A Farsul divulgou, nesta segunda-feira (25), os resultados das exportações gaúchas do mês de outubro. Na comparação com setembro de 2024, houve queda de 1,3% no valor das exportações, mas um aumento de 11% no volume.
Em comparação com o mesmo período do ano anterior, também houve queda, de 10% no valor total, de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão. O volume exportado, entretanto, aumentou no agregado, passando de 2,4 milhão de toneladas em outubro de 2023 para 2,6 milhões de tonelada em julho de 2024, um aumento de 8%.
Em setembro, o estado do Rio Grande do Sul exportou um total de US$ 2,3 bilhões, sendo que o agro respondeu por US$ 1,5 bilhões deste montante, ou seja, 66%. Em volume, o agronegócio representou 91% do total exportado. As exportações do agro gaúcho, no acumulado de janeiro a outubro de 2024 totalizaram US$ 12,4 bilhões, valor 7,5% inferior ao exportado no mesmo período de 2023. Já no volume, o total exportado foi de 19,6 milhões de toneladas, aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2023.
Os principais parceiros comerciais do estado no período foram a Ásia (sem o Oriente Médio), com US$ 934 milhões e 1,9 milhão de toneladas, e a Europa, que atingiu US$ 230 milhões, sendo US$ 186 milhões para a União Europeia. Em seguida temos o Oriente Médio com US$ 130 milhões, América do Sul com US$ 95 milhões, África com US$ 52 milhões, América do Norte com US$ 45 milhões, América Central e Caribe com US$ 32 milhões e Oceania com US$ 1,3 milhões.
Quanto aos países, a China aparece em primeiro lugar com US$ 742 milhões e participação de 48,8% no valor. Em segundo lugar temos o Irã com 3,5%, França com 3,2%, Bélgica com 2,5% e Estados Unidos com 2,4%.
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Foto: Divulgação
Segundo a análise de novembro do Global Crop Monitor (GEOGLAM), a colheita de soja avança em ritmo acelerado nas principais regiões produtoras do mundo, com destaque para os Estados Unidos e Brasil. Nos EUA, a colheita está próxima da conclusão e ocorre mais rapidamente que o habitual, impulsionada por condições climáticas excepcionais. O país deve atingir um recorde histórico nos rendimentos nacionais.
No Canadá, os resultados variam conforme a região: rendimentos acima da média foram registrados em Ontário e Manitoba, enquanto Saskatchewan apresentou números abaixo da média. Na China, a colheita está finalizando sob condições amplamente favoráveis.
A Índia segue com a colheita em andamento, em condições climáticas favoráveis, e registra um aumento na área semeada em relação ao ano passado. Já na Ucrânia, rendimentos abaixo da média foram observados em áreas centrais, orientais e sulistas, devido ao clima quente e seco, embora a região oeste apresente melhores resultados.
No Brasil, as chuvas regulares beneficiaram a semeadura nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, acelerando as atividades. Contudo, no norte, o processo ainda está no início, com agricultores aguardando chuvas consistentes. A área total de plantio no país deve superar a da temporada passada, consolidando sua posição como um dos maiores produtores globais de soja.
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Foto: Nadia Borges
Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (21) pela Emater/RS, o potencial produtivo do milho silagem segue elevado no Rio Grande do Sul, mesmo com o baixo índice de chuvas registrado em novembro. As perdas estão concentradas em lavouras de sequeiro, que enfrentaram períodos prolongados de estiagem. Atualmente, 65% das plantações estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 35% estão em fases reprodutivas.
Para a safra 2024/2025, a Emater/RS-Ascar projeta o cultivo de 357.311 hectares no estado, com uma produtividade média estimada de 39.457 kg/ha.
Sobre o milho-verde, os produtores da região administrativa de Erechim se preparam para o início da colheita, previsto para o final de novembro. Já em Cruzeiro do Sul, na região de Lajeado, as primeiras áreas de milho-verde começaram a ser colhidas.
O rendimento inicial está alinhado às expectativas, com 40 mil espigas por hectare, equivalentes a 13 toneladas por hectare. Essas áreas, livres de pragas e doenças, não sofreram com estresse hídrico até o momento. A produção está sendo colhida em parcelas programadas, e os produtores estão recebendo R$ 0,60 por espiga nas primeiras remessas.
A diretoria da rede de supermercados Carrefour foi pega de surpresa com a dimensão que a fala do CEO da empresa na França, Alexandre Bompard, causou no Brasil.
