quarta-feira, julho 15, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

um ano de desafios e conquistas no agronegócio brasileiro


O agronegócio brasileiro enfrentou um ano de desafios e avanços em 2024. De enchentes históricas no Rio Grande do Sul que afetaram a produção de grãos à abertura de novos mercados internacionais, cada mês trouxe lições para o setor. A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, a regulamentação dos bioinsumos no Brasil e as iniciativas sustentáveis do Plano Safra reforçaram a importância de inovação, resiliência e adaptação em um cenário cada vez mais complexo. Confira os principais destaques mês a mês.

Janeiro: soja em foco e desafios do produtor rural

As previsões para a safra de soja marcaram o início do ano. Segundo a TF Agroeconômica, a produção brasileira poderia alcançar 154 milhões de toneladas, desafiando a visão pessimista de algumas análises regionais. Apesar disso, os estoques globais elevados, que passaram de 101,92 milhões para 114,21 milhões de toneladas, pressionaram os preços para baixo. A recomendação para os produtores foi vender o quanto antes, evitando perdas ainda maiores.

Além do mercado da soja, os custos elevados e a necessidade de sustentabilidade pautaram as discussões no campo. A tecnologia UC System foi destaque, permitindo a limpeza rápida de mangueiras hidráulicas e reduzindo o consumo de óleo das máquinas agrícolas. Essa inovação fortaleceu a economia circular, alinhando-se às demandas do ESG (ambiental, social e governança).

Outro ponto relevante foi o alerta para os danos causados pela contaminação em sistemas hidráulicos, que representam 80% das falhas em máquinas agrícolas. Ao adotar práticas preventivas, os produtores poderiam evitar prejuízos de até R$ 150 mil por máquina, contribuindo para a produtividade e sustentabilidade no campo.

Fevereiro: pressões internacionais e mercados em ebulição

O avanço das exportações brasileiras para a Europa gerou protestos de produtores locais, que pressionaram seus governos para impor barreiras ao comércio. A competitividade brasileira, segundo Aline Locks, CEO da Produzindo Certo, desafiou os modelos produtivos europeus, levando líderes políticos, como Emmanuel Macron, a se posicionarem contra acordos comerciais com o Mercosul.

Outro destaque foi o aumento das compras de soja brasileira pelos Estados Unidos, motivadas pela sua alta qualidade e preço competitivo. Esse movimento inédito despertou atenção no mercado internacional, gerando especulações sobre o impacto nas cotações em Chicago. Especialistas alertaram para o efeito de novas transações no equilíbrio da oferta e demanda globais.

Enquanto isso, no Brasil, as negociações com mais de 160 países destacaram o papel estratégico do agro na geopolítica global. A diversificação dos mercados e a necessidade de atender a exigências ambientais reforçaram a importância de um planejamento robusto para manter a liderança no setor.

Março: liderança no Paraguai e alta no preço do leite

A história inspiradora de José Marcos Sarabia, brasileiro que se tornou líder do agronegócio no Paraguai, ganhou destaque com o lançamento de seu livro “Sementes de Sucesso”. O relato de Sarabia trouxe lições de resiliência, inovação e visão estratégica, ressaltando a importância da sucessão familiar para o crescimento sustentável dos negócios.

Enquanto isso, o preço do leite no Brasil registrou alta de 4,5% pelo terceiro mês consecutivo, conforme o Cepea. Essa valorização foi acompanhada por aumentos nos derivados lácteos, como o leite UHT e a muçarela. Apesar disso, o déficit da balança comercial do setor foi reduzido devido ao crescimento das exportações, indicando uma recuperação gradual.

No cenário agrícola, produtores enfrentaram desafios com os custos estáveis da pecuária leiteira. Mesmo com a desvalorização dos grãos, outros insumos encareceram, mantendo o custo operacional elevado. O cenário exigiu estratégias eficientes para sustentar a produção e atender à crescente demanda interna e externa.

Abril: rota para a Ásia e BRICS no mercado de grãos

O Brasil celebrou a abertura do mercado sul-coreano para subprodutos de origem animal, marcando a 27ª conquista comercial do agronegócio no ano. A expansão fortaleceu a posição brasileira como fornecedor estratégico na Ásia, impulsionando as exportações de farinhas e gorduras de aves.

Simultaneamente, a Rússia pressionou os BRICS para criar uma bolsa de grãos interbloco, buscando maior influência nos preços globais. O presidente Vladimir Putin destacou a necessidade de alternativas ao controle europeu e norte-americano sobre as cotações, gerando discussões sobre a viabilidade do projeto.

