Sem previsão de chuva próxima, a umidade relativa do ar poderá atingir nível crítico em diversas cidades do estado de São Paulo. Essa condição de tempo está prevista até a próxima terça-feira (22), alertou a Defesa Civil estadual.
Com exceção da região litorânea, boa parte do estado deverá apresentar umidade do ar abaixo de 30%. Nas regiões noroeste e centro-oeste paulista, os níveis podem ficar abaixo dos 20%, índice considerado crítico pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Neste sábado(19), por exemplo, a cidade de Tupã registou a menor umidade relativa do ar (15%) no estado, seguida por Presidente Prudente (18%) e Marília (20%). Outras cidades como Rancharia e Rosana (22%), Ariranha e Pradópolis (24%) e Piracicaba, Dracena e Ituverava (25%) também apresentaram índices preocupantes.
Segundo a Defesa Civil, com o avanço do período de estiagem, é importante que a população beba bastante água, mesmo sem sentir sede, e que umidifique os ambientes com bacias de água ou toalhas molhadas. Também é importante evitar fazer exercícios físicos entre as 11h e 16h e usar soro fisiológico nos olhos e narinas.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
A imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto pode provocar perdas de US$ 1,3 bilhão para o setor de carne bovina em 2025 e ultrapassar US$ 3 bilhões nos anos seguintes, caso a medida seja mantida, estima a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).
Em relatório, a entidade destaca que as exportações brasileiras de carne bovina e subprodutos cresceram 27,93% em receita no primeiro semestre de 2025, alcançando US$ 7,446 bilhões. Os EUA são o segundo maior destino desses produtos, com vendas de US$ 1,287 bilhão no período, aumento de 99,8% em relação a 2024. No entanto, a nova tarifa pode inviabilizar parte significativa desse comércio.
Entre os produtos mais afetados estão as carnes desossadas congeladas, cuja tarifa pode saltar de 36% para 76% do valor FOB; o sebo bovino, que teria um aumento de 286%, atingindo 54% do preço médio; e o corned beef (preparação curada em salmoura), com alta de 384% na tarifa.
“Verifica-se, assim, elevada dependência dos EUA nas exportações de preparações alimentícias e conservas bovinas (65,1%) e de sebo bovino fundido (99,9%), produtos cujos exportadores poderão encontrar maior dificuldade de redirecionar suas exportações caso seja confirmada a nova tarifa de 50% anunciada pelo governo dos EUA aos produtos brasileiros”, diz a Abrafrigo.
A China segue como principal compradora, absorvendo 43% das exportações, mas o relatório aponta que o Brasil deve acelerar a diversificação de mercados, com destaque para Chile, México e Rússia, que tiveram crescimentos expressivos em 2025. O México, por exemplo, ampliou suas compras em 236% no primeiro semestre.
Diante desse cenário, a Abrafrigo pede ao governo brasileiro que adote medidas urgentes, como a negociação diplomática com os EUA para evitar a tarifa, sem medidas de retaliação que possam agravar o cenário, e a agilização de acordos comerciais para a abertura de novos mercados. Além disso, a entidade alerta para o risco de retaliações que possam encarecer a importação de insumos pecuários, afetando toda a cadeia produtiva.
“A tarifa adicional de 50% anunciada pelo governo dos EUA pode inviabilizar, pela sua magnitude e impacto, a continuidade das exportações de carnes bovinas para aquele país, o que reforça a necessidade de busca por novos mercados”, defende a entidade no documento.
A Abrafrigo recomenda ainda ações para abertura de novos mercados e desburocratização dos processos de exportação, de forma a mitigar os efeitos da medida.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, defendeu nesta sexta-feira (18) a aprovação do projeto de lei que altera as regras do licenciamento ambiental no Brasil e disse que a medida representa um avanço para o desenvolvimento do país, especialmente em obras de infraestrutura e no campo. Em vídeo publicado nas redes sociais, o dirigente afirmou que o licenciamento atual é um entrave que “precisa ser destravado com responsabilidade”.
Segundo ele, projetos como o da Ferrogrão, que poderá evitar a emissão de mais de 3,4 milhões de toneladas de carbono por ano ao substituir o transporte rodoviário, dependem do novo marco legal para avançar. Beber também citou outras obras paradas ou dificultadas pelas exigências atuais, como asfaltamentos, estradas vicinais, hospitais e sistemas de saneamento básico.
