O Cinturão Citrícola de São Paulo e o Triângulo/Sudoeste Mineiro devem produzir 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2025/26. Esse volume é 26,7% maior do que o colhido na safra 2024/25. Os dados são do relatório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) com base em levantamento realizado pelo Fundecitrus.
Ainda segundo o relatório, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, a produtividade estimada é de 807,9 caixas por hectare, 18% maior que na safra anterior. O peso médio das laranjas deve atingir 153 gramas e a taxa de queda dos frutos pode chegar a 23%.
As variedades Hamlin, Westin e Rubi já tiveram as suas colheitas concluídas, com produção estimada de 46,2 milhões de caixas, 23% maior que a do ciclo passado. As taxas de queda das variedades precoces são as mais baixas: 16,9% para Hamlin, Westin e Rubi e 18,5% para as demais precoces. A safra da variedade Pera Rio está estimada em 87,65 milhões de caixas, com peso médio de 153 gramas/fruto, sendo necessários 267 frutos para compor uma caixa de 40,8 kg.
As variedades tardias sofreram mais com as chuvas intensas de janeiro, afetando a qualidade dos frutos, com a produção das laranjas Valência e Folha Murcha estimada em 104,3 milhões de caixas, com peso médio de 161 gramas. A produção da variedade Natal deve alcançar 36,8 milhões de caixas, com média de 250 frutos por caixa e taxa de queda estimada em 28,5%.
A oferta elevada, maior taxa de queda e redução na qualidade das variedades de mesa devido às chuvas, mantiveram os preços da laranja em São Paulo pressionados no início de 2026. Em meados de fevereiro, o indicador da laranja indústria estava em aproximadamente R$ 32 por caixa, acumulando variação mensal negativa de quase 12%.
Clique na imagem abaixo para acessar o relatório completo, e acesse o Painel de Dados da Faesp para mais informações sobre os principais produtos agropecuários e outras estatísticas importantes para o agronegócio paulista e brasileiro.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) colocou em prática o Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, instituído pela Portaria nº 28/2025, com a proposta de ampliar o acesso de pequenos produtores a tecnologias de melhoramento genético. A iniciativa busca elevar a produtividade de leite e carne nas propriedades familiares por meio da utilização de biotecnologia reprodutiva.
De acordo com o ministério, o programa pretende democratizar o acesso a material genético de alto desempenho, permitindo que produtores familiares utilizem técnicas antes concentradas em grandes propriedades. A transferência de embriões possibilita o nascimento de animais com genética superior de pai e mãe, diferentemente da inseminação artificial convencional, em que apenas a genética do touro é selecionada.
O ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que a política pública busca ampliar a competitividade do setor. “A pasta está entregando ao pequeno produtor a tecnologia que antes era restrita aos grandes, garantindo que o rebanho da agricultura familiar seja sinônimo de excelência e renda”, disse.
O processo envolve a seleção de fêmeas doadoras com genética comprovada e de vacas receptoras presentes nas propriedades rurais. Após a fertilização em laboratório, o embrião é implantado na receptora, que gestará o animal com características produtivas superiores, como maior adaptação ao clima tropical, melhor conversão alimentar no caso de gado de corte e aumento da produção de leite.
Para apoiar a implantação da tecnologia nas propriedades, o programa prevê suporte técnico especializado. Os produtores podem destinar até 2% do valor financiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para assistência técnica, que acompanha desde a seleção das receptoras até os primeiros meses de desenvolvimento dos animais.
A secretária-executiva do MDA, Fernanda Machiaveli, destacou que a logística de distribuição do material genético e do conhecimento técnico é fundamental para o funcionamento do programa. “Nosso foco é assegurar que o conhecimento e o material genético cheguem com qualidade às áreas mais remotas, fortalecendo as cooperativas locais”, afirmou.
