segunda-feira, abril 13, 2026

Autor: Redação

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Congresso das Mulheres do Agro destaca protagonismo feminino na pecuária e inovação



O protagonismo das mulheres do agronegócio volta ao centro das atenções com a realização da 10ª edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA 2025), que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, em São Paulo, no Transamerica Expo Center.

Reconhecido como o maior encontro feminino do setor na América Latina, o evento reunirá mais de 3.300 participantes em dois dias de debates, palestras e experiências sobre o futuro do campo.

Temática do evento

Com o tema “O agro nas vozes do mundo: a força feminina brasileira impulsionando o setor”, o CNMA 2025 destaca o papel da mulher nas cadeias produtivas, especialmente na pecuária, segmento em que a presença feminina cresce a cada ano, assumindo posições de liderança, gestão e sucessão familiar.

A programação inclui uma Arena Master e quatro Arenas do Conhecimento simultâneas, totalizando mais de 20 horas de conteúdo e 24 temas estratégicos voltados à inovação, sustentabilidade, tecnologia e gestão no campo.

Novidades e espaços de interação

Entre as novidades desta edição estão a Vila CNMA, que reunirá iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à inovação, e a Casa Mulher do Agro, espaço de integração e fortalecimento das redes femininas que movem o agronegócio brasileiro.

Na pecuária, o congresso se consolida como um palco de inspiração para mulheres que lideram fazendas, cooperativas e empresas de genética e nutrição animal. São profissionais que unem técnica, sensibilidade e visão de futuro para impulsionar uma produção mais eficiente e sustentável.

Celebrando uma década de história, o CNMA reforça que o futuro do agro, e da pecuária, também é feminino. As inscrições estão abertas no site: https://www.mulheresdoagro.com.br/inscricao/

Com informações de: canaldocriador.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Produtividade da cana é 6,5% inferior à da safra passada



A produtividade média da cana-de-açúcar na região Centro-Sul registra queda de 6,5% nesta safra em comparação à temporada passada, aponta o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

No acumulado de abril a setembro deste ano, foram alcançados, em média, 77,7 toneladas por hectare, 5,5 toneladas por hectare a menos que as 83,2 toneladas por hectare do ciclo anterior.

O rendimento médio em setembro foi similar ao registrado no mesmo mês da safra anterior (71,9 t/ha contra 70,4 t/ha).

Já a qualidade da cana-de-açúcar (ATR) apresentou retração de 0,8%, de 154 kg/tonelada (setembro de 2024) para 152,7 kg/tonelada (setembro deste ano).

Quanto ao ATR acumulado, está em 134 kg ATR/t, contra 136,8 kg ATR/t no ciclo anterior, apontam os dados do CTC.



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil exporta mais feijão, mas mercado interno mantém estabilidade


As exportações brasileiras de feijão alcançaram níveis históricos em setembro de 2025, tanto no volume mensal quanto no acumulado de 12 meses. Segundo o Cepea, a liderança do Mato Grosso nesse mercado se consolida, impulsionada por variedades voltadas principalmente ao consumo internacional, o que mantém estável a oferta dos tipos mais consumidos no Brasil, como o feijão carioca e o preto.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 85,4 mil toneladas de feijões apenas em setembro — maior volume já registrado para um único mês. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o total exportado soma 361,9 mil toneladas, ultrapassando o montante de todo o ano de 2024, que foi de 343,6 mil toneladas. No recorte de 12 meses, as exportações atingem 488,4 mil toneladas, outro recorde.

Variedades exportadas são diferentes das consumidas internamente

Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço das exportações tem como base o aumento da demanda por variedades específicas de feijão, distintas daquelas com maior saída no mercado brasileiro. Isso explica por que o crescimento das exportações não pressiona os preços internos nem reduz a oferta dos tipos mais populares entre os consumidores nacionais.

Mercado interno recua com baixa liquidez e demanda

No mercado doméstico, o feijão carioca apresentou baixa liquidez na semana passada, com enfraquecimento dos preços. O Cepea aponta que a redução na demanda e a qualidade inferior dos lotes ofertados contribuíram para a pressão negativa sobre os valores praticados.

Já o feijão preto tipo 1, após uma forte valorização em setembro, teve leve ajuste negativo nos preços na última semana. A reposição de estoques foi mais lenta, e a demanda, mais estável, refletindo um cenário de moderação nos negócios.

