sexta-feira, março 27, 2026

Autor: Redação

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‘Não há contradição entre produzir e preservar’, diz Fávaro na COP30



O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, visitou nesta segunda-feira (17) a AgriZone, espaço da Embrapa dedicado à agricultura sustentável e à inovação tecnológica durante a COP30. Em conversa com jornalistas, Fávaro destacou que o Brasil quer mostrar ao mundo que possui uma agricultura produtiva, competitiva e ambientalmente responsável.

Segundo o ministro, o país é um grande celeiro de alimentos e energia, mas também se destaca pela responsabilidade ambiental. Ele citou o Código Florestal, considerado um dos mais rigorosos do mundo, e lembrou das políticas públicas que estão sendo implementadas para ampliar práticas sustentáveis no campo.

Fávaro reforçou que não existe contradição entre produzir e preservar e que o Brasil pretende seguir como líder mundial na produção de alimentos, sempre respeitando o meio ambiente. Ele afirmou ainda que o governo busca ampliar a captação de recursos internacionais para intensificar ações de sustentabilidade.

“Estamos trabalhando para captar recursos internacionais para recuperar áreas degradadas, investir na agricultura familiar, na produção sustentável e em bioinsumos. Queremos ampliar pesquisas e disseminar esse conhecimento pelo mundo”, afirmou o ministro.



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Entenda os pontos em negociação na reta final da COP30



A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, entra na semana decisiva com participação direta de ministros dos países para tentar fechar, por consenso, como exige o processo negocial, os acordos que vão guiar as ações climáticas no próximo período.

Na noite de domingo (16), foi publicado o resumo das consultas da presidência da COP em relação a quatro itens de agenda, dentre eles, o apelo por ampliação das metas climáticas, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), e o financiamento público de países desenvolvidos a países em desenvolvimento. São itens que ainda não obtiveram aclamação para entrar na agenda de ação.

Outro tema crucial, que está na agenda, ainda não obteve consenso em torno de uma proposta. Trata-se da Meta Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês), um dos principais resultados esperados desta COP, mas que segue incerto.

Na avaliação de especialistas, o documento reflete com fidelidade o panorama das negociações técnicas. Uma parte do texto é dedicada a exaltar a importância do multilateralismo e faz referência ao Acordo de Paris e à necessidade de se criar um novo ciclo de transição que passe da transição à implementação.

“O documento traz opções de encaminhamento, que estariam no que estamos chamando de ‘mutirão decision’, uma decisão que emerge desse trabalho coletivo”, observa Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa.

No entanto, a ausência de referências mais concretas a caminhos que levem a mais ação dos países acende um sinal de preocupação.

“Um ponto negativo do documento e que também não está se refletindo na sala de negociações, é que não traz nada sobre os mapas do caminho tanto para zerar desmatamento quanto para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis. O presidente Lula trouxe isso na abertura da COP, de ter o mapa do caminho para a transição, a ministra Marina Silva falou isso em eventos”, destaca Fernanda Bortolotto, especialista em Política Climática da The Nature Conservancy Brasil.

“Já tem apoio de mais de 60 para países para isso, só que isso está sendo falado em eventos e a gente precisa que isso seja falado nas salas de negociação para sair em texto de decisão, senão a gente termina uma COP sem isso. Não adianta nada ter todo um clamor dos eventos se não tiver ali no texto”, completa Fernanda.

A expectativa é que o segmento político de alto nível da COP30, que começou nesta segunda-feira (17), dê a tração necessária para o avanço das negociações. Tradicionalmente, a primeira semana de conferência é dedicada à formulação de textos, chamados de rascunhos, nos órgãos subsidiários, que são o corpo técnico. Nesta segunda semana, entram em cena os chefes de delegações, normalmente ministros de primeiro escalão dos países que fazem parte da convenção do clima, que possuem maior margem política de negociação dos textos.

“Para esta segunda semana de negociações, precisamos de mais pressão para que sejam acordados encaminhamentos claros que iniciem os processos para os ‘mapas do caminho’ para o fim do desmatamento e dos combustíveis fósseis”, aponta Anna Cárcamo, especialista em política climática do Greenpeace Brasil.

Na plenária de alto nível ocorrida na manhã desta segunda, em Belém, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou o objetivo do governo brasileiro com a implementação de mapas de ação com avanços significativos na transição energética e a erradicação do desmatamento ilegal. Para ele, esses são os principais legados a serem deixados pela COP30.

