sexta-feira, março 13, 2026

Autor: Redação

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Altas temperaturas afetam lavouras de feijão-de-vagem



Produção de feijão-de-vagem recua em Vale Real



Foto: Canva

A produção de feijão-de-vagem no Vale do Taquari registrou impactos negativos em função das altas temperaturas recentes, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (25). Na região administrativa de Lajeado, em especial no município de Vale Real, o calor excessivo comprometeu o florescimento e a fecundação das plantas, resultando em perdas de produtividade estimadas em cerca de 10%.

Apesar da redução no potencial produtivo, a Emater/RS-Ascar informa que a cultura apresenta bom estado fitossanitário. Ainda assim, foi necessário o controle da antracnose para evitar o avanço da doença nas lavouras. O aumento da oferta no mercado refletiu diretamente nos preços pagos ao produtor, com queda de R$ 6,00 para R$ 4,00 por quilo em relação ao mês anterior.

No município de Feliz, também acompanhado pela regional de Lajeado, a colheita ocorre normalmente. Os preços praticados na comercialização variam entre R$ 5,50 e R$ 6,50 por quilo, conforme a qualidade e o volume ofertado.





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Goiás acelera semeadura do milho com melhora climática



Exportações de milho devem crescer 16,3% em 2025/26



Foto: Pixabay

O ritmo de plantio do milho em Goiás avançou ao longo de novembro, impulsionado pela maior previsibilidade das chuvas no período. Segundo a edição de dezembro do informativo mensal Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), até o dia 8 do mês apenas 8% da área estimada para a primeira safra havia sido semeada no estado.

O avanço ganhou intensidade a partir da terceira semana de novembro, quando o percentual plantado saltou para 39%, aproximando-se da média registrada nos últimos cinco anos, de 40,8%. O documento atribui o desempenho à regularização das precipitações, que trouxe maior segurança aos produtores para acelerar a semeadura. Entre os dias 23 e 29 de novembro, o plantio manteve ritmo elevado e alcançou 55% da área prevista. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nas regiões Leste e Norte de Goiás, o plantio já se encontrava praticamente concluído nesse período.

Além do desempenho no campo, o milho segue ocupando posição de destaque no comércio exterior goiano. No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o grão foi o terceiro produto com maior valor exportado pelo estado, atrás apenas da soja e da carne bovina. A participação do milho no valor total exportado pelo agronegócio goiano cresceu de 5,8% para 7,1% em comparação ao ano anterior, refletindo o fortalecimento da demanda internacional.

A perspectiva para a safra brasileira 2025/26 é de continuidade desse movimento. A Conab projeta crescimento de 16,3% nas exportações de milho em relação ao ciclo anterior, sinalizando a manutenção de um cenário externo favorável. O aumento dos estoques ao final da safra 2024/25 resultou em um volume inicial mais robusto para o novo ciclo, ampliando a oferta disponível no mercado e sustentando expectativas positivas tanto para o consumo interno quanto para as vendas externas.

Segundo a Conab, o consumo doméstico de milho mantém trajetória de crescimento desde a safra 2020/21 e deve atingir 94,6 milhões de toneladas em 2025/26. Esse avanço é atribuído, principalmente, à expansão dos plantéis de aves e suínos e ao aumento da produção de etanol de milho, fatores que seguem elevando de forma consistente a demanda pelo grão no país.





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Clima afeta desenvolvimento da mandioca no RS



Temperaturas baixas impactam lavouras de mandioca



Foto: Canva

A cultura da mandioca permanece em fase de desenvolvimento vegetativo no Rio Grande do Sul, com desempenho abaixo do observado em anos anteriores. A avaliação consta no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (25) pela Emater/RS-Ascar.

De acordo com o levantamento, na região administrativa de Soledade, o desenvolvimento fenológico da mandioca está reduzido, situação atribuída principalmente às condições climáticas registradas ao longo do período. Segundo a Emater/RS-Ascar, o comportamento da cultura reflete “as condições climáticas, especialmente de temperaturas mais baixas durante a noite”, que podem ter limitado o crescimento das plantas.

