quarta-feira, março 11, 2026

Autor: Redação

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Unesp e Sabesp criam tecnologias para detectar vazamentos


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Foto: Deposit photos

O Brasil perde 37,8% de sua água tratada devido a problemas na distribuição, de acordo com um levantamento do Instituto Trata Brasil publicado em 2024. O número equivale a 7,6 mil piscinas olímpicas por dia. No Amapá, estado com infraestrutura de abastecimento mais precária, a taxa é de 71,7%.

Nem todo esse prejuízo é sinônimo de canos danificados. Uma parcela da água perdida é desviada por instalações clandestinas, por exemplo, cujo consumo não é contabilizado nem cobrado.

Além disso, há uma margem de erro inerente às medições dos hidrômetros (os “relógios de água”) residenciais. Ainda assim, vazamentos na tubulação são a variável que mais contribui para os números alarmantes.

A dificuldade em resolver o problema é proporcional ao seu tamanho. Só o estado de São Paulo tem 120 mil km de canos subterrâneos de água e esgoto, comprimento suficiente para dar três voltas na Terra. O ideal é substituir essa tubulação labiríntica a uma taxa anual de 2%, partindo dos canos mais antigos para os mais recentes.

Na prática, trata-se de uma meta difícil: “É muito caro. Acho que nem 1% disso pode ser alcançado”, diz o engenheiro Cícero Mirabô, do Departamento de Combate às Perdas da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Problema recorrente

A abordagem mais realista para resolver o problema, então, envolve não substituir mas sim tapar os buracos nos canos. Para isso, é preciso, antes, descobrir onde estão os canos danificados em meio ao emaranhado de cabos, córregos e túneis ocultos sob as cidades.

O problema não é exclusividade do Brasil, tampouco limitado a países do Sul Global. Irlanda e Itália, por exemplo, arcam com perdas similares às nossas. O Reino Unido fica em 23%, e a França, em 20%. Apenas um país da União Europeia, a Alemanha, mantém a taxa abaixo dos 5%, um feito notável.

A capital japonesa Tóquio é uma história de superação nesse quesito: terminou a 2ª Guerra com 80% de perdas de água, e cerca de metade de sua tubulação destruída; hoje, o número está em 3,9%.

Solução aliada a tecnologia

Em busca de soluções high-tech para facilitar a caça aos vazamentos, a Sabesp se aliou há mais de uma década ao engenheiro mecânico Fabrício César Lobato, professor da Faculdade de Engenharia da Unesp no campus de Bauru (FEB) e um dos grandes especialistas do país na detecção de problemas em redes de água e esgoto.

Ele trabalha com o problema desde o início de seu doutorado na Universidade de Southampton, na Inglaterra, em 2009. Lá foi orientado por Michael Brennan, um dos maiores especialistas do mundo na área. Brennan acabou se mudando para o Brasil, e hoje leciona na Unesp de Ilha Solteira.

A colaboração Unesp-Sabesp, financiada por editais da Fapesp, rendeu muitos frutos desde então. Fabrício, Brennan e seus colegas desenvolveram versões nacionais acessíveis de detectores chamados “correlacionadores”; criaram um método inovador para calibrar e avaliar esses aparelhos; e, agora, trabalham para dar um passo na vanguarda da área com os inéditos detectores de superfície.

Estes são capazes de localizar vazamentos à distância, sem a exigência de que o equipamento entre em contato físico direto com os canos (o que ocorre com correlacionadores tradicionais).

Há um entrave, porém: esses produtos estão no estágio de protótipo, devido à falta de empresas interessadas e capazes de fabricá-los em larga escala. Essa etapa é conhecida como o “vale da morte” do empreendedorismo.

Para transpô-lo, os pesquisadores precisam prospectar parceiros. Neste caso, as possibilidades incluem startups e algumas poucas empresas nacionais que já trabalham com equipamentos voltados para esse setor.

Correlacionador é eficiente, mas caro

Por décadas, dois equipamentos foram imprescindíveis para o trabalho de detecção de vazamentos subterrâneos: hastes de escuta e geofones mecânicos. Essas máquinas amplificam sons oriundos do subsolo, assim como estetoscópios fazem com o ruído dos pulmões.

Tanto as hastes como os geofones só funcionam nas mãos de técnicos treinados, já que a função desses aparelhos se limita a tornar o sinal audível e levá-lo aos ouvidos: cabe ao usuário distinguir o som ligeiramente diferente que a água produz ao passar por um cano furado.

Os correlacionadores foram um avanço em parte porque não dependem só da perícia e experiência de seus operadores. Um correlacionador típico consiste em um par de detectores idênticos que são acoplados, por exemplo, a hidrantes ou a hidrômetros de duas casas localizadas em pontos diferentes de uma mesma rua.

