sábado, agosto 1, 2026

Autor: Redação

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Noiva chega à igreja de trator e bota e declara: ‘Amor pelo agro’



Em 2013, no Colégio Agrícola de Pinhalzinho, oeste de Santa Catarina, Cauana Capelesso e Dalvan Girardi se conheceram. Tempos depois, foram cursar agronomia e no segundo ano da faculdade, a amizade virou namoro. As informações partem de reportagem do G1.

Onze anos após o primeiro encontro, resolveram se casar e além do amor um pelo outro, decidiram declarar a paixão de ambos pelo agro. Resultado: a noiva chegou à igreja no trator da família e usando bota.

“Eu e Dalvan somos agrônomos, trabalhamos diariamente com a produção leiteira, motivo que me inspirou em ir de trator. O trator é usado pela família na produção de pré-secados”, contou a noiva.

Segundo ela, o veículo não serviu apenas para levá-la ao altar. “Ao término da celebração, eu e meu marido fomos até o local da festa de trator, acompanhados de padrinhos e demais convidados”.

Atualmente, o casal vive na linha Pio Décimo, no interior de Pinhalzinho. A noiva conta que não tinha ideia de que o trator chamaria tanta atenção.

“Não esperávamos tamanha repercussão, mas ficamos muito felizes, pois temos muito orgulho e muito amor pelo agro”.



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Chuvas devem beneficiar o plantio da soja no Brasil em novembro


A previsão do tempo para as áreas produtoras de soja no país indica que a umidade do solo está em boas condições na maior parte do Centro-Oeste e do Sudeste. Entretanto, no Matopiba, a situação é diferente, com índices de umidade abaixo do ideal e solos mais secos.

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Nos próximos cinco dias, as chuvas estarão concentradas em Goiás, Minas Gerais e no sul de Mato Grosso, com acumulados que podem chegar a até 80 milímetros. Por outro lado, o sul do país enfrentará uma semana de tempo mais firme, o que favorece os trabalhos em campo. No Matopiba, as chuvas devem ser escassas, com acumulados que não superam 10 mm.

O que os produtores podem esperar?

Foto: Canal Rural/Reprodução

Entre 3 e 7 de novembro, há previsão de aumento nas chuvas em Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo, responsável pela reposição hídrica do solo. Também são esperadas chuvas em Rondônia e no Pará, mas no Matopiba a situação continua crítica, com precipitações que não devem passar de 10 a 15 milímetros.

A partir da segunda quinzena de novembro, a expectativa é de que a situação melhore. Os acumulados no Tocantins podem alcançar 80 milímetros, enquanto o interior da Bahia deve registrar cerca de 50 milímetros. No Piauí e Maranhão, os acumulados podem ultrapassar de 20 a 30 milímetros. Com isso, os produtores terão a umidade necessária para iniciar a semeadura da safra 2024/25.



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De memórias da infância à paixão pelo agro: a produtora da soja de MS que honra o legado familiar



Natural de Tupã, no interior de São Paulo, Maira Cristina Britto Fernandes, de 57 anos, segue o legado deixado por seu pai na produção agrícola. Hoje, como produtora de soja na região de Rio Brilhante (MS), ela iniciou sua trajetória após se formar em administração de empresas e combinou sua paixão pelo agronegócio com o desejo de adquirir conhecimento.

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Memórias à tona

A paixão de Maira pelo grão começou desde muito cedo. Durante as férias, ela ia para a fazenda de seu pai em Mato Grosso do Sul. ”Minhas memórias de infância são muito fortes aqui. Quando ele comprou a propriedade, eu tinha apenas nove anos. Eu adorava o bosque, que já era uma reserva legal, local onde tinha um riacho que eu descansava”, diz.

