terça-feira, julho 28, 2026

Autor: Redação

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CNA acredita em redução de custos logísticos e início da Ferrogrão em 2025



A produção agrícola do Brasil deve crescer 8,3% na safra 2024/25, atingindo 322,4 milhões de toneladas, um recorde histórico, conforme estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Para dar conta da distribuição logística dessa quantidade de grãos, o governo federal lançou na última quarta-feira (5) um plano para reforçar a infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária do país.

Assim, serão investidos R$ 7,15 bilhões em medidasque visam fortalecer a competitividade do Brasil no mercado agrícola internacional. As obras estarão integradas ao Novo PAC e as melhorias estarão concentradas no Arco Norte e no Corredor Sul e Sudeste.

Para a assessora técnica da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) Elisangela Pereira Lopes, o privilégio que o país tem dado historicamente ao transporte rodoviário encarece os custos logísticos.

“Quando se pensa em um planejamento mais voltado para aumentar a oferta de rios navegáveis no país para o transporte de cargas e também para aumentar a oferta
de linhas férreas destinadas ao agronegócio, isso induz em uma redução expressiva do custo de transporte”.

Elisangela listou as ações prioritários para a CNA, como os corredores de exportação:

  • A conclusão dos 33 km da BR 163 que conecta Santarém a Miritituba, ambos no Pará;
  • Atenção à BR 242 que conecta o oeste da Bahia aos portos de Salvador;
  • O corredor da BR 158, que liga Mato Grosso ao Pará;

“Também temos a Ferrogrão que, embora não tenha sido mencionada no plano do governo, temos uma expectativa otimista de que esse projeto saia do papel ainda este ano”.



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Essas são as preocupações do mercado da soja


Temperaturas extremas e estiagem seguem sendo o principal desafio do mercado da soja do estado do Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica. “Preços no porto: Não há indicações. No interior, os preços seguem o balizamento de cada praça: R$ 134,00 em Cruz Alta (pagamento em 17/02 – para fábrica), R$ 134,00 em Passo Fundo (pagamento no fim de fevereiro), R$ 134,00 em Ijuí (pagamento em 17/02 – para fábrica), e R$ 134,00 em Santa Rosa/São Luiz (pagamento no fim de fevereiro). Os preços de pedra em Panambi mantiveram-se em R$ 126,00 por saca para o produtor”, comenta.

A safra de soja 2024/2025 em Santa Catarina deve crescer 12,2%, com 768,6 mil hectares plantados e produtividade média de 3.771 kg/ha, totalizando 2,91 milhões de toneladas. Apesar disso, as exportações caíram 5,7% em volume e 23% em receita, devido à queda nos preços internacionais, que atingiram o menor nível em quatro anos. O mercado segue pressionado pela alta oferta e volatilidade dos preços. No porto de São Francisco, os valores variam de R$ 132,29/t em fevereiro a R$ 141,00/t em junho.

Perda de qualidade da soja no Paraná é o que preocupa o produtor. “Para entregas no Porto de Paranaguá, os compradores indicavam ideia de R$ 134,00 para entrega em janeiro 31/01 e pagamento 28/02. No spot da soja em Ponta Grossa, os preços foram a 124,50 por saca CIF, mas a liquidez foi baixa, com compradores afastados e vendedores sem grãos. Em Maringá, no disponível, as indicações chegaram a R$ 123,16 por saca FOB, para retirada imediata e pagamento em janeiro, mas sem negócios reportados”, completa.

Sem mudanças de panorama, situação segue complicada no Mato Grosso do Sul. “A produção esperada é de 14,932 milhões de toneladas, 14,3% maior do que na safra anterior, com um rendimento médio de 3.450 kg/ha, frente aos 3.060 kg/ha colhidos em 2023/24. Em Dourados, o spot da soja ficou em 116,03, Campo Grande a 116,03, Maracaju a 116,03, Chapadão do Sul a 115,21 e Sidrolândia a 116,03”, indica.

O custo de produção da soja em Mato Grosso segue em alta, com custeio estimado em R$ 4.004,99/ha para a safra 2025/2026, um aumento de 3,92% desde novembro de 2024, segundo o Imea. A alta foi puxada pelos insumos, como sementes (+6,58%), fertilizantes (+5,07%) e defensivos (+2,08%). O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 2,95%, chegando a R$ 5.582,04/ha. O Ponto de Equilíbrio foi calculado em R$ 96,29/saca, e apesar do preço da soja ter ficado 11,31% acima desse valor até dezembro, a recente desvalorização preocupa os produtores. Em Mato Grosso, os preços variam entre R$ 108,57 e R$ 117,49 por saca.

