A colheita da soja já começou no Centro-Oeste do Brasil, mas a chuva dificulta os trabalhos no campo. O meteorologista Arthur Muller, do Canal Rural, explicou que no Mato Grosso, cerca de 0,2% da safra já foi colhida, mas está atrasada em relação ao ano passado.
A previsão aponta chuvas volumosas nos próximos dias, especialmente no Leste de Mato Grosso, que podem atingir mais de 100 mm em 5 dias. Isso pode prejudicar o andamento da colheita, assim como no Matopiba.
No Sul, a chuva se concentra mais em Paraná e Santa Catarina, com a falta de precipitações no Rio Grande do Sul, o que pode impactar negativamente as lavouras dessa região. As previsões indicam chuvas volumosas também em Mato Grosso até o fim de janeiro, afetando as operações no campo e o plantio da segunda safra de milho.
Em Barreiras, na Bahia, a previsão é de acumulados de chuva entre 150 mm e 170 mm até o dia 15, seguidos de uma janela seca que vai ajudar na aceleração da colheita. Contudo, no Rio Grande do Sul, a falta de chuvas entre 15 e 18 de janeiro preocupa, pois a região já enfrenta déficit hídrico, com expectativa de chuva mais intensa apenas após essa data. Apesar de não configurar uma seca, a falta de chuvas no período crítico de enchimento de grãos pode impactar a produtividade das lavouras.
Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreenderam, na tarde de ontem (9), um caminhão bitrem carregado com madeira Acapu, espécie cuja extração é proibida pela legislação ambiental. A apreensão ocorreu durante uma operação de fiscalização de veículos de carga na BR-230, em Marabá (PA).
Ao abordar o motorista da carreta, os policiais constataram que a madeira estava sendo transportada ilegalmente. O condutor não apresentou os documentos exigidos para comprovar a legalidade da carga.
Foram apreendidos 55 metros cúbicos de madeira, que foram encaminhados à Secretaria Municipal de Agricultura de Marabá (SEAGRI) para os devidos procedimentos legais. O motorista foi autuado e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por crime ambiental.
Em nota, a PRF destacou seu compromisso no combate aos crimes ambientais, reforçando a importância de ações que visem à preservação do meio ambiente.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Pixabay
A safra de arroz 2024/2025 apresenta resultados satisfatórios no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar. Apesar de desafios pontuais, como as temperaturas noturnas abaixo de 15 °C que afetam lavouras em estágio reprodutivo, a alta radiação solar e a disponibilidade de água nos reservatórios têm favorecido o desenvolvimento das plantações.
De acordo com o Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga), a semeadura está praticamente concluída, com 927.885 hectares de arroz irrigado plantados no Estado, representando 97,84% da intenção projetada inicialmente, que era de 948.356 hectares.
A regional Central foi a mais impactada, alcançando apenas 84,78% da área planejada devido a atrasos na reconstrução de áreas. O Irga confirmou que equipes técnicas estão realizando levantamentos complementares, e os dados finais serão apresentados durante a abertura oficial da colheita, programada para os dias 18 a 20 de fevereiro, em Capão do Leão.
Apesar de um cenário geral favorável, a baixa temperatura noturna tem sido um fator de preocupação para as lavouras em fase reprodutiva. Mesmo assim, os agricultores mantêm tratos culturais regulares para preservar a saúde das plantações.
A Emater/RS-Ascar projeta uma produtividade média de 8.478 kg/ha para esta safra. Esse número reflete tanto o impacto positivo das condições climáticas em boa parte do Estado quanto as limitações enfrentadas em algumas regiões.
De acordo com artigo publicado no Blog da Aegro, o Brasil, líder mundial na produção de grãos, adota práticas sustentáveis para atender à crescente demanda por alimentos e preservar os recursos naturais. Essas estratégias, além de atenderem à legislação ambiental, promovem eficiência e responsabilidade socioambiental.
Plantio Direto (SPD) Atualmente, cerca de 9 milhões de hectares utilizam o sistema de plantio direto. A técnica protege o solo contra erosões, retém umidade e reduz custos de produção, beneficiando culturas como soja e milho.
Rotação de Culturas
A alternância de cultivos, como soja e milho, melhora a fertilidade do solo, reduz pragas e doenças, e diminui o risco de erosão, contribuindo para a conservação do ecossistema.
Tecnologia de Precisão
Ferramentas avançadas permitem a aplicação exata de insumos como água e fertilizantes, reduzindo desperdícios e impactos ambientais, além de possibilitar monitoramento em tempo real.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)
A ILPF combina atividades agrícolas em uma mesma área, promovendo equilíbrio ecológico, melhorando o solo, capturando carbono e protegendo a biodiversidade.
Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD)
O MIPD utiliza controle biológico e preventivo para minimizar o uso de defensivos químicos, preservando a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas agrícolas.
Conservação de Áreas de Preservação Permanente (APPs)
A proteção da vegetação nativa em torno de corpos d’água e áreas sensíveis assegura a preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.
Uso Eficiente da Água
A gestão de irrigação eficiente reduz o consumo de água, minimiza desperdícios e garante a sustentabilidade da produção.
Agricultura de Baixo Carbono (ABC)
Práticas que diminuem emissões de gases de efeito estufa, como o plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, colaboram com a mitigação das mudanças climáticas.
Certificação Sustentável
Programas de certificação garantem a rastreabilidade e responsabilidade socioambiental, promovendo produtos éticos e sustentáveis.
Monitoramento e Cumprimento de Leis Ambientais
O acompanhamento constante das atividades agrícolas assegura a mitigação de impactos negativos e a conformidade com a legislação, promovendo a sustentabilidade a longo prazo.
Importância do Compromisso Sustentável
A adoção dessas práticas consolida o Brasil como referência em produção agrícola sustentável, equilibrando crescimento econômico com preservação ambiental.
A Alemanha confirmou nesta sexta-feira (10) o primeiro surto de febre aftosa em quase 40 anos, detectado em um rebanho de búfalos nos arredores de Berlim. A doença, que afeta bovinos, suínos, ovelhas e cabras, provoca febre e bolhas na boca dos animais infectados.
As autoridades informaram que medidas de contenção foram implementadas, incluindo o sacrifício dos animais afetados. Além disso, foram estabelecidas uma zona de exclusão de 3 quilômetros e uma zona de monitoramento de 10 quilômetros ao redor do local.
De acordo com o Instituto Federal de Saúde Animal da Alemanha (FLI, na sigla em inglês), os últimos casos de febre aftosa no país haviam sido registrados em 1988. Atualmente, todos os países da União Europeia são considerados livres da doença.
O Ministério da Agricultura da Alemanha está investigando a origem da infecção. Durante coletiva de imprensa, um porta-voz do FLI afirmou que a doença é recorrente no Oriente Médio, na África, em muitos países asiáticos e em partes da América do Sul. Produtos de origem animal importados ilegalmente dessas regiões são apontados como uma ameaça à agricultura europeia.
Embora altamente contagiosa, a febre aftosa não representa risco para os seres humanos, que, no entanto, podem atuar como vetores de transmissão. Até o momento, não há planos para a adoção de medidas em nível federal ou internacional, informou o porta-voz.
A inflação oficial do Brasil fechou 2024 em 4,83%, acima do limite máximo da meta estipulada pelo governo. Em 2023, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia ficado em 4,62%. Os dados foram divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A meta de inflação do governo para 2024 foi de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. Ou seja, o IPCA do ano ficou 0,33 p.p. acima. O resultado de 2024 é o mais alto desde 2022 (5,79%). O IBGE apura o comportamento de preços de 377 produtos e serviços.
Vilões
Ao longo de 2024, o grupo alimentos e bebidas foi o que mais pressionou o bolso dos brasileiros, com alta de 7,62%, impacto de 1,63 p.p. no IPCA. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, a subida no preço dos alimentos se explica por causa da “influência de condições climáticas adversas, em vários períodos do ano e em diferentes localidades do país”.
Em seguida, as maiores pressões vieram dos grupos saúde e cuidados pessoais (6,09%, impacto de 0,81 p.p.) e transportes (3,3%, impacto de 0,69 p.p.). Juntos, esses três grupos responderam por cerca de 65% da inflação de 2024.
O produto que mais pressionou o custo de vida do brasileiro foi a gasolina, que subiu 9,71%, o que representa um impacto de 0,48 p.p. Em seguida, figuram plano de saúde (alta de 7,87% e impacto de 0,31 p.p.) e refeição fora de casa, que ficou 5,7% mais cara (impacto de 0,2 p.p.).
Passa a valer hoje, 10, a lista dos produtos que serão beneficiados com o bônus do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para a primeira lista do ano houve a inclusão de itens como a batata no paraná e mel de abelha, cebola e trigo no Rio Grande Do Sul.
O programa visa apoiar os agricultores familiares que tenham preços de mercado inferior ao preço de garantia estabelecido pelos seus produtos.