Segundo o ministério, a expectativa é que, nos próximos cinco anos, a biotecnologia reprodutiva passe a integrar de forma mais ampla o cotidiano das propriedades familiares, ampliando a produtividade e fortalecendo a produção de alimentos no país.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca a forte volatilidade no mercado de energia, impulsionada por tensões no Estreito de Ormuz e cortes de produção no Golfo, que levaram momentaneamente o petróleo a US$ 120 o barril.
Após discussões no G7 sobre uso de reservas estratégicas, os preços recuaram abaixo de US$ 100. O Ibovespa avançou 0,86%, o dólar caiu 1,52% para R$ 5,16 e juros futuros recuaram. Agenda doméstica traz apenas prévias de inflação.
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Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.
Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, no Distrito Federal, estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante voltado à tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico.
Os experimentos foram realizados em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado. Os testes registraram aumento de até 160% na formação de síliquas na canola, estruturas que abrigam as sementes, e crescimento de até 12% no sistema radicular do trigo.
O projeto recebeu o nome de Algoj, inspirado na palavra “alga” em esperanto, e é realizado em parceria com a empresa CBKK, com recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
Segundo as pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, responsáveis pelo projeto iniciado em 2023, os resultados indicam potencial de aplicação, mas ainda precisam ser confirmados em condições de campo.
Extração de fitormônios é foco do estudo
Ao longo de dois anos, os pesquisadores analisaram quatro espécies de algas marinhas. Três delas foram selecionadas para continuidade dos estudos. O foco da pesquisa está na extração de metabólitos secundários, compostos que atuam como sinalizadores químicos no desenvolvimento das plantas.
“Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica Mendonça.
Para obter esses compostos, chamados de fitormônios, os pesquisadores testaram diferentes métodos de secagem e extração das algas. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, afirma a pesquisadora.
Quatro extratos foram selecionados após testes iniciais realizados com mudas de tomate da cultivar BRS Zamir.
Testes com trigo e canola no Cerrado
Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.
A pesquisa avançou para experimentos com trigo e canola, culturas cultivadas no inverno no Cerrado. O bioma registra período de estiagem entre maio e setembro, com redução de chuvas observada nas últimas décadas. As duas culturas foram escolhidas por enfrentarem fases de estresse hídrico durante esse período.
Os testes identificaram dois extratos de algas com potencial de aplicação nas lavouras.
Na canola, uma das formulações antecipou o florescimento e manteve desempenho produtivo sob restrição de água. No trigo cultivado sem irrigação, o uso de extratos resultou em aumento no volume e no comprimento das raízes.
Os experimentos foram realizados em ambiente controlado, com temperatura e umidade reguladas. O pesquisador Agnaldo Chaves afirma que os resultados obtidos indicam potencial, mas não devem ser reproduzidos na mesma proporção em lavouras comerciais.
“Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, diz.
Segundo ele, duas formulações apresentaram desempenho na canola e uma no trigo de sequeiro (sem irrigação). “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, afirma.
Nos testes, a canola foi acompanhada por cerca de 100 dias até a fase reprodutiva, enquanto o trigo foi avaliado até a fase vegetativa.
Produção de bioinsumo também enfrenta desafios
Além dos testes agronômicos, a pesquisa incluiu o desenvolvimento de formas de transporte e conservação do bioinsumo.
Como o transporte de extratos líquidos pode aumentar custos e provocar degradação dos compostos, os cientistas desenvolveram uma versão seca do produto, em pó molhável, por meio do processo de spray dryer.
“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, afirma Mendonça.
Próxima etapa prevê testes em lavouras
Com a etapa de laboratório e de casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, a equipe busca ampliar a parceria para iniciar experimentos em campo. O objetivo é definir recomendações de uso, como dosagem e período de aplicação.
Ainda serão avaliados fatores como o uso combinado de espécies de algas e o comportamento do extrato em regiões com diferentes regimes de chuva. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, afirma Mendonça.