Porém, o setor brasileiro se levantou e afirmou que a declaração se tratava de protecionismo disfarçado de preocupação ambiental.
Assim, após diversas entidades do setor no Brasil expressarem repúdio e os maiores frigoríficos do país, como JBS e Marfrig, paralisarem o envio do produto à rede varejista, um pedido de desculpas parece estar prestes a ser anunciado por Bompard, afirmando que a rede voltará a adquirir carne da região.
Na noite desta segunda-feira, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, ressaltou que a embaixada francesa no Brasil está intermediando com o Carrefour “uma fala de retratação”.
Em entrevista à TV Globo, o ministro afirmou que “o embaixador francês se ofereceu, falando com o nosso secretário de relações internacionais, para ser um intermediador de uma proposta para apaziguar este assunto”.
A falta de carne já começa a ser sentida nas gôndolas dos supermercados da rede. No país, o grupo Carrefour também opera com as lojas Atacadão e Sam’s Club.
O Brasil é, inclusive, o segundo maior mercado da empresa no mundo. Entre janeiro e setembro deste ano, foram cerca de R$ 95 bilhões em faturamento. O montante perde apenas para a França, país-sede do grupo, onde a receita gira em torno de R$ 200 bilhões.
O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, recebeu nesta segunda-feira (25), na sede do Ministério, os 29 adidos agrícolas brasileiros em missão, além dos profissionais recém-designados para atuar nas 11 novas adidâncias.
“Fortalecer as relações diplomáticas e ampliar mercados internacionais são prioridades da atual gestão, conforme orientação do presidente Lula”, afirmou o chefe da pasta.
De acordo com ele, foram mais de 70 missões internacionais para estreitar laços comerciais. “A vocês, adidos, cabe identificar as oportunidades de cada país, para fortalecer o agronegócio brasileiro. Juntos, vamos aumentar a eficiência do setor e gerar mais empregos.”
Abertura de novos mercados
O Brasil já abriu 281 novos mercados para produtos agropecuários em 61 destinos. Segundo Fávaro, as novas adidâncias desempenharão um papel essencial na identificação de oportunidades e no fomento à cooperação internacional, contribuindo para ampliar mercados e consolidar parcerias estratégicas.
“O trabalho de vocês ao redor do mundo está criando muitas oportunidades para o Brasil. Vamos continuar ampliando mercados e explorando novas possibilidades”, destacou.
Mais adidos agrícolas
Atualmente, o Brasil possui adidos agrícolas em 29 locais estratégicos:
África do Sul;
Alemanha;
Angola;
Arábia Saudita;
Argentina;
Austrália;
Canadá;
China (dois adidos);
Colômbia;
Coreia do Sul;
Egito;
Estados Unidos;
França (na Delegação do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas em Paris);
India;
Indonésia;
Itália (na Delegação Permanente do Brasil junto à FAO e outros organismos internacionais);
Japão;
Marrocos;
México;
Suíça (na Delegação do Brasil junto à OMC e outras organizações econômicas em Genebra);
Peru;
Reino Unido;
Rússia;
Singapura;
Tailândia;
Bélgica (na Missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas, com dois adidos); e
Vietnã
Com a ampliação, o Brasil contará com adidos agrícolas em mais 11 países:
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) iniciou uma ofensiva no Congresso contra os boicotes de empresas da França ao agronegócio brasileiro.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) apresentou nesta segunda (25), requerimento de convite ao embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, para uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Esclarecimentos sobre postura da França
Em nota, a entidade diz que o objetivo é “obter esclarecimentos sobre a postura da França em relação ao Acordo Mercosul – União Europeia e à decisão do Carrefour de boicotar carnes do bloco”.
Coordenadora política da FPA, Tereza Cristina classifica as atitudes como “protecionismo disfarçado de preocupação ambiental”. Para ela, o Brasil já adota padrões ambientais, como o Código Florestal, e lidera práticas de produção sustentável globalmente.
A senadora pretende acelerar a tramitação do projeto de lei sobre reciprocidade ambiental, que estabelece critérios similares aos impostos pela União Europeia para as importações brasileiras.
“Se a Europa quer impor barreiras comerciais ao Brasil, devemos adotar medidas equivalentes para produtos europeus. Não podemos aceitar que interesses protecionistas prejudiquem nossa soberania e nosso setor produtivo”, enfatiza.
