terça-feira, abril 28, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Brasil confirma liderança global nas exportações de algodão



Brasil confirmou a posição como maior exportador global no ano


Foto: Canva

A projeção da produção de pluma brasileira foi atualizada pela Associação Brasileira dos Produtores de algodão (Abrapa), durante o mês de setembro. A nova estimativa prevê uma produção de 4,11 milhões de toneladas para a safra 2024/2025, um aumento de 11,1%, se comparada à colheita anterior. A área plantada com a cultura no país terá um aumento de 10,4% em relação ao ciclo 2023/2024, chegando a 2,147 milhões de hectares.

Com o fechamento do ano comercial 2024/2025, em 31/07, o Brasil confirmou a posição como maior exportador global no ano, pela segunda vez na história. O país exportou 77,5 mil toneladas, em agosto de 2025, totalizando uma receita de US$ 123,5 milhões. O mês de agosto é o primeiro mês do calendário comercial 2025/2026.

Paquistão foi o principal destino do algodão brasileiro em agosto de 2025, participando com 22% do total embarcado. Índia e Egito também foram destaques positivos do mês. Para 2025/2026, a expectativa é que de as exportações atinjam 3,1 milhões de toneladas de pluma, alta de 9,3% com relação ao último ano comercial.

 





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Parceria amplia fiscalização ambiental e vigilância de espécies



O Ibama realizou, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), uma missão de fiscalização integrada no sul do Amazonas.

A iniciativa reuniu três frentes: o Programa de Quelônios da Amazônia (PQA), o Programa Arapaima (manejo do pirarucu) e a Operação Gaspar I de fiscalização ambiental.

De acordo com os órgãos envolvidos, a estratégia de ações conjuntas mostrou-se mais eficaz e econômica, permitindo a otimização de recursos financeiros e logísticos, além de ampliar o alcance do monitoramento e da fiscalização.

As atividades ocorreram nos municípios de Borba, Careiro Castanho, Humaitá, Lábrea, Pauini, Canutama e Tapauá, cobrindo sete unidades de conservação federais e estaduais e 13 terras indígenas.

Resultados das fiscalizações

Durante a operação, foram apreendidos 335 quelônios, 3.324 ovos, além de 10 redes, três motores rabetas, três canoas e um barco utilizados em ilícitos ambientais. As ações também coibiram pesca predatória de peixes fora do tamanho permitido, caça ilegal e extração irregular de madeira.

As seguintes unidades de conservação foram monitoradas: RDS Igapoaçu, Resex Ituxi, Resex Médio Purus, Resex Canutama, APA Jamanduá, Floresta Estadual de Canutama e Rebio Abufari.

Terras Indígenas monitoradas:

  • Apurinã da Pedreira do Amazonas;
  • Paumari do Lago Marahã;
  • Paumari do Rio Ituxi;
  • Jarawa/Jamamadi;
  • Apurinã do Igarapé Mucuim;
  • Catipari Mamoriá;
  • Paumari do Lago Manissuã;
  •  Paumari do Lago Paricá;
  • Paumari do Rio Uniwá;
  • Panamã, Deni;
  • São João e Tauwamirim.

Educação e comunidade

Além da fiscalização, a missão promoveu reuniões com comunidades ribeirinhas, extrativistas e indígenas para divulgar informações sobre o PQA, o manejo do pirarucu e as sanções previstas na legislação ambiental.

O processo de diálogo revelou desinformação sobre crimes ambientais, especialmente relacionados à captura ilegal de quelônios e pesca do pirarucu.

A presença física do Ibama e de seus parceiros motivou a permanência de comunidades já participantes dos programas e incentivou novas adesões.

Em diversas localidades, onde os programas ainda não existiam, iniciaram tratativas com a Funai e o ICMBio para a futura implantação.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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Portaria da Adapar estabelece vacinação de herbívoros contra raiva em 30 cidades do Oeste


Medida foi oficializada em portaria da Adapar e abrange herbívoros domésticos com idade a partir de três meses, incluindo búfalos, bois, cavalos, asnos, mulas, ovelhas e cabras. Em 2024, o Paraná confirmou 227 focos de raiva, sendo mais da metade nos escritórios regionais de Cascavel e Laranjeiras do Sul.

