quarta-feira, julho 15, 2026

Autor: Redação

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como funciona o transporte de gado na maior fazenda de ciclo completo do Brasil


A Nova Piratininga ocupa um território de 200 mil hectares, sendo 100 mil destinados a pastagens e mais de 30% preservados como reserva ambiental. Escrita originalmente pelo jornalista Fábio Moitinho, a reportagem com os detalhes da propriedade foi uma das mais lidas do Giro do Boi, projeto do Canal Rural.

Localizada entre São Miguel do Araguaia e Araguaçu, a fazenda é exemplo de integração entre sustentabilidade, agricultura e pecuária.

Com um plantel de 120 mil bovinos, o trabalho diário exige planejamento rigoroso e alta eficiência. Assista ao vídeo abaixo e confira como funciona o transporte em uma operação dessa magnitude.

Desde sua aquisição em 2010, a propriedade consolidou sua atuação em ciclo completo de produção, destacando-se no uso de tecnologias avançadas como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Segundo João Paulo Castro, diretor financeiro da fazenda, a Nova Piratininga começou com 7 mil vacas na estação de monta e hoje supera a marca de 50 mil matrizes.

Planejamento e sustentabilidade

peão conduzindo gadopeão conduzindo gado

A fazenda é dividida em cinco setores, cada um com uma função específica no manejo do gado.

“Temos dois setores focados na cria, um para recria de futuras matrizes, um para recria de gado comercial e o confinamento, que é onde finalizamos os animais”, explica Pedro Vinícius Souza Alves, gerente geral de pecuária da Nova Piratininga.  

Os animais terminados no confinamento atingem peso médio superior a 20 arrobas, com alta qualidade de carcaça.

O projeto inclui protocolos como o 1953, que premia pecuaristas pelo cruzamento industrial e qualidade da carne. Além disso, a fazenda já é certificada como ciclo fechado verificado, garantindo que todo o ciclo produtivo acontece dentro de suas instalações.  

Logística: o elo entre eficiência e bem-estar animal 

A operação logística da Nova Piratininga é gigantesca, movimentando cerca de 30 mil animais por desmama e realizando transportes internos e externos regularmente.

Para atender a essa demanda, a fazenda firmou parceria com a Uboi, maior empresa de transporte boiadeiro do país.

Cleiton Luiz Custódio, diretor geral da fazenda, destaca que a logística é fundamental para manter a eficiência do sistema de ciclo completo: “Trabalhamos com a Uboi para garantir segurança, agilidade e bem-estar animal, essenciais para nossa operação”.

As carretas da empresa possuem elevadores e são conduzidas por motoristas treinados, assegurando o transporte de forma rápida e segura.  

Lucas Freitas, coordenador comercial da Uboi, reforça que o planejamento logístico é feito de forma personalizada, de acordo com as necessidades da fazenda.

“Garantimos que os animais cheguem ao destino nas mesmas condições de qualidade em que saíram, sempre priorizando o bem-estar”, afirma Freitas.  

Referência no ciclo fechado verificado

A certificação de ciclo fechado verificado é outro ponto de orgulho para a Nova Piratininga.

Isso significa que todos os animais nascem, são recriados e terminados na fazenda antes de serem enviados para a indústria, garantindo rastreabilidade total e qualidade no produto final.  

“A certificação agrega valor e atende às expectativas do consumidor, cada vez mais atento à origem da carne que consome”, pontua Pedro Vinícius.

Este diferencial reforça o compromisso da Nova Piratininga com a excelência e a sustentabilidade no agronegócio brasileiro.  



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Nova espécie da flora brasileira é descoberta em Minas Gerais



Uma nova espécie da flora foi encontrada no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, localizado no Quadrilátero Ferrífero, um dos mais ricos ecossistemas de Minas Gerais.

A descoberta da Microlicia ferricola Versiane foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG).

O nome da planta é uma referência ao local onde foi encontrada, caracterizado pelo solo rico em ferro. Ela foi descrita em um artigo recentemente publicado na revista Phytotaxa, por Ana Flávia Versiane, Maria José Reis da Rocha, Amanda Alves Santos e Rosana Romero, e está restrita a uma área protegida no Quadrilátero Ferrífero.

A nova espécie é da família botânica das Melastomataceae, que no Brasil ocupa o quinto lugar entre as maiores famílias de angiospermas, com 59 gêneros e cerca de 1.480 espécies.

