segunda-feira, abril 6, 2026

Autor: Redação

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Brasil enfrenta maior crise de crédito rural desde o Plano Real, avalia Farsul



Os recursos disponíveis para o Crédito Rural no Brasil vivem retração inédita desde 1995, segundo levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A queda atinge custeio e investimento, e a entidade alerta que a crise ainda não atingiu seu ápice.

No primeiro trimestre da safra 2025/2026 (julho a setembro), o crédito para custeio caiu 23% em relação ao ciclo anterior. Para investimentos, a retração é de 44%. No Rio Grande do Sul, os números são semelhantes: 25% e 39%, respectivamente. “Não se trata de um problema regional, mas de uma crise nacional, a maior da história”, afirma o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Da Luz destaca que, mesmo com anúncios de “maiores Planos Safra da história”, o volume efetivamente liberado tem caído. “O que vemos agora é uma queda real no crédito disponibilizado, e não apenas uma diferença entre anúncio e realidade”, explica. Segundo ele, a redução de recursos pode impactar produtividade, uso de tecnologia e áreas cultivadas nesta safra.

Inadimplência em patamar recorde

O cenário é agravado pela alta inadimplência. Em julho de 2025, a taxa geral chegou a 5,14%, acima do recorde anterior de 2017, que estava em pouco mais de 3%. No crédito controlado, a inadimplência é de 1,86%, enquanto em taxas de mercado alcança 9,35%. “O efeito dos juros ainda não chegou ao limite. A inadimplência tende a subir antes de começar a cair”, explica da Luz.

O economista aponta que soluções passam por medidas concretas do Governo Federal e recuperação de mecanismos de mitigação, como seguro rural e Proagro, que sofreram retrocessos nos últimos anos.

Alienação fiduciária e segurança do crédito

O aumento da inadimplência também torna o crédito mais escasso, criando um ciclo de restrição financeira. Para se proteger, os bancos têm usado a alienação fiduciária, que exige garantia do bem financiado. “Alertamos os produtores para buscar alternativas, como hipoteca, evitando comprometer excessivamente seu patrimônio”, recomenda Nestor Hein, diretor jurídico da Farsul.

Hein ressalta que a alienação fiduciária não é um problema em si, mas seu uso em grandes operações agrícolas exige cautela. “Não se trata de crítica ao sistema bancário, mas de orientar o produtor sobre os riscos de comprometer bens essenciais de forma rápida e irreversível”, afirma.



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‘Positivo para os dois lados’, diz analista sobre possível revisão de tarifas do café



O diálogo aberto recentemente entre Brasil e Estados Unidos traz a expectativa de uma possível revisão das tarifas do governo de Donald Trump contra o café brasileiro. O tema domina as atenções do mercado nesta semana, uma vez que um acordo entre os dois países teria impacto direto nos preços e na competitividade do produto nacional.

“Estamos falando dos Estados Unidos — o principal comprador de café do mundo, o maior mercado consumidor e o principal cliente individual do café brasileiro”, afirma Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercado. Em média, cerca de 16% do grão exportado pelo Brasil tem como destino o mercado norte-americano.

Neste sentido, o especialista avalia que o interesse de resolver a questão vale para os dois lados, gerando uma expectativa positiva. “Portanto, seria positivo para todos — para a indústria norte-americana e para o exportador brasileiro”, diz.

Volatilidade nos preços

Além disso, um eventual acordo pode mexer ainda mais com os preços em Nova York. Isso porque a indústria norte-americana não tem acesso ao seu principal fornecedor, que é o Brasil, e precisa buscar café em outras origens.

Segundo o especialista, as cotações seriam pressionadas negativamente. “Esse movimento restabeleceria o fluxo normal e tenderia a trazer os preços para baixo, além de ajudar a reduzir o estresse do lado comprador”, detalha.

No mercado nacional de café, os impactos influenciariam os diferenciais de preço, os ágios e deságios, que hoje estão mais largos. Com isso, a bolsa de Nova York tenderia a se acomodar em leve baixa no curto prazo.