Em meio às árvores e às águas do riacho, Maira acompanhava seu pai nas fazendas, que inicialmente eram voltadas para a pecuária, com um pouco de cultivo de cana-de-açúcar. “Vim para o Mato Grosso do Sul aos seis anos, quando tudo era fogão a lenha, lamparina e luz a motor. Sempre gostei de explorar as matas e os pequenos rios, que eu chamava de ‘minha florestinha’, acompanhada por meus irmãos e primos”, conta.

De acordo com a sojicultora, seu pai sempre se preocupou com o meio ambiente e deixou um legado importante. “Nós buscamos viver em harmonia com a natureza, com respeito ao solo e proteção dos mananciais, sempre com o apoio de nossos colaboradores”, complementa.

Caminho de adaptações

Na década de 1980, a separação da empresa familiar trouxe mudanças à vida de Maira. Seu pai ficou com as terras em Mato Grosso do Sul, mas enfrentou dificuldades financeiras, o que o levou a arrendar parte da propriedade. Nesse período, seu irmão mais velho, que decidiu não continuar os estudos, começou a trabalhar na fazenda, abrindo novos negócios, enquanto sua mãe assumiu a administração da empresa.

Por outro lado, Maira e seu irmão mais novo focaram na educação. Maira se mudou para São Paulo para ampliar seus conhecimentos, enquanto seu irmão se formou em agronomia, em Dourados.

Safra atual

A sojicultora destaca que a safra atual está com 80% das áreas plantadas e 60% das sementes germinadas, no entanto, enfrenta desafios, especialmente relacionados à dessecação das plantas. Ela menciona que o problema vai além de questões específicas da propriedade, o que reflete na ineficiência nos manejos adotados. Quanto às pragas, a situação está controlada na maior parte das áreas, embora em regiões mais úmidas tenha sido notado o surgimento de caramujos.

Para lidar com as adversidades, os produtores da região têm adotado um manejo cauteloso, com a rotação de culturas e gramas. Além disso, buscam diversificar as moléculas e princípios ativos nos fungicidas e inseticidas para evitar a resistência. “Algumas áreas, como aquelas onde o ciclo da cana-de-açúcar é interrompido pela soja, apresentam uma infestação maior de pragas, o que é esperado”, detalha Maira.

Ela explica que, atualmente, foram realizadas coberturas com crotalária e braquiária na propriedade, e há expectativas de que essa mistura melhore a fertilidade do solo e, consequentemente, a produção da próxima safra de soja. A equipe segue atenta e avalia os resultados ao longo da temporada, com o objetivo de garantir tanto a produtividade quanto a saúde do solo.

Tecnologias e estratégias

Maira destaca a importância da tecnologia no manejo agrícola: ”Investimos em rotação de culturas, manejo da fertilidade do solo e controle de pragas. Nossas análises de solo estão bem equilibradas, sem toxicidade de alumínio, graças às correções que realizamos anualmente.”

Ela ressalta que os mixes de sementes para cobertura, como a braquiária combinada com crotalária, têm mostrado resultados positivos na produção de soja. ”O plantio do milho safrinha é realizado com cobertura, a fim de garantir que o solo permaneça protegido, inibindo o crescimento de mato e mantendo a umidade do solo”, conclui Maira.

Embora o ano tenha sido marcado por um regime de chuvas tardias, a estratégia de irrigação em algumas áreas proporciona segurança adicional. Maira enfatiza que a equipe é fundamental para o sucesso da produção: ”Priorizamos a qualificação dos trabalhadores e a aquisição de equipamentos, pois são eles que fazem a diferença.”

Ela conclui que o cuidado com a fertilidade do solo e a sustentabilidade das práticas agrícolas são essenciais. ”Devolvemos ao solo o que ele utiliza, em um equilíbrio que nos proporciona estabilidade na produção, mesmo em anos secos. A gestão adequada das coberturas e a proteção contra incêndios são igualmente importantes para manter a saúde dos mananciais e das reservas naturais.”



