sexta-feira, maio 1, 2026

Autor: Redação

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Novo CEO reforça estratégia de expansão e governança na Jotabasso



Tages Martinelli como novo CEO da Sementes Jotabasso. Referência nacional em sementes de soja, com mais de 50 anos de mercado, a mudança no comando da operação reforça a estratégia de expansão e governança da empresa. Fundada em 1971 por João Basso, a sementeira atua em seis unidades localizadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A empresa também possui atuação comercial com sementes de sorgo e trigo e pecuária.

Com um portfólio desenvolvido em parceria com as principais obtentoras de genética de soja em atuação no país, a capacidade atual de produção é de 2 milhões de sacas de sementes. A empresa destina 70 mil hectares à produção de sementes e está entre os líderes de produção e distribuição do agronegócio brasileiro.

Natural de Ronda Alta (RS), filho de pequenos produtores rurais, Martinelli ingressou na Jotabasso em 1998. Nesses mais de 25 anos atuou em diversas áreas, como nas gerencias Administrativo e Financeiro, de Recursos Humanos e de Sustentabilidade. Mais recentemente respondia pela diretoria Comercial.

O movimento chega para reforçar o posicionamento da empresa em um ambiente de reestruturação do mercado de sementes no Brasil. O executivo assume a posição em um momento de expansão do setor no país, impulsionado pelo incremento da área cultivada e pela adoção de novas tecnologias.

José Amaral, que respondia como CEO até o último mês de maio, segue no Conselho de Administração da Jotabasso.



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AgroNewsPolítica & Agro

Corte de juros nos EUA surpreende mercado



“O Fed adotou uma postura preventiva”


"O Fed adotou uma postura preventiva"
“O Fed adotou uma postura preventiva” – Foto: Canva

O Federal Reserve anunciou uma redução da taxa de juros na reunião de setembro, encerrando um ciclo de manutenção que durou nove meses. Segundo Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, a decisão reflete uma resposta estratégica às condições atuais da economia norte-americana e aos riscos prospectivos.

A desaceleração da atividade econômica, evidenciada por uma geração de empregos abaixo do esperado e aumento da taxa de desemprego, indica menor pressão inflacionária futura. Núcleos do CPI e do PCE mostram trajetória de desaceleração, aproximando-se da meta de 2%, reforçando a lógica de um corte para equilibrar o nível de atividade, conforme a Regra de Taylor.

“Em sua decisão o Fed pode optar por um corte como forma de evitar que a taxa real de juros se torne excessivamente restritiva , ao considerar a inflação de bens duráveis e energia já mostra sinais de retração, e mesmo os serviços, tradicionalmente mais rígidos, começam a perder força diante da menor demanda agregada”, comenta.

Do ponto de vista teórico, a decisão é coerente com a “política monetária preemptiva”, adotada para mitigar choques adversos antes que se concretizem plenamente, combinando dados atuais e riscos futuros para orientar a condução da economia.

“Do ponto de vista teórico, a decisão também pode ser interpretada sob a ótica da função de reação do banco central, que incorpora não apenas os dados correntes, mas também os riscos futuros. A decisão de corte de juros pelo Federal Reserve se justifica por uma combinação da desaceleração da atividade, convergência da inflação à meta, aumento do desemprego, necessidade de preservar expectativas e atuação preventiva diante de riscos futuros. O Fed adotou uma postura preventiva, reduzindo os juros como forma de mitigar choques adversos antes que se materializem plenamente”, conclui.





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Polícia recupera carga de carne avaliada em R$ 700 mil e prende quatro pessoas



Quatro pessoas foram presas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) na última terça-feira (16) durante ação que recuperou uma carga de carnes avaliada em R$ 700 mil.

O crime ocorreu no domingo (14) em Ponta Grossa, onde a mercadoria seria originalmente exportada para Dubai, nos Emirados Árabes.

Na ocasião, os criminosos roubaram o caminhão semirreboque que transportava um contêiner carregado com 24 toneladas de proteína bovina. O motorista do veículo foi libertado somente no dia seguinte na cidade de São João do Triunfo, no sudeste paranaense, a mais de 90 km do local do assalto.

