O mercado físico do boi gordo abriu a semana mais curta após o final de semana prolongado com inexpressivo fluxo de negócios.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, muitas indústrias seguem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo.
“Em estados como Mato Grosso, o mais provável é que o mercado siga em viés de alta, considerando o bom volume pluviométrico em abril que mantém as pastagens em boas condições. Goiás também é exceção neste momento, com tentativas de compra em patamares mais baixos. Em outros estados o que se evidencia é a predominante acomodação dos preços”, assinalou.
O mercado atacadista apresenta predominante acomodação dos preços no início da semana, e a expectativa é por uma reposição mais lenta ao longo da cadeia produtiva durante o restante do mês.
O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 26,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha segue cotada a R$ 18,50 por quilo.
Exportações de carne
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 795,713 milhões em abril (13 dias úteis), com média diária de US$ 61,208 milhões.
A quantidade total exportada pelo país chegou a 159,328 mil toneladas, com média diária de 12,256 mil toneladas.
O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.994,20. Em relação a abril de 2024, houve alta de 43,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 29,8% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,2% no preço médio.
O mercado doméstico da soja teve bastante lentidão nesta terça-feira. Segundo informações da consultoria Safras & Mercado, o produtor ficou meio fora, com os preços recuando em relação aos patamares observados nas últimas semanas. Por outro lado, os prêmios ficaram estáveis, com poucas variações, enquanto o dólar caiu com força e Chicago subiu pouco. Com isso, os preços no físico recuaram, deixando o mercado travado.
Preços da soja no país
Passo Fundo (RS): manteve em R$ 131,00
Santa Rosa (RS): manteve em R$ 132,00
Porto de Rio Grande (RS): caiu de R$ 138,00 para R$ 136,50
Cascavel (PR): caiu de R$ 131,00 para R$ 130,00
Porto de Paranaguá (PR): caiu de R$ 136,00 para R$ 134,00
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 118,00 para R$ 116,00
Dourados (MS): caiu de R$ 122,00 para R$ 120,00
Rio Verde (GO): caiu de R$ 117,00 para R$ 116,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a terça-feira em alta, basicamente por conta de uma recuperação técnica. Outros pontos que ajudaram na sustentação dos preços foram a alta do petróleo, o dólar em patamar baixo frente a outras moedas e a preocupação com chuvas nos Estados Unidos, que poderiam atrasar o plantio.
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A recuperação, no entanto, seguiu limitada pelas preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e pela ampla oferta de soja sul-americana entrando no mercado.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a evolução do plantio das lavouras de soja. Até 20 de abril, a área plantada estava estimada em 8%. Em igual período do ano passado, o número era de 7%. A média para os últimos cinco anos é de 5%. Na semana anterior, o plantio estava em 2%.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com baixa de 5,50 centavos de dólar ou 0,53% a US$ 10,35 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 10,46 por bushel, perda de 4,50 centavos ou 0,43%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 0,80 ou 0,26% a US$ 303,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 48,03 centavos de dólar, com baixa de 0,28 centavo ou 0,57%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,36%, negociado a R$ 5,7278 para venda e a R$ 5,7258 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,7191 e a máxima de R$ 5,8021.
O mercado internacional da soja enfrenta um momento de forte tensão. Apesar da demanda global continuar firme – sustentada principalmente pela China, que segue como principal compradora – o cenário macroeconômico e geopolítico atual impõe riscos significativos à formação de preços da commodity.
Tarifas, tensões comerciais e volatilidade
As recentes movimentações dos Estados Unidos em ampliar barreiras tarifárias, sobretudo no contexto da guerra comercial com a China, acendem um sinal amarelo para os exportadores. O risco é duplo: por um lado, a elevação de tarifas pode afetar os fluxos comerciais globais e encarecer produtos; por outro, gera instabilidade no apetite dos importadores, que podem postergar compras ou buscar alternativas mais baratas no curto prazo.
O Brasil, que historicamente se beneficia de tensões entre EUA e China, pode até ganhar mercado no curto prazo. No entanto, esse “bônus geopolítico” pode ser anulado por uma retração geral nos preços, caso os compradores globais passem a atuar com mais cautela.
Alta dos juros nos EUA: fuga dos fundos das commodities
Outro fator crítico é a possível alta nos juros americanos. Com a inflação persistente nos Estados Unidos, o Federal Reserve pode ser forçado a manter ou até elevar os juros por mais tempo. Isso torna os ativos de renda fixa norte-americanos mais atrativos, desviando capital especulativo dos mercados de commodities agrícolas, como a soja.
