Pesquisadores explicam que o comportamento é atípico para o período, considerado por usinas do Centro-Sul como de pico de colheita e, consequentemente, de queda de preços no spot.
Dados mensais do Cepea, iniciados em 1999, mostram que, em 11 temporadas, o valor do combustível cedeu de julho para agosto. Segundo o Centro de Pesquisas, na atual temporada (2025/26), o suporte aos preços vem da menor oferta.
As adversidades enfrentadas pela indústria na produção de etanol, devido ao baixo rendimento agrícola, às queimadas dos canaviais do ano passado e ao clima seco nas principais regiões produtoras, têm resultado em menor oferta de cana-de-açúcar.
No fechamento de agosto de 2025, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média de R$ 2,6716/litro, alta de 4,02% em relação ao mês anterior. Para o anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 2,9713/litro, aumento de 3,08% em igual comparação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Medida Provisória 1.310 com R$ 30 bilhões em crédito extraordinário – fora da meta fiscal – para bancar as medidas de crédito do “Plano Brasil Soberano” de apoio a empresas afetadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O Diário Oficial da União (DOU) também traz outras duas MPs com crédito extraordinário. Uma delas destina R$ 30,590 milhões ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para inclusão produtiva rural e distribuição de alimentos a grupos populacionais tradicionais e famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional advindas de situações de emergência ou calamidade pública.
Outra MP destina R$ 83,5 milhões ao Ministério da Agricultura e Pecuária para fortalecimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa).
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do ano. Com esse resultado, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.
Em relação ao segundo trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%, respectivamente.
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o instituto, o PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões. A variação positiva no trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de 2021 (-0,6%).
Setores
O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).
Pela ótica da oferta, as expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da agropecuária (-0,1%). Pelo lado da oferta, o consumo das famílias cresceu 0,5%, enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%. Os serviços e consumo das famílias atingiram patamares recordes.
Em relação ao segundo semestre de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de 10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.
Freio dos juros
O resultado de 0,4% no trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de 1,3%.
A coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.
“As atividades indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda nos investimentos.”
A pesquisadora explica que o setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.
“Foi uma alta disseminada pelo setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”, descreve.
A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).
A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).
Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.
Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.
Expectativa para 2025
Na segunda-feira (1º) o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de 2,19%.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de julho do bimestral Boletim Macrofiscal. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando a economia cresceu 4,8%.
O que é o PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.
O Rio Grande do Sul registrou queda nos preços da soja e agora debate sobre calendário de plantio, segundo informações da TF Agroeconômica. “As indicações de preços para pagamento em meados de setembro, com entrega entre agosto e setembro, ficaram em R$ 140,00 nos portos. No interior, as cotações marcaram perda em torno de R$ 135,20 (-0,59%) por saca em Cruz Alta. Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz caíram para R$ 134,00 (-1,47%) variando conforme a data de pagamento, enquanto em Panambi o preço de pedra foi registrado em R$ 123,00 por saca ao produtor”, comenta.
Santa Catarina mantém estabilidade, mas o déficit de armazenagem preocupa. “No porto de São Francisco do Sul, referência para a exportação, o preço seguiu sem grandes alterações, reforçando o quadro de equilíbrio momentâneo no estado. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,84”, completa.
Boa competitividade e logística equilibrada no Mato Grosso do Sul. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, indica.
O Paraná projeta safra maior e vê preços firmes em Paranaguá. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,88. Em Cascavel, o preço foi 127,76 (-0,82%). Em Maringá, o preço foi de R$ 134,50 (+2,14%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 135,50 (+2,80%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 139,65. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, informa.
O Mato Grosso ainda enfrenta gargalos logísticos e pressão sobre armazenagem. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, conclui.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de R$ 300 milhões para operações de Contratos de Opção de Venda (COV) de arroz, mecanismo que garante ao produtor o direito de vender ao governo a um preço previamente definido.
Segundo o órgão, o programa pretende contratar cerca de 200 mil toneladas de arroz. Essa é a terceira rodada de COV em menos de um ano:
Na primeira, foram negociadas 91,7 mil toneladas;
Na segunda, aproximadamente 110 mil toneladas, com preço médio em torno de R$ 74 por saca de 50 kg;
Agora, a meta é dobrar o volume, alcançando as 200 mil toneladas.