O delegado da PCPR André Feltes conta que a corporação iniciou imediatamente as diligências para a identificação dos envolvidos e do destino da carga.

Com apoio dos setores de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar do Paraná (PMPR), a investigação verificou que os suspeitos rapidamente haviam realizado o transbordo do material para dificultar o rastreamento.

Carne foi levada para supermercado

A PCPR identificou que parte da carga teve como destino um mercado localizado no bairro Caximba, em Curitiba. No local, a equipe prendeu duas pessoas em flagrante e verificou que as carnes estavam armazenadas sem qualquer tipo de refrigeração ou condições de higiene.

“Em Contenda [região metropolitana de Curitiba], policiais militares receberam denúncias anônimas e, em ação conjunta com uma equipe de policiais civis, localizaram uma chácara na qual o contêiner roubado havia sido ocultado. Foram recuperadas diversas caixas do produto, pesando mais de 11 toneladas, além de mais peças de carne que estavam na casa de um indivíduo”, destaca o delegado.

Na residência, os policiais identificaram que o indivíduo estava descongelando o produto para consumo próprio. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de receptação.

Em Pinhais, também na Região Metropolitana de Curitiba, os policiais civis localizaram mais de três toneladas do produto em um comércio de laticínios. Um quarto indivíduo também foi preso em flagrante.

Ao todo, as três ações resultaram na recuperação de mais de 17 toneladas da carga roubada. A equipe da PCPR segue em diligências para localizar o restante do material e identificar todos os envolvidos no esquema.



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China deve impulsionar compras e reforçar exportações de soja do Brasil na safra 25/26



A exportação de soja do Brasil 2025/26 foi estimada nesta quinta-feira em 112,12 milhões de toneladas, em comparação ao número de 106,66 milhões no ciclo anterior. O aumento se deve ao impulso dos embarques para a China, que trava uma guerra comercial com os Estados Unidos. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Com a previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos e o aumento da procura global, aliado à expansão da produção brasileira, espera-se um crescimento expressivo. Esse aumento está ligado, também, à China, que compra cerca de 73% da soja exportada pelo Brasil.

Milho

Além da soja, a exportação de milho do Brasil em 2025/26 foi estimada em 46,5 milhões de toneladas, em comparação ao número de 40 milhões no ciclo anterior.



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Exportações do ES têm queda de 1,6% nos primeiros oito meses de 2025


As exportações do agronegócio do Espírito Santo somaram R$ 11,3 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2025. O resultado representa uma leve retração de 1,6% em divisas frente ao mesmo período do ano anterior.

Em volume, os embarques totalizaram 1,6 milhão de toneladas, queda de 4,4% ante o mesmo período do ano anterior (1,7 milhão de toneladas).

No ranking dos principais produtos em geração de divisas, destacam-se:

  • Café: responde por mais da metade da pauta, com 52,9%, equivalente a US$ 1,1 bilhão;
  • Celulose: 29,3% (US$620,2 milhões);
  • Pimenta-do-reino: 11, 3% (US$239 milhões)

O Espírito Santo continua sendo o maior exportador de café conilon, com 77% das exportações nacionais, de gengibre (60%), pimenta-do-reino (67%) e mamão (41%), com ampla liderança nesses segmentos no acumulado do ano até agosto.

Nesse período, o agronegócio representou 32,5% das exportações totais do Estado. Os produtos do agro chegaram a 125 países em oito meses, sendo os Estados Unidos responsáveis por 22,2% das divisas (US$ 468,7 mi), Turquia com 7,1% (US$ 150,1 mi) e China com 6,2% (US$ 131,5 mi).

Pimenta-do-reino em destaque

O grande destaque nos primeiros oito meses do ano foi a pimenta-do-reino, com crescimento em geração de divisas de 125% em relação a igual período de 2024. Destacaram-se ainda nas vendas internacionais café solúvel (+64%), carne bovina (+29%) e mamão (+21%).

Apesar da expansão registrada em diversos produtos, a leve retração geral em volume e geração de divisas foi determinada principalmente pelo café, destaque de exportações do agro capixaba.