Impacto e perspectivas 

A expectativa para os próximos meses é de manutenção da tendência positiva nas exportações, especialmente com o fortalecimento da presença brasileira em novos mercados, sem comprometer o abastecimento interno.

 





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FMI melhora previsão para crescimento da economia brasileira em 2025



O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento do economia do Brasil em 2025, mas reduziu a expectativa para 2026. O ajuste reflete o impacto das novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que afetam diretamente as exportações nacionais.

Segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO), divulgado nesta terça-feira (14), o FMI espera que a economia brasileira cresça 2,4% em 2025, alta de 0,1 ponto percentual em relação à previsão de julho. Para 2026, no entanto, o Fundo reduziu a estimativa de expansão para 1,9%, 0,2 ponto percentual abaixo da projeção anterior.

O FMI observa que a economia brasileira começa a dar sinais de moderação, diante de políticas monetárias e fiscais mais restritivas. Ainda assim, o país deve avançar em linha com o crescimento médio da América Latina e Caribe, projetado em 2,4% tanto para 2025 quanto para 2026. Em comparação, o grupo de mercados emergentes e em desenvolvimento deve registrar expansão de 4,2% e 4,0%, respectivamente.

Inflação e emprego

O Fundo também revisou para cima suas projeções para a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expectativa é de que o indicador suba para 5,2% em 2025, frente a 4,4% no ano anterior, e desacelere para 4,0% em 2026.

De acordo com o FMI, a inflação permanece acima da meta do Banco Central devido às incertezas fiscais, mas a recente valorização do real pode ajudar a aliviar a pressão de preços no fim de 2025.

O relatório ainda prevê leve aumento no desemprego. A taxa deve passar de 6,9% em 2024 para 7,1% em 2025 e alcançar 7,3% em 2026, refletindo a desaceleração esperada da atividade econômica.

Com o novo cenário, o Brasil deve manter um ritmo de crescimento moderado, condicionado ao impacto das tarifas norte-americanas e à condução da política fiscal doméstica.



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Plantio de soja 25/26 atinge 11,1% da área no Brasil, aponta Conab



O plantio da safra 2025/26 de soja no Brasil alcançou 11,1% da área total prevista, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com dados até 11 de outubro.

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Na semana anterior, a semeadura estava em 8,2%. No mesmo período do ano passado, os trabalhos atingiram 9,1% da área. Apesar do avanço em relação a 2024, o ritmo atual segue abaixo da média dos últimos cinco anos para a data, que é de 16,9%.

Plantio de soja pelo Brasil

O estado do Paraná lidera os trabalhos, com 31% da área já semeada. No Centro-Oeste, o estado de Mato Grosso alcança 18,9% e o Mato Grosso do Sul chega a 14%, enquanto Goiás registra 2%. Em Minas Gerais, o avanço é de 2,7% e, em São Paulo, de 4%. A Bahia soma 4% e o Tocantins 2%. Já em Santa Catarina, o plantio atinge 2% da área estimada.



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Conab indica produção de 354,7 milhões de toneladas na safra 25/26



A primeira estimativa para a safra brasileira de grãos 2025/26 indica uma produção total de 354,71 milhões de toneladas, volume 0,8% superior ao obtido em 2024/25, quando foram colhidas 351,93 milhões de toneladas. É o que mostra o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (14).

A área plantada deve crescer 3,3% em relação ao ciclo anterior, sendo estimada em 84,4 milhões de hectares na temporada 2025/26.

Expectativa para soja e milho

Conforme a Conab, neste novo ciclo, há uma expectativa de crescimento de 3,6% na área semeada para soja se comparada com 2024/25, estimada em 49,1 milhões de hectares. Com isso, é estimada uma colheita de 177,6 milhões de toneladas na safra 2025/26 em comparação com a colheita de 171,5 milhões de toneladas da temporada anterior.

“As precipitações ocorridas em setembro nos estados do Centro-Sul do país permitiram o início do plantio com 11,1% da área já semeada, índice ligeiramente superior ao ocorrido até o mesmo momento do ciclo passado”, destacou a companhia.

Assim como a soja, é esperada uma maior área plantada para o milho em 2025/26, podendo atingir 22,7 milhões de hectares, com uma expectativa de produção de 138,6 milhões de toneladas somadas as três safras do grão. Apenas na primeira safra do cereal, a companhia prevê um incremento na área semeada em torno de 6,1%, com estimativa de colher 25,63 milhões de toneladas, crescimento de 2,8% em relação à safra passada, que foi de 24,94 milhões de toneladas.