Adaptação climática

Já o tema da adaptação segue sob suspense. O rascunho foi finalizado ainda na semana passada por técnicos, um texto-base para a adoção de 100 indicadores, mas ainda há resistência do Grupo Africano, que representa 54 países do continente, com apoio dos países árabes, que têm defendido estender o trabalho técnico por mais dois anos e postergar a decisão final para 2027.

“Com muito custo, conseguiu-se finalizar um rascunho que vai ser discutido em nível ministerial esta semana para ver se a gente consegue ter até o fim dessa COP ter o indicadores do GGA adotados”, afirma Fernanda Bortolotto.

No debate atual da COP, as partes tentam chegar a um consenso sobre os indicadores globais de adaptação, ponto de partida para monitorar se os países estão avançando nas ações de adaptação e resiliência. Nesse campo, a conferência também discute os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs, na sigla em inglês) e o Fundo de Adaptação (AF). Em ambos os procedimentos, também houve conclusão processual com um texto de rascunho a ser analisado nesta semana.

Sobre o tema da transição justa, cuja demanda é a criação de um programa de trabalho no âmbito da COP para analisar o assunto, o rascunho também segue para análise e anda não há consenso.



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manejo reprodutivo é essencial para sucesso, diz especialista



Com mais de setenta milhões de vacas e novilhas de corte precisando ser emprenhadas até o final de fevereiro, o sucesso da estação de monta depende de um manejo reprodutivo de precisão, que integre nutrição, sanidade e genética.

O alerta foi feito pelo médico veterinário Leandro Silva, coordenador técnico da Boehringer Ingelheim, em entrevista ao Giro do Boi. Silva informou que o erro na estação pode levar a grandes prejuízos, pois a fêmea precisa deixar “um bezerro por ano”.

Segundo ele, o principal desafio é que, em muitas regiões, a seca se agravou, atrasando a recuperação do escore corporal. O escore corporal inadequado interfere diretamente na taxa de prenhez, já que fêmeas magras podem entrar em anestro e, mesmo que emprenhem, não têm reservas energéticas para segurar a gestação.

Confira a entrevista completa:

A novilha e a primípara são as categorias mais sensíveis e exigentes, necessitando de atenção redobrada durante a estação de monta. Um dos fatores mais prejudiciais à taxa de prenhez é a infestação de carrapatos, que eleva os níveis de cortisol no sangue da vaca, interferindo na ovulação e na imunidade. O touro também é afetado, queimando energia para espantar moscas, o que prejudica o processo de copulação.

Atualmente, cerca de oitenta por cento das fazendas de cria utilizam o touro na vacada, e o reprodutor é responsável por cinquenta por cento do bezerro. O manejo deve incluir cuidados específicos após a confirmação da prenhez, que ocorre no diagnóstico de gestação em março e abril.

A vaca precisa de “sombra e água fresca” após a confirmação da prenhez. O produtor deve estar atento ao desafio parasitário da terceira geração de carrapato e monitorar a relação entre o número de partos e o diagnóstico de gestação, a fim de identificar possíveis abortos ou reabsorções embrionárias devido a falhas sanitárias.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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AgroNewsPolítica & Agro

Pirataria de sementes pressiona produtividade no campo



“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis”


"A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis"
“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis” – Foto: Pixabay

A expansão agrícola brasileira convive com um desafio que cresce de forma silenciosa e interfere diretamente na produtividade das lavouras. Estimativas apresentadas no Seed Congress of the Americas 2026 indicam que 11% da área de soja no país ainda é cultivada com sementes não registradas ou não certificadas, causando prejuízos que podem chegar a R$ 10 bilhões por ano e afetando também forrageiras, algodão, arroz e feijão.

A Associação Paulista dos Produtores de Sementes alerta que o uso desse material compromete a qualidade das áreas plantadas, dissemina pragas e doenças e reduz o vigor das plantas. Segundo a entidade, a semente é o ponto inicial da produção e escolhas inadequadas acabam refletindo em perdas ao longo de todo o ciclo. 

“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis no campo, enquanto a semente ilegal traz riscos de baixa produtividade, contaminações e prejuízos irreversíveis. Investir em semente certificada não é gasto: é segurança, rentabilidade e respeito ao futuro da agricultura brasileira. destaca que o produtor precisa enxergar a semente como o ponto de partida de toda a produção”, esclarece a diretora-executiva da entidade, Andreia Bernabé.