Destas, aproximadamente 973 são endêmicas, ou seja, só existem em determinadas regiões. Essas plantas são fundamentais para a recuperação de áreas degradadas e possuem grande potencial ornamental e medicinal, o que as torna de extrema importância ecológica e econômica.

Além disso, a pesquisa busca correlacionar essas espécies com as diferentes formações vegetacionais do parque, observando suas possíveis associações ecológicas.

Preservação da espécie

Outro ponto central da pesquisa é a análise da distribuição geográfica das espécies de Melastomataceae, identificando aquelas que podem ser raras ou endêmicas, com distribuição restrita a áreas específicas de Minas Gerais.

A classificação das espécies de acordo com as categorias de conservação também faz parte do estudo, o que contribui diretamente para o desenvolvimento de estratégias de preservação.

Maria José Reis da Rocha ressalta a importância do Parque Estadual da Serra do Rola Moça como uma área estratégica para a conservação, principalmente em um contexto onde a mineração exerce grande pressão sobre a biodiversidade local.

Embora a Convenção da Diversidade Biológica recomende a criação de áreas protegidas para garantir a conservação dos ecossistemas, apenas 2% da área do Quadrilátero Ferrífero, onde o parque se encontra, está protegido por unidades de conservação de proteção integral.

O restante da região é afetado por atividades mineradoras, o que agrava a necessidade de ações efetivas para a preservação da biodiversidade.

A pesquisa sobre as quaresmeiras no parque é, portanto, de grande relevância não apenas para o entendimento das espécies presentes na região, mas também para fornecer dados cruciais que podem ser usados em ações conservacionistas voltadas para a proteção da unidade e de suas riquezas naturais.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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as conquistas para o agro no Congresso Nacional



Em 2024, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) consolidou sua força no Congresso Nacional, com avanços decisivos para o setor agro. Sob a liderança do deputado Pedro Lupion, a bancada de 350 parlamentares garantiu vitórias em temas importantes, como a aprovação de benefícios sociais para trabalhadores safristas, além de ações importantes no combate às invasões de propriedades privadas, com o pacote anti-invasão, e o incentivo à energia limpa, com o avanço de projetos relacionados à transição energética.

A FPA também se destacou com a aprovação do Projeto de Lei 715/2023, que assegura direitos trabalhistas aos safristas, facilitando a formalização dos vínculos empregatícios e a manutenção de benefícios sociais. Além disso, a bancada garantiu a criação de medidas rígidas contra invasores de terras, protegendo os investimentos no campo e promovendo a segurança jurídica no setor. A aprovação de projetos relacionados à energia sustentável também foi um marco, posicionando o Brasil na vanguarda da inovação energética.

Outro destaque foi a atuação da FPA na questão das enchentes no Rio Grande do Sul, com a articulação de políticas emergenciais para apoiar os produtores e acelerar a recuperação do estado. No campo legislativo, o debate sobre o Marco Temporal e a reforma tributária também ocupou o centro das discussões, com a inclusão de incentivos para o agro, como isenção tributária para carnes e desoneração de insumos e maquinários agrícolas.

Em nível internacional, a FPA fortaleceu parcerias regionais, destacando o agro brasileiro como exemplo de sustentabilidade. Com a continuidade da FPA Itinerante e a aprovação de projetos estratégicos, como o incentivo ao turismo rural e a criação de delegacias para conflitos agrários, a bancada demonstrou compromisso com o fortalecimento do campo e a valorização da produção agropecuária. Para 2025, a FPA seguirá em sua missão de promover um Brasil mais próspero e sustentável.



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Senar abre inscrições para cursos técnicos gratuitos; confira



O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) anunciou a abertura das inscrições para 4.350 vagas em cursos técnicos de nível médio a distância. Os cursos, que são gratuitos, estão disponíveis nas áreas de Agricultura, Agronegócio, Agropecuária, Florestas, Fruticultura e Zootecnia. A seleção é para o primeiro semestre de 2025 e os interessados têm até o dia 17 de janeiro para garantir sua participação.

Produtores rurais, seus familiares e colaboradores terão prioridade na seleção. Para se inscrever, é necessário apresentar documentação que comprove a atividade rural, além do histórico escolar, certificado de conclusão do Ensino Médio, RG e CPF.

Como funciona o processo seletivo?