Apesar desse cenário, a comercialização segue em andamento. A mandioca continua sendo vendida “no pé”, com estimativa de remuneração em torno de R$ 1,70 por planta, conforme informado no boletim técnico da instituição.





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Embate entre China e EUA definiu mercado da soja em 2025 e deve ditar ritmo de 2026


mercado da soja mundo preço
Foto: Pixabay/Montagem: Canal Rural

O ano de 2025 foi difícil para o mercado de soja, especialmente pelo lado da geopolítica global. A consultoria Safras & Mercado avalia que, doo ponto de vista produtivo, tratou-se de um ano bastante positivo, com volumes elevados nas produções dos principais paises.

Nos Estados Unidos, a safra 2024/25 (safra velha) foi regular, com produção próxima de 119 milhões de toneladas. No Brasil, um recorde histórico foi atingido, encerrando a temporada em aproximadamente 171,8 milhões de toneladas, sustentada por altos níveis de produtividade na maior parte dos estados.

“A exceção foi o Rio Grande do Sul, que enfrentou uma quebra histórica de cerca de 40% do potencial produtivo, em função de seca severa e temperaturas elevadas. Caso esse evento climático não tivesse ocorrido, o Brasil poderia ter encerrado o ciclo com uma produção próxima de 180 milhões de toneladas”, destaca o analista e consultor de Safras Rafael Silveira.

Na Argentina, a produção foi considerada muito boa, estimada em torno de 50,5 milhões de toneladas. “Embora não tenha sido um recorde histórico, foi uma safra robusta e consistente, o que permitiu à América do Sul exercer forte pressão de oferta no mercado global”, acrescenta.

Preços da soja surpreenderam

Diante desse cenário de oferta abundante, o mercado brasileiro esperava quedas significativas de preços ao longo de 2025. No entanto, uma série de fatores alterou substancialmente essa expectativa.

“Inicialmente, houve atrasos na colheita, o que prejudicou a logística no mês de fevereiro e reduziu temporariamente o fluxo de oferta. Na sequência, ganhou força o principal vetor de sustentação do mercado ao longo do ano: a guerra comercial entre Estados Unidos e China,
que se intensificou e se estendeu por praticamente todo o ano de 2025″, aponta o analista.

Os entraves tarifários redirecionaram os fluxos globais de comércio e o Brasil consolidou-se como principal fornecedor de soja ao mercado chinês. Silveira lembra que a China já vinha reduzindo suas compras de soja norte-americana e, a partir de maio de 2025, praticamente interrompeu as aquisições do grão dos EUA.

“Ao mesmo tempo em que não mais comprava dos norte-americanos, o gigante asiático se aproveitou da grande oferta brasileira, adquirindo volumes extremamente elevados”, frisa.

Exportações, prêmios e mercado interno

A comercialização da soja brasileira foi amplamente favorecida. Os volumes exportados foram muito expressivos, o que sustentou os prêmios de exportação, que quase não recuaram no primeiro semestre e dispararam a partir de maio, quando a China cessou as compras de soja norte-americana.

“Como reflexo, os preços internos permaneceram sustentados, tanto no canal de exportação quanto na indústria doméstica. A indústria, por sua vez, enfrentou margens extremamente apertadas durante grande parte do ano, uma vez que o preço físico da soja subiu, enquanto o farelo negociado em bolsa apresentou retração consistente ao longo de 2025”, coloca o consultor.

Silveira destaca que, em diversos momentos, os preços no mercado físico ficaram acima da paridade de exportação, invertendo completamente as expectativas iniciais para o ciclo. “Assim, o ano de 2025 foi caracterizado por oferta abundante, porém com preços sustentados no físico”, completa.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o comportamento foi distinto: o mercado operou de forma lateralizada, em um intervalo aproximado entre US$ 9,50 e US$ 11,50 por bushel, refletindo principalmente a queda da demanda chinesa pela soja norte-americana.

“Esse movimento contribuiu para uma redução da área plantada com soja nos EUA, com parte significativa sendo migrada para o milho na safra 2025/26.”