Audiência pública em dezembro
O projeto é uma das prioridades da bancada do agro para esse último trimestre. O projeto exige os mesmos critérios de redução de emissão de carbono exigidos do Brasil para exportação para importação de produtos. O foco é a União Europeia. O tema será alvo de uma audiência pública na primeira semana de dezembro deste ano, diz a entidade.
Moreira ainda cita na justificativa “antecedentes” nas operações da rede de supermercados no Brasil. Em 2023, um casal negro foi agredido pela equipe de segurança do Carrefour. Além disso, a Comissão de Agricultura e Pecuária trabalha para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a fim de detalhar as ações do Itamaraty frente ao boicote e às negociações do acordo Mercosul-União Europeia.
“O objetivo é que o embaixador exponha as ações do Itamaraty a respeito do boicote de carnes ao Carrefour e fale sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o qual a França já adiantou que não irá assinar,” afirmou o deputado federal Evair de Melo (PP-ES).
O mercado físico do boi gordo abre a semana apresentando alta em seus preços. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o destaque da segunda-feira ficou com o Mato Grosso do Sul, com altas mais consistentes em comparação aos demais estados.
“A expectativa ainda é de continuidade deste movimento no curto prazo, em linha com a posição das escalas de abate, que seguem encurtadas em grande parte do país. As exportações de carne bovina ainda acontecem de maneira contundente, com forte ritmo de embarques nos últimos meses”, disse o analista da empresa Fernando Henrique Iglesias.
Preços do boi gordo
Mato Grosso do Sul: R$ 341,02
Mercado atacadista
Foto: Agência Brasil/arquivo
O mercado atacadista volta a apresentar preços mais altos para a carne bovina no início da semana. O ambiente de negócios sugere por novos reajustes no curto prazo.
“Porém, o limitado poder de compra da população brasileira é um impeditivo para alta ainda mais consistentes dos preços da carne”, disse Iglesias.
O quarto dianteiro foi precificado a R$ 20,00 por quilo, alta de R$ 0,50. Quarto traseiro foi precificado a R$ 26,50 por quilo, alta de R$ 0,50. A Ponta de agulha foi precificada a R$ 19,50 por quilo, alta de R$ 0,50.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,15%, sendo negociado a R$ 5,8033 para venda e a R$ 5,8013 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,7759 e a máxima de R$ 5,8204.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou informativo meteorológico com a previsão do tempo entre esta segunda-feira (25) e a próxima (2 de dezembro) para as cinco regiões brasileiras. Confira:
Sul
A semana começará com instabilidades no sul do Rio Grande do Sul, o que favorece chuvas em grande parte do estado em acumulados acima de 50 mm. O deslocamento de um sistema frontal aumentará as precipitações na região, podendo gerar volumes acima de 100 mm em áreas do território gaúcho e em Santa Catarina ao longo desta semana.
Sudeste
Foto: Inmet Divulgação
A tendência é de tempo firme nos próximos dias, com possibilidade de chuvas no leste de São Paulo e sul do Rio de Janeiro a partir de sexta-feira (29), com aumento das áreas de instabilidade nos dias seguintes em quase toda a região, com exceção do centro-norte de Minas Gerais.
De acordo com o Inmet, os maiores acumulados estão previstos para o leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com volumes abaixo de 50 mm.
Centro-Oeste
As instabilidades no tempo persistirão no Centro-Oeste do país. Assim, chuvas localmente significativas são esperadas em Mato Grosso e no oeste de Goiás, com acumulados previstos acima de 40 mm, mas podendo atingir 100 mm em algumas localidades (tons de vermelho no mapa). Em Mato Grosso do Sul e centro-leste de Goiás, as precipitações deverão permanecer abaixo de 20 mm nos próximos dias.
Norte
Áreas de instabilidade associadas ao calor e à alta umidade provocarão pancadas de chuva ao longo da semana, com acumulados abaixo de 50 mm (tons de verde) no Acre, Roraima e sul do Pará.
Já no centro-oeste do Amazonas e em áreas do Tocantins, o Inmet prevê que as chuvas podem superar 100 mm em alguns locais (tons de vermelho a rosa). A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) deve provocar acumulados acima de 50 mm no norte do Amapá. No norte do Pará, centro-sul do Amapá e grande parte de Roraima, os acumulados de chuva deverão ficar abaixo de 20 mm.
Nordeste
A previsão do Inmet indica área de instabilidade no nordeste da Bahia e Sergipe, que deve provocar acumulados acima de 50 mm entre os dias 26 e 29 de novembro.