 





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Audiência discute concessão inédita da Hidrovia do Rio Paraguai



O Brasil poderá contar com a primeira concessão hidroviária do país, referente à Hidrovia do Rio Paraguai. Se aprovada, a previsão é de um aumento expressivo na movimentação de cargas, podendo atingir entre 25 e 30 milhões de toneladas anuais até 2030.

A hidrovia cobre um trecho de 600 km entre Corumbá e Porto Murtinho, no sul de Mato Grosso do Sul. O projeto prevê um investimento inicial de R$ 63,9 milhões nos primeiros cinco anos, focado na infraestrutura e segurança da navegação.

A audiência pública para discutir a iniciativa ocorreu nesta terça-feira (6), na sede da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em Brasília, em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor).

Segundo o Mpor, o modal hidroviário tem custo inferior ao do transporte rodoviário e ferroviário, sendo uma alternativa sustentável para a exportação de grãos, minérios e outros produtos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou a importância do projeto:

“Essa hidrovia será fundamental para avançarmos no escoamento inédito de ferro no Brasil, além de ampliar o transporte de outros insumos. Também representa um atrativo estratégico para a região.”

A concessão, com duração de 15 anos e possibilidade de prorrogação, visa melhorar a logística de transporte, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a eficiência no escoamento da produção local.

O modelo pode servir de referência para outras concessões hidroviárias, impulsionando investimentos privados e reduzindo custos logísticos para o agronegócio e a indústria.

Próximos passos da concessão:

Consulta Pública: 1º trimestre
Envio ao TCU: 2º trimestre
Leilão: 4º trimestre



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A expectativa de safra recorde de soja na Bahia



A Bahia, principal estado produtor de soja do Matopiba, vive um momento promissor para a safra. O clima tem favorecido o desenvolvimento das lavouras de sequeiro, com chuvas regulares que contribuem para o bom crescimento das plantas.

No entanto, os sojicultores do estado permanecem atentos ao controle de pragas e doenças, que podem impactar a produtividade. Nas áreas irrigadas, onde o plantio começou mais cedo, a colheita já está em andamento e os resultados são positivos.

A Fazenda dos Irmãos Gross, localizada em Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, tem vivido a constante presença de chuvas, o que tem sido fundamental para o bom desenvolvimento das lavouras de soja. Com 1.900 hectares de soja, sendo 1.600 irrigados, a fazenda colhe frutos de um clima mais favorável em comparação a outras regiões do país.

Nessas áreas irrigadas, a colheita precisou ser paralisada em alguns momentos devido à chuva, mas, por outro lado, a água acumulada tem beneficiado as lavouras de sequeiro, que estão em fase de enchimento dos grãos.

Produtividade da soja

A produtividade na fazenda já supera o desempenho do ciclo passado, o que se deve, em grande parte, ao monitoramento constante e ao controle fitossanitário. Segundo a diretora financeira da propriedade, a antecipação do plantio foi uma estratégia essencial. Isso permitiu que o plantio da segunda safra fosse adiantado, o que só foi possível graças ao plano de controle fitossanitário da Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba) e da ADAB Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), que visa proteger as lavouras contra pragas e doenças.

No entanto, a Aiba esclarece que a presença dos esporos não significa que a doença já tenha se instalado nas lavouras. O controle eficaz e constante do clima e da umidade tem contribuído para a contenção da ferrugem asiática, e o mofo branco também segue sob controle, devido às ações preventivas dos produtores.

O bom resultado no controle dessas doenças é uma prova do trabalho conjunto entre os produtores e as entidades responsáveis pelo monitoramento. O presidente da IBA destaca que a colaboração entre todos tem sido fundamental para manter a doença sob controle e garantir a qualidade da safra. A expectativa é de que a Bahia colha, em média, 67 sacas de soja por hectare.



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SP manterá isenção de ICMS para bovinos puros de origem, diz ABCZ



A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu manter a isenção do ICMS na venda de bovinos puros de origem (PO) do estado. Em nota, a associação afirmou que o decreto garantindo a continuidade do benefício será publicado ainda hoje.

