quinta-feira, março 26, 2026

Autor: Redação

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vitória do agro e do consumidor


Em uma virada inesperada, o governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (20) a retirada completa das tarifas extras de 40% aplicadas a diversos produtos brasileiros . A medida, assinada por ordem executiva de Donald Trump, tem efeito retroativo a 13 de novembro, devolvendo milhões de dólares aos exportadores do Brasil.

A decisão atinge diretamente alguns dos produtos mais importantes da pauta exportadora brasileira, derrubando as sobretaxas que incidiam sobre o setor exportador do país, como o café, carne bovina, frutas, corte de madeiras e medicamentos. São itens essenciais tanto para o agronegócio brasileiro quanto para o abastecimento dos supermercados americanos, o que explica por que a Casa Branca acabou recuando.

É o fim, ao menos por ora, do pacote tarifário conhecido como Liberation Day, que havia elevado tarifas a até 50% em setores estratégicos, parte do esforço de Trump para endurecer a política comercial em 2025.

Embora a Casa Branca fale em “avanços diplomáticos” com o Brasil e cite o presidente Lula de forma amistosa, analistas americanos e brasileiros leem a mudança de forma mais pragmática: foi o mercado que falou mais alto.

O consumidor dos EUA está pressionado por preços elevados desde o pós-pandemia, e tarifas sobre alimentos essenciais só aumentariam o desconforto político para Trump às vésperas das festas de fim de ano. Alguns dados explicam:

  • Os EUA dependem do Brasil para quase 30% do café solúvel que consomem.
  • Metade do suco de laranja vendido nos supermercados americanos vem do Brasil.
  • A carne bovina brasileira é difícil de substituir rapidamente por preço e volume.

A soma disso com a atuação intensa de redes de supermercados, indústrias de alimentos e distribuidores criou um cenário claro: manter tarifas altas significaria inflação no carrinho de compras, e desgaste político.

Trump apresentou a medida como um gesto de boa vontade na relação bilateral, mas o recuo tem outro nome: pressão econômica.

A tarifa brasileira era pequena no contexto da guerra comercial que os EUA travam com China, México e Canadá. Mas, neste caso, o impacto direto no consumo americano era real e imediato.

Além disso, o Brasil sinalizou que poderia reagir em áreas sensíveis para os Estados Unidos, como etanol, aço e produtos industriais. A simples possibilidade de retaliação ajudou a acelerar o recuo.

A retirada das tarifas significa um alívio importante para o agronegócio, que enfrenta margens apertadas desde o início do ano. A estimativa inicial é que:

Alguns milhões de dólares voltam para o caixa de produtores e exportadores brasileiros apenas com café e suco de laranja.

Setores como proteína bovina e frutas tropicais também devem recuperar competitividade.

Mas há um alerta: a tarifa básica de 10% permanece em alguns itens, e Trump tem histórico de decisões inconsistentes. A relação bilateral segue sensível, especialmente se houver tensões políticas ou mudanças bruscas no dólar.

O recuo reduz a pressão inflacionária sobre produtos de consumo diário, café, sucos, proteínas e frutas,e diminui o custo político de tarifas amplas que, desde 2025, vêm sendo criticadas por economistas e consumidores.

Também alimenta o debate sobre as políticas comerciais de Trump. As tarifas funcionam para proteger indústrias estratégicas, mas, quando afetam o bolso do eleitor, o efeito se volta contra o próprio governo.

O episódio mostra que, mesmo em um cenário de protecionismo crescente, existem limites. Quando a cadeia global de alimentos está envolvida, barreiras comerciais podem gerar mais prejuízo doméstico do que vantagem estratégica.

No caso Brasil-EUA, quem controla a comida controla a negociação. E, neste setor, o Brasil continua sendo um ator que nenhum país, nem mesmo os Estados Unidos, pode ignorar.

A retirada das tarifas não simboliza amizade entre Lula e Trump, nem um grande acordo bilateral. É um movimento típico da nova geopolítica comercial: se o impacto econômico pesa demais, a ideologia cede espaço ao pragmatismo.

O agro brasileiro, pela importância global que conquistou, demonstrou novamente que não é apenas exportador, é um ativo de poder.