Essa iniciativa dividiu opiniões entre os países-membros, que consideraram os benefícios econômicos e os desafios técnicos da proposta. Para o Brasil, o fortalecimento do BRICS poderia abrir novas oportunidades comerciais, mas também exigir adaptações no modelo produtivo.

Maio: enchentes no RS e impacto na produção

As enchentes no Rio Grande do Sul devastaram áreas agrícolas, deixando mais de 422 mil pessoas afetadas e causando prejuízos significativos na produção de soja, arroz e milho. Especialistas destacaram que a interrupção da colheita resultou em perdas de milhões de toneladas, pressionando os preços futuros das commodities.

Além disso, a logística do setor foi comprometida, com bloqueios nas estradas dificultando o transporte de rações e insumos para a cadeia produtiva de carnes. A tragédia evidenciou a necessidade de infraestrutura mais resiliente e de políticas públicas voltadas à mitigação de riscos climáticos.

Históricos comparativos mostraram que a enchente de 2024 superou a devastação de 1941, quando Porto Alegre enfrentou 24 dias de chuvas consecutivas. Os números reforçaram o impacto das mudanças climáticas e a importância de estratégias preventivas.

Junho: recuperação do solo e alta nos fertilizantes

A erosão do solo no RS emergiu como um dos maiores desafios pós-enchentes, exigindo práticas de manejo que favorecessem a regeneração da matéria orgânica. Especialistas alertaram que a recuperação poderia levar até uma década, dependendo de investimentos públicos e privados.

Os preços dos fertilizantes também dispararam, com alta de 21% na ureia importada devido a restrições em países produtores como Egito e China. O aumento agravou os custos de produção, especialmente para culturas de grãos, pressionando a rentabilidade dos produtores.

A situação destacou a necessidade de políticas que incentivassem o uso de bioinsumos e tecnologias mais acessíveis, reduzindo a dependência de insumos importados e fortalecendo a segurança alimentar.

Julho: Plano Safra impulsiona sustentabilidade e inovação

O Governo Federal lançou o Plano Safra 2024/2025, com R$ 400,59 bilhões destinados ao setor agropecuário. Desse total, R$ 293,29 bilhões foram alocados para custeio e comercialização, enquanto R$ 107,3 bilhões apoiaram investimentos. Entre as inovações, destacou-se o programa RenovAgro, que promoveu práticas sustentáveis, como recuperação de áreas degradadas e implantação de sistemas integrados de produção.

As taxas de juros foram ajustadas para atrair ainda mais adesão. Produtores enquadrados no Pronamp tiveram acesso a financiamentos com juros de 8% ao ano, enquanto programas específicos ofereceram taxas entre 7% e 12%. Além disso, o uso de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) permitiu maior flexibilidade no acesso a recursos.

Outra novidade foi o RenovAgro Ambiental, que financiou reparações ambientais em áreas embargadas, incentivando a regularização e o uso sustentável das terras. Essa abordagem fortaleceu o compromisso do Brasil com a sustentabilidade, alinhando produção e preservação.

Agosto: Congresso Andav e as oportunidades globais do agro

Durante a 13ª edição do Congresso Andav, Paulo Guedes ressaltou o papel estratégico do Brasil no agronegócio global. Em sua palestra, destacou o potencial do país para liderar a segurança alimentar e energética mundial, alertando para a importância de decisões internas assertivas e estratégias que evitem a autossabotagem.

A análise de Guedes abordou o cenário de escassez de alimentos e energia enfrentado por várias nações, reforçando a posição privilegiada do Brasil como fornecedor global. Ele afirmou que a combinação de recursos naturais, tecnologia e políticas públicas consistentes pode consolidar o país como líder no setor.

A mensagem principal foi clara: o agronegócio brasileiro tem tudo para prosperar, desde que saiba aproveitar suas vantagens competitivas e superar desafios internos. A integração entre agroindústria e sustentabilidade foi apontada como caminho essencial para o futuro.

Setembro: exportações de soja sob pressão

O ritmo acelerado das exportações brasileiras de soja em setembro gerou preocupações sobre um possível esgotamento do excedente exportável. Projeções indicaram remessas de 8,45 milhões de toneladas em agosto e entre 6,25 e 6,75 milhões de toneladas em setembro. Com 90,6% da meta anual já alcançada, analistas levantaram dúvidas sobre a sustentabilidade desse ritmo.

