terça-feira, maio 19, 2026

Autor: Redação

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Incêndio em aviário mata 21 mil pintinhos no Paraná



Um incêndio de grandes proporções destruiu um aviário em Cascavel, oeste do Paraná, próximo à BR-467, na noite desta segunda-feira (14).

De acordo com informações preliminares, cerca de 21 mil pintinhos morreram no acidente. A suspeita é que o fogo tenha começado por conta de um curto-circuito no painel de controle do estabelecimento.

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Paraná (CBMPR) atuaram no combate às chamas, que atingiram um dos três barracões da propriedade. No total, o espaço abrigava cerca de 68 mil aves.

O proprietário estimou o prejuízo em R$ 2 milhões. Segundo ele, o aviário tem seguro e uma equipe da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) deve vistoriar o local nos próximos dias.

Este é o segundo caso recente de mortes de animais causado por curto-circuito no oeste paranaense: no último dia 7, 32 vacas leiteiras morreram eletrocutadas em Marechal Cândido Rondon. O prejuízo foi estimado pelo proprietário, o pecuatista Edenir Zeahrsfass, entre R$ 500 mil e R$ 600 mil.

De acordo com ele, uma das vacas teria mordido a tomada que aciona o canzil — estrutura de ferro para confinamento individual de animais durante a alimentação e manejo —, causando o curto-circuito que eletrocutou todo o seu rebanho, fruto de mais de dez anos de trabalho.



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Sindi PO da Embrapa: genética rústica e resistente agora reconhecida pela ABCZ


Os pecuaristas do Semiárido brasileiro acabam de ganhar um reforço de peso. O rebanho da raça Sindi da Embrapa Semiárido foi reconhecido oficialmente com o registro de Pureza de Origem (PO) pela ABCZ, após quase dois anos de trabalho técnico. Assista ao vídeo abaixo e confira essa história.

Isso significa que os 91 animais, entre machos e fêmeas, possuem genética comprovadamente pura e estão prontos para contribuir com o melhoramento genético da pecuária nacional.

Segundo o médico-veterinário Rafael Dantas, responsável pelo Núcleo de Conservação da Raça Sindi, essa certificação é a etapa final do processo que garante a qualidade genética dos animais.

Agora, a Embrapa pode oferecer sêmen e embriões certificados, contribuindo com a formação de rebanhos mais produtivos, adaptados ao clima seco e de baixo custo de manutenção.

Rigor técnico na certificação da raça Sindi

Bovinos da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido
Bovinos da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido

Para conquistar o registro PO, a Embrapa precisou cumprir uma série de exigências estabelecidas pela ABCZ, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi). Entre os critérios técnicos estão:

  • Comunicação oficial de cobertura e nascimento dos bezerros;
  • Inspeção técnica por profissionais credenciados, que verificam a conformidade dos animais com o padrão da raça;
  • Exames de DNA para confirmar a filiação, especialmente nos casos de animais “resgatados”, ou seja, que não tinham genealogia formalmente registrada.

De acordo com Dantas, o reconhecimento formal atesta não apenas a origem, mas também a identidade racial e o potencial produtivo dos animais, reforçando o papel estratégico da Embrapa na conservação de raças adaptadas às mudanças climáticas.

Sindi: força, rusticidade e economia no campo

Originária do Paquistão, a raça Sindi se destaca por sua rusticidade e adaptabilidade a ambientes hostis. No Brasil, especialmente no Semiárido nordestino, ela vem ganhando espaço por ser:

  • Resistente ao calor extremo;
  • Produtiva mesmo em escassez de água e alimento;
  • Eficiente na conversão alimentar, mesmo com dietas de baixo valor nutricional;
  • Capaz de pastejar em áreas degradadas, onde outras raças não prosperam.

Essas características fazem da Sindi uma alternativa viável e sustentável para pecuaristas que enfrentam os desafios do clima e da escassez de recursos no campo.

Conservação genética como estratégia de futuro

Bezerros da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido
Bezerros da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido

A história desse rebanho começou em 1952, com a importação de animais do Paquistão. Desde 1996, ele é mantido como rebanho fechado na Embrapa Semiárido, o que assegura sua pureza genética.

Além disso, a empresa conserva amostras de sêmen e embriões no banco de germoplasma da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

Essa estratégia é uma garantia para o futuro da pecuária tropical, pois preserva uma linhagem que une baixo custo, rusticidade e desempenho zootécnico, fundamentais para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a segurança alimentar.