Perspectivas

Apesar do otimismo, Barabach lembra que até o momento não houve mudança concreta na postura dos Estados Unidos.

“Existe uma aproximação e uma chance maior de que isso aconteça, mas o mercado segue estressado, especialmente do lado comprador nos Estados Unidos. Enquanto isso, o vendedor brasileiro busca alternativas fora desse mercado”, conclui.

Em meio a essa expectativa, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) se reúne, nesta quarta-feira (22), com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. Segundo a entidade, a revisão das tarifas é essencial para recolocar o Brasil em condições de igualdade com os demais países competidores.



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AgroNewsPolítica & Agro

Aquicultura tem mapeamento aprimorado com vistoria em campo


A aquicultura brasileira está ganhando um retrato mais preciso e abrangente. Quatro equipes da Embrapa Territorial percorreram, entre os dias 6 e 10 de outubro, cerca de 3.483 km nos estados do Acre, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul para confirmar, em campo, a presença de atividade aquícola em pontos previamente identificados por sensoriamento remoto. O objetivo é refinar os dados do mapeamento da aquicultura brasileira em viveiros escavados, cuja cobertura foi ampliada de 513 para 1.442 municípios. 

A ação é apoiada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e permitirá identificar onde se concentram os empreendimentos aquícolas no País, desde produções de pequena até larga escala, subsidiando políticas públicas para o setor. Além da validação dos pontos de produção, as equipes também coletaram dados sobre estrutura produtiva, manejo, regularização do uso da água e principais desafios enfrentados pelos produtores. 

A escolha dos estados levou em conta a diversidade regional da aquicultura no Brasil. Uma equipe foi direcionada para cada região do País, considerando a logística facilitada pela proximidade com unidades da Embrapa que prestaram apoio institucional com empréstimos de veículos para a expedição, chamada de “Rally da Aquicultura”. Os mais de 100 viveiros visitados foram selecionados com base na localização (municípios que integram o G75 estadual, ou seja, aqueles responsáveis por 75% da produção aquícola em cada estado) e nos diferentes graus de certeza da existência de atividade aquícola, abrangendo pontos considerados como confirmados, duvidosos e altamente incertos. 

Cada localidade mostrou cenários bastante distintos e evidenciaram quão complexa é a aquicultura brasileira.

Para a chefe-adjunta de Pesquisa da Embrapa Territorial, Lucíola Magalhães, coordenadora do estudo, os dados confirmados revelam uma atividade altamente heterogênea, que varia não apenas por tipo de tanque ou espécie cultivada, mas também por questões econômicas, climáticas, estruturais e culturais. Há desde pequenos tanques artesanais usados para recreação, autoconsumo e comércio local, até propriedades com infraestrutura sofisticada.

Magalhães ressalta que o mapeamento da aquicultura no Brasil vai além de uma tarefa técnica de reconhecimento territorial via imagens de satélite. “Ao contrário, trata-se de uma jornada profunda de entendimento sobre o País, seus contrastes e as realidades locais que moldam, e, muitas vezes, dificultam a produção aquícola nacional. É um Brasil de múltiplas realidades”, afirmou.

Fernanda de Paula, secretária Nacional de Aquicultura do MPA, considera que o aprimoramento do mapeamento da aquicultura brasileira em viveiros escavados, com a verificação direta em campo, representa um avanço crucial para obter dados mais precisos e confiáveis sobre o setor, suas potencialidades e desafios, permitindo a formulação de políticas públicas mais eficazes e direcionadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento dos produtores.

Minas Gerais

O analista Marcelo Fonseca e o bolsista Lucas Antunes visitaram propriedades em quatro municípios de Minas Gerais: Esmeraldas, Caeté, Funilândia e Jequitibá. Nas localidades percorridas, constataram que a aquicultura ainda está longe de se consolidar como uma atividade econômica estruturada. A grande maioria dos tanques é de pequena escala, voltada ao lazer ou autoconsumo, com uso esporádico ou mesmo completamente abandonada. Mesmo os pontos previamente mapeados como potenciais unidades produtivas estavam, atualmente, desativados.

