores no monitoramento dessas pragas”, destaca.

O pesquisador explica que as cochonilhas podem provocar a despigmentação da casca dos frutos e, mesmo mortas, continuam presas à superfície, prejudicando sua aparência. “Por isso, é importante que os produtores monitorem essas cochonilhas com cuidado na fase vegetativa, impedindo o aumento populacional e a posterior migração para os frutos”, ressalta.

Infestação e primeiros relatos

cochonilhas videirascochonilhas videiras
Foto: Divulgação Embrapa Semiárido

Os primeiros relatos de problemas causados por essas pragas foram feitos por produtores de manga, entre 2021 e 2022, que comunicaram à Embrapa sobre danos em folhas e frutos. Já em 2023 foi a vez dos produtores de uva relatarem infestação de cochonilhas no tronco da videira (foto acima), provocando, inclusive, a morte das plantas.

Em resposta, a Embrapa Semiárido realizou um levantamento em diferentes fazendas nos municípios de Petrolina (PE), Belém de São Francisco (PE) e Curaçá (BA) para coletar uma amostragem desses insetos. O material foi enviado para o Centro Estadual de Pesquisa Agronômica (Ceagro) do Rio Grande do Sul, onde foi identificado pela taxonomista Vera Wolff.

Espécies identificadas

Em videiras, foi identificada a ocorrência de duas espécies. A primeira, que ataca os troncos da planta, é a Melanaspis arnaldoi, restrita ao Brasil, com registros anteriores nas regiões Sudeste e Sul.

De acordo com a Embrapa, essa praga acarreta maiores custos com o manejo, pois os produtores têm adotado a prática de retirada da casca dos troncos para, em seguida, conduzir as pulverizações.

A segunda foi a Aonidiella orientalis, que infesta folhas, pecíolos, entrenós e bagas. A espécie é amplamente distribuída no mundo e possui uma elevada gama de plantas hospedeiras, sendo conhecida como praga de citros, mamão e manga.

Já em mangueiras foram identificadas quatro novas ocorrências de cochonilhas para a região: Mycetaspis personata, Aonidiella comperei, Chrysomphalus aonidum e Hemiberlesia lataniae. As três primeiras foram observadas em folhas e frutos e a última apenas em folhas.

A Aonidiella comperei foi a única espécie que ainda não havia sido registrada em cultivo de manga em nenhum país.

*Sob supervisão de Victor Faverin


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veja o que pescadores devem fazer para evitar penalidades



Começa a valer, a partir deste mês de novembro, a restrição de pesca de peixes nativos nas bacias hidrográficas de Minas Gerais devido ao período da piracema (período de reprodução dos peixes).

Nesta época do ano ocorre o movimento de várias espécies de peixes em direção às cabeceiras dos rios com o objetivo de continuidade do ciclo reprodutivo.

As restrições à pesca nas bacias hidrográficas de Minas Gerais seguirão até 28 de fevereiro de 2025. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizaram uma coletiva de imprensa para reforçar as recomendações deste período.

Regras da piracema

Durante a piracema, a pesca só é permitida para espécies exóticas (espécies não nativas que foram introduzidas pelo homem) e híbridas, no limite de três quilos diários mais um exemplar.

Para proteger a reprodução dos peixes durante a piracema, a pesca em Minas Gerais deve seguir restrições de distância nas proximidades de pontos específicos, como confluências de rios, represas, barragens, lagoas e corredeiras.

Essas áreas possuem limites mínimos de pesca a montante (antes) e a jusante (depois) da correnteza para garantir que os peixes alcancem as cabeceiras e completem seu ciclo reprodutivo.

Os equipamentos permitidos durante a piracema são:

  • Linha de mão com anzol;
  • Vara;
  • Caniço simples;
  • Carretilha ou molinete de pesca
  • Iscas naturais ou artificiais

Carteira de pesca

Fica proibido o uso de redes e demais equipamentos que possam capturar diversos espécimes. No entanto, para portar o pescado e os equipamentos de pesca, ainda que em situações em que a atividade é autorizada, é importante que o pescador porte e mantenha atualizada a carteira de pesca.

O documento pode ser obtido a partir do preenchimento do formulário disponível no site do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Já quem comercializa, explora, industrializa e armazena peixes deve se registrar junto ao IEF.

Os estoques de peixe in natura, congelados ou não, provenientes de águas continentais, existentes nos frigoríficos, peixarias, colônias e associações de pescadores, também devem ser informados ao órgão.

A exigência incide, ainda, sobre os estoques armazenados por pescadores profissionais, entrepostos, postos de venda, depósitos e câmaras frias, em posse de feirantes, ambulantes, bares, restaurantes, hotéis e similares.

Operações preventivas

A atenção da Semad e da Polícia Militar ao período da Piracema tem início mesmo antes deste período de defeso. No mês de outubro, as instituições iniciaram um trabalho preventivo, com intuito de orientar os pescadores e comerciantes sobre as restrições.

Exemplo deste cuidado preventivo é a Operação Colônia, coordenada pela Unidade Regional de Fiscalização Central Metropolitana, mas que percorre todo o estado. Acompanhados da Polícia Militar, os fiscais vão até as colônias de pescadores e promovem reuniões e palestras.

“O objetivo é explicar sobre as regras neste período de restrições. Com isso, a gente quer evitar a pesca nesse período, que é muito danosa ao meio ambiente e evitar as multas também, pois se o pescador seguir as regras, não vai sofrer sanções.”, destaca o superintendente de Fiscalização da Semad, Gustavo Endrigo de Sá Fonseca.