A guerra comercial de 2025 está longe de acabar. Mas, desta vez, ao menos por alguns produtos, o Brasil saiu da defensiva e fez o maior martelo tarifário do mundo recuar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

Milho recua na B3 com mercado travado e quedas em Chicago



Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto


Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto
Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto – Foto: Pixabay

O mercado de milho registrou um dia de baixa na B3, influenciado pela queda em Chicago e por um ambiente doméstico de negociações travadas, segundo a TF Agroeconômica. Mesmo com os ajustes negativos, o mercado físico segue firme, com poucos negócios, já que boa parte dos produtores permanece focada no plantio. A Anec revisou para cima a projeção de exportações de novembro, ampliando em 5,30% a estimativa, beneficiada pela atratividade do milho brasileiro após a recente recuperação das cotações externas.

Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto. Janeiro de 2026 encerrou o dia a R$ 70,89, queda de R$ 0,38, mas ainda com leve alta semanal de R$ 0,13. Março de 2026 fechou em R$ 72,28, com baixa de R$ 0,09 no dia e perda de R$ 0,23 na semana. Maio de 2026 terminou a R$ 71,59, recuando R$ 0,16 no dia e acumulando desvalorização semanal de R$ 0,32.

Em Chicago, o milho também registrou baixa por realização de lucros dos fundos. O contrato de dezembro recuou 1,60 por cento, caindo sete cents para 4,2975 dólares por bushel. O vencimento de março caiu oito cents, baixa de 1,78 por cento, fechando a 4,4150 dólares por bushel. Segundo a análise, as cotações permanecem em um canal lateralizado nas últimas semanas, comprimidas entre 4,40 e 4,20 dólares por bushel, sem sinais concretos de quebra dessa tendência. A combinação de colheita volumosa e demanda firme mantém o mercado norte-americano equilibrado, e os movimentos do meio de semana refletiram ajustes naturais após as recentes altas observadas também em outros grãos.

 





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Alta do desemprego nos EUA derruba bolsas


No morning call desta sexta-feira (21), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o feriado manteve os mercados locais fechados e o foco em NY, onde o payroll trouxe criação de vagas acima do esperado, mas alta do desemprego e revisões negativas mudaram o humor e derrubaram bolsas. O S&P 500 caiu 1,56%, Nasdaq 2,15% e Dow Jones 0,84%. O dólar oscilou pouco e ativos brasileiros em NY recuaram. Hoje, destaque para PMIs, confiança de Michigan e relatório fiscal no Brasil.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Alta e importação movem preços do trigo no Sul



Em Santa Catarina, a colheita em andamento abriu espaço para maior oferta


Em Santa Catarina, a colheita em andamento abriu espaço para maior oferta
Em Santa Catarina, a colheita em andamento abriu espaço para maior oferta – Foto: Divulgação

O ritmo do mercado de trigo no Sul manteve variações moderadas em meio ao avanço da colheita e à maior presença de produto regional e importado. Segundo dados da TF Agroeconômica, as negociações no Rio Grande do Sul seguiram mais cadenciadas, com compradores atuando de forma pontual e preços praticamente estáveis ao longo do dia. Os lotes de padrão moagem alcançaram até 1155 reais por tonelada no porto para dezembro, enquanto o trigo de ração ficou em 1120. No interior, os valores oscilaram de 1000 a 1030 conforme o frete, com moinhos entre 1060 no miolo do estado e 1150 na Serra para janeiro. Produtores mantiveram referências da pedra em Panambi a 55 reais. 

Em Santa Catarina, a colheita em andamento abriu espaço para maior oferta, mas ainda há distância entre as pretensões de vendedores e compradores. Interessados defendem valores próximos de 1200 reais por tonelada FOB, enquanto as indicações de compra ficam entre 1100 e 1150. Parte relevante das ofertas continua vindo do Rio Grande do Sul, ao redor de 1080 FOB mais frete, e também de São Paulo, a 1250 CIF. Moinhos catarinenses trabalham entre 1130 e 1150 CIF. Os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis em boa parte das praças, com variações pontuais entre 61 e 64,25 reais por saca.

No Paraná, a oferta de trigo argentino com 10,5% de proteína a 206 dólares por tonelada tende a pressionar o mercado, reduzindo valores de importação. Mesmo assim, as referências locais seguem firmes, ao redor de 1200 reais CIF Curitiba, até 1250 em Ponta Grossa e 1280 no norte. Regiões do Oeste e dos Campos Gerais recebem trigo paraguaio mais barato. Parte dos vendedores pode aceitar negócios pela necessidade de giro, enquanto moinhos já observam a logística de janeiro.