As exportações brasileiras de soja devem encerrar 2025 entre 108 e 109 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde absoluto. A China foi o principal destino, devendo alcançar importações totais de 83 a 84 milhões de toneladas ao longo do ano.

Do total exportado pelo Brasil no ano anterior, aproximadamente 72,5 milhões de toneladas tiveram como destino a China (considerando todo o ano de 2024) , evidenciando que o país absorveu praticamente toda a janela tradicional de exportação dos EUA, especialmente entre outubro e parte de novembro.

Acordo entre China e EUA

Donald Trump e Xi Jinping apertam as mãos
Xi Jinping e Donald Trump. Foto: Xihua

Ao final de outubro e início de novembro, surgiram acordos entre China e Estados Unidos, nos quais os asiáticos teriam se comprometido a comprar cerca de 12 milhões de toneladas de soja até o final de dezembro.

Com o passar do tempo, ficou claro que esse volume não seria totalmente concretizado, o que levou o Secretário do Tesouro dos EUA a postergar o prazo para o final de fevereiro.

Além disso, o acordo previa compras de aproximadamente 25 milhões de toneladas por ano durante os próximos três anos. “Esse volume, embora relevante politicamente, representa uma demanda relativamente normal dentro do histórico de comércio entre os dois países”, ressalta Silveira.

Caso esses acordos de fato se materializem, pode ocorrer uma redução na agressividade das exportações brasileiras na safra nova, impactando diretamente o nível de preços no mercado doméstico. “Diferentemente de 2025, o Brasil pode não contar com uma pressão tão forte de demanda externa”, alerta o analista.

Para ele, esse cenário é o principal risco para o produtor brasileiro em 2026, especialmente diante da expectativa de novo aumento de produção, atualmente estimada em cerca de 178,7 milhões de toneladas.

“Com oferta crescente e possível recomposição do fluxo comercial entre EUA e China, o ambiente de preços tende a exigir maior disciplina comercial e estratégias de hedge mais ativas”, conclui Silveira.

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Tomate mantém sanidade, apesar de focos de mosca-branca



Cultura do tomate apresenta desenvolvimento dentro do esperado no Rio Grande do Sul



Foto: Divulgação

A cultura do tomate apresenta desenvolvimento dentro do esperado no Rio Grande do Sul, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (25). Na região administrativa de Lajeado, no município de Vale Real, as lavouras conduzidas a campo seguem com bom desempenho ao longo do ciclo produtivo.

Nos cultivos realizados em ambiente protegido, técnicos observam a presença de mosca-branca, que tem provocado prejuízos pontuais em algumas propriedades. Ainda assim, a sanidade das plantas, de modo geral, permanece adequada.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a cultura encontra-se majoritariamente nas fases de frutificação e colheita. O estado fitossanitário das lavouras tem permitido a obtenção de frutos com padrão de qualidade compatível com o mercado, refletindo o manejo adotado pelos produtores da região.





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Doença causa prejuízo de R$ 1.200 por vaca a produtores de leite; veja como prevenir


mastite
Foto: Freepik

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com 21 vacas afetadas por mastite mostrou que as perdas diretas, incluindo leite jogado fora, queda de produção, tratamento, descarte de vaca crônica, totalizaram R$ 25.535,21 – média superior a R$ 1.200,00 por animal.

A doença causa inflamação da glândula mamária, geralmente devido as infecções bacterianas, embora fatores ambientais e o manejo inadequado também contribuam para o problema.

O gerente comercial de grandes animais da Syntec, Renato Coser, detalha que entre os diversos fatores de risco, as práticas de ordenha desempenham papel importante tanto na prevenção quanto na ocorrência da enfermidade.

“A forma como a ordenha é realizada influencia diretamente a saúde das vacas. Técnicas inadequadas, como coleta brusca, excesso de pressão ou descuido na higiene dos tetos e equipamentos, podem causar microlesões nos canais da glândula mamária, facilitando a entrada de patógenos”, detalha.

Além disso, a ordenha de animais doentes sem cuidados específicos podem propagar bactérias pelo rebanho, aumentando a incidência de mastite contagiosa.