Os impactos dessa situação foram sentidos no mercado global. Uma eventual redução na oferta brasileira poderia influenciar os preços internacionais, alterando a dinâmica da demanda e afetando estoques estratégicos de grandes importadores, como a China.

Além disso, o cenário evidenciou a complexidade do mercado de commodities agrícolas. Estratégias de longo prazo para equilibrar exportações e estoques internos se tornaram essenciais para manter a competitividade e atender às demandas internacionais sem comprometer o mercado interno.

Outubro: municípios mais ricos do agro lideram produção nacional

Dados do IBGE revelaram os 100 municípios mais produtivos do Brasil em 2023, responsáveis por 31,9% do valor total da produção agrícola. Sorriso (MT) liderou a lista, com uma produção avaliada em R$ 8,31 bilhões, seguido por São Desidério (BA) e Sapezal (MT).

A soja manteve sua posição como a cultura mais valiosa, representando 42,8% do total, seguida pelo milho e pela cana-de-açúcar. A diversidade da produção brasileira ficou evidente com a relevância de culturas como algodão, café e laranja, consolidando o país como um dos maiores fornecedores globais de alimentos.

A região Centro-Oeste destacou-se com 36 municípios na lista, mostrando a força agrícola de estados como Mato Grosso e Goiás. Esses números reforçaram a importância da inovação e da gestão eficiente para sustentar o crescimento e a competitividade do agronegócio.

Novembro: Trump, China e os reflexos no agro brasileiro

A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos reacendeu debates sobre uma possível nova guerra comercial com a China. Em seu mandato anterior, Trump impôs tarifas sobre produtos chineses, levando Pequim a retaliar com tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, como soja e milho.

O Brasil, que se beneficiou dessa disputa em 2018 e 2019, está novamente em posição de vantagem. Caso Trump reinicie as tarifas, espera-se um aumento nas exportações brasileiras para a China. No entanto, analistas alertaram para os riscos de volatilidade no mercado e possíveis pressões sobre a capacidade produtiva do país.

Além disso, as políticas migratórias mais rígidas de Trump, que afetam a mão de obra agrícola nos EUA, podem beneficiar indiretamente o Brasil, destacando sua competitividade no fornecimento global de alimentos.

Dezembro: bioinsumos regulamentados e a segurança jurídica para o agro

O Senado aprovou o PL 658/21, que regulamenta a produção e o uso de bioinsumos, consolidando o Brasil como referência em práticas agrícolas sustentáveis. O projeto corrigiu lacunas normativas que colocavam em risco a autonomia dos agricultores e a inovação no setor.

A Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS) celebrou a aprovação como um marco para a agricultura regenerativa e a segurança jurídica. A medida foi vista como um incentivo à redução do uso de agrotóxicos, promovendo uma transição para sistemas mais sustentáveis e competitivos.

Com a sanção presidencial esperada, especialistas previram um crescimento acelerado no uso de bioinsumos, beneficiando não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e a economia rural. O Brasil encerrou o ano com uma importante conquista para o futuro do agro.

Cada mês de 2024 reforçou a resiliência do agronegócio brasileiro diante de desafios climáticos, econômicos e políticos. O setor demonstrou sua capacidade de adaptação, inovando e ampliando sua relevância global. Com aprendizados , o ano deixou um legado de avanços que moldarão o futuro do agro no Brasil e no mundo.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Clima e controle sanitário reforçam produção bovina



Levantamento revelou uma leve queda de 1,04% no Rio Grande do Sul




Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (26), as condições climáticas seguem beneficiando o desempenho dos rebanhos bovinos no Rio Grande do Sul. Temperaturas amenas e ventos têm contribuído para reduzir o calor nas horas mais quentes, promovendo o bem-estar animal.

As infestações por carrapato continuam baixas, mas produtores intensificam o controle de mosca-dos-chifres e berne com o uso de brincos mosquicidas. Já o período de parição foi finalizado, e o processo de engorda dos bovinos e a reprodução dos touros seguem avançando.

Em terneiros recém-nascidos, os cuidados preventivos contra miíases permanecem prioritários, enquanto os índices de cio e as condições corporais adequadas indicam alto potencial reprodutivo nos rodeios de cria.

Bagé e Candiota – Matrizes apresentam excelente recuperação corporal no pós-parto, e os terneiros mostram bom desenvolvimento.

Dom Pedrito – A temporada de monta já está avançada, com apartes de touros finalizados em várias propriedades.