A vacinação contra a raiva passa a ser obrigatória em 30 municípios do Oeste do Paraná a partir desta quinta-feira (25). A medida, oficializada pela portaria nº 368/2025  da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), abrange herbívoros domésticos com idade a partir de três meses, incluindo búfalos, bois, cavalos, asnos, mulas, ovelhas e cabras.

De acordo com o Departamento de Saúde Animal (Desa) da Adapar, a escolha dos municípios considera fatores como a quantidade de focos registrados nos últimos anos, a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, a ocorrência de áreas compartilhadas de transmissão e o elevado número de pessoas que precisaram de tratamento após contato com animais suspeitos.

Em 2024, o Paraná confirmou 227 focos de raiva, sendo mais da metade nos escritórios regionais de Cascavel e Laranjeiras do Sul. Até setembro de 2025, já foram contabilizados 166 focos em 41 municípios. Do total de focos, 81 são da mesma região.

“A raiva é uma zoonose que preocupa porque pode ser transmitida dos animais para as pessoas. A portaria estabelece o prazo de seis meses para que os rebanhos sejam vacinados, justamente como medida preventiva. É sempre preferível vacinar e prevenir do que enfrentar depois os prejuízos e riscos de um foco da doença”, explica Otamir Cesar Martins, diretor-presidente da Adapar.

Para o chefe do Departamento de Saúde Animal (Desa) da Agência, Rafael Gonçalves Dias, a medida é necessária diante dos focos registrados na região Oeste nos últimos anos. “Temos registros recorrentes da doença e áreas de difícil controle do morcego hematófago, o que aumenta o risco para os rebanhos e para a saúde pública. A vacinação é a forma mais eficaz de proteger os animais e reduzir os impactos para produtores e comunidades” reforça.

Estão na lista os municípios de Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Capanema, Capitão Leônidas Marques, Cascavel, Catanduvas, Céu Azul, Diamante D’Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Ibema, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Planalto, Pérola D’Oeste, Quedas do Iguaçu, Ramilândia, Realeza, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste.

MOBILIZAÇÃO REGIONAL – Neste momento em que a portaria estabelece a obrigatoriedade da vacina, a Adapar aproveita para intensificar a conscientização na região. Entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro (segunda a quinta-feira da próxima semana), Cascavel e municípios vizinhos recebem o projeto “Adapar Educa à Campo – Enfrentamento Contra a Raiva dos Herbívoros”, que mobiliza produtores, médicos veterinários estudantes e agentes públicos.

A programação prevê palestras em escolas, encontros com sindicatos, visitas técnicas a comunidades rurais e ações de orientação direta aos produtores, com foco na biosseguridade e na vacinação dos rebanhos. Cerca de 40 servidores da Adapar se deslocarão até a região para fazer a mobilização.

“O projeto busca conscientizar e engajar diferentes públicos, não apenas os produtores rurais, mas também médicos veterinários, agentes de saúde, estudantes e demais profissionais ligados ao campo. A raiva dos herbívoros é uma doença fatal, sem cura, e a informação é fundamental para que todos conheçam as medidas de prevenção e proteção dos rebanhos”, destacou Elzira Pierre, chefe da Divisão de Raiva dos Herbívoros e médica-veterinária da Adapar.

O encerramento será no dia 2 de outubro, na sede da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), em Cascavel, reunindo gestores e entidades parceiras para alinhar estratégias de combate à doença e reforçar a importância da cooperação entre poder público e setor produtivo.

“Esse é um trabalho que envolve toda a sociedade do Oeste do Paraná. Estamos mobilizando parceiros na região. Nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade e reforçar a importância da vacinação para conter a doença”, completa Elzira.





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Cientistas descobrem ‘vírus gigante’ no Pantanal



Pesquisadores identificaram nas águas do rio Paraguai um novo vírus, considerado o maior com cauda já descrito pela ciência. Batizado como Naiavírus, o “gigante microscópico” do Pantanal mede cerca de 1.350 nanômetros (nm); os vírus comuns dessa categoria medem entre 20 e 200 nm. Um nanômentro corresponde a um milionésimo de milímetro.

Muito diferente dos patógenos que provocam doenças em humanos, como o da gripe ou o coronavírus, o Naiavírus infecta apenas amebas.

Além do tamanho fora do comum, tem um corpo envolto por uma espécie de “manto” e uma cauda flexível que se dobra e se alonga, funcionando como uma ferramenta para se aproximar das amebas e facilitar a infecção.

