quarta-feira, março 25, 2026

Autor: Redação

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Pacto de Belém reúne 29 acordos e reforça protagonismo do agro na COP


A COP realizada em Belém, no Pará, chegou ao fim com a aprovação de 29 acordos que compõem o chamado Pacote de Belém. O jornalista João Nogueira, que acompanhou a conferência detalhou os principais avanços e os pontos que ficaram de fora do documento final, especialmente aqueles com impacto direto para o agronegócio brasileiro.

Segundo Nogueira, a conferência reuniu representantes de 195 países, além de sociedade civil e setor privado, e foi marcada por negociações intensas. Entre as propostas que não avançaram está o acordo para estabelecer um “mapa do caminho” rumo ao fim dos combustíveis fósseis.

A iniciativa, lançada pelo presidente Lula e inicialmente apoiada por cerca de 80 países, foi barrada por nações do Oriente Médio, cuja economia depende fortemente do petróleo. “Nas primeiras semanas as negociações caminhavam, a partir da segunda semana elas travaram”, explicou.

Pacote de BelémPacote de Belém
Foto: reprodução/Planeta Campo

Financiamento climático avança

Se o tema dos combustíveis fósseis não avançou, o financiamento climático ganhou protagonismo. Os países ricos concordaram em triplicar, até 2035, os recursos destinados à adaptação de nações em desenvolvimento, elevando o montante para US$ 120 bilhões. Segundo Nogueira, esse foi “o grande destaque”.

Outro avanço relevante foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa brasileira que se diferencia por oferecer retorno financeiro aos investidores, além de proteger biomas. Até agora, US$ 6,7 bilhões já foram captados, com foco prioritário na conservação da Amazônia.

Outras iniciativas aprovadas

Também foi aprovado o Acelerador Global de Implementação, uma ação voluntária que reúne países interessados em acelerar a execução de acordos firmados em COPs anteriores.

No eixo agrícola, ganhou força a iniciativa Raiz, voltada ao uso e recuperação de pastagens degradadas. O Brasil, que tem vasta extensão dessas áreas, recebeu apoio da ONU. Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a Organização das Nações Unidas (ONU) “está muito feliz” com o projeto e deve ajudar a promovê-lo internacionalmente.

Agro ganha protagonismo na COP

Esta edição da conferência marcou a primeira vez em que o agronegócio teve um espaço dedicado, a Agrizone, criada pela Embrapa. Além disso, a Blue Zone, área oficial de negociações, dedicou dois dias inteiros para discussões sobre agricultura e produção rural.

A diretora de políticas públicas e relações governamentais da The Nature Conservancy (TNC), Karen Oliveira, destacou que o início da presidência brasileira da COP, que seguirá até 2031, trouxe foco em soluções efetivas já desenvolvidas por diferentes setores.

“O setor da agricultura deu um show. O eixo de agricultura e o de florestas mostraram resultados muito efetivos”, afirmou.

Na Blue Zone, foram anunciadas medidas com impacto direto ao produtor, como o Eco Invest, o programa de rastreabilidade do Pará e novas linhas de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fortalecer o Plano Safra.

“A agricultura tem papel fundamental na redução das emissões e na manutenção deste equilíbrio climática”, reforçou Karen.

Próximos passos

Com o fechamento das negociações e a consolidação do Pacto de Belém, o próximo passo será acompanhar a implementação das ações ao longo do ano de presidência brasileira.



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Acordo com a China deve aliviar perdas de sojicultores americanos



A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, informou que o governo Trump deve anunciar, em até duas semanas, um pacote de ajuda aos produtores e um acordo para novas compras de soja pela China.

Os agricultores americanos enfrentaram perdas bilionárias neste ano devido à queda das vendas para a China, que aumentou suas compras no Brasil e na Argentina. Segundo dados de Washington, em outubro, os chineses prometeram adquirir 12 milhões de toneladas até janeiro e, na semana passada, compraram 1,6 milhão de toneladas em apenas três dias.