Esses são pontos de acesso eficazes porque estão diretamente conectados ao cano maior que distribui água a todos os imóveis da região. Caso haja um buraco na tubulação, o som produzido pelo vazamento percorrerá distâncias diferentes até cada um dos sensores. Isso permite que, com a ajuda de uma equação, se possa determinar o ponto aproximado em que a água está escapando.

O problema é que “hoje, um correlacionador bom sai em torno de R$ 300 mil, e não há fabricante nacional”, explica Cícero Mirabô.

Ele completa que ao contratar empresas terceirizadas, a Sabesp exige uma equipe certificada em haste, geofone e correlacionador. Entretanto, mesmo em posse desses equipamentos, seu uso efetivo é raro. Na prática, o elevado custo inviabiliza a utilização desse tipo de produto.

Tentativa bem-sucedida

O primeiro projeto submetido e aprovado por Lobato em um edital da Fapesp com a Sabesp tinha o objetivo de criar um correlacionador comercial comercialmente viável no Brasil.

Deu certo, e veio com um brinde: além de desenvolverem uma versão mais barata do equipamento, Fabrício e seus colegas criaram uma bancada de simulação de vazamentos para testar a eficácia da própria invenção em comparação aos equivalentes importados, denominada “bancada virtual”.

Essa engenhoca vibra de modo a simular a assinatura sônica de um vazamento real, o que permite fazer um test drive idôneo dos correlacionadores fabricados por diversas empresas e verificar se eles estão funcionando satisfatoriamente quando retornam da assistência técnica.

“Você fala para o computador simular um vazamento em uma rede de ferro fundido de 75 mm localizado a 10 m do ponto A e ele faz isso”, diz Mirabô. “Essa tecnologia não tem paralelo no mundo.”

Detector coringa cobre diferentes canos e solos

Fabrício César Lobato explica que a troca progressiva de tubulações feitas de ferro fundido por outras de plástico, ao longo das últimas décadas, tornou a detecção de vazamentos mais desafiadora.

“A vibração é atenuada. Se antes era possível identificar um vazamento em um tubo a uma distância de 1 km, ou 800 m, agora esse número caiu para 100 m ou 80 m.”

O objetivo de seu doutorado foi justamente aperfeiçoar técnicas vibroacústicas para torná-las mais eficazes em tubulações de PVC, polietileno de alta densidade (HDPE) e outros plásticos.

Muitas fabricantes estrangeiras, quando confrontadas com esse desafio, focaram em adquirir sensores que são mais sensíveis e, portanto, mais caros. Lobato, por sua vez, manteve o hardware acessível para baratear o produto e concentrou-se em compensar essa limitação com um software bem planejado, capaz de extrair mais informação de um sinal mais tênue.

“Ele não buscou desenvolver um novo sensor”, explica Marcelo Miki, que era coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Sabesp na época em que começou a colaboração com a Unesp. “Ele partiu da lógica contrária: examinou quais sensores já disponíveis no mercado satisfaziam os requisitos de captação de sinais.”

Equipamento ainda não saiu do papel

Outro trunfo do correlacionador criado por Lobato e seus colegas é sua versatilidade. “Lá fora, há equipamentos desenvolvidos em função de certos materiais de tubo e de certos tipos de solo que envolvem o tubo”, diz Miki.

“[O equipamento da Unesp] mede as condições reais, em campo. Você nem precisa inserir qual material é, ou qual solo é. É um projeto coringa, nesse sentido.”

Para Miki, o sucesso da colaboração com a Unesp em relação a outras parcerias que a Sabesp já teve tem a ver com a disponibilidade de Lobato e Brennan para ouvir com humildade as experiências dos funcionários da Sabesp.

Isso lhes permitiu entender suas necessidades práticas do zero, sem intenção de impor goela abaixo um projeto de pesquisa pré-concebido. “Você até pode desenvolver um trabalho teórico. Mas introduzi-lo em uma empresa de saneamento pode ser difícil porque a realidade tem nuances que os acadêmicos não enxergam”, diz.

Todos os entrevistados pelo Jornal da Unesp relataram um sentimento de frustração pelo fato de terem desenvolvido o projeto e fabricado o protótipo de um equipamento barato, versátil e adequado às necessidades da Sabesp, que, porém, ainda não saiu do papel pela ausência de uma empresa interessada em fabricá-lo.

“O Fabrício nos ajudou muito a garimpar alguém que pudesse fabricá-lo”, conta Cícero Mirabô. “Mas, mesmo na região de Campinas, que é cheia de empresas líderes mundiais em fabricação de hardware, a pergunta era: ‘quantos correlacionadores vamos vender por ano?’ É um produto de nicho, e os caras precisam de volume de produção e de comercialização.”