São Gabriel – Inseminações artificiais em tempo fixo (IATF) foram realizadas, e touros seguem em atividade.

Caxias do Sul – Bovinos confinados recebem dietas balanceadas, como silagem e feno, favorecendo o ganho de peso.

Passo Fundo – Produtores intensificam o controle de parasitas e monitoram o rebanho para evitar tristeza parasitária bovina (TPB). Pelotas – Condições climáticas favorecem o campo nativo e as pastagens perenes, assegurando boas condições corporais e ajustes na lotação animal.

Santa Maria – O escore corporal dos rebanhos melhora com o término da parição, enquanto vacas com cria demandam nutrição adequada para garantir desmame eficiente.

Santa Rosa – A comercialização diminuiu e os preços se estabilizaram com a finalização das escalas de abate para o período de Natal.

O levantamento semanal da Emater/RS-Ascar revelou uma leve queda de 1,04% no preço médio do boi gordo, que passou de R$ 10,56/kg vivo para R$ 10,45/kg vivo. Em contrapartida, o preço da vaca para abate registrou alta de 0,54%, subindo de R$ 9,32/kg vivo para R$ 9,37/kg vivo.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Tabaco apresenta projeções de alta produtividade


De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (26), no Rio Grande do Sul, a safra de tabaco segue com boas perspectivas para a temporada 2024/2025. O clima favorável tem impulsionado o desenvolvimento das lavouras, com destaque para as regiões de Pelotas, Santa Rosa, Soledade e Frederico Westphalen.

Na região de Pelotas, a colheita já atingiu 20% da área plantada e deve se intensificar até fevereiro, encerrando em março. A área total cultivada é de 27.363 hectares, envolvendo 8.977 produtores. O desenvolvimento das plantas é considerado excelente, graças às chuvas regulares que mantiveram o solo úmido ao longo do ciclo. Além da colheita, os agricultores seguem com o manejo de capações (eliminação das inflorescências) e aplicações de produtos para controle de brotações.

Em Santa Rosa, houve expansão da área plantada em razão das boas condições para a cultura, especialmente em Porto Lucena e São Paulo das Missões. A colheita já atinge 70% das lavouras, com produtividade estimada em 2.300 kg/ha, superando a média das últimas safras. Produtores estão otimistas com os rendimentos, atribuídos à combinação de boa luminosidade e temperaturas elevadas.

Na região de Soledade, a colheita está em fase final, com dois terços das lavouras já colhidas. A maturação das folhas foi acelerada pelas condições climáticas, resultando em uma safra abundante. A grande oferta para cura nas estufas gerou filas, mas não comprometeu a qualidade do tabaco. Apesar de uma leve redução no valor da arroba, os preços seguem altamente favoráveis.

Em Frederico Westphalen, os tratos culturais continuam, com controle de pragas e manejo de brotações. A umidade do solo e as temperaturas elevadas favoreceram o crescimento das plantas, permitindo que a colheita avance conforme o cronograma. Na região, o sistema de cultivo em galpão permanece como método principal, com plantas penduradas em arames para secagem.

A mão de obra, em grande parte, é familiar, e nas propriedades maiores, diaristas são contratados para auxiliar no corte. O tabaco colhido passa por um pré-murchamento de quatro a cinco dias na lavoura, facilitando a secagem e o transporte. A produtividade média tem se mantido elevada, com preços estimados em R$ 230,00 por arroba no mercado paralelo. Para produtores vinculados a empresas fumageiras, há expectativa de classificação na categoria B1, que garante melhor remuneração, conforme  o Informativo Conjuntural.





Source link

News

Como foi o ano para a soja? Confira a retrospectiva do grão



O mercado global de soja enfrentou um desempenho substancialmente negativo em termos de valor durante 2024, com os preços do grão apresentando uma desvalorização significativa de cerca de 21% entre janeiro e o final do ano. De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a principal razão para essa queda foi o aumento da oferta global de soja, aliado à menor ocorrência de problemas climáticos na safra brasileira 2023/24.

“Este cenário foi particularmente relevante, visto que o ciclo anterior havia sofrido com uma drástica redução da área plantada nos Estados Unidos, o que resultou em um menor potencial produtivo”, lembra Silveira. A produção dos EUA na safra 2023/24 foi estimada em 113,2 milhões de toneladas, o que limitou suas exportações e manteve os estoques finais em cerca de 9,3 milhões de toneladas.