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Rollins afirmou que as negociações estão avançadas e que espera que a China cumpra os compromissos assumidos. Apesar disso, mesmo que os pedidos sejam formalizados agora, os embarques só devem ocorrer no início de 2026.

O presidente Trump anunciou em rede social que teria fechado um “acordo importante” com o presidente Xi Jinping sobre soja e outros produtos agrícolas.

As informações são da consultoria Safras & Mercado.



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Brasil deve perder US$ 3 bilhões em 12 meses por conta do tarifaço dos EUA



O Brasil conseguiu reverter na última quinta-feira (20) o tarifaço de 40% cobrado pelos Estados Unidos à grande parte dos produtos que exporta, como café não torrado, carnes bovinas, frutas, minério de ferro e petróleo bruto.

Contudo, por conta dos três meses e 20 dias em que a cobrança vigorou, o país tende a reduzir seus embarques ao mercado norte-ameircano nos próximos 12 meses em US$ 3 bilhões, algo que aumentaria o déficit comercial com a nação da América do Norte. É o que aponta um estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) à BMJ Consultoria.

De acordo com o sócio-fundador da BMJ, Welber Barral, o impacto financeiro ao Brasil não diz respeito apenas aos efeitos diretos, mas também aos indiretos, como as tarifas menores cobradas de exportadores concorrentes, como no caso da carne bovina argentina.

“Além disso, você tem mais um impacto negativo: uma boa parte do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos é o comércio intrafirma, ou seja, são subsidiárias de empresas americanas que expotam para elas mesmas ou subsidiárias de empresas brasileiras que expotam para elas mesmas nos Estados Unidos”, detalha.

Segundo Barral, no setor agrícola, um dos setores mais afetados é o do café solúvel. “O café solúvel brasileiro é um dos mais competitivos do mundo, mas os Estados Unidos só retiraram a alíquota de 40% do café verde e do torrado. O café solúvel tem alto valor agregado. Ele paga mais no Brasil ao produtor brasileiro porque ele agrega muito valor e 30% do que é exportado vai para os Estados Unidos”, contextualiza.



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Dezembro chega com chuva? Previsão do tempo indica alívio para parte do país; saiba onde



A previsão do tempo para as principais regiões produtoras de soja do país aponta um cenário de melhora na umidade do solo, especialmente no Matopiba. Os mapas meteorológicos mostram boas condições hídricas na Bahia, Tocantins, centro-sul do Maranhão e avançando também para o Piauí.

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Apesar de algumas irregularidades na faixa de divisa entre Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, o Centro-Sul do país mantém níveis satisfatórios de umidade para o avanço da safra.

Próximos cinco dias

Nos próximos cinco dias, o centro-sul deve registrar tempo mais firme, condição que favorece o trabalho em campo, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde produtores aceleram as operações após semanas de instabilidade. Enquanto isso, a chuva deve se concentrar no Tocantins, Bahia, norte de Minas, norte de Mato Grosso e Goiás, com acumulados superiores a 50 milímetros no período.

Como fica o começo de dezembro?

Com a virada do mês e os primeiros dias de dezembro, a instabilidade volta a se espalhar pelo país. A previsão indica o retorno das chuvas para o Paraná, Mato Grosso do Sul e áreas do sul de Mato Grosso, novamente com acumulados acima de 50 milímetros. Esse avanço é importante para regularizar a safra e reduzir áreas de preocupação hídrica.

Entre 5 e 9 de dezembro, o Centro-Sul deve passar por nova janela de tempo mais seco. Mesmo assim, a umidade do solo deve permanecer adequada no Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul, com exceção do extremo norte deste último.

Matopiba

Para o Matopiba, a notícia é ainda mais positiva, com previsão de acumulados que podem superar os 100 milímetros no período. Isso aponta alívio especialmente para produtores do centro-norte do Piauí e centro-leste do Maranhão, regiões que enfrentaram irregularidades de chuva nas últimas semanas.