A ABCZ relatou que recebeu a confirmação em conversa entre o governador e o presidente da associação, Gabriel Garcia Cid.

“O governador Tarcísio definiu que o estado de São Paulo mantenha os incentivos tributários para comercialização de matrizes e reprodutores puros de origem no estado. São Paulo é um grande exportador de genética, reconhecido nacionalmente e internacionalmente, e esse setor cresceu muito devido a esse benefício”, disse o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, na nota.

A decisão ocorre um dia após a ABCZ enviar ofício ao governador solicitando a prorrogação da isenção, que não havia sido renovada na revisão dos benefícios fiscais do plano São Paulo na Direção Certa.

“O melhoramento genético, garantido pelo devido registro genealógico, é essencial para a manutenção de linhagens saudáveis, atendendo padrões de qualidade nacionais e internacionais e assegurando a segurança sanitária dos alimentos”, ressaltou, na nota, Garcia Cid.



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Inmet publica alerta de perigo a dois estados por onda de calor


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta quinta-feira (6) aviso de perigo para onda de calor em áreas ao leste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (veja mapa abaixo).

O alerta se refere ao próximo sábado (8), com início às 11h e se estende até segunda-feira (10), com fim às 16h, mas tem chances de durar até quinta-feira (13). De acordo com o órgão, a temperatura estará 5°C acima da média.

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Foto: Reprodução

De acordo com o Inmet, as áreas mais afetadas são: Grande Florianópolis, Região Metropolitana de Porto Alegre, sul catarinense, sudeste rio-grandense, Vale do Itajaí, nordeste rio-grandense e o norte catarinense.



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Milho fecha em alta com disputa


Na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (B3), o milho fechou em alta com disputa entre fábricas e portos, segundo informações da TF Agroeconômica. “O milho segue firme a tendência de alta na B3. Os dados da Anec podem parecer contraditórios com a alta, mas refletem bem o momento do milho brasileiro”, comenta.

“A ANEC estimou, neste meio de semana, as exportações brasileiras de milho em 1,03 milhão de toneladas para fevereiro, ante 3,15 milhões em janeiro e 724.065 toneladas no mesmo mês de 2024. Ou seja, mesmo em um momento de redução de embarques de milho, dado a prioridade da exportação da soja, o Brasil deve comercializar mais milho que em 2024, onde a demanda externa foi mais forte que a atual. Ao longo de 2024 o mercado interno absorveu grande parte do milho produzido.Os portos e a indústria estão disputando o grão ainda estocado ou recém-colhido, o que tem dado bons valores para a bolsa e o mercado físico”, completa.

Diante deste quadro, as cotações futuras fecharam em baixa no dia. “O vencimento de março/25 foi de R$ 77,95 apresentando alta de R$ 1,33 no dia, alta de R$ 2,21 na semana; maio/25 fechou a R$ 77,28, alta de R$ 0,75 no dia, alta e R$ 1,72 na semana; o vencimento julho/25fechou a R$ 72,34, alta de R$ 0,50 no dia e alta de R$ 1,22 na semana”, indica.

Em Chicago, o milho fechou de forma mista com falta de acordo entre China e EUA. “A cotação de março, referência para a nossa safra de verão, fechou em baixa de -0,25 % ou $ -1,25 cents/bushel a $ 493,25. A cotação para maio, fechou estável a $ 504,75. As cotações do cereal sofreram pressão do ajuste da soja e do trigo neste meio de semana. O impasse entre a Casa Branca e o Governo chinês sobre as tarifas também pesou sobre os preços”, conclui.

 





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Missão brasileira fortalece mercados sustentáveis na Alemanha



Uma equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou do maior evento do setor de frutas e hortaliças frescas do mundo, a Fruit Logistica 2025. Além de cumprir agenda de reuniões com autoridades alemãs e representantes do setor produtivo, o objetivo da viagem foi fortalecer as relações bilaterais, ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional e reforçar a imagem do Brasil como referência em sustentabilidade agropecuária.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais e se destaca pela qualidade e diversidade de seus produtos. O Mapa destacou o compromisso dos produtores do país com a inovação e as boas práticas agrícolas.