O processo seletivo será realizado em duas etapas: análise da documentação e classificação dos inscritos. É importante lembrar que candidatos com matrícula ativa em qualquer curso de nível médio do Senar não poderão participar da seleção.

A lista preliminar dos candidatos classificados será divulgada no dia 31 de janeiro de 2025, com a divulgação do resultado prevista para 5 de fevereiro no portal da Rede e-Tec do Senar.

Os cursos do Senar

Os cursos são oferecidos em 25 estados e no Distrito Federal, com apoio presencial em 248 polos espalhados por diversas regiões. Para mais informações e para realizar a inscrição, basta acessar o edital no site oficial do Senar.

As informações são da CNA.



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Pesquisadores da Alemanha querem acabar com a nova vassoura-de-bruxa da mandioca brasileira


Pesquisadores do Instituto Leibniz DSMZ, da Alemanha, referências mundiais em doenças de plantas, avaliaram in loco sintomas da nova vassoura-de-bruxa da mandioca em roças localizadas no Amapá.

Esta praga, recente no continente americano, foi identificada no extremo norte do Brasil em 2024. Com autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o fitopatologista Stephan Winter e a melhorista Samar Sheat também coletaram materiais vegetais para serem analisadas em laboratório na instituição de pesquisa sediada na Alemanha.

Esta atividade faz parte das ações da Embrapa, junto com instituições parceiras, visando o controle da nova vassoura-de-bruxa da mandioca. De acordo com registros oficiais, a praga atualmente afeta roças da planta em cinco dos 17 municípios do Amapá: Tartarugalzinho, Pracuuba, Amapá, Calçoene e Oiapoque.   

“Os pesquisadores da Alemanha vieram avaliar os sintomas da doença, e comparar com os sintomas que afetam a mandioca fora do Brasil, especialmente em Laos, no Vietnã, e também coletar material para avaliação do fungo causador da vassoura-de-bruxa da mandioca”, afirmou o pesquisador Adilson Lopes Lima, da Embrapa Amapá.    

Missão científica 

A missão científica de três dias no Amapá, de 11 a 13 de dezembro de 2024, contou também com o pesquisador Eder Oliveira, especialista em melhoramento genético, lotado na Embrapa Mandioca e Fruticultura de Cruz das Almas (BA); e colaboração da virologista da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Rosana Blawid.

No primeiro dia da visita técnica foi realizada uma reunião de alinhamento na sede da Embrapa Amapá, em Macapá, com os gestores e equipe técnica do centro de pesquisas, e com órgãos locais que atuam no monitoramento da praga, como a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Amapá; e a Agência Estadual de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro).

A viagem de campo aconteceu no dia seguinte, reunindo as equipes em duas localidades do Amapá atingidas pela doença vassoura-de-bruxa: comunidade da Montainha, do município de Tartarugalzinho, e Projeto de Assentamento Cujubim, no município de Pracuuba.

Já no último dia, os visitantes e técnicos locais reuniram-se na Embrapa Amapá para alinhar as ações para controle da nova vassoura-de-bruxa da mandioca. 

Parceiros da Embrapa

O Instituto Leibniz DSMZ é parceiro da Embrapa na identificação do fungo causador da vassoura-de-bruxa-da-mandioca – ceratobasidium theobromae, também conhecido como rhizoctonia theobromae, e nos estudos voltados para o entendimento da epidemiologia da doença.

A diversidade única das coleções biológicas e o gerenciamento de qualidade dos biorrecursos, além da abordagem de digitalização, bem como os serviços científicos abrangentes fazem do DSMZ um provedor de serviços de renome internacional para ciência, laboratórios de diagnóstico, centros de referência nacionais e parceiros industriais.

Nova vassoura-de-bruxa da mandioca

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Foto: Adilson Lima/ Embrapa

A nova vassoura-de-bruxa da mandioca foi constatada inicialmente em plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque (AP), localizado na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

A presença do fungo ceratobasidium theobromae representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, este fungo não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.    

A dispersão do fungo pode ocorrer por meio de material vegetal infectado, ferramentas de corte, além de possível movimentação de solo e água.

“A movimentação de plantas e produtos agrícolas entre regiões pode facilitar a dispersão do patógeno, aumentando o risco de infecção em novas áreas”, alerta a Nota Técnica da Embrapa.