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Enmcoop promete experiências inéditas para as mulheres do agro em dezembro


A diversidade da mulher brasileira e a riqueza do agro mostradas de variadas formas. Brasilidade, regionalidade e multiculturalismo estarão no centro do 6ª Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas (Enmcoop), que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, no White Pavilion, que é o Centro de Convenções do parque aquático Wet’n Wild, em Itupeva (SP).

Além de todo conteúdo técnico que o evento sempre traz, a programação deste ano será uma vitrine da pluralidade do agronegócio, com um espaço diferenciado dedicado à mostrar as produções do agro, as culturas e as tradições de todas as regiões brasileiras, em parceria com a Faesp, a Federação de Agricultura e Pecuária de São Paulo. O evento reunirá mulheres de diferentes regiões do país que, além de produzirem e tomarem decisões dentro da porteira, carregam tradições que traduzem a cultura brasileira, desde manifestações artísticas presentes nas músicas até saberes transmitidos pelo campo de geração em geração, como na literatura.

O 6º Encoop também abrirá as portas para as culturas e tradições que os colonizadores europeus trouxeram para o Brasil quando chegaram em nossas terras, como os holandeses, alemães e italianos, cujas raízes permanecem muito fortes em vários estados brasileiros, em especial Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Paraná. O evento terá apresentações culturais e várias surpresas para as mais de mil mulheres que devem participar desta edição.

Para Graziela Gonçalves, diretora-executiva do Grupo Conecta e responsável pela abertura oficial, o evento é uma oportunidade de traduzir a grandeza do papel feminino no agro. “Valorizar a mulher é olhar para todos os aspectos que ela representa: desde a produção dentro do campo e a tomada de decisão até a cultura que ela carrega e traduz no dia a dia. O Enmcoop é também um espaço para que essas histórias sejam compartilhadas entre elas, criando um abraço coletivo que mostra a diversidade cultural e a dimensão do nosso Brasil.”

Com o tema “A força das mulheres nas cooperativas: conectando realidades e potencializando resultados”, o encontro vai ampliar os debates sobre liderança, finanças sustentáveis, inovação tecnológica, saúde mental, sucessão familiar e desenvolvimento pessoal. Entre as palestrantes confirmadas estão Leandra Miglioranza (comitê Elas pelo Coop), Juliana Farah (Semeadoras do Agro – Faesp), a jornalista Mônica Salgado, a consultora Mariely Biff, e a empresária Daniella Marques, CEO da Legend e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

O encontro também receberá a neurocientista e psicanalista Andrea Vermont, com o tema “Quem cuida de quem cuida?”, e contará com palestras da psicóloga e especialista em desenvolvimento humano Alessandra Mattar e da jornalista especializada em comportamento feminino Mara Ferraz.

Para a palestrante Luciana Martins, diretora-executiva do Grupo Conecta, o evento é transformador. “Nesses seis anos de execução do Encontro Nacional de Mulheres Cooperativistas pude ver de perto as transformações profundas na vida de tantas mulheres do agro. Mulheres que criaram novos empreendimentos, que inovaram dentro de suas propriedades, que industrializaram e deram novos rumos à sua trajetória. O encontro é esse espaço de despertar: ele mostra a cada mulher o quanto ela pode, o quanto é capaz. Nosso propósito é cuidar desse tripé essencial: espiritualidade, autoconhecimento e profissionalização que conecta, fortalece e prepara para novos níveis. E por onde passo no Brasil, ouço sempre: ‘O Enmcoop transformou a minha vida’. Essa é a nossa missão: revelar dons, gerar abundância e mostrar que a mulher do campo tem um poder único de transformar realidades”, diz.

De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025 (Sistema OCB), as cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 438,3 bilhões em 2024, alta de 3,6% sobre o ano anterior. A distribuição de sobras aos cooperados somou R$ 30,2 bilhões, crescimento de 47%.