Segundo o levantamento da Embrapa, os principais fatores que levaram à desativação das unidades foram questões climáticas, insegurança e frustração com o retorno financeiro. Um dos casos mais emblemáticos é o de um produtor que investiu cerca de R$ 10 milhões em uma estrutura completa, com tanques, frigorífico e câmara fria – atualmente, tudo está paralisado. Ele apontou a falta de apoio institucional e de mão de obra qualificada como principais entraves. 

Outro produtor relatou ter abandonado os tanques após furtos de peixes. A ausência de assistência técnica contínua também foi mencionada por diversos produtores como um fator determinante para a desistência da atividade.

A equipe da Embrapa também encontrou situações inusitadas, como um tanque construído para batismo religioso e propriedades de lazer com estruturas sofisticadas, incluindo chalés e capela, mas cujos tanques atualmente são utilizados apenas para recreação ou para a dessedentação animal. 

Nordeste  

Em Alagoas e Sergipe, o cenário foi positivo, com aquicultura tecnicamente organizada, com forte integração ao mercado. Lucíola Magalhães e o bolsista José Galdino percorreram 656 km para visitar 27 áreas aquícolas, onde a atividade foi confirmada em quase todos os pontos. A  maioria dos tanques estava ativa e voltada para a produção de peixes, como tilápia, tambaqui e xira (curimatã-pacu), além de camarão.

Nas regiões visitadas, houve contrastes. No entorno de Arapiraca predominava a produção de camarão de água salgada, o vanammei (Litopenaeus vannamei). Já na região de Propriá e margens do São Francisco, a produção em tanques escavados era mais diversificada, combinando camarão vanammei, peixes e arroz e, em uma única propriedade, camarão da Malásia – uma espécie de água doce e com boa aceitação no mercado de Sergipe, segundo o produtor. Na região de Pacatuba e Brejo Grande, a equipe encontrou produção de peixe, camarão e arroz, em tanques escavados, e peixes em lagoas naturais voltadas ao autoconsumo ou comércio local. 

A presença integrada de arroz e camarão chamou a atenção da equipe. “Foi interessante entender que os tanques escavados para a produção de camarão também são usados para produção de arroz, especialmente na época das chuvas, quando a salinidade das águas diminui. Alguns produtores decidem fazer esse uso alternativo do tanque aproveitando, também, as oportunidades de mercado. Isso nos dá uma nova visão da região e que tem impacto no método de classificação das imagens, permitindo melhorias no processo de identificação desse uso múltiplo da infraestrutura”, destacou Magalhães. 

A comercialização também se mostrou bem estruturada, com escoamento para o Ceasa de Maceió, mercados em Sergipe e outros centros urbanos da região. A maioria dos produtores relatou boa condução da atividade, sem grandes dificuldades. Os que enfrentam entraves destacaram questões como acesso ao crédito rural, assistência técnica e licenciamento ambiental. Também foram relatadas dificuldades pontuais na comercialização, acesso à água (dependência da chuva ou desativação de um dos ramais dos canais de irrigação do São Francisco), falta de energia elétrica e estradas.

Apoio Institucional

Magalhães também destaca a parceria com o IBGE para o sucesso do Rally da Aquicultura. As instituições são parceiras na geração de dados sobre a atividade para apoiar os trabalhos do próximo censo agropecuário. A troca de dados e informações permitiu uma primeira validação em gabinete dos dados, o que foi útil na seleção das áreas a serem visitadas em campo.   Além disso, as equipes contaram com o apoio da Embrapa Alimentos e Territórios, Embrapa Acre, Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Trigo, que forneceram carros para a expedição.