Esse movimento, tecnicamente, pressiona os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). Mesmo com fundamentos de oferta e demanda relativamente equilibrados, os fundos reduzem posições compradas, o que provoca queda nos preços de curto prazo.
Gráfico técnico aponta fragilidade
Tecnicamente, os contratos da soja têm enfrentado resistência na casa dos US$ 10,70/bushel e suporte em torno de US$ 9,50. A perda deste último nível pode levar a commodity a testar novas mínimas do ano. A forte demanda temporária tem mantido os prêmios nos portos altamente compensadores.
Conclusão: preços pressionados apesar da demanda
Mesmo com a demanda asiática resiliente e estoques globais relativamente controlados, o ambiente macro e político atual gera uma pressão de baixa nos preços da soja. O produtor brasileiro, atento ao câmbio e aos custos internos, precisa redobrar o cuidado na comercialização, evitando vendas precipitadas e monitorando a movimentação dos fundos e do cenário global. A Participação dos fundos, divulgada no dia 18/04/2025, em Chicago aumentou consideravelmente, podendo levar os preços a romperem a resistência de US$ 10,70/bushel.
Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Os resultados finais das provas do concurso da Embrapa foram divulgados nesta terça-feira (22), no site da entidade. Confira aqui os nomes aprovados.
As provas, realizadas em 23 de março deste ano, eram voltadas para os seguintes cargos:
Técnico (áreas de Laboratório e Campos Experimentais, nas subáreas de Manejo Animal, Manejo Florestal e Mecânica de Precisão);
Assistente (subáreas de Manejo Animal e Operador de Máquinas Agrícolas e Veículos).
O cargo que registou o maior número de inscritos foi o de técnico na área de Suprimento, Manutenção e Serviços – subárea de Suporte à Gestão, com 41.790 no total, o que significa 2.199 pessoas por vaga.
A título de comparação, o curso de Medicina, na Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), da Universidade de São Paulo (USP), o mais concorrido do país, tem relação de 96,5 candidatos por vaga.
De acordo com a Embrapa, para os cargos de pesquisador e analista, os resultados estão previstos para a próxima terça-feira (29).
Realização da prova prática
A Embrapa informa que os candidatos aprovados nas provas objetivas precisam acessar o site do Cebraspe, que é a banca organizadora do concurso, no dia 12 de maio, para verificarem os locais de realização da prova prática.
Essa próxima etapa do concurso está prevista para acontecer nos dias 17 e 18 de maio. Já as convocações devem iniciar a partir de junho.
Conforme o site da Embrapa, serão 1.027 vagas para os cargos de pesquisador, analista, assistente e técnico, na classe inicial de cada cargo, e à constituição de cadastro de reserva.
Todos os cargos têm jornada de trabalho de 40 horas semanais e regime de contratação via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Os salários são os seguintes:
Assistente (nível fundamental incompleto): R$ 2.186,19;
Técnico (nível médio ou técnico – a depender da especialidade): R$ 5.556,81;
Analista (nível superior conforme as áreas determinadas no edital): R$ 10.921,33
Um estudo internacional identificou que o fungo Colletotrichum graminicola, causador da antracnose do milho, pode ter se originado na Mesoamérica e se espalhado globalmente com auxílio da ação humana. A pesquisa, conduzida por uma rede de cientistas de 17 países, analisou 212 isolados do patógeno coletados em diferentes regiões dos cinco continentes e apontou que a troca de sementes contaminadas foi um dos principais vetores para a disseminação da doença.
De acordo com os dados divulgados pela Embrapa, a análise genética revelou a existência de três linhagens distintas do fungo: norte-americana, brasileira e europeia. A linhagem europeia é a mais virulenta, o que acende um alerta para o risco de novos surtos, especialmente em áreas de clima temperado. A linhagem da América do Norte é considerada a mais antiga, tendo possivelmente atuado como intermediária na dispersão do patógeno para outras regiões agrícolas do mundo.
A pesquisadora Flávia Rogério, colaboradora da Universidade de Salamanca (Espanha) e da Universidade da Flórida (EUA), explicou que isolados argentinos se agruparam na linhagem europeia, indicando uma possível migração genética entre a América do Sul e a Europa. Esse fluxo pode ter sido favorecido por práticas de melhoramento genético em viveiros de inverno, onde sementes contaminadas circulam entre continentes.