No oeste da Bahia, sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste de Pernambuco, as pancadas de chuva poderão ser isoladas, com acumulados previstos abaixo de 50 mm. Nas demais áreas, o tempo permanecerá quente e com baixa probabilidade de chuva.
Uma tecnologia que auxilia as plantas a absorver fósforo já gerou benefícios estimados em R$ 4,2 bilhões ao Brasil desde 2019, data de seu lançamento, até a atual safra 2022/2023. Desenvolvido pela Embrapa em parceria com a empresa brasileira Bioma, o inoculante solubilizador de fosfato, conhecido pelo nome comercial BiomaPhos, expandiu a sua presença em lavouras de 228 mil hectares, na safra 2018/2019, para mais de quatro milhões de hectares no atual período agrícola.
Segundo a Embrapa, nesse período o bioproduto impactou a soma de mais de 10 milhões de hectares que receberam o produto. O retorno financeiro estimado foi baseado no aumento da produtividade proporcionado pela aplicação do inoculante.
“Além de ser uma solução tecnológica inovadora e sem precedentes no mercado, o solubilizador de fosfato é possivelmente o maior caso de sucesso de adoção de uma tecnologia da Embrapa nos últimos anos”, relata Christiane Paiva, pesquisadora da área de Microbiologia do Solo da Embrapa Milho e Sorgo (MG), responsável pela pesquisa que chegou aos produtos comerciais. A tecnologia começou nas lavouras de milho e atualmente beneficia também as culturas de soja, cana e feijão.
O pesquisador Rubens Augusto de Miranda realizou um estudo que registrou a expansão do uso do bioinsumo ao longo do tempo. “A confirmação da eficiência do produto nos dois primeiros anos resultou no grande sucesso na safra 2020/2021, quando alcançou a marca de 2,45 milhões de hectares. Em 2021/2022, chegou a 2,77 milhões de hectares e, na safra seguinte, alcançou novo recorde com quase quatro milhões de hectares de área plantada. A expectativa é que em 2023/2024 a área de adoção de inoculantes solubilizadores de fosfato com tecnologia da Embrapa ultrapasse 5 milhões de hectares”, afirma o cientista. Os dados estão no Balanço Social da Embrapa de 2023 e a área de adoção foi estimada a partir da quantidade de doses comercializadas pela Bioma.
Segundo a Embrapa, a quantia estimada de R$ 4,27 bilhões em benefícios ao produtor é consideravelmente superior aos custos de desenvolvimento da tecnologia: cerca de R$ 53,3 milhões até esse período.
“Adicionalmente, o inoculante solubilizador de fosfato não apenas justificou financeiramente o investimento para a sociedade, como também trouxe mais visibilidade à Embrapa, proporcionando benefícios intangíveis para a Empresa”, rafirma Miranda.
Expansão internacional
Christiane Paiva conta que a solução extrapolou o mercado nacional e chegou no exterior. “Ela começou a ser avaliada nos Estados Unidos em 2022 quando obteve a liberação de uso em 14 estados americanos, incluindo os que compõe o chamado Cinturão do Milho, o Corn Belt”, conta Artur Soares, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa parceira Bioma.
Segundo ele, em maio de 2024 o produto foi ainda registrado na Alemanha, Canadá, Argentina, Paraguai, Bolívia e Costa Rica. No Uruguai, está em fase em registro. “A tecnologia foi validada no campo nos Estados Unidos, Canadá e Alemanha com ganhos médios de produtividade de 17 sacas de milho por hectare nas áreas avaliadas e de 10 sacas de soja por hectare”, diz Soares.
Como funciona a bisolubilização de fósforo?
Apenas 0,1% do elemento fósforo (P) está prontamente disponível para absorção imediata pelas plantas. Estudos conduzidos pela Embrapa revelam que há um estoque bilionário de fósforo nos solos, que se encontra inerte e que não pode ser aproveitado pelas plantas. “Em alguns solos de plantio direto, cerca de 88% do fósforo encontra-se em forma orgânica, indisponível para ser absorvido pelas raízes, e precisa ser mineralizado para esse fim. As bactérias solubilizadoras de fosfatos conseguem disponibilizar o elemento para a planta, atuando de forma agronômica nesse grande estoque presente na natureza”, conta Christiane Paiva.