Mapeamento da Aquicultura

A primeira versão do levantamento identificou baterias de viveiros nos municípios que respondiam por, aproximadamente, 75% da produção de cada estado do País. A área de estudo abrangeu 930 mil km2 em 513 municípios. Esse grupo correspondia aos municípios responsáveis por 75% da produção em cada estado (G75) em 2016 de acordo com os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agora, com apoio do MPA, a Embrapa Territorial está atualizando e ampliando o mapeamento. A área total e o número de municípios mapeados mais do que dobrou: passou para 2,2 milhões de km2 investigados em 1.096 municípios. Estes foram selecionados a partir de três critérios: municípios do G75 de cada estado em 2022; os que estavam no G75 em 2016; e o G75 estadual das lâminas d’água destinadas para aquicultura, conforme o Censo Agropecuário de 2017. A equipe também mapeou todos os municípios da Zona Costeira do Brasil, adicionando ao trabalho novos 346 municípios em uma área adicional investigada de 337.051 km².





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Lula busca ampliar comércio do Brasil com países do Sudeste Asiático



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (21) para o Sudeste Asiático, onde visitará Indonésia e Malásia. A viagem tem foco político e comercial, com o objetivo de ampliar as exportações brasileiras e fortalecer a presença do país na região.

Durante a semana, Lula participará da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e do Encontro de Líderes do Leste Asiático, além de reuniões bilaterais com chefes de Estado. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 28.

Oportunidades para o Brasil

A Asean é formada por 11 países, entre eles Indonésia, Malásia, Vietnã e Filipinas, e reúne uma população de mais de 680 milhões de habitantes. Segundo o Itamaraty, se fosse uma única economia, o bloco seria o quarto maior PIB do mundo, estimado em cerca de US$ 4 trilhões.

De acordo com o embaixador Everton Frask Lucero, diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste Asiático do Itamaraty, “a presença de Lula é inédita e sinaliza um novo patamar de diálogo com a região”. Em 2024, o comércio do Brasil com os países da Asean somou mais de US$ 37 bilhões, com superávit de US$ 15,5 bilhões para o lado brasileiro.

Parceria estratégica com Indonésia e Malásia

A primeira parada da comitiva será em Jacarta, capital da Indonésia. Lula será recebido pelo presidente Prabowo Subianto para reuniões sobre energia renovável, segurança alimentar e cooperação agrícola. Também está previsto um fórum empresarial com cerca de 100 empresários brasileiros.

Na sexta-feira (24), o presidente se reunirá com o secretário-geral da Asean, e no sábado (25) segue para Kuala Lumpur, na Malásia. No país, deve assinar acordos nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia, além de receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia.

Encontros e diplomacia regional

Lula participará da 47ª Cúpula da Asean e da 20ª Cúpula do Leste Asiático, que reúnem líderes de 18 países, incluindo China, Índia, Japão e Estados Unidos. O único encontro confirmado até agora é com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Há expectativa de uma conversa com o presidente norte-americano Donald Trump, em meio às negociações para reduzir as tarifas impostas por Washington ao Brasil. A viagem marca a tentativa do governo de abrir novos mercados e reforçar a presença brasileira em uma das regiões mais dinâmicas da economia mundial.



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Exploração da Margem Equatorial é chave para soberania energética brasileira


A decisão do Ibama de liberar a Petrobras para iniciar a perfuração de poços exploratórios na Margem Equatorial reacendeu um dos debates mais sensíveis do país, o equilíbrio entre preservação ambiental e soberania energética.

O ponto de exploração, localizado a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 180 quilômetros da costa continental, está em mar aberto, longe da região de maior biodiversidade da Amazônia, o que desmonta a narrativa simplista de que o poço ficaria “na boca do rio”.

Mesmo assim, o anúncio ocorre num momento politicamente delicado: às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, quando o mundo espera do Brasil exemplos concretos de compromisso climático. É justamente essa coincidência que transformou uma decisão técnica em símbolo geopolítico.

Passo estratégico para o futuro energético do Brasil

O governo argumenta, com razão, que a exploração da Margem Equatorial é essencial para o futuro energético do país. O petróleo do pré-sal, apesar de abundante, não é infinito. Em 5 anos, a curva de produção começará a declinar, e o Brasil precisa planejar sua próxima fronteira de produção antes que a dependência volte a crescer.