A mobilidade do fungo e a alta taxa de recombinação genética observadas pelos cientistas ajudam a entender a complexidade do controle da doença. Cerca de 80% dos isolados analisados apresentam sinais de mistura genética, fator que dificulta o desenvolvimento de cultivares resistentes. Segundo Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente (SP), o papel da ação humana — sobretudo com o uso de sementes infectadas — é decisivo para a disseminação do patógeno.
Ensaios de laboratório apontaram que isolados diferentes do fungo exibem níveis variados de virulência, com destaque para os europeus, que podem causar perdas totais em condições severas. Na década de 1970, plantações inteiras nos Estados Unidos foram dizimadas por surtos da doença, com prejuízos de até 100% em regiões do centro-norte do país.
Além da antracnose, o milho enfrenta ameaça de outros patógenos como Setosphaeria turcica, que também tem origem no México e trajetória de expansão semelhante. A recomendação dos especialistas é investir em estratégias integradas de manejo, como rotação de culturas, uso de cultivares resistentes, adubação equilibrada e a evitação de plantios sucessivos.
Estamos em contagem regressiva! No dia 14 de maio, às 18h, acontece a cerimônia do Prêmio Personagem Soja Brasil, diretamente da Casa Canal Rural, na sede da Aprosoja Brasil, em Brasília (DF). O evento pode ser assistido, ao vivo, pelo link.
Após a fase de votação, agora é hora de descobrir quem são os profissionais que marcaram o setor neste ciclo. A premiação reconhece histórias inspiradoras, com gente que faz a diferença no campo e fora dele.
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Os indicados ao Prêmio Personagem Soja Brasil
Alberto Schlatter, produtor em Chapadão do Sul (MS), combina tradição familiar com inovação no campo, promovendo uma agricultura mais eficiente e sustentável.
Anderson Cavenaghi, professor e doutor no MT, se destaca pelo trabalho em proteção de plantas, com foco no controle de daninhas e no uso consciente de herbicidas.
Cecilia Czepak, pesquisadora da UFG, é referência em manejo integrado de pragas e tem contribuído para lavouras mais saudáveis e produtivas.
Claudia D’Agostini, produtora em Sabáudia (PR), comanda a propriedade ao lado da irmã, sempre em busca de tecnologia e sucessão familiar no campo.
Julio Cezar Franchini, da Embrapa Soja (PR), pesquisa manejo de solos e ajuda a impulsionar a sustentabilidade da produção agrícola no Brasil.
Oliverio Alves de Melo, produtor em Balsas (MA), atua há décadas no desenvolvimento do Cerrado e integra o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira.
Fique de olho: está chegando a hora de conhecer quem está por trás dos avanços que colocam o Brasil como protagonista na produção mundial de soja!
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou não querer “guerra fria”, nem ter que optar entre Estados Unidos e China. Segundo ele, o Brasil não quer ter preferência sobre um ou sobre outro.
“Eu quero vender e comprar”, disse Lula. “Eu não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China. Eu quero ter relações com os Estados Unidos, quero ter relação com a China. Eu não quero ter preferência sobre um ou sobre outro. Quem tem que ter preferência são os meus empresários que querem negociar”, afirmou, em declaração à imprensa nesta terça-feira (22), ao lado do presidente do Chile, Gabriel Boric.
“Eu quero vender e comprar, fazer parceria”, completou o chefe do Executivo brasileiro. “Na hora que você tem um presidente da República de um país importante, como os Estados Unidos, que resolve estabelecer a discussão favorável à política protecionista, contrário a tudo o que foi falado para nós desde os anos 1980, globalização e livre comércio, e de repente nada disso vale a pena, e o que vale a pena é o protecionismo”, contou.
Na avaliação do petista, o Brasil não tem que “disputar cargo” na América Latina. “O Brasil, por si só, já é grande. O Brasil não precisa dessa disputa. O Brasil precisa apoiar que as coisas sejam feitas pelas melhores pessoas possíveis”, comentou.
Diversificação de parceiros
O chefe do Executivo brasileiro ressaltou a necessidade de se buscar e diversificar os parceiros comerciais. “Senão vamos continuar mais um século pobre”, pontuou. Em sua avaliação, as instituições multilaterais não foram feitas para países pobres, mas para colonizadores.
Ao final da fala, Lula convidou Boric a comparecer à Cúpula do Brics deste ano. Além disso, sugeriu que o chileno vá à China para participar da Cúpula Celac-China, em Pequim. Ele, então, disse que o ex-chanceler Celso Amorim, hoje assessor especial, pode “conseguir” que Boric tenha uma reunião bilateral com o presidente do gigante asiático, Xi Jinping.