“Obras estruturantes dependem desse PL para termos a mesma agilidade de países como os Estados Unidos, Europa e China”, disse.
O projeto foi aprovado na madrugada de quinta-feira (17), na Câmara dos Deputados, por 267 votos a favor e 116 contra. O texto já havia passado pelo Senado e agora segue para sanção presidencial. O governo é contrário à proposta e indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode vetá-la. O Ministério do Meio Ambiente também se posicionou contra, assim como a bancada do PT.
Na avaliação de Beber, a legislação atual dificulta até obras simples dentro das propriedades rurais, como tanques de piscicultura e a instalação de secadores. Ele afirmou que pequenos, micro e médios produtores poderão ser diretamente beneficiados. “Muitas vezes levam anos para conseguir o licenciamento, e agora, de forma organizada e coordenada, isso poderá andar mais rápido, respeitando o meio ambiente e a vontade do povo”, declarou.
O presidente da Aprosoja-MT também agradeceu à senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do texto no Senado, e ao deputado Zé Vitor (PL-MG), que relatou o projeto na Câmara. Segundo ele, ambos tiveram papel decisivo na construção de um texto que traz “justiça” e racionaliza um sistema que hoje acumula, segundo Beber, mais de 100 mil regras. “Essa lei tira todo esse emaranhado, essa confusão, e organiza de forma mais simples, sem perder a responsabilidade ambiental”, disse.
O projeto aprovado prevê a criação de novas categorias de licenciamento, como a Licença Ambiental por Compromisso (LAC), a Licença Ambiental Especial (LAE) e a Licença Ambiental Única (LAU), além da dispensa de licenciamento para atividades agropecuárias de baixo impacto, obras de saneamento e renovação automática de licenças em casos específicos. Também estabelece prazos para os órgãos ambientais analisarem os pedidos, variando de três a dez meses, a depender da complexidade da atividade.
Agenda ambiental
A votação ocorre em um momento de atenção internacional sobre a agenda ambiental brasileira, às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP-30), marcada para novembro em Belém (PA).
Entidades ambientalistas e parte do empresariado temem retrocessos e aumento da insegurança jurídica. Já o setor produtivo e representantes da infraestrutura veem na proposta uma oportunidade de dar mais previsibilidade aos investimentos.
Produtores de farinha e fécula de mandioca já podem vender seus produtos para o governo federal. Isso porque a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está autorizada a comprar até 3 mil toneladas de fécula e 3,8 mil toneladas de farinha da raiz da safra de 2025.
A compra foi autorizada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF), e conta com recursos de R$ 20 milhões.
De acordo com nota da Conab, a medida atende aos produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A aquisição será realizada por meio do mecanismo de Aquisição do Governo Federal (AGF), previsto na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
A iniciativa tem como objetivo garantir aos produtores rurais o nível de rentabilidade dado pelo preço mínimo, evitando que tenham que comercializar sua produção a preços que inviabilizem a atividade econômica.
Limite de venda por produtor
O Manual de Operação da Companhia prevê que o limite de venda por produtor é de 105 toneladas de farinha, o equivalente a 2.100 sacas de 50 quilos.
Já para a fécula, o limite é de 90 toneladas, o que representa 3.600 sacas de 25 quilos. A compra só será finalizada pela Conab se o produto atender aos padrões exigidos.
A estatal informa que o cereal adquirido deverá ser estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas.
Além disso, os interessados em vender a farinha ou a fécula de mandioca para a Companhia devem estar cadastrados no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) e procurar a regional da Conab nos estados atendidos para orientação sobre o preenchimento dos formulários exigidos para a operação, bem como a apresentação de documentos adicionais que se fizerem necessários.
Preços da mandioca abaixo do mínimo
Tal operação se desenrola no âmbito de retomada dos estoques públicos no país. Segundo a Conab, a iniciativa também visa garantir o apoio aos produtores rurais em um cenário em que os preços da raiz e da fécula de mandioca estão abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal na região Centro-Sul do país.
“Esse cenário é explicado pelo aumento da oferta da raiz, uma vez que os agricultores intensificaram a colheita para liberar áreas para arrendamento, aliado aos elevados estoques industriais. Vale destacar que os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo concentram, aproximadamente, 1/3 da produção nacional de raiz de mandioca e respondem por 95,3% da capacidade instalada de produção de fécula de mandioca no país”, destaca a Companhia, em nota.