A independência energética sempre foi um dos pilares da soberania nacional. Ela sustenta o abastecimento interno, reduz vulnerabilidades externas e garante competitividade para setores intensivos em energia, do transporte de cargas ao agronegócio.

É preciso lembrar que o petróleo financia a transição energética. Sem receitas provenientes da exploração, não há base fiscal nem tecnológica para acelerar o investimento em fontes renováveis. O erro seria abandonar o petróleo antes que as novas matrizes estejam maduras.

Defender a exploração da Margem Equatorial não é negar a agenda ambiental. É reconhecer que a transição energética precisa de uma ponte sólida, e essa ponte ainda é feita de petróleo. Cada barril explorado sob regras ambientais rígidas e com tecnologia de ponta pode ser convertido em recursos para financiar biocombustíveis, etanol de milho, energia solar e eólica, setores onde o Brasil tem enorme potencial de liderança.

Conciliar produção responsável com metas ambientais

A Petrobras, que hoje é referência mundial em exploração em águas profundas, demonstra que o país domina tecnologia suficiente para operar com baixo risco de vazamento e alto padrão de monitoramento ambiental. O próprio Ibama reconheceu o avanço do Plano de Proteção à Fauna (PPAF) apresentado pela estatal, que prevê acompanhamento e mitigação de impactos em tempo real.

Além da questão energética, a Margem Equatorial pode representar um divisor de águas para o Norte do país. A 500 km da foz do Amazonas, o Brasil defende sua autonomia e prepara o futuro da matriz limpa. Vários estados da região norte  podem receber investimentos bilionários em infraestrutura, logística e capacitação, somando-se à arrecadação de royalties e à criação de milhares de empregos diretos e indiretos.

Esses recursos, se bem aplicados, têm potencial de transformar a economia regional, integrando o Norte ao mapa de desenvolvimento nacional sem depender exclusivamente da exploração madeireira ou da mineração irregular.

A crítica internacional de que o Brasil estaria sendo incoerente ao autorizar a exploração pouco antes da COP30 ignora um ponto central: a soberania energética é parte da sustentabilidade. Um país que garante sua própria energia evita importar combustíveis fósseis de outros países, o que também reduz emissões globais associadas ao transporte marítimo.

O verdadeiro desafio não é parar de produzir petróleo, mas produzir melhor, com transparência e responsabilidade, enquanto avança na descarbonização das cadeias produtivas. Se o Brasil for coerente, mostrará ao mundo que preservação e produção podem coexistir, desde que haja rigor técnico, fiscalização e compromisso real com a transição.

A exploração da Margem Equatorial não é um retrocesso ambiental, mas um passo estratégico para a autonomia do Brasil. É preciso enxergar além da polarização: ou se acredita que o país deve ser dono do seu destino energético, ou se aceita a dependência externa e o enfraquecimento econômico.

O petróleo da Margem Equatorial pode ser o combustível que alimentará o futuro, não contra a transição verde, mas a favor dela, financiando a energia limpa, a ciência e a soberania.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Guilherme Boulos é confirmado em cargo do governo



O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi confirmado como novo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. O convite foi feito nesta segunda-feira (20) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião no Palácio do Planalto. Boulos substituirá Márcio Macêdo, que estava no cargo desde o início do atual governo, em janeiro de 2023.

A reunião contou com a presença dos ministros Gleisi Hoffmann, Rui Costa e Sidônio Palmeira, além do próprio Macêdo, que deixa o posto.

Nova função no governo federal

A Secretaria-Geral da Presidência é responsável pela articulação do governo com movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Boulos terá como principal desafio manter o diálogo entre o Planalto e diferentes setores sociais, papel considerado estratégico na relação política do governo.

Com 43 anos, o deputado é uma das principais lideranças do PSOL e tem trajetória marcada pela atuação em causas urbanas e movimentos de moradia. Ele destacou que pretende “aprofundar o diálogo entre governo e sociedade”, segundo fontes próximas à nova equipe ministerial.