“[…] a pequena queda em volume e valor das exportações ocorreram devido ao café grão cru, onde houve antecipação do volume de compras em 2024 para esse ano de 2025 em face da possibilidade de entrar em vigor a legislação da União Europeia (EUDR)”, comentou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

Efeitos do tarifaço dos EUA

Donald Trump tarifas
Foto: Divulgação Casa Branca

O segmento de ovos, que havia conquistado espaço no mercado norte-americano após a crise da gripe aviária, praticamente teve as exportações paralisadas com a imposição da nova barreira tarifária.

Em julho, foram exportadas 1.090 toneladas para os Estados Unidos, número que caiu para apenas 99 toneladas em agosto (queda de 99,9%). Para outros mercados, a queda foi de 23,5%, reduzindo de 4,3 para 3,3 toneladas.

Praticamente todas as vendas externas estavam concentradas nos Estados Unidos.

O gengibre também foi bastante afetado. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 4,4 milhões (3,1 mil toneladas) para todos os países, com exceção dos EUA. Já em agosto, as vendas caíram para US$ 3,5 milhões (-20,5%) e 2,5 mil toneladas (-19%).

Para os EUA, a queda foi ainda mais forte: de US$ 2 milhões (1,5 mil toneladas) em julho para US$ 1,1 milhão (1 mil toneladas), uma retração de 33% no volume e 45% no valor. Cerca de 40% das vendas externas foram para os Estados Unidos.

O café em grão passou de 13,9 mil toneladas (US$ 77,6 milhões) em julho, para 8,6 mil toneladas (US$ 51,9 milhões) em agosto, queda de 37,6% em volume e 33,2% em valor (considerando todos os países, com exceção dos EUA).

Especificamente para os Estados Unidos, exportaram 2,1 mil toneladas em julho (US$ 10,2 milhões). Em agosto houve queda para 1,7 mil toneladas (-19%) e US$ 7,3 milhões (-28,4%). A exposição direta aos EUA, porém, é pequena, cerca de 6%.

O café solúvel, diferente dos demais, apresentou crescimento. Em julho foram US$ 9,9 milhões (0,8 mil toneladas), e em agosto US$ 14,9 milhões (+50,5%) e 1,2 mil toneladas, alta de 50% (considerando todos os países, com exceção dos EUA).

Para os Estados Unidos, as vendas ficaram estáveis em agosto, apesar do tarifaço, com 0,5 mil toneladas e US$ 6,3 milhões. Vale lembrar que os EUA representam cerca de 30% das vendas externas.

A pimenta-do-reino, em julho, faturou US$ 15,3 milhões (2,4 mil toneladas), subindo para US$ 21,8 milhões (4 mil toneladas) em agosto, avanço de 42,5% em valor e 66,7% em volume (considerando todos os países, incluindo os EUA).

As vendas diretas para os Estados Unidos são irrisórias, ou seja, menos de 1% é exportada diretamente, mas a maior parte entra no mercado americano de forma indireta.

O mamão teve crescimento nos embarques, de US$ 2,3 milhões (1,8 mil toneladas) em julho para US$ 2,7 milhões (1,7 mil toneladas) em agosto (considerando todos os países, com exceção dos EUA).

A alta foi de 18,8% em divisas, embora com pequena redução de 2,9% em volume. Para os EUA, houve alta de volume, cerca de 18,7%, mas registrou queda de receita, cerca de 14,3%. Vale destacar que aproximadamente 11% das vendas vão para o mercado norte-americano.

Outro setor em alerta é o de pescados, que enfrenta forte retração em razão das tarifas norte-americanas. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 673,8 mil (69,7 mil kg), mas em agosto os embarques caíram para US$ 294,9 mil (40,6 mil kg), uma redução de 56,2% em valor e 41,8% em volume.

Além disso, ressalta-se que 98% das vendas externas são para o mercado norte americano.

“As exportações de ovos, gengibre e pescados foram as mais prejudicadas no mês de agosto em relação a julho deste ano. O setor de ovos praticamente estagnou com a nova barreira tarifária […]”, destaca Bergoli. 