 





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Frente fria faz tempo fechar em áreas do país; veja a previsão para hoje



Veja como ficam as condições do tempo em todas as regiões do Brasil nesta sexta-feira (21), de acordo com a previsão da Climatempo, e saiba onde vai ter chuva.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

Ainda pela manhã, uma nova frente fria avança pelo sul do Rio Grande do Sul, provocando pancadas de intensidade fraca e moderada, mas que, pontualmente, podem ser mais fortes, acompanhadas de trovoadas.

Ao longo do dia, as instabilidades também avançam pela Região Metropolitana de Porto Alegre, pelo nordeste e pelo interior do estado, assim como pelo sul catarinense.

No restante da região, o tempo segue firme, com temperaturas elevadas, enquanto no sul gaúcho elas ficam mais amenas.

Sudeste

Em áreas do Espírito Santo, há chance de chuva fraca e isolada. No norte e noroeste de Minas Gerais, há risco de pancadas de chuva fracas a moderadas, acompanhadas de trovoadas.

No restante da região, o tempo segue firme, com predomínio de sol ao longo do dia e maior nebulosidade em áreas do Espírito Santo e de Minas Gerais. As temperaturas se elevam na região.

Centro-Oeste

As pancadas de chuva seguem ocorrendo no norte de Mato Grosso e em áreas de Goiás, de forma mais isolada desde as primeiras horas do dia.

A partir do início da tarde, as pancadas ganham força no norte e oeste de Mato Grosso, além do norte de Goiás.

Já em Mato Grosso do Sul, o tempo segue firme pelo menos até a metade da tarde, quando novas instabilidades avançam pelo oeste do estado e devem se deslocar também para o sudeste de Mato Grosso e áreas do interior.

As temperaturas permanecem elevadas em toda a região.

Nordeste

As instabilidades seguem atuando em grande parte da Bahia, com risco de chuva forte em Salvador, e pancadas moderadas a fortes, com possibilidade de temporais pelo estado.

Na metade sul do Maranhão e do Piauí, além do oeste de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, as instabilidades também continuam ocorrendo. As temperaturas seguem elevadas em boa parte da região.

Norte

As instabilidades perdem força em boa parte do Amazonas, mas ainda devem ocorrer de maneira fraca a moderada no estado, além do Acre e Rondônia.

Em Roraima, as chuvas diminuem. As pancadas seguem ocorrendo em grande parte do Pará e do Tocantins, enquanto no Amapá há chance de chuva mais fraca na metade oeste.



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Milho segue com lentidão


O mercado de milho do estado do Rio Grande do Sul segue em ritmo lento e pouca disposição para novos negócios, segundo informações da TF Agroeconômica. “Os preços variam entre R$ 59,00 e R$ 72,00, enquanto a média estadual subiu 0,34%, alcançando R$ 62,52, diante dos R$ 62,31 da semana passada. Mesmo com esse ajuste positivo, a liquidez permanece baixa e o mercado continua travado. No porto, o contrato futuro para fevereiro/26 segue estável em R$ 69,00/saca. Mesmo com ajustes pontuais, a dinâmica de negócios segue limitada no estado”, comenta.

O mercado de milho permanece parado em Santa Catarina, com liquidez muito baixa. “As pedidas seguem próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas continuam ao redor de R$ 70,00/saca, sem sinais de aproximação. Com isso, o mercado spot segue estagnado e sem impulso para retomada. No Planalto Norte, os negócios continuam apenas pontuais, entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem avanço relevante. A falta de consenso entre vendedores e compradores continua travando totalmente o mercado”, completa.

Mercado travado, semeadura concluída e em bom desenvolvimento no Paraná. “As pedidas seguem próximas de R$ 75,00/saca, enquanto as ofertas continuam ao redor de R$ 70,00 CIF, deixando o spot praticamente parado. A distância entre preços pedidos e ofertados continua sendo o principal fator que bloqueia o andamento das negociações”, indica.