Entre as forrageiras, uma das cultivares que mais despertam interesse de falsificadores é um híbrido conhecido por sua tolerância à seca e boa adaptação ao clima quente. O produto ilegal tem sido vendido a preços muito baixos e, muitas vezes, substituído por Brachiaria ruziziensis, de desempenho inferior. A versão original, ao contrário, é submetida a controles de vigor e pureza, pode ser tratada com fungicida e inseticida e segue embalada de forma lacrada, com coloração característica que assegura identificação imediata.

 





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BNDES seleciona 100 startups para programa de aceleração



A busca por soluções na área de economia verde e descarbonização é o ramo de atividade que lidera a lista de 100 startups selecionadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um programa de aceleração de empresas, o BNDES Garagem.

Startups são empresas jovens, com modelos de negócio inovador, alto potencial de crescimento, mas também grande nível de incerteza.

A relação de contempladas foi anunciada nesta segunda-feira (17), em Belém, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que vai até a próxima sexta-feira (21).

O BNDES Garagem existe desde 2019 e, todos os anos, permite que startups se inscrevam para um programa de aceleração conduzido pelo Quintessa, empresa especializada em estruturar e implementar iniciativas focadas em clima e desenvolvimento econômico.

Mais de 1,8 mil iniciativas se inscreveram. As 100 startups classificadas foram divididas em dois grupos: 50 de criação e 50 de tração.

O grupo criação é voltado às ideias que precisam de suporte nos primeiros passos do negócio. O de tração, a startups que já tenham um negócio de impacto operacional e desejam apoio para crescer.

A lista de selecionadas pode ser consultada no site do BNDES Garagem.

O BNDES explica que, durante todo o programa, que vai até junho de 2026, os selecionados receberão apoio individual de especialistas, terão acesso a mentores para aconselhamento e resolução de desafios, serviços gratuitos e subsidiados, além de conexão com potenciais investidores e parceiros de empresas públicas e privadas.

Perfil das startups

Entre as selecionadas, 39 atuam no segmento economia verde e descarbonização. As demais atividades são saúde (18), educação (14), economia da periferia (12), economia azul (sete), segurança pública (duas), cultura, arte e tecnologia/economia criativa (uma), melhoria do governo e instituições eficazes (uma) e outros (seis).

Das contempladas, 45 têm uma pessoa preta ou parda à frente do negócio; e 67 têm pelo menos uma mulher como sócia.

Premiação

Ao fim desta edição, as dez startups que mais se destacarem serão premiadas, cinco em cada um dos grupos: criação e tração.

Os cinco vencedores na categoria tração vão receber prêmios de R$ 64 mil a R$ 160 mil; na criação os prêmios irão de R$ 32 mil a R$ 85 mil.

O superintendente da Área de Mercado de Capitais, Investimentos e Participações do BNDES, Marcelo Marcolino, aponta que o programa de aceleração mostra o banco de portas abertas para empreendedores de impacto.

“Negócios de todas as regiões do país, de diferentes perfis e em diferentes estágios, receberão o apoio do banco para fortalecer soluções destinadas a endereçar grandes desafios sociais e ambientais”, diz.

Desde a criação, o BNDES Garagem acelerou mais de 300 startups. A expectativa é apoiar mais 300 até 2028.



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‘Quem não se moderniza fica para trás’, diz sojicultor que aposta em inteligência artificial no campo



Imagine poder definir, com precisão, qual variedade de soja plantar em cada talhão a partir de dados processados por inteligência artificial. Na experiência do Grupo José Pessoa, modernizar-se não significa substituir o ser humano, já que a tecnologia não elimina o conhecimento agronômico, mas amplia esse conhecimento e o torna ainda mais estratégico.

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É nesse caminho que José Bisneto, Diretor Presidente do Grupo José Pessoa, deu um passo decisivo na agricultura de precisão em Sidrolândia (MS). Com o apoio da IA Gemini, do Google, o grupo consegue identificar a variedade ideal de soja para cada área da fazenda, considerando solo, clima e produtividade histórica. A ferramenta funciona como complemento ao trabalho dos agrônomos, tornando as decisões mais rápidas, precisas e eficientes.

Da história da família à inovação no campo

José Bisneto cresceu em uma família ligada à agricultura e à indústria açucareira. Seu bisavô construiu uma usina de açúcar em Pernambuco nos anos 1930 e 1940, que, ao longo do tempo, passou por crises e vendas até ficar nas mãos do avô de José.

O pai e avô do sojicultor trabalharam arduamente para manter a produção, enfrentando os desafios do setor açucareiro. Esse histórico de dedicação e inovação moldou a visão de José, que soube unir tradição e novas tecnologias para aumentar produtividade e eficiência, até chegar às lavouras de soja.