Genética certificada ao alcance do produtor

Bovinos da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido
Bovinos da raça Sindi puros de origem (PO) da Embrapa reconhecidos pela ABCZ. Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido

Com a nova certificação da ABCZ, a Embrapa está pronta para oferecer material genético de altíssima qualidade a criadores interessados em investir em gado adaptado e produtivo.

A raça Sindi se consolida, assim, como uma aposta segura para quem deseja reduzir custos, enfrentar o calor e manter bons índices produtivos em condições adversas.

Segundo Rafael Dantas, “esse é um passo importante para tornar a pecuária mais resiliente e sustentável, principalmente nas regiões onde o clima é o maior desafio”. Para o produtor, é mais uma oportunidade de fortalecer o rebanho com base em ciência e tradição.



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Vamos trabalhar, junto ao empresariado, por maior prazo das tarifas dos EUA, diz Alckmin



O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo ainda busca flexibilizar o prazo determinado pelo governo dos Estados Unidos para taxar as exportações brasileiras em 50% a partir de 1º de agosto. “O prazo é exíguo, mas vamos trabalhar para dar o máximo nesse prazo”, disse nesta terça-feira (15), após reunião com representantes do setor produtivo.

A proposta do empresariado é de pelo menos mais 90 dias de discussão, o que foi reforçado por representantes do setor produtivo, como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes. Conforme o vice-presidente, os executivos brasileiros farão parte da tentativa de pressão por maior prazo. O período, afirmou, poderá inclusive servir para acordos comerciais positivos.

“É uma relação importante, que repercute também nos Estados Unidos, podendo encarecer a economia americana. E também é uma oportunidade para mais acordos comerciais”, disse Alckmin. Durante a reunião do comitê criado pelo governo para lidar com a crise, o empresariado se comprometeu a conversar com seus parceiros norte-americanos, o que serviria para chamar a atenção para os inevitáveis prejuízos mútuos.

Segundo o vice-presidente, o governo brasileiro sempre manteve diálogo com os Estados Unidos. “Enviamos uma carta há dois meses sobre tratativa de acordo e não obtivemos resposta”, afirmou. Agora, diante da deflagração da ofensiva contra o Brasil, Alckmin disse que uma nova carta será enviada reforçando que o governo brasileiro aguarda respostas.

Reiterando um argumento que tem sido utilizado por empresários e pelo governo, apontou que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial. “De janeiro a junho (deste ano), as exportações dos EUA para o Brasil aumentaram 11,48%. As exportações do Brasil para os EUA, 4,37%”, afirmou Alckmin.

Comitê

O nomeado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais foi oficializado no decreto que regula a Lei de Reciprocidade Econômica (lei 15.122/25). A reunião desta terça contou com a presença de 18 executivos de diferentes setores. Um novo encontro está marcado para esta quarta-feira (16). Ainda nesta terça, o comitê realiza uma segunda reunião quando o foco será o agronegócio.

Além do vice-presidente e empresários, estavam presentes o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; a ministra do Planejamento, Simone Tebet; a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Silvio Costa Filho.



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Empresários esperam acordo antes de possível retaliação aos EUA



As principais lideranças da indústria brasileira participaram na manhã desta terça-feira (15) de reunião com representantes do governo federal.

O encontro, liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, tratou da decisão dos Estados Unidos de taxar em 50% os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Em coletiva de imprensa após a reunião, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que o governo e o setor empresarial estão “uníssonos e convergentes” em busca de uma solução, de preferência antes da data prevista para a taxação.

“Não podermos ficar na imprevisibilidade. Temos produtos perecíveis envolvidos nessa questão”, ressaltou Alban, que defende a via da negociação com os norte-americanos. “O que entendemos é que o Brasil não se precipitará em medidas de retaliação.”

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, afirmou que o setor tem “confiança absoluta” na capacidade de negociação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do MDIC.

“Vamos dar todo suporte e apoio para que o Brasil chegue a um entendimento em benefício das empresas brasileiras e norte-americanas”, disse Gomes.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também participou da coletiva. Ele agradeceu a contribuição dos empresários e destacou que a intenção do governo é resolver o problema, em diálogo com o setor privado.

Alckmin não descartou a possibilidade de buscar o adiamento da taxação caso até o dia 1º de agosto Brasil e Estados Unidos não cheguem a um acordo.

A lei de reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso neste ano, deve ser usada para balizar a atuação do governo brasileiro. A regulamentação da lei foi publicada nesta terça-feira.