O primeiro inoculante comercial brasileiro para a solubilização de fosfato foi produzido a partir de microrganismos tropicais, selecionados pela Embrapa. O inoculante líquido é recomendado para tratamento de sementes ou aplicação via jato dirigido no sulco de semeadura. De acordo com Paiva, os Bacillus presentes nos produtos comerciais se multiplicam mais facilmente e colonizam de forma mais eficiente a região da raiz da planta, a rizosfera, iniciando a produção de diferentes substâncias que atuam no processamento do fósforo, chamadas de solubilizadores, tornando esse nutriente mais disponível para a absorção e assimilação pelas plantas.
Além disso, a pesquisadora afirma que os Bacillus atuam na mineralização do fósforo presente na matéria orgânica do solo por meio da liberação de enzimas fitases, dando maior aporte desse elemento para o cultivo. Segundo ela, nas avaliações realizadas em áreas de produção de milho, a aplicação do produto resultou em ganho médio de produtividade de 8,9% e aumento de 19% do elemento fósforo exportado para os grãos. Para a soja, a média de produtividade saltou de 67,2 sacas por hectare para 71,6 sacas, além do aumento de 14% do conteúdo de fósforo nos grãos. No caso da cana, os ganhos em toneladas por hectare ficam acima de 14%, além de incremento de 12% para toneladas de açúcar.
Histórico da pesquisa e expansão de mercado
O inoculante solubilizador de fosfato foi lançado em agosto de 2019 (veja aqui), após mais de 19 anos de pesquisas, por meio de uma parceria público-privada entre a Embrapa e a empresa Bioma. Inicialmente, foram conduzidas ações voltadas para o isolamento de cepas eficientes para solubilização de fosfato, coletando-se amostras de solo, planta e raiz em áreas agrícolas representativas das culturas de milho e soja. Posteriormente, realizou-se o processo de screening (rastreamento) em bancada para a seleção das cepas mais eficientes na solubilização de vários tipos de fosfatos e produção de substâncias promotoras de crescimento da planta, segundo relembra a pesquisadora Christiane Paiva.
De acordo com ela, as cepas foram caracterizadas para testes em casa de vegetação e campo. “Foram selecionadas as cepas das bactérias Bacillus subtilis, que solubiliza fosfato de cálcio e ferro e apresenta alta produção de ácido glucônico e da enzima fitase – e Bacillus megaterium (isolada da rizosfera de milho, com capacidade de solubilizar fosfatos de cálcio e produzir fosfatase). Essas duas estirpes foram isoladas de áreas agrícolas no País, nas quais prevalece o cultivo de cereais e possuem propriedades de promoção de crescimento, estimulando o aumento da superfície radicular. Também registramos a produção de biofilme, que pode ajudar a proteger as plantas contra pragas e doenças, além de promover o crescimento das culturas por meio da disponibilidade de nutrientes”, diz Christiane.
Após a comprovação dos bons resultados da pesquisa desenvolvida pela Embrapa, foi estabelecida, ainda em 2016, a parceria com o parceiro privado, que estabeleceu os índices de produção em larga escala e executou os testes de diferentes formulações, culminando com o lançamento do produto comercial em 2019, indicado inicialmente para milho. Em 2021, foi obtido o registro para as culturas da soja e da cana-de-açúcar no Ministério da Agricultura (Mapa). O produto foi registrado no fim de 2023 também para a cultura do feijoeiro, trazendo incrementos de produtividade de 14%, dados avaliados em diversas regiões do País, em campos experimentais da Embrapa Arroz e Feijão. “Novos registros de uso do produto estão sendo validados agronomicamente, como para a cultura do sorgo, arroz, tomate, batata, entre outros”, antecipa a pesquisadora.
O mercado de bioinsumos
De acordo com a quinta edição do Outlook GlobalFert 2024, um dos principais provedores de informações estratégicas do segmento, houve aumento de 11% no consumo de fertilizantes em 2023, reflexo do movimento de retomada da demanda de mercado, após um período de restrições, gargalos logísticos e aumento nos preços causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia. “A demanda nacional por fertilizantes é extensa e acaba exigindo a importação em alta escala, tendo em vista que 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados”, cita a publicação.
A meta brasileira de descarbonização da agricultura vem ao encontro de investimentos em alternativas para reverter essa situação, com o objetivo de aumentar a competitividade da agricultura nacional. “O Brasil se destaca como um dos principais consumidores de bioinsumos em nível mundial, com grandes chances de se posicionar como o maior consumidor desses produtos em escala global até o fim da presente década. Em se tratando de biofertilizantes, o Brasil liderou a primeira posição no ranking de adoção no primeiro semestre de 2023, com 36% de penetração, ficando à frente da União Europeia (25%) e China (22%)”, segundo informações da GlobalFert.