Segundo a pesquisadora, o uso de algas também pode estimular a cadeia produtiva ligada à biodiversidade marinha brasileira, com geração de renda para comunidades que atuam na coleta e cultivo dessas espécies.
As lagartas seguem entre as pragas que mais preocupam produtores de milho, soja e trigo no Brasil. Em condições de alta infestação, esses insetos podem causar prejuízos expressivos e comprometer diretamente a rentabilidade das lavouras. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que ataques severos podem reduzir em até 30% a produtividade da soja e até 40% do milho, principalmente quando o controle não é realizado no momento adequado. Esses números reforçam o impacto econômico das pragas lepidopteras nos principais sistemas produtivos de grãos do país.
Entre as espécies mais presentes nas lavouras brasileiras está a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), considerada uma das pragas mais agressivas do milho e capaz de atacar também culturas como soja, algodão e hortifrúti. Outra espécie de grande impacto econômico é a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), praga importante na soja e que exige atenção constante devido à dificuldade de controle em determinadas situações. Segundo informações técnicas da Embrapa, essas espécies provocam danos principalmente nas folhas das plantas, reduzindo a área fotossintética e comprometendo o desenvolvimento da cultura.
Segundo Lauany Cavalcante, Coordenadora de Portfólio da Biotrop, os sinais de infestação podem evoluir rapidamente quando o monitoramento não é realizado com frequência. “Quando há alta população de lagartas, é comum encontrar folhas completamente perfuradas e cartuchos de milho severamente danificados. Esse ataque reduz a capacidade de fotossíntese da planta e impacta diretamente o potencial produtivo da lavoura”, explica a especialista.
O principal dano causado pelas lagartas ocorre nas folhas das plantas. Esses insetos possuem aparelho bucal mastigador, característica que permite consumir rapidamente grandes áreas foliares e provocar desfolha intensa. Em infestações severas, a perda da área foliar reduz a capacidade da planta de produzir energia via fotossíntese, afetando diretamente o crescimento da cultura e o enchimento de grãos, efeito amplamente descrito em publicações técnicas da Embrapa.
Além das pragas que atacam as culturas de verão, produtores também precisam ficar atentos às lavouras de inverno. Nos sistemas de produção que incluem trigo, aveia e outros cereais, a lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax) tem ganhado destaque como importante desafio fitossanitário. De acordo com informações técnicas da Embrapa Trigo, essa praga possui hábito alimentar predominantemente foliar e pode provocar intensa desfolha nas plantas quando ocorre em altas populações, comprometendo o desenvolvimento da cultura e o enchimento de grãos.
As lagartas normalmente se alimentam durante a noite ou em períodos de menor luminosidade e podem migrar em grupos quando o alimento se torna escasso, comportamento que favorece a rápida expansão da infestação nas áreas cultivadas, conforme descrito em materiais técnicos da Embrapa e de instituições de pesquisa agrícola.
Para Lauany Cavalcante, o sucesso no controle dessas pragas depende diretamente da adoção de estratégias eficientes de Manejo Integrado de Pragas (MIP). “A chave de sucesso para o produtor é combinar monitoramento, rotação de mecanismos de ação e integração de tecnologias químicas e biológicas. Essa estratégia reduz a pressão de seleção e aumenta a eficiência no controle das lagartas ao longo das safras”, destaca.
Nesse cenário, soluções biológicas formuladas com microrganismos entomopatogênicos têm ganhado espaço no manejo agrícola. Tecnologias microbiológicas à base de bactérias como Bacillus thuringiensis e Brevibacillus laterosporus atuam no controle de lagartas por ingestão e contato, causando danos ao sistema digestivo dos insetos e em sua cutícula levando-o à mortalidade.