O secretário também explica que o gengibre sofreu uma redução de vendas expressiva em agosto; as exportações de pescados, com os Estados Unidos como principal mercado deste segmento, não suportou a ampliação da tarifa imposta de 50%, com queda significativa de 41%. 

Medidas preventivas do governo estadual

Diante desse cenário, o governo do Espírito Santo estabeleceu um Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (Cetax), coordenado pelo vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço.

Entre as medidas já definidas, foi aprovada a Lei 595/2025, que autoriza oficialmente a transferência de créditos acumulados de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os setores produtivos mais afetados.

Espera-se que por meio dessa lei sejam liberados cerca de R$ 100 milhões em créditos, beneficiando segmentos como rochas ornamentais, pescados e crustáceos, pimenta-do-reino, mamão e gengibre.

A nova legislação também abre espaço para programas de financiamento específicos para as empresas exportadoras atingidas, com critérios a serem definidos pela Secretaria de Fazenda.

Também está prevista a criação de uma linha de crédito subsidiada com dotação inicial de R$60 milhões, voltada para o capital de giro das exportadoras.

O governador do Estado, Renato Casagrande, anunciou que o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) fará a suspensão temporária das prestações de financiamento por até seis meses.

Além disso, o banco disponibilizará linhas de crédito para capital de giro e exportação, visando mitigar os efeitos de curto prazo no fluxo de caixa das empresas e para que a perda de receitas seja parcialmente suprida, garantindo equilíbrio financeiro e manutenção de suas atividades.

Empresas capixabas com faturamento de até R$ 20 milhões e que exportam produtos para os Estados Unidos serão elegíveis para a linha de crédito. A dotação inicial é de R$ 60 milhões.

Foi aprovada ainda, a Lei de Compras Institucionais dos Produtos da Agricultura Familiar, que determina que pelo menos 30% dos recursos destinados às aquisições de gêneros alimentícios pelos órgãos públicos estaduais sejam aplicados em produtos da agricultura familiar.

A expectativa é dobrar em quatro anos o valor dessas compras, passando de cerca de R$ 50 milhões para R$ 100 milhões anuais, fortalecendo produtores rurais, associações e cooperativas, em especial comunidades tradicionais, assentamentos, grupos de mulheres e jovens.

Além das medidas anunciadas, o estado segue articulando com o Governo Federal, com o envio de informações detalhadas sobre a realidade de cada segmento, para subsidiar as negociações diplomáticas entre Brasil, Estados Unidos e outros países para onde se destinam as exportações do Espírito Santo.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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Produtores esperam reversão de tributação de LCAs


A proposta de tributar em 5% no Imposto de Renda os títulos ligados ao agronegócio, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), hoje isentos, acendeu um alerta no setor produtivo.

Para os produtores rurais, a medida representa uma mudança significativa em um dos poucos mecanismos de financiamento que têm se mostrado eficientes para garantir fluxo de recursos ao campo, sobretudo em tempos de crédito mais caro e escasso.

A discussão, já pontuada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e conduzida no Congresso com intermediação do relator e em diálogo com a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), coloca em evidência a necessidade de equilíbrio entre o ajuste fiscal do governo e a manutenção da competitividade de um setor que sustenta boa parte da economia nacional.

Do ponto de vista dos produtores, a tributação dos títulos ameaça reduzir a atratividade para investidores, que têm no benefício fiscal uma das principais razões para direcionar recursos ao agro.

Caso a medida avance sem compensações, LCAs e CRAs podem perder força no mercado financeiro, diminuindo a captação de recursos privados e, consequentemente, limitando a capacidade de investimento no campo.

Em um momento em que o governo reduz subsídios no crédito rural e aumenta as exigências para acesso às linhas oficiais, retirar competitividade desses instrumentos significa enfraquecer o setor produtivo e comprometer o crescimento sustentável da agricultura e da pecuária.

A preocupação é principalmente com médios e pequenos, que dependem de instrumentos de mercado para financiar custeio, modernização de maquinário, aquisição de insumos e adoção de tecnologias.

