segunda-feira, abril 6, 2026

Autor: Redação

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Indicador do etanol hidratado volta a subir



O preço do etanol hidratado voltou a subir no estado de São Paulo após seis semanas em queda. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, além do aquecimento da demanda, com a participação de distribuidoras independentes e de maiores portes, a oferta esteve limitada, seja pelas chuvas, que paralisaram as atividades agrícolas e industriais, seja pela retração de vendedores, atentos aos estoques de produto nos tanques e apostando em valores mais altos.

Pesquisadores explicam, ainda, que outro fator que começa a dar mais suporte aos preços é a proximidade do fim da safra 2025/26 na região Centro-Sul.

Nesse cenário, entre 13 e 17 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,7365/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), aumento de 0,77% em relação ao período anterior. Para o anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ caiu leve 0,15%, a R$ 3,1079/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Girolando elege novo presidente para o triênio 2026/28



O criador mineiro Alexandre Lopes Lacerda foi eleito presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando para o triênio 2026/2028. A eleição ocorreu na última sexta-feira (17), na sede da entidade, em Uberaba (MG), com chapa única e participação de associados de diferentes estados. A nova diretoria assume em janeiro do ano que vem.

Continuidade e fortalecimento da raça

Lacerda sucede Domício Arruda, que permanece no comando até dezembro. O atual presidente destacou o avanço da raça Girolando nos últimos anos, consolidada como principal base do leite brasileiro. “Hoje, o Girolando responde por cerca de 80% da produção nacional e vem ampliando presença na América Latina. O novo time dará sequência ao trabalho de expansão e valorização da raça”, afirmou Arruda.

O novo presidente atua há duas décadas na pecuária leiteira, com foco em genética e produção de leite na Fazenda Miraí, na Serra do Cipó (MG). Segundo ele, a prioridade da gestão será tornar a associação mais próxima dos criadores e ampliar o acesso de pequenos produtores às tecnologias de melhoramento genético.

“Queremos fortalecer o Programa de Fomento da Raça Girolando, para que mais produtores possam aumentar a rentabilidade do rebanho”, destacou Lacerda.

Novas metas e foco nos associados

Entre as metas da nova diretoria estão ampliar o número de associados, apoiar eventos regionais e estimular a participação dos criadores na Megaleite — uma das principais feiras do setor leiteiro. Lacerda também pretende reforçar o Programa de Melhoramento Genético da raça, que contribui para o aumento da produtividade e da qualidade do leite.

Além de produtor rural, Lacerda é contador, advogado tributarista e diretor de um escritório jurídico em Belo Horizonte. A diretoria eleita conta ainda com José Renato Chiari como vice-presidente e outros nove diretores responsáveis por áreas administrativas, financeiras, técnicas e institucionais.

A Associação

Criada em 1978, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando reúne produtores de todo o país e administra o Serviço de Registro Genealógico e de Melhoramento Genético da raça. Com mais de 2,3 milhões de registros, é a maior base de dados entre as associações de raças leiteiras no Brasil. A entidade também foi pioneira na adoção da genômica em programas de melhoramento genético bovino nacional.



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AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas afetam trigo e girassol argentinos



Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados


Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados
Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados – Foto: Divulgação

O plantio de milho na Argentina segue em ritmo acelerado, com 25,6% da área nacional já semeada, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA). A entidade destaca que esse percentual representa um avanço de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, configurando o segundo maior progresso das últimas dez safras. 

As províncias de Entre Ríos e o Centro-Norte de Santa Fe se destacam pelo cumprimento dos planos de semeadura antecipada, enquanto regiões do norte de Buenos Aires e sul de Santa Fe, antes afetadas por excesso de chuvas, registram melhora no ritmo das operações. Já o centro e o oeste de Buenos Aires ainda enfrentam dificuldades, e parte das áreas pode ser redirecionada para o plantio tardio caso a semeadura não avance até meados de outubro.

Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados, após avanço semanal de 2,7 pontos percentuais. As chuvas no sul do país seguem dificultando o acesso aos campos e atrasando o calendário de plantio, enquanto as regiões centrais e do norte mantêm desempenho bem acima da média dos últimos cinco anos. Do total já semeado, 77,3% das lavouras estão em condição hídrica adequada ou ótima, e 100% apresentam estado vegetativo de normal a excelente.