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Embrapa lança cartilha gratuita para cultivo sustentável de hortaliças



A Embrapa Amazônia Oriental lançou a cartilha Hortas – Recomendações para o Plantio de Hortaliças no estado do Pará, voltada para produtores rurais e interessados no cultivo sustentável. A publicação gratuita, que conta com 55 páginas repletas de gráficos e tabelas, apresenta técnicas como manejo ecológico do solo, irrigação e combate a patógenos, abordando desde hortas familiares até comerciais.

Importância das hortaliças na agricultura familiar

A cartilha destaca o papel das hortaliças na agricultura familiar, responsável por quase 100% da produção no estado do Pará. Segundo a engenheira-agrônoma Mazillene Borges de Souza, coautora do material, a atividade gera alimentos, emprego e renda, com retorno rápido do valor investido devido ao ciclo curto das plantas.

Dados apresentados no material revelam que o cultivo de hortaliças movimenta bilhões de reais anualmente no Brasil, com destaque para o tomate, cebola e alface, que representam mais de 50% da produção nacional.

Desenvolvimento sustentável

Na apresentação, Walkymário de Paulo Lemos, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, enfatiza que a cartilha apoia o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 2 da ONU: erradicar a fome e promover a agricultura sustentável. Ele lembra que Belém será sede da COP30 em 2025, reforçando o compromisso da Embrapa com a sustentabilidade.

O material aborda tópicos variados, incluindo a classificação de hortaliças, escolha do local de plantio, preparo do terreno, tratos culturais e controle fitossanitário. Também apresenta orientações sobre compostagem caseira e adubação orgânica.

A engenheira-agrônoma Vitória Cunha Martins, coautora da cartilha, ressalta a importância do controle fitossanitário para garantir padrões de qualidade, incluindo a ausência de resíduos de agrotóxicos.

Acessibilidade e impacto econômico

O cultivo de hortaliças é acessível e oferece oportunidades tanto para o consumo doméstico quanto para a comercialização. A cartilha diferencia hortas comerciais, voltadas para o lucro, das hortas familiares, que atendem ao consumo doméstico em pequenas áreas.

Além disso, o material destaca que o cultivo sustentável contribui para a geração de alimentos de qualidade, impulsionando a economia local e promovendo práticas agrícolas alinhadas à preservação ambiental.

A cartilha está disponível gratuitamente no site da Embrapa Amazônia Oriental.



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Presidente do Fed de Chicago diz que pode ser necessário diminuir ritmo de…


Logotipo Reuters

Por Ann Saphir

(Reuters) – O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, reiterou nesta quinta-feira seu apoio a novos cortes na taxa de juros e sua abertura para fazê-los de forma mais lenta, comentários que evidenciam que o debate no banco central dos Estados Unidos não é sobre se os juros devem ser reduzidos, mas sim com que rapidez isso deve acontecer e qual deve ser a taxa terminal.

Alguns formuladores de política monetária do Fed temem que o progresso na redução da inflação possa ter estagnado e pedem uma abordagem cautelosa, enquanto outros querem garantir que o mercado de trabalho não esfrie ainda mais, sugerindo a necessidade de cortes contínuos nos juros.

E sobre todas essas diferenças paira a incerteza de como as possíveis tarifas e cortes de impostos e a repressão à imigração prometidos pelo presidente eleito Donald Trump afetarão os preços, os empregos e a economia de forma mais ampla.

Formuladores de política monetária do Fed se reunirão nos dias 17 e 18 de dezembro para resolver suas diferenças, pelo menos temporariamente, em torno da decisão de cortar novamente a taxa básica ou esperar até o próximo ano. Os mercados financeiros julgam que será uma decisão apertada, com os futuros de juros colocando uma probabilidade de cerca de 55% em um corte de 0,25 ponto percentual e uma chance de 45% de não haver corte.

O Fed reduziu sua taxa de juros em 0,50 ponto percentual em setembro e em 0,25 ponto percentual em sua reunião neste mês.

O presidente do Fed de Chicago, em comentários à Central Indiana Corporate Partnership, não disse se era a favor de outro corte nas taxas no mês que vem, mas defendeu uma visão de longo prazo que parece ser compartilhada pela maioria dos formuladores de políticas do Fed: que as taxas ainda não estão onde precisam estar. 

Ele disse que a inflação no último ano e meio caiu e está a caminho da meta de 2% do Fed, que os mercados de trabalho enfraqueceram e que a economia está agora próxima do pleno emprego estável.