Uma nova semana começa com destaque para o frio no Sul do Brasil e tempo seco em grande parte do país. Segundo a Climatempo, uma massa de ar frio ainda atua sobre o Sul, enquanto o Centro-Oeste, o interior do Sudeste e parte do Nordeste seguem em alerta para umidade relativa do ar muito baixa.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Confira como fica a previsão do tempo para este início de semana em todas as regiões do Brasil.
No Sul, a segunda-feira (21) amanhece com temperaturas mais baixas, especialmente no Rio Grande do Sul, Vale do Itajaí (SC) e leste do Paraná. Nessas áreas, há formação de nevoeiro, o que pode comprometer a visibilidade em Curitiba e no litoral.
A geada ainda é possível nas serras gaúcha e catarinense, além de cidades do extremo sul do Paraná, como General Carneiro. Apesar disso, não há previsão de chuva ao longo do dia.
A tardes continua fria em Porto Alegre e Florianópolis, e o ar permanece seco no noroeste e norte do Paraná, com umidade abaixo de 30%.
Sudeste tem manhã fria e ar seco no interior
No Sudeste, a massa de ar frio também influencia as temperaturas no início da semana. O frio se concentra no leste e sul de São Paulo e no sul de Minas Gerais. Há risco de nevoeiro nas primeiras horas da manhã em regiões como a Grande São Paulo, Campinas (SP) e Zona da Mata Mineira.
Nas áreas do interior, como o Triângulo Mineiro, norte e oeste de São Paulo, a umidade relativa do ar varia entre 21% e 30%, indicando atenção para o tempo seco.
Em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória, o sol predomina e não há previsão de chuva. As temperaturas sobem de forma gradual à tarde, e a umidade se aproxima de 40%.
O Centro-Oeste começa a semana sob influência de ventos frios no extremo sul de Mato Grosso do Sul. A sensação de frio marca o amanhecer, mas o sol retorna no período da tarde e ajuda a elevar as temperaturas.
Toda a região permanece sem previsão de chuva. O tempo seco predomina em Goiás, leste e nordeste de Mato Grosso, com umidade em estado de alerta – entre 20% e 12%.
Em Goiânia, Cuiabá, Campo Grande e Brasília, a umidade à tarde pode variar entre 21% e 30%, afetando a qualidade do ar.
Nordeste tem chuva na faixa litorânea e tempo seco no interior
No Nordeste, o vento úmido vindo do mar mantém o tempo instável no litoral da Bahia. Cidades como Salvador, Ilhéus e a região do Recôncavo começam a semana com aumento de nuvens e pancadas de chuva moderadas a fortes ao longo do dia.
Outras capitais como Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e São Luís também podem registrar chuvas localizadas, com mais presença do sol. Já o interior da região enfrenta calor intenso e umidade relativa do ar muito baixa, além de ventos moderados com rajadas entre 40 e 50 km/h, principalmente no sul do Maranhão e Piauí.
Norte tem alerta para chuva forte em Roraima, Pará e Amapá
Na região Norte, o tempo segue instável, com chuvas fortes e trovoadas previstas para Roraima, oeste do Pará e Amapá. Já entre Rondônia e Tocantins, o tempo permanece firme e seco.
Em Palmas (TO), a umidade relativa do ar deve ficar abaixo de 20%, colocando a população em estado de alerta para os efeitos do tempo seco, como desconforto respiratório e risco de queimadas.
O secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que 1º de agosto é um prazo final para a imposição das tarifas americanas, mas que nada impede que os países negociem após a data, em entrevista para a CBS, neste domingo (20).
“Em 1º de agosto, as novas alíquotas tarifárias entram em vigor. Nada impede que os países conversem com a gente depois da data, mas eles vão começar a pagar as tarifas em 1º de agosto”, disse, ao defender que as tarifas pagarão o déficit americano e tornarão a economia do país mais forte. “Estamos defendendo os Estados Unidos”.
Segundo o secretário, que está confiante em um acordo com a União Europeia (UE), países menores, como nações da América Latina, Caribe e África, pagarão a tarifa base de 10%, enquanto economias maiores ou se abrirão ou pagarão uma tarifa justa aos EUA por não se abrirem e os tratarem de forma injusta.
Na ocasião, Lutnick também mencionou que o presidente dos EUA, Donald Trump, com certeza vai renegociar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). “Faz um sentido perfeito para o presidente renegociar. Ele não quer carros fabricados no Canadá ou no México quando podem ser fabricados em Michigan e Ohio. É melhor para os trabalhadores americanos”, ressaltou.