Correlacionadores remotos são novidade global

O sucesso do correlacionador para a Sabesp motivou Lobato a propor um projeto de pesquisa mais ousado em um segundo edital de saneamento da Fapesp. A ideia foi aprovada pela agência e o financiamento teve início em 2022.

O objetivo é desenvolver, a partir do zero, um produto batizado de Localizador de Vazamento de Superfície, ou LOCVAS. O novo equipamento não exigirá contato físico direto entre o encanamento e o detector, como ocorre com os correlacionadores.

Em tese, ele será sensível o suficiente para detectar vazamentos pelo resquício de vibração que chega à superfície, propagando-se pelo próprio solo.

É possível aplicar a técnica com apenas dois sensores (microfones) na superfície, ou aumentar o número para seis ou oito.

Do mesmo jeito que um celular calcula sua posição no espaço com base no tempo que os sinais de cada satélite de GPS demoram para alcançá-lo, os microfones captam o som do vazamento com diferentes intensidades conforme a distância do buraco no cano, o que permite calcular sua localização exata.

Lobato explica que esse método de detecção não invasiva não substitui as técnicas pré-existentes, mas poderá ser um recurso valioso no arsenal das companhias de água e esgoto.

“Nossa intenção é começar com a medição direta no tubo [com o correlacionador tradicional]. Essa medição, às vezes, pode apresentar algum erro, ficar um pouco fora. Então, você vai em cima do tubo e faz a varredura com essa nova técnica, diminuindo os falsos positivos.”

Mais estudos

No momento, ele e seus colaboradores estão produzindo e publicando artigos científicos sobre minúcias variadas dessa tecnologia.

Por exemplo: o artigo mais recente do grupo, publicado em novembro no periódico Applied Acoustics, versa sobre testes realizados com dois sensores em que havia conhecimento prévio sobre a direção do cano enterrado.

A ideia é apresentar um protótipo conceitual do projeto LOCVAS ainda em 2026. As patentes do novo dispositivo estão em processo de submissão ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI).

*Com informações do Jornal da Unesp/Bruno Vaiano

*Sob supervisão de Giovanni Porfírio

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AgroNewsPolítica & Agro

Governo dos EUA muda foco de investimentos no agro



A mudança foi formalizada por meio de um memorando


A mudança foi formalizada por meio de um memorando
A mudança foi formalizada por meio de um memorando – Foto: Pixabay

O governo dos Estados Unidos anunciou uma reorientação das prioridades de pesquisa e desenvolvimento voltadas ao setor agropecuário, com foco no fortalecimento da produção rural e no abastecimento interno. A iniciativa redefine os critérios para projetos financiados com recursos públicos, buscando direcionar investimentos para desafios considerados centrais para produtores e consumidores no longo prazo.

A mudança foi formalizada por meio de um memorando assinado pela secretária de Agricultura, Brooke L. Rollins, que estabelece uma nova estratégia para as ações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O documento sustenta que a economia agrícola do país enfrentou dificuldades recentes, associadas ao aumento de custos, fragilidades na agenda comercial e excesso de regulação, além de uma alocação de recursos considerada distante das necessidades práticas do campo.

Desde o início do atual governo, a administração liderada por Donald Trump afirma ter adotado medidas para reforçar a rede de proteção ao produtor, estimular exportações, reduzir custos de insumos e retirar diretrizes ligadas a diversidade e justiça ambiental dos programas do departamento. Nesse contexto, a pesquisa passa a ser tratada como ferramenta estratégica para elevar a rentabilidade das propriedades, ampliar a oferta de alimentos e garantir competitividade ao setor.

Entre as novas diretrizes estão o incentivo a estudos que reduzam custos de produção e aumentem a eficiência por meio de mecanização e automação, a abertura de mercados e o desenvolvimento de novos usos para commodities agrícolas, inclusive em bioenergia e produtos de base biológica. Também ganham destaque ações para enfrentar pragas e doenças que ameaçam lavouras e rebanhos, além de pesquisas voltadas à saúde do solo, ao uso mais eficiente da água e à redução de insumos.





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Fruticultura de verão exige planejamento e manejo correto, aponta Emater-MG


Colheita, pomar, fruticultura, maçã
Foto: Freepik

A Emater-MG reforça orientações técnicas para produtores que atuam na fruticultura durante a safra de verão, período marcado por condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das plantas. As recomendações envolvem planejamento, manejo adequado e uso de tecnologias para garantir produtividade e qualidade dos frutos.