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AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas impulsionam semeadura, e preço do milho sobe com oferta restrita



Produtores negociam o cereal apenas para necessidades pontuais




Foto: Divulgação

As cotações do milho registraram alta em todas as regiões monitoradas pelo Cepea, refletindo a postura estratégica dos produtores, que estão limitando as vendas no mercado spot. Com o retorno das chuvas, os agricultores intensificaram a semeadura da safra de verão 2024/25, negociando o cereal apenas para atender necessidades pontuais, o que tem reduzido a oferta disponível e impulsionado os preços.

Por outro lado, consumidores do mercado interno estão ativos na tentativa de recompor estoques, intensificando a demanda e reforçando a valorização do milho. A combinação de oferta limitada e procura aquecida tem sustentado as altas nas cotações nas últimas semanas.

Segundo o levantamento da Conab, até o dia 20 de outubro, 32% da área estimada para o milho da safra 2024/25 já havia sido semeada. A regularização das chuvas tem favorecido o avanço dos trabalhos no campo, especialmente nas regiões produtoras do Centro-Sul.

A expectativa é que, à medida que a semeadura avance e o mercado se ajuste, a disponibilidade do grão aumente, podendo influenciar os preços nas próximas semanas. Entretanto, a cautela dos produtores e a movimentação dos consumidores seguem como fatores-chave na definição das cotações no curto prazo.





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Fábrica de biometano e biogás recebe quase R$ 40 milhões do BNDES para ampliação



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta segunda-feira (28), ter aprovado um financiamento de R$ 37,6 milhões para a fábrica da Geo bio gas&carbon.

Os recursos serão investidos em projeto para a ampliação da produção de biometano e de biogás na unidade fabril de Tamboara, no noroeste do Paraná.

“O apoio do BNDES foi determinante para essa usina ser implementada, assim como está sendo este novo financiamento, que permite à Geo dar um grande passo na ampliação de sua carteira de projetos para produção de biometano”, declarou Alessandro Gardemann, CEO da Geo, em nota.

Segundo ele, o aporte contribui, principalmente, para a transição energética e a implementação das metas de descarbonização determinadas pela Lei do Combustível do Futuro. “O aumento da oferta de biometano também vai permitir interiorizar a oferta de gás, de origem renovável no país”.

Inauguração da fábrica

O BNDES apoiou a fábrica de Tamboara ainda no início do projeto, em 2010, por meio de uma linha de financiamento à inovação. A unidade foi inaugurada em 2012, tornando-se a primeira fábrica de produção comercial de biogás em larga escala no Brasil a processar resíduos da produção sucroenergética (torta de filtro, vinhaça e palha), informou o banco.

O novo crédito aprovado contará com R$ 33,6 milhões do Fundo Clima e R$ 3,9 milhões do Finem Padrão B, linha destinada à aquisição de máquinas e equipamentos importados novos que não tenham similar nacional. O projeto prevê um investimento total de R$ 41 milhões.



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Três fatores devem influenciar os preços do milho nesta semana



O plantio do milho alcançou 32,3% da área projetada para a safra 2024/25, de acordo com os últimos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados na semana passada. O número está em linha com o mesmo período do ano passado, que estava com 33%.

A respeito das exportações, o volume exportado em outubro alcançou 3,9 milhões de toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Esse número representa 46% do mesmo período do ano passado. De acordo com a plataforma Grão Direto, essa diferença tem acontecido, principalmente, por conta de outros países terem, no momento, preços mais competitivos.

O milho encerrou a semana cotado a U$ 4,16 o bushel (+2,97%) em Chicago, para o contrato com vencimento em dezembro de 2024. No Brasil, na B3, o cereal seguiu a mesma tendência, com alta expressiva de 4,77%, fechando a R$ 72,55 por saca no contrato de novembro deste ano.

O que esperar do mercado agora?