Como surgiu a ideia de utilizar a IA

O interesse em aplicar inteligência artificial no plantio surgiu após Bisneto participar de um curso de IA, quando decidiu convidar José Ivair Rodrigues, consultor de transformação digital que já havia colaborado com o grupo. A proposta era usar a tecnologia para aprimorar a escolha da variedade ideal em cada talhão da fazenda.

“As terras do grupo são divididas em talhões, grandes áreas analisadas em quadrados menores de três hectares. Antes da IA, tentávamos tomar decisões manualmente, baseadas em produtividade histórica, tipo de solo e época de plantio. É impossível processar tudo isso só na cabeça. A IA nos entrega uma recomendação prática e precisa”, explica Bisneto.

Detalhes que fazem a diferença

O Google Gemini foi alimentado com um amplo banco de dados do grupo, incluindo produtividade passada, características do solo e histórico de plantio. A partir dessas informações, a IA indica o período ideal de plantio e a varied advertising mais adequada para cada talhão. O primeiro ano de uso mostrou ganhos significativos, comprovando a eficiência do sistema.

José destaca que a agricultura de precisão permite tratar cada área de três hectares de forma diferente, desde a aplicação de fertilizantes até a escolha das sementes, aumentando a produtividade e reduzindo desperdícios. “Quanto mais dados você tiver, maior será a precisão e a probabilidade de sucesso do sistema”, afirma.

IA como complemento, não substituição

A tecnologia não substitui o trabalho humano, mas potencializa a atuação dos agrônomos, que validam todas as recomendações. “Ela facilita o trabalho, mas não substitui o conhecimento do agrônomo. Alguns colaboradores precisaram se atualizar para lidar com a ferramenta, mas, depois que ela foi integrada, o trabalho ficou muito mais rápido e preciso”, reforça.

O maior desafio foi conquistar a confiança da equipe. “O mais difícil foi fazer com que todos acreditassem que a IA não substituiria ninguém, mas sim ajudaria a tomar decisões melhores”, lembra.

Expansão e próximos passos

O sucesso do uso da IA na soja abre caminho para sua aplicação em outros cultivos, como a cana-de-açúcar, e para uma transformação digital mais ampla dentro do grupo.
“Nosso objetivo é incorporar novas tecnologias que aumentem precisão e produtividade, aprendendo e ajustando ano a ano”, destaca Bisneto.

Conselho aos produtores

Para o empresário, a mensagem é clara: modernizar-se deixou de ser uma opção. “Não perca tempo. Quem não se moderniza fica para trás. A IA ajuda a reduzir riscos, mas precisa ser ensinada, ajustada e sempre utilizada em conjunto com o conhecimento humano”, conclui.



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‘A COP30 marca a transição do regime, da negociação para a implementação’, diz Alckmin



A implementação de mapas de ação com avanços significativos na transição energética, a erradicação do desmatamento ilegal e a valorização das florestas, especialmente com foco na sociobioeconomia, foram defendidos pelo Brasil como legado a ser deixado pela 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.

A avaliação foi feita pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (17), durante a abertura da plenária de alto nível do evento.

“A COP30 marca, agora, a transição do regime, da negociação para a implementação. As várias decisões que sairão de Belém reforçarão mecanismos e estimularão novos arranjos para acelerar a ação de combate à mudança climática em escala global. E isso faremos por escolha própria, porque é a escolha certa a ser feita”, disse.

“Estamos aqui, todos nós, para transformar a ambição em resultados e em boas políticas públicas. Nosso dever é garantir que a ação climática global seja guiada pela ética da responsabilidade, uma ética que une ciência, solidariedade, progresso e dignidade”, afirmou.

Durante seu discurso, Alckmin apontou a necessidade de triplicar a meta global de energia renovável e de dobrar a eficiência energética até 2030, para que o mundo saia da dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo o vice-presidente, os dados mostram que a capacidade renovável hoje ainda é a metade do que seria necessário para alcançar essa meta.

“O Compromisso de Belém ambiciona quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, e 25 países já se juntaram ao esforço”, afirmou Alckmin apontando que o Brasil reduziu o desmatamento ilegal em 50%.

O vice-presidente apontou ainda a necessidade de os países mostrarem união em torno dos objetivos do Acordo de Paris.