O verão reúne condições climáticas favoráveis, como temperaturas mais elevadas, maior luminosidade e chuvas regulares. Segundo o coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, esse cenário exige atenção redobrada do produtor. “De forma geral, a produção e a colheita da safra de verão ocorrem entre outubro e abril”, explica.

Ele ressalta, no entanto, que nem todas as culturas seguem esse calendário. “Algumas frutíferas têm períodos de produção distintos”, afirma.

De acordo com a Emater-MG, o desempenho da lavoura está diretamente ligado aos cuidados adotados ao longo de todo o ciclo produtivo. “O sucesso da fruticultura começa no planejamento e segue até a colheita”, destaca Sanábio. Segundo ele, a qualidade dos frutos depende do uso correto de tecnologias e de uma nutrição adequada das plantas.

Cuidados desde o pré-plantio

A orientação técnica aponta que os primeiros cuidados devem ocorrer antes mesmo do plantio. A escolha das mudas, a análise do solo e a preparação do maquinário são etapas consideradas essenciais.

“A recomendação é iniciar o plantio a partir de setembro, com o começo do período chuvoso”, afirma o coordenador. Em áreas com irrigação, esse processo pode ser antecipado.

O manejo fitossanitário também é destacado como ponto estratégico. “O controle de pragas e doenças deve ser feito de forma preventiva, para evitar danos maiores ao longo da safra”, afirma Sanábio. Ele reforça que ações corretivas, quando tardias, tendem a elevar custos e reduzir a produtividade.

A irrigação é vista como ferramenta importante, especialmente em períodos de déficit hídrico. Ao mesmo tempo, o especialista alerta para a drenagem do solo. “As frutíferas não toleram encharcamento por longos períodos”, acrescenta.

Produção e mercado no estado

A fruticultura de verão em Minas Gerais é diversificada e está presente em todas as regiões do estado. O uso de novas tecnologias e variedades permite escalonar a produção ao longo do ano. Dados do Sistema Safra da Emater-MG indicam que, em 2025, manga, goiaba e laranja lideraram os volumes produzidos no estado.

A banana também mantém posição de destaque, com produção ao longo de todo o ano. “Minas ocupa o segundo lugar no ranking nacional”, lembra Sanábio. Já culturas como pêssego e ameixa apresentam expansão de área plantada.

Segundo a Emater-MG, a maior parte da produção é destinada ao mercado interno. “Os preços recebidos, na média do ano, têm sido atrativos ao produtor”, afirma o coordenador. Ele acrescenta que iniciativas como o programa FrutificaMinas contribuem para fortalecer o setor por meio de capacitação e assistência técnica.

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EUA dizem ter capturado Maduro após ataque à Venezuela



O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar


O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar e violação de soberania
O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar e violação de soberania – Foto: Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, que forças norte-americanas realizaram um ataque militar em larga escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levando ambos para fora do país. A declaração foi publicada por Trump na Truth Social, junto com o anúncio de uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.

Segundo o presidente norte-americano, a operação contou com apoio de forças de segurança dos EUA. Relatos iniciais da imprensa internacional indicam explosões e intensa atividade aérea em Caracas e em outras regiões, com ataques a instalações civis e militares. Até o momento, não há confirmação venezuelana da captura de Maduro nem informações oficiais sobre mortos ou feridos.

O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar e violação de soberania. Em comunicado, declarou estado de emergência nacional, convocou a população e as Forças Armadas para mobilização e afirmou não ter confirmação sobre o paradeiro do presidente, exigindo “prova de vida” de Maduro e da primeira-dama.

A ofensiva ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Caracas, intensificadas nos últimos meses sob o argumento dos EUA de combate ao narcotráfico. O ataque acontece dias após Maduro ter sinalizado disposição para dialogar com Trump, em contatos que não avançaram. A repercussão internacional foi imediata, com pedidos de atuação multilateral e alertas para risco de escalada regional. O episódio aprofunda a crise política e militar na Venezuela e amplia a instabilidade geopolítica na América Latina.

 





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Venezuela: sem tropas no chão, não há controle, há negociação


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A retirada de Nicolás Maduro do poder, após uma ação direta dos Estados Unidos, não pode ser interpretada como o desfecho da crise venezuelana. Ao contrário: trata-se apenas do início de um cenário complexo, instável e repleto de interrogações. A questão central não é apenas como Maduro caiu, mas quem permaneceu no comando depois disso.

Derrubar um líder é mais fácil do que controlar um sistema

A experiência internacional mostra que derrubar um líder é sempre mais simples do que desmontar o sistema de poder que o sustenta. E, no caso da Venezuela, esse sistema foi moldado ao longo de décadas para funcionar de forma profundamente militarizada, centralizada e dependente de interesses econômicos estratégicos. Sem tropas no chão, não existe controle territorial efetivo. O que existe é negociação.