Perspectivas para arroz, feijão e algodão

Para o arroz, entretanto, a primeira estimativa para o ciclo 2025/26 indica uma redução de 5,6% na área a ser semeada, projetada em 1,66 milhão de hectares, sendo que na área irrigada a queda está prevista em 3,7% e na de sequeiro a diminuição pode chegar a 12,5%. Com a menor área destinada à cultura, a produção de arroz pode alcançar 11,47 milhões de toneladas, queda de 10,1% ante 2024/25, quando foram produzidas 12,76 milhões de toneladas.

No caso do feijão, por ser uma cultura de ciclo curto, a tendência é que a safra 2025/26 mantenha-se próxima da estabilidade. Somada as três safras da leguminosa, a produção está estimada em 3 milhões de toneladas. A área da primeira safra do grão deverá ter redução de 7,5% em comparação com o primeiro ciclo da temporada 2024/25, totalizando uma previsão de plantio em 840,4 mil hectares.

Já a produção de algodão em pluma na safra 2025/26 está projetada em 4,03 milhões de t, queda de 1,1% ante a temporada anterior, que foi de 4,08 milhão de toneladas. A área de plantio com a cultura deve crescer 2,5%, para 2,14 milhões de hectares.

Culturas de inverno

Com cerca de 40% das lavouras de trigo colhidas, a previsão aponta para uma produção em 2025 de 7,7 milhões de toneladas, 2,4% abaixo da safra 2024. Principal produto dentre as culturas de inverno, a redução prevista para a colheita decorre, principalmente, da retração de 19,9% na área cultivada, motivada por condições menos favoráveis ao cultivo no momento de decisão da implantação da atual safra.



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JBS disponibiliza para pecuaristas ferramenta gratuita sobre análises socioambientais


Lançado há pouco mais de um ano, o ‘Cowbot’, ferramenta gratuita da JBS para consultas socioambientais de propriedades rurais, já ultrapassou a marca de 30 mil análises realizadas em todo o Brasil. O sistema, que funciona via WhatsApp, permite que produtores verifiquem rapidamente a conformidade de fazendas antes de negociações, reforçando a transparência e a sustentabilidade na cadeia da pecuária e de outras commodities agrícolas.

Com uma média de 92 consultas por dia útil, o Cowbot tem se consolidado como aliado dos pecuaristas na gestão socioambiental. De acordo com dados da companhia, três em cada quatro usuários voltam a usar a ferramenta, o que demonstra alto grau de confiança. O sistema já é utilizado em 20 estados, com destaque para Pará, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.

Consultas rápidas e gratuitas

O Cowbot funciona como um chat automatizado no WhatsApp, por meio do qual o usuário envia o número do Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou as coordenadas geográficas da propriedade. Em menos de um minuto, o sistema fornece uma análise socioambiental, verificando pontos como ausência de desmatamento, embargos ambientais e sobreposição com terras indígenas, quilombolas ou unidades de conservação.

Antes da criação da ferramenta, esse tipo de consulta costumava levar até três dias e dependia de intermediários, gerando custos adicionais para os produtores.

“O Cowbot democratiza o acesso a informações socioambientais, permitindo decisões mais seguras e conscientes, além de reduzir significativamente o risco de aquisição de animais de áreas irregulares”, afirma Fábio Dias, líder de Pecuária Sustentável da JBS.

O Cowbot é parte das iniciativas da companhia voltadas à rastreabilidade da cadeia produtiva e se conecta à Plataforma Pecuária Transparente (PPT), sistema também gratuito e protegido por tecnologia blockchain.

Por meio da PPT, produtores podem registrar transações entre fornecedores de gado, emitir declarações de origem e organizar dados da própria cadeia de fornecimento com segurança e confidencialidade.

A plataforma vem sendo aprimorada com novas funcionalidades, como busca de CAR por CPF ou CNPJ, múltiplos protocolos de avaliação socioambiental e melhorias na experiência do usuário.

Com essas ações, a JBS reforça seu compromisso com a transparência, sustentabilidade e rastreabilidade na pecuária brasileira, promovendo práticas que conciliam produção, preservação ambiental e desenvolvimento rural.