Atualmente, as mulheres representam 41% dos mais de 23 milhões de cooperados no país, o equivalente a cerca de 9,43 milhões de pessoas. Após edições realizadas em um navio, em 2023, e em Florianópolis, em 2024, a expectativa é de que o Enmcoop 2025 supere novamente as experiências anteriores, consolidando uma rede nacional de colaboração feminina no agro.



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Falta de coordenação interna faz Brasil perder espaço no cenário global


O Brasil atravessa uma fase em que política e economia parecem falar idiomas diferentes. De um lado, o governo acelera medidas de forte apelo social e eleitoral, do outro, o Congresso, dividido e fragmentado, transforma quase qualquer pauta em disputa ideológica. O resultado é um país sem planos, sem prioridade e sem rumo.

Esse comportamento já seria preocupante em tempos normais. Mas estamos longe de viver tempos normais.

O mundo vive uma das maiores instabilidades geopolíticas desde o fim da Guerra Fria. E o Brasil, que depende de comércio exterior, fluxo de capitais e confiança internacional, não tem o direito de brincar com essa conjuntura.

Os Estados Unidos adotam uma estratégia cada vez mais imprevisível: tarifas que sobem e descem ao sabor da política interna, ameaça de abandonar organismos multilaterais e pressão sobre parceiros para alinhamento estratégico. O Brasil, que exporta para o mercado americano e depende do cenário cambial, sente imediatamente o impacto desse comportamento errático.

Ao mesmo tempo, a China acelera seu projeto de poder: avança militarmente no entorno de Taiwan, reorganiza cadeias produtivas e amplia sua influência sobre países emergentes. Qualquer escalada no estreito de Taiwan pode provocar choques nos mercados globais, de insumos agrícolas a semicondutores.

E há ainda a guerra entre Rússia e Ucrânia, que continua a gerar volatilidade nos preços de energia, fertilizantes e alimentos, componentes que atingem diretamente o agronegócio, a inflação e a competitividade brasileira.

Em um mundo assim, um país que não garante previsibilidade política paga duas vezes: perde confiança e perde oportunidades.

Quando governo e Congresso demonstram incapacidade de coordenação, os agentes internacionais imediatamente recalculam suas apostas. Investidores recuam. Fundos precisam corrigir riscos. Crédito fica mais caro. E o câmbio se torna mais sensível, não apenas aos fatores externos, mas ao ruído político doméstico.

É assim que a política interna amplifica os riscos externos. Um país que deveria ser porto seguro acaba parecendo terreno instável.

Em um ambiente global volátil, o Brasil deveria estar fazendo sua lição de casa, disciplina fiscal, reformas, simplificação tributária, segurança jurídica. Mas o jogo político entre Executivo e Legislativo atrasa tudo.

E quando isso acontece, os setores que mais dependem de previsibilidade sofrem:

  • o agronegócio enfrenta crédito caro e margens pressionadas;
  • a indústria posterga investimentos;
  • o comércio reduz apostas;
  • e o trabalhador sente no bolso.

O mundo pede estabilidade. A política brasileira entrega turbulência.

O Brasil não precisa escolher um lado entre Estados Unidos e China, nem entrar na disputa geopolítica global. Mas precisa ter clareza sobre si mesmo. Precisa de um pacto básico de responsabilidade interna para enfrentar um ambiente externo que não dá trégua.

Esse pacto deve incluir:

  • metas fiscais realistas e cumpridas;
  • diálogo entre governo e Congresso que substitua confronto por coordenação;
  • políticas de longo prazo para competitividade;
  • previsibilidade jurídica e regulatória.

Sem isso, ficamos vulneráveis, e a vulnerabilidade é o pior ativo em um mundo de tensões e rupturas.