Consequentemente, os juros devem estar, daqui a um ano, “um pouco mais baixos do que estão hoje”, disse ele. A taxa básica do Fed está atualmente na faixa de 4,50% a 4,75%.

Dada a incerteza e a discordância sobre o quanto os juros devem ser reduzidos, Goolsbee disse que “pode fazer sentido diminuir o ritmo dos cortes na taxa básica à medida que chegamos perto”.





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AgroNewsPolítica & Agro

um ano de desafios e conquistas no agronegócio brasileiro


O agronegócio brasileiro enfrentou um ano de desafios e avanços em 2024. De enchentes históricas no Rio Grande do Sul que afetaram a produção de grãos à abertura de novos mercados internacionais, cada mês trouxe lições para o setor. A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, a regulamentação dos bioinsumos no Brasil e as iniciativas sustentáveis do Plano Safra reforçaram a importância de inovação, resiliência e adaptação em um cenário cada vez mais complexo. Confira os principais destaques mês a mês.

Janeiro: soja em foco e desafios do produtor rural

As previsões para a safra de soja marcaram o início do ano. Segundo a TF Agroeconômica, a produção brasileira poderia alcançar 154 milhões de toneladas, desafiando a visão pessimista de algumas análises regionais. Apesar disso, os estoques globais elevados, que passaram de 101,92 milhões para 114,21 milhões de toneladas, pressionaram os preços para baixo. A recomendação para os produtores foi vender o quanto antes, evitando perdas ainda maiores.

Além do mercado da soja, os custos elevados e a necessidade de sustentabilidade pautaram as discussões no campo. A tecnologia UC System foi destaque, permitindo a limpeza rápida de mangueiras hidráulicas e reduzindo o consumo de óleo das máquinas agrícolas. Essa inovação fortaleceu a economia circular, alinhando-se às demandas do ESG (ambiental, social e governança).

Outro ponto relevante foi o alerta para os danos causados pela contaminação em sistemas hidráulicos, que representam 80% das falhas em máquinas agrícolas. Ao adotar práticas preventivas, os produtores poderiam evitar prejuízos de até R$ 150 mil por máquina, contribuindo para a produtividade e sustentabilidade no campo.

Fevereiro: pressões internacionais e mercados em ebulição

O avanço das exportações brasileiras para a Europa gerou protestos de produtores locais, que pressionaram seus governos para impor barreiras ao comércio. A competitividade brasileira, segundo Aline Locks, CEO da Produzindo Certo, desafiou os modelos produtivos europeus, levando líderes políticos, como Emmanuel Macron, a se posicionarem contra acordos comerciais com o Mercosul.

Outro destaque foi o aumento das compras de soja brasileira pelos Estados Unidos, motivadas pela sua alta qualidade e preço competitivo. Esse movimento inédito despertou atenção no mercado internacional, gerando especulações sobre o impacto nas cotações em Chicago. Especialistas alertaram para o efeito de novas transações no equilíbrio da oferta e demanda globais.

Enquanto isso, no Brasil, as negociações com mais de 160 países destacaram o papel estratégico do agro na geopolítica global. A diversificação dos mercados e a necessidade de atender a exigências ambientais reforçaram a importância de um planejamento robusto para manter a liderança no setor.

Março: liderança no Paraguai e alta no preço do leite

A história inspiradora de José Marcos Sarabia, brasileiro que se tornou líder do agronegócio no Paraguai, ganhou destaque com o lançamento de seu livro “Sementes de Sucesso”. O relato de Sarabia trouxe lições de resiliência, inovação e visão estratégica, ressaltando a importância da sucessão familiar para o crescimento sustentável dos negócios.

Enquanto isso, o preço do leite no Brasil registrou alta de 4,5% pelo terceiro mês consecutivo, conforme o Cepea. Essa valorização foi acompanhada por aumentos nos derivados lácteos, como o leite UHT e a muçarela. Apesar disso, o déficit da balança comercial do setor foi reduzido devido ao crescimento das exportações, indicando uma recuperação gradual.

No cenário agrícola, produtores enfrentaram desafios com os custos estáveis da pecuária leiteira. Mesmo com a desvalorização dos grãos, outros insumos encareceram, mantendo o custo operacional elevado. O cenário exigiu estratégias eficientes para sustentar a produção e atender à crescente demanda interna e externa.