O mercado de milho em Mato Grosso do Sul segue com pouca movimentação, reflexo da ampla oferta e da postura cautelosa de vendedores e compradores. “As referências continuam estáveis entre R$ 51,00 e R$ 54,00/saca, com Maracaju mantendo as maiores indicações e Chapadão do Sul registrando altas pontuais durante a semana. A demanda externa segue fraca, o que restringe novos negócios e deixa o ritmo das negociações apenas moderado. Mesmo com ajustes regionais, a liquidez permanece baixa em todo o estado”, conclui.

 





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Alta moderada marca início do dia nos grãos



A soja também opera em leve recuperação na bolsa norte-americana


A soja também opera em leve recuperação na bolsa norte-americana
A soja também opera em leve recuperação na bolsa norte-americana – Foto: Pixabay

Os mercados agrícolas iniciam o dia com movimentos moderados e ritmo influenciado por fatores externos e pela dinâmica de oferta e demanda internacional. A TF Agroeconômica relatou avanços leves nas bolsas e estabilidade no físico em algumas praças, com atenção concentrada no comportamento de fundos e nas novas sinalizações regulatórias e comerciais.

No trigo, a alta discreta observada em Chicago reflete o retorno de compradores especulativos após a realização de lucros da véspera. O interesse renovado é sustentado por rumores de demanda chinesa, enquanto a oferta global permanece confortável e o avanço das colheitas no Hemisfério Sul limita ganhos mais amplos. No físico, os preços registraram pequena valorização no Paraná e estabilidade no Rio Grande do Sul, enquanto origens da Argentina e do Paraguai mantiveram indicações próximas às da véspera.

A soja também opera em leve recuperação na bolsa norte-americana, após duas sessões de queda. O foco voltou-se para o regulamento europeu de desmatamento, cuja implementação foi ajustada para o fim de 2026, ainda dependente de aval parlamentar. A medida deve afetar diretamente cadeias de importação de derivados vegetais. No Brasil, os preços subiram tanto no interior do Paraná quanto no porto. A demanda chinesa reapareceu, com compras em torno de 2 milhões de toneladas, ainda distantes dos volumes inicialmente previstos no acordo bilateral.

O milho acompanha o movimento altista em Chicago, apoiado por compras de oportunidade e pelo bom desempenho dos embarques semanais de ração animal dos Estados Unidos. A sustentação convive com o peso de uma safra recorde, cujo volume exigirá consumo interno e externo mais robusto para evitar acúmulo de estoques, projetados próximo aos maiores níveis desde 2018/2019. No Brasil, o físico registrou leve ganho, enquanto os contratos da B3 recuaram.

 





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Acesso negado à COP 11 gera reação de comitiva brasileira



“Todas as decisões têm força recomendatória”


“Todas as decisões têm força recomendatória"
“Todas as decisões têm força recomendatória” – Foto: Agência Brasil

A restrição de acesso à COP 11 provocou intensa reação dentro e fora das delegações que acompanham o encontro em Genebra. Desde o início das discussões, representantes brasileiros formados por parlamentares, prefeitos, entidades do setor produtivo do tabaco, autoridades estaduais e imprensa foram barrados pelo Secretariado da Convenção, que aplicou o artigo 5.3 da CQCT ao veto.

A medida, adotada no primeiro dia do evento organizado pela Organização Mundial da Saúde, afetou inclusive parlamentares e profissionais de imprensa, gerando notas de repúdio divulgadas no Sul do país. Integrantes da comitiva afirmam que a decisão fere o direito à transparência e à participação pública previsto no Acordo de San José da Costa Rica.

Diante da exclusão, a Comissão Permanente do Brasil na ONU passou a intermediar reuniões com o grupo. Dois encontros ocorreram na terça e na quarta-feira, conduzidos pelo embaixador Tovar Nunes, e um terceiro foi marcado para esta quinta-feira. No diálogo, o embaixador explicou que o país levou propostas sobre controle de novos produtos de nicotina e alternativas econômicas aos produtores, ressaltando que decisões da conferência têm caráter recomendatório.

“Todas as decisões têm força recomendatória, são opções não vinculantes. Países como o Brasil, produtores de tabaco, não vão aceitar práticas não conformes a sua realidade”, relatou ao grupo.

“Levando em consideração que chegamos aqui e fomos, mais uma vez, impedidos de participar, a abertura da embaixada brasileira é positiva. Inicia-se um processo de diálogo com quem não teve acesso, bem como com a comitiva representada pela CONICQ. Entendemos que diálogo e transparência são essenciais quando tratamos de um tema que impacta milhares de famílias brasileiras”, avalia Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco.