Para eles, cada ponto percentual a mais no custo do crédito pode inviabilizar projetos e afetar a renda.

Em cadeias de produção com margens estreitas, como leite, hortifrúti e grãos em propriedades menores, o impacto seria imediato.

A eventual redução da liquidez dos títulos, por sua vez, afetaria toda a engrenagem que conecta investidores urbanos ao financiamento do agronegócio, afastando recursos que hoje chegam ao campo com agilidade e menor burocracia.

Outro ponto levantado pelos produtores é o efeito indireto sobre a competitividade internacional do agro brasileiro.

Com a tributação, há risco de aumento no custo de produção, justamente em um cenário em que países concorrentes oferecem condições mais favoráveis de financiamento e subsídios diretos aos agricultores.

Para manter a liderança mundial em exportações e, ao mesmo tempo, cumprir exigências ambientais e sociais cada vez mais rígidas, o Brasil precisa de políticas que ampliem o acesso a capital.

A medida, se implementada sem negociação, pode enfraquecer a posição do país em mercados estratégicos.

Entre as alternativas discutidas, estão a possibilidade de manter a isenção para investidores pessoas físicas, aplicar a alíquota apenas a novas emissões ou criar incentivos compensatórios, como linhas específicas de crédito rural com taxas diferenciadas.

A ideia é evitar que a arrecadação fiscal venha à custa da perda de dinamismo em um setor que responde por quase 25% do PIB brasileiro e sustenta milhões de empregos diretos e indiretos.

Para os produtores, a negociação precisa considerar que o agro não é apenas um segmento econômico, mas sim um pilar da segurança alimentar e da balança comercial brasileira.

Qualquer medida que comprometa sua capacidade de investimento terá reflexos diretos sobre preços ao consumidor, geração de divisas e estabilidade no campo.

Por isso, a expectativa é de que a FPA, em diálogo com o relator e o governo, consiga construir uma solução equilibrada, que permita ao Estado arrecadar sem desestimular os investimentos privados no agronegócio.

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação



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Congresso da ABMRA reforça que agro precisa contar sua própria história



Uma das capitais mais urbanas do mundo foi palco da 17ª edição do Congresso de Marketing do Agro, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). Nesta quinta-feira (18), lideranças e especialistas se reuniram em São Paulo em prol de um objetivo comum: comunicar, e com excelência, o papel do agronegócio brasileiro para o mundo.

Em destaque, esteve a aplicação do marketing na evolução do setor. Logo na abertura, o público pôde acompanhar uma verdadeira aula de como comunicar o agro. Autoridades do setor compartilharam experiências que mostram como a comunicação é estratégica para enfrentar crises, projetar o setor e consolidar a imagem do Brasil como potência agroalimentar.

Comunicação na prática

Um dos exemplos citado no congresso foi o enfrentamento da gripe aviária no Brasil. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou que a resposta à crise só foi possível porque havia um plano de comunicação sólido.

“A grande maioria dos problemas foi superada porque nos preparamos antes, com uma estratégia integrada entre técnica, comercial e imprensa. Quando a doença chegou, já tínhamos mensagens claras e consistentes para transmitir”, disse.

Ele lembrou que vídeos gravados anos antes e a atuação coordenada de porta-vozes ajudaram a evitar pânico e a manter a confiança do mercado. “Desde o primeiro momento, reforçamos que a gripe aviária não se transmite pelo consumo de carne de frango. Essa comunicação manteve o mercado sólido e preservou 4 milhões de empregos na cadeia produtiva”, destacou.

O Brasil como líder global

Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), reforçou que o Brasil tem uma oportunidade única de ampliar a produção de alimentos, gerar energia renovável e criar empregos, tudo ao mesmo tempo. Nesse sentido, ele ressaltou a importância de valorizar a experiência nacional em agricultura tropical.

“Temos a experiência da agricultura tropical, capaz de garantir segurança alimentar e contribuir para a paz mundial. Mas, para isso, é preciso comunicar com mais intensidade o que fazemos: uma agricultura competitiva, eficiente e sustentável”, afirmou.