Lutnick ainda argumentou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, está custando US$ 700 bilhões por ano aos EUA por, segundo ele, manter as altas taxas de juros.
O Cerrado brasileiro se destaca como a região brasileira com a maior cobertura de irrigação agrícola do país, segundo levantamento da EEmovel Agro.
Com mais de 50% de seu território disponível para a tecnologia, atualmente são 1.460.386 hectares irrigados por pivô central, distribuídos em 20.517 equipamentos em operação, conforme os dados da datatech de soluções agropecuárias.
Contudo, o número representa apenas 4,16% da superfície irrigável total, revelando um potencial de expansão significativo.
O estudo da empresa projeta um mercado potencial de até R$ 14,4 bilhões para o setor de irrigação no Cerrado. O dado considera os 34,3 milhões de hectares de cultivos temporários e os 751 mil hectares de plantações perenes, com base em um custo operacional médio de R$ 6.202,00/ha em áreas de 50 a 100 hectares.
“A região central do país possui cerca de 76% mais área plantada do que o Sul. Tanto uma quanto a outra [região] lideram na produção de grãos, especialmente soja, e apresentam grandes oportunidades de mercado para irrigação”, afirma o diretor de Operações Agro da EEmovel Agro, Luiz Almeida.
Potencial de irrigação em outras áreas
O levantamento da datatech mostra que a Região Sul conta com 418.077 hectares irrigados por pivôs centrais e 7.159 equipamentos em operação — apenas 2,10% da área irrigável local, um desempenho ainda distante da realidade do centro-oeste e do norte de Minas Gerais.
Contudo, a maior concentração de equipamentos está em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal, responsáveis por 84% dos pivôs instalados no bioma Cerrado.
“Os dados mostram que ainda temos mais de 93% da área apta à irrigação sem uso de pivô central, o que comprova o imenso potencial de crescimento do setor nessa parte do país”, finaliza Almeida.
Nos últimos anos, um novo estilo musical começou a ganhar espaço nas playlists, nas redes sociais, nas festas do interior e, mais recentemente, nos palcos do Brasil inteiro. O agronejo, termo criado da fusão entre “agro” e “sertanejo”, representa muito mais que um gênero musical. Ele é a voz contemporânea do campo, uma manifestação cultural que coloca o agronegócio, os jovens rurais e a vida no interior no centro das atenções.
Embora seja uma evolução natural do sertanejo universitário, o agronejo surge com características próprias: ele tem raízes no agro, letras que exaltam a vida no campo, o trabalho com a terra, os rodeios, os tratores, o gado, e até o amor vivido nas estradas de chão. É o estilo musical que mais cresce entre o público jovem do agro, e Ana Castela é, sem dúvida, a principal representante desse movimento.
Ana Castela: a boiadeira que virou fenômeno
Com apenas 20 anos, Ana Castela se tornou o rosto e a voz do agronejo. Natural de Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul, a artista começou a se destacar com vídeos nas redes sociais cantando sobre a vida na fazenda, com um estilo que mesclava romantismo, ritmo moderno e identidade rural.
Seu primeiro grande sucesso foi “Boiadeira”, música que se tornou um hino para uma nova geração de jovens do campo e viralizou nas redes:
“Sou da vida do campo, da lida e do gado / Sou raiz de verdade, chapéu e cavalo” – Ana Castela, “Boiadeira”
Desde então, a artista acumula hits, parcerias com grandes nomes como Luan Pereira, Léo & Raphael, Simone Mendes e Gustavo Mioto, e milhões de ouvintes nas plataformas de streaming. Mas mais do que sucesso comercial, Ana representa uma mudança de narrativa: o campo, antes retratado de forma idealizada ou distante, agora ganha voz jovem, moderna e cheia de orgulho de suas raízes.
Onde nasceu o agronejo?
O agronejo nasce no berço da nova juventude rural brasileira, que cresceu conectada, consumindo internet e redes sociais, mas sem abandonar sua cultura agropecuária. É um reflexo direto da transformação do campo, onde o trator é guiado por GPS, mas a trilha sonora continua sendo o sertanejo.
Esse movimento se intensificou a partir de 2020, durante e após a pandemia, quando muitos influenciadores rurais começaram a se destacar no TikTok, Instagram e YouTube com vídeos sobre a rotina no campo, tocando músicas com estética agro. Foi nesse cenário que músicos passaram a criar letras com forte ligação com a produção rural, o rodeio, o agro business e os valores da vida simples no interior.