Desempenho da América do Sul

No entanto, a América do Sul, especialmente o Brasil e a Argentina, se destacaram neste cenário de oferta abundante, apesar dos desafios climáticos globais, como o fenômeno El Niño. “A safra brasileira foi robusta, mas não atingiu seu potencial máximo devido às questões climáticas”, explica Silveira. Com isso, o Brasil colheu mais de 150 milhões de toneladas, tornando-se uma das maiores colheitas da história, mas ainda assim aquém das 165 milhões de toneladas que poderiam ter sido alcançadas com condições climáticas mais favoráveis.

A Argentina, que havia enfrentado uma quebra histórica na safra anterior, apresentou uma impressionante recuperação, com produção estimada em cerca de 50 milhões de toneladas. “Esse volume não só renovou a posição da Argentina como um importante player no mercado de farelo de soja, mas também impulsionou as exportações em 2024”, destaca o consultor.

Exportações e dinâmica de preços

Apesar de uma produção recorde, o Brasil registrou uma redução nas exportações de soja em 2024 em comparação ao ano anterior, com volumes estimados em 98 milhões de toneladas. Essa queda se deu em um contexto de oferta global elevada e preços pressionados. Silveira aponta que, além da oferta abundante, fatores como as variações cambiais e os custos logísticos também contribuíram para as flutuações nos preços do grão ao longo do ano.

A situação começou a mudar no final do terceiro trimestre e início do quarto trimestre, quando a menor disponibilidade de soja, tanto no Brasil quanto no restante do mundo, começou a sustentar os preços.

“O Centro-Oeste brasileiro, por exemplo, observou uma elevação significativa do basis, refletindo as dinâmicas de compradores e vendedores ajustando suas expectativas”, comenta Silveira. Esse ajuste foi particularmente evidente na indústria de esmagamento de soja, que enfrentou dificuldades para garantir suprimentos adequados, pressionando os preços do óleo de soja para altas expressivas.

Competitividade brasileira no mercado global

Durante o primeiro semestre de 2024, as exportações brasileiras de soja foram intensas, com o Brasil se mostrando bastante competitivo, especialmente para a China, principal comprador da soja nacional. No entanto, à medida que o ano avançava, o ritmo das exportações desacelerou devido à menor disponibilidade interna e ao aumento da oferta global, com destaque para a produção argentina.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas impulsionam safras de verão na Austrália



As temperaturas no oeste chegaram a atingir 40°C nos dias mais quentes




Foto: Divulgação

O boletim semanal Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apontou que o clima na Austrália tem apresentado condições contrastantes, beneficiando algumas regiões e trazendo desafios para outras.

No sul de Queensland e nordeste de Nova Gales do Sul, chuvas generalizadas, variando entre 10 a 50 mm ou mais, mantiveram níveis de umidade considerados adequados a abundantes para o desenvolvimento das safras de verão. Apesar de o excesso de umidade ter atrasado o plantio adicional de sorgo, as condições gerais foram classificadas como boas para as plantações.

Já no restante de Nova Gales do Sul e no estado de Victoria, o clima quente e predominantemente seco contribuiu para a secagem dos grãos de inverno maduros que aguardavam a colheita. No entanto, o calor extremo registrado em algumas áreas levou à imposição de proibições temporárias de incêndio, provocando interrupções pontuais nos trabalhos de campo.

Nos estados de Austrália do Sul e Austrália Ocidental, o tempo quente e seco favoreceu a conclusão das atividades de colheita das safras de inverno. De acordo com o relatório, o processo está praticamente finalizado nessas regiões.

As temperaturas no oeste chegaram a atingir 40°C nos dias mais quentes. Já no sudeste, os termômetros registraram valores ainda mais elevados, com máximas superiores a 45°C em algumas áreas. No nordeste, as temperaturas ficaram dentro da média, com máximas em torno de 30°C.





Source link

News

produção no Brasil deve crescer 50% até 2030



Com as festas de fim de ano, o consumo de noz-pecã aumenta mundialmente, e o Brasil, com cerca de 10 mil hectares plantados atualmente, projeta expandir sua área de cultivo para 15 mil hectares até 2030, um salto de 50%. A previsão é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), que destaca o crescimento da cultura no Sul do país.

De acordo com Cleiton Wallauer, presidente da entidade, a noz-pecã está consolidada na região há mais de 70 anos, com novos pomares sendo abertos regularmente.

Os estados do Sul concentram toda a produção nacional, e a cultura oferece uma alternativa de diversificação de renda para produtores de diferentes portes.

O aumento projetado no cultivo pode consolidar o Brasil como o quarto maior produtor mundial da noz até o final da década.