A geopolítica está mostrando que o mundo ficou mais perigoso, mais caro e mais imprevisível. Em tempos assim, países que têm rumo prosperam. Países que improvisam pagam caro.

O Brasil tem potencial gigantesco: energia limpa, água, alimentos, mercado interno robusto e posição estratégica. Mas tudo isso pode ser corroído por uma política que insiste em transformar disputa em método de governo, e improviso em plano.

Não se trata de defender A ou B. Trata-se de defender o óbvio: num mundo instável, um país sem disciplina política não tem futuro econômico.

Se o Brasil não reencontrar seu centro agora, pode descobrir tarde demais que a verdadeira ameaça ao crescimento não vem de fora, nasce de dentro.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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o que fazer para o gado produzir mais?



A mineralização do rebanho é um pilar fundamental para a pecuária brasileira, especialmente no período das águas. Embora o pasto esteja abundante, as gramíneas tropicais – como mombaça, braquiária e tifton – são naturalmente deficientes em macro e microminerais.

O principal gargalo nutricional é o fósforo, mineral vital para o metabolismo energético, o ganho de peso, a reprodução e a saúde óssea dos bovinos.

Segundo o zootecnista e consultor Maurício Scoton, o ponto-chave para aumentar o potencial do rebanho não está na marca do suplemento, mas sim em garantir o consumo efetivo da quantidade necessária de minerais por cabeça/dia. Ele estima que 98% dos pecuaristas têm um consumo de sal abaixo do recomendado, o que sabota a expressão do potencial genético do gado.

Confira:

Exigência de fósforo por categoria animal

O sucesso da mineralização na época das águas está em atender à demanda específica de cada categoria, já que a exigência de fósforo varia:

  • Vacada em reprodução: é a categoria mais exigente, precisando de cerca de 90 gramas de fósforo no mineral.
  • Recria: necessita de cerca de 60 gramas de fósforo.
  • Engorda: demanda cerca de 40 gramas de fósforo.

A recomendação geral é que o gado consuma entre 4 a 6 gramas de fósforo por dia.

O ponto-chave: consumo efetivo e controle operacional

O consultor Maurício Scoton questiona a eficácia da compra de um suplemento premium se o manejo de fornecimento é falho e os animais consomem apenas 10 gramas por dia, em vez das 60 gramas recomendadas. Para aumentar o potencial produtivo do rebanho, a disciplina no controle operacional é o primeiro passo:

  • Meça o consumo real: o produtor deve começar medindo o consumo real de sal na fazenda, verificando o total de sal comprado no ano versus o número de animais que permaneceram na propriedade. Essa análise inicial permite obter uma média de consumo por animal/dia.
  • Ajuste o manejo: o ideal é adotar práticas de controle mensal, lote por lote, para ir ajustando a oferta e garantindo que cada categoria de animal atinja o consumo efetivo.

Ao garantir que o animal consuma a quantidade correta do mineral, o produtor rural eleva o desempenho e permite que o potencial genético do rebanho seja totalmente expresso, corrigindo as deficiências nutricionais que o pasto abundante não consegue suprir.



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AgroNewsPolítica & Agro

Acácia, eucalipto e pínus têm cenários distintos no RS


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quarta-feira (19), a produção de acácia-negra na região administrativa de Caxias do Sul, especialmente na região das Hortênsias, permanece como reserva financeira e complemento de renda para diversas unidades produtivas. O boletim informa que “a atividade enfrenta dificuldades devido à escassez de mão de obra”, enquanto a maior parte do mercado segue direcionada à produção de energia, com participação menor da construção civil. As condições fitossanitárias são consideradas adequadas, com tratos culturais, controle de formigas, adubação de cobertura, corte e colheita em andamento.