Segundo Rodrigues, o país já enfrenta campanhas de desinformação contra o agro e defendeu uma estratégia firme de comunicação. “Alguém perde mercado quando o Brasil cresce. E quem perde, reage com narrativas contra nós. Só há uma forma de responder: mostrar a verdade. Se soubermos comunicar, podemos nos tornar campeões mundiais da paz”, disse.

Agro como protagonista

O presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, destacou que o propósito da entidade é ajudar todo o ecossistema do agro a se comunicar melhor, tanto com o produtor rural quanto com a sociedade. Ele citou iniciativas como o projeto Conexões, que aproxima a associação de diferentes entidades do setor, e o Marca Agro do Brasil, criado para valorizar a imagem do campo no país e no exterior.

Além disso, Nicodemos falou sobre o trabalho de meses na preparação do congresso e agradeceu o apoio de parceiros, conselheiros e entidades do setor. Para ele, a edição deste ano reforça que o agro brasileiro tem cada vez mais condições de assumir o protagonismo global. “Quando não contamos a nossa história, alguém conta da forma que achar mais conveniente. Precisamos estar à frente desse processo”, concluiu.



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AgroNewsPolítica & Agro

Fungicidas se destacam em ensaios de soja



“Trata-se de ferramenta estratégica”


"Trata-se de ferramenta estratégica"
“Trata-se de ferramenta estratégica” – Foto: Divulgação

Os fungos que atacam sementes da soja estiveram no centro dos Ensaios Cooperativos de Rede da safra 2024-25. Soluções como Tiofanil® e Torino®, da Sipcam Nichino, mostraram elevada eficácia no controle de cinco patógenos danosos em áreas de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Os resultados foram apresentados no 54º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, realizado em Lavras (MG).

Segundo Bruno Monção, gerente de marketing da companhia, os fungicidas alcançaram até 93% de controle, superando a maioria dos tratamentos-padrão. “Os dados colocaram os fungicidas, no cômputo geral, à frente de quase todos os chamados tratamentos-padrão, comparados”, comenta.

O Tiofanil® FS é sistêmico e de contato, à base de clorotalonil, com amplo espectro de ação, atuando como ferramenta estratégica para evitar perdas significativas na produção. “Trata-se de ferramenta estratégica, dotada de tecnologia para evitar a contaminação da soja por fungos com potencial de transferir prejuízos consideráveis à produção”, ele diz. O Torino®, também sistêmico e de contato, favorece o melhor estabelecimento das plantas e potencializa a produtividade da soja. “Por suas características, favorece o melhor estabelecimento de plantas e potencializa a produtividade da soja”, completa.

De acordo com o especialista, os resultados reforçam a importância de soluções eficientes no tratamento de sementes, garantindo proteção contra patógenos economicamente relevantes e apoiando práticas de manejo integrado de doenças na sojicultura brasileira.

 





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Efeito do tarifaço visto em agosto tende a diminuir nos próximos meses, diz FGV



O tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros causou um impacto negativo na balança comercial em agosto, mas esse efeito não deve se repetir com a mesma intensidade nos próximos meses.

A avaliação é do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quinta-feira (18), pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Os dados mostram que houve certa compensação, a partir da destinação para outros mercados de produtos que antes eram exportados aos Estados Unidos. Além disso, é esperada uma normalização no nível de trocas comerciais, com espaço ainda para negociação entre os dois países.

“Na comparação dos produtos que não foram isentos, foi observado que em vários casos houve queda de exportação para os Estados Unidos e aumento para o resto do mundo”, frisou o relatório do Icomex.

Balança comercial

A FGV afirmou ter mantido sua previsão de que a balança comercial brasileira encerre 2025 com um superávit entre US$ 62 bilhões e US$ 65 bilhões.

No acumulado do ano até agosto, houve piora no desempenho das trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos. Assim, o déficit brasileiro aumentou para US$ 3,4 bilhões.

“No entanto, o tarifaço de Trump para o Brasil é motivado principalmente por questões de ordem política, havendo alguma possibilidade de negociação”, ponderou a FGV.