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Após tarifaço, frigoríficos decidem suspender produção de carne para os EUA



Frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspenderam a produção de carne destinada aos Estados Unidos após Trump anunciar tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros, segundo informações do G1.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems), a paralisação apenas para o mercado norte-americano é uma medida logística para evitar o acúmulo de estoques de carne que não seriam vendidos.

A carne bovina desossado e congelada corresponde a 45,2% de tudo que Mato Grosso do Sul exportou em 2025, até o momento, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). Os EUA são o principal destino do produto, que movimentou US$ 142 milhões.

Em 2024, esse tipo de carne ficou em segundo lugar nas exportações do estado para os EUA, com 27,8% e cerca de US$ 78 milhões.

Os EUA são o segundo maior comprador da carne bovina nacional, depois da China: eles importam 12% de todo o volume que o Brasil vende para o exterior, enquanto os chineses levam praticamente metade (48%), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.



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Contrárias ao tarifaço, entidades empresariais dos EUA pedem que Trump negocie com o Brasil



A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram nesta terça-feira (15) uma nota defendendo que os governos dos EUA e Brasil negociem para evitar a implementação da tarifa de 50% a partir de 1º de agosto. O comunicado diz que taxação prejudicaria as relações econômicas entre os dois países.

“A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante”, diz trecho da nota.

Em outro trecho, as entidades destacam que o tarifaço de Trump impactaria no custo de vida da população dos EUA

“A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”.

O comunicado também fala da importância da importação de produtos brasileiros para os EUA.

“Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”.

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Por fim, a nota das entidades empresarias dos EUA, pede para que os países encontrem uma solução negociada para o impasse comercial.

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva — que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”



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Mercado do boi gordo inicia semana em baixa


A cotação do boi gordo em São Paulo apresentou queda nesta segunda-feira (14), refletindo a retração das indústrias frigoríficas, que se mantiveram em sua maioria fora das compras. A informação consta na análise “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.

Segundo o relatório, a decisão de reduzir ou suspender as negociações no início da semana está relacionada à cautela diante das incertezas geradas pelo anúncio de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos. “Os frigoríficos ativos reduziram os valores de oferta, enquanto os que estavam fora do mercado especularam preços inferiores aos praticados na semana anterior”, informou a consultoria.

Como consequência, a arroba do boi gordo caiu R$ 3,00, enquanto a do “boi China” teve retração de R$ 4,00. As cotações da vaca e da novilha permaneceram estáveis. As escalas de abate, por sua vez, estão em média programadas para 10 dias.

No Oeste do Maranhão, o mercado iniciou a semana em estabilidade, após três dias consecutivos de queda na semana anterior. As cotações de todas as categorias permaneceram inalteradas.

No mercado atacadista com osso, apesar do aumento nas vendas impulsionado pelo pagamento dos salários, os estoques ainda elevados limitaram a reação dos preços. A carcaça casada do boi capão recuou 1,9% (R$ 0,40/kg), e a do boi inteiro caiu 1,0% (R$ 0,20/kg). As carcaças da vaca e da novilha também tiveram queda, de 1,3% (R$ 0,25/kg) e 1,0% (R$ 0,20/kg), respectivamente.

Entre as carnes alternativas, o frango médio teve leve recuo de 0,1% (R$ 0,01/kg), enquanto a carcaça de suíno especial apresentou queda mais acentuada, de 3,9% (R$ 0,50/kg).





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Consumo global de carne deve aumentar 47,9 milhões de toneladas no próximos 10 anos



O consumo mundial de carnes deverá aumentar em 47,9 milhões de toneladas nos próximos dez anos, segundo projeções da publicação “Perspectivas Agrícolas da OCDE-FAO 2025-2034”. Em média, o consumo per capita anual deve crescer 0,9 kg por pessoa por ano, considerando peso de varejo comestível. No entanto, em países de alta renda, o consumo tende a estagnar, refletindo preocupações crescentes com bem-estar animal, meio ambiente e
saúde.

Apesar disso, melhorias na eficiência genética e nos rendimentos de abate devem compensar
parte do impacto ambiental da produção. O aumento do peso dos animais no momento do abate responderá por 8% do crescimento da produção de carne bovina, 27% na suína e 19% na de frango.