  • Demanda norte-americana: nas últimas semanas, o milho dos Estados Unidos tem registrado alta demanda, com preços mais competitivos que os de outros países. O menor volume exportado pelo Brasil, comparado ao ano passado, reforça essa competitividade. O México tem se destacado como o principal comprador do cereal norte-americano, representando cerca de 42% das vendas de milho para 2024/25. Além disso, o Japão também é um importante importador, e já alcançou seu maior volume em quatro anos.
  • Demanda interna: o consumo interno de milho tem se mostrado bastante forte e em crescimento nas últimas semanas, em oposição ao menor ritmo das exportações. Esse cenário tem dado suporte e até impulsionado os preços do cereal, que estão sendo negociados acima da paridade internacional. De acordo com a Grão Direto, a alta no valor da arroba do boi, junto com a crescente demanda de milho para a produção de etanol, são os principais fatores por trás dessa valorização.
  • Safra da Argentina: de acordo com a Bolsa de Cereales, o plantio de milho argentino já cobriu cerca de 24% da área projetada. Esse ritmo é superior ao do ano passado e está em linha com a média dos últimos cinco anos. A ameaça da cigarrinha, uma praga que causou muitos prejuízos no ano passado, está no radar dos produtores, que buscam mitigar riscos realizando uma semeadura mais antecipada. Para a Grão Direto, um atraso nos trabalhos pode levar os agricultores a reduzirem a área dedicada ao milho, o que afetaria negativamente a oferta mundial do grão.
  • Análise Gráfica: o milho cotado em Chicago se mantém acima dos US$ 4,10/bushel (contrato Z – Dezembro), trazendo expectativas de alta. Regiões que podem impactar o andamento dos preços: considerando um cenário de alta: US$4.24, US$ 4.28 e US$4.34 são regiões que o grão pode sentir dificuldades de rompimento para manter um movimento de alta. Cenário de baixa: caso o milho cotado em Chicago venha perder a região dos US$ 4,10, os US$ 4,03, US$ 3,97 e US$ 3,90 são patamares que podem segurar a queda inicial do grão.

De acordo com a plataforma Grão Direto, diante do cenário apontado, a semana poderá ser de correções nas cotações da BM&F, principalmente pela possível correção do dólar. O cenário não deve refletir diretamente no mercado físico do milho, que ainda possui pressão compradora em algumas regiões.



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Confira como está o plantio da soja pelo país; Paraná lidera


O plantio da safra brasileira 2024/25 da soja avança pelo Brasil. Conforme dados fornecidos pela Safras & Mercado, a semeadura está em 36,1% da área total até o dia 25 de outubro. Na semana anterior, o total semeado era de 16,8%.

A semeadura da commodity apresenta um atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando a área era de 37,1%. Já a média dos últimos cinco anos é de 33,3%.

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Foto: Safras & Mercado

No Rio Grande do Sul, o plantio está em 4%, enquanto o Paraná se destaca como líder, com 65% da área semeada. Outros estados apresentam os seguintes percentuais: Mato Grosso (56%), Mato Grosso do Sul (50%), Goiás (35%), São Paulo (34%), Minas Gerais (26%), Bahia (15%), Maranhão (14%), Tocantins (10%), e Santa Catarina (7%). Os demais estados somam 9% da área plantada.



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Família de servidores públicos celebra 70 anos de dedicação na Secretaria de Agricultura de SP


No Dia do Servidor Público, celebrado hoje (28), a história de Renata Martinho Manograsso e sua família se destaca como exemplo de dedicação ao serviço público. Aos 36 anos, Renata dá continuidade a um legado que começou na década de 1950, quando seu avô, Guerino Manograsso, ingressou na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A tradição seguiu com seu pai, Ruy Galloti Manograsso, e sua mãe, Regina Bernadete Martinho, ambos também servidores da Secretaria.

Renata lembra que cresceu rodeada pelo ambiente da Secretaria, frequentando a creche para filhos de funcionários desde os quatro meses até os sete anos. Seu avô atuou no funcionalismo público a partir de 1956, conforme registros do Diário Oficial. Seu pai e sua mãe seguiram caminhos semelhantes, ingressando na mesma pasta e contribuindo por décadas com o desenvolvimento da agricultura paulista.