 





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Crédito rural exige cautela diante de juros abusivos


O acesso ao crédito rural tem se tornado um desafio crescente, ampliando a tensão entre necessidade de financiamento e risco de contratação. Com instituições mais seletivas e recursos oficiais limitados, muitos produtores recorrem a alternativas que parecem simples, mas escondem condições capazes de comprometer a saúde financeira da propriedade.

A partir desse ambiente, consultorias jurídicas apontam que a Cédula de Crédito Bancário vem sendo utilizada por algumas instituições como forma de mascarar operações que, na essência, têm destinação rural. Isso eleva artificialmente os juros, que chegam a patamares muito acima do permitido para crédito agrícola. Especialistas lembram que contratos desse tipo podem violar normas que regem o setor e impor custos incompatíveis com a atividade.

“A legislação é inequívoca: finalidade rural exige contrato rural. Contudo, bancos, cientes de sua superioridade negocial e da vulnerabilidade do produtor na busca por financiamento, impõem CCBs com taxas muito superiores ao limite de 12% ao ano, desconsiderando completamente os parâmetros legais”, destaca Marcos Vinícius Souza de Oliveira, especialista em questões contratuais aplicadas ao agronegócio, e membro do escritório Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro.

O alerta envolve situações em que a taxa real aplicada supera o limite legal, criando impacto direto sobre fluxo de caixa, margem e capacidade de pagamento. Ainda que o contrato seja apresentado como bancário, a legislação determina que prevalece a finalidade dos recursos, o que obriga o enquadramento como operação rural. Há relatos de que muitos produtores desconhecem esse direito e aceitam condições que ampliam o endividamento.

O tema inclui também cobranças de juros moratórios e multas fora dos parâmetros previstos para o segmento. Por isso, orienta-se maior cautela na contratação e análise técnica de cédulas quitadas, ativas ou em atraso. Caso haja taxas excessivas, é possível buscar revisão judicial para adequação ao regime correto. “Nosso trabalho consiste justamente em auxiliar os produtores rurais a evitar armadilhas contratuais, identificar cláusulas abusivas e, quando necessário, promover a renegociação ou revisão judicial dos contratos firmados”, finaliza o especialista.

 





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Trump retira tarifa de 40% sobre café, carnes e frutas do Brasil



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou comunicado nesta quinta-feira (20) retirando a tarifa de 40% que incidia sobre produtos brasileiros desde 30 de julho.

A decisão publicada pela Casa Branca inclui carne bovina in natura e processada, café, tomate fresco e refrigerado, além de frutas como manga, abacaxi, mamão, abacate, goiaba e outros produtos agrícolas.

“Após considerar as informações e recomendações que me foram fornecidas por funcionários e o andamento das negociações com o governo do Brasil, entre outros fatores, determinei que é necessário e apropriado modificar o escopo dos produtos sujeitos à alíquota adicional ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14323″, diz Trump em trecho do comunicado.

Ao contrário da ordem de semana passada, que retirava tarifa adicional de 10% a todos os países que haviam sido taxados, a decisão de agora é endereçada exclusivamente ao Brasil.

A decisão também estabelece que as isenções serão retroativas e válidas a partir do último dia 13 de novembro, data da reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Além disso, o documento cita que as taxas de importação pagas por exportadores brasileiros serão reembolsadas pelo governo de Trump.

“Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”, diz outro trecho do documento assinado por Trump.

Em nota enviada ao G1, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que a decisão desta quinta é uma “excelente notícia” para o Brasil, que agora volta a ter acesso competitivo ao mercado dos Estados Unidos.

Setor do café comemora

Abordado pela imprensa ao voltar da COP30, em Belém, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, disse que agora o setor tem o desafio imediato de reconquistar espaços perdidos no mercado norte-americano e que a suspensão do tarifaço foi um “presente de Natal antecipado”.

Segundo ele, o setor brasileiro estava vendo a sua participação nos Estados Unidos, maior mercado consumidor do mundo, ser ocupado por outros fornecedores, notadamente Colômbia e Vietnã.

Abiec celebra

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgou nota em que celebra a decisão dos Estados Unidos de retirar as tarifas sobre a proteína bovina.

“A medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo”, destaca.



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