Os descontos serão concedidos nas parcelas ou na liquidação das operações de crédito rural do Programa Nacional De Fortalecimento Da Agricultura Familiar (Pronaf). A garantia tem validade até 9 de fevereiro de 2025 quando passa a valer outra lista.
A relação também inclui itens como açaí, banana, cará/inhame, castanha-de-caju, cebola, erva-mate, feijão caupi, manga, mel de abelha, raiz de mandioca, tomate e trigo em diversos estados.
Confira a lista na portaria (nº 301/2025) do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), publicada pelo Diário Oficial da União (DO) do último dia 8.
Em 2024, o planeta Terra registrou o ano mais quente desde 1850, conforme informaram hoje (10) diversas agências de monitoramento meteorológico. Com um aumento significativo nas temperaturas, o planeta superou um importante limite, alertam os cientistas.
A temperatura média global em 2024 superou o recorde anterior, registrado em 2023, e ultrapassou o limite de aquecimento de 1,5ºC desde o fim do século 19, estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015. Dados do Serviço de Mudança Climática Copernicus (UE), do Met Office (Reino Unido) e da agência meteorológica do Japão confirmam o aquecimento, calculado entre 1,53ºC e 1,6ºC acima da média pré-industrial.
“O limiar de 1,5º C não é apenas um número, é um sinal de alerta. Superá-lo mesmo por um único ano mostra o quão perigosamente próximos estamos de exceder os limites estabelecidos pelo Acordo de Paris”, disse Victor Gensini, cientista climático da Universidade do Norte de Illinois (EUA).
Nos Estados Unidos, equipes de monitoramento como a Nasa e a NOAA devem divulgar seus dados em breve, mas cientistas já indicam que será confirmado um recorde de calor em 2024. Apesar de diferenças metodológicas, todas as análises apontam para um aumento inédito nas temperaturas globais.
Causas e impactos
O aumento se deve principalmente à queima de combustíveis fósseis, que intensifica o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, segundo Samantha Burgess, do Copernicus. Fatores como o fenômeno El Niño contribuíram para o aquecimento, embora com menor impacto.
Além disso, o salto nas temperaturas em 2024 foi incomum: o aquecimento em relação a 2023 foi de 0,125ºC, um aumento muito superior ao registrado em recordes anteriores, geralmente superados por centésimos de grau. Os cientistas destacam que os últimos 10 anos foram os mais quentes em 125 mil anos.
Recorde e alerta climático
O dia 10 de julho foi o mais quente já registrado na história, com uma média global de 17,16ºC, segundo o Copernicus. Esses recordes acionaram “sirenes de alerta” entre especialistas. Jennifer Francis, do Woodwell Climate Research Center, alertou para o risco de insensibilidade pública diante da urgência climática.
Os impactos já são visíveis: em 2024, desastres climáticos geraram prejuízos globais de US$ 140 bilhões, com a América do Norte sendo particularmente afetada. Kathy Jacobs, da Universidade do Arizona, ressalta que o aumento da temperatura global agrava os danos econômicos, à saúde e aos ecossistemas.
Limites críticos
O aquecimento de 1,5ºC é considerado um limite crítico para evitar catástrofes climáticas. Apesar de os cientistas reforçarem que a meta de 1,5ºC se refere a médias de longo prazo (20 anos), ultrapassar esse valor mesmo temporariamente é motivo de preocupação.
Um estudo da ONU de 2018 apontou que manter o aquecimento abaixo desse patamar pode evitar a extinção de recifes de corais, a perda massiva de gelo na Antártida e o sofrimento de milhões de pessoas.
Cenário futuro
Embora 2025 possa ser menos quente devido à influência do fenômeno La Niña, cientistas alertam que os oceanos estão aquecendo mais rapidamente, o que pode agravar os desafios climáticos. Carlo Buontempo, diretor do Copernicus, destacou que estamos enfrentando condições climáticas para as quais a sociedade não está preparada.
Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, concluiu: “Agora estamos colhendo o que plantamos”.
O começo de 2025 está sendo difícil para os produtores de soja do Rio Grande do Sul, com a combinação de granizo e estiagem em diversas regiões do estado. Após episódios de granizo que afetaram lavouras em várias localidades, a falta de chuvas por mais de um mês começa a gerar preocupações sérias, principalmente devido aos impactos na produtividade da soja. As previsões indicam que, mesmo com a volta das chuvas, as perdas podem ser irreparáveis para muitas áreas do estado.