O agronejo não é uma ruptura com o sertanejo, é uma atualização, uma nova fase que fala com um público específico e crescente: os jovens do agro, que hoje movimentam a economia rural e também as plataformas digitais.
Amor, agro, rodeio e trator
Ao ouvir as músicas de artistas como Ana Castela, Luan Pereira, AgroPlay, Neto & Henrique e DJ Chris no Beat, fica clara a identidade do agronejo. As letras falam de:
Rotina rural: ordenha, colheita, vida na fazenda.
Tecnologia no campo: tratores modernos, caminhonetes, maquinário agrícola.
Relações amorosas no interior: paixões vividas entre currais e estradas.
Orgulho agro: valorização do produtor rural, da lida, da roça e do trabalho honesto.
Estética de rodeio: chapéu, fivela, botas, cavalos, festas sertanejas.
O agronejo e o agro: conexão além da música
A relação entre agronejo e agronegócio vai muito além do tema das músicas. Trata-se de um movimento que fortalece a imagem positiva do agro, especialmente entre os jovens urbanos. Ao colocar o campo como símbolo de força, tradição e inovação, o agronejo reforça valores importantes como trabalho duro, família, fé e pertencimento.
Além disso, muitas marcas ligadas ao setor agropecuário já identificaram o potencial do movimento. Empresas de insumos, maquinário, agroindústrias e até bancos do agronegócio vêm patrocinando eventos e artistas do segmento. O agronejo se transforma, assim, em uma estratégia de comunicação e marketing rural e, ao mesmo tempo, em um vetor de identidade cultural.
AgroPlay e o papel das gravadoras do agro
Outro destaque importante nesse movimento é o papel da AgroPlay, gravadora e produtora que gerencia as carreiras de diversos artistas do agronejo e investe pesado em marketing digital com linguagem do campo.
Com estúdio em Londrina (PR), a AgroPlay entendeu que o agro também é entretenimento e criou um ecossistema musical e midiático que valoriza a estética do interior com profissionalismo e alcance nacional, muito mais do que um negócio que movimenta a indústria existe uma profunda conexão com o propósito de dar protagonismo ao produtor rural, as raízes do campo e os valores da vida no campo. A parceria com a Warner Music, por exemplo, prova que o agronejo já saiu das fazendas e chegou à indústria fonográfica com força.
Um movimento que veio para ficar
O agronejo não é uma moda passageira. Ele representa uma nova fase de conexão entre cultura, campo e juventude. Assim como o sertanejo tradicional marcou gerações anteriores com histórias de amor e dor, o agronejo marca o presente com histórias de orgulho rural, pertencimento e identidade forte.
É um gênero que cresce nas plataformas de streaming, lota eventos, vende produtos e reforça a imagem do campo como moderno, relevante e inspirador.
Quando o agro vira música
O sucesso do agronejo mostra que o campo brasileiro é mais do que produtividade e exportação. Ele também é vida, arte, juventude e cultura. Quando ouvimos um hit de Ana Castela ou Luan Pereira, não estamos apenas dançando ou cantando: estamos celebrando um estilo de vida, um Brasil que trabalha com as mãos na terra e o coração cheio de orgulho.
E como bem canta Ana:
“Quem disse que o agro não tem som? / Aqui tem moda boa e amor do bom”
A polinização animal tem ganhado protagonismo na produção agropecuária brasileira. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a contribuição dos polinizadores como abelhas, borboletas e morcegos representou, em média, 16,14% do valor da produção agrícola e extrativista do Brasil em 2023 — um aumento em relação aos 14,4% registrados em 1996.
Nos cenários mais favoráveis, essa participação pode chegar a 25% do valor total da produção nacional. O estudo “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil 1981-2023” considerou dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS).
Dos 89 produtos analisados, 48,3% têm algum grau de dependência da polinização animal. O efeito é mais acentuado nas culturas permanentes, como frutas e café, e no extrativismo vegetal, com destaque para o açaí e o babaçu.
Em 2023, a contribuição dos polinizadores no extrativismo alcançou 47,2%, mais que o dobro do índice observado em 1996 (21,8%). Nas lavouras permanentes, o índice ficou em 38,7%, enquanto nas temporárias, como soja e feijão, chegou a 12%. Apesar disso, os cultivos temporários dominam a área plantada e a produção nacional.