Cerca de 50 empresas do setor estiveram presentes no evento, sob coordenação da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas)

Encontros

A delegação realizou uma reunião com a diretora-geral do Ministério da Agricultura da Alemanha, Swantje Nilsson. A conversa abordou temas como a cooperação comercial entre os dois países, o Acordo Mercosul-União Europeia, o recente foco de febre aftosa e as práticas sustentáveis adotadas pelo Brasil.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, palestrou na 18ª Conferência Latino-Americana da Economia Alemã. Durante a apresentação, ele detalhou oportunidades de negócios para investidores alemães e destacou iniciativas brasileiras, como o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) e a Lei do Biocombustível do Futuro.

Regulamentação

A delegação brasileira também participou de um encontro sobre o Regulamento Europeu de Cadeias Livres de Desmatamento (EUDR), com representantes dos setores de carne bovina, soja e café.

A Alemanha, maior compradora do café brasileiro na Europa, tem papel fundamental no comércio do produto, o que reforça a importância do diálogo sobre as regulamentações ambientais e o fortalecimento das exportações nacionais.

Na mídia

Por fim, a missão brasileira realizou uma coletiva com a imprensa alemã, destacando os avanços na redução do desmatamento, as práticas sustentáveis da agropecuária nacional e o papel do Brasil como fornecedor confiável de alimentos ao mundo.

*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária



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Produção de grãos deve crescer 17% no Paraná, mas clima preocupa, diz Ocepar


A produção de grãos no Paraná deve atingir 41 milhões de toneladas na safra 2024/25, um aumento de 6 milhões de toneladas, ou 17% maior, em relação ao ciclo anterior, afirmou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken.

Segundo ele, o avanço da produção deve impor desafios à logística e à armazenagem no estado. “Nossa infraestrutura vai ser bem desafiada. Devemos ter uma concentração de entrada e produção bastante significativa nas próximas semanas”, disse.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, confirmou que 23% da área plantada de soja no estado já foi colhida, principalmente nas regiões oeste e sudoeste.

O volume projetado para a oleaginosa foi revisado para 21,3 milhões de toneladas, quase 1 milhão de toneladas abaixo da estimativa inicial de 22,2 milhões de toneladas, devido ao período de estiagem entre dezembro e janeiro, que afetou lavouras em Toledo e Cascavel.

Para o milho safrinha, a estimativa segue em 15,5 milhões de toneladas, mantendo o Paraná como um dos principais fornecedores do cereal para a produção de proteína animal. “O milho é matéria-prima fundamental para a cadeia de proteína animal; somos grandes produtores de frango e suíno”, destacou o diretor do Deral, Marcelo Garrido.

Momento econômico preocupa

Apesar da safra cheia, o cenário econômico suscita preocupações. Ricken, da Ocepar, citou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2%, inflação em 5,5% e a Selic (taxa básica de juros da economia) em tendência de alta para 15%, além do impacto do dólar próximo a R$ 6. “É um momento de desafio para o setor”, reforçou.

O presidente da Cooperativa Bom Jesus, Luiz Roberto Baggio, alertou para a necessidade de ajustes no Plano Safra, diante da alta dos juros e da dívida pública superior a R$ 7 trilhões. “A safra é grande, muito boa, mas as coisas não estão tão boas assim. Isso pode, em alguma medida, afetar a agricultura”, advertiu.

Impacto do La Niña

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Foto: Pixabay

O fenômeno climático La Niña segue ativo, com intensidade moderada, e continuará influenciando o clima no Brasil pelo menos até o primeiro semestre de 2025, afirmou o agrometeorologista Luiz Renato Lazinski, durante o Encontro Safra 2024/25, promovido pelo Sistema Ocepar.

Segundo ele, o fenômeno já atingiu seu pico e deve perder força gradualmente nos próximos meses, mas seus efeitos ainda serão sentidos no campo. “La Niña atingiu o máximo agora. Daqui para a frente, a tendência é diminuir gradativamente, mas seus efeitos sobre o clima continuam” destacou Lazinski.

A atuação do fenômeno tem provocado um desequilíbrio climático entre as regiões produtoras do país. No Centro-Oeste, o excesso de chuvas tem atrasado a colheita da soja e pode empurrar para a frente o plantio da safrinha, enquanto no Sul, a estiagem e o calor intenso comprometem a produtividade das lavouras.