“A apresentação, pelos governos, de NDCs alinhadas ao objetivo de [limitar o aquecimento global a] 1,5 grau Celsius (ºC), do Acordo de Paris, é um dos sinais de compromisso com o combate à mudança do clima e o reforço do multilateralismo”, apontou.

“A NDC do Brasil, ousada mas realista, que tive a honra de anunciar no ano passado, com a ministra Marina Silva, na COP29, em Baku, determina compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa no país de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005”, pontuou.

Alckmin defendeu a promoção da cooperação entre governos, empresas e comunidades locais.

“A proteção das florestas depende, sobretudo, de quem vive nelas. Mais de 28 milhões de brasileiros moram na região amazônica, e, entre eles, estão os povos indígenas e as comunidades tradicionais, que são os verdadeiros guardiões da floresta. O conhecimento ancestral desses povos é uma das mais poderosas formas de inteligência ecológica do planeta. A Amazônia, com toda a sua diversidade, deve ser o exemplo de que é possível crescer, produzir e conservar ao mesmo tempo”, defendeu.

O vice-presidente disse que é preciso buscar soluções criativas em áreas estratégicas, como na bioeconomia e na descarbonização, que, segundo ele, pode ser fortalecida com uma Coalizão Global de Mercados Regulados de Carbono, “a qual estabelecerá mecanismos de carbono transparentes e coletivamente acordados e para a qual contamos com a adesão de mais e mais países”.

Reta final

Esta semana, a COP30 entra em sua reta final, com a chegada de representantes de alto nível. Cerca de 160 ministros, vice-presidentes e outros representantes de alto escalão se reúnem para buscar consenso em temas delicados, como financiamento para ações climáticas, parâmetros de adaptação e formas de implementar e monitorar as metas de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global.

“Em meio a tantos discursos, negociações, uma diretriz deve permanecer: esta deve ser a conferência da verdade, da implementação e, sobretudo, da responsabilidade. Responsabilidade com o planeta que habitamos, com as pessoas que aqui vivem e com as gerações que ainda virão”, defendeu o vice-presidente.

“Devemos, todos nós, agir de tal forma que toda decisão tomada no presente, política, econômica, industrial ou ambiental, contribua para preservar as condições de vida na Terra, proteger a biodiversidade e assegurar a justiça entre as gerações”, completou.



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alerta vermelho do crédito rural acende de vez


O Banco do Brasil anunciou uma queda de 60% no lucro no terceiro trimestre de 2025. É um tombo raro para o maior financiador do agronegócio brasileiro e, mais do que um número, um sinal grave de que algo muito maior está acontecendo no campo.

O banco registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, bem distante do desempenho de 2024. O motivo principal está claro nos relatórios: a inadimplência disparou, especialmente na carteira de produtores rurais. A taxa de atrasos acima de 90 dias chegou a 4,93%, com algumas linhas do agro ultrapassando 5,3%, níveis inéditos na última década.

Quando o banco que mais financia o agro precisa reforçar provisões bilionárias para cobrir possíveis calotes, o recado é direto: o setor está sob forte pressão.

A combinação que levou a esse cenário é conhecida pelos produtores:

  • Juros altos sufocam o fluxo de caixa.
  • O custo dos insumos continua elevado, mesmo com o dólar mais fraco.
  • Clima extremo gerou perdas significativas em várias regiões.
  • Super safra com preços baixos apertou as margens.
  • Endividamento acumulado em estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás chegou ao limite.

E tudo se agrava, porque o Brasil ainda não conseguiu estruturar um sistema de seguros rurais robusto, moderno e acessível. Sem seguro adequado, cada perda climática vira inadimplência; cada quebra de safra vira renegociação; e cada evento extremo volta como prejuízo para bancos, para o governo e para toda a cadeia produtiva.

O resultado aparece agora nas estatísticas: o maior banco agrícola do país está pagando a conta dessa tempestade perfeita.

Quando a inadimplência sobe, o banco reage como qualquer instituição financeira:
aumenta provisões, reduz o apetite por risco e encarece o crédito.

Se o produtor já estava com dificuldade para acessar financiamento, 2026 pode ser ainda mais duro se o processo de recuperação não acontecer no ritmo necessário.

O próprio BB admite que espera um “ponto de inflexão” na inadimplência apenas no início de 2026, e mesmo assim com cautela. Analistas consideram o cenário nebuloso.

Se a melhora não vier, o risco é duplo:

  • Menos crédito para custeio e investimento.
  • Mais concentração em grandes grupos e menos competitividade no campo.