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Com esses ganhos de produtividade e a participação crescente da carne de frango na produção total, as emissões de gases de efeito estufa devem subir 6%, bem abaixo dos 13% de aumento previsto na produção de carne até 2034.
Outro fator relevante apontado pela OCDE é a redução do protagonismo da China no mercado global. A participação chinesa nas importações mundiais de carne deve cair de 20% para 16% até

Com menor dependência de carne suína importada, houve uma retração na produção nos
principais países exportadores. A mesma tendência de queda se observa nas compras chinesas de carne de frango. No total, as importações globais de carne crescerão apenas 10% na próxima década, frente aos 37% observados na década anterior. Um ritmo mais lento, com risco de retração caso haja medidas protecionistas por parte dos países.

No que diz respeito aos preços, os valores reais da carne devem retornar à sua tendência
histórica de longo prazo. No curto prazo, os preços nominais da carne de ruminantes, especialmente bovina, devem subir, em função da recomposição de estoques e da limitação de oferta.

Já os preços das carnes de não ruminantes (como suína e de frango) tendem a recuar, com expansão moderada da produção e menor demanda da China. A OCDE explica que, embora os custos reais da alimentação animal devam cair, os demais custos operacionais continuarão elevados, o que limita o crescimento da oferta. A médio prazo, espera-se queda nos preços reais da carne, impulsionada por menor demanda, redução no custo de insumos e ganhos contínuos de produtividade.

Por fim, a publicação ressalta que a ameaça constante de doenças animais segue como um dos maiores desafios para o setor. Casos recentes de enfermidades como a influenza aviária de alta patogenicidade, peste suína africana, febre aftosa e mosca-da-bicheira reforçam a importância de uma colaboração internacional em biossegurança para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva.



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AgroNewsPolítica & Agro

Setor do algodão cresce e ajuda a equilibrar oferta


A cadeia do algodão registra avanços relevantes para a temporada 2025/26. A produção global foi revisada para cima, alcançando 25,8 milhões de toneladas. O estoque final também subiu, de 16,7 para 16,8 milhões de toneladas, o que garante maior estabilidade ao setor.

Segundo informações da consultoria Itaú BBA, o Brasil tem protagonismo nesse avanço, com produção estimada em 4 milhões de toneladas, um crescimento de 7,4% em relação ao ciclo anterior. O aumento é reflexo da expansão da área plantada, que chegou a 2,1 milhões de hectares.

O consumo doméstico brasileiro deve atingir 800 mil toneladas, enquanto as exportações devem alcançar 3,1 milhões de toneladas, reforçando a posição do país como segundo maior exportador mundial. Esse desempenho é favorecido pela qualidade da fibra brasileira e pela valorização no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, principal concorrente do Brasil, a produção também foi revisada para cima, de 3 para 3,2 milhões de toneladas. Já na China, principal destino da fibra, as importações foram reduzidas de 1,4 para 1,3 milhão de toneladas, sinalizando ajuste na demanda.

A relação entre estoque e consumo global segue estável, em torno de 65%, o que indica equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo. Esse fator deve evitar grandes oscilações de preço, apesar da volatilidade sazonal do mercado.

Com cenário de alta produtividade e forte presença no mercado externo, o Brasil consolida seu papel estratégico na oferta mundial de algodão. O desempenho da próxima safra será decisivo para manter o ritmo positivo e atender à demanda crescente por fibras naturais.





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incêndio em silo acende alerta sobre segurança



Um incêndio de grande proporção atingiu, na última sexta-feira (11), um dos silos de armazenamento de soja de uma empresa localizada às margens da BR-116, a cerca de cinco quilômetros do centro de Arroio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. No sábado (12), o fogo ainda consumia a estrutura, que ameaçava desabar a qualquer momento. Apesar da gravidade, não houve registro de feridos. A área foi isolada por segurança e considerada de alto risco pelas equipes do Corpo de Bombeiros.

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O combate às chamas só teve avanços após os bombeiros conseguirem redirecionar as mangueiras para um segundo silo da empresa, o que possibilitou o acesso direto ao foco do incêndio. Ainda assim, a operação completa exigiu a retirada de toda a soja armazenada, o que tornou o trabalho mais lento e delicado, podendo levar dias.

Riscos em silos de soja e armazéns

O caso acende um alerta importante sobre os riscos silenciosos que envolvem estruturas de armazenamento de grãos, como silos e armazéns. Segundo Raphael Diniz, coordenador global de produtos para atmosferas explosivas na Schmersal Brasil, o maior perigo está no acúmulo de poeira, um componente altamente inflamável e muitas vezes ignorado. Ele explica que uma explosão de poeira ocorre quando cinco elementos estão presentes: combustível (no caso, a poeira), oxigênio, fonte de ignição, poeira em suspensão (em forma de nuvem) e ambiente confinado.