O contraponto dos produtores
Para os rizicultores, o valor não cobre o custo real de produção. Dados da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apontam que o custo médio do arroz gira entre R$ 85 e R$ 92 por saca, dependendo da região. Ou seja, o preço praticado nos leilões representa uma perda entre R$ 11 e R$ 18 por saca para o produtor.
Além disso:
O setor ainda sofre os impactos das enchentes de 2024, que elevaram o passivo dos agricultores gaúchos, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional.
Muitos estão descapitalizados, com dívidas que, em alguns casos, cresceram mais de 30% em um ano.
O temor é que, ao formar estoques, o governo repita o passado: quando os preços reagirem, poderá liberar produto armazenado, derrubando novamente o mercado.
O sentimento é de desânimo generalizado. “Vai ser a maior crise do agro da história”, resumiu um representante da União Central de Rizicultores (UCR).
Do ponto de vista governamental, a estratégia é conter a pressão sobre o preço do arroz, item central da cesta básica. O risco, porém, é transferir a conta para o campo.
Historicamente, a formação de estoques reguladores garantiu estabilidade ao consumidor, mas gerou frustrações no produtor. Hoje, com custos médios acima de R$ 90 por saca e preços de mercado em torno de R$ 70 a R$ 75, a margem negativa só tende a aumentar.
A dificuldade não se restringe ao arroz. A soja, carro-chefe do agro, também vive pressão:
O preço médio em agosto de 2025 recuou para cerca de R$ 120 por saca, contra custos estimados entre R$ 115 e R$ 125;
Muitos produtores que arrendam terras, pagando valores contratados na fase de preços recordes, agora operam no limite do prejuízo.
Esse quadro aprofunda o endividamento. O crédito rural para a safra 2024/25 já registrava aumento da inadimplência acima de 20% em algumas linhas, segundo o Banco Central.
O impasse é claro:
Para o governo, os R$ 300 milhões em COVs representam um seguro contra a alta do arroz no consumidor.
Para o campo, o programa não cobre custos, amplia o risco de endividamento e ameaça a viabilidade da produção.
Se nada mudar, o Brasil pode atravessar uma das maiores crises do agro moderno, não apenas pela pressão de preços, mas pela falta de instrumentos estruturais: seguro rural robusto, crédito de capital de giro, renegociação de dívidas e incentivo à agregação de valor.
Enquanto a Conab forma estoques, os produtores se perguntam: será este mais um capítulo de repetição dos erros do passado?
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Plantar alface ao ar livre no Brasil pode se tornar cada vez mais difícil nas próximas décadas. Isso é o que revelam mapas de risco climático elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Os dados indicam que, até o fim do século, praticamente todo o território brasileiro enfrentará risco alto ou muito alto para a produção da folhosa mais consumida pelos brasileiros.
A pesquisa considerou dois cenários climáticos: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões continuam crescendo até 2100. Em ambos, as perspectivas não são animadoras para o cultivo tradicional da hortaliça. O verão é a estação mais crítica, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em boa parte do país, patamar bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.
“Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, explica o engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa.
Diante disso, as duas principais frentes de atuação da pesquisa têm sido o desenvolvimento de cultivares de alface com maior tolerância ao calor e de sistemas de produção para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condições climáticas adversas.
Entre os exemplos estão os sistemas regenerativos, que restauram a fertilidade do solo e a biodiversidade – como o sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH) e o cultivo orgânico com compostagem e uso de bioinsumos; e os sistemas adaptados ao clima, que utilizam tecnologias e estratégias para evitar perdas por estresses climáticos – como o cultivo em ambientes protegidos ou controlados e o zoneamento agroclimático.
De cada 100 hectares plantados, mais de 90 permanecem sem seguro em 2025. É o famoso “apostar contra o clima e deixar a sorte cuidar”.
Quando o clima não ajuda — e se mostra cada vez mais instável —, a conta vem pesada. Quem paga? Produtor, consumidor e governo, que corre para improvisar renegociações.
Há 25 anos vejo o agro crescer em tecnologia, produtividade e exportações. Mas, na gestão de riscos, avançamos timidamente. O seguro rural continua tratado como política secundária, quando deveria ser prioridade nacional.
Outros países já consolidaram o seguro como política de Estado. Aqui, seguimos presos a modelos dos anos 1970. Pior: desmontamos o pouco que já tínhamos.
O Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR), do Ministério da Agricultura, cobria 14 milhões de hectares em 2021. Hoje, não passa de 4 milhões. Com subsídios menores e instáveis, o seguro rural perdeu capacidade de pulverizar riscos, concentrando-se em poucos estados do Centro-Sul via canais bancários que exigem garantias em operações de maior risco, e afastando tanto o Centro-Norte quanto produtores com menor percepção de risco em todo o país.
Trata-se de uma política agrícola que aprofunda a seleção adversa: riscos mais propensos a sinistros contratam seguro com maior frequência, elevando o custo médio e aumentando o risco da carteira.
O efeito é imediato: prêmios mais altos, coberturas reduzidas e risco crescente diante da alta sinistralidade e da instabilidade climática.
Uma política inconsistente e imprevisível desestrutura a lógica de um seguro acessível, capaz de cobrir custos de produção e garantir fluxo de caixa — deixando o país exposto aos riscos das mudanças climáticas.
O ecossistema do seguro rural vive um efeito cascata:
Produtores deixam de contratar por alto custo e baixa cobertura;
Seguradoras e resseguradoras veem vendas caírem e risco aumentar;
Empresas de serviços e de tecnologia para o seguro precisam se readequar ou buscar outras oportunidades;
Corretores não conseguem recuperar investimentos nem manter a folha de pessoal;
Peritos, sem mercado, buscam outras atividades.
Se a situação não se reverter, a rede do seguro rural, fruto de duas décadas de construção, pode se fragilizar a ponto de perder sua sustentabilidade.
É nesse cenário que nasce o Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, com a missão de produzir dados, pesquisas e diagnósticos sólidos, por uma instituição isenta e de referência nacional. Assim, o objetivo é que governo e setor privado deixem de adivinhar e passem a decidir com base em estudos técnicos propositivos.
Renegociar dívidas não resolve. É maquiagem cara sem atacar a raiz do problema. Seguro rural é o mecanismo mais eficiente para manter produtores de pé, financiadores recebendo e o setor funcionando sem sombra de inadimplência.
O Brasil precisa de previsibilidade. Seguro rural não é luxo. É condição de sobrevivência. Enquanto tratarmos o tema como gasto e não como investimento, seguiremos presos ao ciclo da improdutividade: improviso, prejuízos e perda de competitividade.
O Observatório é um chamado à ação. Ou o Brasil assume o seguro rural como política estratégica, ou continuará brincando com fogo — e pagando caro por isso, desperdiçando a chance histórica de ampliar em 40% sua produção agrícola nos próximos dez anos.
Em tempos de guerra, mudanças climáticas e COP30, vale lembrar as sábias palavras do professor emérito da FGV e eterno ministro Roberto Rodrigues: “Onde tem comida, tem paz.”
*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.
O Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Com mais de 2.100 vacas holandesas em lactação, puras de origem, que chegam a uma produção média de 98.921 quilos de leite por dia, a maior fazenda leiteira do Brasil está localizada em Araras, no interior de São Paulo.
Segundo o Ranking TOP 100 2025, da MilkPoint, que reúne os maiores produtores do país, a Fazenda Colorado ocupa a primeira colocação, com a comercialização de 36,2 milhões de litros da bebida em 2024.
Por lá, tudo começou há 155 anos, quando a Fazenda Bom Jesus, que daria origem à Colorado, foi comprada. Mais de 50 anos depois, em 1923, houve a construção do primeiro estábulo para auxiliar no manejo do gado leiteiro.
A partir de então, a produção nunca parou, até chegar ao ano de 2021, quando a Colorado se tornou a primeira granja leiteira do Brasil a produzir 100.000 litros de leite em apenas um dia, recebendo o certificado internacional de Bem Estar Animal pela WQS.
Foto: Divulgação Fazenda Colorado
E essa não é a única gigante leiteira do estado de São Paulo: entre as 10 maiores produtores nacionais, outras duas figuram no ranking: a Fazenda São José (33,9 milhões de litros), em Tapiratiba, na região de Campinas, que ocupa a terceira posição; e a Fazenda Santa Rita (23,1 milhões de litros), em Descalvado, região central paulista, na sexta colocação.
Para o gerente de pecuária da Fazenda Colorado, José de Carvalho, os últimos anos foram essenciais para que os grandes produtores ampliassem ainda mais a produção de leite. Entretanto, medidas e ações estratégicas são fundamentais para promover o segmento em geral.