Para um país que depende do agro para a balança comercial, para a geração de empregos e para a sustentação de sua economia, isso é um sinal preocupante.

A queda do lucro do Banco do Brasil não é um acidente isolado. Ela reflete:

  • Falhas na política de crédito rural.
  • Ausência de um seguro rural de amplo alcance que reduza riscos e estabilize a renda do produtor.
  • Falta de proteção estrutural contra eventos climáticos.
  • Juros que travam investimentos.
  • E uma economia que não tem dado fôlego ao produtor.

Enquanto o discurso oficial muitas vezes pinta o campo como “privilegiado”, a realidade dos números mostra o oposto: o agro está carregando um peso que nem mesmo o maior banco público do país conseguiu suportar sem sangrar.

O tombo de 60% no lucro do Banco do Brasil é mais do que uma estatística, é um alerta.
Se o grande financiador do campo está sob pressão, imagine o pequeno produtor que tenta sobreviver numa economia travada, com crédito caro e clima imprevisível.

O agro sempre segurou o Brasil em tempos difíceis.

Agora, é o agro que está pedindo socorro, e o país não pode ignorar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Redução das tarifas dos EUA pode melhorar ‘clima’ no setor pecuário, diz Cepea



A redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra os produtos do Brasil, anunciada na última sexta-feira (14), deve “melhorar o clima” do setor pecuário. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com os pesquisadores, o recuo vem em boa hora, especialmente após as ligeiras quedas registradas no preço do boi gordo durante a semana passada.

Na prática, as alíquotas passam de 50% para 40%, representando uma queda de apenas 10% para as exportações brasileiras de carne bovina. Contudo, a redução não deve alterar o volume embarcado pelo Brasil, que já está em patamar recorde.

“Os exportadores brasileiros conseguiram diversificar as vendas. Com esse recuo dos EUA a tendência é que os embarques ganhem reforço, mas sem esquecer que as tarifas ainda continuam em 40%, o que é bastante. Veremos, a partir de hoje, como o mercado de fato vai reagir”, diz o centro de estudos.

Maior apetite dos EUA e da China

Na análise, os pesquisadores do Cepea ressaltam que a mudança de postura por parte do governo dos Estados Unidos acontece, principalmente, porque a comida na mesa do norte-americano está ficando mais cara. “Em outubro, os Estados Unidos já tinham elevado em 31% o volume de carne bovina comprada do Brasil em relação a setembro. Com isso, voltaram para a posição do segundo maior importador.”

Mesmo assim, esse mercado representou apenas 3,7% da carne brasileira exportada no mês passado. A China, por outro lado, foi responsável por comprar 53% da nossa proteína.

E a arroba do boi gordo?

Sobre os impactos na arroba do boi gordo, o Cepea afirma que a redução das tarifas pode fazer os preços retornarem a trajetória de alta observada anteriormente. Os efeitos, porém, deverão ser acompanhados dia a dia.

Os pesquisadores lembram que no acumulado da primeira quinzena de novembro, o preço médio do boi registrou queda em praças como Rondônia e Mato Grosso do Sul. Já em outras regiões, como o norte de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e o noroeste do Paraná, as cotações apresentaram altas de quase 3% na comparação com o final de outubro. Goiás teve o maior aumento, cerca de 4%.



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Pecuária brasileira: redução de emissões pode chegar a 92% até 2050, aponta FGV



A pecuária brasileira foi destacada na COP 30 como um setor com grande potencial de mitigação de emissões no agronegócio.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), aponta que a descarbonização na pecuária nacional pode chegar a até 92% por quilo de carne produzida até 2050.

Apresentado durante o encontro global sobre mudanças climáticas em Belém, o levantamento mostra que o setor tem um potencial de redução das emissões de até 87%. Quando analisadas as emissões em relação à carne gerada, o resultado é um potencial máximo de redução de 92% de dióxido de carbono equivalente por quilo de carne.

Confira:

Pecuária intensiva e eficiente

O estudo da FGV indica que a pecuária intensiva e eficiente é a chave para a sustentabilidade. A modernização do setor já demonstra uma tendência de queda nas emissões. Atingir a meta de descarbonização de 92% exige a migração da teoria para a prática, intensificando o sistema e adotando boas práticas agropecuárias.

O grande desafio da pecuária brasileira é mudar a narrativa no cenário global, mostrando que os avanços na COP são uma oportunidade de desmistificar a imagem do boi como vilão e posicionar a atividade como parte da solução climática e da segurança alimentar mundial.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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