Na mesma região, a demanda pela matéria-prima do eucalipto permanece estável. O informativo destaca que “a espécie se destaca pelo rápido crescimento”, impulsionado pelo setor de desdobro e pelo uso diversificado. A implantação de novas áreas e o manejo da brotação estão abaixo do previsto, o que pode resultar em escassez de madeira nos próximos anos. Segundo o documento, a cultura “apresenta boas condições fitossanitárias”, com práticas de manejo como controle de formigas, corte, empilhamento e comercialização de toras e subprodutos, especialmente lenha. Os preços variam conforme localização, dificuldade de extração e diâmetro da madeira, atendendo aos mercados local, regional e estadual.

Na região administrativa de Frederico Westphalen, são realizados tratos culturais, incluindo preparo de terreno, plantio de mudas, controle de formigas e inços e adubação. Em florestas de dois a três anos ocorre a poda, enquanto áreas com seis a sete anos recebem o raleio.

Na região administrativa de Caxias do Sul, os cultivos de pínus mantêm papel relevante na cadeia florestal, com destinação para toras, chapas, compensados, aglomerados, laminados, movelaria, pallets, estaquetas para exportação, forros, assoalhos e construção civil. O setor registra apreensão diante de especulações sobre tarifas de importação pelos Estados Unidos, o que levou empresas a conceder férias coletivas e a promover demissões. A madeira fina, entre 18 e 30 centímetros, mantém mercado, embora com queda nos preços, enquanto toras acima de 30 centímetros enfrentam baixa procura. Segundo o informativo, “a demanda por parte de empresas locais, regionais e de estados vizinhos garante preços regulares aos produtores”. O boletim também aponta que apenas 15% a 20% das áreas de corte raso estão sendo replantadas, com substituição por cultivos anuais e perenes, exceto em empresas verticalizadas que mantêm os plantios. As entidades do setor alertam para o risco de déficit de madeira nos próximos anos. As condições fitossanitárias são relatadas como adequadas.

Na região administrativa de Passo Fundo, a resinagem registrou retração no último ano e tende a diminuir ainda mais devido à baixa disponibilidade de áreas aptas para coleta. A atividade permanece apenas em florestas já resinadas, sem expansão para novas áreas. Continua a colheita por corte raso, com baixo índice de replantio e migração de áreas para cultivos anuais.





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saiba como tecnologias de baixo carbono transformam lavouras



No programa 42 do Soja Brasil, a soja foi destaque na COP30, evento em Belém (PA) que reforçou o papel do Brasil na produção sustentável de alimentos. A chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Carina Rufino, explicou que a conferência reuniu delegações de todo o mundo para conhecer os sistemas de produção brasileiros, incluindo o programa Soja Baixo Carbono e outros protocolos de agricultura de baixo carbono desenvolvidos pela Embrapa.

Confira:

“A COP30 proporcionou oportunidades únicas para mostrar como os produtores brasileiros adotam tecnologias que reduzem a emissão de gases de efeito estufa, aumentam a produtividade e fortalecem a sustentabilidade do setor. É possível produzir com sustentabilidade e melhorar a qualidade do solo ao mesmo tempo, inspirando outros países a seguir o mesmo caminho”, afirmou Rufino.

Ela destacou que a semana do evento foi essencial para apresentar o que está por trás da produção de alimentos e demonstrar a liderança do Brasil no setor. “Nossas tecnologias inspiram produtores em outros países e também aqueles que ainda não adotam essas práticas a repensarem seus sistemas de produção”, acrescentou.

O selo Soja Baixo Carbono surge como um diferencial competitivo para produtores que comprovarem boas práticas de manejo. ”O programa prevê certificação voluntária de terceira parte, métricas adaptadas à realidade brasileira e benefícios como acesso a financiamento, seguros diferenciados e mercados que valorizam produtos sustentáveis, fortalecendo um ecossistema de apoio relacionado à mudança climática”, detalhou.

“Quanto mais tecnologias de baixo carbono o produtor adota, menor é o risco climático para ele e para toda a cadeia de valor da soja. Isso garante oferta contínua de produtos de qualidade, com menor pegada de carbono, e muda a forma como produzimos”, concluiu Rufino.