Trajetória política e formação

Nascido em São Paulo, Boulos iniciou sua militância ainda no ensino médio, quando fundou um grêmio estudantil e participou de movimentos de alfabetização popular. É formado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em psicologia clínica pela PUC-SP e mestrado em psiquiatria pela USP.

Aos 19 anos, passou a integrar o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do qual se tornou uma das principais lideranças nacionais. Filiado ao PSOL, foi candidato à Presidência da República em 2018 e disputou duas vezes a Prefeitura de São Paulo, em 2020 e 2024. Em 2022, elegeu-se deputado federal com mais de um milhão de votos.



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Negociações entre EUA e China impactam mercados globais; ouça o podcast


No morning call desta terça-feira (21), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que os mercados globais seguem otimistas após avanços nas negociações entre EUA e China. As Bolsas de NY subiram mais de 1%, o ouro avançou e o dólar se valorizou globalmente.

No Brasil, o real se fortaleceu e o dólar caiu para R$ 5,37, com juros futuros e o Ibovespa em alta a 144,5 mil pontos. Hoje, a agenda econômica está esvaziada e o mercado deve reagir a notícias pontuais.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Boi China mantém preço após alta anterior



Preço das fêmeas sobe no mercado do boi em SP



Foto: Canva

De acordo com a análise divulgada nesta segunda-feira (20) pelo informativo “Scot Consultoria”, a semana começou com elevação nos preços das fêmeas no mercado do boi gordo em São Paulo. Parte dos frigoríficos ficou fora das compras, e os que participaram do mercado ofereceram valores mais altos para vacas e novilhas.

A escala de abate foi estimada em média para nove dias. A cotação do boi gordo permaneceu estável, enquanto a da vaca subiu R$ 3,00 por arroba e a da novilha aumentou R$ 2,00 por arroba. Já o “boi China” manteve o preço após a alta registrada no fechamento da semana anterior.

Na região Sudeste de Rondônia, o mercado permaneceu aquecido, com aumento nas cotações, exceto para a novilha, que ficou estável. O preço do boi gordo subiu R$ 2,00 por arroba e o da vaca teve alta de R$ 3,00 por arroba. A arroba do “boi China” registrou elevação de R$ 1,00.

No atacado da carne com osso, após recuperação nas vendas no início de outubro, a demanda no varejo perdeu intensidade com o avanço do mês. Com a redução dos pedidos, algumas categorias mantiveram os preços, como a carcaça casada do boi capão, que ficou estável. A carcaça casada do boi inteiro teve alta de 0,5% (R$ 0,10/kg), enquanto entre as fêmeas a alta foi de 1,3% (R$ 0,25/kg).

No mercado de carnes alternativas, a cotação do frango médio caiu 3,2% (R$ 0,25/kg), e a do suíno especial recuou 0,8% (R$ 0,10/kg).





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Produtores mineiros aumentam produção de leite em 700%


No Vale do Mucuri, em Minas Gerais, pequenos pecuaristas estão celebrando um avanço histórico na produção de leite. Em apenas cinco anos, a produtividade saltou de 70 para 500 litros por dia, o que representa um crescimento de 700%. O resultado é fruto do Sebraetec FIV, programa do Sebrae Minas que oferece acesso à Fertilização In Vitro (FIV) a custos reduzidos.

Atualmente, os produtores arcam com apenas 30% do valor da tecnologia, enquanto o Sebrae/MG cobre os 70% restantes. Com isso, a técnica permite acelerar o melhoramento genético do rebanho, garantindo animais mais produtivos e adaptados. Além disso, o programa oferece consultorias contínuas que orientam os produtores em alimentação e manejo adequado.

Segundo Gabrielly Dayrell, analista do Sebrae/MG, o sucesso é resultado da união entre instituições e produtores.