Com o avanço da intensificação agrícola e da sucessão de culturas no Brasil, o monitoramento constante das lavouras e o uso estratégico de diferentes ferramentas de manejo tornam-se cada vez mais decisivos para proteger a produtividade. A integração entre tecnologias químicas, biológicas e práticas agronômicas tem se mostrado fundamental para reduzir perdas e garantir maior eficiência no controle das lagartas nas lavouras brasileiras.
Com investimento de R$ 4,5 milhões, a Yara Brasil inaugurou, na quarta-feira (5), um novo centro de distribuição em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul.. Segundo a empresa, a estrutura amplia a capacidade operacional da unidade para 100 mil toneladas de fertilizantes por ano, fortalece o atendimento a produtores da região e consolida o município como um polo logístico estratégico no Sul do país.
A unidade passa a contar com capacidade estática de 16 mil toneladas em big bags e potencial para movimentar, anualmente, 100 mil toneladas de produtos, volume equivalente a quase 20 caminhões carregados por dia. Além disso, deve aumentar a eficiência logística, reduzir gargalos no armazenamento e melhorar o fluxo de abastecimento aos produtores rurais atendidos pela unidade. A companhia também informou a abertura de 10 novos postos de trabalho diretos com o início da nova estrutura.
“A nova estrutura permitirá maior segurança no armazenamento, eficiência operacional e redução de gargalos logísticos, atendendo melhor e com mais qualidade os produtores da região. Nosso investimento reforça o compromisso da Yara com o desenvolvimento do agronegócio no Estado e o fortalecimento da competitividade regional”, afirmou Lucas Elizalde, diretor de Operações da Regional Sul da Yara.
Com o aporte de R$ 4,5 milhões, a empresa busca consolidar Cruz Alta como um hub regional de mistura e distribuição de fertilizantes. Ainda segundo a Yara, o armazém será dedicado exclusivamente ao portfólio de alta tecnologia da companhia, com linhas como YaraBasa, YaraBasa FULL, YaraMila e YaraBela.
A expectativa é de crescimento de 25% no faturamento em volume da unidade. Na prática, a ampliação pode reforçar a presença da companhia no mercado regional e ampliar a capacidade de atendimento não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em outros estados, favorecidos pela localização logística do município. Com a nova estrutura, a expectativa é de maior robustez na armazenagem e movimentação de fertilizantes, em um momento em que eficiência logística e disponibilidade de insumos seguem no centro das decisões do agronegócio. Para a Yara, a inauguração representa um avanço operacional; para o setor, o movimento sinaliza um reforço na infraestrutura de distribuição de fertilizantes no Rio Grande do Sul.
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Foto: Divulgação
A análise desta sexta-feira (6) do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria, aponta que as cotações do boi gordo permaneceram estáveis na comparação diária, embora a dinâmica do mercado tenha mudado ao longo da semana.
Segundo a consultoria, a falta de previsibilidade reduziu o volume de negócios no mercado pecuário. A incerteza em relação aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio levou compradores a adotarem postura cautelosa, enquanto parte da indústria frigorífica diminuiu o ritmo de abates para alongar as escalas e negociar com mais tranquilidade. De acordo com a análise, “a falta de clareza sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio deixou os compradores na retranca”.
O desempenho das vendas de carne no fim de semana também passou a ser considerado fator relevante para o mercado. Nesse contexto, alguns compradores passaram a oferecer preços menores para a arroba. Apesar disso, os vendedores mantiveram as pedidas. Conforme o informativo, “a ponta vendedora esteve firme, não cedeu e aguardou, com calma, o desenrolar da situação”.
Ainda de acordo com a análise da Scot Consultoria, o mercado segue marcado por especulações. No comércio externo, os embarques de carne bovina registraram bom desempenho em fevereiro de 2026, mês que se destacou em faturamento ao alcançar US$ 1,3 bilhão. O principal destino continua sendo o continente asiático, impulsionado pela demanda chinesa.
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, a China respondeu por 47,8% dos embarques brasileiros de carne bovina. A expectativa do setor é de manutenção desse ritmo em março.