Foto: Renata Martinho na sede da Secretaria de AgriculturaFoto: Renata Martinho na sede da Secretaria de Agricultura
Foto: Renata Martinho na sede da Secretaria de Agricultura

Regina, mãe de Renata, trabalhou por 41 anos na Secretaria e viveu a experiência de compartilhar a rotina de trabalho com a filha nos últimos anos antes de sua aposentadoria. “Trabalhar ao lado da minha filha foi muito prazeroso”, relembra Regina.

Continuidade e colaboração no trabalho

Hoje, Renata divide sua rotina com colegas de longa data, como Rose Fernandes Almeida Pires e Claudia Cambruzzi. Juntas, elas atuam na coordenação de tarefas no gabinete da Secretaria, enfrentando os desafios do dia a dia e apoiando as atividades dos secretários da pasta.

Reconhecimento ao trabalho dos servidores públicos

O Dia do Servidor Público é uma data que reconhece a importância daqueles que dedicam suas carreiras ao serviço público, atuando em prol da população e do desenvolvimento. Em São Paulo, os servidores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento desempenham um papel fundamental no apoio ao setor agropecuário, promovendo ações que garantem a qualidade dos alimentos e a sustentabilidade na produção agrícola.



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AgroNewsPolítica & Agro

Uso excessivo de água no Matopiba pode comprometer até 40% da capacidade futura de expansão da irrigação


Considerada uma das fronteiras agrícolas que mais crescem no Brasil e a área com maior taxa de emissão de gases de efeito estufa no Cerrado, a região conhecida como Matopiba corre o risco de enfrentar falta de água já nos próximos anos. Entre 30% e 40% da demanda por irrigação de terras agricultáveis pode não ser atendida no período de 2025 a 2040 devido à superexploração dos recursos hídricos.

Esse problema, somado às mudanças climáticas, está reduzindo as vazões subterrâneas – provenientes do aquífero Urucuia – e dos corpos d’água superficiais da bacia do rio Grande, afluente do São Francisco. A redução desse fluxo pode comprometer o atendimento a demandas como o abastecimento urbano, de populações ribeirinhas e o próprio agronegócio, sem contar a diminuição de disponibilidade para toda a bacia.

A conclusão é de um estudo liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que analisou a sustentabilidade de longo prazo da expansão agrícola em meio à crescente escassez de água na região. O trabalho, idealizado pela cientista do Inpe Ana Paula Aguiar e realizado em parceria com o Centro de Resiliência de Estocolmo (Suécia), aponta que deve haver um aumento de até 40% de energia para irrigação, pressionando ainda mais o sistema.

Acrônimo formado pelas siglas de quatro Estados – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, o Matopiba está inserido predominantemente no Cerrado (91% da área ou 665 mil km2), tendo apenas 7,3% na Amazônia e 1,7% na Caatinga. Em sua parte sudeste, é abastecido pela bacia do rio Grande, que cobre cerca de 76 mil km2.

Para fazer a análise, os pesquisadores usaram um modelo de dinâmica de sistemas – uma ferramenta que permite representar as complexas interações e feedbacks entre uso da terra, energia e água, além de simular diferentes cenários, vendo como é a reação ao longo do tempo. Com isso, ajuda na tomada de decisões e na implementação de políticas públicas mais eficazes.

“A dinâmica de sistemas considera uma visão holística, simulando as relações e as várias demandas – irrigação, energia elétrica, consumo – que existem simultaneamente na região. Isso nem sempre é considerado em análises realizadas por órgãos públicos”, diz o pesquisador do Inpe Celso von Randow, um dos autores do trabalho.