Os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, deixaram claro desde o início que não pretendiam repetir o modelo de ocupações militares prolongadas, como no Iraque ou no Afeganistão. Manter tropas em solo venezuelano significaria risco de guerra civil, mortes de civis, instabilidade regional e alto custo político interno. A opção por uma ação rápida, cirúrgica e sem ocupação indica que o objetivo era remover o símbolo do regime, não administrar o país à força.

A hipótese da negociação interna

É nesse ponto que surge uma hipótese politicamente consistente, ainda que não comprovada: a de que a retirada de Maduro pode ter sido facilitada por setores internos do próprio poder venezuelano, interessados em preservar o sistema e garantir sua sobrevivência. Não se trata de afirmar que houve um acordo formal, mas de observar os sinais deixados pela sequência dos acontecimentos.

O primeiro deles é a continuidade do núcleo de poder. Em vez de uma transição conduzida pela oposição, o comando do país foi rapidamente reorganizado dentro da própria estrutura chavista. A ascensão da vice-presidente Delcy Rodríguez não representa ruptura, mas rearranjo. E esse detalhe é central para entender o que está em jogo.

O petróleo como eixo do poder

Delcy Rodríguez não é apenas uma figura política de transição. Ela é responsável direta pela área de petróleo da Venezuela, o setor mais estratégico do país e a principal moeda de negociação internacional. Ao mesmo tempo, seu irmão, Jorge Rodríguez, preside o Congresso. Executivo, Legislativo e energia, o tripé do poder real, permanecem concentrados nas mãos do mesmo grupo político. Isso reforça a leitura de continuidade organizada, não de mudança de regime.

Outro sinal relevante foi a postura dos Estados Unidos em relação à oposição. Quando questionado sobre a participação de María Corina Machado, Trump descartou publicamente sua condução no processo. A mensagem implícita foi clara: a transição não seria liderada pela oposição tradicional, mas por atores que já estavam inseridos no núcleo do poder estatal.

Continuidade política, pragmatismo estratégico

Do ponto de vista estratégico, essa escolha faz sentido. Ao remover Maduro, os Estados Unidos atingem um objetivo simbólico importante. Ao evitar uma ocupação militar, reduzem riscos e custos. E, ao lidar com um governo de continuidade, preservam canais para negociar temas sensíveis como sanções, segurança regional e, principalmente, petróleo.

No campo energético, a Venezuela segue sendo um ativo estratégico de enorme valor. O país possui milhares de poços degradados por falta de investimento, tecnologia e manutenção. Qualquer retomada relevante da produção depende de capital estrangeiro, know-how técnico e estabilidade mínima. Um governo de transição controlado por quadros já conhecidos oferece exatamente isso: previsibilidade para negociar, sem desmontar toda a engrenagem política existente.

Há ainda o discurso da cooperação no combate ao narcotráfico, frequentemente usado como justificativa política. Mas aqui reside um paradoxo evidente: as estruturas que hoje prometem colaboração são, em muitos casos, as mesmas que historicamente conviveram com essas redes. O risco é transformar a “cooperação” em narrativa diplomática, sem mudanças estruturais profundas.

Transição sem transição

Nada disso garante estabilidade ou democratização. Ao contrário. A permanência do mesmo grupo no poder, ainda que sem Maduro, pode gerar disputas internas, repressão seletiva e frustração popular. A Venezuela corre o risco de viver uma transição sem transição, muda o rosto, preserva-se o sistema.

A lição é simples e dura: sem tropas no chão, não há controle; há negociação. E, em regimes fechados, negociações costumam priorizar a sobrevivência do poder estabelecido, não a reconstrução democrática.

A queda de Maduro pode ter sido apenas o primeiro movimento de um tabuleiro muito maior, onde o verdadeiro jogo é decidir quem manda, quem permanece e a que preço.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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China pede aos EUA a libertação imediata de Maduro e sua esposa


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores da China pediu hoje (4) que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, que foram capturados ontem (3) em Caracas e estão sendo mantidos sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.

Para o governo chinês, que é um dos principais parceiros políticos e econômicos da Venezuela, a ação deflagrada pelos Estados Unidos “violou claramente” o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, além dos propósitos e princípios estabelecidos pela Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).

No comunicado, a China pede que os Estados Unidos garantam a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa e cessem com a tentativa de derrubar o governo venezuelano. Além disso, afirma o governo chinês, os Estados Unidos precisam garantir que esse problema seja resolvido “por meio do diálogo e da negociação”.