A consultoria também destaca que a escalada do conflito no Oriente Médio acendeu um alerta no mercado internacional. A região é uma importante consumidora e também funciona como entreposto no comércio global da proteína. Com possíveis portos fechados, ainda não há clareza sobre os efeitos na dinâmica do comércio internacional da carne bovina e sobre o comportamento da demanda nas próximas semanas, cenário que pode influenciar o mercado brasileiro.
De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (5) pela Emater/RS-Ascar, a cultura do arroz no Rio Grande do Sul avança para a fase final do ciclo, com progresso gradual da colheita. Ainda assim, predominam lavouras nas fases de granação e maturação.
Segundo a entidade, as condições meteorológicas registradas no período contribuíram para o andamento dos trabalhos no campo. A alternância entre instabilidades e dias ensolarados favoreceu a redução da umidade dos grãos e permitiu maior intensificação das operações de colheita. A elevada radiação solar observada ao longo de janeiro e fevereiro também colaborou para o enchimento dos grãos e para a consolidação do potencial produtivo das lavouras.
Em áreas implantadas mais tardiamente, que ainda se encontram em floração, as temperaturas próximas ou inferiores a 10 °C e episódios de calor intenso associados à baixa umidade relativa do ar podem ter provocado esterilidade de flores e falhas na granação. Apesar desses registros pontuais, o quadro geral da produção é considerado dentro da normalidade. De acordo com a Emater/RS-Ascar, há expectativa de safra cheia nas principais regiões produtoras. A disponibilidade hídrica nos sistemas irrigados é considerada satisfatória, com manejo contínuo da lâmina d’água e redução gradual da demanda à medida que as lavouras se aproximam da maturação plena.
A área cultivada no estado é estimada em 891.908 hectares, conforme dados do IRGA. A produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar é de 8.752 quilos por hectare.
Na região administrativa de Bagé, o período começou com instabilidade climática, mas a partir de 26 de fevereiro houve predominância de tempo firme, o que favoreceu o início das atividades de colheita. Na Fronteira Oeste, municípios como Alegrete, Maçambará e Rosário do Sul já colheram cerca de 5% da área cultivada. Na Campanha, em Dom Pedrito, a colheita deve começar nos próximos dias. Já as lavouras implantadas em dezembro permanecem em floração e podem ter sido afetadas pelas baixas temperaturas registradas no período, com mínimas próximas de 10 °C em diversos municípios e 8,8 °C em Hulha Negra.
Na região administrativa de Pelotas, 54% das lavouras estão em granação, 30% em maturação, 10% já foram colhidas, 3% permanecem em florescimento e 2% em desenvolvimento vegetativo. A expectativa é de intensificação da colheita ao longo de março. O desenvolvimento das plantas é considerado adequado para a época, influenciado pela elevada radiação solar registrada durante o verão.
Na região de Santa Maria, a colheita alcança 10% da área, enquanto cerca de 40% das lavouras estão em maturação. As projeções indicam safra cheia, especialmente em áreas conduzidas com manejo adequado de irrigação.
Na região de Santa Rosa, as lavouras encontram-se em fases reprodutivas e de maturação, apresentando comportamento fisiológico considerado estável. As chuvas recentes reforçaram a disponibilidade de água para os sistemas irrigados, embora a demanda esteja diminuindo com a proximidade do encerramento do ciclo.
Já na região de Soledade, 45% dos talhões estão em enchimento de grãos, 40% em maturação e 15% em colheita. A radiação solar elevada contribuiu para o desenvolvimento das lavouras. Por outro lado, picos de temperatura combinados com baixa umidade relativa do ar podem causar esterilidade de flores e falhas nas panículas. A disponibilidade de água em reservatórios e mananciais é considerada suficiente para manter a irrigação até o final do ciclo, enquanto o monitoramento fitossanitário se concentra no controle de percevejos e brusone, com intervenções quando necessárias.