Abril: rota para a Ásia e BRICS no mercado de grãos

O Brasil celebrou a abertura do mercado sul-coreano para subprodutos de origem animal, marcando a 27ª conquista comercial do agronegócio no ano. A expansão fortaleceu a posição brasileira como fornecedor estratégico na Ásia, impulsionando as exportações de farinhas e gorduras de aves.

Simultaneamente, a Rússia pressionou os BRICS para criar uma bolsa de grãos interbloco, buscando maior influência nos preços globais. O presidente Vladimir Putin destacou a necessidade de alternativas ao controle europeu e norte-americano sobre as cotações, gerando discussões sobre a viabilidade do projeto.

Essa iniciativa dividiu opiniões entre os países-membros, que consideraram os benefícios econômicos e os desafios técnicos da proposta. Para o Brasil, o fortalecimento do BRICS poderia abrir novas oportunidades comerciais, mas também exigir adaptações no modelo produtivo.

Maio: enchentes no RS e impacto na produção

As enchentes no Rio Grande do Sul devastaram áreas agrícolas, deixando mais de 422 mil pessoas afetadas e causando prejuízos significativos na produção de soja, arroz e milho. Especialistas destacaram que a interrupção da colheita resultou em perdas de milhões de toneladas, pressionando os preços futuros das commodities.

Além disso, a logística do setor foi comprometida, com bloqueios nas estradas dificultando o transporte de rações e insumos para a cadeia produtiva de carnes. A tragédia evidenciou a necessidade de infraestrutura mais resiliente e de políticas públicas voltadas à mitigação de riscos climáticos.

Históricos comparativos mostraram que a enchente de 2024 superou a devastação de 1941, quando Porto Alegre enfrentou 24 dias de chuvas consecutivas. Os números reforçaram o impacto das mudanças climáticas e a importância de estratégias preventivas.

Junho: recuperação do solo e alta nos fertilizantes

A erosão do solo no RS emergiu como um dos maiores desafios pós-enchentes, exigindo práticas de manejo que favorecessem a regeneração da matéria orgânica. Especialistas alertaram que a recuperação poderia levar até uma década, dependendo de investimentos públicos e privados.

Os preços dos fertilizantes também dispararam, com alta de 21% na ureia importada devido a restrições em países produtores como Egito e China. O aumento agravou os custos de produção, especialmente para culturas de grãos, pressionando a rentabilidade dos produtores.

A situação destacou a necessidade de políticas que incentivassem o uso de bioinsumos e tecnologias mais acessíveis, reduzindo a dependência de insumos importados e fortalecendo a segurança alimentar.

Julho: Plano Safra impulsiona sustentabilidade e inovação

O Governo Federal lançou o Plano Safra 2024/2025, com R$ 400,59 bilhões destinados ao setor agropecuário. Desse total, R$ 293,29 bilhões foram alocados para custeio e comercialização, enquanto R$ 107,3 bilhões apoiaram investimentos. Entre as inovações, destacou-se o programa RenovAgro, que promoveu práticas sustentáveis, como recuperação de áreas degradadas e implantação de sistemas integrados de produção.

As taxas de juros foram ajustadas para atrair ainda mais adesão. Produtores enquadrados no Pronamp tiveram acesso a financiamentos com juros de 8% ao ano, enquanto programas específicos ofereceram taxas entre 7% e 12%. Além disso, o uso de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) permitiu maior flexibilidade no acesso a recursos.

Outra novidade foi o RenovAgro Ambiental, que financiou reparações ambientais em áreas embargadas, incentivando a regularização e o uso sustentável das terras. Essa abordagem fortaleceu o compromisso do Brasil com a sustentabilidade, alinhando produção e preservação.

Agosto: Congresso Andav e as oportunidades globais do agro

Durante a 13ª edição do Congresso Andav, Paulo Guedes ressaltou o papel estratégico do Brasil no agronegócio global. Em sua palestra, destacou o potencial do país para liderar a segurança alimentar e energética mundial, alertando para a importância de decisões internas assertivas e estratégias que evitem a autossabotagem.

A análise de Guedes abordou o cenário de escassez de alimentos e energia enfrentado por várias nações, reforçando a posição privilegiada do Brasil como fornecedor global. Ele afirmou que a combinação de recursos naturais, tecnologia e políticas públicas consistentes pode consolidar o país como líder no setor.