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AgroNewsPolítica & Agro

Resolução do CMN cria barreira geográfica ilegal e exclui produtores das novas oportunidades de renegociação das dívidas rurais


A Medida Provisória nº 1.314/2025 foi recebida pelo setor produtivo rural como um importante alívio em meio à crise climática e econômica que atingiu diversas regiões do país nos últimos anos. Seu objetivo declarado é viabilizar a liquidação e amortização de dívidas rurais contraídas por produtores afetados por eventos climáticos adversos, utilizando recursos do superávit financeiro da União e linhas especiais de crédito.

A proposta, em seu texto, é simples e direta: permitir que produtores que tiveram duas ou mais safras prejudicadas entre julho de 2020 e junho de 2025 possam acessar crédito para recompor seu equilíbrio financeiro.

Neste texto quero chamar atenção para algo de extrema importância e que afeta muitos produtores rurais: A MP não impõe qualquer limitação territorial. Ela fala em “produtores que tenham sofrido perdas”, sem exigir que o município tenha decretado estado de calamidade ou situação de emergência.

MP 1314/25 – Artigo 2º, parágrafo 2º: São beneficiários desta linha de crédito produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária, na qualidade de produtor rural, que tenham tido perda em duas ou mais safras no período de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2024, em decorrência de eventos climáticos adversos.

Observe que a redação dessa norma não faz qualquer restrição quanto a localização geográfica da área afetada.

No entanto, ao regulamentar a medida, o Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução nº 5.247/2025, inseriu um filtro que não consta da MP e que vem excluindo milhares de produtores de forma automática: a exigência de que o município do empreendimento tenha decretado estado de emergência ou calamidade pública em pelo menos dois anos do período entre 2020 e 2024, com reconhecimento formal pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Eis o trecho exato dessa ilegal extrapolação feita pela Resolução 5247:

Resolução CMN 5247, artigo 1º, parágrafo 2º, inciso I, alínea “a” – tenham decretado estado de calamidade pública ou situação de emergência em pelo menos dois anos no período de 01 de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2024, em decorrência de enxurradas, alagamentos, inundações, chuva de granizo, chuvas intensas, tornados, onda de frio, geada, vendaval, seca ou estiagem, com reconhecimento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O problema é que essa barreira não foi criada por lei, mas sim por esse ato infralegal, o que fere diretamente o princípio da legalidade, previsto no artigo 5º, inciso II, e no artigo 37 da Constituição Federal.

Em outras palavras, a Resolução inovou no ordenamento jurídico, criando uma condição nova para o acesso ao benefício, sem qualquer respaldo no texto da MP. E isso tem consequências práticas graves.

Diversos municípios tiveram perdas significativas, mas não chegaram a decretar formalmente situação de emergência — seja por falta de estrutura administrativa, seja porque o evento climático não atingiu o limiar técnico exigido pelo MIDR, embora tenha causado prejuízo concreto ao produtor. Em muitos casos, a decretação ocorreu apenas uma vez, ou em anos diferentes daqueles exigidos pela Resolução. O resultado é que o produtor fica de fora, ainda que tenha experimentado as mesmas perdas que outros vizinhos em municípios “reconhecidos”.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná publicou ofício expressando exatamente isso: que apenas 129 municípios do Estado (cerca de 32%) se enquadrariam nessas restrições impostas pela Resolução CMN 5247. Já o Ministério da Agricultura publicou uma lista dos municípios elegíveis, um total de 1363, isto é 24,5%. Evidente que há muita injustiça nessa barreira geográfica criada ilegalmente pela Resolução CMN 5247.

Insisto, esse filtro geográfico é juridicamente questionável. A jurisprudência é firme no sentido de que atos administrativos normativos não podem restringir direitos ou criar obrigações sem autorização legal expressa.

O Supremo Tribunal Federal, guardião das normas constitucionais em nosso país, já asseverou sobre a função regulamentar das legislações infralegais não pode ser utilizada como “carta branca” para inovar no ordenamento jurídico, criando barreiras ou direitos não previstos em lei, sob pena de se configurar ilegalidade. Vejamos:

“… a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é, na verdade, no sentido de que decreto regulamentar que vai além da lei, que extrapola a lei, não é inconstitucional, é ilegal.” (Ministro Carlos Velloso, ADI 673-8 – DF).


“… até porque as normas de um decreto regulamentar que extravassem a regulamentação da lei são normas ilegais…” (Ministro Moreira Alves, ADI 673-8 – DF).


“Tem, aliás, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal afirmado que, se o decreto, ao regulamentar uma lei, excede seus limites, incide em ilegalidade, que pode ser reconhecida por qualquer juiz ou tribunal… (Ministro Sidney Sanches, ADI 673-8 – DF).