O novo vírus tem um genoma imenso: quase 1 milhão de pares de bases de DNA. Muitos genes não têm semelhança com nada já registrado pela ciência, com funções que antes se acreditava só existirem em células complexas, como bactérias e eucariotos.

Alguns lembram proteínas de plantas. Isso indica que podem estar envolvidos em processos evolutivos que a ciência nem começou a entender.

Segundo os cientistas responsáveis pela descoberta, as proteínas do supervírus são originárias de uma divergência muito antiga, próxima do surgimento da vida na Terra.

“Elas podem abrir portas inéditas de pesquisa e ser usadas para produzir fármacos e enzimas de interesse biotecnológico”, disse à Assessoria de Imprensa do IFSC-USP Otavio Thiemann, um dos autores do estudo.

“Além disso, podem contribuir para esclarecer questões fundamentais da biologia, como o processo de eucariogênese, a formação de núcleos em células eucarióticas primitivas”, salientou.



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valor de referência para leite em setembro cai em relação a agosto



O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em setembro é de R$ 2,3149 o litro, 2,37% abaixo do estimado no mês de agosto (R$ 2,3712). O dado foi divulgado na manhã desta sexta-feira, 26, durante reunião do Conseleite.

O colegiado também divulgou o valor consolidado de agosto, que fechou em R$ 2,3861, 2,97% abaixo do valor final de julho (R$ 2,4592).

Em nota, o coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, lembra que os dados reproduzem o mercado dos primeiros 20 dias do mês de setembro e consideram informações fornecidas pelas indústrias.



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‘Um ou dois setores da economia podem estar abusando de recuperação judicial’, diz Haddad



O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, citou uma suspeita de que “um ou dois setores da economia” estejam abusando do instrumento da recuperação judicial – processo previsto em lei para socorrer empresas em crises financeiras.

“Tem um ‘abusozinho’ do uso da recuperação judicial em alguns setores, que a gente está analisando com mais calma, que nunca teve esse tipo de coisa”, disse Haddad ao ser perguntado sobre uso abusivo de recuperação judicial, citando em seguida que a suspeita existe em cima de “um ou dois setores”.

Ele deu entrevista ao vivo ao Podcast 3 Irmãos, transmitida pela internet. “Tem coisa que você tem certeza que está acontecendo, e tem coisa que você suspeita que está acontecendo”, afirmou o ministro, que não citou quais são os segmentos em que há suspeitas.

A fala de Haddad ocorreu em um contexto em que o ministro falava de medidas para combater a corrupção e fraudes tributárias no Brasil. Ele citou a operação da Polícia Federal, na sexta-feira (26) na Refinaria de Manguinhos (Refit), no Rio, que reteve cargas de quatro navios que transportavam óleo diesel do exterior com destino ao Rio de Janeiro e a São Paulo.

O chefe da Fazenda repetiu que o governo vai criar uma delegacia na Receita Federal para combater o crime organizado. “Tem que punir, mas tem que sufocar a grana, tem que secar o dinheiro porque se não o negócio se reproduz como se fosse um tumor”, declarou Haddad.



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Santa Catarina estabelece novas regras de biossegurança



A Secretaria de Agricultura e Pecuária de Santa Catarina e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do estado (Cidasc) publicaram, em 8 de setembro, a Portaria Sape nº 50/2025. A medida estabelece novas diretrizes de biossegurança para a suinocultura comercial no estado.

O objetivo da portaria é padronizar boas práticas nas granjas por meio de regras obrigatórias que incluem desde o controle de acesso e higiene até melhorias estruturais, como a destinação adequada dos dejetos. As exigências começam a valer em 60 dias e, para granjas já em funcionamento, os prazos de adaptação variam entre 12 e 24 meses, de acordo com as necessidades de cada propriedade.

Medida é considerada um avanço

Segundo o secretário de Agricultura e Pecuária do estado, Carlos Chiodini, a iniciativa representa um avanço importante. “Santa Catarina já é reconhecida como o estado com melhor sanidade do Brasil. O Japão, por exemplo, só importa carne suína do nosso estado. No entanto, ainda faltava essa regulamentação específica”, afirmou.

Para apoiar os pequenos produtores na adequação às novas exigências, o governo estadual lançou o programa Biosseguridade Animal SC, que oferece financiamentos de até R$ 70 mil por granja.