“Eu vejo como fundamental a construção de políticas e programas que incentivem a organização da cadeia produtiva como um todo, sempre em parceria com a Secretaria da Agricultura, órgãos públicos e entidades do setor. Esse alinhamento pode potencializar o protagonismo de São Paulo na produção de leite e contribuir para que o estado volte a se destacar no cenário nacional”, frisa.
Produção leiteira de São Paulo
A produção de leite em São Paulo atingiu 1,7 bilhão de litros em 2024, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA).
O volume representou um aumento de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior. Essa capacidade coloca São Paulo entre os cinco principais produtores nacionais, ficando atrás de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, respectivamente.
Para apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira paulista, por meio da modernização de técnicas de manejo e da adoção de tecnologias de produção, a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), mantém a linha FEAP Leite Agro SP.
“A linha FEAP Leite representa uma oportunidade para o produtor modernizar sua atividade, melhorar a qualidade do leite e reduzir custos de produção. Com crédito acessível, em condições diferenciadas, o produtor consegue investir em genética, nutrição e infraestrutura, garantindo mais produtividade e competitividade. É o apoio direto do governo, por meio da SAA, para fortalecer a pecuária leiteira no estado e assegurar o sustento das famílias no campo”, destacou o secretário executivo Felipe Alves.
Além da linha de financiamento para o produtor, a SAA também possui uma iniciativa que permite ao poder público estadual adquirir produtos diretamente de agricultores familiares, por meio de suas cooperativas: o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Somente em 2025, até agosto, foram mais de R$ 21 milhões, cerca 4,6 milhões de litros de leite em compras públicas de leite da agricultura familiar.
Investimento no setor
Com a finalidade de apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira paulista, por meio da modernização de técnicas de manejo e da adoção de tecnologias de produção, a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), mantém a linha FEAP Leite Agro SP.
“A linha FEAP Leite representa uma oportunidade para o produtor modernizar sua atividade, melhorar a qualidade do leite e reduzir custos de produção. Com crédito acessível, em condições diferenciadas, o produtor consegue investir em genética, nutrição e infraestrutura, garantindo mais produtividade e competitividade. É o apoio direto do Governo, por meio da SAA, para fortalecer a pecuária leiteira no Estado e assegurar o sustento das famílias no campo”, destacou o secretário executivo Felipe Alves.
Além da linha de financiamento para o produtor, a SAA também possui uma iniciativa que permite ao poder público estadual adquirir produtos diretamente de agricultores familiares, por meio de suas cooperativas: o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Somente este ano, até agosto de 2025, foram mais de R$21 milhões, cerca 4,6 milhões de litros de leite em compras públicas de leite da agricultura familiar.
A política tarifária do governo Trump foi apresentada como um instrumento de defesa econômica, mas, para o Brasil, tem caráter essencialmente político e protecionista. Tanto a Corte de Comércio Internacional (CIT) quanto a Corte de Apelações Federais já declararam a ilegalidade da medida.
Para o advogado e pesquisador da FGV Agro, Leonardo Munhos, a tendência é que a Suprema Corte dos Estados Unidos ambém confirme a a decisão de declare as tarifas ilegais.
“O Trump embasou essas tarifas em larga escala sem uma emergência concreta e sem aprovação do Congresso. Isso viola precedentes históricos do sistema de common law americano, que limitam o poder do presidente nesse tipo de decisão. Por isso ele já foi derrotado nas duas instâncias anteriores”, afirma Leonardo.
Segundo ele, a Constituição americana é clara ao delegar ao Congresso, e não ao presidente, o poder de decidir sobre tarifas e medidas econômicas. m dos pontos ainda em discussão é se a decisão terá efeito universal ou apenas para os importadores que moveram a ação inicial. Caso seja reconhecido o alcance geral, o Brasil e outros países seriam beneficiados automaticamente. Se não, cada nação precisará ingressar com ação própria, mas já com precedentes favoráveis.
“Se a Suprema Corte confirmar que o efeito é universal, o tarifaço perde objeto e se torna totalmente ilegal. Nesse caso, os valores cobrados indevidamente terão de ser devolvidos aos importadores. Os exportadores brasileiros, que foram prejudicados, também poderão ser ressarcidos”, explica o especialista.
Leonardo acredita que a chance de reversão na Suprema Corte é pequena, justamente pela jurisprudência recente. Ele cita o caso Raimundo versus Loper, que restringiu o poder do Executivo e de agências federais de criar exigências sem respaldo legal explícito.