No caso do trigo, embora 96,4% das lavouras estejam em condição normal a excelente, a alta umidade elevou em 6 pontos percentuais a área com excesso hídrico. O cenário tem favorecido o surgimento de pragas como chinches e orugas, além de doenças fúngicas, principalmente no sul do país. Mesmo assim, cerca de 90,7% das plantações já superaram o estágio de encanamento e avançam para floração e enchimento de grãos. Se o clima se mantiver estável, a safra argentina poderá alcançar bom potencial produtivo.





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Raízen abre mais de 400 vagas para aprendizes em todo o país



A Raízen está com inscrições abertas para o Programa de Aprendiz 2025/2026, que oferece mais de 400 vagas em diferentes regiões do Brasil. As oportunidades contemplam áreas administrativas, técnicas e operacionais e estão disponíveis nos escritórios, bases e usinas da companhia.

As inscrições devem ser realizadas até 30 de novembro de 2025 por meio do site oficial do programa.

Quem pode se inscrever

Podem participar jovens entre 16 e 21 anos e 11 meses, que estejam cursando ou já tenham concluído o Ensino Médio ou Técnico.

Para as vagas vinculadas ao Senai, é necessário realizar matrícula após aprovação. Não é exigida experiência profissional anterior.

Benefícios oferecidos

Os aprendizes selecionados terão direito a uma série de benefícios, incluindo:

  • Auxílio-transporte ou fretado
  • Plano de saúde e odontológico
  • Bônus Programa de Participação nos Resultados (PPR)
  • Cesta básica ou vale-alimentação
  • Trilha de desenvolvimento profissional

Cidades com vagas disponíveis

As oportunidades estão distribuídas por 30 cidades:

Andradina (SP), Araçatuba (SP), Araraquara (SP), Barra Bonita (SP), Bento de Abreu (SP), Bocaina (SP), Brasília (DF), Caarapó (MS), Colômbia (SP), Elias Fausto (SP), Guariba (SP), Guarulhos (SP), Ibaté (SP), Igarapava (SP), Ilha do Governador (RJ), Jataí (GO), Jaú (SP), Lagoa da Prata (MG), Maracaí (SP), Mirandópolis (SP), Morro Agudo (SP), Ourinhos (SP), Paraguaçu (SP), Paulínia (SP), Piracicaba (SP), Rafard (SP), Recife (PE), São Paulo (SP), Tarumã (SP) e Valparaíso (SP).

Áreas de atuação

O programa é dividido em duas trilhas principais:

Aprendiz administrativo:
Atividades de apoio em tarefas administrativas, controle de documentos e planilhas, organização de agendas e e-mails, elaboração de relatórios e suporte em rotinas de SSMA (saúde, segurança e meio ambiente).

Aprendiz técnico e operacional:
Apoio na execução de manutenções, identificação de falhas, troca de peças, calibrações e cumprimento das normas de SSMA, além de participação em planos de manutenção e organização do ambiente de trabalho.

Os candidatos que preencherem os requisitos passarão por testes online, dinâmicas em grupo e entrevistas com lideranças da Raízen.



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Mariangela Hungria receberá o “Nobel da Agricultura” nos EUA



A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, será homenageada nesta quarta-feira (23) com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize – WFP), conhecido como o “Nobel da Agricultura”. A cerimônia acontece às 21h (horário de Brasília), no Capitólio de Iowa, em Des Moines (EUA), e poderá ser acompanhada pelo site da Fundação WFP. O prêmio reconhece o impacto das pesquisas da cientista brasileira no desenvolvimento de insumos biológicos e na promoção de uma agricultura mais sustentável.

“Recebo este prêmio com enorme emoção, mas ele também pertence a todos que contribuíram com essa trajetória: colegas, alunos e à própria Embrapa, que acreditou por quatro décadas nas pesquisas com biológicos”, afirma Mariangela. “Hoje, o Brasil é líder mundial no uso de bioinsumos na agricultura”, reforça

Ciência e sustentabilidade

Com mais de 40 anos de pesquisa em microbiologia do solo, Mariangela é responsável por mais de 30 tecnologias voltadas à substituição de fertilizantes químicos por microrganismos que fixam nitrogênio, produzem fitormônios e solubilizam nutrientes. Um dos destaques de sua carreira é a coinoculação da soja, que combina bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e promotoras de crescimento (Azospirillum brasilense).

A tecnologia já é adotada em cerca de 35% da área cultivada de soja e gerou, apenas em 2024, economia de US$ 25 bilhões e redução de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes. Mariangela também lidera estudos aplicados a feijão, milho, trigo e pastagens, ampliando o uso de bioinsumos e reduzindo custos e emissões na agricultura brasileira.

Reconhecimento internacional

“É uma honra ter uma pesquisadora como Mariangela na equipe da Embrapa Soja. Sua trajetória coloca o Brasil como referência mundial em sustentabilidade agrícola”, destaca Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.

“Ver uma mulher pesquisadora reconhecida com o Prêmio Mundial da Alimentação é motivo de orgulho e inspiração. O trabalho da Mariangela reforça o papel da ciência brasileira na construção de uma agricultura mais sustentável”, completa Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

Trajetória e legado da pesquisadora da Embrapa Soja

Nascida em São Paulo em 1958, Mariangela Hungria iniciou sua carreira na Embrapa em 1982 e hoje atua na Embrapa Soja, em Londrina (PR). Doutora em Ciência do Solo, ela acumula mais de 500 publicações científicas e já orientou mais de 200 alunos.

A pesquisadora é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências, além de figurar desde 2020 entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo a Universidade de Stanford (EUA).

Entre os reconhecimentos recentes estão o Prêmio Mulheres e Ciência 2025 (CNPq) e o título de primeira colocada brasileira em Fitotecnia e Microbiologia, segundo o ranking Research.com.

“Sempre acreditei na vida no solo e em uma agricultura altamente produtiva que não prejudica o meio ambiente. Essa coerência me trouxe credibilidade científica e fortes conexões com o setor agrícola”, conclui a pesquisadora.

Sobre o prêmio

A Fundação World Food Prize, responsável pelo Prêmio Mundial da Alimentação (WFP), foi criada pelo agrônomo e biólogo Norman E. Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970 e reconhecido como o “pai da Revolução Verde”. Instituído em 1986 com o apoio da General Foods Corporation, o WFP é concedido anualmente a personalidades que contribuem para o avanço da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo.

Três brasileiros já foram contemplados com o prêmio. Em 2006, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli dividiram a honraria com o americano A. Colin McClung, pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento agrícola do Cerrado. Já em 2011, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o prêmio ao lado de John Kufuor, de Gana, em reconhecimento às políticas de combate à fome implementadas durante seus mandatos.



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Brasil enfrenta maior crise de crédito rural desde o Plano Real, avalia Farsul



Os recursos disponíveis para o Crédito Rural no Brasil vivem retração inédita desde 1995, segundo levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A queda atinge custeio e investimento, e a entidade alerta que a crise ainda não atingiu seu ápice.

No primeiro trimestre da safra 2025/2026 (julho a setembro), o crédito para custeio caiu 23% em relação ao ciclo anterior. Para investimentos, a retração é de 44%. No Rio Grande do Sul, os números são semelhantes: 25% e 39%, respectivamente. “Não se trata de um problema regional, mas de uma crise nacional, a maior da história”, afirma o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Da Luz destaca que, mesmo com anúncios de “maiores Planos Safra da história”, o volume efetivamente liberado tem caído. “O que vemos agora é uma queda real no crédito disponibilizado, e não apenas uma diferença entre anúncio e realidade”, explica. Segundo ele, a redução de recursos pode impactar produtividade, uso de tecnologia e áreas cultivadas nesta safra.

Inadimplência em patamar recorde

O cenário é agravado pela alta inadimplência. Em julho de 2025, a taxa geral chegou a 5,14%, acima do recorde anterior de 2017, que estava em pouco mais de 3%. No crédito controlado, a inadimplência é de 1,86%, enquanto em taxas de mercado alcança 9,35%. “O efeito dos juros ainda não chegou ao limite. A inadimplência tende a subir antes de começar a cair”, explica da Luz.

O economista aponta que soluções passam por medidas concretas do Governo Federal e recuperação de mecanismos de mitigação, como seguro rural e Proagro, que sofreram retrocessos nos últimos anos.

Alienação fiduciária e segurança do crédito

O aumento da inadimplência também torna o crédito mais escasso, criando um ciclo de restrição financeira. Para se proteger, os bancos têm usado a alienação fiduciária, que exige garantia do bem financiado. “Alertamos os produtores para buscar alternativas, como hipoteca, evitando comprometer excessivamente seu patrimônio”, recomenda Nestor Hein, diretor jurídico da Farsul.

Hein ressalta que a alienação fiduciária não é um problema em si, mas seu uso em grandes operações agrícolas exige cautela. “Não se trata de crítica ao sistema bancário, mas de orientar o produtor sobre os riscos de comprometer bens essenciais de forma rápida e irreversível”, afirma.



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‘Positivo para os dois lados’, diz analista sobre possível revisão de tarifas do café



O diálogo aberto recentemente entre Brasil e Estados Unidos traz a expectativa de uma possível revisão das tarifas do governo de Donald Trump contra o café brasileiro. O tema domina as atenções do mercado nesta semana, uma vez que um acordo entre os dois países teria impacto direto nos preços e na competitividade do produto nacional.

“Estamos falando dos Estados Unidos — o principal comprador de café do mundo, o maior mercado consumidor e o principal cliente individual do café brasileiro”, afirma Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercado. Em média, cerca de 16% do grão exportado pelo Brasil tem como destino o mercado norte-americano.

Neste sentido, o especialista avalia que o interesse de resolver a questão vale para os dois lados, gerando uma expectativa positiva. “Portanto, seria positivo para todos — para a indústria norte-americana e para o exportador brasileiro”, diz.

Volatilidade nos preços

Além disso, um eventual acordo pode mexer ainda mais com os preços em Nova York. Isso porque a indústria norte-americana não tem acesso ao seu principal fornecedor, que é o Brasil, e precisa buscar café em outras origens.

Segundo o especialista, as cotações seriam pressionadas negativamente. “Esse movimento restabeleceria o fluxo normal e tenderia a trazer os preços para baixo, além de ajudar a reduzir o estresse do lado comprador”, detalha.

No mercado nacional de café, os impactos influenciariam os diferenciais de preço, os ágios e deságios, que hoje estão mais largos. Com isso, a bolsa de Nova York tenderia a se acomodar em leve baixa no curto prazo.

Perspectivas

Apesar do otimismo, Barabach lembra que até o momento não houve mudança concreta na postura dos Estados Unidos.

“Existe uma aproximação e uma chance maior de que isso aconteça, mas o mercado segue estressado, especialmente do lado comprador nos Estados Unidos. Enquanto isso, o vendedor brasileiro busca alternativas fora desse mercado”, conclui.

Em meio a essa expectativa, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) se reúne, nesta quarta-feira (22), com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. Segundo a entidade, a revisão das tarifas é essencial para recolocar o Brasil em condições de igualdade com os demais países competidores.



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AgroNewsPolítica & Agro

Aquicultura tem mapeamento aprimorado com vistoria em campo


A aquicultura brasileira está ganhando um retrato mais preciso e abrangente. Quatro equipes da Embrapa Territorial percorreram, entre os dias 6 e 10 de outubro, cerca de 3.483 km nos estados do Acre, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul para confirmar, em campo, a presença de atividade aquícola em pontos previamente identificados por sensoriamento remoto. O objetivo é refinar os dados do mapeamento da aquicultura brasileira em viveiros escavados, cuja cobertura foi ampliada de 513 para 1.442 municípios. 

A ação é apoiada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e permitirá identificar onde se concentram os empreendimentos aquícolas no País, desde produções de pequena até larga escala, subsidiando políticas públicas para o setor. Além da validação dos pontos de produção, as equipes também coletaram dados sobre estrutura produtiva, manejo, regularização do uso da água e principais desafios enfrentados pelos produtores. 

A escolha dos estados levou em conta a diversidade regional da aquicultura no Brasil. Uma equipe foi direcionada para cada região do País, considerando a logística facilitada pela proximidade com unidades da Embrapa que prestaram apoio institucional com empréstimos de veículos para a expedição, chamada de “Rally da Aquicultura”. Os mais de 100 viveiros visitados foram selecionados com base na localização (municípios que integram o G75 estadual, ou seja, aqueles responsáveis por 75% da produção aquícola em cada estado) e nos diferentes graus de certeza da existência de atividade aquícola, abrangendo pontos considerados como confirmados, duvidosos e altamente incertos. 

Cada localidade mostrou cenários bastante distintos e evidenciaram quão complexa é a aquicultura brasileira.

Para a chefe-adjunta de Pesquisa da Embrapa Territorial, Lucíola Magalhães, coordenadora do estudo, os dados confirmados revelam uma atividade altamente heterogênea, que varia não apenas por tipo de tanque ou espécie cultivada, mas também por questões econômicas, climáticas, estruturais e culturais. Há desde pequenos tanques artesanais usados para recreação, autoconsumo e comércio local, até propriedades com infraestrutura sofisticada.

Magalhães ressalta que o mapeamento da aquicultura no Brasil vai além de uma tarefa técnica de reconhecimento territorial via imagens de satélite. “Ao contrário, trata-se de uma jornada profunda de entendimento sobre o País, seus contrastes e as realidades locais que moldam, e, muitas vezes, dificultam a produção aquícola nacional. É um Brasil de múltiplas realidades”, afirmou.

Fernanda de Paula, secretária Nacional de Aquicultura do MPA, considera que o aprimoramento do mapeamento da aquicultura brasileira em viveiros escavados, com a verificação direta em campo, representa um avanço crucial para obter dados mais precisos e confiáveis sobre o setor, suas potencialidades e desafios, permitindo a formulação de políticas públicas mais eficazes e direcionadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento dos produtores.

Minas Gerais

O analista Marcelo Fonseca e o bolsista Lucas Antunes visitaram propriedades em quatro municípios de Minas Gerais: Esmeraldas, Caeté, Funilândia e Jequitibá. Nas localidades percorridas, constataram que a aquicultura ainda está longe de se consolidar como uma atividade econômica estruturada. A grande maioria dos tanques é de pequena escala, voltada ao lazer ou autoconsumo, com uso esporádico ou mesmo completamente abandonada. Mesmo os pontos previamente mapeados como potenciais unidades produtivas estavam, atualmente, desativados.

Segundo o levantamento da Embrapa, os principais fatores que levaram à desativação das unidades foram questões climáticas, insegurança e frustração com o retorno financeiro. Um dos casos mais emblemáticos é o de um produtor que investiu cerca de R$ 10 milhões em uma estrutura completa, com tanques, frigorífico e câmara fria – atualmente, tudo está paralisado. Ele apontou a falta de apoio institucional e de mão de obra qualificada como principais entraves. 

Outro produtor relatou ter abandonado os tanques após furtos de peixes. A ausência de assistência técnica contínua também foi mencionada por diversos produtores como um fator determinante para a desistência da atividade.

A equipe da Embrapa também encontrou situações inusitadas, como um tanque construído para batismo religioso e propriedades de lazer com estruturas sofisticadas, incluindo chalés e capela, mas cujos tanques atualmente são utilizados apenas para recreação ou para a dessedentação animal. 

Nordeste  

Em Alagoas e Sergipe, o cenário foi positivo, com aquicultura tecnicamente organizada, com forte integração ao mercado. Lucíola Magalhães e o bolsista José Galdino percorreram 656 km para visitar 27 áreas aquícolas, onde a atividade foi confirmada em quase todos os pontos. A  maioria dos tanques estava ativa e voltada para a produção de peixes, como tilápia, tambaqui e xira (curimatã-pacu), além de camarão.

Nas regiões visitadas, houve contrastes. No entorno de Arapiraca predominava a produção de camarão de água salgada, o vanammei (Litopenaeus vannamei). Já na região de Propriá e margens do São Francisco, a produção em tanques escavados era mais diversificada, combinando camarão vanammei, peixes e arroz e, em uma única propriedade, camarão da Malásia – uma espécie de água doce e com boa aceitação no mercado de Sergipe, segundo o produtor. Na região de Pacatuba e Brejo Grande, a equipe encontrou produção de peixe, camarão e arroz, em tanques escavados, e peixes em lagoas naturais voltadas ao autoconsumo ou comércio local. 

A presença integrada de arroz e camarão chamou a atenção da equipe. “Foi interessante entender que os tanques escavados para a produção de camarão também são usados para produção de arroz, especialmente na época das chuvas, quando a salinidade das águas diminui. Alguns produtores decidem fazer esse uso alternativo do tanque aproveitando, também, as oportunidades de mercado. Isso nos dá uma nova visão da região e que tem impacto no método de classificação das imagens, permitindo melhorias no processo de identificação desse uso múltiplo da infraestrutura”, destacou Magalhães. 

A comercialização também se mostrou bem estruturada, com escoamento para o Ceasa de Maceió, mercados em Sergipe e outros centros urbanos da região. A maioria dos produtores relatou boa condução da atividade, sem grandes dificuldades. Os que enfrentam entraves destacaram questões como acesso ao crédito rural, assistência técnica e licenciamento ambiental. Também foram relatadas dificuldades pontuais na comercialização, acesso à água (dependência da chuva ou desativação de um dos ramais dos canais de irrigação do São Francisco), falta de energia elétrica e estradas.

Apoio Institucional

Magalhães também destaca a parceria com o IBGE para o sucesso do Rally da Aquicultura. As instituições são parceiras na geração de dados sobre a atividade para apoiar os trabalhos do próximo censo agropecuário. A troca de dados e informações permitiu uma primeira validação em gabinete dos dados, o que foi útil na seleção das áreas a serem visitadas em campo.   Além disso, as equipes contaram com o apoio da Embrapa Alimentos e Territórios, Embrapa Acre, Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Trigo, que forneceram carros para a expedição.

Mapeamento da Aquicultura

A primeira versão do levantamento identificou baterias de viveiros nos municípios que respondiam por, aproximadamente, 75% da produção de cada estado do País. A área de estudo abrangeu 930 mil km2 em 513 municípios. Esse grupo correspondia aos municípios responsáveis por 75% da produção em cada estado (G75) em 2016 de acordo com os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agora, com apoio do MPA, a Embrapa Territorial está atualizando e ampliando o mapeamento. A área total e o número de municípios mapeados mais do que dobrou: passou para 2,2 milhões de km2 investigados em 1.096 municípios. Estes foram selecionados a partir de três critérios: municípios do G75 de cada estado em 2022; os que estavam no G75 em 2016; e o G75 estadual das lâminas d’água destinadas para aquicultura, conforme o Censo Agropecuário de 2017. A equipe também mapeou todos os municípios da Zona Costeira do Brasil, adicionando ao trabalho novos 346 municípios em uma área adicional investigada de 337.051 km².





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Lula busca ampliar comércio do Brasil com países do Sudeste Asiático



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (21) para o Sudeste Asiático, onde visitará Indonésia e Malásia. A viagem tem foco político e comercial, com o objetivo de ampliar as exportações brasileiras e fortalecer a presença do país na região.

Durante a semana, Lula participará da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e do Encontro de Líderes do Leste Asiático, além de reuniões bilaterais com chefes de Estado. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 28.

Oportunidades para o Brasil

A Asean é formada por 11 países, entre eles Indonésia, Malásia, Vietnã e Filipinas, e reúne uma população de mais de 680 milhões de habitantes. Segundo o Itamaraty, se fosse uma única economia, o bloco seria o quarto maior PIB do mundo, estimado em cerca de US$ 4 trilhões.

De acordo com o embaixador Everton Frask Lucero, diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste Asiático do Itamaraty, “a presença de Lula é inédita e sinaliza um novo patamar de diálogo com a região”. Em 2024, o comércio do Brasil com os países da Asean somou mais de US$ 37 bilhões, com superávit de US$ 15,5 bilhões para o lado brasileiro.

Parceria estratégica com Indonésia e Malásia

A primeira parada da comitiva será em Jacarta, capital da Indonésia. Lula será recebido pelo presidente Prabowo Subianto para reuniões sobre energia renovável, segurança alimentar e cooperação agrícola. Também está previsto um fórum empresarial com cerca de 100 empresários brasileiros.

Na sexta-feira (24), o presidente se reunirá com o secretário-geral da Asean, e no sábado (25) segue para Kuala Lumpur, na Malásia. No país, deve assinar acordos nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia, além de receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia.

Encontros e diplomacia regional

Lula participará da 47ª Cúpula da Asean e da 20ª Cúpula do Leste Asiático, que reúnem líderes de 18 países, incluindo China, Índia, Japão e Estados Unidos. O único encontro confirmado até agora é com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Há expectativa de uma conversa com o presidente norte-americano Donald Trump, em meio às negociações para reduzir as tarifas impostas por Washington ao Brasil. A viagem marca a tentativa do governo de abrir novos mercados e reforçar a presença brasileira em uma das regiões mais dinâmicas da economia mundial.



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Exploração da Margem Equatorial é chave para soberania energética brasileira


A decisão do Ibama de liberar a Petrobras para iniciar a perfuração de poços exploratórios na Margem Equatorial reacendeu um dos debates mais sensíveis do país, o equilíbrio entre preservação ambiental e soberania energética.

O ponto de exploração, localizado a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 180 quilômetros da costa continental, está em mar aberto, longe da região de maior biodiversidade da Amazônia, o que desmonta a narrativa simplista de que o poço ficaria “na boca do rio”.

Mesmo assim, o anúncio ocorre num momento politicamente delicado: às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, quando o mundo espera do Brasil exemplos concretos de compromisso climático. É justamente essa coincidência que transformou uma decisão técnica em símbolo geopolítico.

Passo estratégico para o futuro energético do Brasil

O governo argumenta, com razão, que a exploração da Margem Equatorial é essencial para o futuro energético do país. O petróleo do pré-sal, apesar de abundante, não é infinito. Em 5 anos, a curva de produção começará a declinar, e o Brasil precisa planejar sua próxima fronteira de produção antes que a dependência volte a crescer.

A independência energética sempre foi um dos pilares da soberania nacional. Ela sustenta o abastecimento interno, reduz vulnerabilidades externas e garante competitividade para setores intensivos em energia, do transporte de cargas ao agronegócio.

É preciso lembrar que o petróleo financia a transição energética. Sem receitas provenientes da exploração, não há base fiscal nem tecnológica para acelerar o investimento em fontes renováveis. O erro seria abandonar o petróleo antes que as novas matrizes estejam maduras.

Defender a exploração da Margem Equatorial não é negar a agenda ambiental. É reconhecer que a transição energética precisa de uma ponte sólida, e essa ponte ainda é feita de petróleo. Cada barril explorado sob regras ambientais rígidas e com tecnologia de ponta pode ser convertido em recursos para financiar biocombustíveis, etanol de milho, energia solar e eólica, setores onde o Brasil tem enorme potencial de liderança.

Conciliar produção responsável com metas ambientais

A Petrobras, que hoje é referência mundial em exploração em águas profundas, demonstra que o país domina tecnologia suficiente para operar com baixo risco de vazamento e alto padrão de monitoramento ambiental. O próprio Ibama reconheceu o avanço do Plano de Proteção à Fauna (PPAF) apresentado pela estatal, que prevê acompanhamento e mitigação de impactos em tempo real.

Além da questão energética, a Margem Equatorial pode representar um divisor de águas para o Norte do país. A 500 km da foz do Amazonas, o Brasil defende sua autonomia e prepara o futuro da matriz limpa. Vários estados da região norte  podem receber investimentos bilionários em infraestrutura, logística e capacitação, somando-se à arrecadação de royalties e à criação de milhares de empregos diretos e indiretos.

Esses recursos, se bem aplicados, têm potencial de transformar a economia regional, integrando o Norte ao mapa de desenvolvimento nacional sem depender exclusivamente da exploração madeireira ou da mineração irregular.

A crítica internacional de que o Brasil estaria sendo incoerente ao autorizar a exploração pouco antes da COP30 ignora um ponto central: a soberania energética é parte da sustentabilidade. Um país que garante sua própria energia evita importar combustíveis fósseis de outros países, o que também reduz emissões globais associadas ao transporte marítimo.

O verdadeiro desafio não é parar de produzir petróleo, mas produzir melhor, com transparência e responsabilidade, enquanto avança na descarbonização das cadeias produtivas. Se o Brasil for coerente, mostrará ao mundo que preservação e produção podem coexistir, desde que haja rigor técnico, fiscalização e compromisso real com a transição.

A exploração da Margem Equatorial não é um retrocesso ambiental, mas um passo estratégico para a autonomia do Brasil. É preciso enxergar além da polarização: ou se acredita que o país deve ser dono do seu destino energético, ou se aceita a dependência externa e o enfraquecimento econômico.

O petróleo da Margem Equatorial pode ser o combustível que alimentará o futuro, não contra a transição verde, mas a favor dela, financiando a energia limpa, a ciência e a soberania.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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