O artigo foi publicado na Ambio – Journal of Environment and Society e é parte do projeto Nexus – Caminhos para a Sustentabilidade, coordenado por Jean Ometto, pesquisador do Inpe e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O projeto buscou propor estratégias para viabilizar a transição para um futuro sustentável nos biomas Cerrado e Caatinga por meio de uma abordagem participativa, integrando métodos qualitativos e quantitativos.

O relatório técnico do Nexus, que traz informações da pesquisa do grupo e de outras desenvolvidas na região, foi lançado agora em outubro e apresentado no seminário “Contribuições da comunidade científica brasileira para a temática de combate à desertificação”, realizado na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Pesquisadores do grupo estarão juntamente com a delegação brasileira na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), na Arábia Saudita, em dezembro.

“A ideia do estudo nasceu de uma das oficinas do projeto Nexus, realizada no município de Barreiras. Havia uma preocupação com a sustentabilidade do sistema de irrigação. Desenvolvemos um modelo de dinâmica de sistemas para a região, mas ele pode ser aplicado a outras áreas adaptando algumas variáveis de acordo com a necessidade”, explica a engenheira agrícola Minella Alves Martins, primeira autora do artigo e orientanda de von Randow no Inpe com o apoio da FAPESP.

Durante a oficina, os principais desafios relatados na bacia do rio Grande estavam relacionados à disponibilidade de água – tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo – e aos conflitos socioambientais motivados por seu uso e pela posse irregular da terra. Mais de 90% das retiradas de água na bacia são destinadas à irrigação, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).


Uma das oficinas realizadas em Barreiras para montar o escopo da pesquisa (foto: Projeto Nexus) 

Nos últimos dez anos, o Matopiba – com 337 municípios – registrou um salto na produção de grãos – 92%, passando de 18 milhões de toneladas (safra 2013/14) para cerca de 35 milhões de toneladas. Na Bahia, as culturas de soja, milho e algodão são destaque, tendo o município de Barreiras como um dos principais produtores no Estado.

Estima-se que na próxima década o crescimento agrícola do Matopiba ainda seja de 37%, com a produção atingindo 48 milhões de toneladas em uma área plantada de 110 mil km2. Os números fazem parte do estudo Projeções do Agronegócio, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Por outro lado, a seca severa que vem atingindo o país reduziu a previsão de produção de grãos na safra 2023/2024, especialmente no Matopiba. Para agravar a situação, o Cerrado bateu recorde de focos de incêndio neste ano. Foram 68.868 entre janeiro e 25 de setembro, superando todo o ano de 2023. É o maior desde 2015.

Com esse cenário, além de registrar aumento da temperatura, o Matopiba emitiu 80% dos 135 milhões de toneladas de CO2 liberadas para a atmosfera por causa do desmatamento no Cerrado entre janeiro de 2023 e julho de 2024, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A destruição da vegetação nativa pelo fogo e o desmatamento para outros usos levam a uma redução da evapotranspiração das plantas, diminuindo a quantidade de chuva. Há ainda o fato de a água, sem a cobertura vegetal, chegar com mais força ao solo, escorrendo superficialmente e deixando de formar os canais subterrâneos.

Projeções

O modelo de dinâmica de sistemas usado pelos pesquisadores para a região mostrou que as vazões superficiais e subterrâneas tendem a diminuir até 2040. Eles levaram em consideração os usos de água atuais, as mudanças climáticas e feedbacks econômicos. Em contrapartida, haverá um aumento na demanda de água, principalmente impulsionada pela expansão da irrigação. Deve passar de 1,53 m³/s (2011-2020) para 2,18 m³/s (2031-2040).

Por isso, os pesquisadores apontam a possibilidade de estagnação da expansão da agricultura irrigada na região, levantando preocupações sobre a sustentabilidade de longo prazo do setor na bacia do rio Grande.