Esta foi a segunda manifestação oficial da China sobre o caso. Ontem (3), o Ministério das Relações Exteriores da China já havia condenado o uso da força pelos Estados Unidos contra Maduro, dizendo estar “profundamente chocado” com a ação deflagrada ontem.

“A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e sua ação contra o presidente de outro Estado”, afirmou a chancelaria.

Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas deve acontecer amanhã (5) para discutir a situação da Venezuela.

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Conselho de Veterinária de SP alerta para doença que afeta gatos; saiba mais


Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil.
Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo alerta para o aumento de casos de esporotricose animal na cidade. A doença causada por fungos do gênero Sporothrix é considerada preocupante e “já representa um impacto significativo na saúde animal e humana”.

Os fungos afetam principalmente os gatos, pois são bem adaptados à temperatura corporal da espécie, considerada chave para a cadeia de transmissão. A esporotricose é um risco para animais soltos, sendo considerada como “um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados a zoonoses no Brasil”, informa o conselho, que editou norma técnica para os profissionais paulistas.

“Os gatos contraem a doença por inoculação traumática, seja pelo contato com solo – ao cavar – com espinhos, lascas de madeira ou matéria orgânica contaminados, seja pelo contato direto com outros animais doentes, principalmente durante brigas, arranhões e mordeduras, ou, ainda, pelo contato com secreções de lesões cutâneas, considerada a principal via de contaminação”, informa a coordenadora técnica médica-veterinária do conselho, Carla Maria Figueiredo de Carvalho.

Casos confirmados

A doença é observada em todas as regiões do país, com maior incidência nos estados do Sul e Sudeste. Há transmissão entre animais domésticos e selvagens e com transmissão de cerca de mil casos por ano para humanos, e tem avançado continuamente desde 2011 em território paulista, se espalhando por municípios da Região Metropolitana e do litoral.

Entre 2022 e 2023, o número de casos confirmados de esporotricose animal no estado aumentou de 2.417 para 3.309.

“Apesar desse crescimento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do território paulista, o que dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias eficazes de controle”, explica a nota do conselho.

Com o aumento de casos a variante humana da doença passou a ter notificação compulsória desde o primeiro semestre de 2025, mas suas variantes zoonóticas não o tem. O Projeto de Lei n˚ 707/2025, que tramita na Assembléia Legislativa do estado, propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados de esporotricose em humanos e animais aos serviços de vigilância epidemiológica estadual. Hoje há orientação para que casos em animais sejam notificados.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo alerta que os sintomas da esporotricose em humanos podem surgir entre poucos dias e até três meses após a infecção.

“Geralmente, a doença se manifesta inicialmente como um pequeno nódulo indolor que, com o tempo, pode aumentar de tamanho e evoluir para uma ferida aberta. As formas clínicas da esporotricose humana dependem do estado imunológico do paciente e da profundidade das lesões, podendo se apresentar de forma cutânea, atingindo a pele, o tecido subcutâneo e o sistema linfático, ou de forma extracutânea, com disseminação para órgãos como pulmões, ossos e articulações”, explica Carla Maria.

Recomendações

O atendimento médico deve ser procurado logo que surjam os primeiros sintomas. Quando não tratada adequadamente, a esporotricose pode evoluir para feridas extensas e formação de nódulos, e pode se disseminar para além da pele em pessoas com imunossupressão, atingindo pulomões, ossos e articulações.

O conselho também alerta para a importância de tratar animais doentes e evitar seu abandono, quebrando a cadeia de infecções. Gatos com sinais suspeitos devem ser avaliados por médico-veterinário e, sempre que possível, submetidos a exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico.

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Fundesa-RS completa 20 anos e reforça papel estratégico na defesa sanitária animal


Defesa Sanitária
Sede no Parque de Exposições Assis Brasil. Foto: Divulgação/Fundesa-RS

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) fecha 2025 com 20 anos de atuação e foco renovado no fortalecimento da sanidade animal. Criado para dar suporte financeiro ao setor produtivo, o fundo ampliou sua função e passou a atuar de forma estratégica ao lado do Serviço Veterinário Oficial do Estado.

Ao longo dessas duas décadas, o Fundesa se consolidou como instrumento central na prevenção, no controle e na erradicação de doenças que impactam diretamente a produção de proteínas animais no Rio Grande do Sul.

As perspectivas para 2026 foram divulgadas pela assessoria de imprensa, que também listou os principais desafios enfrentados ao longo do ano passado.

Resposta sanitária e atuação em crises

Em 2025, o sistema de defesa sanitária gaúcho foi colocado à prova com o registro de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em uma granja comercial no município de Montenegro. O foco foi controlado e erradicado em poucos dias, sem propagação.