Em apenas nove dias de abril, o Brasil já exportou 55% mais milho do que em todo o mesmo mês de 2024, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Quanto aos preços, o cereal encerrou a semana cotado a US$ 4,82 por bushel em Chicago, queda de 1,43% ante o fechamento da semana retrasada. No Brasil, na B3, o contrato de milho para maio de 2025 também registrou queda, encerrando a R$ 76,75 por saca (-3,25%).
Seguindo esses parametros, os preços do milho recuaram no mercado físico, desestimulando as vendas por parte dos produtores.
E agora, o que esperar do milho?
Analistas da plataforma Grão Direto destacam pontos de atenção aos produtores de milho do país:
Exportações reduzidas: o Brasil deve colher a segunda maior safra de milho da história, superando as 120 milhões de toneladas. Apesar da oferta elevada, o consumo interno — impulsionado principalmente pela crescente demanda das usinas de etanol — tende a sustentar os preços, especialmente em caso de impactos climáticos no fim do ciclo. Com o aumento do consumo interno, o excedente para exportação deve diminuir, o que pode ameaçar a posição do país como segundo maior exportador mundial do cereal. Esse cenário deve trazer mais interesse de produtores para o plantio de milho, podendo concorrer diretamente com a área de soja na safra verão.
Safra norte-americana: nos Estados Unidos, o plantio da safra 2025/26 avança em ritmo alinhado à média histórica, mas o clima mais frio no Meio-Oeste pode gerar atrasos nas próximas semanas. O mercado acompanha de perto essas condições, já que o clima pode trazer volatilidade aos preços, dada a expectativa de uma grande safra de milho. Paralelamente, a guerra comercial entre Estados Unidos e China segue influenciando a demanda chinesa, abrindo espaço para o Brasil aproveitar oportunidades no mercado internacional.
Milho segunda safra: de acordo com a Conab, as condições climáticas variam entre as regiões, com chuvas regulares favorecendo o bom desenvolvimento das lavouras em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. No Paraná e Tocantins, a escassez de chuvas e o calor excessivo afetam a produtividade. Em Mato Grosso do Sul, a irregularidade das chuvas no centro-sul causa perdas, enquanto no norte do estado as lavouras seguem bem produtivas. Já no Piauí, o desenvolvimento das lavouras é regular, refletindo condições mais desfavoráveis. Todo esse cenário leva o mercado a acreditar que o Brasil terá uma colheita significativa, fomentando a demanda interna do país.
Para a Grão Direto, o mercado interno de milho seguirá sustentado pela demanda, mas a recente queda nas cotações na B3 causou pressão negativa no mercado físico, sendo vista como uma correção de preços saudável. Apesar dessa correção, o cenário permanece otimista, com preços ainda favoráveis devido à manutenção da demanda.
A segunda safra de milho no Paraná vive um cenário desafiador: as ondas de calor prolongadas afetaram o desenvolvimento das lavouras em diversas regiões, principalmente no oeste do estado. Em algumas localidades, a germinação ficou abaixo do esperado, e já há relatos de quedas acentuadas na produtividade da safrinha.
A repórter do Canal Rural, Valéria Burbello, esteve no município de Contenda e conversou com produtores de milho que destacaram o bom desempenho da safra de verão. Já para a safrinha, as expectativas permanecem cautelosas diante das incertezas climáticas que ainda rondam a reta final do desenvolvimento das lavouras.
Por outro lado, os produtores têm motivos para comemorar. A safra de verão registrou a maior produtividade da história do estado, ultrapassando a marca de 10 mil quilos por hectare.
A produção estimada é de 2,8 milhões de toneladas de milho, número 13% superior ao do ano passado, mesmo com uma área cultivada 9% menor — foram 268,3 mil hectares nesta safra, contra 294,3 mil no ciclo anterior.
A primeira safra, concentrada na região sul do Paraná (com cerca de 70% da produção), foi beneficiada por condições climáticas favoráveis e boas práticas de manejo.
Segundo o Departamento de Economia Rural do Estado, o momento também é positivo do ponto de vista econômico: a saca de 60 quilos de milho está sendo comercializada a cerca de R$ 70, valor mais de 40% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Não basta produzir! É preciso entregar. É preciso ser sustentável, de ponta a ponta da cadeia, com inteligência, tecnologia e inovação.