Suporte a produtores independentes

A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, explica que o programa é voltado a suinocultores com dificuldade financeira para cumprir os padrões exigidos. “É um suporte acessível, com condições que permitem ao produtor, muitas vezes autônomo, fazer os investimentos necessários e manter seus compromissos”, disse.

Com a nova portaria, a responsabilidade pela biossegurança se estende também aos produtores independentes, e não apenas às integradoras e cooperativas. “Santa Catarina é berço da agroindústria, com empresas de renome nacional e internacional. Mas também temos suinocultores vinculados à Associação Catarinense de Criadores de Suínos, que atuam de forma independente”, completou.

A excelência sanitária é um dos principais diferenciais da suinocultura catarinense. Em 2024, o estado exportou carne suína para 78 países, movimentando US$ 1,7 bilhão, com destaque para o mercado asiático.

Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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‘Precisa baixar a taxa Selic, estamos trabalhando para ser o mais rápido possível’



O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a redução da taxa básica de juros, dizendo que o governo trabalha para que ela caia o mais rápido possível. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) manteve a Selic em 15% ao ano.

“Estamos vivendo, com todas as dificuldades do mundo, um bom momento. Porque o desemprego caiu, está em 5,6%. A renda média deu uma subida. O salário mínimo deu uma subida. A inflação de alimentos começou a cair. Então, arroz, feijão, pão, reduziram. Porque nós estamos com uma safra recorde, 16% a mais este ano do que o ano passado. Então, precisa baixar a taxa Selic, os juros”, disse Alckmin ao apresentador Datena, em entrevista na Rede TV, concedida na noite desta sexta-feira (26).

Indagado sobre a previsão para corte dos juros, Alckmin disse: “Estamos trabalhando para ser o mais rápido possível, porque isso atrapalha a economia”.

“Reduzindo a taxa de juros e equacionando melhor essa questão do tarifaço dos EUA, o Brasil tem tudo para crescer mais”, destacou.



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Preço do leite segue em retração no RS


O valor consolidado de agosto também apresentou retração, encerrando o mês em R$ 2,3861. Isso representa uma queda de 2,97% frente ao valor final de julho, que foi de R$ 2,4592. O comportamento de baixa vem se mantendo desde o pico registrado em meados de 2023, refletindo o atual desequilíbrio entre oferta, demanda e custos de produção no setor lácteo gaúcho.

De acordo com o coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, os números projetados para setembro consideram os primeiros 20 dias do mês e têm como base as informações repassadas pelas indústrias. O colegiado reúne representantes da cadeia produtiva para definir mensalmente os parâmetros que orientam as negociações entre produtores e laticínios.

A queda no valor de referência acende um sinal de atenção para os produtores, especialmente os de menor escala, que já enfrentam margens apertadas com o aumento dos custos de insumos, energia e mão de obra. O recuo sucessivo nos preços, sem uma contrapartida na redução dos custos, pressiona a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras.

No mercado interno, o consumo de lácteos ainda não apresentou a recuperação esperada, mesmo com a redução da inflação e a retomada gradual do poder de compra. Isso limita o repasse de preços pelas indústrias e mantém o mercado em um patamar de remuneração que não cobre, em muitos casos, o custo de produção estimado em regiões como o Alto Uruguai e o Planalto gaúcho.

A expectativa do setor é que a demanda cresça com a chegada das temperaturas mais elevadas, período em que o consumo de derivados como iogurtes e bebidas lácteas tende a aumentar. No entanto, essa recuperação depende de uma série de fatores econômicos e climáticos, como a estabilidade no abastecimento e as condições de pastejo para o gado leiteiro.

Com mais uma queda confirmada, o mercado leiteiro do Rio Grande do Sul inicia o último trimestre do ano com perspectivas cautelosas. O setor espera por uma inflexão de tendência que possa reequilibrar a cadeia e garantir maior previsibilidade para produtores e indústrias.





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onda de novas concessões acirra disputa por mão de obra



A “onda” de novas concessões rodoviárias no Brasil, com o maior número de leilões em 17 anos, esbarra em um gargalo de mão de obra especializada. O avanço acelerado de projetos, somado à redução no ritmo de formação de profissionais, tem levado concessionárias a adotar diferentes estratégias. As iniciativas incluem investimentos em tecnologia, assim como programas de capacitação e retenção.