“No início, vendíamos uma tecnologia cara e pouco conhecida no Brasil, pouco palpável para os produtores. Felizmente, eles confiaram na proposta, aderiram a ela e, agora, temos bons números para apresentar”, destaca Dayrell.

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Superação e resultados

O programa começou em 2020 e já atende cerca de 150 produtores. Luiz Alberto Gonçalves da Cruz, presidente do Sindicato Rural de Machacalis, conta que a iniciativa foi decisiva.

“A chegada de um e-mail informando sobre o programa foi uma tábua de salvação”, afirma Gonçalves da Cruz, relembrando que a região clamava por socorro e a proposta de transferência de embrião trouxe esperança.

Com a técnica, o Vale do Mucuri atingiu índices de prenhez acima da média nacional, chegando a 84,7%.

O Sítio Irmãos Ribeiro, no município de Bertópolis, participa do Sebraetec FIV desde 2022. Elias Joaquim Ribeiro Filho herdou a propriedade do pai em 2010, mas só depois de ter acesso ao programa do Sebrae Minas o produtor passou a vislumbrar uma oportunidade real de crescimento do negócio.

“No primeiro ano, alcancei um aproveitamento de 50% dos embriões. Já em 2024, consegui a proeza de 100% no índice de prenhez do rebanho”, conta.

Esses resultados mostram que investir em genética melhora a produtividade, garante renda e fortalece a sucessão familiar rural.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Clima favorece florada e produção de citros


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar, as condições climáticas registradas nas principais regiões produtoras favoreceram o desenvolvimento das lavouras e a realização de tratos culturais nos pomares de citros no estado.

Na região administrativa de Caxias do Sul, as chuvas e as temperaturas amenas permitiram a aplicação de Fungicidas na floração e de produtos de rotina para manutenção da sanidade das plantas, além do monitoramento para controle da mosca-das-frutas. A floração intensa indica boas perspectivas de produção. A colheita está concentrada nas variedades de laranja Monte Parnaso e Valência, e alguns produtores optam por estender a colheita até novembro ou armazenar a fruta para buscar melhores preços. A laranja de mesa (Umbigo) varia entre R$ 2,00 e R$ 2,70/kg, enquanto a destinada à indústria é comercializada a R$ 0,65/kg. A bergamota Montenegrina também segue em colheita, com oferta elevada e preço de R$ 40,00 por caixa de 22 kg em Cotiporã.

Em Passo Fundo, os trabalhos de implantação de novos pomares estão sendo finalizados, e a colheita de laranja segue em andamento. O preço pago pelas indústrias varia de R$ 0,60 a R$ 0,70/kg. No Vale do Caí, região de Lajeado, a colheita da bergamota Montenegrina chega a 95% da safra. O valor da caixa de 25 kg varia conforme a qualidade da fruta, partindo de R$ 30,00 e podendo alcançar R$ 75,00.

A colheita da bergamota Murcott também avança, com 55% da safra colhida em Pareci Novo e 90% em Harmonia. Os preços variam de R$ 60,00 a R$ 85,00 por caixa de 25 kg, conforme a qualidade e o local. A laranja Valência, variedade mais cultivada na região, tem colheita avançada em Bom Princípio e São José do Hortêncio, com preços entre R$ 20,00 e R$ 40,00 para fruta de mesa e entre R$ 10,00 e R$ 15,00 para produto destinado à indústria.

A laranja de umbigo Monte Parnaso tem 60% da colheita concluída em São José do Hortêncio, com preços entre R$ 50,00 e R$ 60,00 por caixa de 25 kg. Já a lima ácida Tahiti mantém preços elevados devido à baixa oferta, variando entre R$ 85,00 e R$ 110,00 por caixa de 25 kg nas principais localidades produtoras, como Bom Princípio, Harmonia e São Sebastião do Caí.

A floração intensa, aliada às condições ambientais favoráveis, indica expectativa de uma próxima safra com bom pegamento de frutos. Os citricultores seguem realizando tratamentos fitossanitários para controle de podridão floral, conhecida como estrelinha.





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