Segundo Coser, a adoção de boas práticas de ordenha é eficaz na prevenção da doença. Entre elas, destacam-se: higienização correta dos tetos antes e após a ordenha; uso de luvas descartáveis ou higienizadas pelos tratadores; manutenção adequada dos equipamentos; ordenha em ambiente limpo e seco; e atenção à rotina dos animais, evitando estresse e desconforto.

“É recomendável também priorizar a ordenha de vacas saudáveis e deixar aquelas com histórico de mastite para o final ou ordenhá-las de forma segregada, reduzindo o risco de contaminação”, completa o gerente.

Estudos confirmam a importância dessas práticas. Pesquisa conduzida pela Embrapa Gado de Leite envolvendo 91 fazendas no sudeste do Pará mostrou que a adoção sistemática de manejo adequado da ordenha – como limpeza regular das linhas, lavagem dos tetos antes da ordenha e testes de detecção de mastite – resultou em redução da contagem de células somáticas (CCS) no leite, indicando menor prevalência da doença.

Outro levantamento da Universidade Estadual de Londrina (ILCT), realizado em 49 propriedades de Ivaiporã, no Paraná, apontou que a implementação de boas práticas de higiene na ordenha reduziu a contagem bacteriana total em 88,05% e fez com que 83,57% das fazendas produzissem leite segundo os padrões normativos de CCS.

“Investir em higiene, treinamento das equipes e ordenha cuidadosa protege a saúde das vacas e garante leite de qualidade, melhor produtividade e maior sustentabilidade econômica. Esse cuidado faz diferença tanto para o bem-estar animal quanto para a rentabilidade do produtor”, reforça Coser.

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Algodão: pessimismo com mercado fraco deve gerar queda de 8% na produção em 2026


Divulgação

O algodão em pluma registrou, em 2025, um ano marcado por preços mais fracos no mercado internacional.

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, tomando como referência o contrato março de 2026, as cotações iniciaram o ano próximas de 70 centavos de dólar por libra-peso e recuaram para a faixa de 63 centavos em meados de dezembro, acumulando queda em torno de 10% na Bolsa de Nova York.

Segundo o analista Gil Barabach, o mercado não ofereceu oportunidade para o produtor ao longo do ano. Assim, o pico ocorreu nos primeiros meses do ano, seguido por uma trajetória gradualmente decrescente ao longo de 2025.

Com isso, as janelas de fixação contra a bolsa (operações on call) e de venda física foram sendo realizadas em níveis cada vez mais baixos. “Esse cenário contrasta com 2024, quando o algodão superou os 80 centavos nos primeiros meses, oferecendo uma janela ampla e bem aproveitada pelos produtores”, apontou o consultor.

Influência do câmbio

O câmbio também deixou de ser um aliado para o algodão. O dólar encerrou 2024 cotado a R$ 6,16 e fecha dezembro de 2025 em torno de R$ 5,51, tendo, inclusive, passado parte do ano abaixo de R$ 5,30.

Segundo Barabach, a apreciação do real acabou reduzindo a competitividade das exportações, resultando em menos reais recebidos por dólar vendido, o que pressionou os preços da fibra no mercado interno.

Além disso, a safra recorde colhida no Brasil em 2025, projetada por Safras & Mercado em 4,24 milhões de toneladas, exigiu maior agressividade comercial na entrada da colheita, após um ciclo anterior de preços elevados.

“Esse movimento pesou sobre os prêmios de exportação e refletiu diretamente nos preços pagos ao produtor. A pluma, que iniciou o ano de 2025 cotada a cerca de R$ 131,83 por arroba em Rondonópolis, em Mato Grosso, atingiu máxima próxima de R$ 140/arroba em junho, em função do atraso da colheita, encerra o ano ao redor de R$ 109/arroba, acumulando perdas de 17%”, detalha.

O que esperar de 2026?

Em síntese, 2025 foi um ano em que o algodão perdeu valor e ofereceu poucas oportunidades de fixação em níveis atrativos. Barabach destaca que as margens do produtor ficaram significativamente mais estreitas, o que acabou também refletindo na cadência mais lenta das vendas.

De acordo com ele, o resultado de todo este panorama é a menor atratividade da cultura para o próximo ciclo, com produtores sinalizando corte na área de 2,9% para a safra 2025/26, o que deve se refletir em queda de 8% na produção, interrompendo, assim, uma sequência de crescimento contínuo de área e produção de algodão no Brasil.

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Frango supera crise sanitária em 2025 com controle eficiente



Outro fator que favoreceu o setor foi o custo dos insumos



Foto: Divulgação

Mesmo após enfrentar dois episódios sanitários relevantes em menos de dois anos — a Doença de Newcastle em 2024 e a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em 2025 —, o setor avícola brasileiro demonstrou resiliência e encerrou o ano com resultados positivos, segundo dados divulgados pelo Cepea.

O caso de IAAP foi identificado em maio de 2025, em uma granja comercial de matrizes de ovos férteis no município de Montenegro (RS). A ocorrência levou diversos países a suspender temporariamente as importações da carne de frango do Brasil, exigindo rápidas ações de contenção e redirecionamento dos volumes previstos para exportação ao mercado interno.

Apesar desse revés, o frango inteiro resfriado iniciou 2025 em trajetória de valorização no atacado da Grande São Paulo, contrariando o padrão sazonal típico de queda no início do ano. O movimento positivo foi reflexo direto do controle da oferta, da demanda interna aquecida e do ritmo intenso das exportações iniciado ainda em agosto de 2024.

Com a suspensão dos embarques após o foco da gripe aviária, os preços da proteína sofreram recuos expressivos por três meses consecutivos, especialmente em São Paulo. De acordo com o Cepea, isso ocorreu devido à necessidade de realocar parte da produção direcionada ao mercado externo, ampliando a oferta interna em curto prazo.

No entanto, as medidas de biossegurança adotadas de forma eficaz permitiram que o Brasil contivesse rapidamente o foco da doença e negociasse a flexibilização das restrições comerciais com seus principais parceiros. Nos meses seguintes, o fluxo de exportações foi retomado de forma gradual.

Mesmo com esse período de queda, as médias anuais de preços do frango inteiro congelado ficaram acima das registradas em 2024. O frango vivo em São Paulo também apresentou recuperação e fechou 2025 com a maior média anual desde 2022, conforme apontam os dados do Cepea.

Outro fator que favoreceu o setor foi o custo dos insumos. A média anual do farelo de soja — principal componente da ração — foi a terceira mais baixa da série histórica do Cepea (iniciada em 2004) e a menor desde 2011. Isso aumentou significativamente o poder de compra do avicultor paulista frente ao insumo.





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Nova espécie de ave é descoberta no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre


inhambu
Foto: Luís Morais

Pesquisadores brasileiros anunciaram a descoberta de uma nova espécie de ave no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre. O Sururina-da-serra, um inhambu cientificamente nomeado Tinamus resonans, foi descrito oficialmente na revista Zootaxa, em 2025.

A espécie ocorre exclusivamente nas montanhas da unidade de conservação federal, entre 310 e 435 metros de altitude, e apresenta características de canto, coloração e comportamento que a diferenciam de outros tinamídeos conhecidos, como o inhambu-preto (Tinamus tao). 

A descoberta começou com o registro de sons incomuns na região. O canto, com notas longas e variação de frequência, era ouvido em vários pontos da serra, mas a acústica dificultava localizar os indivíduos. Após várias expedições, os pesquisadores conseguiram registrar os primeiros exemplares em 2024.

Os indivíduos identificados chamaram atenção pelo padrão de coloração e pelo comportamento pouco reservado, aproximando-se de observadores com facilidade.  

Esse comportamento foi mencionado em uma matéria do The New York Times, que comparou a espécie ao dodô, não por relação evolutiva, mas pelo fato de não reagir intensamente à presença humana. 

O Sururina-da-serra vive em áreas de solo raso, com muitas raízes expostas e vegetação adaptada às encostas. A estimativa inicial aponta para cerca de 2 mil indivíduos distribuídos em um conjunto de elevações dentro do parque. A distribuição restrita indica a necessidade de ampliar estudos sobre a espécie e seu ambiente.  