No Centro-Oeste, o volume de chuvas tem sido muito acima do esperado, acumulando 300 a 400 milímetros em 30 dias. Segundo Lazinski, o problema não é apenas o volume, mas a frequência das precipitações. “O problema é que tem chovido todo dia. Podia até chover 200 milímetros, metade disso, mas todos os dias tem chovido”, ressaltou.

Essa condição tem mantido o solo encharcado, dificultando a colheita da soja. “O produtor entra com a máquina no campo, vai colher a soja e entregar na cooperativa com 25% ou 30% de umidade. Isso encarece o processo porque exige secagem e aumenta os custos logísticos”, comentou.

Cuidados com a produção do Sul

No Paraná, o padrão climático é característico de La Niña, com chuvas bem distribuídas no leste do estado e volumes reduzidos no oeste e noroeste. “As áreas mais ao leste recebem bem. À medida que vou me deslocando para o oeste do estado, as chuvas vão diminuindo”, observou Lazinski.

A umidade do solo segue alta na região central e nos Campos Gerais, variando entre 60% e 70%. No oeste e noroeste, porém, os níveis estão entre 40% e 50%, o que pode comprometer a produtividade do milho safrinha, caso o período seco se estenda.

“Para o milho safrinha, o ideal é que tenha mais de 70% de umidade no solo. Se pegar um veranico de 20 a 25 dias, a lavoura começa a pedir água”, alertou o meteorologista.

O Sul do Brasil e a Argentina enfrentam temperaturas elevadas e escassez de chuvas. O Rio Grande do Sul está em situação crítica, com temperaturas chegando a 42,4 graus em Quaraí e umidade do solo abaixo de 20 milímetros.

“No nível da lavoura, uma temperatura dessas chega a 60 graus. A planta não aguenta. Cada dia que passa com temperaturas elevadas e falta de precipitação, ela vai perdendo produtividade”, afirmou Lazinski.

Na Argentina, o cenário é ainda mais extremo. As temperaturas estão 6 graus acima da média, com máximas de 42 ºC a 43 ºC em algumas regiões. A previsão para os próximos 15 dias indica pouca ou nenhuma chuva, com exceção do norte de Buenos Aires. “A Argentina está em uma situação complicada, sem previsão de chuvas significativas. Se isso se confirmar, o impacto na produção agrícola pode ser severo”, destacou.



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Safra de milho avança no Sul do Brasil: Veja o mercado


Segundo a TF Agroeconômica, a colheita de milho no Rio Grande do Sul segue em ritmo acelerado, atingindo mais de 50% da área plantada. A indústria aumentou suas ofertas em R$ 1,00 no interior, com preços variando entre R$ 70,00 e R$ 74,00 por saca, dependendo da região. A Conab destacou que o plantio da primeira safra está atrasado, mas a colheita avançou rapidamente, com produtividade variável devido às restrições hídricas. A exportação se beneficiou da alta em Chicago, com valores chegando a R$ 80,00 por saca para entrega em fevereiro.  

Em Santa Catarina, a colheita segue atrasada, com apenas 4,2% da área apta colhida, segundo a Conab. No entanto, as lavouras no Planalto e na Serra apresentam ótimo desenvolvimento. A Epagri apontou uma queda de 1,79% no preço médio pago ao produtor em dezembro e leve retração em janeiro, enquanto o mercado internacional sinaliza alta para os contratos de março de 2025 na Bolsa de Chicago. No porto, valores de compra variam entre R$ 72,00 para entrega em agosto e R$ 72,50 para outubro.  

No Paraná, a primeira safra de milho apresenta boas expectativas, com a colheita acelerando em fevereiro. Segundo o Deral, a produção está consolidada e deve ter alta produtividade, apesar da pressão de cigarrinhas. A Conab informou que as chuvas desaceleram a colheita, que atingiu 5% da área. O plantio da segunda safra avançou para 9%. No mercado, o milho spot gira em torno de R$ 72,00/saca, e no porto de Paranaguá, compradores oferecem até R$ 73,00 com entrega em setembro.  

Já em Mato Grosso do Sul, o plantio da segunda safra está levemente atrasado, com 5% da área semeada, segundo a Conab. A comercialização do milho safrinha de 2024 atingiu 77%, ficando abaixo do ritmo do ano anterior. O preço médio da saca subiu 0,99% em janeiro, chegando a R$ 63,56. No mercado físico, os valores oscilaram: Campo Grande registrou R$ 63,00, enquanto Dourados teve alta para R$ 65,99.

 





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