A atuação de uma massa de ar polar começa a influenciar o tempo em parte das regiões Sul e Sudeste do Brasil nesta segunda semana de março, informa a Climatempo.
O sistema deve provocar a entrada de ar mais frio e úmido, favorecendo temperaturas mais amenas e maior presença de nebulosidade em algumas áreas.
Nesta segunda-feira (9), o tempo já ficou mais fechado em pontos do leste da Região Sul e também em áreas da faixa leste do estado de São Paulo, incluindo o litoral. A presença de muitas nuvens ao longo do dia contribuiu para manter as temperaturas mais baixas.
Tempo no Sul do país
Nos próximos dias, a tendência é de continuidade desse padrão de tempo mais nublado em parte da Região Sul. A combinação entre a presença de nuvens, episódios de chuva e a circulação de ventos mais frescos ajuda a manter a sensação de frio.
Os efeitos devem ser sentidos principalmente em áreas da metade leste do Rio Grande do Sul, entre o sul, serra e leste de Santa Catarina e no sul e leste do Paraná, onde as temperaturas tendem a permanecer mais amenas ao longo da semana, especialmente nas regiões mais próximas da costa.
Ar mais frio em São Paulo
No estado de São Paulo, a Climatempo destaca que a influência da massa de ar polar ocorre principalmente nas áreas mais próximas do litoral. A circulação de ventos vindos do oceano transporta ar mais fresco e úmido para o estado.
Com isso, regiões como o litoral paulista, o sul do estado, o Vale do Ribeira, a Região Metropolitana de São Paulo, além de áreas do centro-leste e do Vale do Paraíba devem sentir temperaturas mais amenas nos próximos dias.
A circulação de ar mais frio também influencia áreas do sul de Minas Gerais e do estado do Rio de Janeiro. Segundo a Climatempo, nestas regiões, a presença de maior nebulosidade e ventos mais frescos favorece temperaturas mais amenas, especialmente em áreas de maior altitude e nas localidades mais próximas da faixa leste do Sudeste.
Quando as temperaturas voltam a subir?
A partir do fim de semana, a tendência é de que as temperaturas voltem a subir gradualmente em parte do Sul e do Sudeste.
Segundo a Climatempo, isso ocorre por causa do enfraquecimento da massa de ar polar e também pela expectativa de maiores aberturas de sol ao longo do dia. Com mais períodos de sol, as tardes devem voltar a registrar elevação mais significativa das temperaturas.
Indícios de fraude em uma carga de 42 toneladas de soja destinada à exportação em Paranaguá, no Paraná, foram identificados pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A ação, comunicada pela pasta nesta segunda-feira (9), foi realizada após comunicação da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), em 24 de fevereiro.
A inspeção ocorreu no Pátio de Triagem do porto para verificar a conformidade do produto com os padrões oficiais de identidade e qualidade exigidos para produtos vegetais destinados à alimentação humana e ao comércio internacional.
Durante a fiscalização, foram constatadas inconformidades entre o produto transportado e as informações declaradas na documentação fiscal, indicando possível irregularidade no processo.
A carga apresentou indícios de adulteração ao chegar ao destino, com divergências em relação ao produto originalmente embarcado. A auditoria na classificação reforçou os indícios ao apontar composição diferente da declarada.
O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes. Os indícios de irregularidade de natureza administrativa e operacional estão sendo analisados pelo Mapa, enquanto eventual aspecto criminal é apurado pela Polícia Federal, nos termos da legislação vigente.
O produto apreendido deverá ser destinado à destruição, com acompanhamento do Mapa. A definição formal do procedimento está em andamento, e a destinação final deverá ocorrer em aterro sanitário.
Segundo o chefe do Sipov/PR, Fernando Augusto Mendes, a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja exige o fortalecimento contínuo dos mecanismos oficiais de fiscalização para resguardar a reputação do produto nacional no mercado global.