Avaliação e monitoramento 

Por se tratar de uma espécie recém-descrita, o sururina-da-serra ainda não possui categoria de ameaça definida. As informações científicas disponíveis estão em fase de compilação, e a avaliação oficial será feita na Oficina de Risco de Extinção das Aves da Amazônia, prevista para este mês, quando especialistas aplicarão os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Embora o parque apresente baixa pressão de desmatamento e receba ações de fiscalização e monitoramento contínuas, mudanças no clima e eventuais projetos de infraestrutura na região podem afetar a espécie.

Importância do Parque Nacional 

O Parque Nacional da Serra do Divisor (AC) reúne diferentes tipos de ambiente que não são comuns na Amazônia brasileira, incluindo áreas montanhosas que sustentam espécies dependentes desse tipo de habitat. A unidade possui mais de 800 mil hectares de florestas, rios e formações elevadas que abrigam mais de mil espécies, entre fauna e flora. 

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Brasil bate recorde no registro de novos insumos agrícolas em 2025


defensivos agrícolas, agrotóxicos
Foto: Mapa

O Brasil alcançou em 2025 o maior número de registros de insumos agrícolas da série histórica, somando produtos biológicos e defensivos químicos. O avanço reflete maior oferta de soluções ao produtor rural, segundo dados do CropData, plataforma da CropLife Brasil, associação que representa a indústria de tecnologias para a agricultura no país.

Ao todo, foram registrados 139 novos bioinsumos e 560 defensivos químicos, considerando produtos técnicos e formulados. O levantamento também mostra crescimento no comércio exterior, com destaque para as exportações de sementes, que atingiram o maior valor dos últimos cinco anos.

Avanço dos bioinsumos e perfil dos registros

Entre os bioinsumos aprovados em 2025, os agentes microbiológicos lideraram com 121 registros, o equivalente a 87% do total. Esses produtos utilizam microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, no controle de pragas e doenças agrícolas.

De acordo com o CropData, o crescimento está associado à entrada de novas empresas no segmento e à ampliação das áreas dedicadas a biológicos dentro de grandes indústrias multinacionais. O movimento indica maior diversificação da oferta, ainda que concentrada em tecnologias já conhecidas.

No caso dos defensivos químicos, o detalhamento dos registros mostra que cerca de 95% correspondem a produtos já existentes no mercado. São, principalmente, aprovações de defensivos genéricos, com moléculas previamente validadas pelos órgãos reguladores. Em 2025, foram contabilizados seis novos registros de produto técnico e 22 de produtos formulados com moléculas novas.

Avaliação da indústria e desafios

Para o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, o volume de registros sinaliza um ambiente regulatório mais dinâmico. Segundo ele, o aumento da oferta amplia as alternativas disponíveis ao produtor rural e fortalece a competitividade do mercado de insumos.

Ao mesmo tempo, Gomides avalia que a entrada de tecnologias efetivamente inovadoras ainda foi limitada. “Os dados mostram avanço maior em registros de produtos genéricos do que em inovação disruptiva, tanto nos químicos quanto nos biológicos”, afirma.

Segundo o executivo, o principal desafio é criar condições para consolidar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Esses recursos são considerados essenciais para enfrentar a resistência de pragas e doenças, além de elevar a produtividade e a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Comércio exterior e desempenho das sementes

No comércio exterior, as exportações de sementes agrícolas somaram US$ 233 milhões entre janeiro e novembro de 2025, valor recorde da série histórica recente. O resultado representa cerca de US$ 10 milhões a mais do que o registrado em 2023 e 2024, indicando maior presença de tecnologia brasileira em mercados, principalmente da América do Sul.

Já as importações de produtos químicos totalizaram US$ 12,9 bilhões no mesmo período, alta de 16% em receita. Em volume, o crescimento foi de 24%, alcançando 1.621.095 toneladas. O monitoramento inclui defensivos formulados, produtos técnicos e matérias-primas destinadas à formulação local.

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