No Noroeste do estado, mais de 10 mil hectares foram destruídos pelo granizo, afetando fortemente a produção local. Em Tapes, no Sul, o cenário é igualmente alarmante. “Perdemos quase 20% da nossa área, que foi devastada. Hoje, depois de vários dias de chuva, dá para ver alguma coisa rebrotando, mas não sabemos o que vai restar. Áreas mais velhas, como as de soja em fase de enchimento de grãos, acredito que não vão se recuperar”, explica um produtor da região.
Além dos danos causados pelo granizo, a estiagem já causa efeitos visíveis nas lavouras. Plantas jovens estão secando e as folhas estão comprometidas. Em Morro Redondo, no Sul, e Santo Ângelo, nas Missões, as perdas de produtividade são praticamente certas, com plantas abortando flores ao invés de se desenvolverem normalmente.
Chuvas na soja
A previsão de chuvas para os próximos dias oferece alguma esperança, mas a instabilidade climática tem dificultado as estimativas sobre os danos nas lavouras. Com chuvas irregulares, algumas áreas podem ser beneficiadas enquanto outras continuam sem precipitação significativa. Em Castilhos, na região Central, a falta de umidade já é preocupante, com chuvas muito abaixo do esperado desde o final de dezembro.
Segundo dados da Emater, 97% da área foi semeada e está dentro da média das últimas safras, mas a seca prolongada e os preços baixos das commodities agravam a situação dos produtores. Além disso, o endividamento acumulado das últimas safras frustradas torna o cenário ainda mais difícil para muitos agricultores, especialmente os que dependem de áreas arrendadas.
O setor rural está pedindo ajuda urgente do governo para enfrentar o passivo crescente. Muitos produtores não têm mais como arcar com as dívidas, e a falta de um apoio efetivo, somada aos altos juros de empréstimos, tem dificultado a recuperação das lavouras. A crise é ainda mais grave em áreas onde o pagamento de arrendamentos está atrasado, exacerbando o endividamento dos agricultores.
Sem ações concretas para aliviar a situação financeira dos produtores, muitos podem ser forçados a abandonar a atividade agrícola, com sérios impactos para a economia do estado e para a produção de alimentos no Brasil. O Rio Grande do Sul, que enfrenta uma sequência de dificuldades climáticas, aguarda com apreensão as chuvas que podem salvar a safra, mas o tempo está se esgotando.
Imagine um produtor rural que possui fazenda de soja e milho em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Ao checar a previsão do tempo, descobre que terá uma janela ideal de semeadura a partir do próximo dia. Porém, ele está em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, e há anos encontra dificuldades em contratar mão de obra qualificada para operar as suas plantadeiras.
O que poderia ser uma preocupação, rapidamente se resolve: mesmo a milhares de quilômetros de distância, pega o celular do bolso e, em tempo real, envia um comando para que as suas máquinas agrícolas liguem sozinhas, se alinhem e iniciem mais uma safra com o pé direito. Esse tipo de cenário de ficção científica está mais próximo de acontecer do que muitos podem imaginar, aposta a John Deere.
Isso porque a companhia expôs os três tratores autônomos de sua segunda geração na Consumer Eletronics Show (CES 2025), em Las Vegas, nos Estados Unidos. Eles já estão à venda para os produtores norte-americanos e o plano é que desembarquem no Brasil em um futuro bastante próximo.
Modelos autônomos
Modelo autônomo 5ML de 130 cavalos para culturas especiais, como pomares
O maior trator da multinacional, o 9RX, de 830 cavalos, voltado a grandes operações, passa a contar com um kit de autonomia que combina visão computacional avançada com inteligência artificial, tudo isso embutido em sensores e 16 câmeras individuais que permitem visão 360° do campo.
Existem, ainda, os tratores estreitos 5ML, de 130 cavalos que, em um primeiro momento, possuem motor a diesel, mas a promessa da John Deere é que no curto prazo operem também na versão elétrica. Os modelos são voltados a culturas especiais, como pomares, locais onde a pulverização com jato de ar tende a ser exaustiva.
De acordo com o vice-presidente e CTO Global da marca, Jahmy Hindman, o sistema de autonomia deles permite navegação precisa mesmo sob a densa cobertura de folhas.
Tal como o 9RX, identificam obstáculos sensíveis e pequenas variações, como insetos e até mesmo a mudança de luz do dia. Contudo, possuem a capacidade de apenas interromper a operação quando diante de empecilhos que possam realmente danificá-los, caso de pedras e grandes galhos, garante a companhia.
Segundo Hindman, o modelo tecnológico dessas máquinas foi treinado com imagens coletadas em ambiente real, sendo a maioria delas captadas em operações agrícolas nos Estados Unidos. “Estamos trabalhando para que essa tecnologia funcione bem no Brasil. Nossa projeção é que entre os próximos dois ou três anos já estaremos aptos a implementar esses modelos no país.”
E a pressa é justificável: a John Deere aposta que o Brasil estará, em um futuro próximo, entre os três principais mercados de máquinas agrícolas autônomas do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Europa ou Canadá. Contudo, para o vice-presidente sênior e CFO global da marca, Josh Jepsen, há potencial para ir ainda mais além.
“Ao analisarmos o agronegócio brasileiro, com propriedades de tamanhos muito superiores a tudo o que vemos nos Estados Unidos e também com a dificuldade que os produtores têm de encontrar mão de obra capacitada para operar as máquinas, algo que não deve mudar e até se agravar no futuro, acreditamos que o Brasil será o primeiro mercado global em máquinas autônomas futuramente”.
Ele também destaca a capacidade de o país produzir, em alguns casos, até três safras por ano, algo que não ocorre em outras importantes nações com vocação agrícola. “Os períodos em que os produtores têm para fazer as operações em campo no Brasil são limitados, com janelas muito curtas. Uma tecnologia como a autonomia das máquinas pode ajudar nesse trabalho que, para o agricultor, pode ser muito extenuante”, afirma.
Já para o vice-presidente de Sistemas de Produção para a América Latina da John Deere, Cristiano Correia, as próprias características geopolíticas do Brasil tendem a elevá-lo ao patamar de liderança global na adoção de máquinas autônomas.
“O Brasil possui áreas agrícolas enormes e distantes de qualquer município com mais população, então é realmente muito difícil para o agricultor atrair mão de obra qualificada. Na Europa e nos Estados Unidos isso é diferente porque as cidades são mais descentralizadas e o produtor consegue contar com os trabalhadores que necessita com um pouco mais de facilidade”.
Segundo ele, a companhia tem como meta para 2026 conectar ao sistema autônomo cerca de 1,5 milhão de máquinas agrícolas no mundo. “No Brasil, a expectativa é que sejam algumas centenas de milhares em um futuro próximo”, enfatiza.
Obstáculos a transpor
Falta de conectividade ainda é desafio para implementação no Brasil
Ainda que a John Deere reconheça o gigante potencial brasileiro na adoção de máquinas autônomas, os executivos da empresa ficam apreensivos com a limitação da conectividade em propriedades rurais do país.
O Indicador de Conectividade Rural (ICR), por exemplo, demonstrou que por aqui apenas 37,4% dos imóveis rurais têm cobertura 4G ou 5G em toda a área de uso agropecuário.
“Por conta deste grande desafio do Brasil, iniciamos em 2024 uma parceria com a Starlink para nos ajudar a preencher esse vácuo em locais de maior deficiência de internet, como em Mato Grosso, por exemplo. Nossa expectativa é que no Brasil esses modelos de conexão acoplados à maioria das máquinas novas entre em operação em cerca de dois anos. Já para as máquinas mais antigas, o retrofit deve demorar entre três e cinco anos”, detalha o CTO Global da John Deere, Jahmy Hindman.
Segundo ele, outro desafio que a companhia trabalha para superar é fazer com que máquinas autônomas trabalhem em propriedades com terrenos mais acidentados e montanhosos – como no Rio Grande do Sul e Paraná – tão bem como já poderiam operar em lavouras planas, caso de Mato Grosso e da maioria das áreas produtivas do Cerrado brasileiro.
“A autonomia é como o desenvolvimento de uma criança, ou seja, aprendemos inicialmente a engatinhar para depois andar e só então correr. Neste momento, ainda estamos na fase de engatinhar, mas já sabemos que essa tecnologia funciona muito bem em propriedades de topografia plana e retangular. Por isso, estamos coletando imagens em terrenos mais acidentados para treinar os modelos computacionais para que as nossas máquinas possam trabalhar neles”, conta Hindman.
De acordo com o executivo, os primeiros testes bem-sucedidos do modelo autônomo das máquinas da John Deere foram feitos em propriedades de milho, soja e algodão por serem maiores e exigirem mais trabalho do produtor.
Nesta linha, o CTO global da companhia enxerga na idade média dos agricultores – 58 anos nos Estados Unidos e 46 no Brasil – outro ingrediente que pode alavancar a utilização das máquinas autônomas, visto que os poupariam do trabalho mais pesado.
*O jornalista viajou à CES 2025 a convite da John Deere