A mensagem principal foi clara: o agronegócio brasileiro tem tudo para prosperar, desde que saiba aproveitar suas vantagens competitivas e superar desafios internos. A integração entre agroindústria e sustentabilidade foi apontada como caminho essencial para o futuro.

Setembro: exportações de soja sob pressão

O ritmo acelerado das exportações brasileiras de soja em setembro gerou preocupações sobre um possível esgotamento do excedente exportável. Projeções indicaram remessas de 8,45 milhões de toneladas em agosto e entre 6,25 e 6,75 milhões de toneladas em setembro. Com 90,6% da meta anual já alcançada, analistas levantaram dúvidas sobre a sustentabilidade desse ritmo.

Os impactos dessa situação foram sentidos no mercado global. Uma eventual redução na oferta brasileira poderia influenciar os preços internacionais, alterando a dinâmica da demanda e afetando estoques estratégicos de grandes importadores, como a China.

Além disso, o cenário evidenciou a complexidade do mercado de commodities agrícolas. Estratégias de longo prazo para equilibrar exportações e estoques internos se tornaram essenciais para manter a competitividade e atender às demandas internacionais sem comprometer o mercado interno.

Outubro: municípios mais ricos do agro lideram produção nacional

Dados do IBGE revelaram os 100 municípios mais produtivos do Brasil em 2023, responsáveis por 31,9% do valor total da produção agrícola. Sorriso (MT) liderou a lista, com uma produção avaliada em R$ 8,31 bilhões, seguido por São Desidério (BA) e Sapezal (MT).

A soja manteve sua posição como a cultura mais valiosa, representando 42,8% do total, seguida pelo milho e pela cana-de-açúcar. A diversidade da produção brasileira ficou evidente com a relevância de culturas como algodão, café e laranja, consolidando o país como um dos maiores fornecedores globais de alimentos.

A região Centro-Oeste destacou-se com 36 municípios na lista, mostrando a força agrícola de estados como Mato Grosso e Goiás. Esses números reforçaram a importância da inovação e da gestão eficiente para sustentar o crescimento e a competitividade do agronegócio.

Novembro: Trump, China e os reflexos no agro brasileiro

A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos reacendeu debates sobre uma possível nova guerra comercial com a China. Em seu mandato anterior, Trump impôs tarifas sobre produtos chineses, levando Pequim a retaliar com tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, como soja e milho.

O Brasil, que se beneficiou dessa disputa em 2018 e 2019, está novamente em posição de vantagem. Caso Trump reinicie as tarifas, espera-se um aumento nas exportações brasileiras para a China. No entanto, analistas alertaram para os riscos de volatilidade no mercado e possíveis pressões sobre a capacidade produtiva do país.

Além disso, as políticas migratórias mais rígidas de Trump, que afetam a mão de obra agrícola nos EUA, podem beneficiar indiretamente o Brasil, destacando sua competitividade no fornecimento global de alimentos.

Dezembro: bioinsumos regulamentados e a segurança jurídica para o agro

O Senado aprovou o PL 658/21, que regulamenta a produção e o uso de bioinsumos, consolidando o Brasil como referência em práticas agrícolas sustentáveis. O projeto corrigiu lacunas normativas que colocavam em risco a autonomia dos agricultores e a inovação no setor.

A Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS) celebrou a aprovação como um marco para a agricultura regenerativa e a segurança jurídica. A medida foi vista como um incentivo à redução do uso de agrotóxicos, promovendo uma transição para sistemas mais sustentáveis e competitivos.

Com a sanção presidencial esperada, especialistas previram um crescimento acelerado no uso de bioinsumos, beneficiando não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e a economia rural. O Brasil encerrou o ano com uma importante conquista para o futuro do agro.

Cada mês de 2024 reforçou a resiliência do agronegócio brasileiro diante de desafios climáticos, econômicos e políticos. O setor demonstrou sua capacidade de adaptação, inovando e ampliando sua relevância global. Com aprendizados , o ano deixou um legado de avanços que moldarão o futuro do agro no Brasil e no mundo.





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AgroNewsPolítica & Agro

Clima e controle sanitário reforçam produção bovina



Levantamento revelou uma leve queda de 1,04% no Rio Grande do Sul




Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (26), as condições climáticas seguem beneficiando o desempenho dos rebanhos bovinos no Rio Grande do Sul. Temperaturas amenas e ventos têm contribuído para reduzir o calor nas horas mais quentes, promovendo o bem-estar animal.