Segundo o presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber, a resposta rápida demonstrou a organização do sistema sanitário estadual. “A forma como o caso foi conduzido mostrou que o Estado está preparado para enfrentar riscos sanitários cada vez mais complexos”, afirmou.

De acordo com Kerber, o fundo garantiu recursos, equipamentos e materiais para as equipes que atuaram no entorno do foco, atuação reconhecida por órgãos nacionais e internacionais.

Estrutura física e apoio ao produtor

O ano de 2025 também marcou a inauguração da sede própria do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A chamada Casa da Sanidade Animal passou a funcionar como espaço permanente para reuniões, eventos e apoio técnico às cadeias produtivas.

Outro investimento relevante foi a reforma da Supervisão Regional de Santa Rosa, com recursos próximos de R$ 600 mil. O local abriga atividades do Serviço Veterinário Oficial e reforça a presença do sistema sanitário no interior do Estado.

Indenizações e responsabilidade compartilhada

Um dos pilares do Fundesa é estimular a notificação precoce de doenças. Conforme o presidente, a existência de indenizações dá segurança ao produtor para comunicar suspeitas sanitárias sem receio de prejuízos financeiros.

Levantamento do fundo aponta que, nos últimos 16 anos, mais de R$ 54 milhões foram destinados a indenizações na pecuária leiteira. Os recursos têm sido fundamentais no enfrentamento de doenças como tuberculose e brucelose, cuja prevalência atual é de 0,49% do rebanho.

Modernização e próximos passos

Além das emergências sanitárias, o Fundesa teve papel relevante durante as enchentes de maio de 2024. Recursos extraordinários ajudaram a recompor a estrutura do Serviço Veterinário Oficial. Ferramentas digitais, como a Plataforma de Defesa Sanitária Animal, auxiliaram no mapeamento de áreas isoladas.

O fundo também avança em projetos de prevenção, comunicação sanitária e rastreabilidade bovina. A revisão das contribuições, aprovada pela Assembleia Legislativa, entra em vigor em abril de 2026 e busca garantir sustentabilidade financeira frente à crescente pressão sanitária global.

Para 2026, estão previstos novos investimentos em capacitação, tecnologia e infraestrutura, mantendo o foco na proteção da produção animal gaúcha.

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AgroNewsPolítica & Agro

EUA reforça controle sobre terras agrícolas



Entre as iniciativas está a abertura de uma consulta pública para modernizar regras


Entre as iniciativas está a abertura de uma consulta pública para modernizar regras
Entre as iniciativas está a abertura de uma consulta pública para modernizar regras – Foto: Nadia Borges

O governo dos Estados Unidos anunciou um conjunto de medidas para reforçar a segurança nacional a partir do controle sobre terras agrícolas, cadeias produtivas e programas públicos ligados ao setor rural. As ações fazem parte de um plano federal voltado à proteção da produção de alimentos, ao estímulo à inovação doméstica e à redução da influência de países considerados adversários em áreas estratégicas da economia agrícola.

Entre as iniciativas está a abertura de uma consulta pública para modernizar regras que exigem a declaração de investimentos estrangeiros em terras agrícolas no país. A proposta busca aumentar a transparência, aprimorar a fiscalização e tornar mais eficiente o acompanhamento de aquisições, transferências e participações estrangeiras nessas áreas. O objetivo é fortalecer o monitoramento e a verificação dos dados, além de ampliar a cooperação com órgãos responsáveis por avaliar riscos à segurança nacional em operações envolvendo ativos rurais.

Dados oficiais indicam que entidades ligadas a países adversários controlam atualmente cerca de 277 mil acres de terras agrícolas nos Estados Unidos. Segundo o governo, esse cenário representa riscos para a segurança alimentar, para a integridade das cadeias de suprimento e para a proteção de infraestruturas críticas, incluindo instalações militares.

Outro eixo das medidas envolve mudanças em programas federais de compras e financiamento. O governo decidiu atualizar regras para garantir que benefícios e preferências públicas priorizem produtores e fabricantes nacionais, excluindo empresas e produtos associados a países considerados hostis. Com isso, entidades estrangeiras nessas condições deixam de ser elegíveis a programas de incentivo à produção de bens de base biológica e a linhas de crédito garantidas pelo governo.





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Ciclone extratropical deve provocar ventos acima de 100 km/h no Sul; confira previsão


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Foto: Pixabay

A previsão do tempo entre os dias 5 e 9 de janeiro indica uma semana marcada por contrastes no Brasil, com atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) em grande parte do país e atenção especial para a formação de um ciclone extratropical no Sul no próximo fim de semana.

O cenário combina períodos de chuva volumosa, elevação das temperaturas em algumas áreas e risco de eventos severos, como temporais e ventos fortes.