“Ouvimos muito na região que as retiradas de água são acima dos níveis de outorga. Então, o primeiro ponto de recomendação seria a revisão dessas permissões, justamente para que estejam de acordo com o novo normal climatológico que estamos vivendo. A série histórica pode estar defasada, levando a uma permissão acima do que é possível ofertar. Observamos por meio de dados de monitoramento de poços da CPRM que os níveis de águas subterrâneas estão caindo, mas esse sistema ainda é muito utilizado. Por isso, outra necessidade seria a fiscalização para proibir poços clandestinos e o monitoramento da exploração de novos locais de perfuração, visando um uso racional dos recursos hídricos”, afirma Martins à Agência FAPESP.

O grupo recomenda também que seja aprimorada a fiscalização das mudanças de uso e cobertura do solo para que áreas de recarga do aquífero não sejam comprometidas, além de incentivar estratégias mais eficientes e racionais da utilização de água na agricultura. Para estudos futuros, os cientistas sugerem a exploração de outros caminhos para adaptação às condições atuais, como a possibilidade de conectar o subsistema elétrico local à rede nacional e a criação de canais adicionais para garantir o abastecimento.

O artigo Long-term sustainability of the water-agriculture-energy nexus in Brazil’s MATOPIBA region: A case study using system dynamics pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s13280-024-02058-9#Ack1.

 





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Aprosoja MT fortalece relações comerciais e sustentáveis com a China


Nesta segunda-feira (28), a Aprosoja Mato Grosso deu início à missão para fortalecer laços comerciais e discutir a sustentabilidade do agronegócio na China. A comitiva, liderada pelo presidente da associação, Lucas Costa Beber, contou com outros diretores que participaram de encontros com autoridades e representantes de instituições chinesas.

A primeira reunião ocorreu na Embaixada do Brasil em Beijing, onde a delegação foi recebida pelo embaixador Marcos Galvão e três adidos. Durante o encontro, o presidente da Aprosoja MT destacou a importância de promover a sustentabilidade do agro brasileiro, com informações referentes às pesquisas sobre sequestro de carbono e acordos que beneficiaram a cadeia de suprimentos de soja e milho entre Brasil e China.

Lucas ressaltou: “Conversamos com o nosso embaixador e com nossos adidos agrícolas para entender o que a China espera de nós e como vemos o futuro do mercado da soja e do milho.”

O embaixador Marcos Galvão enfatizou a continuidade das políticas de importação e exportação, mesmo com a alternância de poder, e destacou a relevância do diálogo sobre sustentabilidade. “É um bom momento para abrir um diálogo, com dados e análise da segurança do Brasil como supridor”, afirmou Galvão.

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Diálogo e cooperação

Foto: Aprosoja Mato Grosso

Em seguida, a comitiva visitou a Longping CITIC, onde o presidente Liu Zhiyong mencionou os números da China: cerca de 90 milhões de toneladas de soja e 20 milhões de toneladas de milho importadas anualmente, reconhecendo o Brasil como parceiro estratégico. A discussão também abordou oportunidades de cooperação em pesquisa e logística.

A delegação se reuniu com o presidente da CFNA, Sr. Cao Derong, que elogiou os resultados do projeto Guardião das Águas e expressou interesse em colaborar com a Aprosoja MT na certificação da soja sustentável. Lucas destacou o programa Soja Legal, já reconhecido pelo MAPA, e apresentou os principais projetos da entidade, com reforço às práticas sustentáveis e os números de produtividade em soja e milho.

“Os produtores mato-grossenses estavam preparados e mostramos isso para que, cada vez mais, Mato Grosso conseguisse alcançar novos mercados e tivesse espaço diante das exigências do comércio internacional, promovendo a valorização dos nossos grãos”, acrescentou Lucas.

A comitiva foi composta também pelo diretor administrativo Diego Bertuol, o diretor financeiro Nathan Belusso, os vice-presidentes Fernando Ferri (sul) e Luiz Otávio Tatim (oeste), o diretor executivo Wellington Andrade, e o presidente da Cooprosoja, Fernando Cadore.



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