Entre 2015 e 2018, auge das ações da Operação Lava Jato e da crise fiscal, o país realizou apenas dois leilões de rodovias federais. De 2019 a 2022, não passaram de sete. Entre 2023 e 2025, o número saltou para 16, enquanto a meta do governo federal é entregar 35 concessões até o final do atual mandato. Em 2024, foram sete, maior marca em 17 anos. Os números não incluem os projetos estaduais, que também têm ganhado tração.

Para o CEO da MoveInfra, Ronei Glanzmann, a aceleração reflete um amadurecimento dos aspectos jurídicos e econômicos no setor de concessões. No entanto, o especialista identifica uma “dor de crescimento”, com o descasamento entre a demanda e oferta de profissionais.

“Temos financiamento disponível, bons contratos e leilões competitivos, um atrás do outro, mas está na hora de executar os projetos e há um gargalo de mão de obra”, afirma Glanzmann, representante da entidade que reúne os seis principais grupos de infraestrutura do País.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um déficit de 75 mil engenheiros no Brasil. O país forma cerca de 40 mil profissionais da área anualmente, enquanto outros integrantes do Brics, como Rússia e China, contabilizam mais de 450 mil graduandos, de acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

O fechamento e reestruturação de grandes empresas de construção após a Lava Jato e o maior apelo de outros setores ajudam a explicar o menor interesse pela área de engenharia, segundo o diretor executivo de Pessoas e Organização da Arteris, Roberto Paolini. “As novas gerações migraram muito para serviços, tecnologia e inteligência artificial, que se tornaram mais atrativas. No entanto, ainda precisamos muito dos engenheiros ‘hard‘, aqueles que projetam, constroem e executam”, afirma.

Enquanto isso, a pouca mão de obra disponível é disputada por outros setores, como o da construção civil, também fomentado por políticas públicas. A lista de desafios inclui ainda a alta complexidade da carreira de engenharia e baixo salário inicial na comparação com outros segmentos, avalia o sócio do escritório Bocater Advogados, Thiago Araújo. “O cenário só poderá ser modificado a partir da atualização dos cursos e uma melhoria nas projeções do mercado de trabalho”, comenta.

Estratégias

A regionalidade é uma das estratégias da EcoRodovias para atrair e reter talentos, segundo o diretor de engenharia do grupo, Filippo Chiariello. “Contratar pessoas em faculdades próximas ao local que irão atuar gera mais fidelidade, porque cria um senso de pertencimento. Funciona melhor do que trazer alguém de um grande centro e levá-la para o interior, por exemplo”, afirma.

O foco na qualidade do ambiente de trabalho é outra iniciativa adotada pela EcoRodovias. “Salário e benefícios são importantes, mas o clima pesa muito”, diz Chiariello. O executivo cita ainda a tecnologia como aliada. “Equipamentos mais autossuficientes reduzem a necessidade de mão de obra altamente especializada, enquanto a engenharia digital oferece ferramentas que ampliam a base de profissionais capazes de atuar”, afirma.

A inovação também é utilizada pela Motiva (ex-CCR) para reduzir a mão de obra nos canteiros e melhorar as condições de trabalho, segundo a diretora de Pessoas da companhia, Danila Cardoso. A executiva destaca que a empresa contratou quase 500 engenheiros entre janeiro de 2024 e julho deste ano, enquanto cerca de 80 vagas seguem abertas para serem preenchidas até dezembro.

De olho nessa demanda, a Motiva fomenta parcerias com universidades. “Além de atrair jovens, buscamos profissionais experientes e criamos programas de mentoria. Também estamos em conversas com a PUC-Rio para montar nossa própria escola de engenharia, focando no ‘upskilling‘ [aprimoramento] de funcionários”, relata Danila.

A Arteris, por sua vez, aponta foco em capacitação e clima organizacional para reter talentos. Paolini ressalta que a empresa busca absorver profissionais após grandes entregas, conciliando ciclos de investimento e de pessoal. “Temos feito programas de desenvolvimento para lideranças e áreas técnicas em parceria com instituições como Fundação Dom Cabral e Fundação Getúlio Vargas”, diz o executivo.

Diante do descompasso entre formação e demanda, a Arteris criou programas próprios de capacitação para fidelizar engenheiros e reduzir o “canibalismo” entre concorrentes. Paolini alerta, no entanto, que a escassez eleva salários e pode levar a promoções aceleradas de profissionais ainda juniores, o que “compromete a qualidade da execução”.



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