As infestações por carrapato continuam baixas, mas produtores intensificam o controle de mosca-dos-chifres e berne com o uso de brincos mosquicidas. Já o período de parição foi finalizado, e o processo de engorda dos bovinos e a reprodução dos touros seguem avançando.

Em terneiros recém-nascidos, os cuidados preventivos contra miíases permanecem prioritários, enquanto os índices de cio e as condições corporais adequadas indicam alto potencial reprodutivo nos rodeios de cria.

Bagé e Candiota – Matrizes apresentam excelente recuperação corporal no pós-parto, e os terneiros mostram bom desenvolvimento.

Dom Pedrito – A temporada de monta já está avançada, com apartes de touros finalizados em várias propriedades.

São Gabriel – Inseminações artificiais em tempo fixo (IATF) foram realizadas, e touros seguem em atividade.

Caxias do Sul – Bovinos confinados recebem dietas balanceadas, como silagem e feno, favorecendo o ganho de peso.

Passo Fundo – Produtores intensificam o controle de parasitas e monitoram o rebanho para evitar tristeza parasitária bovina (TPB). Pelotas – Condições climáticas favorecem o campo nativo e as pastagens perenes, assegurando boas condições corporais e ajustes na lotação animal.

Santa Maria – O escore corporal dos rebanhos melhora com o término da parição, enquanto vacas com cria demandam nutrição adequada para garantir desmame eficiente.

Santa Rosa – A comercialização diminuiu e os preços se estabilizaram com a finalização das escalas de abate para o período de Natal.

O levantamento semanal da Emater/RS-Ascar revelou uma leve queda de 1,04% no preço médio do boi gordo, que passou de R$ 10,56/kg vivo para R$ 10,45/kg vivo. Em contrapartida, o preço da vaca para abate registrou alta de 0,54%, subindo de R$ 9,32/kg vivo para R$ 9,37/kg vivo.





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AgroNewsPolítica & Agro

Tabaco apresenta projeções de alta produtividade


De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (26), no Rio Grande do Sul, a safra de tabaco segue com boas perspectivas para a temporada 2024/2025. O clima favorável tem impulsionado o desenvolvimento das lavouras, com destaque para as regiões de Pelotas, Santa Rosa, Soledade e Frederico Westphalen.

Na região de Pelotas, a colheita já atingiu 20% da área plantada e deve se intensificar até fevereiro, encerrando em março. A área total cultivada é de 27.363 hectares, envolvendo 8.977 produtores. O desenvolvimento das plantas é considerado excelente, graças às chuvas regulares que mantiveram o solo úmido ao longo do ciclo. Além da colheita, os agricultores seguem com o manejo de capações (eliminação das inflorescências) e aplicações de produtos para controle de brotações.

Em Santa Rosa, houve expansão da área plantada em razão das boas condições para a cultura, especialmente em Porto Lucena e São Paulo das Missões. A colheita já atinge 70% das lavouras, com produtividade estimada em 2.300 kg/ha, superando a média das últimas safras. Produtores estão otimistas com os rendimentos, atribuídos à combinação de boa luminosidade e temperaturas elevadas.

Na região de Soledade, a colheita está em fase final, com dois terços das lavouras já colhidas. A maturação das folhas foi acelerada pelas condições climáticas, resultando em uma safra abundante. A grande oferta para cura nas estufas gerou filas, mas não comprometeu a qualidade do tabaco. Apesar de uma leve redução no valor da arroba, os preços seguem altamente favoráveis.

Em Frederico Westphalen, os tratos culturais continuam, com controle de pragas e manejo de brotações. A umidade do solo e as temperaturas elevadas favoreceram o crescimento das plantas, permitindo que a colheita avance conforme o cronograma. Na região, o sistema de cultivo em galpão permanece como método principal, com plantas penduradas em arames para secagem.

A mão de obra, em grande parte, é familiar, e nas propriedades maiores, diaristas são contratados para auxiliar no corte. O tabaco colhido passa por um pré-murchamento de quatro a cinco dias na lavoura, facilitando a secagem e o transporte. A produtividade média tem se mantido elevada, com preços estimados em R$ 230,00 por arroba no mercado paralelo. Para produtores vinculados a empresas fumageiras, há expectativa de classificação na categoria B1, que garante melhor remuneração, conforme  o Informativo Conjuntural.





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