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Após 2 meses, navio com 3 mil vacas é autorizado a descarregar na Líbia



De acordo com informações da Mercy For Animals (MFA), as cerca de 3 mil vacas que estavam confinadas há dois meses no navio Spiridon II finalmente desembarcaram no porto de Benghazi, na Líbia. Apesar de o país não possuir acordo fitossanitário com o Uruguai, origem dos animais, o importador conseguiu um entendimento com as autoridades locais, que autorizaram a descarga. O desembarque encerra um impasse que se estendia desde setembro e que mobilizou organizações internacionais, governos e entidades de bem-estar animal.

Como tudo começou

O navio Spiridon II deixou Montevidéu em 20 de setembro, com destino ao porto turco de Bandırma. Ao chegar à costa da Turquia, em 22 de outubro, a embarcação teve o desembarque negado pelas autoridades sanitárias devido a inconsistências graves na documentação e falhas na identificação do gado.

Segundo o laudo turco, 146 animais estavam sem brincos de identificação ou com brincos ilegíveis, enquanto 469 apresentavam marcas que não coincidiam com as listas oficiais. A inspeção também registrou 48 mortes durante a travessia, o que elevou o alerta sobre risco sanitário e manejo inadequado.

A recusa da Turquia deu início a uma sequência de tentativas frustradas de atracação, deixando os animais confinados em alto-mar por semanas.

Condições degradantes a bordo

Relatórios de organizações que acompanharam o caso descrevem a situação dentro do navio como “degradante”. As denúncias incluíram forte odor e infestação de moscas,carcaças empilhadas no convés, resíduos putrefatos gerados pela decomposição e vazamento de fluidos orgânicos por conta da má gestão das carcaças.

A Animal Welfare Foundation (AWF) informou ainda que houve cerca de 140 nascimentos durante a viagem, muitos deles em condições precárias.

A especialista Maria Boada, da AWF, chegou a alertar que os animais não tinham alimento suficiente e que muitos não resistiriam a mais semanas no mar. A veterinária australiana Lynn Simpson, referência mundial em transporte marítimo de gado, relatou riscos sanitários e ambientais associados à presença de carcaças em decomposição e descartes irregulares.

Mudanças de rota até o desembarque final

Após ser impedido de descarregar na Turquia, o Spiridon II deixou o país em 14 de novembro, cruzou o Estreito de Çanakkale e chegou a iniciar rota de retorno ao Uruguai, com chegada estimada para 14 de dezembro, segundo dados do MarineTraffic.

No entanto, a rota mudou repentinamente e no sábado (22), o navio atracou no porto de Benghazi, na Líbia, onde finalmente recebeu autorização para o desembarque dos animais.

Desde o início do impasse, a Mercy For Animals manteve contato com instituições do Oriente Médio e da América Latina, monitorando a situação e pressionando por desfecho que evitasse a morte dos animais durante o trajeto.

Problema recorrente no transporte marítimo de gado

O caso reacende o debate sobre os chamados navios boiadeiros, frequentemente alvo de denúncias por operar com infraestrutura precária, superlotação e baixa fiscalização.
Relatórios internacionais apontam que as condições inadequadas favorecem:

  • mortes de animais,
  • contaminação cruzada,
  • proliferação de doenças,
  • riscos à saúde pública,
  • e impactos ambientais — como descarte de carcaças no mar.

Brasil lidera exportação mundial de animais vivos

O episódio também reacende discussões no Brasil, atualmente o maior exportador de animais vivos do mundo. A MFA projeta que o país deve superar 1 milhão de bovinos embarcados em 2025, o maior volume da história.

Duas propostas avançam no Congresso em resposta à pressão crescente de entidades e especialistas: o PLP 23/2024 e o PL 786/2024, que pretendem desestimular a atividade com tributação mais alinhada aos riscos sanitários, ambientais e de bem-estar animal.



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