Mercado interno e externo

A redução da oferta global de noz-pecã impulsionou os preços no mercado interno e intensificou as exportações. Dados da Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC) indicam que, até novembro de 2024, as exportações brasileiras do produto geraram aproximadamente US$ 200 milhões em receita, enquanto as importações somaram US$ 50 milhões.

Com a crescente demanda global e a adaptação da cultura às condições climáticas do Sul , o país se posiciona para aproveitar oportunidades tanto no mercado interno quanto externo.

A expansão projetada até 2030 reflete o potencial do setor para fortalecer sua presença no mercado global e diversificar a renda dos produtores.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

chuvas sazonais beneficiam produção de arroz



Safras de óleo de palma e arroz superam desafios climáticos no sudeste asiático




Foto: Pixabay

O boletim semanal Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), revelou que chuvas intensas continuam a impactar partes do sudeste asiático, particularmente as regiões orientais das Filipinas, Malásia e Indonésia. Apesar das condições adversas, a produção agrícola na região mantém expectativas positivas.

No leste das Filipinas, fortes fluxos de vento do leste trouxeram chuvas abundantes, especialmente nas regiões de Luzon e Mindanao, onde os volumes superaram os 150 mm. As inundações submergiram algumas plantações de arroz ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento, porém, segundo o USDA, não houve relatos de danos generalizados à produção.

No sul do sudeste asiático, incluindo Malásia e Indonésia, as chuvas permaneceram dentro dos padrões sazonais, marcando um alívio após as inundações severas registradas nas semanas anteriores. Essa redução na intensidade das chuvas possibilitou a retomada parcial da colheita de óleo de palma, minimizando perdas adicionais nos rendimentos.

Na ilha de Java, na Indonésia, o clima úmido característico da estação chuvosa garantiu umidade suficiente para o desenvolvimento vegetativo das plantações de arroz. As condições atuais são favoráveis para a continuidade da produção, sustentando a expectativa de uma colheita estável.





Source link

News

Mergulhadores retomam buscas na ponte entre Maranhão e Tocantins



Mergulhadores da Marinha e do Corpo de Bombeiros retomaram, na manhã deste sábado (28), a busca por desaparecidos após a queda da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).

O trabalho foi suspenso na sexta (27) devido ao risco de desabamento do que sobrou da estrutura da ponte, que caiu no último domingo (22).

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que, após a chegada e instalação de equipamentos de precisão, verificou-se estabilidade na estrutura existente, permitindo a retomada dos trabalhos de busca. “Ressaltamos que o monitoramento da estrutura está sendo feito de forma contínua”, afirmou a autarquia.

As ações estão sendo feitas por equipes de mergulho em uma profundidade que varia de 20 a 60 metros.

A Petrobras e a Transpetro disponibilizaram um robô e equipes técnicas para ajudar nas buscas por vítimas da tragédia.

Novos equipamentos da Marinha também chegaram nesta sexta-feira (27), entre os quais, uma câmara hiperbárica e o regulador de mergulho independente, que tem o suprimento de ar feito por mangueiras que chegam à superfície. Com isso vai ser possível realizar o trabalho por um período maior.

São nove os mortos e oito os desaparecidos com o colapso da ponte. Uma pessoa foi resgatada com vida.

Hoje, a Marinha corrigiu o número de mortes, informando que, após a identificação do corpo encontrado no final do dia de ontem (27), foi concluído que se tratava de uma das pessoas desaparecidas após a queda da ponte.

Na quinta-feira (26), os mergulhadores localizaram os caminhões que transportavam defensivos agrícolas e ácido sulfúrico a uma profundidade de cerca de 35 metros no Rio Tocantins.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) emitiu um parecer técnico de que não há risco de contaminação da água e informou que testes continuarão sendo realizados.

O Dnit informou que uma força-tarefa se encontra na região em apoio à população, com a contratação de balsas para a travessia do rio, e no trabalho de apuração das causas da queda da estrutura. O governo federal destinará mais de R$ 100 milhões para as obras de recuperação e retirada dos escombros.



Source link

News

Você viu? Nova técnica aumenta produtividade do milho em 287%


Em estudo desenvolvido no município de Marianópolis, no Tocantins, foi observado que o cultivo intercalar de milho, antes da colheita da soja, aumenta a produtividade e reduz os riscos da segunda safra tardia. Essa foi uma das reportagens mais lidas do Canal Rural nesta semana.