Com uma atividade primária e industrial diversificada, o Paraná é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Somos o estado com o maior parque agroindustrial do país e destaque no setor metalmecânico, com diversas fábricas de veículos automotores e máquinas agrícolas. O Paraná é referência agroflorestal e ocupa a segunda colocação na extração de celulose e fabricação de papel. Além disso, possui a maior área cultivada de cana-de-açúcar do Sul do Brasil, sendo um dos mais importantes estados do setor sucroalcooleiro, que produz açúcar e etanol. Grande parte de toda essa riqueza é exportada pelo Porto de Paranaguá.
Entre outros destaques, somos o maior exportador de proteína animal do Brasil e o maior porto exportador de carne de frango do mundo. Nossos terminais também são a principal porta de entrada de fertilizantes do país.
No Paraná produzimos comida, energia e bens duráveis e intermediários que atendem não somente o mercado interno, mas também diversos países mundo afora. A depender do produto e do nível de industrialização, chegamos a exportar mais da metade do que produzimos. Isso não seria possível sem uma estrutura logística minimamente adequada, capaz de dar vazão a essa produção voltada à exportação, que hoje sai dos quatro cantos do estado para os quatro cantos do mundo, por Paranaguá.
Ao completar 90 anos de operação, o Porto de Paranaguá, administrado pela Portos do Paraná, empresa eleita por cinco vezes consecutivas “Melhores Portos do Brasil”, está sendo preparado para celebrar o seu centenário. São bilhões de reais em investimentos no porto do futuro, com recursos aplicados em infraestrutura e tecnologia. Somente no “Moegão”, maior obra portuária do Brasil, que vai incrementar o acesso ao porto pelo modal ferroviário, estão sendo investidos mais de R$ 600 milhões.
Ampliar a capacidade, modernizar estruturas e os modelos de contratos, sempre com o interesse público à frente, são objetivos claros que buscam tornar o estado mais forte, com uma economia e um setor produtivo mais eficientes e competitivos. Paranaguá é um porto em franca expansão, com potencial de crescimento a partir de um planejamento estratégico de longo prazo para evitar gargalos e enfrentar os novos desafios que estão por vir. Um ambiente onde gestão e governança são determinantes não como opção, mas como condição à administração portuária.
Nesse sentido, vale destacar a concessão do canal de acesso. Inovação e protagonismo que, assim como no “Moegão”, vêm para garantir maior atratividade ao terminal, proporcionar mais segurança e reduzir custos, do campo à mesa, da produção ao consumo, gerando riquezas e dividendos ao estado e à sua economia. Também está em curso a regularização de áreas precárias, com novos arrendamentos por meio de leilões, que convertem contratos antigos e nocivos em áreas de excelência, modernas e funcionais, conferindo ao Porto de Paranaguá o posto de ser o primeiro, em todo o Brasil, a ter 100% de suas áreas regularizadas para exploração comercial pela iniciativa privada.
Há ainda o investimento que ultrapassa os R$ 2,2 bilhões para a construção do ousado píer em “T”, que ampliará a capacidade de atracamento e abrirá o porto para diversificar ainda mais seu portfólio de operação. Estamos falando de um ativo único, um diferencial competitivo do Paraná e do Brasil frente a uma das principais variáveis de qualquer atividade econômica: a logística. A estrutura vai carregar 4 navios de grande porte simultaneamente. Cada embarcação vai receber 8 mil toneladas de grãos vegetais a cada hora. Hoje, a capacidade é de 3 mil toneladas hora.
Atualmente, a Portos do Paraná tem um fluxo comercial de exportação e importação com mais de 170 países. De 2019 a 2024, o volume movimentado nos portos do Paraná cresceu 25%, um índice que sofreu influência direta de outro aumento: o da produção nacional de grãos vegetais, que, no mesmo período, cresceu 16%.
Ainda na intenção de dimensionar nossa performance, Paranaguá possui pouco mais de 5 quilômetros de cais, um quarto do tamanho do Porto de Santos, considerado o maior do Brasil e da América Latina. Mesmo com dimensão menor, Paranaguá movimentou, em 2024, mais de 66 milhões de toneladas, o equivalente a 35% do total registrado pelo porto paulista no mesmo período, com 180 milhões de toneladas.
Nunca estaremos prontos, mas sempre estaremos em obras. Assim, podem produzir, que nós entregamos, seja onde for, seja para quem for. E que venham os 100 anos! Porque nós, o Porto de Paranaguá e o Paraná, estamos preparados.
*Luiz Fernando Garcia é diretor-presidente da Portos do Paraná e presidente da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (ABEPH)
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação