sexta-feira, agosto 7, 2026

Autor: Redação

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Orplana repudia pontos de decreto que endurece punições a incêndios em propriedades rurais



A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) publicou nota criticando o Decreto Federal nº 12.189/2024. Segundo a entidade, o texto penaliza de forma injusta o agronegócio pelos incêndios que acometem todo o Brasil.

“Apesar da importância e urgência do tema, as alterações no documento são extremamente prejudiciais ao setor agro. Ao imputar embargos às propriedades, elevar as multas e não dar ao produtor o direito de defesa, o Governo Federal os inviabiliza de exercerem suas atividades agrícolas no país. E não podemos esquecer que os produtores de cana-de-açúcar, que tiveram suas propriedades impactadas pelos incêndios, também são vítimas”, afirma o CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira.

De acordo com ele, o decreto faz alterações importantes e injustas nas regras de fiscalização e sanções ambientais, com foco em infrações como desmatamento, incêndios e danos ambientais em áreas rurais.

“O documento permite o embargo de áreas inteiras relacionadas a infrações ambientais. Isso significa que, em vez de embargar apenas uma parte de uma propriedade rural, toda a área afetada ou relacionada à infração pode ser bloqueada. Para o nosso setor isso é muito prejudicial, pois pode paralisar as atividades agrícolas em grandes áreas, mesmo que a infração ocorra em uma pequena porção da propriedade”, comenta.

Acesso ao crédito rural

Para a Orplana, o embargo de propriedades rurais possui impactos severos para o produtor de cana, pois os impede o acesso aos créditos rurais, por exemplo.

“Estamos no meio do Plano Safra, quando os produtores começam a ter acesso aos créditos para o plantio da safra e manutenção de sua atividade agrícola. Com o embargo, ele perde acesso a esse crédito, o que pode resultar em perdas econômicas irreparáveis”, enfatiza.

Além disso, a Organização destaca que o Decreto já parte do princípio que todos os produtores são culpados pelos incêndios em suas propriedades, não permitindo defesa antes da aplicação do embargo e das multas.

Decreto traz multas elevadas

Outro ponto criticado pela Organização é o aumento significativo das multas, elevadas para até R$ 10 mil por hectare. Para áreas cultivadas, a multa é de R$ 5 mil por hectare.

“Penalidades que podem ser economicamente devastadoras para os produtores rurais, especialmente em casos de incêndios acidentais ou fora de controle, como observamos nas áreas de cana do Brasil nos meses de agosto e setembro deste ano”, explica Nogueira.

Para a Organização, essas alterações tornam as penalidades mais severas e ampliam a área de impacto das sanções, o que pode ser visto como uma forma de dificultar as atividades agrícolas em áreas onde há alguma infração ambiental, mesmo que mínima.

A Orplana representa 35 associações de fornecedores de cana e mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar



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Brasil tem preços mistos em meio à volatilidade externa e negócios são pontuais



O mercado brasileiro da soja apresentou volatilidade nesta terça-feira. Os preços ficaram mistos, acompanhando as oscilações da Bolsa de Chicago. O dólar teve leve alta, não impactando as cotações domésticas. Os volumes negociados foram pontuais no Brasil, com ofertas para pagamento em novembro. Os produtores seguram seus lotes, acreditando que as tradings poderão oferecer preços mais altos.

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Preços da soja no país

  • Passo Fundo (RS): a saca de 60 quilos se estabilizou em R$ 135,00
  • Missões (RS): o preço manteve-se em R$ 134,00
  • Porto de Rio Grande (RS): o valor foi de R$ 142,00
  • Cascavel (PR): a saca ficou em R$ 138,00
  • Porto de Paranaguá (PR): o preço foi de R$ 143,00
  • Rondonópolis (MT): a saca subiu de R$ 132,00 para R$ 133,00
  • Dourados (MS): o valor passou de R$ 133,00 para R$ 135,00
  • Rio Verde (GO): houve uma alta de R$ 131,00 para R$ 133,00

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam em alta moderada, embora a sessão tenha sido marcada por volatilidade. A pressão sobre os preços decorreu da ampla oferta no mercado, contrabalançada pela alta do petróleo, que subiu mais de 5% em meio ao escalonamento de conflitos no Oriente Médio.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou informações sobre a colheita da soja, que até 29 de setembro estava em 26%, um avanço em relação aos 13% da semana anterior e superior aos 20% do ano passado. As condições das lavouras americanas se mantiveram estáveis, com 64% classificadas entre boas e excelentes.

Contratos futuros da soja

Os exportadores privados dos EUA reportaram a venda de 120.000 toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada 2024/25. No fechamento, os contratos de soja em grão para novembro recuaram 8,75 centavos, a US$ 10,57 por bushel, enquanto os contratos para janeiro foram cotados a US$ 10,75 1/4 por bushel, com perda de 7,75 centavos.

No segmento de subprodutos, o farelo de soja teve baixa de US$ 2,50, fechando a US$ 341,60 por tonelada, enquanto o óleo apresentou alta de 0,95 centavo, alcançando 43,31 centavos de dólar.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com uma alta de 0,27%, cotado a R$ 5,4627 para venda e R$ 5,4606 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,4302 e R$ 5,4781.



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Qual o preço médio dos implementos usados mais vendidos? Veja lista



Acoplados ou tracionados por máquinas, os implementos agrícolas são essenciais no dia a dia do campo. A durabilidade desses produtos forjados para aguentar o tranco em meio às pedras, ao barro e ao mato os habilita a passar de mão em mão, auxiliando produtores por todo o país a um preço mais acessível. Por isso, o comércio online do segmento só faz crescer.

Levantamento de uma das maiores marketplaces de classificados de usados do país, a OLX, mostra que o compressor e o trator são os produtos mais comercializados do segmento entre janeiro e agosto deste ano.

“O gerador é o produto agro cuja procura mais cresceu na OLX nos oito primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2023, com 137% de aumento. A escavadeira foi o segundo com a maior variação, com 113%, seguido pela pá carregadeira, com 92%“, afirma o VP de Autos e Bens de Consumo da empresa, Flávio Passos.

Para ele, os indicadores ilustram o dinamismo desse tipo de plataforma, visto que possibilita que profissionais do agronegócio possam anunciar e encontrar itens de segunda mão com bom custo-benefício.

Ao analisar as vendas, o compressor e o trator ocupam igualmente as primeiras colocações dentre os itens agro mais vendidos, com 12% de participação cada. Já a roçadeira figura na segunda posição do ranking, com 11% de participação, enquanto o gerador e o torno ficam em terceiro, com 6% cada.

Usados mais vendidos

Veja a lista dos implementos agrícolas usados mais vendidos entre janeiro e agosto deste ano e a participação deles neste mercado, conforme levantamento da OLX:

  • Compressor – 12%
  • Trator 12%
  • Roçadeira 11%
  • Gerador 6%
  • Torno 6%
  • Empilhadeira 4%
  • Retroescavadeira 3%
  • Esquadrejadeira 3%
  • Escavadeira 3%
  • Grade 2%
  • Pá Carregadeira 1%
  • Tobata 1%

O trator lidera, também, dentre os produtos mais procurados. A retroescavadeira ocupa a segunda colocação, e a escavadeira, a terceira. Ao avaliar os mais anunciados na plataforma, o trator também figura na primeira colocação, enquanto o compressor segue na segunda posição e o gerador, na terceira.

Implemento x preço médio

A escavadeira é o implemento agrícola avaliado com maior preço médio do período, de R$ 217.772, segundo o levantamento. Por outro lado, a roçadeira é o que possui o menor valor mediano no período, de R$ 992. Veja o ranking:

  1. Escavadeira – R$ 217.772
  2. Pá carregadeira – R$ 204.355
  3. Retroescavadeira – R$ 172.950
  4. Bobcat – R$ 90.559
  5. Trator – R$ 71.109
  6. Empilhadeira – R$ 51.747
  7. Gerador – R$ 32.346
  8. Torno – R$ 28.042
  9. Grade – R$ 15.137
  10. Tobata – R$ 13.181
  11. Esquadrejadeira – R$ 7.274
  12. Compressor – R$ 2.485
  13. Roçadeira – R$ 992



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Brasil embarcou 5,539 milhões de t da soja em setembro, aponta ANEC



As exportações brasileiras da soja em grão devem totalizar 5,539 milhões de toneladas em setembro, conforme levantamento semanal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). Esse volume representa uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando as exportações alcançaram 5,547 milhões de toneladas. Em agosto, o Brasil exportou um total expressivo de 7,975 milhões de toneladas.

Na semana de 22 a 28 de setembro, o país embarcou 919,111 mil toneladas. Para o período entre 29 de setembro e 5 de outubro, a ANEC prevê um aumento, com exportações estimadas em 1,261 milhão de toneladas.

Farelo da soja

Em relação ao farelo da soja, a expectativa é de embarques de 1,803 milhões de toneladas em setembro. No mesmo mês do ano passado, o total exportado foi de 1,907 milhão de toneladas, e em agosto o volume foi de 2,101 milhões de toneladas. A última semana teve exportações de 515,094 mil toneladas, e a previsão para esta semana é de 925,971 mil toneladas.

Esses números refletem a importância contínua da soja na balança comercial brasileira e indicam um leve retrocesso nas exportações em comparação com o ano anterior. O setor agropecuário permanece atento às condições de mercado e às tendências de demanda internacional, fatores que influenciam diretamente esses resultados.



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AgroNewsPolítica & Agro

Preços do tomate e cenoura sobem em Minas Gerais


De acordo com os dados do Semanal de Preços da horticultura divulgado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA), as 10 hortaliças mais comercializadas no CeasaMinas foram analisadas: abóbora moranga, abobrinha, alho, batata, cebola, cenoura, chuchu, pimentão, quiabo e tomate. Dentre as principais oscilações de preço, o destaque foi para a abóbora moranga, que apresentou uma alta expressiva de 75% na primeira semana, seguida por um aumento adicional de 20,1%, alcançando R$ 3,66/kg. A variação média da abóbora foi de 34,7%, refletindo uma elevação significativa.

A abobrinha italiana, por outro lado, passou por uma queda de 36,2%, com o preço atingindo R$ 1,22/kg, seguido por uma recuperação de 27%, fechando o período a R$ 1,55/kg. No entanto, a média semanal ainda indicou uma queda de 9,9%. A cebola também sofreu redução no preço, com quedas consecutivas de 9,1% e 20%, atingindo R$ 2,00/kg na segunda semana. A média semanal registrou um recuo de 18,8%.

Outras hortaliças, como o pimentão verde, apresentaram queda de 19,9% na segunda semana, fechando o período a R$ 2,22/kg, enquanto o chuchu registrou queda de 33,5%, seguida de uma alta de 67,5%, resultando em um preço final de R$ 2,63/kg. Já o tomate longa vida AA teve quedas acentuadas de 18,2% e 44,4%, mas registrou recuperação na segunda semana, finalizando com uma variação média positiva de 4%.

A análise também apontou estabilidade nos preços do alho brasileiro, batata e quiabo. As hortaliças que registraram elevação nas cotações foram abóbora moranga, cenoura e tomate, enquanto a abobrinha italiana, cebola, chuchu e pimentão apresentaram quedas.

Fatores climáticos, logísticos e a qualidade dos produtos ofertados influenciaram diretamente as variações. A redução da colheita de inverno impactou a oferta de tomate, enquanto a qualidade da cebola foi afetada pelas altas temperaturas, que prejudicaram a integridade dos bulbos.

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA), em parceria com as vinculadas Emater-MG, Epamig e IMA monitora os preços dos principais produtos comercializados no CeasaMinas, entreposto de Contagem, com o objetivo de acompanhar o abastecimento alimentar no estado. A análise mais recente, que abrange o período de 16 a 27 de setembro de 2024, utiliza como base os preços médios praticados na unidade Grande BH, permitindo identificar tendências de oferta e demanda





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Projeto de lei busca distância mínima para pulverização aérea de defensivos


A deputada estadual Ana Perugini protocolou, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o Projeto de Lei n° 676/2024, que determina a proibição de pulverização aérea de defensivos agrícolas e substâncias químicas similares em áreas situadas a menos de 300 metros de povoações, cidades, vilas, bairros, moradias isoladas, escolas, unidades de saúde ou mananciais de captação de água.

A medida tem por objetivo inibir a proximidade entre o despejo de defensivos e áreas de convivência. No caso dos mananciais, a proposta visa impedir a contaminação da água potável pelos produtos em território paulista.

Um outro projeto da deputada (PL 673/2024) trata dessa questão e visa reduzir a quantidade tolerável dessas substâncias na água distribuída à população do estado.

Mulpa por descumprimento

defensivos; PL; deputada Ana Perugini (PT)defensivos; PL; deputada Ana Perugini (PT)
Deputada estadual Ana Perugini. Foto: Divulgação Alesp

O PL 676/2024, por sua vez, estabelece que o descumprimento da regra deve resultar em multa que varia de 500 a 5 mil unidades fiscais do estado de São Paulo (Ufesps), atualmente, entre R$ 17,7 mil e R$ 176,8 mil. Em caso de reincidência, de acordo com o texto, a multa deve ser dobrada.

“O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário mundial em relação à produção agrícola. Nessa corrida de produção volumosa, nem sempre a saúde humana é colocada em primeiro plano de importância, e a contaminação com substâncias químicas tem sido uma ameaça constante para a qualidade de vida das presentes e futuras gerações, em frontal desrespeito ao preceituado no artigo 225 da Constituição Federal”, destaca a deputada Ana Perugini no texto.

O texto tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Redação e, em seguida, será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Finanças, Orçamento e Planejamento antes de ser votado em Plenário.

Proibição da pulverização

A parlamentar é coautora ao lado do deputado Carlos Giannazi do projeto de lei 218/2023, que proíbe a pulverização aérea no estado de São Paulo.

Em agosto do ano passado, Ana Perugini realizou uma audiência pública, na Alesp, para debater o assunto. Na oportunidade, a deputada propôs um movimento envolvendo parlamentares, Ministério Público, agricultores, ambientalistas, representantes de organizações não governamentais e movimentos sociais para garantir o controle da pulverização aérea de defensivos em São Paulo.

*Sob supervisão de Victor Faverin


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Chuvas voltam em outubro? Confira a previsão do tempo para o mês


O mês de outubro será marcado por calor intenso em grande parte do Brasil. Segundo previsão do tempo da Climatempo, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste terão temperaturas acima do normal para a época, com destaque para ondas de calor que devem se estender até o dia 8 de outubro.

Algumas áreas podem enfrentar picos de calor significativos, agravando a sensação de tempo seco e desconfortável, enquanto outras, mesmo com aumentos sutis na temperatura, também sentirão um clima mais quente do que o habitual.

Mapa de precipitação para outubro. Fonte: Climatempo

As chuvas de outubro devem ser escassas na maior parte do Brasil. A previsão indica precipitações abaixo da média no Centro-Oeste, Norte e parte do Nordeste (áreas em tom de marrom no mapa), sugerindo uma seca mais acentuada.

Esse cenário pode agravar a estiagem e aumentar o risco de queimadas, especialmente na faixa central do país, além de afetar a agricultura e a qualidade do ar.

Apesar do predomínio da seca, há previsão de precipitações um pouco acima do normal em partes do Sul e Sudeste.

Áreas em verde claro no mapa indicam regiões em que o mês será um outubro mais úmido, favorecido pela chegada de frentes frias.

Isso pode trazer algum alívio para o calor e beneficiar atividades que dependem da água, além de influenciar positivamente a agricultura e o reabastecimento de reservatórios.

Mapa de temperatura para outubro. Fonte: Climatempo



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Produtores do RS seguem sem crédito após 5 meses de enchente histórica


Quase cinco meses após a catástrofe de maio, produtores rurais do Rio Grande do Sul ainda buscam solução para as dívidas. Muitos já estão com restrição no nome em função dos débitos e não conseguem crédito para investir na nova safra. Esse cenário tende a impactar a instalação de lavouras da safra de verão no estado.

Muitas regiões gaúchas receberam quase 1000 milímetros de chuva em poucos dias, o que ainda deixa um rastro de estradas improvisadas, pontes onde só passam veículos leves, estruturas abandonadas e animais de produção vendidos para açougues por falta de dinheiro. Parece que nada mudou, mesmo após cerca de 150 dias da tragédia.

São muitos os desafios da agropecuária gaúcha, que já sofria impacto de três estiagens seguidas e recebeu o “golpe de misericórdia” com a enchente histórica.

Produtores endividados

O produtor Jeferson Scheibler, de Bagé, sudoeste do estado, relata que o pouco de semente que resta para plantar foi salva com sacrifício.

“Não tenho dinheiro para comprar adubo e defensivos, não tenho crédito, [estou com o] nome negativado. Como fazer? O que fazer? Eu planto mais ou menos 400, 450 hectares e não sei se vou conseguir plantar nem metade [dessa área]”.

Diante do desespero das dívidas, que se acumulam, produtores seguem organizados no movimento SOS Agro RS desde junho, cobrando medidas por meio de vários atos de protesto e “tratoraços”.

Durante a Expointer 2024, realizada entre o fim de agosto e o começo de setembro, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, prometeu novas medidas.

“Na medida provisória para o custeio dos bancos, os números mostram que 93% dos produtores estarão contemplados nela e os outros 7% nas outras medidas que tomamos. O diálogo tem que estar sempre aberto, se tem um ponto específico que dá uma dificuldade, vamos trabalhar para mudar esse ponto difícil. A reconstrução [do agro gaúcho] vai chegar no detalhe, fora das Medidas, para que a gente possa avançar e não deixar nenhum produtor e produtora gaúchos para trás”.

Porém, o produtor rural e representante do SOS Agro RS, Paulo Ebbesen, relata que os recursos ainda não chegaram na ponta.

“Há muita propaganda do governo e pouca efetividade porque de nada adianta nós termos linhas de crédito e elas não terem recursos para serem operacionalizadas. A divulgação dessas linhas é muito interessante, a sociedade fica sabendo, mas o produtor vai na agência bancária e o funcionário diz ‘nós não recebemos dinheiro e precisamos dele para fazer a concessão do crédito’”.

Projeções para a safra 24/25

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Produtor de Estrela-RS, Jorge Dienstmann. Foto: Reprodução Canal Rural

Mesmo com tantos desafios, as projeções da Emater-RS e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dão conta de safra recorde de grãos em torno de 36 milhões de toneladas no estado.

O obstáculo, agora, é o de conseguir plantar a safra atual. Contudo, com a renegociação de dívidas ainda incerta, produtores estão sem crédito para investir no ciclo 24/25.

Para a soja, a estimativa dos órgãos é de aproximadamente 8 milhões de hectares de área e produção de cerca de 21 milhões de toneladas. No entanto, para concretizar esses números, muitos produtores não têm os insumos ou como cumprir com os arrendamentos.

“Nós já temos uma área menor de milho a ser plantada, por falta de recursos. As áreas de soja muitas não vão ser plantadas porque as pessoas não vão ter crédito para semear e outras vão abandonar a lavoura. Nas áreas plantadas, a produtividade vai cair naturalmente pela lixiviação da área e pela falta de tempo e recursos para recuperar”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Ireneu Orth.

O produtor rural de Estrela, no Vale do Taquari, Jorge Dienstmann, passou pelas enchentes de setembro e novembro de 2023 e também a de maio deste ano. Em sua propriedade, focada em leite e terminação de frangos, tudo foi perdido.

“Não tem mais estrutura física para manter leite e frago. O que se decidiu é que vamos trabalhar a lavoura de grãos mas temos um grande empecilho. Mesmo passando 150 dias depois da maior enchente, tem lugares que não tem como entrar, com acúmulo de terra e lodo e o trator não entra. Esperamos recursos federais que foram prometidos e não repassados, o mesmo com os recursos estaduais”.



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Brasil caminha para recorde na movimentação anual



Com o trigo em plena colheita no Sul do país, a região que concentra 90% da produção nacional enfrenta um cenário de instabilidade nas comercializações. Apesar disso, o Brasil está próximo de atingir um recorde histórico na movimentação anual de trigo entre importação e exportação.

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O país, que tradicionalmente não é autossuficiente na produção de trigo, tem um consumo interno que gira em torno de 12 a 13 milhões de toneladas. Historicamente, o Brasil depende da importação para atender cerca de metade dessa demanda. Nos últimos anos, houve uma redução na necessidade de importações, ao mesmo tempo em que as exportações de trigo cresceram significativamente.

De acordo com dados apresentados no Agroexport, o Brasil reduziu suas importações de trigo, passando de 6,22 milhões de toneladas em 2021 para 4,18 milhões em 2023. No mesmo período, as exportações do cereal também cresceram, marcando um avanço notável para o setor. No entanto, em 2024, a tendência de queda nas importações foi interrompida. De janeiro a setembro deste ano, o volume importado já ultrapassou os 5 milhões de toneladas, superando o total de 2023.

Além disso, as exportações seguem em um novo patamar, com 2,5 milhões de toneladas exportadas até setembro deste ano. O volume total movimentado de trigo pelo Brasil no comércio internacional chegou a 7,55 milhões de toneladas nos primeiros nove meses de 2024, indicando que o país pode bater recordes tanto em importação quanto em exportação.

Mesmo com esses avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios para alcançar a autossuficiência na produção de trigo. O clima é um dos principais fatores que impactam a qualidade do cereal, especialmente nas regiões produtoras do sul, como Paraná e Rio Grande do Sul. Quando o trigo não atinge o nível de qualidade necessário para a panificação, ele é direcionado para exportação e acaba sendo utilizado como ração nos mercados internacionais.

O Brasil continua buscando se firmar como um grande produtor global de trigo, com a expectativa de alcançar a autossuficiência nos próximos cinco a dez anos.



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Entidades da Alemanha pedem que UE adie implementação de lei antidesmatamento



A Associação Alemã de Agricultores (DBV, na sigla em alemão), a Associação dos Proprietários de Florestas (AGDW) e empresas familiares dos setores agrícola e florestal pediram que a Comissão Europeia adie a implementação da nova lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que entra em vigor em 30 de dezembro.

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Em comunicado, as entidades disseram que a lei trará enormes impactos negativos para a agricultura e a silvicultura na Alemanha se entrar em vigor na sua forma atual ao fim de 2024.

Agora é a vez de a Comissão Europeia evitar o pior. Se a EUDR entrar em vigor em 30 de dezembro de 2024, muitos proprietários de florestas poderão ser excluídos do mercado, resultando em uma escassez significativa de madeira para a indústria e os consumidores”, disse o presidente da AGDW, Andreas Bitter. “Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e sua equipe devem domar o monstro burocrático que é a EUDR e iniciar imediatamente o adiamento do regulamento.”

A Alemanha comprovadamente não tem um problema de desmatamento. Pelo contrário, a área florestal aumentou nos últimos anos. Apesar disso, os produtores locais de madeira, carne bovina ou soja serão forçados a passar por um procedimento burocrático com registro separado e documentação excessiva”, afirmou o presidente da DBV, Joachim Rukwied. “Isso é mais uma peça da insanidade burocrática que não ajuda ninguém, muito menos as florestas ameaçadas em outras partes do mundo.”

Segundo as entidades, a proteção de florestas contra a exploração predatória e queimadas já está consagrada na legislação e nos princípios de sustentabilidade e certificação. No entanto, agricultores e proprietários de florestas locais também serão sobrecarregados com uma série de novas exigências burocráticas, observaram.



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