“Direito não é ciência exata, mas a tendência é que a Suprema Corte mantenha a linha dos precedentes e condene Trump. Se isso acontecer, todas as tarifas caem, e os ressarcimentos se tornam realidade. Será o fim de um nó jurídico criado pelo governo americano, que gerou insegurança para todos os parceiros comerciais, inclusive o Brasil.
A Koppert Brasil lidera o ranking das maiores empresas de bioinsumos do Brasil, com receita oficial divulgada de aproximadamente BRL 900 milhões em 2024 (converter para USD). É o que aponta levantamento realizado por Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília.
De acordo com o acadêmico, o estudo foi feito com base no faturamento publicada pelas empresas, o que permite identificar os principais atores desse setor em franco crescimento no Brasil.
Em segundo lugar no ranking aparece a Biotrop Soluções Biológicas, com cerca de BRL 740 milhões de faturamento divulgado.
Logo em seguida vem o ecossistema Cogny, com faturamento em torno de BRL 700 milhões. O grupo inclui as empresas fabricantes de insumos biológicos Simbiose, Bioma, Biagro, Biograss, e BioJet.
Além dessas, outras empresas elencadas no ranking como as mais importantes no segmento incluem:
• Agrivalle Brasil (faturamento de BRL 220 milhões)
• Vittia (faturamento de BRL 210 milhões)
• Ballagro Agro Tecnologia (faturamento de BRL 200 milhões)
• Andermatt Brasil (faturamento de BRL 80 milhões)
Além dessas, as demais empresas fabricantes de insumos biológicos somaram faturamento de BRL 195 milhões. Estão dentro desse montante De Sangosse Brasil, Lallemand Plant Care Brasil e AgBiTech Brasil, entre diversas outras.
O professor Medina ressalta que o levantamento ainda está em desenvolvimento e trata-se de um projeto aberto para profissionais e especialistas do setor contribuírem com dados adicionais para tornar a análise mais precisa e abrangente.
De acordo com especialistas ouvidos pelo AgroPages, iniciativas como essa são essenciais para entender o avanço dos bioinsumos no mercado agrícola brasileiro, que vem ganhando espaço diante da crescente demanda por práticas agrícolas ambientalmente responsáveis e eficientes. A participação dessas empresas demonstra o potencial de inovação e crescimento desse segmento estratégico para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Players em um Mercado Expansivo
O mercado de bioinsumos agrícolas no Brasil alcançou um faturamento estimado em R$ 5 bilhões na safra 2023/24, considerando o preço final pago pelo agricultor, conforme dados da CropLife Brasil.
Segundo dados da DunhamTrimmer – International Bio Intelligence, o mercado global de biológicos deve atingir USD 30 bilhões até 2030, com taxa de crescimento anual composta de 10,42%.
“O Brasil é hoje o mercado dinâmico, não somente da América Latina, mas também em nível mundial. Isso gera um efeito de atração muito forte para empresas e para tecnologias. Vejo que há uma consolidação gradual, onde ficarão players, ou empresas, com respaldo técnico, com qualidade comprovada, com modelos de distribuição eficientes, que vão ser os que vão sobreviver e vão dar sustentabilidade”, afirma Ignacio Moyano, Vice President of Business Development Latin America da DunhamTrimmer.
De acordo com o especialista, a presença no Brasil de um número muito bom de empresas locais foi fundamental para o crescimento de biotecnologia no Brasil. Pela DunhamTrimmer, Ignacio Moyano vem trabalhando em diversas fusões e aquisições de empresas nesse segmento de mercado.
“As empresas estão em uma busca de alternativas, tanto locais a fertilizantes importados e à consolidação de atores internacionais que buscam espaços com alianças e também com aquisições de empresas locais. Então é fundamental entender bem as particularidades do mercado atual do Brasil, como a estrutura de distribuição, as exigências regulatórias, e a adaptação de tecnologias a condições locais, como fatores de barreira para poder fazer um ‘landing’, uma entrada no mercado brasileiro”, conclui o executivo.
Autor do levantamento, Gabriel Medina é Pós-doutor em Políticas Ambientais pelo Imperial College London (Reino Unido) (2014) com bolsa da Capes. Também é Doutor em Ciências Naturais pela Universidade de Freiburg (Alemanha) (2008), revalidado como doutor em Ciências Agrárias pela Universidade Federal do Pará. Além disso, é Licenciado Pleno em Ciências Agrárias com mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará (2003).