Confira a previsão por região:

Região Sul

No Sul, a semana começa com chuvas mais fracas no leste e norte do Paraná e no litoral norte de Santa Catarina. Nas demais áreas, o tempo segue mais firme, sob influência de uma massa de ar seco, com predomínio de sol. A nebulosidade é maior no Paraná e no leste catarinense, e as temperaturas permanecem mais amenas.

O amanhecer desta segunda-feira (5) será frio nos três estados, com mínimas em torno de 10°C em áreas de baixada do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná. Há risco de geada apenas em pontos da serra catarinense e gaúcha, onde a mínima pode ficar abaixo dos 5°C.

A partir de terça-feira (6), as temperaturas entram em elevação, com máximas acima dos 30°C, favorecendo uma semana mais quente e seca nas áreas produtoras, sem prejuízo às operações em campo.

A mudança ocorre a partir de sexta-feira (9), com a volta da chuva devido a um sistema de baixa pressão no Paraguai, trazendo acumulados entre 20 e 40 milímetros, que ajudam a repor a umidade do solo, mas podem vir acompanhados de temporais. Para o fim de semana, a atenção se volta à formação de um ciclone extratropical, com risco de chuva torrencial, alagamentos e rajadas de vento acima de 100 km/h em áreas produtoras da região.

Região Sudeste

No Sudeste, a ZCAS mantém o tempo instável. Durante a madrugada, chove de maneira moderada a forte em grande parte de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com risco de temporais. Ao longo do dia, as pancadas continuam.

Em São Paulo, a chuva ocorre de forma moderada a forte no litoral e no leste pela manhã, avançando para áreas do norte do estado ao longo do dia e da tarde, com intensidade fraca a moderada. A semana será mais úmida e com temperaturas mais amenas nos quatro estados, com máximas entre 28°C e 30°C.

O destaque fica para o centro-norte de Minas Gerais e o Espírito Santo, onde os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros, aumentando o risco de alagamentos. Em São Paulo, Rio de Janeiro e sul mineiro, as chuvas típicas de verão somam entre 20 e 40 milímetros, mantendo a umidade do solo sem prejudicar os trabalhos em campo.

Região Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a ZCAS segue favorecendo o tempo instável em grande parte de Mato Grosso e Goiás, com chuva moderada a forte desde as primeiras horas do dia e chance de temporais. Em Mato Grosso do Sul, as precipitações ocorrem de forma fraca a moderada no norte e leste do estado, principalmente entre a tarde e a noite.

Atenção para as temperaturas elevadas no oeste de MS e sudoeste de MT, onde as máximas podem chegar a 37°C, provocando estresse térmico no gado em confinamento e aumentando o risco de incêndios, já que não há previsão de chuva significativa nessas áreas.
Nas demais regiões de MT e em Goiás, os acumulados ficam em torno de 100 milímetros, beneficiando o desenvolvimento da soja. No centro-leste de MS, as chuvas típicas de verão somam 30 a 40 milímetros, mantendo a boa umidade do solo.

Região Nordeste

No Nordeste, chove de maneira moderada em grande parte da Bahia desde a madrugada. Nas demais áreas, o tempo fica mais firme até o fim da manhã. À tarde, as instabilidades se intensificam e se espalham pelo estado baiano, além do sul do Maranhão e do Piauí.

No oeste de Pernambuco, a chuva ocorre de forma mais fraca, enquanto no restante da região o tempo segue mais aberto. O alerta permanece para o risco de incêndios no agreste nordestino, devido à ausência de chuva e às temperaturas máximas próximas dos 38°C.

A atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) favorece chuva e temporais no sul e oeste da Bahia, centro-sul do Maranhão e sudoeste do Piauí, com acumulados entre 40 e 50 milímetros em cinco dias, contribuindo para a manutenção da umidade do solo.

Região Norte

No Norte, a ZCAS mantém as pancadas de chuva em Rondônia, Acre e Amazonas, com maior intensidade. No sul do Pará, Tocantins e Amapá, as chuvas também podem ser mais fortes. Nas demais áreas, a precipitação é mais fraca, e o sol aparece com mais frequência no noroeste do Pará e em Roraima.

Os acumulados podem chegar a 100 milímetros em cinco dias no Acre, Rondônia, sul do Amazonas, sudoeste do Pará e centro-sul do Tocantins, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos.

Já em Roraima, no centro-norte do Pará e no Amapá, a semana será mais quente e com pouca umidade, com máximas em torno de 36°C e volumes de chuva entre 15 e 20 milímetros, insuficientes para aliviar o calor e mantendo áreas produtoras sob restrição hídrica.

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