Diógenes Gasparini, na sua obra Poder Regulamentar, p. 64/65, 2ª ed., 1982, RT, ensinou: “outra faceta dos regulamentos subordinados é a de não poder o Executivo, a pretexto de regulamentar uma dada lei, impor a sua interpretação. Essa regulamentação disfarçada da lei iria muito além da atribuição que vimos examinando.”

O Superior Tribunal de Justiça, como não poderia ser diferente, também já decidiu que “o ordenamento jurídico pátrio não permite que atos normativos infralegais inovem originalmente o sistema jurídico” (REsp 1.969.812/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi).

No caso concreto, a MP 1.314/2025 delegou ao CMN apenas o poder de definir condições operacionais e financeiras — juros, prazos, encargos e critérios de execução. Não há delegação para limitar o público-alvo com base em critérios geográficos. O CMN, portanto, extrapolou seu poder regulamentar, usurpando função legislativa.

Sob a ótica constitucional, o vício é duplo. Primeiro, porque o ato administrativo não pode contrariar nem restringir o alcance de uma medida provisória com força de lei. Segundo, porque o filtro territorial viola a isonomia entre produtores que sofreram prejuízos equivalentes, mas residem em municípios distintos.

Imagine dois produtores rurais vizinhos, separados apenas por uma estrada. Ambos perderam 50% da produção em 2022 e 2023. Um deles, por estar em município que declarou emergência, é elegível. O outro, em município que não declarou, fica excluído. É uma situação absurda do ponto de vista jurídico e social, incompatível com a função reparatória da política pública.

Além disso, a exigência de dupla decretação municipal transfere para o produtor uma responsabilidade que não é dele — afinal, o ato de decretar emergência é uma decisão política e administrativa da prefeitura, alheia à sua vontade. O produtor não tem qualquer controle sobre isso.

Na prática, portanto, nessa parte aqui tratada, a Resolução nº 5.247/2025 esvazia o conteúdo material da MP nº 1.314/2025, que buscava atender todos os produtores que sofreram perdas reais, independentemente do local. Essa distorção pode e deve ser contestada judicialmente, com fundamento na ilegalidade do ato regulamentar, no desvio de finalidade e na violação à isonomia.

O setor rural precisa estar atento: a promessa de socorro feita pela MP 1.314/2025 não pode ser desfigurada por um ato infralegal que cria obstáculos onde a lei não criou. O Estado brasileiro tem o dever de agir com boa-fé, legalidade e razoabilidade, respeitando o objetivo social da norma — que é proteger quem produz alimento, emprego e renda no campo.

Quer saber mais sobre o tema? Acesse: https://henriquelimaadvogado.com.br/categoria/agronegocio/ 

Para mais informações ou orientações sobre o tema, entre em contato com o autor.


 





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Soja fecha com mais de 1% de queda em Chicago pressionada pela falta de…


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A ligação entre Donald Trump e Xi Jinping aconteceu nesta sexta-feira (19) e, mais uma vez, as conversas não trouxeram qualquer novidade efetiva nas relações entre os dois países. E assim, o pouco que a soja subiu nos últimos dias na Bolsa de Chicago apoiada na esperança de que o cenário sino-americano fosse fortalecido no âmbito do agronegócio, devolveu na sessão desta sexta-feira (19) e terminou o dia com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. 

“A ausência de sinais mais claros de um acordo pressiona os preços da soja e provoca a reversão do movimento positivo observado pela manhã nas bolsas americanas, que passaram a operar em baixa”, afirmou a equipe da Agrinvest Commodities. 

Assim, o pregão terminou com os principais vencimentos da soja recuando entre 10,50 e 11,25 pontos, com o novembro voltando aos US$ 10,26; o janeiro a US$ 10,45 e o maio a US$ 10,74 por bushel. Foram perdas de mais de 1% que o mercado foi intensificando ao longo do dia. 

“Fizemos progressos em muitas questões muito importantes, incluindo comércio, fentanil, a necessidade de encerrar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a aprovação do acordo do TikTok”, escreveu Trump nas mídias sociais. “A ligação foi muito boa, voltaremos a nos falar por telefone, agradecemos a aprovação do TikTok e ambos esperamos nos encontrar na Apec!”, complementou. 