Chamada de Antecipe, a técnica desenvolvida pela Embrapa promoveu aumento do número de espigas e da produtividade de grãos de milho em 287%, comparado ao plantio convencional desse cereal pós-soja.

Com a tecnologia, os pesquisadores registraram a média de 3.062 quilos por hectare nos experimentos.

O estudo comparou três sistemas de cultivo: intercalar do milho antes da colheita da soja (o Antecipe), a semeadura do milho após a colheita da soja e um terceiro sistema denominado “padrão do produtor”, em que o milho foi semeado após a colheita da soja no mesmo dia do Antecipe.

A pesquisa foi executada em parceria por três Unidades da empresa: Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), Embrapa Milho e Sorgo (MG) e Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

“O Antecipe é uma tecnologia com potencial de aumentar a produção de milho na segunda safra no Tocantins, respeitando a janela de recomendação para o milho safrinha no estado”, declara o agrônomo da Embrapa Francelino Peteno de Camargo, responsável pelo experimento no estado.

Antecipe é sucesso em oito estados

O Tocantins é um dos oito estados em que o Antecipe gerou bons resultados. “O sistema foi validado em várias regiões do país que adotam a safrinha, como Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão”, relata o pesquisador Décio Karam, líder do projeto.

Ele conta que os resultados têm sido promissores, tanto nas operações de plantio intercalar do milho como na colheita da soja. Em Goiás, por exemplo, ocorreram os resultados expressivos na segunda safra de 2021. Em um experimento conduzido em Rio Verde (GO), o Antecipe entregou 66 sacas de milho por hectare. Na semeadura tradicional, com o milho semeado após a colheita da soja, a produtividade foi de 28 sacas por hectare.

Como funciona o sistema?

milho soja estudo embrapamilho soja estudo embrapa
Foto: Guilherme Viana/ Embrapa

Essa técnica permite a semeadura mecanizada do milho nas entrelinhas da soja durante a fase de enchimento de grãos da leguminosa, a partir do estádio R6.

Assim, o milho é cortado durante o processo de colheita da soja, reduzindo a área foliar das plantas. Porém, como o ponto de crescimento encontra-se abaixo da superfície do solo, a planta continua seu crescimento, sem prejuízo à produtividade de grãos.

Porém, essa desfolha deve ocorrer até o estádio de desenvolvimento V5 do milho, pois, se realizada após esse período, há perda de produtividade.

Essa estratégia permite ao produtor antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias antes da colheita da soja, reduzindo os riscos de perdas por condições climáticas desfavoráveis, típicas do final do verão e início do outono.

Com o plantio antecipado, a cultura do milho aproveita melhor as chuvas do início da estação, resultando em ganhos significativos de produtividade e rentabilidade.

De acordo com Karam, a técnica também reduz os custos de produção da soja, eliminando a necessidade de dessecação da cultura para antecipar a colheita, o que beneficia o produtor em aspectos operacionais, econômicos e ambientais.

Cultivares de soja de ciclo longo

Em regiões com maior experiência no cultivo da safrinha, é possível utilizar cultivares de soja de ciclo mais longo e maior potencial produtivo, sem comprometer o desempenho do milho.

Outra vantagem do sistema é a possibilidade de implantar o milho safrinha em áreas onde a segunda safra ainda não está consolidada, expandindo as janelas de cultivo para regiões antes consideradas inviáveis. Essa flexibilidade amplia o potencial agrícola, permitindo maior eficiência no uso da terra e contribuindo para a sustentabilidade do sistema produtivo.

O pesquisador Emerson Borghi explica que os cultivos intercalares antecipados nas entrelinhas da soja, antes de sua colheita, permitem semear a segunda cultura, que pode ser de milho, sorgo, milheto, gergelim ou pastagens, de acordo com a região e o negócio da propriedade.

A colheita da soja é feita sem causar danos às plantas dessas culturas.

“Desse modo, com melhores condições, a garantia de segunda safra pode ampliar o retorno econômico. Isso pode acontecer na produção de grãos, silagem ou, em casos em que o produtor adota a ILPF, ganho de peso na pecuária de carne ou leite, pois o pasto semeado nas entrelinhas da soja permite a entrada do gado mais cedo na área”, exemplifica Borghi.

Ele ainda ressalta o impacto ambiental da tecnologia: “tudo isso feito em plantio direto, garantindo uma pegada de carbono ainda mais efetiva e colocando o Brasil ainda mais na vanguarda da produção sustentável de alimentos para o mundo”.

A história do Antecipe

Lançado em 2020, o pacote tecnológico Antecipe apresenta uma abordagem inovadora para a produção de grãos. Desenvolvido pela Embrapa, o sistema combina um método inédito de cultivo, uma semeadora-adubadora, que já conta com pedido de patente pela Embrapa, e comercializada em parceria com a empresa Jumil.

A técnica consiste em semear o milho nas entrelinhas da soja. Para isso, a lavoura deve estar no estádio fenológico R6 pois, antes disso, o milho não se desenvolve pelo sombreamento causado pela soja.

Durante a colheita da soja, sem a necessidade de adaptações no maquinário, o equipamento corta simultaneamente as plantas das duas culturas, reduzindo a parte aérea do milho.

Mesmo com a passagem pela colhedora reduzindo a área foliar e os pneus da máquina amassando algumas plantas, o ponto de crescimento do milho não é afetado e, assim, a planta continua seu desenvolvimento.

Os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da tecnologia alertam para o estádio fenológico que o milho deve estar nesse momento, o que não pode ocorrer após a emissão da sexta folha com bainha visível (conhecido como estádio fenológico V6).

O plantio intercalar antecipado oferece vantagens estratégicas, garantindo um ganho de até 20 dias no ciclo de cultivo e permitindo que o milho se beneficie de condições climáticas mais favoráveis, otimizando a produtividade, quando comparado ao plantio do milho fora do calendário agrícola preconizado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Para a sua efetividade, o Antecipe tem que ser programado com antecedência, iniciando antes da semeadura da cultura de verão, segundo ressalta Borghi.

“Ele também depende da semeadora-adubadora específica, que pode ser utilizada para a semeadura de todas as culturas, independentemente da época do ano. Suas configurações atendem produtores de diferentes proporções, para diferentes finalidades, tornando essa tecnologia acessível a todos”, declara o pesquisador.



Source link

News

Agroindústria familiar dá a volta por cima e cresce 10% com feiras e eventos no RS



O pavilhão da Agricultura Familiar se consolidou como um marco das grandes feiras agropecuárias do Rio Grande do Sul.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural, em 2024, 3.967 agroindústrias estão registradas no Programa Estadual da Agroindústria Familiar (Peaf), 88 a mais do que no ano passado.

“No ano que vem, vamos mais que dobrar essa intenção de apoiar a agroindústria familiar. Queremos atingir o máximo de propriedades, estimulando agricultores impactados por eventos climáticos, jovens, mulheres, praticas sustentáveis e iniciativas de agroindustrialização e agregar valor naquilo que produzimos”, diz o secretário de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Vilson Covatti.

Os produtos expostos nos pavilhões das feiras são, geralmente, feitos de forma artesanal e, por vezes, usam frutas, legumes e recursos disponíveis na propriedade do pequeno produtor. Além de tudo, esse tipo de atividade envolve e mantém o jovem no campo.

Esse é o caso da Raquel Pellegrini, que saiu do meio rural, estudou e voltou para conduzir, junto com os pais, uma agroindústria em Paraí, na Serra gaúcha, especializada na confecção de geleias, molhos e outros itens.

“A gente vê muitos jovens que estão pegando gosto pelas agroindústrias, por tocar os negócios. Também as mulheres à frente dos negócios. As agroindústrias estão cada vez mais profissionais, com produtos melhores”, diz Raquel.

Faturamento da agroindústria familiar

O resultado de todo esse esforço está no faturamento. Somente com feiras e eventos, o setor contabilizou R$ 26,4 milhões ao longo de 2024, receita 10% superior ao atingido em 2023, quando as agroindústrias atingiram R$ 23,9 milhões em negócios.

Na Expointer 2024, por exemplo, o pavilhão da Agricultura Familiar celebrou 25 anos e um recorde de quase R$ 11 milhões em faturamento.

“Para as agroindústrias foi um ano dificil. Nós tivemos as enchentes, dificuldade de transporte, mercado mais restrito porque não tínhamos nem como transportar os produtos. Muitas foram afetadas pela enchente, mas se reergueram”, ressaltou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Carlos Joel da Silva.

Ivandro Remus, dono de uma agroindústria que costuma estar presente em feiras, acredita que as pessoas procuram cada vez mais produtos de qualidade e, mais do que isso, querem saber quem os produz. “Ser agricultor familiar é muito bom nesse momento que aconteceram tantas coisas. A gente recebe mais apoio ainda por ser da agricultura familiar”.



Source link