Soja: baixa dependência, mas alta influência
Principal cultura temporária do Brasil, a soja possui dependência considerada modesta da polinização. Ainda assim, por seu elevado volume de produção e expansão territorial, ela contribui significativamente para a ampliação da área agrícola com algum nível de dependência de polinizadores.
A soja aparece entre os cinco principais produtos com dependência de polinizadores em todas as regiões do Brasil.
Mesmo com dependência modesta dos polinizadores, devido ao volume produzido e valor de produção, a expansão da soja para além de suas áreas tradicionais de cultivo, na região Sul, teve duas consequências: por um lado, contribuiu para o aumento da área ocupada por culturas que dependem de polinizadores e, por outro, substituiu cultivos com maior dependência desses agentes, reduzindo a participação de produtos associados à polinização animal, especialmente aqueles de menor valor comercial.
Na região Norte, o açaí – com alta dependência de polinização – é o principal destaque. Já no Nordeste, frutas como manga, cacau e uva se sobressaem. No Sudeste, produtos como o café e a laranja lideram a lista. No Sul, a maçã é uma das mais dependentes da polinização. E no Centro-Oeste, soja e algodão dominam, mesmo com dependência modesta.
Municípios mais dependentes de polinizadores crescem no Brasil
Entre 1996 e 2023, houve aumento de quase 6 pontos percentuais na proporção de municípios cuja produção agrícola e extrativista depende, em mais de 5%, da polinização. O Nordeste, com sua forte produção de frutas, foi a região com maior destaque nesse crescimento.
O estudo do IBGE destaca que até mesmo culturas de menor expressão nacional podem ter impacto estratégico local. “Além de contribuírem para a agricultura, os polinizadores são vitais para a manutenção dos ecossistemas”, reforça Leonardo Bergamini, analista do IBGE.
Mais da metade da área colhida tem dependência modesta
Em 2023, 53,5% da área colhida no Brasil era ocupada por produtos classificados com dependência modesta de polinização, como soja e feijão. A expansão dessa classe é um dos destaques da série histórica, que aponta crescimento constante desde 1975.
Nas lavouras permanentes, embora a classe com dependência modesta represente apenas 19,4% dos produtos, ela ocupa 41,2% da área plantada — com destaque para o café arábica e a laranja. Já as classes com alta ou essencial dependência, como o cacau e o caju, têm ampliado sua área cultivada ao longo dos anos.
Produtos dependentes de polinização representam 17,6% da produção
Apesar de a maioria da produção agrícola brasileira (82,4%) ainda ser formada por produtos sem dependência de polinizadores, o grupo com dependência modesta já responde por 15,9%. As classes com alta ou essencial dependência somam 1,6%, mas são fundamentais para determinadas regiões e produtos estratégicos.
No extrativismo, mais de 40% da quantidade coletada vem de produtos com dependência alta ou essencial, como açaí e babaçu. Embora a erva-mate — sem dependência de polinizadores — continue sendo o produto mais coletado, a tendência é de crescimento das culturas dependentes.
Ameaças aos polinizadores exigem atenção
A crescente dependência da polinização animal contrasta com a redução das populações de polinizadores, ameaçadas por perda de habitat, uso de agrotóxicos, doenças, mudanças climáticas e espécies invasoras.
“Garantir a continuidade desse serviço essencial exige investimentos em pesquisa e políticas públicas”, conclui Bergamini.
José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), morreu na madrugada deste domingo (20), aos 93 anos, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada até o momento. A informação foi confirmada pela assessoria da CBF.
Marin teve uma carreira marcada tanto pela política quanto pelo futebol. Ele ocupou o cargo de vice-governador de São Paulo entre 1979 e 1982, e assumiu o governo do estado entre 1982 e 1983, durante o regime militar, quando ainda não havia eleições diretas para o cargo.
Depois de sua passagem pela política, Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015, período que antecedeu um dos maiores escândalos da história do futebol mundial. Em 2015, ele foi preso na Suíça, junto a outros dirigentes da Fifa, acusado de envolvimento em um esquema bilionário de corrupção.
Extraditado para os Estados Unidos, Marin foi condenado a quatro anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro, fraude bancária e participação em organização criminosa. Em 2019, o Comitê de Ética da Fifa o considerou culpado por recebimento de propina e o baniu do futebol de forma definitiva. Após cumprir pena, ele retornou ao Brasil em 2020.