Em agosto de 2025 ante o mesmo mês de 2024, quando entrou em vigor o tarifaço de Trump, o volume exportado pelo Brasil para os Estados Unidos diminuiu 15,4%, mas cresceu 34,6% para a China e 45,7% para a Argentina.

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“As manufaturas, que em princípio se considera de forma geral mais difícil diversificar, encontraram compensações para as perdas nos Estados Unidos. Como muitas indústrias de manufaturas do Brasil pertencem a multinacionais, estratégias de diversificação são possíveis de serem implementadas”, avaliou a FGV.

“Em nível macro, é preciso agora observar se a retração de agosto é uma consequência da antecipação de alguns segmentos e produtos ou se vai perdurar, levando a uma trajetória descendente do volume exportado para os Estados Unidos. Achamos pouco provável esse cenário. O nível de exportações pode mudar, mas alguma retomada e estabilidade são esperadas.”

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 6,1 bilhões em agosto, ante um resultado de US$ 4,5 bilhões em agosto de 2024. No acumulado de janeiro a agosto, o superávit alcançou US$ 42,8 bilhões em 2025, ante US$ 53,6 bilhões no mesmo período de 2024.

“As perspectivas para os próximos meses, se não surgirem novas surpresas por parte do governo Trump, é de uma possível desaceleração no crescimento das exportações e das importações”, apontou a FGV, lembrando a existência de risco de novas tarifas, mas apenas para o final do ano.

“O esforço de diversificação do mercado continua na agenda e deve se manter o canal aberto para as negociações de caráter técnico. Por último, o risco de aumento da vulnerabilidade externa via conta corrente parece pouco provável com a manutenção da taxa de juros do Brasil, a queda da taxa de juros nos Estados Unidos e perspectivas positivas para a entrada de capital estrangeiro”, concluiu.



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BNDES libera solicitação de crédito para empresas afetadas pelo tarifaço



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu, nesta quinta-feira (18), o protocolo para que as empresas impactadas pelas tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos possam solicitar crédito.

“Qualquer empresaque foi prejudicada com tarifácio de 50%, e que teve um prejuízo de mais de 5% do seu faturamento, já pode buscar financiamento. São taxas de juro de 7% a 10% ao ano, dependendo do porte da empresa. São R$ 30 bilhões também para diversificar novos comércios para exportação e mais R$ 10 bilhões para quem tá abaixo disso. Qualquer empresa pode acessar, ninguém vai ficar para trás”, diz o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.

O primeiro passo para solicitar acesso ao crédito é verificar a elegibilidade, acessando o site https://www.bndes.gov.br/elegibilidade-brasil-soberano. Os interessados precisarão se autenticar utilizando a plataforma Gov.br, exclusivamente por meio do certificado digital da empresa. Após a autenticação, o sistema informará se a empresa é elegível e quais créditos podem ser solicitadas. 

De posse dessas informações, a recomendação é que a empresa entre em contato com o banco com o qual já tem relacionamento. No caso das grandes empresas, também é possível diretamente com o BNDES.

Ao todo, estão disponíveis R$ 40 bilhões, sendo R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio banco. Os recursos financiarão capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Têm direito aos recursos do FGE pessoas jurídicas de todos os portes cujo faturamento com exportações aos Estados Unidos de bens impactados por tarifas adicionais e constantes da tabela de produtos publicada pelo MDIC publicado no site https://www.gov.br/mdic/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/brasil-soberano, no período de julho de 2024 a junho de 2025, seja superior ou igual a 5% do seu faturamento bruto total apurado no mesmo período.

Linhas de crédito

São quatro linhas disponíveis: capital de giro (gastos operacionais gerais), giro diversificação (busca de novos mercados), bens de capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e investimentos (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva).

Têm direito ao crédito com os recursos do BNDES (R$ 10 bilhões) as empresas cujos produtos receberam qualquer percentual de tarifa e com qualquer nível de impacto no faturamento bruto. São duas linhas disponíveis: capital de giro emergencial (financiamento de gastos operacionais gerais) e capital de giro diversificação (busca de novos mercados).



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