A agência de notícias estatal da China Xinhua informou que “sobre o TikTok, Xi disse que a posição da China é clara: o governo chinês respeita a vontade das empresas e dá as boas-vindas às empresas para que conduzam negociações comerciais com base nas regras de mercado para chegar a uma solução consistente com as leis e regulamentações chinesas, ao mesmo tempo em que equilibra os interesses”.

E assim, o agronegócio segue às margens da discussão entre as duas maiores economias do mundo, com não só o mercado sentindo a pressão em Chicago, como os produtores rurais norte-americanos vivendo uma calamidade financeira diante da ausência das compras de soja americana pela nação asiática. 

O mercado segue confinado em um intervalo já conhecido de preços diante de notícias que já conhece. No radar estão a conclusão da safra dos EUA, o início da safra do Brasil, a demanda da China e o mandato dos combustíveis norte-americanos, o que deixou o óleo de soja também bastante volátil na CBOT nos últimos dias. Nesta sexta, o derivado terminou o dia com mais de 1% de baixa, contribuindo para as baixas do grão. 

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, os produtores estão dividindo suas atenções entre os trabalhos de campo e de comercialização. A soja disponível segue com volume recorde de exportação, mais de 124 milhões de toneladas já negociadas, enquanto na safra 2025/26 os negócios ainda estão atrasados. 

“A grande questão é que a safra nova está lenta (nas vendas). Temos perto de 19% negociado da safra nacional e o normal seria mais de 27% para esta época, em estados como o Mato Grosso, o normal seria mais de 25% para esta época, e está tudo atrasado. E isso é importante o produtor se posicionar para o produtor não correr o risco e chegar na colheita e ter que vender em cima da colheitadeira, em cima da máquina, e pegar um mercado muito ofertado. E isso não é nada favorável para o produtor”, explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.





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Reportagem sobre retomada de cooperativa vence Prêmio SomosCoop RS



A reportagem especial produzida pela jornalista Eliza Maliszewski e pelo cinegrafista Marcel Oliveira venceu a primeira edição do Prêmio SomosCoop Melhores do Ano RS. O material mostrou a trajetória de superação da Cooperativa Langhiru, que completou 70 anos e retomou o crescimento após enfrentar uma das maiores crises da sua história. A premiação ocorreu na noite desta segunda-feira (13), em Porto Alegre.

Promovido pelo Sistema Ocergs, o prêmio reconhece iniciativas que fortalecem o cooperativismo e valorizam práticas de gestão e inovação no Rio Grande do Sul. Além disso, a conquista ocorre em um momento simbólico: a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a relevância do modelo para o desenvolvimento sustentável.

Para o presidente da Langhiru, Paulo Birck, o reconhecimento por meio do prêmio é um incentivo para seguir avançando. “Merecido reconhecimento e pra nós motivação, porque com certeza vem mais coisa boa pra frente na história da cooperativa”, afirmou.

A história contada na reportagem

Gravada no Vale do Taquari, a reportagem mostrou como produtores de leite e de frango, como Silvani Thies e Nelson Müller, mantêm suas atividades com o apoio da cooperativa. O conteúdo também retratou a fase de reestruturação da Langhiru, que reduziu dívidas, reorganizou a produção e aposta na avicultura e no leite para garantir a sustentabilidade do negócio.

Com 5 mil associados, sendo cerca de 1,4 mil ativos, a cooperativa tem fortalecido o diálogo interno e a participação dos cooperados nas decisões, segundo a atual gestão.

Força do cooperativismo no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul concentra o maior número de cooperados do Brasil, unindo produtores de diferentes portes e regiões. No estado, são 95 cooperativas ligadas ao agronegócio, responsáveis por um faturamento que passou de R$ 22 bilhões em 2015 para quase R$ 50 bilhões em 2023 — um crescimento de 120% na última década.

No mesmo período, surgiram 29 novas cooperativas voltadas ao agro, reforçando a importância do segmento na economia gaúcha.

Orgulho e compromisso

Ao celebrar o prêmio, a repórter Eliza Maliszewski reforçou o papel do jornalismo rural na valorização do cooperativismo.

“Estamos muito honrados. Foi uma oportunidade de mostrar a força das cooperativas do RS e contar a história de uma instituição que superou dificuldades financeiras e a enchente no Vale do Taquari”, disse.

A profissional também destacou o papel do Canal Rural em informar e contar histórias como as do Paulo, da Silvani e do Nelson. “Essa é a nossa missão: estar junto do nosso público, contando histórias que inspiram e fortalecem o setor”, afirmou.



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