*Sob supervisão de Victor Faverin


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AgroNewsPolítica & Agro

Avanço em IA promete transformar o monitoramento do arroz



Os métodos tradicionais têm limitações



Os métodos tradicionais têm limitações
Os métodos tradicionais têm limitações – Foto: Pixabay

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram o modelo AAUConvNeXt, utilizando redes neurais convolucionais avançadas (CNN) e algoritmos de otimização inteligentes, superando as técnicas convencionais no monitoramento do alojamento de arroz. O alojamento, que ocorre devido a fatores ambientais como vento e chuva, é um grande desafio para a produtividade agrícola, pois dificulta a fotossíntese, complica a colheita e aumenta a vulnerabilidade das plantas às pragas.  

Os métodos tradicionais de monitoramento, como inspeção visual e modelagem matemática, têm limitações em termos de precisão, escalabilidade e capacidade de resposta rápida. O AAUConvNeXt se destaca por otimizar estrategicamente os canais nas camadas convolucionais, ajustando-os de forma dinâmica conforme a necessidade de aprendizado de cada camada. Isso melhora o desempenho e a eficiência computacional, alcançando 96,3% de precisão de pixel, 96,3% de precisão média de pixel e 93,2% de interseção média sobre união (mIoU), superando modelos como DeepLabV3+ e HRNet. 

O modelo não apenas alcançou alta precisão, mas também reduziu a complexidade computacional em 8,66%, tornando-o mais eficiente em termos de recursos. Com uma excelente capacidade de distinguir entre estados completos, parciais e sem alojamento, o AAUConvNeXt oferece uma solução eficaz para intervenções agrícolas oportunas, como ajustes na irrigação e controle de pragas.  

De acordo com o Dr. Xiaobo Sun, líder da pesquisa, o uso de aprendizado profundo aliado à otimização inteligente possibilita um monitoramento eficiente e econômico das culturas. Esse avanço pode transformar a gestão do cultivo de arroz, tornando as práticas agrícolas mais produtivas e sustentáveis. O modelo AAUConvNeXt abre novas possibilidades para melhorar a produtividade no campo e reduzir custos operacionais.

 





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Terceiro caso de raiva em capivaras no mundo é registrado no Brasil


Três capivaras foram encontradas mortas na Ilha Anchieta, no município de Ubatuba, litoral de São Paulo, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Duas delas apresentaram paralisia das patas traseiras antes de morrerem. Análises dos cérebros concluídas recentemente e realizadas no Instituto Pasteur determinaram a causa da morte: encefalite causada pelo vírus da raiva.

Este foi o terceiro relato de casos de raiva em capivaras no mundo, e o segundo no Brasil. O caso foi publicado na revista Veterinary Research Communications. O estudo, apoiado pela Fapesp, também detectou que a variante do vírus encontrada nos três animais é a mesma presente em morcegos-vampiros (Desmodus rotundus).

“Nos últimos anos, tem-se observado um aumento no número de casos relatados de raiva em animais silvestres. Isso possivelmente está relacionado a distúrbios ambientais que desequilibram o ecossistema onde vivem os morcegos”, diz Enio Mori, pesquisador do Instituto Pasteur, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e coordenador do estudo.

Morcegos sem abrigo

MorcegoMorcego
Foto: Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul

Os casos da Ilha Anchieta, um parque estadual no município de Ubatuba, ocorreram pouco depois de uma reforma nas ruínas existentes na ilha, em 2019, quando o telhado de uma construção foi reformado e os morcegos perderam temporariamente seus abrigos.

“Em momentos como esse, há grande estresse nas colônias e muitas brigas entre os morcegos. Com isso, podem passar raiva uns aos outros, aumentando as chances de transmiti-la para os animais silvestres dos quais eles se alimentam, como as capivaras”, conta Mori.

De modo geral, o desmatamento também contribui para o aumento dos casos de raiva. A diminuição do número de animais silvestres, que servem como fonte de alimento original para os morcegos-vampiros, faz com que estes busquem outros mamíferos, como animais domésticos ou até mesmo seres humanos, para se alimentarem. Isso aumenta o risco de transmissão da raiva para novos hospedeiros.

Variantes do vírus em capivaras

As capivaras mortas foram localizadas por funcionários da Fundação Florestal, responsável pela administração do Parque Estadual da Ilha Anchieta. Amostras de seus cérebros foram enviadas ao Instituto Pasteur, que integra uma rede de laboratórios que realizam diagnósticos para vigilância epidemiológica da raiva, utilizando material enviado pelos centros de controle de zoonoses dos municípios.

Primeiro, como prova de triagem, os pesquisadores e técnicos realizaram a detecção de antígenos para o vírus da raiva no tecido cerebral. Os três casos apresentaram resultado positivo para a raiva.

Em seguida, o isolamento do vírus foi realizado como teste confirmatório. Uma das amostras estava muito deteriorada, o que impediu a realização desse exame, mas o genoma da partícula viral pôde ser sequenciado. Todas as amostras confirmaram a presença da mesma variante encontrada em morcegos-vampiros, indicando uma provável transmissão pela mordedura.

O único outro caso de raiva em capivaras no Brasil foi publicado em 1985. No mundo, outro caso só foi relatado no norte da Argentina, em 2009. Apenas no estudo atual foi feita a tipificação da variante viral encontrada.

Transmissão aos humanos

Não existem relatos de casos de raiva humana transmitida por capivaras. No entanto, acidentes em que pessoas foram mordidas por esses animais geralmente causam grandes lesões. Ainda não se sabe se a saliva das capivaras contém o vírus, como ocorre com os morcegos, que são reservatórios do patógeno.

“Por isso, a vigilância epidemiológica precisa continuar para entender o papel das capivaras no ciclo do vírus, por exemplo. É bem possível que elas sejam hospedeiros finais, que morrem sem transmitir o vírus para outros animais. Mas, para confirmar isso, precisamos de novos estudos”, atesta o pesquisador.


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