Se essa poeira estiver apenas depositada em camadas, o resultado tende a ser um princípio de incêndio. Mas, quando está suspensa no ar em espaços fechados, o risco é de explosão. E não para por aí. A primeira explosão provoca um deslocamento de ar que levanta mais poeira, gerando explosões secundárias. Assim, um foco pequeno pode se transformar numa tragédia capaz de destruir toda uma estrutura industrial.

De acordo com Diniz, os sinais de risco geralmente passam despercebidos: acúmulo visível de poeira, dificuldade de enxergar dentro do silo e ausência de ventilação adequada. Instalações elétricas e mecânicas também precisam de atenção, já que muitas explosões têm origem em centelhas geradas por falhas nesses sistemas.

Ele também ressalta que silos, por definição, são espaços confinados e, por isso, já oferecem alto risco. A eles se somam fatores como soterramento por grãos, trabalho em altura e as já citadas poeiras combustíveis. É um cenário ideal para diversos tipos de acidente, desde incêndios até explosões múltiplas.

Fatores como ventilação, controle de temperatura e limpeza fazem toda a diferença na prevenção. A ventilação evita o acúmulo de poeiras, a limpeza impede que elas fiquem depositadas em camadas e o controle de temperatura reduz as chances de ignição por superaquecimento de rolamentos ou outros componentes. A instalação elétrica precisa ser específica para áreas classificadas, obedecendo normas de segurança mais rígidas, com sistemas de aterramento eficazes.

Senar na linha de frente da proteção

Mas e a prevenção? Para Alex Sandro da Silva, supervisor de Segurança do Trabalho do Senar/MT, é aí que entra o papel fundamental da capacitação. O Senar, referência em formação para o campo, atua diretamente na orientação de produtores e trabalhadores sobre a correta utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a importância da segurança operacional.

”Os EPIs variam de acordo com o nível de risco. Para atividades gerais em silos, são indicados capacete com jugular, óculos de proteção, protetores auriculares, luvas, botas com solado antiderrapante e respiradores PFF2 ou PFF3”, comenta o especialista. Em ambientes de maior risco, como entradas em espaços confinados, é obrigatório o uso de cintos tipo paraquedista com talabarte, dispositivos de ancoragem, detectores de gases e até respiradores autônomos.

Mesmo com todos os equipamentos disponíveis, o desafio maior continua sendo a resistência dos próprios trabalhadores. Muitos alegam desconforto térmico, acreditam que “nada vai acontecer” ou dizem que o EPI atrapalha o serviço. Para enfrentar esse comportamento, o Senar aposta em treinamentos práticos e contextualizados. Mostra vídeos reais de acidentes, promove simulações, apresenta relatos de trabalhadores vítimas de negligência e até envolve as famílias, criando uma rede de apoio para reforçar o comportamento seguro.

Além dos EPIs, há uma série de medidas estruturais que devem ser adotadas. Entre elas, o Sistema de Permissão de Entrada (PT), que formaliza o trabalho em espaço confinado, desde a análise de gases até o plano de resgate. Equipamentos de resgate como tripés com guincho, iluminação anti-explosão, sistemas de ancoragem e linhas de vida, bem como sinalizações obrigatórias, também são fundamentais para garantir a segurança.

”A escolha correta dos EPIs deve levar em consideração a FISPQ (Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico), que orienta sobre o risco do produto armazenado e o tipo de proteção adequada. Todos os equipamentos devem ser certificados pelo Inmetro e utilizados conforme exigido pelas normas NR-31.13 (espaço confinado) e NR-20 (inflamáveis e combustíveis)”, diz Alexandre. Além disso, a capacitação dos trabalhadores precisa ser contínua, indo além do treinamento inicial ou admissional.

Entre os riscos mais comuns enfrentados por trabalhadores em silos, destacam-se o engolfamento (ou soterramento por grãos), atmosferas tóxicas ou com falta de oxigênio, explosões de poeira e quedas de grandes alturas. Cada um deles exige EPIs específicos e, principalmente, uma cultura organizacional que priorize a vida e a prevenção.

Os EPIs salvam, mas sozinhos não bastam. É preciso investir também em infraestrutura segura, processos bem definidos, fiscalização rigorosa e, acima de tudo, em educação continuada. O incêndio em Arroio Grande poderia ter terminado de forma trágica e não terminou desta vez. Mas serve como alerta de que, no agronegócio, a segurança não pode ser ignorada.



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